Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

jogo do bicho

GUERRA DO BICHO: Iggnácio foi acusado de mandar matar Rogério Andrade ao menos duas vezes em disputa marcada por atentados e mortes

A execução de Fernando Iggnácio reacendeu uma das disputas mais violentas do submundo do jogo ilegal no Rio: a guerra com seu rival Rogério de Andrade, marcada por atentados, mortes e acusações reiteradas de mando de execução entre os dois lados. Um dos pontos mais emblemáticos dessa rivalidade é que Iggnácio foi acusado de mandar matar Rogério Andrade pelo menos duas vezes, em episódios distintos ao longo dos anos. Primeira tentativa: arma falha e impede execução em hotel No dia 8 de outubro de 2001, no corredor do 15º andar de um apart-hotel na Barra da Tijuca, um homem tentou executar Rogério Andrade com disparos de arma de fogo. A arma, no entanto, falhou no momento do disparo, permitindo que Andrade reagisse. Houve luta corporal, o agressor foi desarmado e ainda tentou concluir o crime por estrangulamento, sem sucesso. Nesse caso, Fernando Iggnácio foi denunciado como suposto mandante da tentativa de homicídio, mas acabou impronunciado pela Justiça. Segunda acusação: atentado a bomba deixa morto e ferido A segunda vez em que Iggnácio foi acusado de mandar matar o rival envolve o atentado ocorrido em 8 de abril de 2010, também na Barra da Tijuca. Na ocasião, uma explosão matou Diogo Andrade, filho de Rogério, e deixou o próprio contraventor gravemente ferido. Iggnácio foi apontado como acusado de envolvimento no ataque, novamente dentro da lógica de tentativa de atingir o rival. Origem da guerra: disputa por território e dinheiro Segundo investigações, a rivalidade tem origem na divisão de negócios após a atuação do contraventor Castor de Andrade. Com o crescimento explosivo dos lucros das máquinas, Rogério teria passado a tentar expandir sua atuação sobre esse mercado, gerando conflito direto com Iggnácio. Foi o início de uma disputa violenta e contínua. Guerra deixou rastro de mortes e atuação armada A disputa pelo controle dos caça-níqueis evoluiu para um cenário de extrema violência, com dezenas de mortes ao longo dos anos, conforme apontam investigações. Os grupos são descritos como estruturas fortemente armadas, com atuação organizada e, em alguns casos, com apoio de agentes policiais, responsáveis por garantir segurança e viabilizar os negócios ilícitos. Acusações de mando nos dois lados Se por um lado Fernando Iggnácio foi acusado ao menos duas vezes de mandar matar Rogério Andrade, por outro, Rogério Andrade também é acusado de ser o mandante do assassinato de Iggnácio, caso que voltou ao centro do debate com os recentes desdobramentos judiciais. Conclusão A trajetória dos dois contraventores revela uma guerra prolongada pelo controle do jogo ilegal no Rio, marcada por tentativas de execução, atentados e acusações de mando de ambos os lados. O histórico reforça o nível de violência e organização dessa disputa, que segue produzindo desdobramentos até hoje.

PASSO A PASSO DA MORTE: a dinâmica real da emboscada que executou Fernando Iggnácio no Rio. Primeiro acusado foi condenado ontem

O assassinato do contraventor Fernando Iggnácio, cujo primeiro acusado foi condenado nesta semana — o ex-PM Rodrigo Silva das Neves, sentenciado a 32 anos e 9 meses de prisão — foi cometido por meio de uma emboscada cuidadosamente planejada e executada com extrema precisão. O crime ocorreu no dia 10 de novembro de 2020, por volta das 13h15, a partir de um terreno baldio localizado ao lado do estacionamento do heliporto da empresa Heli-Rio Táxi Aéreo, situado na Avenida das Américas, nº 13.750, no bairro Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Emboscada montada com antecedência e camuflagem Os assassinos permaneceram em tocaia, escondidos de forma estratégica na extensa vegetação que ladeava o muro do heliporto, utilizando a camuflagem natural do local para não serem percebidos. A escolha do ponto da emboscada foi feita de maneira precisa, assim como o momento do ataque, calculado para atingir a vítima quando estivesse em situação de maior vulnerabilidade. Planejamento detalhado e divisão de tarefas No dia do crime, por volta das 09h, conforme previamente ajustado entre os envolvidos e seguindo ordens atribuídas a “Araújo” e ao contraventor Rogério de Andrade, a ação foi colocada em prática. Enquanto um dos quatro primeiros participantes permanecia no interior do veículo utilizado pelo grupo — um VW Fox Connect, cor branca —, os outros três invadiram o terreno baldio que fazia divisa com o heliporto da empresa Heli-Rio Táxi Aéreo. Eles estavam munidos de, pelo menos, duas armas de fogo de alta energia cinética, sendo fuzis PARA FAL e AK-47, ambos calibre 7,62 mm. Posição estratégica no muro e ataque a curta distância Após aguardarem por cerca de quatro horas, esperando o retorno de Fernando Iggnácio de Angra dos Reis em seu helicóptero, três dos executores posicionaram suas armas sobre o muro contíguo ao estacionamento do heliporto. Eles ficaram a uma distância aproximada de quatro metros do local onde estava estacionado o veículo da vítima, uma Land Rover/Range Rover, blindada, ano 2007, cor preta. Assim que Fernando Iggnácio se colocou ao lado do automóvel, pelo menos dois dos envolvidos efetuaram diversos disparos de arma de fogo. Disparos fatais e execução violenta A vítima foi atingida por três disparos, sendo que um deles alcançou a região da cabeça, entre o nariz e o olho esquerdo. Segundo consta no processo, o projétil penetrou a caixa craniana e explodiu em seu interior, causando a morte de forma imediata e espargindo massa encefálica.. Monitoramento da vítima foi essencial para o crime O crime contou ainda com a participação de outro integrante responsável pelo monitoramento da vítima. Ele repassava instruções a “Araújo”, apontado como responsável por contratar os executores, fornecendo informações que possibilitaram o êxito da empreitada criminosa. Nas conversas interceptadas, Fernando Iggnácio era identificado pela alcunha “Cabeludo”. A referência à vítima é reforçada por diálogos que mencionam características de um imóvel, como a existência de um “cais de ferro na cor verde nos fundos da casa do Cabeludo”, posteriormente identificado como sendo de propriedade da vítima. Condenação confirma emboscada e abre caminho para novos desdobramentos A condenação de Rodrigo Silva das Neves representa o primeiro desfecho judicial do caso e confirma a dinâmica de uma execução em emboscada, com planejamento prévio, divisão de tarefas e uso de armamento de guerra. Outros envolvidos seguem sendo investigados. Conclusão Os elementos reunidos no processo mostram que o assassinato de Fernando Iggnácio foi resultado de uma emboscada estruturada, com monitoramento prévio, escolha estratégica do local, posicionamento tático dos executores — inclusive sobre o muro, a poucos metros da vítima — e execução coordenada. A decisão da Justiça consolida essa versão e evidencia o nível de organização por trás do crime.

Condenado a mais de 32 anos por morte de Fernando Iggnácio, ex-PM disse antes que agiu por dinheiro e se arrependeu

Condenado a 32 anos e 9 meses de prisão pelo assassinato do contraventor Fernando Iggnácio, o ex-policial militar Rodrigo Silva das Neves já havia afirmado, logo após ser preso, que se arrependeu de participar do crime — segundo ele, cometido por dinheiro e “aventura”.  Os promotores apontaram imagens, rastreamento de veículos e diligências policiais que teriam levado até um imóvel ligado a Rodrigo, onde foram encontrados fuzis e outros materiais, reforçando a tese de que ele teria papel central na logística do crime e vínculo com os demais envolvidos. De acordo com as investigações, o assassinato teria sido planejado por outro ex-PM, conhecido como Araújo, apontado como responsável por controlar uma das áreas ligadas ao contraventor Rogério de Andrade. Iggnácio e Rogério são, respectivamente, genro e sobrinho de Castor de Andrade, figura histórica e considerada, à época, uma das maiores lideranças do jogo do bicho no Estado do Rio de Janeiro. Após a morte de Castor, em 1997, as investigações indicam que houve uma ruptura familiar marcada por uma disputa pelo controle das atividades ilícitas deixadas pelo contraventor. O conflito, segundo os autos, teria desencadeado uma sequência de crimes ao longo de mais de duas décadas, incluindo os homicídios de Paulinho de Andrade, filho de Castor, e de Diogo de Andrade, filho de Rogério. Ainda segundo a apuração, Araújo integrava o esquema de segurança pessoal de Rogério de Andrade, a quem se referia como “chefe” ou “01”. Ele teria sido o responsável por recrutar, por ordem superior, outros envolvidos para a execução de Fernando Iggnácio. Rodrigo Silva das Neves e Ygor Rodrigues Santos da Cruz, conhecido como Farofa (já falecido), também citado nas investigações, teriam atuado anteriormente como seguranças da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, cujo patrono era Rogério de Andrade. A motivação do crime, conforme apontado pela investigação, estaria diretamente ligada ao histórico de rivalidade e à disputa territorial e econômica entre Rogério de Andrade e a vítima, especialmente em atividades ilegais relacionadas ao jogo do bicho e à exploração de máquinas caça-níqueis. Os investigadores destacam ainda que Fernando Iggnácio possuía diversos inimigos em razão de sua atuação e posicionamento dentro desse cenário. As apurações também mencionam o interesse de grupos ligados à milícia e ao tráfico em atividades desenvolvidas tanto pela vítima quanto por Rogério, o que ampliaria ainda mais o contexto de conflito em torno do caso. O crime ernando Iggnácio, executado no estacionamento de um heliponto no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio, em 2020. Ele foi executado após retornar de sua casa de praia em Angra dos Reis, na Costa Verde. Genro do também contraventor Castor de Andrade, Iggnácio teria sido morto a mando do bicheiro Rogério de Andrade, sobrinho de Castor. A defesa do acusado adotou uma linha técnica, afirmando que não haveria provas diretas que vinculem Rodrigo à execução. O advogado argumentou que o réu não tem ligação comprovada com os supostos mandantes e que os elementos apresentados pela acusação são frágeis ou dizem respeito a outros investigados. Também questionou a interpretação das provas telemáticas, destacando que os registros indicariam apenas deslocamentos compatíveis com a rotina do acusado, sem demonstrar participação no planejamento ou na execução do homicídio. A defesa enfatizou ainda que cada réu deve ser julgado individualmente, com base nas provas específicas do seu caso, e apelou ao princípio do livre convencimento dos jurados.

PM parte para expulsão de agentes suspeitos de atuar na segurança do bicheiro Rogério Andrade

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — instância que pode resultar na expulsão da corporação — o subtenente inativo Machado e o sargento reformado Carneiro, apontados em investigação por suposto envolvimento com a estrutura de segurança do bicheiro Rogério Andrade. A medida ocorre no contexto de uma apuração que resultou na denúncia de diversos policiais militares da ativa, ex-policiais e outros agentes ligados ao esquema de proteção do contraventor. Segundo os elementos reunidos no inquérito, a segurança pessoal de Rogério Andrade operava com estrutura estável, organizada e hierarquizada. O grupo seria integrado por diversos agentes subordinados ao ex-subtenente Pinheiro, apontado como responsável direto pela segurança pessoal, e ao sargento reformado Araújo, indicado como chefe-geral do esquema. Durante as investigações, foi apreendida uma planilha que detalha a dimensão da estrutura: ao todo, 36 integrantes compunham o núcleo de segurança, com custo mensal estimado em R$ 207.600,00. Os vencimentos pagos aos policiais variavam entre R$ 5.600,00 e R$ 7.600,00, o que, de acordo com a apuração, evidencia a continuidade e a estabilidade da atuação do grupo armado. Outro ponto relevante destacado nos autos foi o afastamento do sigilo de dados telemáticos do aparelho celular apreendido com o ex-cabo Nelsinho. A análise revelou intensa atividade no grupo de WhatsApp denominado “Vampiros”, formado por integrantes da segurança do turno da noite. O grupo contava com 14 participantes e registrou 14.456 mensagens trocadas entre 30 de outubro de 2019 e 10 de maio de 2022. As conversas tratavam de escalas, pagamentos, orientações operacionais e informes internos relacionados à prestação de serviços ao bicheiro e a seus familiares. No caso do subtenente Machado, as investigações indicam que ele não apenas integrava o núcleo de segurança da organização criminosa, como também ocupava posição de destaque, sendo apontado como um dos líderes da equipe e integrante da cúpula do aparato de proteção. Em relação ao sargento reformado Carneiro, a denúncia aponta que ele mantinha vínculo direto com o ex-cabo Nelsinho, figurando nominalmente em listas de seguranças pessoais da organização e em diversas escalas de serviço compartilhadas no grupo “Vampiros” entre os dias 5 de fevereiro de 2020 e 5 de maio de 2022. Ainda segundo a acusação, foi imputado a Carneiro o crime de corrupção ativa, por supostamente atuar, em diversas ocasiões, em conjunto com o bicheiro na oferta e promessa de vantagens indevidas a policiais militares. O objetivo, de acordo com a denúncia, seria obter informações sigilosas, retardar ou omitir atos funcionais e favorecer os interesses da organização criminosa diante de grupos rivais. O Ministério Público ressalta que os acusados detinham elevado grau de confiança dentro da estrutura, integrando os níveis mais altos do esquema de segurança montado para assegurar o pleno funcionamento das atividades ilícitas atribuídas à quadrilha. A instauração do Conselho de Disciplina não representa, por si só, condenação, mas pode culminar na exclusão definitiva dos envolvidos dos quadros da Polícia Militar, caso as acusações sejam confirmadas ao longo do processo administrativo.

Processo revela como pessoas ligadas a Adriano da Nóbrega lavavam dinheiro da contravenção em Copacabana

Um processo em tramitação na Justiça do Rio de Janeiro escancara como o grupo ligado ao miliciano e contraventor Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em 2020, estruturou uma rede de empresas de fachada para lavar dinheiro de atividades criminosas, com atuação concentrada na Zona Sul da capital. De acordo com os autos, a organização utilizava firmas registradas formalmente em nome de “laranjas” para ocultar e dissimular valores oriundos de diversas práticas ilícitas. Essas empresas eram constituídas com capital social aparentemente regular e, na sequência, movimentavam recursos com aparência de legalidade em contas bancárias vinculadas a terceiros. A denúncia aponta que o grupo mantinha um núcleo operacional no Baixo Copacabana, voltado à exploração de atividades como venda e locação irregular de imóveis, grilagem de terras, agiotagem, cobranças ilegais, além do fornecimento clandestino de serviços como gás e internet. Esses negócios serviam como base para a geração e circulação de recursos ilícitos. Segundo a investigação, integrantes conhecidos como “Jacaré” e “Betinho” passaram a figurar como sócios de uma empresa distribuidora de produtos de couro, vestuário e calçados, constituída em maio de 2005. Ainda conforme os autos, a firma era utilizada como instrumento para a conversão de valores provenientes de crimes em ativos aparentemente lícitos, por meio da integralização de capital social e da movimentação financeira. Outras empresas também teriam sido criadas com a mesma finalidade, incluindo um depósito de bebidas, estabelecimentos ligados ao setor de construção e sinteko, além de um bar e uma pizzaria. A denúncia destaca que todas funcionavam como mecanismos de “reciclagem” de dinheiro, com uso de contas correntes em nome de terceiros para ocultar a origem, a propriedade e a localização dos recursos. Relatórios de inteligência financeira anexados ao processo indicam que a movimentação bancária dessas empresas era incompatível com as atividades declaradas. Ainda segundo os documentos, os titulares formais registrados na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (JUCERJA) não possuíam capacidade financeira compatível com os valores movimentados. Apontado como uma das principais lideranças do grupo, Adriano da Nóbrega — conhecido como “Capitão Adriano” — também era investigado por sua ligação com o bicheiro Bernardo Bello, especialmente na exploração de máquinas caça-níqueis na Zona Sul do Rio. Os autos indicam ainda a existência de um núcleo específico dedicado à lavagem de dinheiro proveniente da contravenção do jogo do bicho, sob liderança de Adriano. Ao longo das investigações, foram realizadas diligências para rastrear o patrimônio ligado ao grupo, incluindo bens em nome de familiares, associados e pessoas próximas, com o objetivo de identificar e responsabilizar os envolvidos pelo esquema de lavagem de dinheiro.

Como a viúva de Adriano da Nóbrega transformou o espólio do miliciano em fonte de lucro

Operação do Ministério Público do Rio de Janeiro realizada nesta quinta-feira mira suspeitos de dar continuidade aos negócios do miliciano e contraventor Adriano da Nóbrega, morto em 2020. Documentos do processo revelam detalhes de como o patrimônio do ex-chefe de milícia teria continuado sendo movimentado mesmo após sua morte. De acordo com os autos, Júlia Lotufo, viúva de Adriano, com o auxílio de um aliado conhecido como “Orelha” (já falecido), teria atuado diretamente na movimentação de bens, valores e direitos provenientes das atividades criminosas da organização chefiada pelo miliciano. O objetivo, segundo a investigação, era ocultar e dissimular a real origem e propriedade desses ativos. Ainda conforme o processo, na condição de herdeira, Júlia teria recebido bens do espólio que estavam registrados em nome de “laranjas”. Em seguida, esses patrimônios eram negociados e transferidos a terceiros, em operações que buscavam dificultar o rastreamento pelas autoridades. Os investigadores apontam que a estratégia de ocultação era contínua: os bens nunca eram formalmente transferidos para o nome da viúva, sendo negociados em nome de terceiros. Os pagamentos, segundo consta, eram realizados principalmente em dinheiro vivo ou por meio de transferências para contas de empresas, o que reforçaria a tentativa de disfarçar a origem dos recursos. O caráter dissimulatório das operações, segundo o processo, fica ainda mais evidente pelo fato de Júlia já ter conhecimento de investigações em andamento que buscavam identificar e confiscar o patrimônio de Adriano. Mesmo assim, ela teria negociado os bens de forma clandestina, “por debaixo dos panos”, apropriando-se dos valores obtidos com as vendas. A investigação também aponta a existência de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo outras pessoas, entre elas o deputado estadual e hoje federal Juninho do Pneu. Um dos exemplos citados no processo envolve dois imóveis rurais localizados em Cachoeiras de Macacu, avaliados em cerca de R$ 3,5 milhões. Os bens, que pertenciam a Adriano, estavam registrados em nome de um “laranja” identificado como Edvaldo. Após a venda realizada pela viúva, o intermediário transferiu os imóveis para o nome do pai do deputado , apontado como o verdadeiro comprador.

O legado milionário de Adriano da Nóbrega. Tem até político envolvido

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), cumpre, nesta quinta-feira (19/03), dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão contra integrantes de uma organização criminosa que era liderada e depois sucedeu o ex-miliciano e contraventor Adriano da Nóbrega, morto em março de 2021. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado da Comarca da Capital, a pedido do MPRJ. Ao todo, 19 pessoas foram denunciadas, entre elas um deputado federal.O GAECO/MPRJ dividiu as acusações da “Operação Legado” em três ações penais. A primeira trata da lavagem de dinheiro oriundo do jogo do bicho na Zona Sul do Rio; a segunda descreve a atuação da organização criminosa associada ao capitão Adriano; e a terceira envolve o branqueamento de patrimônio do grupo. A investigação do Ministério Público do Rio dedicada a rastrear e recuperar o espólio oculto da organização criminosa identificou dois imóveis rurais que pertenciam ao miliciano, embora registrados em nome de terceiros, avaliados em R$ 3,5 milhões. Segundo o GAECO/MPRJ, após a morte do então companheiro e ciente da existência de investigações sobre o patrimônio, a viúva de Adriano, Julia Lotufo, promoveu a venda das propriedades ao deputado federal Rogério Teixeira Júnior, conhecido como Juninho do Pneu. O parlamentar foi denunciado, mas não há mandados expedidos contra ele.O Ministério Público Federal se manifestou pela ausência de atribuição, uma vez que os fatos investigados relacionados à lavagem de dinheiro não possuem relação direta com o exercício do mandato, afastando a incidência de foro por prerrogativa de função.A segunda denúncia expõe um esquema milionário de lavagem de dinheiro proveniente dos lucros com a exploração do jogo do bicho na Zona Sul do Rio, especialmente em Copacabana. De acordo com o GAECO/MPRJ, Adriano da Nóbrega controlava esses pontos da contravenção em parceria com o bicheiro Bernardo Bello. As investigações identificaram empresas de fachada criadas e operadas com o objetivo de receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho. A análise de apenas quatro empresas ligadas ao investigado aponta transações que superam R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano. Entre os empreendimentos de fachada constam um depósito de bebida, um bar e um restaurante. Os investigadores se depararam com um quiosque de serviços de sobrancelha localizado em um shopping na Zona Norte, cuja conta registrou, em seis meses, aproximadamente R$ 2 milhões em créditos. Entre os denunciados está Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano da Nóbrega. A terceira ação penal trata dos integrantes que atuavam sob o comando do miliciano e que continuaram em atividade após sua morte. As apurações indicam que o grupo criminoso persistiu e sofisticou sua estrutura mesmo após a morte de Adriano da Nóbrega. Segundo o GAECO/MPRJ, Julia Lotufo atuava como líder e controlava toda a contabilidade e os ativos da organização criminosa, cujos negócios ilícitos envolviam agiotagem, contravenção e mercado imobiliário irregular.

MP tenta prender 19 policiais que faziam segurança de Rogério Andrade

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) cumpre, nesta terça-feira (10/03), vinte mandados de prisão preventiva contra o bicheiro Rogério de Andrade e integrantes de seu núcleo de segurança na região de Bangu. Entre os integrantes do núcleo, estão 18 policiais militares e penais, da ativa e da inativa, além de um policial civil inativo, que foi cooptado pela organização criminosa enquanto ainda estava no cargo. Os mandados são cumpridos com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, da Corregedoria da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária e da Corregedoria da Polícia Civil. A denúncia oferecida pelo MPRJ é resultado de investigação conduzida pelo próprio GAECO/MPRJ, no âmbito de Procedimento de Investigação Criminal (PIC). De acordo com o grupo especializado, os denunciados atuavam na segurança de pontos de exploração ilegal de jogos de azar na região de Bangu e se valiam da prática sistemática de atos de corrupção para garantir a livre atividade do grupo criminoso. Os alvos da operação vão responder pelos crimes de constituição de organização criminosa armada, majorada pelo concurso de funcionários públicos e pela conexão com outras organizações criminosas, além de corrupção ativa e passiva. Os mandados, expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Comarca da Capital, a pedido do GAECO/MPRJ, são cumpridos em endereços nas cidades do Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Mangaratiba, Nilópolis e São João de Meriti, bem como na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O s policiais militares denunciados atuavam na Subsecretaria de Gestão de Pessoas (SSGP), no Batalhão de Policiamento de Vias Expressas (BPVE) e nos 4º, 6º, 14º, 17º, 22º, 23º e 41º Batalhões de Polícia Militar (BPM).

MP diz que condenados pela morte de advogado no Centro do Rio tinham ligação com o bicheiro Adilsinho

O Ministerio Público Estadual afirmou que os três réus condenados pela morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, assassinado em fevereiro de 2024 no Centro do Rio, tinham ligação com Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, investigado por atividades relacionadas ao jogo do bicho e preso em operação da Polícia Federal com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Leandro Machado da Silva, policial militar, Cezar Daniel Mondêgo de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes foram sentenciados a 30 anos de prisão, cada um, Segundo o MP, o assassinato foi praticado para assegurar a execução e a vantagem de outros crimes relacionados à exploração ilegal de jogos de azar, atribuídos aos denunciados e a integrantes de organização criminosa. De acordo com a tese apresentada pelo GAEJURI/MPRJ, o crime também teria sido motivado pela intenção de intimidar possíveis concorrentes no mercado ilegal de apostas. A investigação indicou que Rodrigo Crespo avaliava investir no setor de jogos, com a abertura de um “sporting bar” em Botafogo, que poderia oferecer apostas esportivas e equipamentos semelhantes a máquinas caça-níqueis conectadas à internet — atividade que, segundo a acusação, poderia afetar interesses da organização criminosa que atua na região. Após dois dias de julgamento, o Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pelo GAEJURI/MPRJ e reconheceu as qualificadoras de motivo torpe, relacionado à atuação profissional da vítima, que teria contrariado interesses de organização criminosa ligada a jogos de apostas on-line, além de emboscada e do uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. As investigações apontaram que o crime foi precedido de monitoramento da rotina do advogado. Durante o julgamento, o GAEJURI/MPRJ apresentou laudos periciais, depoimentos de testemunhas, análises telemáticas e outros elementos investigativos que demonstraram a participação dos réus no homicídio e evidenciaram o planejamento da execução. ]

Como o grupo de Adilsinho agia para tentar tomar pontos de apostas do jogo do bicho e máquinas caça-níqueis de rival. Disputa provocou atentado e assasssinatos. RELEMBRE

Em junho de 2024, publicamos trechos de um relatório da Justiça do Rio que apontava uma guerra travada pelo bicheiro Adilsinho, preso anteontem, contra Bernardo Bello. Segundo o documento, a disputa provocou assassinatos e atentados, inclusive de um milician (Marquinho Catiri). Na guerra pela expansão territorial visando tomar com violência extrema os pontos nas Zonas Sul e demais bairros do Rio de Janeiro, os homens ligados a Adilsinho agiam para dissuadir os gerentes e operadores do jogo ilícito chefiados pelo bicheiro Bello , ora realizando o monitoramento dos adversários para a sua execução. O assassinato de Fernando Marcos Ferreira Ribeiro en abril de 2023 na Tijuca visava a expansão criminosa da quadrilha chefiada por Adilsinho para dominar, tomando à força, os pontos de jogos do bicheiro Bernardo Bello. O documento diz que, na mesma época, um contraventor estava na mira do grupo de Adilsinho e dias depois da morte de Fernando, seu filho foi alvo de atentado no Catumbi, área de Bello. O contraventor na época disse que os capos estariam enviando “equipes”, formadas por policiais envolvidos para todos os pontos de bicho da área em que ele trabalha, ligada ao contraventor Bernardo Bello, e proferindo ameaças de morte contra quem resistisse em “mudar de lado” e que os bicheiros estariam tentando estabelecer “uma nova cúpula da contravenção. O relatório informava que os “seguranças” de Adilsinho, ao intimidarem os comerciantes que possuíam máquinas caça-níqueis em seus estabelecimentos, deixavam o recado de que, a partir de então, haveria uma “nova cúpula do jogo do bicho, formada por ele, Rogério Andrade e família Drummond. Um homem que funcionava como porta-voz de Adilsinho durante o mês de abril de 2023 circulava pelos pontos que eram dominados por Bernardo Bello rodeado de seguranças, anunciava que havia uma Nova cúpula, e a partir dali quem mandava era Adilsinho, fornecendo o seu próprio telefone para que qualquer conflito fosse resolvido com ele. Esse suposto porta-voz de Adilsinho acabaria sendo alvo de atentado em uma reação do grupo de Bernardo Bello enquanto os aliados de Adilsinho realizavam a troca de máquinas caça-níqueis no bar “Parada Obrigatória”, situado na esquina da Rua Souza Franco com a Boulevard Vinte e Oito de Setembro. Na época, homens ligados a Adilsinho invadiram o estabelecimento, arrombaram os cadeados das máquinas e disseram que, a partir de então, a responsabilidade seria deles. O relatório diz que Copacabana também foi palco de guerra com capangas de Adilsinho rondando e ameaçando os integrantes do grupo de Bernardo, fato ocorrido, inclusive, no dia anterior à morte da vítima Fernando Marcos. O documento ainda apontou a conexão entre a execução de Fernando Marcos e as cápsulas apreendidas na tentativa de homicídio do filho do contraventor já que houve convergência para o confronto realizado entre as cápsulas de fuzil utilizadas nos dois crimes. Segundo o relatório, as mesmas armas usadas na morte de Fernando e no atentado foram usadas também nos homicídios do miliciano Marquinho Catiri, que era considerado o “braço armado de Bernardo Bello”; e de seu segurança Sandrinho, e também em um outro homicídio, o do policial civil João Joel de Araújo, morto em 2022.

CATEGORIA:

copyright © 2025 Fatos Policiais. todos os direitos reservados

Rolar para cima