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investigação

JÚRI POPULAR: Traficante vai a júri popular por morte de suposto X9 da milícia em homicídio que marcou a entrada do CV na Gardênia Azul. Chefões da facção forneciam armas, homens e davam ordens para matar suspeitos de serem informantes de rivais

A Justiça decidiu levar a júri popular depois de mais de três anos o traficante Francisco Glauber, o GL, que está preso, pelo homicídio de um homem que o Comando Vermelho considerava X9 da milícia na Gardênia Azul, em Jacarepaguá. O crime marcou a entrada do CV na comunidade. Erinaldo Gomes da Silva foi morto com tiros pelas costas. Líder do CV nas ruas, o traficante Doca e seu assessor direto, vulgo Gardenal, fornecendo homens e armas de fogo e dando instruções sobre as execuções que deveriam ocorrer para a retomada e controle territorial e criminoso da região do Gardênia Azul. BMW colocava em prática as instruções sobre as execuções que deveriam ocorrer para retomada e controle territorial e criminoso da região.GL e outros bandidos já mortos (Lesk e Vin Diesel) eram líderes locais que solicitaram o auxílio de Doca e Gardenal e deram as ordens para que o executor (vulgo Mãozinha) para matar a vítima. Os envolvidos no crime acreditavam que Erinaldo era informante da polícia e/ou integrante da milícia privada que anteriormente dominava a região do Gardênia Azul, conforme prints de postagens dos criminosos no Twitter Mas há relatos de que Erinaldo possa ter sido confundido com alguém. Entre 1º fevereiro e 15 de março de 2023, na região do Gardênia Azul/Jacarepaguá, traficantes do CV praticaram diversos homicídios, além da venda de botijões de gás (motivação do homicídio apurado no I. P. nº 901-00286/2023). Além de ordenar homicídios, Doca passou a lucrar com a repartição das drogas comercializadas na região do Gardênia Azul. Uma testemunha revelou que a Gardênia Azul era dividida em algumas áreas e cada uma dominada por um grupo de milicianos diferente.Todos conviviam pacificamente até que um grupo, na época liderado pelo já falecido Gargalhone que era composto pelos milicianos Lesk, GL dentre outros tentou tomar as outras comunidades. Eles acabaram expulsos e foram pedir auxílio do miliciano Zinho para tentarem reconquistar a parte que eles perderam e toda a Gardênia.Zinho não pôde apoiá-los nessa guerra porque ele já estava apoiando guerras lá na Zona Oeste e fez interlocução com os traficantes Doca e Gadernaldo Comando Vermelho, que passaram a dar suporte bélico, de soldados, de armas, enfim de insumos, para que esses milicianos que passaram a integrar o Comando Vermelho assumissem a Gardênia Azul. Isso foi um início ali de muitos homicídios e os traficantes passaram a matar pessoas que eles acusavam ou desconfiavam de serem X9 ou de milicianos ou da polícia. Foi neste contexto que Erinaldo acabou sendo morto porque os traficantes acreditavam que ele fosse um X9 da polícia ou da milícia. Esse grupo de traficantes tinha o hábito de publicar os homicídios como forma de impor o medo aos demais moradores da região.Foi constatado na época diversas pichações com vulgos de traficantes que estavam atuando lá. O traficante que vai a júri popular pelo homicídio de Erinaldo era na época a liderança direta que atuava diretamente na Gardênia. Além da Gardênia, na época, haviam muitos homicídios também na Rua Araticum devido a essas pessoas que eram acusadas de participar da milícia, ou algum informante, algum simpatizante da milícia, o tráfico estava ali, estava executando. Tanto a milícia como o CV faziam quase que uma campanha de mídia, divulgando os atos, as ameaças, o que eles faziam, o que iam fazer. Ouvido na época, GL negou tudo e disse que nem conhecia a vítima. Confirmou que já tinha sido da milícia e rolou uma guerra ali e tinha que deixar a região. Ele também responde pelos homicídios dos três médicos, mortos na orla da Barra da Tijuca após um deles ser confundido com o miliciano Taillon de Rio das Pedras.

Traficante do CV escondido na Rocinha ameaça síndicos e ordena invasão de três condomínios em Itaboraí; criminosos destruíram monitoramento e central de internet

Um traficante do Comando Vermelho que estava escondido na comunidade da Rocinha, na Zona Sul do Rio, comandou uma invasãoa três condomínios residenciais no bairro Outeiro das Pedras, em Itaboraí. Trata-se de Jorge Mesquita da Silva, o Bicudo, 31 anos, As informações são da jornalista Roberta Trindade Os agentes da lei conseguiram chegar ao criminoso mesmo após seus comparsas destruírem câmeras de segurança dos imóveis, na madrugada de hoje. As investigações apontam que Bicudo ameaçava síndicos de condomínios com o objetivo de reforçar seu domínio territorial. De acordo com a Polícia, ele controla a venda de drogas não apenas no Outeiro das Pedras, mas também no bairro Bela Vista, igualmente em Itaboraí. Na madrugada desta segunda-feira, policiais militares foram acionados para verificar uma invasão ao condomínio Village Recanto, no Outeiro das Pedras. Segundo relatos de testemunhas, cerca de seis criminosos armados com fuzis e pistolas entraram no residencial, quebraram câmeras de segurança e destruíram a central de internet. Durante a ação, os bandidos teriam afirmado que não permitiriam mais a atuação da empresa Predial, responsável pela prestação desses serviços aos moradores. O grupo ainda invadiu o condomínio Vila das Mangueiras II, onde o sistema de monitoramento também foi destruído, e seguiu posteriormente para o condomínio Chardonnay, localizado em uma rua próxima. Ainda segundo testemunhas, os criminosos efetuaram disparos contra a guarita do Village Recanto e atiraram no interior do condomínio. Para realizar a ação e fugir, o bando utilizou três veículos: um Hyundai HB20 branco e dois Fiat Palio cinza, cujas placas não foram identificadas.Imagens de câmeras de segurança obtidas pela reportagem mostram parte da movimentação do grupo durante a madrugada. Em uma das gravações, feita por volta das 3h25, é possível observar um automóvel circulando nas proximidades de um dos condomínios. Outro registro mostra um dos homens portando uma arma longa junto à entrada de um residencial. Os equipamentos registraram parte da ação antes que fossem danificados pelos criminosos. Equipes do 35º BPM foram mobilizadas para a ocorrência e policiais realizaram buscas na região. A perícia também esteve no local para analisar os vestígios deixados pelos criminosos. O caso foi registrado na 71ª DP (Itaboraí). Bicudo é irmão de Pedro Henrique Mesquita da Silva, o Tikinho, 38 anos, que possui 11 anotações criminais por delitos como roubo, tentativa de homicídio, associação criminosa, porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas. Segundo a Polícia, Tikinho atualmente atua como “matuto” do CV — comercializando drogas em grandes quantidades para favelas e morros controlados pela facção. Os dois são filhos de um ex-traficante que, hoje, mantém um comércio na Rocinha. Contra Bicudo há dois mandados de prisão em aberto, por roubo e homicídio. O acusado possui ainda quatro anotações criminais — duas por tráfico de drogas, uma por resistência e outra por tentativa de homicídio.

MILICIANOS DO CATIRI COMEMORARAM EXECUÇÃO DE HOMEM LIGADO AO CV MORTO EM SHOPPING DE BANGU, REVELA RELATÓRIO DA JUSTIÇA

Mais de um ano e seis meses após a morte de um homem executado dentro do estacionamento do Shopping Bangu, na Zona Oeste do Rio, um relatório produzido no âmbito da Justiça revela um dos episódios mais contundentes relacionados ao crime: milicianos do Catiri teriam se reunido para comemorar a morte da vítima, apontada como ligada ao Comando Vermelho. Anderson da Cunha Figueiredo, de 40 anos, conhecido como Catatau, já havia tido envolvimento com paramilitares, mas, segundo as informações reunidas no processo, teria mudado de lado e passado a se aproximar do tráfico local em meio à disputa por territórios dominados por grupos de milicianos. A execução ocorreu no estacionamento do Shopping Bangu, e a suspeita de participação de integrantes da milícia do Catiri ganhou força após uma denúncia anônima recebida por policiais militares. De acordo com o documento, o Disque-Denúncia informou ao batalhão responsável pelo policiamento da região que, na Rua Três Marias, em Bangu, estaria ocorrendo uma reunião de indivíduos ligados à atividade miliciana. A denúncia apontava ainda que os suspeitos poderiam estar envolvidos diretamente na morte de Catatau. Mais do que isso: segundo o relato levado aos policiais, os milicianos estariam reunidos para comemorar o assassinato. Diante da informação, policiais militares foram até o endereço indicado e observaram um veículo cujos ocupantes apresentavam comportamento considerado suspeito. Os agentes realizaram a abordagem e fizeram buscas nos suspeitos. O arsenal encontrado chamou a atenção. Foram apreendidas uma pistola calibre 9mm, uma pistola calibre .40, seis carregadores de pistola 9mm, um carregador de pistola .40, um carregador de fuzil calibre 7,62 mm, 80 munições de AK calibre 7,62 mm curto, 20 munições de fuzil calibre 7,62 mm, 37 munições de pistola 9mm e nove munições de pistola calibre .40, além de três rádios comunicadores. Segundo o relatório, os envolvidos também estariam realizando cobranças de taxas na região e em áreas próximas — uma atividade característica da atuação de grupos milicianos. O documento registra ainda o impacto que a execução de Catatau teve dentro do próprio batalhão. Segundo o relato, o comandante da unidade chegou a informar a um policial militar que acompanhava as notícias divulgadas pela imprensa sobre a morte de Catatau que a suspeita era de que a milícia do Catiri estivesse por trás do crime. A informação recebida pelo Disque-Denúncia reforçava justamente essa hipótese: os milicianos apontados como envolvidos na execução estariam reunidos no momento em que comemoravam a morte de Catatau. O episódio, portanto, não aparece apenas como mais uma disputa entre criminosos pelo controle territorial. O relatório revela uma possível conexão entre a execução ocorrida dentro de um dos principais centros comerciais da Zona Oeste e a atuação de um grupo paramilitar que, segundo as investigações, mantinha domínio territorial, cobrava taxas e circulava fortemente armad

DOCUMENTO REVELA QUE PM ASSASSINADO ERA PRINCIPAL TESTEMUNHA DA INVESTIGAÇÃO QUE APURA COMO O CV TOMOU CLUBES NA ZONA NORTE E LEVANTA SUSPEITA DE ELIMINAÇÃO DE PROVA

Um documento obtido pela reportagem junto ao Tribunal de Justiça revela o falecimento da principal testemunha e vítima que poderia prestar detalhes sobre a ação de traficantes para tomar o controle dos clubes Várzea e Marabu, na Zona Norte do Rio. Segundo o relatório, essa testemunha é Isaac Drumond de Azeredo, subtenente da PM, que foi assassinado em fevereiro do ano passado junto do policial civil Sérgio Paixão Bonfim, de 51 anos, em Piedade. O fato gerou o aditamento do Registro de Ocorrência para apurar possível eliminação de prova por parte dos investigados Há relatos de que os agentes administravam o Marabu. O inquérito revelou que o CV, com núcleo de atuação no Complexo do Morro do 18, impunha um cenário de ocupação forçada e controlede espaços civis mediante coação, com especial enfoque nas atividades recreativas do Marabu e do Várzea. A estrutura seria liderada pelo traficante Jean Carlos Nascimentos dos Santos, o Jean de Dezoito , e visaria a consolidação do domínio territorial para fins de exploração econômica e ocultação de ativos provenientes de atividades ilícitas. A narrativa policial descreve a ocupação forçada dos clubes, não como um fim empresarial autônomo, mas como estratégia de consolidação de domínio territorial para viabilizar o escoamento de entorpecentes e a ocultação de ativos da facção. Ontem, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) autorizou o Estado a assumir, provisoriamente, a gestão da sede do Várzea Country Clube, em Água Santa, na Zona Norte da Capital, e da Pousada Menino do Rio Ltda., em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos. Os dois imóveis já estavam sob sequestro judicial no âmbito de investigações relacionadas a organização criminosa, milícia e lavagem de dinheiro. Na decisão, o magistrado destacou No caso do Várzea Country Clube, a imissão do Estado na posse será imediata. Segundo informações do processo, o espaço recreativo teria sido tomado pela facção criminosa Comando Vermelho por volta de 2023 e transformado em local de encontros e realização de bailes do grupo, com relatos de presença ostensiva de armamento pesado. O magistrado ressaltou que a medida representa uma “verdadeira inversão de finalidade”, ao permitir que as estruturas esportivas e de lazer existentes no clube voltem a ser utilizadas pela comunidade local. A área de abrangência, segundo a decisão, reúne cerca de 70 mil moradores dos bairros de Água Santa, Piedade e Quintino Bocaiúva. Em razão do histórico de domínio armado na região, o cumprimento do mandado de imissão de posse contará com o apoio das forças de segurança. Gestão provisória da pousada em Búzios A imissão de posse da Pousada Menino do Rio, em Armação dos Búzios, ocorrerá de forma escalonada. Embora o imóvel esteja relacionado a indícios de lavagem de dinheiro atribuída à organização criminosa investigada, incluindo movimentações financeiras fracionadas e depósitos em espécie de valores elevados, o estabelecimento mantém atividade hoteleira regular. Para evitar a interrupção abrupta das atividades econômicas e preservar os direitos de terceiros de boa-fé, o magistrado condicionou a imissão de posse à apresentação e homologação de um plano de ação pelo Estado. O documento deverá contemplar medidas para o ressarcimento ou a reacomodação de hóspedes que tenham reservas ativas, além do levantamento e da preservação dos direitos trabalhistas dos funcionários formalmente vinculados ao estabelecimento. O procurador-geral do Estado foi intimado a indicar, no prazo de 30 dias, os órgãos que ficarão responsáveis pela gestão dos espaços, observada a prioridade legal de destinação das instalações à Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. A autorização concedida pelo Judiciário assegura apenas a posse direta e o uso temporário dos imóveis, sem alteração da titularidade da propriedade. A definição sobre a destinação definitiva dos bens dependerá do julgamento dos processos principais.

Naldinho Samuray e os bastidores do poder do Comando Vermelho dentro dos presídios

Escutas, documentos judiciais e registros de comunicação apontam atuação de Naldinho na estrutura de comando do CV, incluindo reunião com outras lideranças, transmissão de ordens e mobilização de presos contra agentes penitenciários Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Naldinho ou Samuray, aparece em investigações como um dos integrantes de maior influência do Comando Vermelho mesmo estando recolhido ao sistema penitenciário. Com penas que ultrapassam 80 anos de prisão, ele é apontado em documentos judiciais como integrante da chamada “Casa Maior” do Comando Vermelho, núcleo ao qual as investigações atribuem participação em decisões estratégicas da organização. Uma reunião que revela a articulação da facção Um dos elementos mais reveladores consta de material produzido a partir da análise de dados apreendidos pelas autoridades. O documento apresenta um print de uma tela de celular com registros de chamadas pelo WhatsApp e identifica uma suposta chamada coletiva com duração aproximada de duas horas. Entre os participantes aparecem os presos Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho/Samuray; Eliezer Miranda Joaquim, o Criam; Marcos Antonio Pereira Firmino da Silva, o My Thor; e Roberto, o Metralha. Também teriam participado da chamada outros integrantes apontados como relevantes na estrutura do Comando Vermelho: Edgard Alves de Andrade, o Doca; Luciano Martiniano da Silva, o Pezão; Wilton Carlos Rabelo Quintanilha, o Abelha; Luiz Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau; e Jorge Alexandre Candido Maria, o Sombra. O registro é um dos elementos que ajudam a mostrar como integrantes da organização conseguiam manter comunicação entre si mesmo estando encarcerados ou em diferentes posições dentro da estrutura criminosa. Apontado como integrante da “Casa Maior” Em processo relacionado à atuação do Comando Vermelho no Acre, Naldinho é descrito como conselheiro da facção e integrante da “Casa Maior” no Rio de Janeiro. O documento também o classifica como indivíduo de alta periculosidade e registra que a Polícia Federal o teria apontado como um dos braços direitos de Fernandinho Beira-Mar. Segundo a acusação, Naldinho teria integrado e promovido pessoalmente o Comando Vermelho, organização descrita no processo como estruturada e dividida em funções, com atuação em crimes como tráfico de drogas, homicídios, tortura e crimes contra o patrimônio. A participação atribuída a ele teria sido identificada a partir da análise de comunicações telefônicas e dados telemáticos obtidos durante as investigações. Ordens transmitidas de dentro da prisão As investigações realizadas a partir das comunicações de 2024 acrescentam outro elemento à atuação atribuída a Naldinho. Segundo os documentos, ele articulava e transmitia ordens a outros integrantes do Comando Vermelho, indicando que sua influência não estaria restrita ao ambiente prisional. O caso reforça a preocupação das autoridades com a utilização de celulares e outros meios clandestinos de comunicação para manter a atuação de organizações criminosas mesmo com seus integrantes encarcerados. Mobilização de presos contra agentes Ainda em 2024, Naldinho teria protagonizado outro episódio dentro do sistema penitenciário. Segundo a investigação, ele incitou o coletivo de presos contra agentes penitenciários para impedir a realização de um procedimento de revista. Durante a ocorrência, foram apreendidos 13 aparelhos celulares. O episódio ganha relevância justamente por envolver uma tentativa de impedir uma ação de fiscalização dentro da unidade prisional e pela apreensão dos equipamentos utilizados para comunicação clandestina. A tentativa de sair da prisão com documento falso A relação de episódios envolvendo Naldinho inclui ainda uma tentativa de obter a liberdade em 2021 mediante a utilização de um alvará falso. O caso acrescenta outro capítulo à trajetória do criminoso, que, segundo os documentos analisados, acumulou condenações superiores a 80 anos e continuou sendo citado pelas autoridades em investigações sobre a estrutura do Comando Vermelho. As informações sobre a atuação criminosa de Naldinho são baseadas nos documentos judiciais e materiais de investigação mencionados na reportagem e correspondem às acusações e conclusões apresentadas pelas autoridades nos respectivos procedimentos.

Da guerra à parceria: milícia de Curicica se aliou ao TCP e depois buscou aproximação com o Comando Vermelho

Apesar de a investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), revelada ontem, apontar uma aliança entre a milícia de Curicica e traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) dos complexos da Pedreira e da Maré para enfrentar o Comando Vermelho (CV), documentos de inteligência indicam que o mesmo grupo paramilitar também teria buscado uma aproximação com o próprio CV. Segundo informações de inteligência produzidas em 2025, a milícia de Dois Irmãos, em Curicica, liderada por Shrek ou Boto, estaria se associando ao Comando Vermelho por meio do traficante Doca. A eventual parceria caracterizaria uma espécie de narcomilícia, com a atuação conjunta de criminosos ligados aos dois grupos. A suposta aproximação teria ganhado força após a prisão de traficantes ligados ao Amigos dos Amigos (ADA) que atuavam na região da Vila Sapê, em Curicica. O movimento teria culminado na detenção do traficante Celsinho da Vintém, que atualmente estaria alinhado ao Comando Vermelho. Ainda de acordo com as investigações, Boto teria chegado a negociar a comunidade da Vila Sapê com Celsinho da Vintém, em uma movimentação que reforçaria a aproximação entre a milícia e o tráfico. Também chegou a ser veiculado que André Boto iria abandonar a milícia e entrar para a contravenção e vender áreas para o CV. A suposta aliança com o CV parece aue também não se sustentou porque o CV realizou vários ataques à comunidade Dois Irmãos este ano. É importante destacar que a investigação do MPRJ revelada ontem trata de fatos ocorridos em 2023, enquanto as informações de inteligência sobre uma possível aproximação com o CV são de 2025. Ou seja, os documentos apontam para diferentes momentos e diferentes rearranjos no cenário criminoso de Curicica. Em 2023, uma das principais lideranças da milícia de Curicica era Playboy, nome que voltou a aparecer nesta sexta-feira em um trecho de escuta telefônica divulgado pela imprensa carioca. Naquele período, as investigações também localizaram um esconderijo utilizado por Playboy em um bunker no Complexo da Maré. O miliciano estaria protegido na comunidade por traficantes do Terceiro Comando Puro, em um episódio que teria ocorrido justamente após a formação de uma aliança entre os dois grupos. Os episódios revelam a complexidade e a constante mudança das alianças entre grupos criminosos no Rio: em determinados momentos, milicianos e traficantes se unem para enfrentar um inimigo comum; em outros, os mesmos grupos negociam territórios e estabelecem novas parcerias, inclusive com antigos adversários.

Apontado como elo entre a milícia de Curicica, TCP e PMs já havia sido preso junto com um policial suspeito de participar do Bonde do Zinho para invadir áreas em Santa Cruz

. Apontado em investigação como suposto elo entre a milícia de Curicica, Terceiro Comando Puro e PMs, Yuri Guimarães Soares chegou a ser preso com um policial reformado participando do Bonde de Zinho para invadir o Conjunto João 23, em Santa Cruz, há quase três anos. Yuri já estaria morto. Na ocasião, estavam com dois fuzis calibres 556 e 223, munições 556 e carregadores para fuzil. As informações de inteligência da época apontaram que o bonde do Zinho estava se equipando para uma empreitada da milícia. O PM dirigia o carro onde estava Yuri e as armas mas disse que estava fazendo uma corrida na ocasião. Já Yuri disse que os fuzis eram dele mas não revelou para onde iria levá-los. Negou que partiipava da milícia e que já tinha sido processado pelos crimes de porte ilegal de arma e assalto à mão armada; Para a Justiça, o armamento seria utilizado para “uma invasão as imediações da Avenida João XXIII, em Santa Cruz”, o que não ocorreu, por circunstâncias alheias, já que o grupo denominado “Bonde do Zinho” foi interceptado pelos agentes da lei. “Nas circunstâncias do crime, é notório que os acusados utilizavam o farto material bélico para manutenção do território da organização criminosa que atua em Santa Cruz e adjacências. Milícia está que aterroriza toda a comunidade.“Yuri e o PM foram condenados. Se sabe que a milícia do Boto que comanda Curicica chegou a ser aliada anos atrás do Bonde do Zinho. Aliança entre milícia e tráfico As investigações recentes do MPRJ apontaram uma aliança entre a milícia de Curicica e integrantes do TCP atuantes nos complexos da Maré e da Pedreira, baseada em um pacto de não agressão e cooperação operacional. O objetivo seria o apoio mútuo contra grupos rivais, especialmente o Comando Vermelho, além da facilitação do comércio ilícito de armas e drogas. Nesse contexto, Yuri Guimarães Soares, o “Lirow”, é apontado como elo entre a estrutura paramilitar e integrantes da facção criminosa. Outra característica destacada na denúncia é o comércio clandestino de armamentos de alto poder ofensivo, incluindo fuzis de calibres 5,56 mm, 7,62 mm e .223, além de pistolas e munições. Dois policiais militares, Jorge Anastácio Rodrigues Simões, lotado no 4º Batalhão da Polícia Militar, e Leo Carlos Araújo Santos, do 2º BPM, também foram denunciados por atuação no fornecimento e na intermediação de armas e munições destinadas à milícia de Curicica e ao TCP. Ao decretar as prisões preventivas, o Juízo destacou a gravidade concreta dos fatos, a estrutura armada da organização, o risco de reiteração criminosa e a necessidade de preservação da ordem pública.

Complexo de Israel (TCP): investigações revelam tráfico que cobra taxas, controla serviços, mantém homens armados e trava guerras pelo território

As operações policiais realizadas desde a última sexta-feira (21) no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, acontecem em um território que, segundo uma investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, é submetido a uma estrutura criminosa muito mais ampla do que o comércio de drogas. A denúncia descreve uma organização ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP) que teria construído um sistema de poder baseado em tráfico, extorsões, exploração de serviços, cobrança de taxas, controle territorial, violência e uma estrutura armada utilizada contra rivais e agentes do Estado. O processo reúne informações sobre a atuação do grupo nas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Pica-pau e Cinco Bocas. Segundo o Ministério Público, a organização teria se estruturado para obter vantagens econômicas não apenas com a venda de entorpecentes, mas também com a exploração de outros serviços existentes no território. Entre as atividades apontadas pela investigação estão o fornecimento de TV a cabo, internet e a cobrança de taxas de funcionamento de estabelecimentos comerciais e de serviços. Também são mencionadas cobranças relacionadas a telecomunicações, distribuição de sinais de internet e transportes alternativos. Na avaliação do Ministério Público, o modelo de atuação apresentava características semelhantes às de uma milícia, razão pela qual a denúncia utiliza a expressão “narcomilícia” para descrever a estrutura. A organização, segundo a acusação, teria como objetivo ampliar o domínio territorial e transformar esse controle em fonte permanente de arrecadação. Estrutura hierarquizada e divisão de funções A denúncia descreve uma organização estruturalmente ordenada, permanente e com divisão de tarefas. No topo, segundo o Ministério Público, está Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como principal líder da organização. A investigação afirma que ele exerceria comando sobre o grupo e seria responsável pela administração da sistemática de arrecadação de aluguéis e taxas de funcionamento de comércio e serviços no chamado Complexo de Israel. Peixão também é apontado na denúncia como mandante de homicídios, torturas e invasões armadas a imóveis e áreas dominadas por grupos rivais. Ainda segundo o Ministério Público, foi durante sua liderança que o território controlado pelo grupo teria se expandido significativamente. A denúncia também atribui ao líder a imposição da fé cristã aos moradores das áreas dominadas. Abaixo da principal liderança, a investigação identificou diferentes funções. Um dos integrantes é apontado como braço direito e liderança do tráfico em Parada de Lucas, enquanto outro, mesmo estando preso, teria mantido posição de prestígio na hierarquia do TCP e continuado a se comunicar com subordinados, inclusive para autorizar ou orientar ações relacionadas a invasões de outras comunidades. Outro integrante, também atuando de dentro do sistema prisional, é apontado como responsável pela coordenação de invasões a comunidades rivais e pela execução de desafetos de Peixão, além de exercer influência sobre uma comunidade localizada em Duque de Caxias. Há ainda integrantes identificados como responsáveis pelo gerenciamento de pontos de venda de drogas em Cinco Bocas e Cidade Alta. Foi justamente a quebra do sigilo de dados de um dos celulares apreendidos durante a investigação que permitiu, segundo o Ministério Público, reunir um grande acervo de conversas entre integrantes da organização. Esse integrante também teria sido identificado em imagens publicadas em redes sociais ostentando armas de grosso calibre, um caderno de anotações do tráfico e fazendo gestos relacionados à facção. Outro denunciado é apontado como liderança do tráfico em uma área controlada pelo grupo fora da capital, no Buraco do Boi, em Nova Iguaçu. Segundo a investigação, ele aparecia em redes sociais em pontos de venda de drogas e ao lado de integrantes armados da organização. Braço armado e homens responsáveis pela segurança A estrutura tinha ainda uma camada dedicada exclusivamente à força. Um dos integrantes é apontado como braço armado da organização na Cidade Alta, tendo atuado anteriormente como segurança de uma liderança. A investigação afirma que ele ostentava armas de fogo em redes sociais e comemorava a morte de traficantes rivais. Outro integrante é apontado como responsável pelo gerenciamento das bocas de fumo da Cidade Alta e como um dos homens de confiança de Peixão, contando inclusive com segurança própria. Também havia criminosos responsáveis especificamente pela segurança das bocas de fumo e pela contenção de invasões de rivais e operações policiais. A denúncia cita, inclusive, um episódio em que um desses integrantes teria efetuado disparos contra uma guarnição da Polícia Militar que, ao tentar escapar do trânsito, acabou entrando na comunidade. Outro integrante exerceria a função de segurança armada, especialmente na Cidade Alta, enquanto outro atuaria como vendedor de drogas, descrito na investigação como responsável pela comercialização dos entorpecentes dentro da comunidade. A investigação aponta ainda outros três integrantes como seguranças armados da organização, sendo um deles descrito pelos investigadores como particularmente violento. O Ministério Público ressalta que os chamados “soldados do tráfico” exerciam também a função de proteger criminosos que ocupavam posições superiores na hierarquia da organização, permanecendo constantemente armados e utilizando outros equipamentos bélicos. Nem o SAMU escapou do domínio territorial Um dos episódios descritos no processo ajuda a mostrar até onde, segundo a investigação, chegava o controle exercido pelos criminosos. Em 2 de maio de 2022, uma ambulância do SAMU foi chamada para atender uma emergência dentro de uma comunidade. Quando a equipe chegou ao local, um integrante apontado pela investigação como segurança armado da organização abordou a técnica de enfermagem e o motorista da ambulância e determinou que eles deixassem a comunidade, alegando que naquele momento ocorria uma operação policial. O episódio demonstra, segundo os elementos reunidos na investigação, que os criminosos não se limitavam a controlar atividades diretamente relacionadas ao tráfico. Eles também impunham regras sobre a circulação de serviços públicos e de emergência dentro do território, utilizando a força e a ameaça como instrumento de controle. Menores também participavam da estrutura A investigação identificou ainda a participação de adolescentes na organização criminosa liderada por Peixão. Segundo o Ministério Público, menores de idade participavam ativamente de atividades de interesse da facção. A presença de adolescentes se somava à utilização de homens armados para garantir a vigilância das

Presa hoje, Madrinha da Cidade Alta (TCP) é suspeita de participar falsa blitz de traficantes que terminou com homem morto

A traficante Luana Rosa de Araújo, conhecida como “Madrinha da Cidade Alta”, presa nesta terça-feira (25) durante uma operação policial no Complexo de Israel, é suspeita de envolvimento em um homicídio ocorrido em 2020, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O crime aconteceu em meio a uma disputa territorial entre traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) e integrantes do Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, criminosos armados realizavam uma espécie de falsa blitz na Avenida dos Coqueiros, na região da comunidade do Massapê, quando abordaram veículos que passavam pelo local. A vítima fatal foi Alan Kardec, que estava em uma Ford Ranger prata. O processo aponta que ele acabou atingido por disparos de arma de fogo depois de tentar escapar do bloqueio realizado pelos criminosos. O caso também envolve o traficante conhecido como “Noventinha”, apontado como parceiro de Luana. Ele será submetido a júri popular pelo homicídio, enquanto o processo em relação à traficante foi desmembrado e continua tramitando. Traficantes esperavam confronto com o CV De acordo com os elementos reunidos na investigação e posteriormente apresentados no processo, os criminosos estariam posicionados na Avenida dos Coqueiros à espera de um possível confronto com integrantes do Comando Vermelho, que dominariam a comunidade conhecida como “Vai Quem Quer”. A dinâmica descrita pelas testemunhas ajuda a explicar como Alan acabou sendo morto. Segundo o relato de um amigo da vítima, policiais que atenderam a ocorrência disseram que os criminosos realizavam uma falsa blitz na região do Massapê, área apontada como dominada pelo TCP. O amigo afirmou ainda ter ouvido dos policiais que, antes de Alan tentar passar pelo bloqueio, um Toyota Corolla blindado, conduzido por um homem que seria policial militar, havia chegado ao local. O motorista teria reagido à abordagem e efetuado disparos contra os traficantes. Foi nesse momento que Alan, que vinha logo atrás em sua Ranger, teria tentado fugir. A suspeita levantada durante a investigação é que os criminosos possam ter confundido a Ranger com um veículo ligado à facção rival, já que o motorista tentou escapar depois de presenciar os disparos. Grupo tinha fuzis e atirou contra veículos Uma das pessoas que sobreviveu ao ataque contou em juízo que retornava para casa, em Santa Cruz da Serra, acompanhado da esposa, Danielle, depois de um treinamento. Ao acessar a Avenida dos Coqueiros, próximo a uma praça antes da Rua Massapê, o casal teria sido abordado por um homem armado com uma pistola, que apontou a arma para o vidro do veículo. O motorista, que é policial militar, decidiu fugir porque seu carro era blindado. Segundo seu depoimento, o criminoso chegou a se colocar à frente do veículo, mas caiu no chão sem ser atropelado e passou a efetuar disparos contra o automóvel. O policial acreditou inicialmente que a situação havia terminado. No entanto, pouco depois, deparou-se com outro grupo de criminosos. Desta vez, segundo seu relato, havia pelo menos seis homens armados com fuzis. Sem alternativa para retornar, o motorista decidiu atravessar o bloqueio. Os criminosos então passaram a atirar contra o veículo. O carro sofreu pelo menos 16 perfurações provocadas por disparos. Durante o ataque, Danielle, que estava no banco do carona, que havia sido reclinado para baixo, acabou atingida por um tiro na região do cóccix. O projétil atravessou o glúteo. Ela teria avisado ao marido que havia sido atingida somente depois que conseguiram deixar o local. PM reconheceu um dos acusados Em seu depoimento, o policial afirmou ter conseguido reconhecer um dos acusados. Segundo ele, a identificação foi possível porque havia boa iluminação pública no local e o criminoso não utilizava qualquer acessório para esconder o rosto. O policial afirmou ainda que, por exercer a função de agente de segurança e morar na região, já havia visto o acusado anteriormente no Portal dos Procurados. A testemunha contou que só posteriormente tomou conhecimento de que outro veículo, que vinha atrás, também havia tentado atravessar o bloqueio. Era o carro de Alan. Ranger foi atingida por vários disparos A perícia encontrou diversas marcas de tiros na Ford Ranger conduzida por Alan. Foram identificadas perfurações provocadas por projéteis de arma de fogo na porta dianteira direita, roda dianteira direita, para-choque dianteiro, para-lama dianteiro esquerdo, porta dianteira esquerda e para-choque traseiro. Os vestígios indicaram impactos no sentido de fora para dentro. A prova pericial foi reforçada pelos depoimentos das testemunhas, que relataram que Alan havia sido atingido por disparos. Depois de conseguir sair da região, ele ainda estava vivo. Um amigo da vítima contou que recebeu a informação de que Alan havia sido baleado e estava sendo levado para o Hospital Adão Pereira Nunes. Ao chegar à unidade, encontrou o colega sendo submetido a uma cirurgia. Alan, entretanto, não resistiu aos ferimentos e morreu pouco tempo depois. Mulher também foi atingida durante o ataque A ocorrência deixou outras vítimas. Além de Alan, Danielle foi baleada enquanto estava dentro do Corolla blindado. Segundo os depoimentos, ela foi atingida na região do cóccix, com o disparo atravessando o glúteo. O amigo de Alan também afirmou ter recebido dos policiais a informação de que uma mulher que estava no veículo blindado havia sido atingida durante a troca de tiros. As circunstâncias descritas no processo apontam para um cenário de extrema violência, com criminosos fortemente armados tentando controlar a circulação de veículos em uma área disputada por facções rivais. Processo aponta atuação do TCP na região Segundo o relato prestado pelo amigo de Alan, policiais que participaram da ocorrência atribuíram o ataque a traficantes que controlavam a região do Massapê. O depoente afirmou ter ouvido que os criminosos pertenciam ao grupo comandado pelo traficante conhecido como “Peixão”, apontado como liderança do TCP na região. Ainda de acordo com o depoimento, a disputa pelo território ocorria justamente entre criminosos do TCP e do Comando Vermelho. A investigação, portanto, trabalha com a hipótese de que Alan tenha sido vítima de uma ação criminosa relacionada à guerra entre as duas facções. O fato de ele ter tentado escapar da falsa blitz, segundo a linha investigativa apresentada

Advogado morto no Centro do Rio queria montar estabelecimento de apostas justamente em área dominada por Adilsinho, que foi denunciado como mandante do crime

O advogado Rodrigo Marinho Crespo pode ter sido assassinado porque pretendia entrar no mercado de apostas abrindo um estabelcimento jsutamente em uma área controlada pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o contraventor foi denunciado como mandante da execução do advogado, morto a tiros em fevereiro de 2024, no Centro do Rio. A suspeita de que o crime estaria relacionado à disputa pelo mercado de jogos e apostas já havia sido apresentada pelo Ministério Público durante o julgamento dos executores de Crespo, realizado em março deste ano. Na ocasião, o promotor Bruno de Faria Bezerra afirmou que Rodrigo Crespo estudava entrar no ramo das chamadas bets e pretendia montar um Sporting Bar em Botafogo, onde seriam realizadas apostas e poderiam funcionar máquinas semelhantes a caça-níqueis conectadas à internet. O detalhe apontado pela acusação era justamente o local onde o advogado pretendia instalar o empreendimento. Segundo o Ministério Público, Adilsinho era o responsável pelos pontos de jogo do bicho e por um bingo clandestino na região de Botafogo. Para a acusação, portanto, a entrada de Crespo nesse mercado poderia representar uma ameaça aos interesses econômicos da organização comandada pelo contraventor. Durante a sustentação no Tribunal do Júri, o promotor afirmou que o assassinato teria servido como um recado para quem pretendesse disputar aquele mercado. “A morte dele, encomendada, foi um recado claro.” Rodrigo Marinho Crespo foi executado no dia 26 de fevereiro de 2024, por volta das 17h15, na Avenida Marechal Câmara, em frente ao número 160, no Centro do Rio, próximo à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Executores foram condenados a 30 anos A ligação entre o assassinato e a organização de Adilsinho já havia aparecido de forma contundente no julgamento realizado em 6 de março de 2026 pelo III Tribunal do Júri do Rio. Na ocasião, Leandro Machado da Silva, o “Cara de Pedra”, Cezar Daniel Môndego de Souza, o “Russo”, e Eduardo Sobreira Moraes foram condenados a 30 anos de prisão cada um pela participação na morte do advogado. O Ministério Público sustentou no julgamento que os três faziam parte da organização criminosa chefiada por Adilsinho. A acusação apresentou ao Conselho de Sentença a dinâmica dos acusados antes e depois do assassinato e afirmou que eles participaram do planejamento e da execução do crime. As defesas, porém, negaram que os réus soubessem que Rodrigo seria assassinado. Cezar Daniel Môndego de Souza afirmou, por meio de seus advogados, que havia sido contratado por R$ 5 mil apenas para monitorar a vítima e que não sabia que ela seria morta. A defesa de Eduardo Sobreira Moraes sustentou que ele teria sido contratado somente como motorista de Cezar Mondego e também desconhecia a existência de um plano de execução. Já os advogados de Leandro Machado da Silva alegaram que o nome dele sequer aparecia no checklist do veículo usado no monitoramento de Rodrigo e afirmaram que ele apenas sublocava carros da empresa Horizonte 16 para obter renda extra. As teses não convenceram os jurados. Sentença descreveu “extenso grupo de sicários” Ao proferir a sentença, o juiz Cariel Bezerra Patriota afirmou que ficou evidenciada a participação dos três condenados em um grupo maior, estruturado para a prática de homicídios e outros crimes. O magistrado classificou a organização como um “extenso grupo de sicários”, com ordenação, divisão de tarefas e estrutura voltada à obtenção de vantagens econômicas e expansão de poder. A sentença apontou ainda que o grupo teria utilizado métodos para destruir provas e dificultar investigações futuras. Um dos trechos mais graves da decisão trata da participação de policiais militares da ativa na estrutura. “É extremamente preocupante que a investigação da morte de RODRIGO MARINHO CRESPO revelou a participação de vários policiais militares da ativa em um grupo de execução/extermínio, um verdadeiro grupo de sicários que se aproveita do poder estatal para criar um poder paralelo e ainda se infiltrar no Poder Estatal.” Para o juiz, o grupo não apenas executava pessoas, mas também atuava na destruição de evidências e na obstrução de investigações. Agora, MP aponta Adilsinho como mandante O Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou e obteve a decretação da prisão preventiva de mais quatro acusados de envolvimento no homicídio do advogado Rodrigo Crespo, morto a tiros no Centro do Rio, em 26 de fevereiro de 2024. Nesta segunda-feira (24/08), a Polícia Civil cumpriu mandado de prisão preventiva contra o policial militar da ativa Renato Franco Lopes, conhecido como Pitbull, lotado no 15º BPM. Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e Ryan Patrick Barboza de Oliveira, o Motinha, já estavam presos, e os mandados de prisão foram cumpridos no dia 20/08. Rafael Ferreira Silva, conhecido como Cachoeira, é considerado foragido pela Justiça. De acordo com a denúncia, Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças da chamada “nova cúpula do jogo do bicho”, encomendou o assassinato do advogado por considerar que sua atuação representava risco aos seus interesses na exploração do mercado de apostas online, as bets. À época do crime, de acordo com o GAECO/MPRJ, os chamados “contraventores” estavam se inteirando sobre a entrada no lucrativo mercado de bets, segmento em que Rodrigo Crespo manifestava interesse em investir. As investigações revelaram que ele, inclusive, já buscava financiadores para a implantação de empreendimento de grande porte, além de ter exposto a intenção de abrir um “sports bar” com máquinas semelhantes a caça-níqueis, universo historicamente dominado pelos bicheiros. “Os elementos de investigação indicam que a escolha do local, do horário e do modo de execução não foi aleatória, havendo fortes indícios de que a organização buscou conferir ao crime caráter ostensivo e intimidatório, com o propósito de transmitir uma mensagem de poder e dissuasão a potenciais concorrentes ou a terceiros que viessem a contrariar seus interesses econômicos/criminosos”, descreve a denúncia. A denúncia também aponta que Ryan fez a vigilância da vítima nos dias anteriores ao homicídio, identificando os locais e horários favoráveis à

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