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jogo do bicho

Motorista de aplicativo preso suspeito de transportar dinheiro do jogo do bicho disse que fazia isso há quatro meses fora da plataforma e recebia R$ 50 por cada entrega

O caso da prisão de um motorista de aplicativo acusado de transportar valores ligados ao jogo do bicho ganhou destaque na mídia nesta semana. O Auto de Prisão em Flagrante, porém, traz um detalhe que não apareceu nas matérias sobre a ocorrência: o transporte dos valores não era feito pela plataforma. Segundo o depoimento do motorista, ele realizava esse serviço por fora da plataforma, havia aproximadamente quatro meses, recebendo R$ 50 por cada entrega. Na ocasião da prisão, ele fazia uma corrida regular pelo aplicativo e aproveitou o mesmo deslocamento para buscar um envelope e levá-lo até a Barra da Tijuca. O flagrante ocorreu em 2 de setembro, por volta das 11h30. Policiais do 18º BPM receberam informações de que um Renault Kwid branco estaria sendo utilizado para recolher valores provenientes da exploração do jogo do bicho. O veículo foi localizado na Avenida Geremário Dantas, na Freguesia, em Jacarepaguá. Durante a abordagem, os policiais encontraram dois envelopes, dois celulares e R$ 1.685 em espécie. O mtotorista contou que havia iniciado uma corrida pela plataforma com destino à Barra da Tijuca e, com autorização da passageira, fez uma parada na Praça do Valqueire. No local, recolheu um envelope lacrado a pedido de uma mulher chamada “Elaine”. O motorista afirmou que fazia esse tipo de transporte de maneira rotineira, fora dos aplicativos, e que recebia R$ 50 por entrega com destino à Barra. Também declarou que, por retirar os envelopes em um ponto de exploração do jogo do bicho, presumia que eles continham dinheiro. A partir das informações fornecidas pelo motorista policiais foram até um endereço na Rua Quiririm, na Vila Valqueire, onde encontraram Elaine Cristina Cosme da Silva. Segundo o auto, ela admitiu que o estabelecimento funcionava como ponto de anotação do jogo do bicho. No local, foram apreendidos dois celulares, duas impressoras térmicas e, em uma sala nos fundos, três máquinas caça-níqueis em funcionamento. Outra equipe foi até um imóvel na Rua das Cravinas, também na Vila Valqueire, que havia sido identificado durante o acompanhamento do trajeto do motorista. Os policiais encontraram bilhetes de jogo do bicho e um porta-tabelas. Elgen Vieira de Souza, que estava no local, tentou fugir ao perceber a presença dos agentes. Na sala, foram apreendidos uma máquina de apostas, bilhetes de jogo do bicho e dinheiro. De acordo com a decisão judicial, ao todo foram apreendidos R$ 2.518 em espécie, além de máquinas de caça-níqueis, celulares, máquina de cartão, notas fiscais, recibos, calculadora, veículos, folhetos, bobinas, cadernos de anotações e outros materiais relacionados à atividade. A decisão também destaca que o relato de Erick aponta para uma atuação habitual, já que ele afirmou realizar o transporte dos envelopes havia cerca de quatro meses, mediante pagamento de R$ 50 por entrega. A história ganhou mais contornos hoje quando o Núcleo de Atuação perante as Centrais de Audiência de Custódia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (NACAC/MPRJ) recorreu da decisão que concedeu prisão domiciliar a Elgen Vieira de Souza, de 70 anos. Ele teve a prisão preventiva convertida em domiciliar, com monitoramento eletrônico, em razão da idade e do estado de saúde debilitado.  No recurso, o NACAC/MPRJ sustenta que os documentos apresentados pela defesa não comprovam que o estado de saúde de Elgen seja incompatível com o cumprimento da prisão no sistema penitenciário. O material, segundo o Núcleo, não demonstra de forma inequívoca que o investigado esteja extremamente debilitado por doença grave, nem que o tratamento necessário não possa ser oferecido em uma unidade prisional. Outro argumento é que a prisão domiciliar não impediria Elgen de continuar exercendo, de dentro de casa, as atividades que lhe são atribuídas no esquema. A estrutura investigada operaria fortemente por meios digitais, sem depender da presença física dos envolvidos nos pontos de jogo. Com acesso a celular, internet e aplicativos, ele poderia continuar se comunicando com outros integrantes, acompanhando a contabilidade do jogo e autorizando movimentações financeiras por PIX. Da corrida de aplicativo aos pontos de jogo A ocorrência que resultou nas prisões começou na quarta-feira (02/09), quando uma passageira de transporte por aplicativo desconfiou de que o motorista, carregava dinheiro relacionado ao jogo do bicho. Durante o trajeto, ela enviou mensagens ao namorado, um delegado da Polícia Civil, relatando que estava com medo e compartilhando sua localização. A partir do alerta, policiais localizaram e abordaram o veículo. Segundo os autos, Erick estava com R$ 1.675 e informou aos policiais que fazia a coleta de valores para Elaine Cristina Cosme da Silva, em um percurso que começava em Vila Valqueire e terminaria na Barra da Tijuca. As informações obtidas na abordagem levaram os agentes a novas diligências em endereços que seriam utilizados pela estrutura do jogo do bicho. Em um desses locais, os policiais encontraram Elgen. De acordo com o recurso, ele tentou fugir ao perceber a chegada dos agentes. No endereço, foram apreendidos uma máquina utilizada para apostas, cartelas, cadernos de anotações e R$ 833. O NACAC/MPRJ atribui a ele atuação no recebimento de apostas, nos registros e na movimentação de valores do esquema.

Advogado morto no Centro do Rio queria montar estabelecimento de apostas justamente em área dominada por Adilsinho, que foi denunciado como mandante do crime

O advogado Rodrigo Marinho Crespo pode ter sido assassinado porque pretendia entrar no mercado de apostas abrindo um estabelcimento jsutamente em uma área controlada pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o contraventor foi denunciado como mandante da execução do advogado, morto a tiros em fevereiro de 2024, no Centro do Rio. A suspeita de que o crime estaria relacionado à disputa pelo mercado de jogos e apostas já havia sido apresentada pelo Ministério Público durante o julgamento dos executores de Crespo, realizado em março deste ano. Na ocasião, o promotor Bruno de Faria Bezerra afirmou que Rodrigo Crespo estudava entrar no ramo das chamadas bets e pretendia montar um Sporting Bar em Botafogo, onde seriam realizadas apostas e poderiam funcionar máquinas semelhantes a caça-níqueis conectadas à internet. O detalhe apontado pela acusação era justamente o local onde o advogado pretendia instalar o empreendimento. Segundo o Ministério Público, Adilsinho era o responsável pelos pontos de jogo do bicho e por um bingo clandestino na região de Botafogo. Para a acusação, portanto, a entrada de Crespo nesse mercado poderia representar uma ameaça aos interesses econômicos da organização comandada pelo contraventor. Durante a sustentação no Tribunal do Júri, o promotor afirmou que o assassinato teria servido como um recado para quem pretendesse disputar aquele mercado. “A morte dele, encomendada, foi um recado claro.” Rodrigo Marinho Crespo foi executado no dia 26 de fevereiro de 2024, por volta das 17h15, na Avenida Marechal Câmara, em frente ao número 160, no Centro do Rio, próximo à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Executores foram condenados a 30 anos A ligação entre o assassinato e a organização de Adilsinho já havia aparecido de forma contundente no julgamento realizado em 6 de março de 2026 pelo III Tribunal do Júri do Rio. Na ocasião, Leandro Machado da Silva, o “Cara de Pedra”, Cezar Daniel Môndego de Souza, o “Russo”, e Eduardo Sobreira Moraes foram condenados a 30 anos de prisão cada um pela participação na morte do advogado. O Ministério Público sustentou no julgamento que os três faziam parte da organização criminosa chefiada por Adilsinho. A acusação apresentou ao Conselho de Sentença a dinâmica dos acusados antes e depois do assassinato e afirmou que eles participaram do planejamento e da execução do crime. As defesas, porém, negaram que os réus soubessem que Rodrigo seria assassinado. Cezar Daniel Môndego de Souza afirmou, por meio de seus advogados, que havia sido contratado por R$ 5 mil apenas para monitorar a vítima e que não sabia que ela seria morta. A defesa de Eduardo Sobreira Moraes sustentou que ele teria sido contratado somente como motorista de Cezar Mondego e também desconhecia a existência de um plano de execução. Já os advogados de Leandro Machado da Silva alegaram que o nome dele sequer aparecia no checklist do veículo usado no monitoramento de Rodrigo e afirmaram que ele apenas sublocava carros da empresa Horizonte 16 para obter renda extra. As teses não convenceram os jurados. Sentença descreveu “extenso grupo de sicários” Ao proferir a sentença, o juiz Cariel Bezerra Patriota afirmou que ficou evidenciada a participação dos três condenados em um grupo maior, estruturado para a prática de homicídios e outros crimes. O magistrado classificou a organização como um “extenso grupo de sicários”, com ordenação, divisão de tarefas e estrutura voltada à obtenção de vantagens econômicas e expansão de poder. A sentença apontou ainda que o grupo teria utilizado métodos para destruir provas e dificultar investigações futuras. Um dos trechos mais graves da decisão trata da participação de policiais militares da ativa na estrutura. “É extremamente preocupante que a investigação da morte de RODRIGO MARINHO CRESPO revelou a participação de vários policiais militares da ativa em um grupo de execução/extermínio, um verdadeiro grupo de sicários que se aproveita do poder estatal para criar um poder paralelo e ainda se infiltrar no Poder Estatal.” Para o juiz, o grupo não apenas executava pessoas, mas também atuava na destruição de evidências e na obstrução de investigações. Agora, MP aponta Adilsinho como mandante O Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou e obteve a decretação da prisão preventiva de mais quatro acusados de envolvimento no homicídio do advogado Rodrigo Crespo, morto a tiros no Centro do Rio, em 26 de fevereiro de 2024. Nesta segunda-feira (24/08), a Polícia Civil cumpriu mandado de prisão preventiva contra o policial militar da ativa Renato Franco Lopes, conhecido como Pitbull, lotado no 15º BPM. Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e Ryan Patrick Barboza de Oliveira, o Motinha, já estavam presos, e os mandados de prisão foram cumpridos no dia 20/08. Rafael Ferreira Silva, conhecido como Cachoeira, é considerado foragido pela Justiça. De acordo com a denúncia, Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças da chamada “nova cúpula do jogo do bicho”, encomendou o assassinato do advogado por considerar que sua atuação representava risco aos seus interesses na exploração do mercado de apostas online, as bets. À época do crime, de acordo com o GAECO/MPRJ, os chamados “contraventores” estavam se inteirando sobre a entrada no lucrativo mercado de bets, segmento em que Rodrigo Crespo manifestava interesse em investir. As investigações revelaram que ele, inclusive, já buscava financiadores para a implantação de empreendimento de grande porte, além de ter exposto a intenção de abrir um “sports bar” com máquinas semelhantes a caça-níqueis, universo historicamente dominado pelos bicheiros. “Os elementos de investigação indicam que a escolha do local, do horário e do modo de execução não foi aleatória, havendo fortes indícios de que a organização buscou conferir ao crime caráter ostensivo e intimidatório, com o propósito de transmitir uma mensagem de poder e dissuasão a potenciais concorrentes ou a terceiros que viessem a contrariar seus interesses econômicos/criminosos”, descreve a denúncia. A denúncia também aponta que Ryan fez a vigilância da vítima nos dias anteriores ao homicídio, identificando os locais e horários favoráveis à

Veja argumentos do MP Eleitoral para pedir a impugnação de candidaturas suspeitas de ligação com organizações criminosas no RJ como neto de bicheiro e filho de deputada acusada de envolvimento com milícia

O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura de João Drumond à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) após identificar, em provas compartilhadas pelo GAECO/MPF, elementos que, segundo a Procuradoria, podem indicar a utilização da candidatura para alcançar representação dos interesses do jogo do bicho dentro do Legislativo fluminense. As novas provas foram obtidas durante uma investigação criminal e encaminhadas à Procuradoria Regional Eleitoral após autorização judicial para o compartilhamento do material. Segundo o GAECO/MPF, a investigação apura crimes de violação de sigilo funcional e obstrução de investigação envolvendo uma organização criminosa com integrantes relacionados a contraventores do jogo do bicho. O material aponta, de acordo com o Ministério Público, relações de proximidade entre Vinícius Pereira Drumond e Jader Areas, apontado como liderança da organização criminosa investigada na chamada Operação Trampo. Também aparecem nas investigações outros suspeitos de integrar a organização, entre eles Jomar Duarte Bittencourt Junior. Foi justamente em material telemático relacionado a Jomar, segundo o GAECO/MPF, que foram encontradas provas sobre o envolvimento dele na candidatura de João Drumond à Alerj. Para a Procuradoria, esse elemento é particularmente relevante porque o caso deixa de envolver apenas o parentesco do candidato com integrantes da família Drumond ligados à contravenção. João Drumond é neto de Luiz Pacheco Drumond, o Luizinho Drumond, apontado no relatório de inteligência como um dos mais poderosos contraventores do Rio de Janeiro, e sobrinho de Vinícius Pereira Drumond, citado em investigações relacionadas ao jogo do bicho e a outros crimes. O relatório de inteligência utilizado pelo Ministério Público afirma ser possível inferir uma ligação, ainda que indireta, de João Drumond com o jogo do bicho no Rio justamente em razão desses vínculos familiares. O documento também cita Vinícius Drumond como alvo de investigações sobre contravenção, agiotagem, lavagem de dinheiro, corrupção e possível envolvimento no assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, morto no Centro do Rio em 2024. Segundo o relatório, Vinícius teria herdado influência sobre a escola de samba Imperatriz Leopoldinense e pontos ligados à contravenção em áreas como Ramos, Manguinhos, Maré, Bonsucesso, Complexo do Alemão, Penha, Parada de Lucas e Vigário Geral. O relatório também menciona a participação de João Drumond em atividades de uma ONG localizada no Complexo do Alemão, região que, segundo o documento, seria dominada pelo Comando Vermelho. Com o compartilhamento das provas obtidas pelo GAECO/MPF, a Procuradoria Regional Eleitoral afirma que o quadro apresentado no pedido inicial de impugnação foi “sobremodo robustecido”. O Ministério Público destaca principalmente os elementos que, segundo o órgão, apontam para a participação de pessoas investigadas na própria candidatura de João Drumond. Na avaliação da Procuradoria, os novos elementos, somados ao contexto familiar já apresentado, podem indicar que a candidatura teria sido utilizada para buscar representação dos interesses do jogo do bicho na Alerj. Por isso, o MPE pediu que toda a documentação compartilhada pelo GAECO/MPF seja incorporada ao processo e considerada na análise da impugnação. A acusação apresentada pelo Ministério Público ainda será analisada pela Justiça Eleitoral, que decidirá sobre a situação da candidatura. Outra candidatura que o MPE pediu impugnação foi a de Júnior da Lucinha, sob argumentação que ela seria resultado da tentativa de preservação de uma estrutura política construída em território apontado como área de atuação de organização criminosa. O órgão sustenta que a candidatura representa um projeto político independente, mas uma estratégia de sucessão eleitoral para preservar o espólio político e territorial da família Barros, estrutura que, segundo a acusação, estaria vinculada às mesmas redes de influência investigadas por constituição de milícia privada. Atual vereador e filho da deputada estadual Lucinha, o candidato teria assumido, de acordo com o MPE, o papel de substituto político da mãe depois que ela foi impedida de disputar a reeleição. Para a Procuradoria, a candidatura seria uma forma de manter o projeto político familiar mesmo diante das acusações criminais que atingem Lucinha. Lucinha é ré em ação penal que tramita no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, decorrente das investigações da Operação Dinastia II. Segundo a denúncia do Ministério Público, ela é acusada de constituição de milícia privada e apontada como integrante do núcleo político da organização criminosa conhecida como Bonde do Zinho, Tropa do Z ou Família Braga, grupo liderado por Zinho e com atuação predominante na Zona Oeste do Rio. A acusação sustenta que Lucinha teria utilizado sua condição de agente pública para defender interesses da organização criminosa, interferindo politicamente para favorecer o grupo, dificultar ações do Estado e proteger seus integrantes. O caso chegou a provocar o afastamento cautelar da deputada do cargo parlamentar por decisão judicial, medida posteriormente revertida pela Assembleia Legislativa. Para o MPE, é nesse contexto que surge a candidatura de “Júnior da Lucinha”. Segundo os Relatórios Técnico e de Inteligência anexados ao processo, existe uma forte coincidência entre a votação obtida por Lucinha nas eleições de 2022 e a votação de seu filho nas eleições municipais de 2024. De acordo com a análise apresentada pela Procuradoria, cerca de 89,9% dos votos de Lucinha no município do Rio de Janeiro ficaram concentrados em zonas eleitorais de Santa Cruz e Campo Grande. Nas eleições seguintes, “Júnior da Lucinha” teria reproduzido praticamente o mesmo padrão, com 89,1% de sua votação concentrada nas mesmas regiões. O relatório do TRE-RJ classificou como “extremamente atípico” o desempenho da família Barros em 36 locais de votação reunidos em um mesmo agrupamento geográfico. Segundo o documento, esses locais estariam situados em áreas apontadas como território de atuação do Bonde do Zinho. Um dos exemplos citados é uma escola municipal onde a família Barros teria alcançado 48,1% dos votos nominais, índice 10,7 vezes superior ao obtido pelo segundo colocado. Outro dado destacado pela investigação é que as nove zonas eleitorais nas quais Lucinha obteve suas maiores votações são exatamente as mesmas em que seu filho concentrou os maiores resultados, circunstância interpretada pelo MPE como indício de manutenção da estrutura político-eleitoral anteriormente construída pela deputada. O relatório também aponta a atuação de Leonardo, irmão de um miliciano identificado pelo apelido de “Teco”, condenado a

Filha de Piruinha comandava rede milionária de jogos de azar, usava laranjas para lavar dinheiro e expandia esquema para novas comunidades como a Rocinha (CV), aponta investigação

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva de Monalliza Neves Escafura, apontada pelo Ministério Público como a principal líder do clã Escafura após a morte de seu pai, José Caruzzo Escafura, o “Piruinha”, um dos últimos integrantes da chamada “velha cúpula” do jogo do bicho no estado. Ela está sendo acusada de lavagem de dinheiro. A denúncia descreve uma organização criminosa altamente estruturada, responsável por administrar dezenas de pontos clandestinos de jogos de azar, movimentar mais de meio milhão de reais por meio de laranjas, expandir a atividade para novas comunidades e manter um rígido controle financeiro sobre toda a operação. Segundo a investigação, Monalliza assumiu definitivamente o comando da organização após o falecimento de Piruinha, em 22 de janeiro de 2025. Antes disso, já atuava subordinada ao pai, participando diretamente da administração dos negócios ilícitos do clã. Com a morte do contraventor, passou a comandar de forma autônoma os pontos clandestinos de exploração de jogos de azar e todas as demais atividades criminosas da organização. Contabilidade clandestina movimentou mais de meio milhão de reais Um dos principais elementos da investigação foi a perícia realizada em um tablet Samsung SM-P615 e em um iPhone 14 Pro Max apreendidos com Monalliza. Nos aparelhos, os investigadores encontraram planilhas de contabilidade paralela, listas de pontos clandestinos, recibos de apostas, material promocional das atividades ilegais e comprovantes bancários que demonstram uma movimentação financeira superior a R$ 500 mil proveniente da exploração dos jogos de azar. Segundo o Ministério Público, a ocultação da origem desse dinheiro era feita por meio de uma sofisticada estrutura de lavagem de capitais, utilizando diversas pessoas interpostas. Entre os laranjas utilizados pela organização, a investigação destaca a companheira de Monalliza, Thamires apontada como uma das principais intermediárias para o recebimento de depósitos e movimentação dos recursos ilícitos. Chefe utilizava codinomes para comandar a quadrilha Os diálogos extraídos dos aparelhos eletrônicos revelam que Monalliza comandava pessoalmente todas as operações da organização. Segundo a denúncia, ela utilizava o pseudônimo “MariaTereza” e também o nome de usuário “José” para transmitir ordens aos subordinados, cobrar resultados financeiros, negociar prazos para repasses de dinheiro e acompanhar diariamente o funcionamento dos pontos clandestinos. As conversas demonstram que nenhuma decisão importante era tomada sem sua autorização. Gerente recolhia dinheiro, pagava funcionários e prestava contas diretamente à chefe Apontado como um dos homens de maior confiança de Monalliza, Renato exercia a função de gerente operacional da organização criminosa. Entre outubro de 2023 e março de 2024, ele era responsável por administrar integralmente os pontos clandestinos explorados pelo grupo, recolher diariamente os valores obtidos com os jogos ilegais, controlar o pagamento dos funcionários, supervisionar a rotina dos estabelecimentos e solucionar problemas operacionais. As mensagens analisadas mostram que Renato também comunicava à chefe dificuldades provocadas por ações policiais e obras próximas aos pontos clandestinos, além de organizar a logística dos repasses financeiros. Segundo o Ministério Público, centenas de milhares de reais foram encaminhados para Monalliza, normalmente em espécie ou por depósitos realizados em contas de laranjas indicados pela líder da organização, principalmente em nome de Thamires. Os investigadores destacam ainda que Renato demonstrava absoluta naturalidade ao tratar da atividade criminosa, discutindo cobranças financeiras aos operadores dos pontos, logística de entrega de dinheiro e mecanismos utilizados para ocultar os recursos, evidenciando que o crime havia se tornado seu principal meio de vida. Organização abriu novo cassino clandestino na Rocinha Outro núcleo da organização era comandado por Luiz Fernando responsável pela expansão dos pontos clandestinos. De acordo com a denúncia, entre maio e junho de 2024 ele recebeu ordens diretas de Monalliza para implantar um novo ponto de exploração de jogos de azar na Rocinha. O trabalho envolveu praticamente toda a estruturação do empreendimento ilegal. Segundo as investigações, Luiz Fernando assumiu o imóvel alugado, contratou eletricista, supervisionou toda a reforma, providenciou a instalação das máquinas caça-níqueis e equipamentos de bingo, adquiriu móveis, recrutou funcionários e ainda buscou clientes para o novo estabelecimento. Toda a operação foi financiada com recursos enviados por Monalliza por intermédio de terceiros, incluindo sua companheira, Thamires. As conversas interceptadas mostram que a própria chefe decidia quais equipamentos seriam instalados, quais materiais deveriam ser comprados e acompanhava o andamento da implantação do novo ponto clandestino. Grupo cobrava taxa mensal de R$ 2 mil para explorar máquinas Outro integrante identificado pela investigação foi outro Luiz Fernando que exercia funções de cobrador e intermediador da organização. Segundo o Ministério Público, ele era encarregado de negociar a abertura de novos pontos clandestinos em áreas vizinhas às dominadas pelo grupo, adquirir imóveis comerciais para utilização da quadrilha, fiscalizar o funcionamento dos estabelecimentos ilegais e cobrar uma taxa mensal de R$ 2 mil dos responsáveis pela exploração de cada ponto de jogo. As mensagens mostram que todas essas atividades eram executadas sob ordens diretas de Monalliza, que também determinava a expansão da atividade criminosa para territórios fronteiriços aos já controlados pelo clã. Organização espalhava pontos clandestinos por diversas comunidades A denúncia afirma que a estrutura criminosa comandada por Monalliza mantinha pontos clandestinos de jogos de azar em diversas regiões da capital fluminense. Entre os locais citados estão Vidigal, Rocinha, Piedade, Méier, Lins, Engenho de Dentro, Madureira, Cascadura, Quintino, Vaz Lobo, Parada de Lucas e Vigário Geral. Para os investigadores, a presença simultânea em tantas comunidades demonstra a dimensão da organização criminosa e sua capacidade operacional para administrar diversos estabelecimentos clandestinos ao mesmo tempo. Monalliza permaneceu foragida por dois anos Outro ponto destacado na denúncia é que Monalliza permaneceu foragida da Justiça por aproximadamente dois anos após a deflagração da Operação Louvre, realizada em 24 de maio de 2022. Ela somente foi presa em 19 de junho de 2024, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido em outra ação penal, na qual responde por crimes de extorsão e lavagem de dinheiro. Mesmo após ser investigada e presa anteriormente, o Ministério Público sustenta que ela não interrompeu as atividades criminosas e continuou administrando a organização. Justiça aponta risco de continuidade das atividades criminosas Ao pedir as prisões preventivas, o Ministério

CELULAR DE PM APONTADO COMO EXECUTOR DE ADVOGADO É COMPARTILHADO COM INVESTIGAÇÃO SOBRE GRUPO DE ADILSINHO

A Polícia Civil conseguiu autorização judicial para compartilhar com a investigação da Banca da Grande Rio todo o conteúdo extraído do celular do policial militar Vitor Hugo Henrichs Mello, apontado como possível executor do assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo. A medida foi tomada porque os investigadores passaram a suspeitar que o PM possa ter ligação com a organização criminosa que, segundo a Polícia Civil, seria comandada pelo contraventor Adilsinho. A chamada Banca da Grande Rio é investigada por supostamente controlar o comércio clandestino de cigarros e atividades de contravenção no Rio de Janeiro, como o jogo do bicho e a exploração de máquinas caça-níqueis. Adilsinho é apontado pela Polícia Civil como uma das principais lideranças dessa estrutura criminosa. É justamente por isso que o conteúdo do celular de Vitor Hugo Henrichs Mello se tornou uma peça importante para a investigação. CELULAR DO PM PODE REVELAR LIGAÇÃO COM A BANCA O policial militar é apontado nas investigações como possível executor da morte de Rodrigo Crespo. O conteúdo do celular apreendido com ele foi extraído através do sistema Cellebrite. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) agora conseguiu autorização para que todo esse material seja compartilhado com o inquérito que investiga a atuação da Banca da Grande Rio. Na prática, os investigadores poderão analisar conversas, contatos, arquivos e outras informações armazenadas no aparelho para tentar descobrir com quem o PM se comunicava, a quem obedecia e se mantinha ligação com integrantes da organização criminosa atribuída a Adilsinho. A pergunta central é: Vitor Hugo agiu sozinho na execução do advogado ou fazia parte da estrutura criminosa investigada na Banca da Grande Rio? INVESTIGAÇÃO QUER SABER SE HOMICÍDIO FOI PRATICADO A MANDO DO GRUPO A análise do telefone poderá revelar se o policial recebeu ordens, manteve contato com possíveis mandantes ou intermediários e se tinha alguma relação com integrantes da organização criminosa. Os investigadores também poderão buscar no aparelho informações sobre pagamentos, encontros, planejamento da execução e contatos mantidos antes e depois do assassinato. Caso sejam encontradas provas de ligação entre o PM e a Banca da Grande Rio, a Polícia Civil poderá investigar se a morte de Rodrigo Crespo foi praticada a mando ou no interesse da organização criminosa. O conteúdo do celular também poderá ser confrontado com elementos de outros inquéritos que investigam homicídios atribuídos ao mesmo núcleo criminoso. JUSTIÇA AUTORIZOU COMPARTILHAMENTO DAS PROVAS O pedido foi feito pela Delegacia de Homicídios da Capital e recebeu parecer favorável do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público. Ao autorizar o compartilhamento, a Justiça destacou a possibilidade de existência de uma organização criminosa envolvida na prática de diversos homicídios no Rio de Janeiro. A decisão judicial, no entanto, não afirma que Adilsinho tenha ordenado a morte de Rodrigo Crespo. A investigação busca esclarecer se o PM apontado como possível executor integrava a estrutura da Banca da Grande Rio, organização criminosa atribuída a Adilsinho, e se o assassinato do advogado tem alguma relação com a atuação do grupo. A resposta poderá estar no conteúdo do celular do policial.

Quase 20 anos de espera: PM expulsa três policiais de quadrilha que controlava centenas de caça-níqueis

Quase duas décadas depois do início das investigações, a Polícia Militar expulsou três policiais envolvidos com uma organização criminosa especializada na exploração ilegal de máquinas caça-níquel e na corrupção de agentes públicos. A quadrilha, segundo as investigações, atuava pelo menos desde 2007 e mantinha aproximadamente 500 pontos de exploração de máquinas caça-níquel em municípios da Região Metropolitana e da Região Serrana do Rio, incluindo Magé, Teresópolis, Guapimirim e cidades vizinhas. O grupo era estruturado e contava com diferentes níveis de comando. De acordo com a investigação, os principais integrantes estabeleciam as diretrizes da organização, enquanto outros membros atuavam na operação do esquema e na administração financeira da atividade criminosa. A organização também contava com a participação de policiais federais, que, em troca do recebimento periódico de vantagens indevidas, forneciam informações privilegiadas sobre investigações e operações policiais. O objetivo era proteger o funcionamento do esquema de jogos ilegais e permitir que a quadrilha continuasse explorando as máquinas sem ser incomodada pelas autoridades. Planilhas revelaram dimensão do esquema Durante as investigações, interceptações telefônicas e documentos apreendidos ajudaram a revelar a estrutura da organização criminosa. Em uma das conversas interceptadas, integrantes do grupo discutem até mesmo o pagamento de salários e o aumento da remuneração de envolvidos na operação. Nas buscas realizadas pela polícia, foram apreendidos computadores e discos rígidos contendo planilhas relacionadas ao controle das máquinas caça-níquel, à movimentação financeira e à distribuição dos valores obtidos com a exploração ilegal. Uma das planilhas apreendidas registrava a existência de 634 máquinas caça-níquel apenas na região de Barra Mansa. O material também apontava uma movimentação de aproximadamente R$ 1,5 milhão com as máquinas entre outubro de 2009 e junho de 2010. As investigações também encontraram documentos que indicavam a existência de um esquema de corrupção policial ligado à exploração das máquinas. Expulsão quase 20 anos depois Apesar de os fatos investigados remontarem a 2007, a expulsão dos três policiais militares só foi formalizada agora, quase duas décadas depois do início da atuação criminosa atribuída à organização. A decisão administrativa considerou que o envolvimento dos agentes com a exploração de jogos ilegais e com o esquema de corrupção era incompatível com a permanência nos quadros da Polícia Militar. Os três foram excluídos da corporação por violação dos deveres funcionais e por condutas consideradas incompatíveis com a dignidade e o decoro da função policial. O caso mostra a impressionante demora entre a descoberta de um esquema criminoso e a conclusão do processo disciplinar que resultou na expulsão dos policiais. Quase 20 anos depois de a organização criminosa começar a operar, os três policiais finalmente foram retirados dos quadros da PM.

“Band of Brothers”: PMs acusados de integrar esquema de segurança armada de VIPs da contravenção podem ser expulsos

Dois policiais militares apontados como integrantes de grupos ligados ao falecido capitão Adriano da Nóbrega e ao contraventor Bernardo Bello estão sendo submetidos a Conselho de Disciplina da Polícia Militar e podem ser expulsos da corporação. Segundo a denúncia, entre 2019 e 2021, os dois PMs teriam integrado, ao lado de outros envolvidos, uma organização criminosa armada voltada à exploração de jogos de azar e à agiotagem. Entre os crimes atribuídos ao grupo estão homicídios, porte e posse ilegal de armas de fogo, extorsões, exploração irregular do mercado imobiliário e lavagem de dinheiro. A investigação aponta que, após a morte de Adriano da Nóbrega, integrantes de seu grupo criminoso teriam assumido funções relacionadas à continuidade das atividades ilícitas. Entre os envolvidos estariam a viúva do ex-capitão e o ex-policial militar conhecido como “Pai Bara”, apontados como possíveis sucessores na condução de parte das atividades do grupo. Segurança armada e ligação com Adriano Um dos investigados, conhecido como “Grande”, é apontado como um dos principais colaboradores de Adriano da Nóbrega. Segundo a denúncia, ele atuava na segurança pessoal do ex-capitão e também participava da coordenação e administração dos pagamentos destinados aos demais seguranças armados ligados ao grupo. Grande também teria desempenhado um papel importante na intermediação da comunicação entre Adriano, outros integrantes da organização criminosa e familiares do ex-capitão durante o período em que ele permaneceu foragido. Já o ex-PM conhecido como “Pai Bara” teria atuado como segurança pessoal de Adriano e na proteção de pontos de jogo do bicho, principalmente na Zona Sul do Rio. Após a morte do capitão, ele teria passado a integrar um grupo de seguranças armados que atuava na proteção de Shanna G. e de seu marido, conhecido como “R7”. Grupo de segurança armada para clientes VIP A investigação identificou, após a quebra do sigilo de dados telemáticos de Grande, sua participação em um grupo de WhatsApp chamado “Band of Brothers”, criado em agosto de 2020. Segundo a denúncia, o grupo reunia seguranças armados que prestavam serviços de escolta a clientes considerados “VIPs”, inclusive com a utilização de armas de grosso calibre. Entre os supostos beneficiários do serviço estariam Shanna G., apontada como pessoa ligada à contravenção, e seu marido, R7. A identificação dos dois policiais investigados teria ocorrido a partir da análise das mensagens trocadas no grupo e de conversas mantidas entre Grande e um dos PMs. Conversas sobre compra de fuzil As investigações também identificaram conversas entre Grande e o outro policial militar relacionadas à aquisição de armamentos. Segundo a denúncia, esse PM também integrava o grupo de seguranças armados que realizava escoltas para clientes considerados VIPs, trabalhando em regime de escala. Em novembro de 2020, o policial teria enviado a Grande uma fotografia de um contrato de aquisição de um fuzil Parafal calibre 7,62 mm, formalizado em seu nome, além dos dados bancários da empresa responsável pela venda. Em uma mensagem de áudio, o PM teria informado que estava encaminhando a documentação e as informações necessárias para o pagamento porque um dos clientes VIP havia manifestado interesse na compra da arma. Grande teria respondido agradecendo o envio do material e orientando que a documentação fosse apresentada rapidamente ao interessado, que já teria determinado a realização da compra. Escala de segurança para a contravenção A investigação também apontou que Grande fazia parte de outro grupo de WhatsApp, chamado “Escala da Vitória”, criado em fevereiro de 2021. O grupo reunia seguranças armados ligados à contravenção e tinha como objetivo organizar as escalas de serviço. Embora a maior parte das mensagens tenha sido apagada, algumas conversas foram recuperadas pelos investigadores. O grupo foi encerrado em março de 2021, após a decisão do chamado “01” de manter apenas o grupo de seguranças que já possuía. Segundo a investigação, o grupo “Escala da Vitória” funcionaria como um reforço à segurança de Shanna e R7, que já contariam com a proteção dos integrantes do “Band of Brothers”. Agora, os dois policiais militares são submetidos ao Conselho de Disciplina da corporação. O procedimento avaliará se as condutas atribuídas aos agentes são incompatíveis com a condição de policiais militares e se eles ainda reúnem condições éticas e morais para permanecer na corporação. Caso sejam considerados culpados na esfera administrativa, os dois poderão ser expulsos da Polícia Militar.

Preso em operação da PF, pastor Márcio Poncio já era investigado por suspeita de ligação com a máfia dos cigarros

O pastor Márcio Poncio, preso em operação deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal, já era investigado pelas autoridades há vários anos por suspeitas de envolvimento em um esquema de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial relacionado ao comércio de cigarros. A investigação teve origem em uma denúncia anônima apresentada à Ouvidoria do Ministério Público de São Paulo em 2021. O relato afirmava que Poncio, apontado como responsável de fato por empresas do setor tabagista, teria estruturado um esquema para esconder sua participação nos negócios e dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização. Segundo os autos, a principal empresa mencionada era a Win Distribuidora de Cigarros, que, conforme a denúncia, teria transferido sua sede do Rio de Janeiro para São Paulo e promovido alterações societárias para retirar oficialmente Márcio Poncio do quadro de sócios. Apesar disso, o documento sustentava que ele continuaria exercendo o comando da empresa, figurando apenas como procurador. A denúncia também citava outras empresas ligadas ao grupo, entre elas a New Ficet Indústria e Comércio de Cigarros, a Quality in Tabacos Indústria e Comércio de Cigarros e a Blue Comercial Ltda.. Conforme o relato encaminhado ao Ministério Público, alterações societárias e mudanças de endereço teriam sido utilizadas para ocultar o verdadeiro controle das companhias e dar continuidade às atividades sem despertar a atenção das autoridades. O documento ainda descrevia um suposto esquema de movimentação de grandes quantias em dinheiro em espécie provenientes da comercialização de cigarros, principalmente na região da Rua 25 de Março, em São Paulo. Os valores, segundo a denúncia, seriam recolhidos por pessoas ligadas ao grupo e posteriormente entregues a Márcio Poncio. As suspeitas também envolviam o uso de empresas e de terceiros para ocultação patrimonial, além da aquisição de imóveis e bens de luxo supostamente incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. Durante a apuração, o Ministério Público Estadual arquivou a parte relacionada aos crimes tributários por entender que não havia elementos suficientes para demonstrar a existência de sonegação fiscal ou de lançamento definitivo de tributos. O caso foi então remetido ao Ministério Público Federal para análise de possíveis crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro. Ao longo da investigação, a Polícia Federal e o MPF solicitaram informações à Receita Federal e à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Também foram verificadas centenas de inscrições em dívida ativa envolvendo empresas citadas na denúncia. Apesar disso, a Receita Federal informou não ter localizado lançamentos tributários definitivos ou ações fiscais capazes de caracterizar os crimes apontados. Diante da ausência de um crime antecedente que sustentasse a investigação por lavagem de dinheiro e da falta de provas suficientes, o Ministério Público Federal concluiu que não havia suporte probatório mínimo para o prosseguimento das investigações. Em abril de 2025, o MPF requereu o arquivamento do inquérito, destacando que, após o esgotamento das diligências realizadas, não foram encontrados elementos capazes de comprovar os delitos investigados. O arquivamento ocorreu sem prejuízo de eventual reabertura do caso caso surgissem novas provas, conforme prevê o artigo 18 do Código de Processo Penal. A existência desse inquérito demonstra, no entanto, que Márcio Poncio já vinha sendo monitorado pelas autoridades antes de voltar ao centro das investigações na operação realizada nesta quarta-feira. A ação de hoje Poncio é um dos alvos da quinta fase da Operação Unha e Carne com o objetivo de aprofundar apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo “capo” da nova cúpula do jogo do bicho, vulgo Adilsinho, e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro. Na ação de hoje, policiais federais cumprem cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Além disso, o STF determinou o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões.  Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro. As investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema. A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.

BASTIDORES INÉDITOS: Investigação revela que acusado se casou com moradora da região para monitorar de perto Marquinho Catiri um ano antes da execução e matou o segurança dele por ter flertado com sua esposa

Relatório da Justiça obtido pela reportagem aponta detalhes inéditos dos bastidores da investigação da execução do miliciano Marquinho Catiri e de seu segurança Sandrinho em 2022. Segundo o documento, o crime foi cometido “, em uma ação cuidadosamente planejada ao longo de aproximadamente um ano.A acusação sustenta que um dos envolvidos, George, alugou uma residência estrategicamente localizada em frente ao local frequentado diariamente pela vítima e, para não despertar suspeitas, casou-se com uma moça que morava na região e passou a residir na comunidade. Do imóvel, George monitorava diariamente a rotina de Catiri, inclusive mediante a utilização de equipamentos de vigilância, até o dia da emboscada. Ainda de acordo com a acusação, cerca de doze homens participaram da execução. Após os fatos, George teria confessado à companheira não apenas sua participação na morte de Catiri, como também que efetuou pessoalmente o disparo que matou Sandrinho, afirmando ter agido, neste último caso, também por vingança, em razão de um suposto flerte da vítima com a companheira. As investigações também apontam que o crime teria sido praticado mediante promessa de recompensa. George receberia R$ 1.000.000,00 pela execução e, logo após os homicídios, recebeu de José Ricardo duas transferências de R$ 10.000,00, fugindo em seguida para São Paulo, onde continuou recebendo auxílio financeiro enquanto aguardava o pagamento prometido. Conforme apurado pela Polícia Civil, a motivação dos homicídios estaria relacionada à aproximação de Marquinhos Catiri com o contraventor Bernardo Bello, que lhe teria repassado áreas de exploração da contravenção. Segundo a investigação, essa aliança teria desagradado um grupo rival ligado ao comércio ilegal de cigarros, do qual fariam parte George e José Ricardo, dando origem ao plano para a execução de Catiri e de seu segurança, Sandrinho. A investigação reuniu informações de colaboradores e de outros procedimentos policiais no sentido de que Bernardo Bello teria arrendado parte de suas áreas de atuação para Catiri, permitindo que este passasse a explorar regiões tradicionalmente vinculadas ao grupo do contraventor. Em razão desse acordo, Catiri deixou de atuar exclusivamente como liderança miliciana e passou também a exercer atividades relacionadas à exploração da contravenção nas áreas anteriormente controladas por Bernardo Bello. Ainda de acordo com a tese acusatória, essa associação alterou o equilíbrio existente entre os grupos criminosos que disputavam o controle econômico da região.A investigação também concluiu que o grupo investigado não se limitaria aos homicídios objeto da presente ação penal. A partir das quebras de sigilo telemático e da análise dos aparelhos celulares apreendidos, a Polícia Civil afirmou ter identificado indícios da existência de uma organização criminosa voltada à prática de homicídios sob encomenda, vinculada ao comércio ilegal de cigarros e à contravenção. Segundo os investigadores, exames de confronto balístico teriam apontado que os estojos de munição recolhidos no local da execução de Catiri e Sandrinho eram compatíveis com armamentos utilizados em outros homicídios investigados pela Polícia Civil, dentre eles a morte do policial militar João Joel, em Guaratiba; de Thiago, conhecido como “F6”, em Nova Iguaçu; e de Fernando Marcos, na Tijuca. Também foram mencionadas conexões com a tentativa de homicídio envolvendo Luiz Cabral e com os conflitos posteriormente deflagrados na disputa entre grupos ligados a Bernardo Bello e ao comércio ilegal de cigarros. O bicheiro Adilsinho teve a prisão decretada por conta da morte de Catiri. Ele é apontado como mandante do crime. Outro envolvido seria o ex-PM Sem Alma

Rede do bicho: mensagens, encontros e disputas revelam ligação entre Rogério Andrade, Drumond e Piruinha

Segundo o Ministério Público, o conjunto de elementos reunidos na investigação aponta que a estrutura atribuída a Rogério Costa de Andrade e Silva não se limita a uma atuação isolada ou recente no jogo do bicho, mas compõe uma engrenagem ampla, altamente estruturada e territorialmente espalhada, com mais de 6 mil pontos de exploração distribuídos por 58 municípios do estado do Rio de Janeiro, segundo os dados apreendidos. A investigação descreve um sistema que combina controle territorial, exploração econômica e articulação entre diferentes gerações da contravenção, conectando a chamada velha cúpula, lideranças tradicionais e a reorganização recente do setor. Conexão com a velha cúpula e a família Drumond Os autos indicam que, muito antes da consolidação da chamada “nova cúpula do jogo do bicho”, já havia interlocuções diretas entre o núcleo ligado a Rogério e a tradicional família de Luiz Pacheco Drumond. Em diálogos e registros analisados pelo MP, aparecem tratativas envolvendo o grupo ligado a Rogério e integrantes ligados aos Drumond, com destaque para Vinícius Pereira Drumond, apontado como elo operacional entre a estrutura histórica e a reorganização mais recente. Essas conversas, segundo o Ministério Público, se estendem ao longo de anos e envolvem temas centrais do funcionamento do jogo do bicho: vazamentos de operações policiais, antecipação de ações de repressão, reorganização de áreas de exploração e articulação entre grupos historicamente rivais, mas que aparecem em diálogo constante. Piruinha e a velha engrenagem da contravenção Nesse mesmo contexto, o Ministério Público destaca de forma recorrente a presença de José Caruzzo Escafura (Piruinha), integrante da chamada velha cúpula do jogo do bicho. O nome de Piruinha aparece em anotações e registros ligados a reuniões e articulações envolvendo disputas de área e reorganização de pontos de exploração, sendo tratado pelo parquet como parte da estrutura histórica que ajuda a sustentar a continuidade do sistema da contravenção no estado. Nova cúpula e articulação com Adilsinho No outro polo dessa reorganização, os autos citam a atuação de Adilson Oliveira Coutinho Filho (Adilsinho), apontado como integrante da chamada “nova cúpula do jogo do bicho”, ao lado de Rogério. Segundo o Ministério Público, os elementos indicam alinhamentos de interesse e interlocuções indiretas entre esses grupos, especialmente na reorganização de áreas de exploração e na gestão do mercado ilegal em diferentes regiões do estado. Codinomes, disputas e cooperação entre grupos Os diálogos interceptados e registros recuperados mostram o uso recorrente de linguagem codificada para tratar de atividades ilegais e disputas territoriais. Em 14/04/2017, Vinícius Pereira Drumond informa ao denunciado que “mandaram desligar tudo na aliança”, expressão interpretada como referência à retirada/desativação de máquinas caça-níquel na Vila Aliança, em Bangu, área atribuída ao grupo ligado a Rogério. Já em 11/04/2020, Vinícius pergunta se o interlocutor havia “resolvido câmara”, entendido como possível referência ao bairro de Senador Camará. Em resposta, ele afirma que não deixaria a área “virar leilão”, mencionando disputa com grupo rival pela implantação de negócios no local. Para o Ministério Público, esse conjunto de mensagens reforça que os grupos ligados à velha cúpula (Drumond) e à estrutura atribuída a Rogério mantinham cooperação e alinhamento em disputas territoriais do jogo do bicho. Piruinha e a rede de interlocução histórica Em outro eixo das investigações, o MP destaca conversas desde 2014 envolvendo Haylton Carlos Gomes Escafura, filho de José Caruzzo Escafura (Piruinha). Em um desses diálogos, Haylton menciona o homicídio de Michel Vasconcelos Fernandes e relata preocupação com boatos de que poderia ser alvo de execução ligada a Rogério, identificado como “01”, em razão de um atentado ocorrido em 2010. Segundo o MP, o interlocutor assegura que isso não ocorreria. Também aparecem conversas posteriores envolvendo outros interlocutores ligados à estrutura da contravenção, incluindo discussões sobre informações internas, disputas e movimentações de grupos rivais. Homicídio de Marcos Falcon e disputa de poder O caso do homicídio de Marcos Falcon é citado como um dos episódios mais relevantes desse contexto. Falcon foi executado em 2016 durante sua campanha eleitoral, e o Ministério Público aponta que o crime se insere em um período de forte disputa interna por controle de áreas e influência dentro do jogo do bicho, envolvendo diferentes grupos com atuação consolidada no Rio de Janeiro. Milícia, Gardênia Azul e ligação com Girão O MP também aponta que essa estrutura se sobrepõe a áreas onde há influência de grupos armados. Nesse contexto, aparece a menção ao ex-vereador e apontado miliciano Cristiano Girão Matias. Segundo os autos, há registro de intervenção para “resolver um problema” relacionado a um depósito de gás ligado ao entorno de Girão, na região da Gardênia Azul, o que é interpretado como indicativo de atuação em disputas locais envolvendo influência territorial e interesses econômicos em área sob controle de grupos armados. Estrutura, pontos e domínio territorial A investigação destaca ainda a dimensão estrutural do grupo: um arquivo com 6.437 pontos de exploração de comércios de rua distribuídos por 58 municípios fluminenses, com identificação completa de locais e responsáveis. Segundo o Ministério Público, esse material não representa apenas controle administrativo, mas um mapa de domínio territorial e econômico do jogo do bicho em escala estadual, com capacidade de gestão ampla e organizada. Síntese do Ministério Público No conjunto, o Ministério Público descreve uma estrutura criminosa de grande porte, que articula: Para o parquet, não se trata de relações isoladas, mas de uma engrenagem contínua de poder, sustentada por alianças históricas, redes de comunicação codificada, controle de territórios e disputa permanente pelo domínio do jogo do bicho no estado do Rio de Janeiro.

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