Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Amigos dos Amigos

Da guerra à parceria: milícia de Curicica se aliou ao TCP e depois buscou aproximação com o Comando Vermelho

Apesar de a investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), revelada ontem, apontar uma aliança entre a milícia de Curicica e traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) dos complexos da Pedreira e da Maré para enfrentar o Comando Vermelho (CV), documentos de inteligência indicam que o mesmo grupo paramilitar também teria buscado uma aproximação com o próprio CV. Segundo informações de inteligência produzidas em 2025, a milícia de Dois Irmãos, em Curicica, liderada por Shrek ou Boto, estaria se associando ao Comando Vermelho por meio do traficante Doca. A eventual parceria caracterizaria uma espécie de narcomilícia, com a atuação conjunta de criminosos ligados aos dois grupos. A suposta aproximação teria ganhado força após a prisão de traficantes ligados ao Amigos dos Amigos (ADA) que atuavam na região da Vila Sapê, em Curicica. O movimento teria culminado na detenção do traficante Celsinho da Vintém, que atualmente estaria alinhado ao Comando Vermelho. Ainda de acordo com as investigações, Boto teria chegado a negociar a comunidade da Vila Sapê com Celsinho da Vintém, em uma movimentação que reforçaria a aproximação entre a milícia e o tráfico. Também chegou a ser veiculado que André Boto iria abandonar a milícia e entrar para a contravenção e vender áreas para o CV. A suposta aliança com o CV parece aue também não se sustentou porque o CV realizou vários ataques à comunidade Dois Irmãos este ano. É importante destacar que a investigação do MPRJ revelada ontem trata de fatos ocorridos em 2023, enquanto as informações de inteligência sobre uma possível aproximação com o CV são de 2025. Ou seja, os documentos apontam para diferentes momentos e diferentes rearranjos no cenário criminoso de Curicica. Em 2023, uma das principais lideranças da milícia de Curicica era Playboy, nome que voltou a aparecer nesta sexta-feira em um trecho de escuta telefônica divulgado pela imprensa carioca. Naquele período, as investigações também localizaram um esconderijo utilizado por Playboy em um bunker no Complexo da Maré. O miliciano estaria protegido na comunidade por traficantes do Terceiro Comando Puro, em um episódio que teria ocorrido justamente após a formação de uma aliança entre os dois grupos. Os episódios revelam a complexidade e a constante mudança das alianças entre grupos criminosos no Rio: em determinados momentos, milicianos e traficantes se unem para enfrentar um inimigo comum; em outros, os mesmos grupos negociam territórios e estabelecem novas parcerias, inclusive com antigos adversários.

Quase extinta no Rio, ADA ressurge em guerras, se alia ao CV e mantém império no interior

Quase extinta na capital fluminense, onde sua atuação ficou restrita a poucos redutos na Zona Oeste, a facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) ainda representa uma preocupação para as forças de segurança. Mesmo enfraquecida territorialmente, a organização continua aparecendo em investigações sobre disputas armadas, alianças com outras quadrilhas e tentativas de retomada de áreas dominadas por milicianos. Nos últimos tempos, investigações apontaram uma aproximação entre integrantes da ADA e o Comando Vermelho (CV), inclusive em conflitos pela expansão territorial na Zona Oeste. Um dos exemplos é a disputa pela região da Carobinha, em Campo Grande, onde criminosos ligados às duas facções teriam se mobilizado contra áreas controladas por milicianos. Nesse cenário, o retorno de uma das figuras históricas do grupo chamou atenção das autoridades. Depois de passar mais de duas décadas preso, Celsinho da Vila Vintém voltou a ocupar espaço nas investigações sobre o crime organizado no Rio de Janeiro. Durante o período em liberdade, Celsinho chegou a afirmar que havia abandonado a criminalidade e apareceu em vídeos nas redes sociais criando porcos. Posteriormente, porém, voltou a ser preso após ser apontado pelas autoridades como integrante de uma nova articulação criminosa. Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Celsinho teria retomado a aliança com o Comando Vermelho — facção da qual havia se afastado no passado — com o objetivo de recuperar comunidades que haviam passado para o domínio de grupos paramilitares. As investigações apontaram que ele teria negociado diretamente com integrantes de uma milícia e participado de uma articulação para a retomada de territórios. Entre as áreas citadas está a Vila Sapê, em Curicica, cujo controle teria sido negociado com criminosos ligados ao grupo paramilitar. A articulação faria parte de um pacto envolvendo integrantes do Comando Vermelho, uma milícia local e membros da ADA para recuperar territórios perdidos para grupos paramilitares, sobretudo na região de Santa Cruz. Celsinho também teria determinado a ocupação da Comunidade Dois Irmãos, em Curicica. No dia 17 do mesmo mês, traficantes teriam seguido para a Gardênia Azul com o objetivo de reforçar a ofensiva e consolidar a tomada do território. Segundo as apurações, a mobilização foi articulada depois que Celsinho solicitou apoio a Edgar Alves de Andrade, com quem chegou a conversar por videoconferência. O suporte teria sido organizado antes da formalização do acordo entre Celsinho e integrantes da milícia local, negociação que teria sido intermediada por André Costa Barro, conhecido como Boto. ADA também aparece em guerras na Zona Oeste A atuação do ADA não se limita às articulações envolvendo Celsinho. Em abril, uma operação policial teve como alvo integrantes da facção que atuavam na comunidade do Jardim Novo, em Realengo. As investigações reforçaram a existência de uma aproximação entre criminosos ligados ao ADA e integrantes do Comando Vermelho, transformando a região em um ponto estratégico para a expansão territorial das duas organizações na Zona Oeste. A localização do Jardim Novo ajuda a explicar o interesse dos criminosos. A comunidade faz divisa com a Taquara e fica próxima à Cidade de Deus, uma das principais áreas de influência do Comando Vermelho. As investigações também apontaram que o homem identificado pelo vulgo Índio, apontado como chefe do tráfico no Complexo do Jardim Novo, seria responsável por parte significativa dos roubos de veículos e cargas praticados na região. Além dos crimes patrimoniais, os criminosos são acusados de impor uma rotina de violência aos moradores. As investigações apontam cobranças ilegais de comerciantes e o controle coercitivo de serviços como gás, água e internet. Armados com fuzis e outras armas de alto poder de fogo, os integrantes do grupo utilizariam a violência e a intimidação para manter o controle da comunidade. Enquanto isso, integrantes do ADA também travam uma disputa territorial com o Terceiro Comando Puro (TCP) pelo controle de comunidades como Batan e Conjunto Fumacê, em Realengo. Facção perdeu espaço na capital, mas mantém força no interior A situação do ADA na capital, portanto, contrasta com sua presença no interior do estado. Embora tenha perdido grande parte dos territórios que controlava no passado e hoje esteja restrito a poucos redutos no Rio, o grupo mantém uma estrutura criminosa relevante no Norte Fluminense. Em Campos dos Goytacazes, a facção controla ou mantém influência sobre diferentes territórios e disputa áreas com o Terceiro Comando Puro. Em Macaé, o ADA também mantém presença e rivaliza diretamente com o Comando Vermelho em uma disputa que envolve o controle de comunidades e pontos estratégicos para as atividades criminosas. O cenário mostra que, apesar do enfraquecimento do ADA na capital, a facção está longe de desaparecer. O grupo passou a depender cada vez mais de alianças, articulações e disputas locais para preservar sua influência, enquanto mantém no Norte Fluminense uma de suas principais áreas de resistência territorial.

QUE JUSTIÇA É ESSA? Tortura brutal com tijoladas, pauladas e ameaça de morte rende apenas 7 anos e 10 meses a traficantes; pena inicial era de 2 anos em regime aberto. Vítima gritou desesperada: “Me salva, me salva, eles vão me matar”

A Justiça aumentou em julho a pena de dois traficantes que cometeram uma tortura contra um homem em Campos dos Goytacazes. Mesmo assim a punição é irrisória pela gravidade do crime que praticaram: pegaram sete anos e 10 meses de prisão.  Antes, a condenação era ainda bem menor: só dois anos de cadeia e ainda em regime aberto. Segundo a denúncia, a vítima C.C. N Contou que já foi morador da Comunidade do Sapo II, dominada pela facção criminosa “TCP”.  A casa onde residia tinha visualização estratégica para uma boca de fumo.  Os traficantes agrediram o depoente e o expulsaram da localidade um ano antes das agressões.  Desde, então, passou a morar na rua. No dia dos fatos, retornou à Comunidade do Sapo II.  Usuário de drogas, foi à “boca de fumo”. Comprou um pino de cocaína, no valor de R$ 10,00, com os acusados, que estavam na companhia de uma adolescente. Deixou o local e consumiu a droga. Passado algum tempo, retomou ao local para comprar mais entorpecentes.  Nessa oportunidade, os traficantes perguntaram para a vítima: “Onde você está morando, você foi expulso daqui!”.   Ato seguinte, a menor passou a afirmar que o depoente era “X-9” e repassava informações da organização TCP para a facção criminosa rival – ADA.  A adolescente passou a atiçar os acusados para darem um “corretivo” no rapaz. Os bandidos determinaram que a vítima entrasse na casa que fica em frente à boca de fumo, onde havia outros dois criminosos.  . Os acusados, na companhia dos dois comparsas, mediante aponte ostensivo de arma de fogo e faca, trancaram o depoente no quintal e iniciaram a tortura com agressões consistentes em tijoladas na cabeça, pauladas, socos e pontapés, enquanto diziam: “Vamos matar ele!”.   Em dado momento do espancamento, percebeu que PMs estavam próximos ao local. Começou a gritar: “Me salva, me salva, eles vão me matar!”.   Os PMs detiveram os agressores. Os dois comparsas dos acusados lograram êxito na fuga.  A vítima conhecia a adolescente e um dos agressores da comunidade. Não sabe dizer como a menor ainda colabora com a traficância. O pai da garota foi executado pelos traficantes

ADA fez uma série de ataques ao TCP em Campos e deixou rastro de sangue. VIDEO

Integrantes dos Amigos dos Amigos (ADA) realizaram quatro ataques contra o TCP em Campos dos Goytacazes, em represália à morte de um gerente da facção no mês passado. O primeiro ataque ocorreu no Morro do Coco, onde os criminosos executaram dois irmãos dentro de uma residência. O segundo foi em Santa Clara, onde um homem foi morto e outros dois ficaram feridos. O terceiro aconteceu no Eldorado, mas os traficantes do TCP já estavam preparados e conseguiram repelir a investida dos rivais. O quarto ataque ocorreu no Codin, onde os criminosos executaram um homem.

Um dos seis mortos levados para a UPA foi citado em investigação que lhe apontou como olheiro que monitorava operações policiais para a ADA no Jardim Novo

Um dos seis mortos que foram levados por moradores para a UPA de Magalhães Bastos, Jonathan Andrade Ferreira, que usava o nome falso de Diego, foi citado em uma investigação do início da década sobre o tráfico no Complexo do Jardim Novo, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. Jonathan na época seria olheiro da quadrilha chegando a ficar preso As investigações da época revelaram que Jonathanmonitorava as vias de acesso e a movimentação policial no entorno das comunidades, informando aos demais comparsas da mesma facção criminosa “ADA” Ele participava do grupo usado pelos traficantes ‘De Ponta a Outra’ que monitorava o conjunto de comunidades, Nogueira, Light, Jardim Novo, 77 e Vila Vintém, com o objetivo de informar sobre operações policiais e movimentação de facções rivais. Em uma mensagem enviada ao grupo, ele chegou a escrever.  “Legal JN, Iraque”,”, onde se percebeu que o mesmo está monitorando a localidade Iraque, na comunidade jardim Novo. Em outra postagem Jonathan enviou uma figura que faz alusão à facção criminosa A.D.A (Amigos dos Amigos), com a inscrição: ” Só os ADA na pista”.e outra figurinha com a inscrição 141 Resistência”. Jonathan chegou a ser condenado a quatro anos e um mês de prisão. Sobre os mortos, a principal suspeita é que os m0rtos sejam crimin0sos que teriam trocado tir0s com a equipe do helicóptero da PM, o “Sapão”, durante uma ação em uma área de mata do Jardim Novo. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital. Um vídeo divulgado pelo repórter Jackson Silva mostrou imagens do helicóptero no momento do confronto. Até o momento, essa informação não foi confirmada oficialmente pelas autoridades.

Cartões bancários com etiquetas de bocas de fumo revelam organização do caixa do tráfico na Vila Vintém (ADA)

A investigação da Polícia Civil do Rio que culminou com uma operação hoje para desarticular o braço financeiro da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), com atuação na comunidade da Vila Vintém, na Zona Oeste carioca, revelou um dado curioso. A apuração começou depois que um homem foi preso com dez cartões de contas bancárias usadas para movimentar o esquema e esses cartões tinham uma fita com os nomes de locais de boca de fumo da Vintém como Turquia e Selvinha O suspeito na época disse que os cartões pertenciam ao tráfico de drogas da Vila Vintém e seria para sacar o dinheiro no caixa eletrônico e entregar o dinheiro para integrantes da organização criminosa que domina o tráfico local da área; “Cada cartão pertencia a uma boca de fumo”, disse o suspeito que ganhava R$ 1.500 e confirmou quem recebia o dinheiro. O suspeito decidiu colaborar com a investigação, razão pela qual forneceu a senha de desbloqueio de seu aparelho telefônico celular aos policiais responsáveis pela diligência. Esclareceu, ainda, que franqueou voluntariamente o acesso ao referido aparelho, exibindo aos policiais civis e policiais militares as conversas e mensagens mantidas com os demais envolvidos nos fatos investigados, sem qualquer coação, constrangimento ou promessa de benefício, autorizando a visualização do respectivo conteúdo para fins de apuração dos fatos. Os elementos extraídos do aparelho celular apontam para sofisticada divisão de tarefas entre os integrantes da organização criminosa, identificando responsáveis pela arrecadação, prestação de contas, gerenciamento financeiro, movimentação de recursos por intermédio de transferências eletrônicas via PIX, utilização de contas bancárias de terceiros, saques em espécie e ocultação dos valores provenientes da atividade ilícita, circunstâncias corroboradas pelos comprovantes de transferências bancárias, fotografias de numerário, conversas mantidas por aplicativos de mensagens, depoimentos testemunhais e demais elementos constantes dos autos. As investigações apontam que o grupo movimentava cerca de R$ 500 mil por semana em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. As investigações identificaram um esquema estruturado para converter em dinheiro em espécie os valores obtidos com a venda de drogas.De acordo com os agentes, o comércio de entorpecentes na região era realizado, em grande parte, por meio de transferências via Pix e pagamentos em máquinas de cartão de crédito e débito. Segundo a apuração, os valores eram inicialmente transferidos para contas bancárias de terceiros, utilizados como laranjas no esquema. Em seguida, cartões vinculados a essas contas eram repassados a outros integrantes da organização, responsáveis por sacar os valores em espécie. Após esse processo, o dinheiro retornava à facção já desvinculado de sua origem ilícita, abastecendo novamente a estrutura financeira do tráfico. A investigação permitiu identificar 14 integrantes diretamente envolvidos na prática criminosa. Cada um movimentava, em média, cerca de R$ 5 mil por dia. A Justiça também determinou o bloqueio das contas bancárias utilizadas no esquema, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro da organização criminosa. A polícia teme concreto risco de evasão dos investigados, de ocultação de patrimônio ilícito, de destruição de aparelhos eletrônicos, alteração de registros bancários, exclusão de conversas mantidas por aplicativos de mensagens, dissipação dos ativos financeiros e intimidação de eventuais testemunhas, circunstâncias que recomendam a pronta atuação jurisdicional, sobretudo diante da notícia de que os investigados integram organização criminosa estruturada e voltada ao tráfico ilícito de entorpecentes e à lavagem de capitais.

Audios revelam suposto esquema de arrego para PMs em Macaé: traficante da ADA dizia que precisava “separar dinheiro para os P2”

Uma investigação da Justiça do Rio trouxe à tona diálogos explosivos que escancaram a rotina do tráfico em Macaé e a suposta relação criminosa entre traficantes e policiais corruptos. Conversas extraídas do celular de um acusado apontado como integrante da facção Amigos dos Amigos (A.D.A.) mostram discussões sobre pagamento de “arrego” para PMs e movimentações para liberar comparsas detidos. O caso envolve Daniel Alves, conhecido como “Dentinho da FDL”, apontado pelo Ministério Público como um dos principais nomes da facção na Favela da Linha, no bairro Cajueiros. Embora tenha sido absolvido da acusação de tráfico por falta de provas diretas sobre a posse das drogas apreendidas, o réu pode ser condenado por associação para o tráfico após a perícia revelar mais de 1.500 conversas no celular dele. O trecho que mais chamou atenção da investigação é justamente o que expõe a suposta cobrança de propina para policiais militares atuarem na região. Em um dos áudios interceptados, um traficante identificado como “LZ” afirma que era necessário reservar dinheiro do tráfico para pagar o “arrego”: “Como tem que pagar o arrego, você fazendo aí o dinheiro do arrego é só você soltar depois.” Em outro momento, o próprio “Dentinho da FDL” relata correria para conseguir dinheiro após comparsas serem detidos: “Os polícia pegou uns meninos aqui… aí tem que soltar um dinheiro aqui pros P2. Porque os P2 pegou uns menino aqui, achou umas droga aqui.” Já em outra conversa, o traficante afirma que precisava levantar R$ 1 mil “pra firma” entregar aos policiais: “Tem que soltar mil reais aqui pros verme aqui (…) tem que fazer um dinheiro pra firma aqui pra dar pros P2.” As mensagens foram consideradas pelo Ministério Público como fortes indícios da estrutura organizada do tráfico na Favela da Linha, área dominada pela facção A.D.A. Segundo a investigação, Daniel mantinha contato constante com outros traficantes, coordenava movimentações financeiras e participava da rotina criminosa da comunidade. A prisão ocorreu após policiais militares receberem denúncias de que três suspeitos estariam vendendo drogas na região. Durante a ação, entorpecentes foram encontrados escondidos em um copo de Guaravita, debaixo de um carro e próximos a um comércio. Apesar disso, os agentes admitiram em juízo que não flagraram os acusados manuseando as drogas. Mesmo assim, a quebra do sigilo telefônico acabou mudando o rumo do processo. Além dos áudios sobre o suposto pagamento de arrego, a perícia encontrou fotos do acusado fazendo gestos ligados à facção, imagens de armas, dinheiro e drogas, além de diversas conversas sobre a movimentação do tráfico. O caso ganha ainda mais repercussão em meio às discussões atuais sobre corrupção policial, infiltração do crime organizado e a atuação de facções no interior do estado do Rio. Nos bastidores das comunidades dominadas pelo tráfico, a suspeita de pagamento de propina para garantir funcionamento de pontos de venda de drogas há anos é tratada como um “segredo aberto”, mas raramente aparece de forma tão explícita em documentos oficiais da Justiça. Agora, a defesa tenta derrubar as acusações, enquanto o Ministério Público sustenta que os diálogos revelam uma associação criminosa estável e organizada dentro da Favela da Linha.

Homem morto ao sair de Fórum de Campos trocou o TCP pela ADA. Rivais debocharam da morte. “Ficou feio c… vai oprimir morador no inferno”

“Ficou feio seu cuzão, vai oprimir morador no inferno, seu cuzão, ficou feio na história Cláudio Henrique fdp” Essa mensagem foi adicionada ao vídeo que mostra o corpo de Cláudio Henrique Jeremias Prudêncio. Ele foi assassinado na tarde de ontem ao sair do Fórum de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Há relatos que Cláudio era membro da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) e foi morto pelos rivais do Terceiro Comando Puro (TCP). No início da década, ele fazia parte do TCP mas com a morte do líder do tráfico das “Casinhas do Parque Prazeres”, conhecido como “Felipe da Roça”, se mudou do local e teria migrado para a facção criminosa “ADA”, estabelecida no Parque Santa Rosa (Sapo 1). Cláudio foi morto , após sair do Fórum e seguir em um carro de aplicativo, na Avenida José Carlos Pereira Pinto, em Guarus, Campos. O crime aconteceu durante o trajeto, quando duas motocicletas com dois homens se aproximaram do veículo e efetuaram diversos disparos. Segundo informações apuradas no local, o motorista do aplicativo, um carro modelo HB20, cor branca, também foi atingido pelos tiros e ficou ferido. Já Cláudio Henrique, ainda conseguiu sair do carro e tentou correr pela rua, mas acabou caindo poucos metros depois e morreu antes da chegada do socorro. 

Braço do TCP e alvo de guerra com a ADA em Campos: quem é Júnior do Beco, o traficante ligado a deputado preso pela PF

Antes de surgir nas investigações que levaram à prisão do deputado estadual Thiago Rangel, o nome de Júnior do Beco já era sinônimo de violência e domínio do tráfico no interior do Rio de Janeiro. A imprensa do Rio noticiou com destaque nesta terça-feira que Rangel, preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, teria oferecido vagas na Secretaria Estadual de Educação ao traficante — mas sem detalhar quem é, de fato, o criminoso por trás desse elo explosivo. Levantamentos mostram que Júnior do Beco já era uma figura conhecida pelas forças de segurança desde os anos 2000, especialmente em Guarus, em Campos dos Goytacazes. Entre criminosos que atuavam do Rio até o interior, ele era apontado como o maior braço do Terceiro Comando Puro (TCP) na região. Ele foi flagrado em uma conversa com um comparsa em que disseram que era preciso tomar uma providência contra a opressão da facção rival Amigos dos Amigos (ADA). Na interceptação, afirmaram que “teriam que manchar o chão de sangue” e que iriam manejar armas vindas de outras localidades dominadas pelo TCP, especialmente Tira Gosto e Portelinha, para reforçar o confronto. Policiais relataram, na época, que Juninho do Beco e seu irmão, conhecido como “Cavalinho”, bagunçavam a região. A maioria dos homicídios em áreas como Custodópolis e Baixada do Rotary era atribuída a eles, consolidando um cenário de medo constante. É esse o criminoso que, segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mantinha relação íntima com o deputado Thiago Rangel. A decisão que fundamentou a prisão revela que Júnior do Beco teria recebido do parlamentar a oferta de duas vagas de trabalho como auxiliar de serviços gerais, para indicações próprias, aparentemente em órgãos públicos ligados à área de educação. Rangel foi orientado a procurar o traficante ou enviar seu número de telefone para que ele próprio entrasse em contato e definisse quem seriam as pessoas inseridas em uma planilha de contratações. Em seguida, Thiago Rangel encaminhou o contato salvo como “Junior Beco” e pediu a um conhecido que falasse com ele em seu nome, informando que possuía oito vagas de ASG (auxiliar de serviços gerais) disponíveis na educação. Dessas oito, ao menos duas seriam destinadas ao traficante, que já havia feito a solicitação. Uma das pessoas indicadas, segundo os autos, foi a própria irmã de Júnior do Beco. A Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal, tem como objetivo desarticular uma quadrilha voltada para fraudes em procedimentos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma no âmbito da Secretaria Estadual de Educação. As investigações apontam para um possível esquema de direcionamento de contratações realizadas por escolas estaduais, beneficiando empresas previamente selecionadas e ligadas ao grupo criminoso. O que emerge desse cenário é uma conexão alarmante entre crime organizado e estruturas públicas, revelando indícios de que interesses de facções podem ter ultrapassado as fronteiras do tráfico e alcançado o interior da máquina do Estado.

Bastidores de uma das guerras mais sangrentas do Rio que uniu duas facções e um ex-policial civil contra milicianos

Uma das guerras mais violentas e duradouras do Rio de Janeiro segue em curso na Zona Oeste, envolvendo traficantes, milicianos, contraventores e até um ex-policial civil que teria migrado para o crime organizado. O conflito, que permanece ativo até os dias atuais, é marcado por homicídios, ataques armados e intimidação sistemática de moradores, usados como instrumentos de domínio territorial. As investigações apontam que a disputa pelo controle de áreas como Catiri, Vila Kennedy e Jardim Bangu vai muito além do tráfico de drogas. O que está em jogo é o domínio de regiões estratégicas, inclusive pela proximidade com o Complexo Penitenciário de Gericinó, facilitando a comunicação com lideranças criminosas presas e fortalecendo a atuação das facções. Além disso, essas áreas garantem acesso a uma rede altamente lucrativa de atividades ilegais, como transporte alternativo (vans), fornecimento de gás e internet clandestina — negócios que intensificam ainda mais a disputa entre grupos criminosos. VIOLÊNCIA, HOMICÍDIOS E INTIMIDAÇÃO DE MORADORES Segundo os autos, o controle territorial é imposto por meio de violência extrema. Criminosos utilizam armamento pesado, promovem ataques coordenados e recorrem a práticas de intimidação coletiva, submetendo moradores ao medo constante. Homicídios e tentativas de assassinato são utilizados como forma de demonstrar poder, eliminar rivais e consolidar o domínio das comunidades, transformando a região em um cenário permanente de guerra. PULGÃO: EX-POLICIAL NO CENTRO DO CONFLITO No centro desse cenário está o ex-inspetor da Polícia Civil conhecido como “Pulgão”, apontado como integrante do Comando Vermelho (CV) e ligado à chamada “tropa do RD”. De acordo com as investigações, após deixar a prisão em 2024, ele passou a atuar diretamente nas ações da facção. Em junho de 2025, voltou a ser preso acusado de associação criminosa e envolvimento em diversos ataques armados contra milicianos, incluindo tentativas de homicídio. Além da atuação violenta, Pulgão também é apontado como responsável por fortalecer o controle econômico da facção, explorando serviços ilegais como transporte alternativo, internet clandestina e fornecimento de gás. GUERRA CONTRA MILÍCIA, JOGO DO BICHO E O ALVO “MONTANHA” O conflito não se limita ao tráfico de drogas. As investigações revelam disputas diretas com milicianos e também com grupos ligados ao jogo do bicho. Nesse contexto, o miliciano conhecido como “Montanha” aparece como um dos principais alvos. Segundo os autos, ele foi alvo de uma tentativa de execução, evidenciando o nível de confronto entre as organizações criminosas. PENHA, CV E ADA: ALIANÇA QUE POTENCIALIZOU A GUERRA Outro fator determinante para a escalada da violência foi a participação de criminosos do Complexo da Penha, reduto histórico do Comando Vermelho, nas ações na Zona Oeste. Além disso, investigações apontam uma aliança estratégica entre o CV e a facção Amigos dos Amigos (ADA) — grupos historicamente rivais, mas que passaram a atuar juntos para retomar territórios dominados por milicianos. Essa união foi fundamental para ataques como o ocorrido em 17 de outubro de 2024, durante a invasão à comunidade do Catiri. ATAQUE EM ANTARES E EXPANSÃO TERRITORIAL A escalada da violência ficou evidente em episódios como o de 3 de janeiro de 2025, quando criminosos fortemente armados invadiram a região de Antares e abriram fogo contra seguranças ligados à milícia. As investigações também apontam movimentações para expansão em áreas como Santa Cruz e Campo Grande, ampliando ainda mais o alcance da guerra. A “TROPA DO RD” E O CONTROLE DOS NEGÓCIOS O traficante RD é apontado como um dos principais articuladores da ofensiva. Sua tropa atua tanto nos confrontos armados quanto na estruturação do domínio territorial. O objetivo vai além do tráfico: controlar atividades altamente lucrativas, como transporte alternativo, fornecimento de gás e internet clandestina, ampliando o poder financeiro da facção e intensificando o conflito. GUERRA SEM FIM Apesar de prisões e operações policiais, os documentos indicam que a organização criminosa segue ativa, com atuação contínua para expandir e consolidar seu domínio. A guerra pelo controle do Catiri, Vila Kennedy e regiões vizinhas permanece em curso até os dias atuais — marcada por homicídios, ataques, alianças improváveis, disputa com milícias e contraventores, e o uso constante da intimidação como ferramenta de poder.

CATEGORIA:

copyright © 2025 Fatos Policiais. todos os direitos reservados

Rolar para cima