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investigação

Documentos revelam como mulher de Marcinho VP usaria operador financeiro para movimentar dinheiro do tráfico

Documentos de uma investigação que levou à denúncia de um suposto operador financeiro do Comando Vermelho revelam detalhes dos bastidores da movimentação de dinheiro atribuída a Márcia Gama, apontada como mulher do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, uma das principais lideranças da facção criminosa. Segundo uma decisão judicial, Carlos Alexandre Martins da Silva é apontado pela Polícia Civil como suposto operador financeiro de uma liderança do Comando Vermelho e, especificamente, como operador financeiro pessoal de Márcia Gama. De acordo com o relatório policial citado na decisão, conversas interceptadas indicam que boa parte dos pagamentos feitos a mando de Márcia saía da conta bancária de Carlos Alexandre. A suspeita investigada é de que Carlos Alexandre teria utilizado suas próprias contas para realizar pagamentos e movimentar recursos supostamente relacionados a Márcia, dificultando a identificação da origem e do destino dos valores. O objetivo da estrutura, segundo a linha investigativa apresentada à Justiça, seria ocultar a origem de recursos supostamente ilícitos e integrar ativos relacionados ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro ao patrimônio aparentemente lícito. Um Honda Fit, ano 2019, foi apreendido durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em um imóvel localizado no Morro do Adeus, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, endereço relacionado a integrante do Comando Vermelho. A decisão judicial, no entanto, não afirma que o veículo pertencia diretamente a Márcia Gama ou que era utilizado por ela. A relação do automóvel com a investigação aparece no contexto da apuração contra Carlos Alexandre, apontado como suposto operador financeiro pessoal de Márcia. Ainda assim, para a Justiça, havia indícios de que o veículo poderia ter sido utilizado como instrumento de ocultação patrimonial e integração de ativos supostamente ilícitos ao patrimônio aparentemente lícito do investigado. A decisão autorizou a Polícia Civil a utilizar provisoriamente o Honda Fit em suas atividades. O veículo deverá receber placas reservadas e um certificado provisório de registro em nome da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O pedido de perdimento definitivo do automóvel não foi analisado neste momento. A Justiça decidiu que a questão deverá ser examinada posteriormente, na sentença da ação penal. A investigação ainda deverá esclarecer a extensão da atuação de Carlos Alexandre, a origem dos recursos movimentados em suas contas e a eventual relação patrimonial entre os bens apreendidos e os investigados. Carlos Alexandre Martins da Silva responde a uma ação penal e é considerado inocente até o trânsito em julgado de eventual condenação. Márcia Gama também tem direito à presunção de inocência em relação às acusações investigadas.

Por videochamada de presídio, traficante expulsou empresário e entregou mercado de internet a empresa controlada pelo Comando Vermelho em comunidades de Caxias

A expansão do crime organizado em Duque de Caxias teria ultrapassado o tráfico de drogas, o roubo de cargas e de veículos. Segundo elementos reunidos em uma investigação policial e citados em decisão judicial, uma liderança do Comando Vermelho teria usado a força e a ameaça para tomar o controle do mercado de internet em comunidades da Baixada Fluminense. O caso é analisado na ação penal nº 011659-64.2025.8.19.0001, em tramitação na 1ª Vara Criminal Especializada da Comarca da Capital. O acusado responde, em tese, pelos crimes de organização criminosa e extorsão e teve a prisão preventiva decretada. De acordo com a investigação, o acusado, apontado como liderança criminosa da comunidade do Bom Retiro, em Duque de Caxias, teria sido responsável por uma verdadeira expulsão de um provedor de internet da região. A vítima, empresária do ramo, teria recebido uma videochamada do criminoso, que se identificaria pelo vulgo de “Frei”. Segundo o relato incorporado ao processo, ele teria se apresentado como a “frente” das comunidades do Bom Retiro e do Rasta e determinado que a empresa deixasse de operar na região. A ameaça teria sido acompanhada de uma ordem clara: o fornecimento de internet passaria a ser feito por uma empresa escolhida pelo próprio tráfico, a W.M. Telecom, apontada na investigação como uma empresa gerida pelo grupo criminoso. Na prática, segundo o Ministério Público e os elementos descritos no processo, o crime organizado teria utilizado o domínio territorial para eliminar a concorrência e transformar o serviço de internet em um monopólio controlado pela facção. O caso revela uma modalidade de atuação cada vez mais sofisticada das organizações criminosas: o controle de serviços essenciais dentro das comunidades. Em vez de apenas cobrar taxas clandestinas de empresas, a facção, segundo a investigação, teria avançado para a própria exploração direta do mercado, expulsando concorrentes e direcionando os moradores para um provedor escolhido pelo grupo. FACÇÃO TERIA ESTRUTURA PARALELA As investigações conduzidas nos Inquéritos Policiais nº 060-02118/2022 e nº 060-02796/2025 apontaram, segundo a decisão judicial, a existência de uma organização criminosa armada ligada ao Comando Vermelho e estruturada em diferentes núcleos. O grupo teria atuação em diversas comunidades de Duque de Caxias e estaria envolvido, conforme os investigadores, com tráfico de drogas, roubos de veículos e cargas, exploração extorsiva de serviços de internet e lavagem de dinheiro. A suspeita é de que as diferentes atividades funcionassem de forma integrada, sob uma mesma estrutura de comando e com o domínio territorial garantido pelo uso ostensivo de armas e pela violência. No caso específico da internet, a acusação é de que o controle territorial teria sido utilizado para impedir que empresas concorrentes continuassem trabalhando na região. DONO DO PROVEDOR TERIA SIDO IDENTIFICADO EM VIDEOCHAMADA A defesa contestou a forma como o acusado foi reconhecido, argumentando que a identificação teria ocorrido por meio da comparação entre uma fotografia extraída de uma videochamada e uma imagem antiga existente em cadastro estatal. O Tribunal, entretanto, entendeu que a discussão exigiria uma análise aprofundada das provas e não poderia ser resolvida naquele momento por meio do habeas corpus. Além do reconhecimento, a investigação teria reunido registros de ocorrência, depoimentos de empresários do setor, quebra de sigilo telemático de terminal utilizado pelo líder criminoso, apreensão de drogas e de um caderno de contabilidade, entre outros elementos. Segundo a acusação, o acusado teria utilizado um telefone cadastrado em seu próprio nome para realizar a videochamada na qual teria ordenado que a empresa concorrente deixasse de atuar na região. PRISÃO PREVENTIVA Ao manter a prisão preventiva, a Justiça considerou a gravidade concreta da acusação e a posição que o investigado ocuparia dentro da estrutura criminosa. A decisão aponta que ele seria uma liderança local do Bom Retiro e estaria ligado à expulsão de provedores concorrentes e à imposição de um serviço de internet supostamente controlado pela organização criminosa. Para a Justiça, a liberdade do acusado poderia representar risco à ordem pública e à continuidade das atividades do grupo. O caso expõe como o crime organizado vem ampliando seu modelo de negócios. A facção não se contentaria apenas em controlar o território para vender drogas: segundo a investigação, também teria usado a ameaça para escolher quem poderia trabalhar, qual empresa poderia prestar serviço e quem ficaria com o dinheiro dos moradores. A acusação ainda será submetida ao julgamento definitivo da Justiça. O acusado é considerado inocente até o trânsito em julgado de eventual condenação.

NARRATIVA FANTASIOSA”: PM filmado em conversa amistosa com chefe do tráfico na Ilha foi expulso da corporação

O policial militar Eduardo Félix da Silva foi expulso da corporação em junho, após ser filmado conversando com Wagner Barreto de Alencar, conhecido como “Cachulé”, apontado como chefe do tráfico de drogas no Morro do Barbante, na Ilha do Governador. As imagens, divulgadas em maio de 2025, mostram o PM dentro da comunidade conversando com o traficante. Os dois aparecem sorrindo e demonstrando intimidade, enquanto outros dois homens armados permanecem próximos. Segundo a investigação, os indivíduos seriam seguranças pessoais de Cachulé. De acordo com o Termo de Análise Técnica de Vídeo elaborado pela Polícia Militar, o cabo Eduardo Félix aparece usando uma camisa regata preta e conversando com Cachulé, que vestia uma camisa amarela. O policial carregava uma sacola verde, cujo conteúdo não foi identificado. Após o diálogo, Cachulé aparece deixando o local com um fuzil. Na sequência, as imagens mostram outros traficantes no mesmo local. Eduardo permanece com a sacola nas mãos e aparece usando óculos. Em outro momento, Cachulé pega um fuzil, uma mochila e uma bolsa e deixa o local acompanhado do policial militar. Cachulé morreu em operação policial Segundo os documentos do processo disciplinar, Wagner Barreto de Alencar morreu em 16 de janeiro de 2026, durante uma operação realizada por policiais militares do 17º BPM, com apoio do Grupamento Aeromóvel, no Morro do Barbante. Cachulé possuía duas condenações por tráfico de drogas e respondia a outras ações penais por homicídio. PM negou envolvimento com o tráfico Durante o processo disciplinar, Eduardo Félix negou qualquer envolvimento com o grupo criminoso que atuava no Morro do Barbante. O policial afirmou que morava na comunidade havia aproximadamente 42 anos, desde o nascimento. Questionado sobre há quanto tempo o crime organizado dominava a região, respondeu que as facções se alternavam no controle da localidade desde que ele era criança. Eduardo também negou ter proximidade com pessoas ligadas ao crime organizado. No entanto, ao ser questionado se as lideranças do tráfico costumavam abordar policiais militares que moravam na comunidade, respondeu que sim. Segundo ele, os criminosos costumavam abordar os PMs residentes e, quando descobriam que se tratava de policiais militares, não ofereciam resistência. Sobre o encontro registrado nas imagens, o policial afirmou que o vídeo mostrava apenas parte do que aconteceu. Segundo Eduardo, ele teria chegado ao local preocupado e nervoso, pois não sabia o motivo pelo qual havia sido chamado. Questionado sobre a razão do encontro, o PM afirmou que Cachulé teria informado que dois policiais militares seriam expulsos da comunidade. Segundo sua versão, ele próprio não seria expulso por ser morador antigo e não ter provocado problemas na região. O policial também declarou que já havia demonstrado vontade de deixar a Vila Juaniza, nome oficial da localidade conhecida como Morro do Barbante. No entanto, afirmou que não conseguiu se mudar porque possui imóvel próprio na comunidade e não teria condições financeiras de pagar aluguel em outro local. Eduardo negou ainda que tivesse mantido qualquer contato com integrantes do crime organizado antes do episódio registrado no vídeo. O policial afirmou que já morava na comunidade quando prestou concurso para ingressar na Polícia Militar. Questionado sobre a realização de visitas de equipes do setor de inteligência da PM, a P/2, à sua residência, disse que não tinha conhecimento de qualquer visita. Afirmou, entretanto, que recebeu uma ligação telefônica solicitando seu comparecimento ao setor de inteligência do 17º BPM. PM disse que não tinha noção dos riscos Durante o interrogatório, Eduardo também foi questionado sobre os riscos de um policial militar morar em uma comunidade dominada por traficantes. O PM afirmou que, quando ingressou na corporação, não tinha noção da exposição e dos riscos que enfrentaria. Segundo ele, desde a infância convivia com policiais militares que moravam na região e trabalhavam no antigo PPC Juaniza, atualmente sede da 1ª Companhia. Na época, afirmou, o ambiente era mais tranquilo. Eduardo também destacou que havia servido durante sete anos no Exército e que mantinha um comportamento discreto no cotidiano. Segundo sua declaração, a criminalidade na região não era tão influente e perigosa quanto nos dias atuais, razão pela qual não teria compreendido, quando ingressou na PM, a dimensão do risco de continuar morando em uma área dominada pelo tráfico. Questionado sobre a estrutura policial existente na Vila Juaniza, o PM afirmou que a comunidade conta com a sede da 1ª Companhia da Polícia Militar e duas cabines blindadas. Ele também declarou que não costumam ocorrer confrontos armados entre traficantes e policiais militares nos postos de serviço existentes na região. versão apresentada por Eduardo Félix durante o interrogatório foi contestada no processo disciplinar. Segundo a análise feita pela Polícia Militar, o depoimento do agente apresentaria uma narrativa considerada incompatível com as imagens divulgadas pela imprensa. Para a corporação, o vídeo mostraria que a conversa entre o cabo e Wagner Barreto de Alencar, o “Cachulé”, ocorreu de maneira amistosa e descontraída. A análise destacou que o policial aparece conversando tranquilamente com o traficante, sorrindo e permanecendo ao lado de outros homens armados que, segundo a investigação, atuavam como seguranças de Cachulé. Outro ponto considerado relevante pela Polícia Militar foi o fato de Eduardo não ter comunicado oficialmente o suposto episódio de intimidação que, segundo sua versão, teria motivado o encontro. Após conversar com o traficante, o PM não teria acionado uma guarnição pelo telefone 190, não teria comparecido a uma delegacia da Polícia Civil para registrar a suposta abordagem criminosa e também não teria informado o episódio ao seu superior imediato na unidade policial. Para a corporação, a ausência de qualquer comunicação oficial enfraqueceria a versão de que o policial teria sido chamado ao local contra sua vontade e apenas para ser informado sobre uma suposta expulsão de outros PMs da comunidade. A análise disciplinar também levou em consideração o contexto de atuação das organizações criminosas no Rio de Janeiro. O documento destaca que integrantes de facções atuam abertamente em diversas regiões, inclusive durante o dia, portando armas de grosso calibre, intimidando moradores e comerciantes por meio de extorsões e participando de confrontos armados em

“Band of Brothers”: PMs acusados de integrar esquema de segurança armada de VIPs da contravenção podem ser expulsos

Dois policiais militares apontados como integrantes de grupos ligados ao falecido capitão Adriano da Nóbrega e ao contraventor Bernardo Bello estão sendo submetidos a Conselho de Disciplina da Polícia Militar e podem ser expulsos da corporação. Segundo a denúncia, entre 2019 e 2021, os dois PMs teriam integrado, ao lado de outros envolvidos, uma organização criminosa armada voltada à exploração de jogos de azar e à agiotagem. Entre os crimes atribuídos ao grupo estão homicídios, porte e posse ilegal de armas de fogo, extorsões, exploração irregular do mercado imobiliário e lavagem de dinheiro. A investigação aponta que, após a morte de Adriano da Nóbrega, integrantes de seu grupo criminoso teriam assumido funções relacionadas à continuidade das atividades ilícitas. Entre os envolvidos estariam a viúva do ex-capitão e o ex-policial militar conhecido como “Pai Bara”, apontados como possíveis sucessores na condução de parte das atividades do grupo. Segurança armada e ligação com Adriano Um dos investigados, conhecido como “Grande”, é apontado como um dos principais colaboradores de Adriano da Nóbrega. Segundo a denúncia, ele atuava na segurança pessoal do ex-capitão e também participava da coordenação e administração dos pagamentos destinados aos demais seguranças armados ligados ao grupo. Grande também teria desempenhado um papel importante na intermediação da comunicação entre Adriano, outros integrantes da organização criminosa e familiares do ex-capitão durante o período em que ele permaneceu foragido. Já o ex-PM conhecido como “Pai Bara” teria atuado como segurança pessoal de Adriano e na proteção de pontos de jogo do bicho, principalmente na Zona Sul do Rio. Após a morte do capitão, ele teria passado a integrar um grupo de seguranças armados que atuava na proteção de Shanna G. e de seu marido, conhecido como “R7”. Grupo de segurança armada para clientes VIP A investigação identificou, após a quebra do sigilo de dados telemáticos de Grande, sua participação em um grupo de WhatsApp chamado “Band of Brothers”, criado em agosto de 2020. Segundo a denúncia, o grupo reunia seguranças armados que prestavam serviços de escolta a clientes considerados “VIPs”, inclusive com a utilização de armas de grosso calibre. Entre os supostos beneficiários do serviço estariam Shanna G., apontada como pessoa ligada à contravenção, e seu marido, R7. A identificação dos dois policiais investigados teria ocorrido a partir da análise das mensagens trocadas no grupo e de conversas mantidas entre Grande e um dos PMs. Conversas sobre compra de fuzil As investigações também identificaram conversas entre Grande e o outro policial militar relacionadas à aquisição de armamentos. Segundo a denúncia, esse PM também integrava o grupo de seguranças armados que realizava escoltas para clientes considerados VIPs, trabalhando em regime de escala. Em novembro de 2020, o policial teria enviado a Grande uma fotografia de um contrato de aquisição de um fuzil Parafal calibre 7,62 mm, formalizado em seu nome, além dos dados bancários da empresa responsável pela venda. Em uma mensagem de áudio, o PM teria informado que estava encaminhando a documentação e as informações necessárias para o pagamento porque um dos clientes VIP havia manifestado interesse na compra da arma. Grande teria respondido agradecendo o envio do material e orientando que a documentação fosse apresentada rapidamente ao interessado, que já teria determinado a realização da compra. Escala de segurança para a contravenção A investigação também apontou que Grande fazia parte de outro grupo de WhatsApp, chamado “Escala da Vitória”, criado em fevereiro de 2021. O grupo reunia seguranças armados ligados à contravenção e tinha como objetivo organizar as escalas de serviço. Embora a maior parte das mensagens tenha sido apagada, algumas conversas foram recuperadas pelos investigadores. O grupo foi encerrado em março de 2021, após a decisão do chamado “01” de manter apenas o grupo de seguranças que já possuía. Segundo a investigação, o grupo “Escala da Vitória” funcionaria como um reforço à segurança de Shanna e R7, que já contariam com a proteção dos integrantes do “Band of Brothers”. Agora, os dois policiais militares são submetidos ao Conselho de Disciplina da corporação. O procedimento avaliará se as condutas atribuídas aos agentes são incompatíveis com a condição de policiais militares e se eles ainda reúnem condições éticas e morais para permanecer na corporação. Caso sejam considerados culpados na esfera administrativa, os dois poderão ser expulsos da Polícia Militar.

Depois de 14 anos, PM suspeito de cobrar propina de traficantes em Caxias foi expulso da corporação

A PM expulsou depois de 14 anos o terceiro sargento Dario Fabrício Barbosa da Silva suspeito de ter recebido propina de traficantes em Duque de Caxias. Os fatos foram apurados no âmbito da denominada “Operação Purificação”, repercutindo negativamente para a imagem da PMERJ. Interceptações telefônicas revelaram que o PM que tinha os vulgos de Chocolate ou Novato teria exigido propina dos traficantes Pit e RDcondicionando a devolução de veículo apreendido ao pagamento de valores e orientando o traficante a comparecer à “casa” (o DPO da Figueira) para “desenrolar melhor Entre os dias 04 e 14 de maio de 2012, o agente teria exigido e ajustou o recebimento de propina de traficantes da comunidade do Corte Oito,em Duque de Caxias, para abster-se da repressão ao tráfico, incumbindo-se de contatos telefônicos com os criminosos, de ameaças de retomada da repressão em caso de não pagamento e do recolhimento dos valores em diversas localidades, Por fim, entre 12 de abril e 21 de maio de 2012, recebeu, de forma reiterada e contínua,“arrego” periódico referente ao DPO da Figueira. Por conta destes fatos, o PM foi condenado três vezes pela Justiça.

FALSA OPERAÇÃO, AMEAÇAS E DINHEIRO: PMs são acusados de extorquir comerciantes em série e podem ser expulsos após quase sete anos

Quase anos após os fatos, a Polícia Militar decidiu submeter ao Conselho de Disciplina dois policiais militares acusados de envolvimento em uma série de extorsões contra comerciantes. O procedimento pode resultar na expulsão dos agentes da corporação. De acordo com a acusação, os policiais teriam se passado por integrantes da Polícia Civil para ameaçar comerciantes e exigir dinheiro em troca da não realização de supostas operações, buscas e apreensões. Um dos principais episódios ocorreu em 14 de novembro de 2019, em Magalhães Bastos, na Zona Oeste do Rio. Segundo a denúncia, o sargento Campos, identificado como 2º SGT, compareceu ao estabelecimento de uma comerciante e afirmou ser policial civil da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM). O policial teria dito à vítima que havia denúncias contra o comércio e que “não teria como segurar” a situação. Em seguida, teria exigido R$ 10 mil para evitar problemas. A comerciante afirmou que não tinha o valor e que poderia pagar apenas R$ 700. A quantia teria sido entregue ao sargento, que também teria obtido da vítima a promessa de receber R$ 1 mil por semana. A investigação aponta que, cerca de um mês antes, a comerciante havia sido abordada por um homem que relatou a existência de um grupo de policiais que estaria extorquindo comerciantes na região. Na ocasião, ele teria sugerido que ela procurasse o sargento Campos para tratar de possíveis “buscas e apreensões ilegais”. A vítima chegou a entrar em contato com o policial, que marcou um encontro para conversar, mas a reunião não aconteceu. No dia 14 de novembro, após ser informada de que policiais estariam realizando uma suposta operação em seu comércio, a comerciante voltou a entrar em contato com Campos. Segundo a acusação, o policial determinou que ela fosse até o estabelecimento, onde teria ocorrido a exigência de dinheiro. Comerciante teria sido ameaçado com arma em Madureira Ainda no mesmo dia, por volta das 20h, o sargento Campos e o policial militar Gutemberg teriam abordado outra vítima, identificada pelas iniciais J.N.S.G., na passarela da Estação de Trem de Madureira. Segundo a denúncia, a vítima teria sido ameaçada com uma arma de fogo e obrigada a entregar dinheiro para evitar a apreensão de suas mercadorias. Inicialmente, Campos teria exigido R$ 30 mil, afirmando que a mercadoria seria apreendida e levada pela DRCPIM. Posteriormente, um terceiro homem, ainda não identificado e que teria sido apresentado como “Tenente” da SSI/PMERJ, teria participado da negociação e exigido R$ 20 mil. Diante da recusa da vítima, o valor teria sido reduzido para R$ 15 mil. Como não conseguiu reunir toda a quantia, a vítima teria entregado R$ 12 mil ao sargento Campos, em um encontro marcado na própria passarela da estação. Nova cobrança em Nova Iguaçu Quatro dias depois, em 18 de novembro de 2019, por volta das 16h, o sargento Campos teria feito uma nova cobrança. Segundo a acusação, ele esteve em um comércio informal de roupas localizado na Avenida Governador Roberto Silveira, em Nova Iguaçu, onde teria exigido R$ 10 mil de um comerciante identificado pelas iniciais G.A.C.A. O policial teria terminado recebendo R$ 4 mil. Os dois policiais agora serão submetidos ao Conselho de Disciplina da Polícia Militar. O procedimento administrativo poderá resultar na expulsão dos agentes da corporação, caso as acusações sejam confirmadas.

Alvo de operação que descobriu elo de facções brasileiras com a Al Qaeda já havia sido investigado desde 2018 por suspeitas de terrorismo e comércio irregular no Mercado Livre

Um dos alvos da Operação Hawala, deflagrada nesta quarta-feira (15) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), já havia sido investigado pela Polícia Federal desde 2018 por suspeitas que chegaram a envolver possível financiamento ao terrorismo e negociações irregulares de mercadorias pela internet. Trata-se do empresário Reda Zayoun, integrante de um núcleo de empresários de origem libanesa denunciado por participação em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 100 milhões em benefício de facções criminosas. Ele foi preso no Paraná. Documentos da Justiça Federal mostram que, em janeiro de 2018, a Polícia Federal representou pela expedição de mandados de busca e apreensão contra Reda Zayoun, E outros dois estrangeiros após receber denúncias de movimentações consideradas suspeitas em um apartamento localizado na Rua do Riachuelo, na Lapa, região central do Rio. Segundo a investigação da época, moradores do condomínio relataram que os estrangeiros utilizavam diariamente um maçarico e uma bacia metálica dentro do imóvel. Ao comparecerem ao local acompanhados pelo chefe de segurança do condomínio, agentes da Polícia Federal tentaram contato com os moradores, mas ninguém abriu a porta, embora houvesse indícios de que havia pessoas no interior do apartamento. Durante as diligências, os policiais também constataram que Reda Zayoun e Yasser Zayoun (outro alvo da operação de hoje) e um comparsa estavam em situação migratória irregular no Brasil. Suspeitas chegaram a envolver terrorismo Na representação encaminhada à Justiça Federal, a Polícia Federal sustentou que os elementos reunidos até aquele momento poderiam indicar, em tese, a prática de crimes contra a ordem econômica e até possíveis infrações previstas na Lei Antiterrorismo (Lei nº 13.260/2016). O Ministério Público Federal manifestou-se favoravelmente à busca e apreensão, entendendo que a denúncia anônima, a utilização constante de maçarico, a situação migratória irregular de parte dos investigados e a recusa em permitir a entrada dos agentes formavam um conjunto mínimo de indícios suficiente para justificar a medida cautelar. A Justiça Federal autorizou a operação em 31 de janeiro de 2018, determinando buscas para apreensão de eventuais peças de ouro comercializadas ilegalmente, armas, munições, maçaricos e outros objetos que pudessem comprovar os crimes investigados. Dinheiro apreendido teria origem em vendas pelo Mercado Livre Durante o cumprimento do mandado, em fevereiro de 2018, os policiais federais não encontraram armas, ouro ou qualquer material que confirmasse as suspeitas iniciais. Entretanto, apreenderam R$ 186 mil em espécie. Posteriormente, Reda Zayoun ingressou na Justiça alegando que o dinheiro era proveniente da venda de peças de reposição para celulares comercializadas pela plataforma Mercado Livre, atividade desenvolvida em sociedade com um homem chamado Yago. Segundo sua versão, Yago era responsável pela movimentação financeira do negócio, enquanto Reda realizava a compra das mercadorias em lojas físicas de São Paulo, efetuando pagamentos à vista e em dinheiro. Para comprovar a origem dos recursos, foram apresentados extratos bancários e comprovantes de saques realizados na plataforma Mercado Pago. Operação Hawala Sete anos depois, o nome de Reda Zayoun voltou ao centro das investigações. Nesta quarta-feira, a Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) deflagraram a Operação Hawala, que busca desmontar uma das maiores estruturas de lavagem de dinheiro já identificadas no Estado do Rio de Janeiro. A investigação começou a partir de apurações sobre a atuação do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de São Carlos, na região central do Rio. Ao longo das diligências, os investigadores descobriram que a organização financeira responsável por ocultar recursos do TCP também prestava serviços para outras facções criminosas, incluindo o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Polícia Civil, entre 2021 e 2024, o grupo movimentou mais de R$ 100 milhões utilizando dezenas de empresas de fachada espalhadas pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Essas empresas eram usadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados. As investigações revelaram uma sofisticada engenharia financeira baseada em depósitos fracionados, utilização de “laranjas”, sucessivas transferências entre empresas ligadas ao grupo, ocultação patrimonial e movimentações incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelos investigados. O trabalho contou com apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Polícia Civil. Os investigadores também identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa, integrado por Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun, apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais teriam sido utilizadas para movimentar valores entre operadores financeiros, empresas de fachada e integrantes das organizações criminosas. Outro ponto que chamou a atenção da investigação foi a identificação de movimentações relacionadas à Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), região historicamente monitorada por autoridades nacionais e internacionais devido à atuação de redes de lavagem de dinheiro e financiamento de organizações terroristas. Além disso, a Polícia Civil afirma ter identificado uma relação comercial entre empresa ligada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, apontado como integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Segundo os investigadores, essa possível conexão internacional ainda será aprofundada com a análise do material apreendido durante a operação. Ao todo, a Operação Hawala cumpre 10 mandados de prisão, 37 mandados de busca e apreensão e diversas medidas de bloqueio de contas bancárias, indisponibilidade de bens e participações societárias nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Até o momento, oito investigados já foram presos, enquanto as diligências prosseguem para identificar outros integrantes da organização e rastrear novos ativos financeiros ligados ao esquema. 22 denunciados O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou à Justiça 22 pessoas acusadas de integrar uma ampla rede de lavagem de dinheiro que opera para variadas facções criminosas do Brasil. Nesta quarta-feira (15/07), a Polícia Civil, pela Delegacia de Defesa dos

Veja a publicação que mostra que Fernandinho Beira-Mar estava incluído na lista do governo dos EUA

Um documento oficial do governo dos Estados Unidos ao qual a reportagem teve acesso confirma a matéria do jornal Extra que o traficante brasileiro Luis Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar, foi incluído na lista de pessoas classificadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) como relacionadas ao tráfico internacional de drogas. O registro faz parte da lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN) do Departamento do Tesouro americano e identifica Beira-Mar pelo nome completo, apelido, data de nascimento e local de nascimento. No documento, Luis Fernando da Costa (a.k.a. Fernandinho Beira-Mar) aparece com data de nascimento em 4 de julho de 1967 e local de nascimento no Rio de Janeiro, Brasil. A classificação indicada é SDNTK, sigla usada pelo governo americano para identificar pessoas vinculadas ao tráfico internacional de entorpecentes. Além do brasileiro, o mesmo documento lista outros nomes apontados pelo governo dos Estados Unidos como integrantes ou relacionados a redes internacionais de narcotráfico. Entre eles está o mexicano Ismael Zambada Garcia, conhecido como “El Mayo Zambada”, apontado como um dos históricos líderes do cartel de Sinaloa. O registro também cita Eduardo Gonzalez Quirarte, do México, com diferentes nomes falsos atribuídos a ele. A lista inclui ainda Haji Ibrahim, do Paquistão; Samuel Knowles, das Bahamas; Oded Tuito, de Israel, que aparece com diversos nomes alternativos; e Mario Ernesto Villanueva Madrid, ex-governador do estado mexicano de Quintana Roo. Segundo o documento, todos esses nomes estavam classificados pelo OFAC na categoria SDNTK, relacionada ao narcotráfico internacional. A lista também registra alterações em outros nomes. Um deles é Kassim Abbas, identificado como cidadão iraquiano e com endereço posteriormente atualizado para a Alemanha. O documento informa ainda a retirada de Lieride Agudelo Galvez, da Colômbia, da lista de sanções do OFAC. A inclusão de Fernandinho Beira-Mar no cadastro americano demonstra que o governo dos Estados Unidos passou a tratá-lo oficialmente como um alvo de sanções relacionadas ao narcotráfico internacional, com possibilidade de restrições financeiras e comerciais dentro da jurisdição americana. O documento obtido pela reportagem, no entanto, é um registro histórico. A presença do nome de Beira-Mar na lista do OFAC não representa uma nova inclusão, mas confirma uma classificação feita pelo governo americano nos anos 2000. Quem é Beira-Mar Beira-Mar como um dos principais líderes da organização criminosa conhecida como Comando Vermelo), com atuação em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Complexo de Manguinhos, Complexo do Jacarezinho, Complexo do Chapadão, Complexo do Alemão, todas na capital fluminense, no Complexo do Salgueiro, em Niterói, nos municípios de Macaé, Petrópolis, Rio das Ostras, e, ainda, no Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Ele possui uma extensa ficha criminal com oitenta e seis anotações, incluindo tráfico nacional e internacional de drogas, tráfico internacional de armas de fogo, lavagem de dinheiro, organização criminosa transnacional, homicídio qualificado, extorsão mediante sequestro, corrupção ativa, entre outros delitos. No ano de 1999, após se evadir do sistema penitenciário fluminense, o agravante se aliou às FARC ¿ Forças Revolucionárias da Colômbia, passando a viver nas selvas deste país, oportunidade em que expandiu a mercancia de drogas a outros países da América do Sul. Dados de inteligência indicam que em 2000, o traficante implementou planos de ameaças a membros do Ministério Público que o investigavam. No ano de 2001, foi preso na selva colombiana. Contudo, mesmo encarcerado, o agravante manteve suas atividades ilícitas, utilizando-se de pessoas próximas e familiares para representá-lo. Nesta perspectiva, consta que somente na 62ª Delegacia de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, situada em Imbariê, Duque de Caxias, existem quarenta e três procedimentos, instaurados entre os anos de 2019 e 2022, que investigam a atuação do agravante e de seus asseclas na prática dos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, associação criminosa, roubo de carga, entre outros. Informações do DEPEN revelam, ainda, histórico de indisciplina do agravante em unidades prisionais. Em 2015, foi condenado a cento e vinte anos de reclusão pelo Tribunal do Júri, em razão de ser o mandante do homicídio de quatro integrantes de facção rival no interior do presídio Bangu I, durante uma rebelião ocorrida no ano de 2002.

PM executado teve celular alvo de pedido de quebra de sigilo após flagrante com 139 kg de cocaína do CV. Objetivo era ampliar as informações sobre seu envolvimento com a facção

Sobre a morte do sargento da Polícia Militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro, executado com mais de 20 tiros no último fim de semana, em Jacarepaguá, vale lembrar que, quando foi preso em flagrante, em outubro de 2023, transportando 139 quilos de cocaína que, segundo a investigação, seriam destinados a uma comunidade dominada pelo Comando Vermelho, a Polícia Civil representou à Justiça pela quebra do sigilo dos dados de seus telefones celulares e do conteúdo armazenado na conta iCloud. No pedido, a autoridade policial sustentou que o acesso aos aparelhos era essencial para aprofundar as investigações e identificar o maior número possível de integrantes da organização criminosa. A representação destacava que a perícia nos celulares poderia revelar contatos, conversas em aplicativos como WhatsApp, Telegram e Messenger, histórico de chamadas, fotografias, vídeos, e-mails, registros de navegação e outras informações capazes de esclarecer a estrutura e o funcionamento do grupo criminoso. Até o momento, porém, não há informação pública sobre o desfecho desse pedido. Não se sabe se a Justiça autorizou a quebra do sigilo dos aparelhos e dos dados armazenados em nuvem, nem se a análise do material levou à identificação de outros integrantes da organização criminosa ou à obtenção de novos elementos para a investigação. Segundo a Polícia Civil, embora a extração dos dados não se confunda com interceptação telefônica, a medida depende de autorização judicial por envolver o acesso a informações protegidas pelo direito à intimidade. Por esse motivo, foi solicitado o afastamento do sigilo dos aparelhos apreendidos e do conteúdo armazenado na nuvem para subsidiar o avanço das investigações. A execução do policial militar voltou a chamar atenção para esse episódio. Veículos de imprensa do Rio de Janeiro têm divulgado que Yuri Luiz Desiderati Ribeiro era apontado como homem de confiança do traficante Abelha, que até pouco tempo figurava entre as principais lideranças do Comando Vermelho. Como foi a operação A operação que prendeu Yuri na época ocorreu da seguinte forma. Agentes estavam em operação desencadeada pela Polícia Civil no Complexo de favelas da Maré e da Penha, e na Cidade de Deus; Q Em dado momento da operação, dados de inteligência deram conta de que um caminhão branco, placa BCZ7I96, com certa carga de drogas estaria em fuga do Complexo de Favelas da Penha, por conta da operação policial; Que em razão disso, a equipe iniciou buscas nas principais rodovias lindeiras ao Complexo da Penha, quando de repente, a equipe avistou o veículo, decidindo por abordá- lo, na Avenida Brasil, altura da Cidade Alta/RJ; Durante a abordagem, foram identificados o motorista e o policial militar. Ao revistarem o baú daquele caminhão, os agentes constataram se tratar de uma carga de cocaína em caixas de papelão;

Saiba os motivos que levaram STF a mandar soltar Márcio Canella

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liberdade provisória ao ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e ao policial militar Antônio Gomes da Silva Neto por entender que ainda existem dúvidas que precisam ser esclarecidas sobre a posse das armas apreendidas durante a operação policial. Embora tenha reconhecido a legalidade das prisões em flagrante, o magistrado concluiu que, neste momento da investigação, a custódia poderia ser substituída por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e proibição de deixar a comarca sem autorização judicial. Na decisão, o ministro destacou que a defesa de Canella sustentou que a arma encontrada em seu veículo pertencia ao policial militar Alexandre Paixão da Silva Júnior, integrante de sua equipe de escolta. Segundo os advogados, o próprio militar confirmou essa informação durante o cumprimento dos mandados e apresentou documentos indicando que o armamento havia sido regularmente cedido pela Polícia Militar. Em relação a Antônio Gomes da Silva Neto, a defesa afirmou que ele exercia a função de segurança no imóvel alvo das buscas e utilizava arma pertencente à corporação em razão de sua condição de policial militar. Ao analisar o caso, o ministro afirmou que ainda será necessário esclarecer se a posse da arma pelo policial militar era regular, por qual motivo o armamento estava no veículo utilizado por Canella e se Antônio Gomes exercia legalmente a atividade de segurança utilizando arma da Polícia Militar. Para o magistrado, essas dúvidas deverão ser esclarecidas no curso da investigação, inclusive mediante informações a serem prestadas pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Diante disso, concluiu que a prisão preventiva não era necessária neste momento e concedeu liberdade provisória aos investigados, impondo medidas cautelares. A decisão ressalta que a arma apreendida no veículo de Márcio Canella não era registrada em seu nome, mas sim de um policial militar que integrava sua equipe de escolta. Segundo a defesa, o armamento havia sido regularmente cedido pela Polícia Militar ao agente, circunstância que ainda será apurada durante a investigação e que foi considerada pelo ministro como um dos pontos que justificam a substituição da prisão pelas medidas cautelares. Márcio Canella foi preso em flagrante durante a Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal para cumprir mandados de busca e apreensão no âmbito de investigação que apura a atuação de uma suposta organização criminosa voltada à prática de crimes como corrupção, obstrução de Justiça e utilização da estrutura pública em benefício de interesses privados. Durante as diligências, os agentes apreenderam armamentos, o que motivou a autuação em flagrante de Canella e do policial militar Antônio Gomes da Silva Neto. Posteriormente, o ministro do STF reconheceu a legalidade das prisões, mas concedeu liberdade provisória aos dois investigados mediante o cumprimento de medidas cautelares.

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