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Amigos dos Amigos

Audios revelam suposto esquema de arrego para PMs em Macaé: traficante da ADA dizia que precisava “separar dinheiro para os P2”

Uma investigação da Justiça do Rio trouxe à tona diálogos explosivos que escancaram a rotina do tráfico em Macaé e a suposta relação criminosa entre traficantes e policiais corruptos. Conversas extraídas do celular de um acusado apontado como integrante da facção Amigos dos Amigos (A.D.A.) mostram discussões sobre pagamento de “arrego” para PMs e movimentações para liberar comparsas detidos. O caso envolve Daniel Alves, conhecido como “Dentinho da FDL”, apontado pelo Ministério Público como um dos principais nomes da facção na Favela da Linha, no bairro Cajueiros. Embora tenha sido absolvido da acusação de tráfico por falta de provas diretas sobre a posse das drogas apreendidas, o réu pode ser condenado por associação para o tráfico após a perícia revelar mais de 1.500 conversas no celular dele. O trecho que mais chamou atenção da investigação é justamente o que expõe a suposta cobrança de propina para policiais militares atuarem na região. Em um dos áudios interceptados, um traficante identificado como “LZ” afirma que era necessário reservar dinheiro do tráfico para pagar o “arrego”: “Como tem que pagar o arrego, você fazendo aí o dinheiro do arrego é só você soltar depois.” Em outro momento, o próprio “Dentinho da FDL” relata correria para conseguir dinheiro após comparsas serem detidos: “Os polícia pegou uns meninos aqui… aí tem que soltar um dinheiro aqui pros P2. Porque os P2 pegou uns menino aqui, achou umas droga aqui.” Já em outra conversa, o traficante afirma que precisava levantar R$ 1 mil “pra firma” entregar aos policiais: “Tem que soltar mil reais aqui pros verme aqui (…) tem que fazer um dinheiro pra firma aqui pra dar pros P2.” As mensagens foram consideradas pelo Ministério Público como fortes indícios da estrutura organizada do tráfico na Favela da Linha, área dominada pela facção A.D.A. Segundo a investigação, Daniel mantinha contato constante com outros traficantes, coordenava movimentações financeiras e participava da rotina criminosa da comunidade. A prisão ocorreu após policiais militares receberem denúncias de que três suspeitos estariam vendendo drogas na região. Durante a ação, entorpecentes foram encontrados escondidos em um copo de Guaravita, debaixo de um carro e próximos a um comércio. Apesar disso, os agentes admitiram em juízo que não flagraram os acusados manuseando as drogas. Mesmo assim, a quebra do sigilo telefônico acabou mudando o rumo do processo. Além dos áudios sobre o suposto pagamento de arrego, a perícia encontrou fotos do acusado fazendo gestos ligados à facção, imagens de armas, dinheiro e drogas, além de diversas conversas sobre a movimentação do tráfico. O caso ganha ainda mais repercussão em meio às discussões atuais sobre corrupção policial, infiltração do crime organizado e a atuação de facções no interior do estado do Rio. Nos bastidores das comunidades dominadas pelo tráfico, a suspeita de pagamento de propina para garantir funcionamento de pontos de venda de drogas há anos é tratada como um “segredo aberto”, mas raramente aparece de forma tão explícita em documentos oficiais da Justiça. Agora, a defesa tenta derrubar as acusações, enquanto o Ministério Público sustenta que os diálogos revelam uma associação criminosa estável e organizada dentro da Favela da Linha.

Homem morto ao sair de Fórum de Campos trocou o TCP pela ADA. Rivais debocharam da morte. “Ficou feio c… vai oprimir morador no inferno”

“Ficou feio seu cuzão, vai oprimir morador no inferno, seu cuzão, ficou feio na história Cláudio Henrique fdp” Essa mensagem foi adicionada ao vídeo que mostra o corpo de Cláudio Henrique Jeremias Prudêncio. Ele foi assassinado na tarde de ontem ao sair do Fórum de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Há relatos que Cláudio era membro da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) e foi morto pelos rivais do Terceiro Comando Puro (TCP). No início da década, ele fazia parte do TCP mas com a morte do líder do tráfico das “Casinhas do Parque Prazeres”, conhecido como “Felipe da Roça”, se mudou do local e teria migrado para a facção criminosa “ADA”, estabelecida no Parque Santa Rosa (Sapo 1). Cláudio foi morto , após sair do Fórum e seguir em um carro de aplicativo, na Avenida José Carlos Pereira Pinto, em Guarus, Campos. O crime aconteceu durante o trajeto, quando duas motocicletas com dois homens se aproximaram do veículo e efetuaram diversos disparos. Segundo informações apuradas no local, o motorista do aplicativo, um carro modelo HB20, cor branca, também foi atingido pelos tiros e ficou ferido. Já Cláudio Henrique, ainda conseguiu sair do carro e tentou correr pela rua, mas acabou caindo poucos metros depois e morreu antes da chegada do socorro. 

Braço do TCP e alvo de guerra com a ADA em Campos: quem é Júnior do Beco, o traficante ligado a deputado preso pela PF

Antes de surgir nas investigações que levaram à prisão do deputado estadual Thiago Rangel, o nome de Júnior do Beco já era sinônimo de violência e domínio do tráfico no interior do Rio de Janeiro. A imprensa do Rio noticiou com destaque nesta terça-feira que Rangel, preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, teria oferecido vagas na Secretaria Estadual de Educação ao traficante — mas sem detalhar quem é, de fato, o criminoso por trás desse elo explosivo. Levantamentos mostram que Júnior do Beco já era uma figura conhecida pelas forças de segurança desde os anos 2000, especialmente em Guarus, em Campos dos Goytacazes. Entre criminosos que atuavam do Rio até o interior, ele era apontado como o maior braço do Terceiro Comando Puro (TCP) na região. Ele foi flagrado em uma conversa com um comparsa em que disseram que era preciso tomar uma providência contra a opressão da facção rival Amigos dos Amigos (ADA). Na interceptação, afirmaram que “teriam que manchar o chão de sangue” e que iriam manejar armas vindas de outras localidades dominadas pelo TCP, especialmente Tira Gosto e Portelinha, para reforçar o confronto. Policiais relataram, na época, que Juninho do Beco e seu irmão, conhecido como “Cavalinho”, bagunçavam a região. A maioria dos homicídios em áreas como Custodópolis e Baixada do Rotary era atribuída a eles, consolidando um cenário de medo constante. É esse o criminoso que, segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mantinha relação íntima com o deputado Thiago Rangel. A decisão que fundamentou a prisão revela que Júnior do Beco teria recebido do parlamentar a oferta de duas vagas de trabalho como auxiliar de serviços gerais, para indicações próprias, aparentemente em órgãos públicos ligados à área de educação. Rangel foi orientado a procurar o traficante ou enviar seu número de telefone para que ele próprio entrasse em contato e definisse quem seriam as pessoas inseridas em uma planilha de contratações. Em seguida, Thiago Rangel encaminhou o contato salvo como “Junior Beco” e pediu a um conhecido que falasse com ele em seu nome, informando que possuía oito vagas de ASG (auxiliar de serviços gerais) disponíveis na educação. Dessas oito, ao menos duas seriam destinadas ao traficante, que já havia feito a solicitação. Uma das pessoas indicadas, segundo os autos, foi a própria irmã de Júnior do Beco. A Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal, tem como objetivo desarticular uma quadrilha voltada para fraudes em procedimentos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma no âmbito da Secretaria Estadual de Educação. As investigações apontam para um possível esquema de direcionamento de contratações realizadas por escolas estaduais, beneficiando empresas previamente selecionadas e ligadas ao grupo criminoso. O que emerge desse cenário é uma conexão alarmante entre crime organizado e estruturas públicas, revelando indícios de que interesses de facções podem ter ultrapassado as fronteiras do tráfico e alcançado o interior da máquina do Estado.

Bastidores de uma das guerras mais sangrentas do Rio que uniu duas facções e um ex-policial civil contra milicianos

Uma das guerras mais violentas e duradouras do Rio de Janeiro segue em curso na Zona Oeste, envolvendo traficantes, milicianos, contraventores e até um ex-policial civil que teria migrado para o crime organizado. O conflito, que permanece ativo até os dias atuais, é marcado por homicídios, ataques armados e intimidação sistemática de moradores, usados como instrumentos de domínio territorial. As investigações apontam que a disputa pelo controle de áreas como Catiri, Vila Kennedy e Jardim Bangu vai muito além do tráfico de drogas. O que está em jogo é o domínio de regiões estratégicas, inclusive pela proximidade com o Complexo Penitenciário de Gericinó, facilitando a comunicação com lideranças criminosas presas e fortalecendo a atuação das facções. Além disso, essas áreas garantem acesso a uma rede altamente lucrativa de atividades ilegais, como transporte alternativo (vans), fornecimento de gás e internet clandestina — negócios que intensificam ainda mais a disputa entre grupos criminosos. VIOLÊNCIA, HOMICÍDIOS E INTIMIDAÇÃO DE MORADORES Segundo os autos, o controle territorial é imposto por meio de violência extrema. Criminosos utilizam armamento pesado, promovem ataques coordenados e recorrem a práticas de intimidação coletiva, submetendo moradores ao medo constante. Homicídios e tentativas de assassinato são utilizados como forma de demonstrar poder, eliminar rivais e consolidar o domínio das comunidades, transformando a região em um cenário permanente de guerra. PULGÃO: EX-POLICIAL NO CENTRO DO CONFLITO No centro desse cenário está o ex-inspetor da Polícia Civil conhecido como “Pulgão”, apontado como integrante do Comando Vermelho (CV) e ligado à chamada “tropa do RD”. De acordo com as investigações, após deixar a prisão em 2024, ele passou a atuar diretamente nas ações da facção. Em junho de 2025, voltou a ser preso acusado de associação criminosa e envolvimento em diversos ataques armados contra milicianos, incluindo tentativas de homicídio. Além da atuação violenta, Pulgão também é apontado como responsável por fortalecer o controle econômico da facção, explorando serviços ilegais como transporte alternativo, internet clandestina e fornecimento de gás. GUERRA CONTRA MILÍCIA, JOGO DO BICHO E O ALVO “MONTANHA” O conflito não se limita ao tráfico de drogas. As investigações revelam disputas diretas com milicianos e também com grupos ligados ao jogo do bicho. Nesse contexto, o miliciano conhecido como “Montanha” aparece como um dos principais alvos. Segundo os autos, ele foi alvo de uma tentativa de execução, evidenciando o nível de confronto entre as organizações criminosas. PENHA, CV E ADA: ALIANÇA QUE POTENCIALIZOU A GUERRA Outro fator determinante para a escalada da violência foi a participação de criminosos do Complexo da Penha, reduto histórico do Comando Vermelho, nas ações na Zona Oeste. Além disso, investigações apontam uma aliança estratégica entre o CV e a facção Amigos dos Amigos (ADA) — grupos historicamente rivais, mas que passaram a atuar juntos para retomar territórios dominados por milicianos. Essa união foi fundamental para ataques como o ocorrido em 17 de outubro de 2024, durante a invasão à comunidade do Catiri. ATAQUE EM ANTARES E EXPANSÃO TERRITORIAL A escalada da violência ficou evidente em episódios como o de 3 de janeiro de 2025, quando criminosos fortemente armados invadiram a região de Antares e abriram fogo contra seguranças ligados à milícia. As investigações também apontam movimentações para expansão em áreas como Santa Cruz e Campo Grande, ampliando ainda mais o alcance da guerra. A “TROPA DO RD” E O CONTROLE DOS NEGÓCIOS O traficante RD é apontado como um dos principais articuladores da ofensiva. Sua tropa atua tanto nos confrontos armados quanto na estruturação do domínio territorial. O objetivo vai além do tráfico: controlar atividades altamente lucrativas, como transporte alternativo, fornecimento de gás e internet clandestina, ampliando o poder financeiro da facção e intensificando o conflito. GUERRA SEM FIM Apesar de prisões e operações policiais, os documentos indicam que a organização criminosa segue ativa, com atuação contínua para expandir e consolidar seu domínio. A guerra pelo controle do Catiri, Vila Kennedy e regiões vizinhas permanece em curso até os dias atuais — marcada por homicídios, ataques, alianças improváveis, disputa com milícias e contraventores, e o uso constante da intimidação como ferramenta de poder.

POLICIAL PENAL PRESO HOJE NOS EUA AVISAVA LÍDERES DO TRÁFICO SOBRE AÇÕES DA POLÍCIA. LEIA TRECHOS

O policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como “Bonitão”, preso nesta semana nos Estados Unidos, já havia sido condenado no Brasil por um esquema gravíssimo de vazamento de informações sigilosas diretamente para chefões do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Ele respondeu a processo iniciado em 2013 e acabou condenado em 2017 a 14 anos de reclusão em regime fechado, acusado de se aproveitar da própria função pública — e também de pessoas de seu círculo de relacionamento — para obter e repassar dados estratégicos sobre ações policiais e do sistema penitenciário a criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação no Complexo da Maré, Serrinha, Vila Aliança, Dendê e Rocinha — à época ainda dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA). As transcrições reunidas no processo são contundentes e mostram que esse verdadeiro “setor da quadrilha” recebia pagamentos semanais para coletar informações privilegiadas junto a órgãos de segurança e ao sistema prisional, repassando tudo aos traficantes. O esquema era ainda mais sofisticado: em acordo com criminosos, os envolvidos também ofereciam informações a outros policiais, como a localização de armas e drogas, numa estratégia para ganhar confiança e ampliar o acesso a dados sigilosos. A partir daí, alimentavam continuamente a facção com informações que fortaleciam suas operações ilegais. Para a Justiça, ficou evidenciado que os integrantes atuavam de forma associada, com o objetivo claro de violar sigilo profissional e vender informações estratégicas ao crime organizado, auxiliando diretamente os interesses das facções. Interceptações telefônicas escancararam o nível de envolvimento de Bonitão com os principais nomes do tráfico: No dia 27 de dezembro de 2013, Luciano informou ao traficante Menor P, então um dos chefões da Maré, sobre a existência de um informante policial atuando na comunidade, que estaria utilizando um dispositivo de filmagem. Em 24 de fevereiro de 2014, após ser alertado por um comparsa sobre uma operação policial no Morro do Dendê, Bonitão avisou Fernandinho Guarabu, líder do tráfico na região, sobre a presença de dois informantes da polícia que acompanhariam o efetivo na ação. Já no dia 7 de março de 2014, ele voltou a agir ao informar Menor P sobre uma operação do BOPE em comunidades da Nova Holanda, áreas sob controle do Comando Vermelho. Segundo a Polícia Federal, a prisão de Bonitão nos Estados Unidos ocorreu porque ele voltou a se envolver em um núcleo criminoso voltado à negociação de vantagens indevidas e venda de influência, desta vez para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas. A captura foi realizada por agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), a agência federal antidrogas do Departamento de Justiça dos EUA, após uma troca de informações com policiais federais do Rio de Janeiro. O caso expõe uma engrenagem profunda de corrupção e infiltração dentro do sistema de segurança, mostrando como um agente público condenado por ajudar facções no passado voltou a aparecer no centro de um esquema com ramificações internacionais.

Alvo da polícia hoje, Jardim Novo (ADA) esconde há anos esquema pesado do tráfico

Uma operação da Polícia Civil realizada nesta sexta-feira no Jardim Novo, em Realengo, Zona Oeste do Rio, lança luz sobre a estrutura do tráfico de drogas na região — um sistema que, segundo investigações, vem se sofisticando e ampliando seu poder ao longo dos anos. Informações obtidas pela polícia há alguns anos já revelavam parte do funcionamento interno da organização criminosa que atua na comunidade. Agora, as apurações mais recentes indicam um avanço ainda mais preocupante: a consolidação de uma aliança entre as facções Amigos dos Amigos (ADA), que domina o Jardim Novo, e o Comando Vermelho (CV). O Complexo do Jardim Novo é formado pelas comunidades da Nogueira, Light, Minha Deusa e Cosme e Damião, compondo uma área estratégica para atuação criminosa na Zona Oeste. De acordo com os levantamentos, o então chefe do tráfico na região, conhecido como “Índio”, costumava circular armado com um fuzil AK-47 e cercado por diversos seguranças, todos também portando fuzis — um indicativo claro do forte aparato bélico da facção. A atuação criminosa no território segue regras rígidas. Para a realização de qualquer roubo na região, é necessária autorização prévia das lideranças do tráfico local. Em muitos casos, os próprios traficantes executam roubos de cargas e veículos, já com o aval da organização. Os valores arrecadados com a venda de cargas roubadas levadas para a comunidade são divididos exclusivamente entre os participantes diretos dos roubos e os líderes do tráfico, sem qualquer repasse aos demais integrantes da facção. A rotina interna também é organizada em escala. Há registros de integrantes que cumprem jornadas de 24 horas de serviço, seguidas por 48 horas de descanso, iniciando o turno às 15h de um dia e encerrando às 15h do dia seguinte. A comunicação entre os membros do grupo é feita por meio de rádios comunicadores comuns, enquanto a segurança armada dos pontos de venda de drogas é realizada por criminosos que recebem, em média, R$ 450 por semana. Segundo a Polícia Civil, a atual aliança entre ADA e CV transformou o Jardim Novo em uma das principais rotas para o avanço territorial das facções em comunidades da Zona Oeste. As investigações apontam que a região é considerada estratégica por fazer divisa com áreas da Taquara e estar próxima à Cidade de Deus, território historicamente dominado pelo Comando Vermelho, o que favorece a integração operacional entre as facções. As apurações também revelaram que o chefe do tráfico no Complexo do Jardim Novo é apontado como responsável por grande parte dos roubos de veículos e cargas na região. Além disso, o grupo impõe uma rotina de intimidação à população, com ameaças constantes e extorsão de comerciantes por meio de cobranças ilegais. Os criminosos também controlam, de forma coercitiva, serviços essenciais como fornecimento de gás, água e internet. A atuação é marcada pelo uso de armamento de guerra e pela imposição do medo, ampliando o clima de terror entre moradores. Com base no material reunido ao longo da investigação, a Justiça expediu diversos mandados de prisão contra os principais integrantes da organização criminosa, incluindo suas lideranças. Seis suspeitos foram presos durante a operação desta sexta-feira. A aproximação entre ADA e CV na Zona Oeste não se repete no Norte Fluminense, onde as duas facções seguem em confronto direto, especialmente na região de Macaé. Mais recentemente, a prisão do traficante Celsinho da Vila Vintém, apontado como líder máximo da ADA, reforçou os indícios dessa aproximação após a polícia identificar sua ligação com Doca, considerado um dos chefões do Comando Vermelho. O cenário revela uma mudança relevante na dinâmica do crime organizado no estado, com facções historicamente rivais atuando de forma coordenada em determinadas regiões, ampliando sua capacidade de expansão e controle territorial.

Tortura até a morte: Justiça decreta prisão de traficantes da ADA por assassinato de filha de major da PM. LEIA DETALHES DO CRIME

A Justiça decretou a prisão preventiva de seis traficantes ligados à facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), apontados como responsáveis por uma sessão de tortura que terminou na morte de uma jovem em Realengo, na Zona Oeste do Rio.. A vítima era filha de um major da PMERJ. De acordo com a decisão judicial, o crime teria sido motivado por um suposto desvio de dinheiro da própria quadrilha — um episódio que expõe a violência interna do tráfico. A vítima, Naysa Kayllany Costa Borges Nogueira, foi brutalmente agredida e não resistiu aos ferimentos. Apesar da gravidade do caso, os chefes da organização criminosa, conhecidos como Índio e Celsinho da Vila Vintém, não tiveram a prisão decretada neste momento. Segundo a Justiça, embora existam indícios, ainda não foram apresentados elementos suficientes que comprovem a participação direta deles nas agressões. Tortura como punição Segundo as investigações, Naysa trabalhava em um ferro-velho localizado na comunidade da Light. No dia 3 de janeiro de 2026, ela chamou uma amiga para ajudá-la no turno da noite. Ao fim do expediente, mulheres apontadas como integrantes do tráfico teriam ido até o local para recolher o dinheiro arrecadado. Ao perceberem que parte do valor estaria faltando, iniciaram uma sequência de violência. Naysa e a amiga foram levadas para a parte alta da comunidade, onde, conforme consta nos autos, passaram por momentos de terror: foram ameaçadas, intimidadas e agredidas com pedaços de madeira, fios, além de chutes, socos e joelhadas. Confissão sob violência e nova vítima Ainda segundo o processo, após ser violentamente agredida, Naysa teria admitido que parte do dinheiro estaria em sua residência. Sob pressão, ela entrou em contato com a companheira, pedindo que levasse o valor até o local. Ao chegar, a namorada também foi rendida e levada ao alto do morro, onde, de acordo com os depoimentos, igualmente sofreu tortura. Libertação e morte Após a sequência de agressões, as três vítimas foram liberadas. Naysa, no entanto, já estava em estado crítico. Ela foi levada à UPA de Magalhães Bastos, mas não resistiu. Reconhecimento e provas Dias depois, uma das sobreviventes procurou a polícia e detalhou a dinâmica do crime, reconhecendo inicialmente dois suspeitos por meio de álbum fotográfico. Com base nas informações prestadas, policiais foram até a comunidade da Light e localizaram, em um bar apontado como cenário das agressões, objetos que teriam sido usados na tortura, como pedaços de madeira e fios. Em novos depoimentos, as vítimas ampliaram o reconhecimento dos envolvidos, chegando a identificar ao menos seis suspeitos. Tentativa de álibi não convence Um dos acusados tentou apresentar imagens de câmeras de segurança para sustentar um álibi. No entanto, segundo a decisão judicial, os registros não cobrem todo o período em que o crime teria ocorrido. De acordo com a análise, há lacunas nas imagens, e o intervalo permite a possibilidade de participação do suspeito nas agressões. Por isso, a versão apresentada pela defesa não foi suficiente para afastar os indícios. Chefes fora — por enquanto Apesar de serem citados na investigação, Índio e Celsinho da Vila Vintém não foram reconhecidos pelas vítimas como participantes diretos da tortura. A Justiça entendeu que, neste momento, não há elementos concretos para justificar a prisão preventiva dos dois. Violência interna do tráfico O caso revela mais um episódio de violência extrema dentro das próprias estruturas do tráfico, onde suspeitas de desvio de dinheiro podem resultar em punições brutais. As investigações seguem em andamento.

Investigação aponta que traficante mineiro abastecia Celsinho da Vila Vintém com 200 kg de pasta base de cocaína e lavava dinheiro com Peixão em farmácias no RJ

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) revelou que o traficante conhecido como “Bim”, que se encontrava escondido na comunidade de Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio de Janeiro, era responsável pelo fornecimento mensal de aproximadamente 200 quilos de pasta base de cocaína ao criminoso conhecido como “Celsinho da Vila Vintém”. Além disso, ele também teria atuado no auxílio à lavagem de dinheiro do tráfico em estabelecimentos farmacêuticos no Estado do Rio de Janeiro, em associação com o traficante “Peixão”. De acordo com as apurações, Bim comandava uma complexa organização criminosa com base na Região Metropolitana de Belo Horizonte, especialmente no município de Vespasiano (MG). As ações das forças de segurança contra o grupo resultaram, nos primeiros anos desta década, na apreensão de mais de uma tonelada de cocaína, cerca de R$ 600 mil em espécie e no sequestro de ao menos dez imóveis de alto padrão. As investigações apontam que os líderes da organização estruturaram uma espécie de “consórcio criminoso” com o objetivo de adquirir grandes quantidades de entorpecentes em outros estados da federação, reduzindo custos e ampliando os lucros. Paralelamente ao tráfico, os integrantes passaram a acumular patrimônio incompatível com suas rendas declaradas, especialmente em imóveis e veículos, valendo-se de mecanismos típicos de lavagem de dinheiro. Mesmo diante de sucessivas operações policiais, o grupo não interrompeu suas atividades. Ao contrário, demonstrou elevado grau de resiliência e capacidade de adaptação, passando a operar de forma ainda mais sofisticada. Nesse contexto, Bim teria se deslocado para o Rio de Janeiro, de onde passou a coordenar e expandir as atividades ilícitas, enquanto integrantes permaneciam em Minas Gerais responsáveis pela logística e fluxo financeiro. Segundo o MPMG, ao se estabelecer em território fluminense, o investigado passou a contar com a proteção armada da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), liderada por “Peixão”, também conhecido como “Pastor”. Mais do que abrigo, a relação evoluiu para uma aliança estratégica, na qual Bim se consolidou como um dos principais fornecedores de pasta base e cloridrato de cocaína para o TCP, além de abastecer integrantes do Comando Vermelho (CV) e da facção Amigos dos Amigos (ADA). A análise de dados extraídos de aparelhos celulares atribuídos ao investigado revelou diálogos que indicam a negociação de grandes carregamentos de drogas oriundas da Bolívia, referida nas conversas como “Bola”. As mensagens também apontam a comercialização de armamentos de alto calibre, como fuzis 5.56 e 7.62, adquiridos no exterior, evidenciando o elevado poder bélico da organização. As investigações identificaram ainda que Bim controlava a produção e prensagem de cocaína com as logomarcas “Lampião” e “Bugatti”, associadas a drogas de alta pureza. Uma dessas remessas — cerca de meia tonelada — foi anteriormente interceptada pela Polícia Rodoviária Federal no Arco Metropolitano, no Rio de Janeiro. Nos diálogos analisados, o investigado também orientava subordinados quanto à aquisição de maquinário industrial para prensagem e embalagem de entorpecentes, mencionando valores aproximados de R$ 80 mil para a máquina e R$ 20 mil para insumos de embalagem. Em uma das conversas, ele afirma possuir capacidade para fornecer até 200 quilos mensais de pasta base ao traficante “Celsinho da Vila Vintém”. Bim foi preso em 19 de janeiro de 2023, durante operação conjunta da Polícia Civil de Minas Gerais com a Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ele foi localizado no interior da comunidade de Parada de Lucas, portando uma pistola Glock calibre 9mm adaptada para disparos em rajada, documento de identificação falso, veículo com sinais identificadores adulterados, além de dezenas de aparelhos celulares e um caderno de contabilidade do tráfico. A análise do material apreendido reforçou os indícios de que o investigado continuava exercendo papel de liderança na organização criminosa em Minas Gerais, mesmo durante o período em que esteve escondido no Rio de Janeiro. As apurações também identificaram indícios de conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Bim manteria contato com um indivíduo conhecido como “Torre”, apontado como liderança da facção paulista, além de interlocuções com um narcotraficante preso, descrito como seu “irmão” dentro da organização criminosa. Por fim, foi constatado que o grupo também utilizou recursos ilícitos para aquisição de um posto de combustíveis no município de Paraty (RJ), como parte das estratégias de lavagem de dinheiro.

Mulher de Celsinho da Vila Vintém morreu no Rio; ela respondeu a processos que acabaram arquivados

A mulher do traficante conhecido como Celsinho da Vila Vintém, Deise Mara de Souza Rodrigues, que faleceu nesta data por causas não divulgadas no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, já respondeu a processos na Justiça por suposta participação em crimes. Em todos os casos, no entanto, não houve condenação, tendo as ações sido arquivadas ou encerradas sem sentença condenatória. Um dos processos tratava do homicídio de Júlio César da Silva Ramos, ocorrido em 16 de junho de 2015, na comunidade da Vila Vintém, na Zona Oeste do Rio. De acordo com os autos da época, Deise foi apontada como suspeita de atuar como mentora intelectual do crime, supostamente em conjunto com um comparsa conhecido como “Loco Abreu” e outros integrantes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). Segundo a denúncia, a vítima estava em um baile funk na comunidade quando avistou sua motocicleta, que havia sido furtada dias antes, em posse de um homem desconhecido. Ao tentar reaver o veículo, Júlio César teria se envolvido em uma discussão com integrantes da facção que atua na região. Ainda conforme os autos, durante o tumulto, traficantes teriam sido acionados e, seguindo ordens atribuídas à organização criminosa local, a vítima foi atingida por disparo de fuzil, morrendo no local. A denúncia também apontava que, após o crime, o corpo teria sido levado para a região conhecida como “Campo do Cruzeiro”, onde teria sido esquartejado e incendiado. O Ministério Público sustentou, à época, que o homicídio teria sido motivado por motivo fútil, relacionado à tentativa da vítima de recuperar o bem subtraído. Apesar das acusações, o processo, iniciado em 2017, foi arquivado em 2021, sem condenação. Deise também figurou como ré em um processo de 2011 que apurava dois homicídios duplamente qualificados. Na ocasião, as investigações apontavam que os acusados seriam pessoas de alta periculosidade, supostamente ligadas ao comando do tráfico na Vila Vintém, e que ordenariam execuções de indivíduos considerados ameaças ao controle da organização criminosa. Testemunhas ouvidas na fase policial relataram temor e afirmaram ter sido expulsas da comunidade, além de alegarem ameaças atribuídas aos investigados. As vítimas foram identificadas como Renato Cardoso Quezado e Leandro Rodrigues de Almeida. Segundo os autos, os crimes teriam sido praticados com uso de armas de fogo de grosso calibre, a curta distância, impossibilitando qualquer chance de defesa. A vítima Leandro era sobrinha de Celsinho e foi expulsa da comunidade, em razão de disputas internas na estrutura do tráfico de drogas da região. No entanto, a Justiça entendeu que não havia indícios suficientes de autoria em relação aos acusados, incluindo Deise e Celsinho, decidindo pela impronúncia — o que os retirou do julgamento pelo Tribunal do Júri. Posteriormente, o processo foi arquivado. Em outro caso, Deise chegou a ter a prisão preventiva decretada sob acusação de envolvimento com o tráfico de drogas na Vila Vintém, mas acabou absolvida pela Justiça. Após sua morte, a escola de samba Unidos de Padre Miguel prestou homenagem: “Deise foi força, foi amor, foi história viva da nossa escola. Uma mulher que lutou até o fim, que nunca deixou de acreditar e que transformou tudo ao seu redor com sua presença única. Seguiremos honrando seu nome, sua luta e seu legado… para sempre.”

Morto pela polícia, traficante ‘Desenho’ era citado em processo por participar de torturas e humilhações na Vila Vintém (ADA)

O traficante Fabiano de Moura Leite, conhecido como “Desenho” e apontado como uma das principais lideranças do tráfico na Vila Vintém, em Padre Miguel, foi morto nesta semana durante uma operação policial na comunidade, na Zona Oeste do Rio. Um comparsa também morreu na ação. Ambos chegaram a ser socorridos e levados ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas não resistiram. Armas foram apreendidas. (um fuzil, duas pistolas, três granadas e seis carregadores para fuzil e pistola). A morte de Desenho ocorre em meio a um histórico de envolvimento com o comando do crime na região. De acordo com informações constantes em processos judiciais, ele já integrava, há anos, a estrutura da facção criminosa que atua na favela, exercendo papel de destaque na organização. Em um processo de 2012, que investigava a atuação de traficantes na Vila Vintém, Desenho é citado ao lado de outros integrantes do grupo acusado de práticas violentas contra moradores. Segundo os autos, vítimas relataram episódios de tortura, humilhação e ameaças, com especial incidência sobre mulheres. As ordens, ainda conforme a investigação, partiam de dentro do sistema prisional, sendo atribuídas ao então líder conhecido como “Celsinho da Vila Vintém”, apontado como responsável pelo controle dos pontos de venda de drogas na comunidade. A denúncia também descreve um cenário de intimidação sistemática, com ameaças direcionadas a testemunhas e vítimas, com o objetivo de impedir a colaboração com as autoridades. Os relatos indicam um ambiente de forte coerção, sustentado pelo uso ostensivo de armas de fogo e pela atuação organizada do grupo criminoso. Ainda segundo os documentos, a quadrilha apresentava elevado grau de periculosidade, com atuação estruturada e armamento diversificado, operando de forma semelhante a um “poder paralelo” nas áreas sob seu domínio. Além de Desenho e Celsinho, o processo menciona outros integrantes identificados por apelidos como “Perigo” (também conhecido como Piloto ou Dilico), “Velho” (ou Luquinha), “Zoio” (Mata Rindo ou Slay), Nazareno, “Pará” (ou Parasinho), Canelão e “Piolho” — este último posteriormente ligado ao Comando Vermelho. Todos foram reconhecidos por vítimas como integrantes da facção Amigos dos Amigos (ADA) e responsáveis por cumprir ordens da liderança do grupo. De acordo com as investigações, a organização exercia controle sobre diversas localidades, incluindo Vila Vintém, Curral das Éguas, Nogueira, Minha Deusa, 77 e Conjuntão. A operação que resultou na morte de Desenho integra ações das forças de segurança para conter a atuação de grupos criminosos na Zona Oeste. O caso segue sob investigação.

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