Esse novo capítulo da nossa série especial sobre o crime organizado no RJ traz as considerações de que quem realmente vivenciou e combateu bandidos e não professores de universidades ou de institutos que têm visão superficial sobre o tema.
Ex-secretário da Polícia Civil fluminense e atual candidato a deputado federal, o delegado Felipe Curi vem usando suas redes sociais para explicar a realidade sobre o crime organizado.
Curi disse que o Rio de Janeiro é o único lugar do mundo que aparenta se viver em uma situação de paz mas que enfrenta uma realidade de guerra.
Segundo ele, o RJ tem cerca de 1900 favelas onde haveriam aproximadamente 80 mil bandidos armados com fuzis.
“Facções criminosas tem ponto 50, ponto 30, granadas, minas terrestres, drones que jogam bombas e transportam armas entre uma comunidade e outra. Isso não existe em nenhum outro lugar do mundo”
Segundo o delegado, as polícias têm hoje armamento inferior aos usados pelos criminosos do RJ.
Curi afirmou que no Brasil hoje vale a pena ser bandido porque na sua visão, o país têm hoje sistemas penais e criminais completamente falidos.
“Os policiais estão trabalhando muito acima dos seus limtes. Eles não têm qualquer segurança jurídica para trabalhar e a população não aguenta mais tanta impunidade”.
Para ele, só existe uma forma de se mudar o quadro: mudar as leis.
“A legislação criminal está toda atrasada, ela só favorece bandidos e impede a polícia de agir a altura”
Outro ponto levantando por Curi é que, segundo ele, as organizações criminosas que agem no RJ deviam ser classificadas pelo Brasil como terroristas, assim como fez o governo norte-americano que classificou o PCC e o CV como tal.
Ele cita o caso ocorrido essa semana em que, por conta de uma operação policial na região da Mangueira, bandidos reagiram a tiros e mandaram fechar ruas e montaram barricadas com fogo.
“Quem faz isso não é traficante, é terrorista e quem paga o preço é o trabalhador que fica ilhado sem poder voltar para casa. Isso não é tráfico, é tática de guerrilha e terrorismo. Enquanto a lei não tratar assim e não deixar mofando na prisão, o medo vai continuar mandando na cidade”.
Curi cita outro perigo que vem dos céus: os drones que atiram granadas. Segundo ele, casos estão se multiplicando.
“O céu também virou território dominado pelo crime. E nem pense que essa ameaça fica restrita à guerra de facções. Quando organizações criminosas usam esse tipo de tecnologia qualquer cidadão pode virar vitima. Não importa se mora na favela ou no asfato, se é pobre, classe média ou rico. Sua casa pode ser o próximo alvo. Enquanto isso as forças de segurança são proibidas de usar drones de precisão que atiram. Estamos em desvantagem em relação aos criminosos que já usam tecnologia de guerra.”
O delegado também levantou um outro tema importante em suas redes sociais: a narcocultura.
Segundo ele, a narcocultura é uma estratégia de propaganda do crime organizado, que transforma criminosos em heróis, normaliza a violência e usa as redes sociais para alcançar crianças e adolescentes dentro de suas próprias casas.
Ele afirmou que enquanto as facções dominam territórios com fuzis, barricadas e violência, elas também disputam um território invisível: a mente e o imaginário da juventude.
“Vídeos, músicas e conteúdos que exaltam criminosos não são inocentes quando fazem parte de uma estrutura financiada e organizada pelo tráfico. Cada visualização ajuda a construir uma narrativa que legitima o crime e enfraquece a autoridade do Estado. Por isso, precisamos enfrentar a narcocultura com a mesma firmeza com que enfrentamos o domínio territorial das facções. Não basta prender os líderes: é preciso desmontar a propaganda que transforma criminosos em referências. É por isso que defendo uma legislação específica para combater a narcocultura digital e proteger uma geração inteira”, defendeu.
Curi também usou as redes para falar sobre os policiais que morreram em confronto na megaoperação Contenção na Penha e no Alemão em outubro do ano passado.
“Eles foram emboscados. Os que tentaram salvá-los foram recebidos a tiros e granadas pelos narcotraficantes.É essa crueldade que os nossos policiais enfrentam em operações.
Par ele, homicídio é crime. Neutralizar narcoterrorista em confronto, dentro da lei, em legítima defesa, é o Estado cumprindo seu dever.
“Quem defende bandido armado de fuzil como se fosse vítima de “mortes violentas” está do lado errado. Os policiais estão do lado do bem”, afirmou.