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Comando Vermelho mobilizou motociclistas para sabotar cerco policial e salvar traficantes na megaoperação na Penha e Alemão

A Justiça do Rio revelou detalhes de uma estratégia utilizada pelo Comando Vermelho (CV) para tentar minimizar os impactos da Operação Contenção, uma das maiores ofensivas policiais já realizadas nos complexos da Penha e do Alemão que deixou 122 mortos em 28 de outubro. Segundo a decisão judicial, traficantes da facção acionaram motociclistas para provocar tumulto, atrapalhar a movimentação das forças de segurança e abrir caminho para a fuga de criminosos que estavam sendo alvo do cerco policial. As investigações apontam que os motociclistas não tinham a missão de enfrentar os agentes, mas sim de criar obstáculos à operação, dificultando o avanço das equipes e favorecendo a retirada de traficantes das áreas cercadas. Um dos envolvidos admitiu aos policiais que foi chamado para atuar durante a operação justamente com o objetivo de gerar confusão e prejudicar a ação das forças de segurança. A Justiça destacou que os suspeitos avançavam em direção à área do confronto, comportamento incompatível com o de moradores que buscavam proteção diante dos tiroteios. Para o Ministério Público e para o magistrado responsável pelo caso, a atuação demonstra uma estrutura organizada de apoio ao tráfico, na qual pessoas ligadas à facção exercem funções específicas para proteger integrantes do grupo criminoso durante operações policiais. A decisão ressalta ainda que a rápida mobilização de motociclistas durante a Operação Contenção evidencia a capacidade de articulação do Comando Vermelho para reagir a grandes ações das forças de segurança, utilizando colaboradores para criar distrações e facilitar a fuga de traficantes sob pressão do cerco policial. Na avaliação da Justiça, a estratégia reforça os indícios de associação dos envolvidos à facção, que teria utilizado a ação coordenada como uma forma de preservar integrantes do grupo durante uma das maiores operações realizadas contra o Comando Vermelho na cidade do Rio de Janeiro.

Mulher que levou 34 facadas na Praça Seca só não foi morta porque traficantes intercederam

Os autos do processo contra acusadas de dar mais de 30 facadas em Hayannah de Almeida Vieira revelaram que a vítima só não foi morta porque a autora dos golpoes, Andrea Camilli Bezerra dos Santos interrompeu as agressões com a chegada dos integrantes do tráfico na Favela Bateau Mouche, na Praça Seca. Andrea foi amante do marido da vítima (um traficante já falecido). Ela foi presa assim como a ex-sogra de Hayannah, Jaqueline Alves Vasconcellos, que acusa a vítima da morte do filho. Uma das testemunhas diss ter presnciado Jaqueline segurando a vítima, enquanto Andrea desferia sucessivos golpes de faca. A declarante acrescentou que, ao perceber a aproximação de terceiros, Jaqueline passou a simular que tentava separar a agressão, circunstância que evidencia tentativa de ocultação de sua efetiva participação. Disse ainda que Andrea continuou agredindo a vítima e ameaçou de morte aqueles que tentavam socorrê-la, somente interrompendo as agressões após a chegada de integrantes do tráfico local. Outra testemunha afirmou que encontrou Hayannah gravemente ferida, perdendo grande quantidade de sangue, e visualizou Andrea portando faca ensanguentada, enquanto debochava da situação, chegando a questionar os presentes sobre o que iriam fazer contra ela. Uma terceira testemunha declarou que encontrou a vítima gravemente lesionada, visualizando Andrea Camilli portando faca com sangue na mão e demonstrando absoluto desprezo pela situação. Os autos informaram que os fatos ocorreram na madrugada do dia 31/05/2026, com o crime sendo noticiado na manhã do mesmo dia. As autoras residem na mesma comunidade onde a vítima habita, permanecendo esta internada em estado grave no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em situação de vulnerabilidade, Segundo consta dos autos, na madrugada do dia 31/05/2026, por volta das 04h30, ao retornar para sua residência localizada na comunidade Bateau Mouche, Praça Seca, a vítima foi emboscada por Jaqueline e Andrea , amante do falecido marido de Hayannah. A motivação do crime, conforme apurado, foi o relacionamento extraconjugal mantido por Andrea com o marido da vítima, já falecido.A dinâmica delitiva, conforme reconstruída a partir das provas colhidas, é a seguinte: Jaqueline imobilizou a vítima, segurando-a pelo corpo, enquanto Andrea desferiu sucessivos golpes de faca contra Hayannah. A vítima sofreu trinta e quatro perfurações distribuídas por diversas regiões do corpo, incluindo extremidades, dorso, face e região cervical esquerda, com perfuração do platisma supra-clavicular esquerdo, sendo necessária a realização de toracostomia fechada com drenagem torácica. Andrea e Jaqueline estão com as prisões preventivas decretadas.

Tráfico proíbe entrada de oficiais de Justiça na Penha (CV) e mandado deixa de ser cumprido por ameaça de morte

Um oficial de Justiça informou ao Tribunal de Justiça do Rio que deixou de cumprir um mandado na Penha após o tráfico de drogas supostamente proibir a entrada de agentes do Judiciário nas comunidades que integram o complexo. Em certidão anexada a um processo, o servidor relatou que criminosos ameaçam de morte qualquer oficial encontrado na região. O documento foi encaminhado ao cartório após a tentativa frustrada de cumprimento de uma ordem judicial. Segundo o oficial, a facção que controla as favelas do Complexo da Penha teria vetado o cumprimento de mandados em todas as ruas de acesso às comunidades. Na certidão, o servidor afirma que a diligência não foi realizada por causa do alto risco à integridade física dos agentes públicos. Ele também cita a presença constante de olheiros do tráfico e criminosos circulando armados com fuzis e metralhadoras pelas vias da região. O oficial relata ainda que o cenário ficou mais perigoso após uma grande operação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão em 28 de outubro que deixou 122 mortos, aumentando os riscos para a atuação de representantes do Estado na localidade. Antes de devolver o mandado sem cumprimento, o servidor informou ter tentado localizar a parte por telefone e meios eletrônicos, sem sucesso. Mesmo com a possibilidade de apoio da Polícia Militar, o oficial destacou que não haveria garantia de segurança para agentes do Judiciário, policiais ou moradores durante a realização da diligência. Diante da situação, o mandado foi devolvido ao cartório com a solicitação de um endereço alternativo para localização da pessoa que deveria ser intimada. A certidão expõe um cenário preocupante: segundo o relato oficial encaminhado à Justiça, o poder exercido pelo tráfico na região estaria impedindo até mesmo o cumprimento de ordens judiciais por servidores do Estado.

Peguei esse filho da p… e estou indo embora”: traficante do Complexo do Salgueiro é acusado de executar dono de provedor de internet por não obedecer ordens do Comando Vermelho em Magé

Um integrante do Comando Vermelho ligado ao Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, é acusado de executar o dono de um provedor de internet em Magé após a vítima se recusar a atender exigências impostas pelo tráfico de drogas que dominava a região da Vila Inca. A investigação aponta que o crime foi cometido para fortalecer o controle da facção sobre o mercado de provedores de internet e servir de exemplo para outras empresas que resistissem às ordens dos criminosos.. O crime ocorreu ano passasdo. A revelação consta em documentos da investigação que embasaram o pedido de prisão preventiva dos acusados. Segundo o Ministério Público, o homicídio está diretamente relacionado à disputa pelo controle dos serviços de internet na região, onde traficantes exigiam pagamento de propina e a instalação de câmeras de monitoramento para atender aos interesses da organização criminosa. Facção queria expulsar empresas de internet De acordo com a apuração, a vítima, identificada como Joanilson n Silva Gonçalves Júnior, de 29 anos, trabalhava com instalação de internet e teria se tornado alvo do tráfico após se recusar a colaborar com as exigências impostas pelos criminosos. Uma testemunha considerada fundamental para a investigação revelou à polícia que manteve um breve relacionamento com Mateus William, apontado como integrante do tráfico do Complexo do Salgueiro. Segundo seu depoimento, Mateus afirmou que os traficantes pretendiam retirar da Vila Inca todas as empresas de internet que não aceitassem colaborar com a facção. De acordo com a testemunha, ele chegou a dizer: “Vai ficar só a empresa que colaborou com eles.” Ainda segundo o relato, Mateus afirmou que Joanilson não havia aceitado as imposições do grupo criminoso. Adolescente teria sido usada para localizar a vítima As investigações apontam que, dias antes do assassinato, Mateus passou a utilizar a adolescente para monitorar os passos da vítima. Segundo o depoimento, ele determinou que ela o avisasse imediatamente caso Joanilson aparecesse na Vila Inca. A ordem teria sido acompanhada de uma ameaça de morte. No dia do crime, Mateus entrou em contato novamente perguntando se Joanilson estava realizando instalações de internet na região. A testemunha respondeu que sim. Pouco depois, o criminoso voltou a procurá-la. Desta vez queria saber exatamente onde o técnico estava. A localização foi repassada. Minutos depois, Joanilson seria morto. “Peguei esse filho da puta” Após a execução, Mateus teria feito contato com a testemunha e revelado o que havia acontecido. Segundo o termo de declaração anexado ao inquérito, ele afirmou: “Peguei, peguei esse filho da puta e estou indo embora.” Em outra conversa, segundo a investigação, o traficante admitiu a motivação do assassinato. “Matei o JOANILSON porque ele não quis respeitar a ordem do MANO.” A polícia identificou o homem citado como “Mano” como sendo um criminoso conhecido pelos apelidos de Manel e Zóio. Ordem teria partido de criminoso foragido Segundo a investigação, Mateus afirmou que o homicídio foi praticado a mando de Manel. Os investigadores apontam que o suspeito é um criminoso de alta periculosidade que estaria foragido do sistema prisional. A decisão menciona que contra ele existem quatro mandados de prisão pendentes e dezessete anotações criminais. Para a polícia, o crime foi uma demonstração de força da facção na região. Imagens registraram a fuga dos assassinos A investigação também reuniu imagens de câmeras de monitoramento instaladas na BR-116. Segundo o relatório policial, os equipamentos registraram dois homens praticando o crime e fugindo logo após a execução. As imagens passaram a integrar o conjunto de provas reunidas pela Polícia Civil. Família relatou ameaças anteriores Além das imagens, a polícia ouviu familiares e sócios da vítima. Os depoimentos apontaram que Joanilson já enfrentava problemas relacionados à atuação do Comando Vermelho sobre provedores de internet na região. As testemunhas relataram ameaças e pressões para que empresas aceitassem as condições impostas pelos traficantes. Segundo a investigação, a recusa da vítima em se submeter às exigências criminosas teria sido determinante para sua morte. Crime serviu para intimidar outros empresários Na avaliação do Ministério Público, o assassinato não teve apenas o objetivo de eliminar Joanilson. Os promotores sustentam que a execução possuía um caráter intimidatório. O objetivo seria demonstrar o poder da facção e enviar uma mensagem a outros prestadores de serviço que atuam na região. A manifestação do Ministério Público afirma que o homicídio foi praticado em um contexto de imposição territorial por organização criminosa, destinado a consolidar o domínio do Comando Vermelho sobre a Vila Inca. Acusado desapareceu após o crime A investigação aponta ainda que Mateus fugiu da região logo após o homicídio. Segundo a polícia, ele não foi mais localizado. Os autos registram que, mesmo intimado para prestar depoimento, o suspeito não compareceu à delegacia. Para os investigadores, a conduta demonstra tentativa de escapar da responsabilização criminal. Prisões preventivas foram pedidas Diante das provas reunidas, o Ministério Público apoiou o pedido da Polícia Civil para decretar a prisão preventiva dos acusados. O órgão destacou a gravidade do crime, o envolvimento com o Comando Vermelho, o risco de intimidação de testemunhas e a possibilidade de fuga dos investigados. A Promotoria também ressaltou que a liberdade dos suspeitos representaria ameaça à ordem pública e à continuidade das investigações. O caso expõe mais um capítulo da disputa pelo controle dos serviços de internet em áreas dominadas pelo crime organizado, onde provedores e trabalhadores do setor têm sido alvo de ameaças, extorsões e violência por parte de facções criminosas.

Preso nesta semana, ex-PM apontado como chefe do Comando Vermelho já foi acusado de autorizar execução de homem que denunciou crimes da facção em São Gonçalo. Corpo foi jogado em um mangue

Preso essa semana apontado como integrante antigo da cúpula da facção criminosa Comando Vermelho, o ex-PM paulista Márcio Silva de Souza, o Verdão, estava entre os suspeitos da morte de Adriano Caldas Rodrigues; Ele chegou a ter a prisão preventiva decretada mas foi impronunciado (se livrou do júri popular). A vítima, segundo a Justiça, havia noticiado, nos autos do inquérito nº 072-08353/2022, as atividades ilícitas que Verdão e comparsas cometiam na região dos fatos (São Gonçalo) e, em retaliação, ceifaram a sua vida. O crime ocorreu em 2024. A partir de declarações prestadas pelas testemunhas em sede policial, além da análise do delito em tela com o inquérito Policial nº 072-08353/2022, o qual apura a prática do crime de associação para o tráfico pelos acusados: Verdão, Playboy e Rondinelle. Todos possuíam bastante influência e conhecimento na região, havendo testemunhas que residem e trabalham próximo ao local do crime e possuem algum tipo de relação com os acusados, de modo que estas se encontravam temerosas com a liberdade de Verdão e de seus comparsas.Verdão, segundo as investigações, , autorizou que os comparsas procedessem à execução da vítima, sendo certo que exercia posição de liderança na associação criminosa instalada na comunidade na qual o crime ocorreu. Segundo os autos, os autores ocultaram o cadáver da vítima Adriano, ao abandonarem o seu corpo em um mangue situado no interior da Comunidade da Cerâmica. Frisa-se que o irmão da vítima, em buscas por Adriano, foi o responsável por localizar o seu corpo no dia 17/06/2024, no interior do mangue, tendo arrastado o cadáver até a Praia das Pedrinhas, situada no bairro Porto do Rosa/SG.Qiuem é Verdão De acordo com as investigações, o criminoso é ex-policial militar do estado de São Paulo e, após deixar a corporação, passou a integrar o crime organizado. Ao longo dos anos, “Verdão” se consolidou como um dos principais fornecedores de drogas da facção e exerceu influência em regiões estratégicas do Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio. Ainda de acordo com os agentes, ele ganhou notoriedade em 2003, quando foi preso em uma operação policial é apontado como responsável pelo abastecimento de drogas para diversas áreas dominadas pelo Comando Vermelho. Após passar cerca de 15 anos no sistema prisional, voltou à liberdade em 2018 e retomou posição de destaque na estrutura da organização criminosa. As investigações apontaram que o criminoso comandava as atividades da facção nas comunidades Porto do Rosa e Monte Verde, em São Gonçalo, sendo responsável pela coordenação do tráfico de drogas, controle territorial e gerenciamento de criminosos armados na região. Durante as diligências, os policiais constataram que ele utilizava documento falso para dificultar sua identificação e evitar o cumprimento de ordens judiciais. Contra o homem, foram cumpridos três mandados de prisão pelos crimes de tráfico de drogas, homicídio e associação para o tráfico.

Cobranças, ameaças e medo: como agia a milícia apontada por moradores após assassinato de comerciante em Belford Roxo

A morte do comerciante Leonel Braga da Silva, assassinado a tiros em Nova Aurora, Belford Roxo, trouxe novamente à tona as denúncias sobre a atuação da milícia que há anos é alvo de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público na região. Familiares da vítima afirmam que Leonel teria sido morto após se recusar a pagar uma taxa de R$ 100 exigida por criminosos para permitir o funcionamento de seu lava jato. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga a motivação do crime e não descarta nenhuma hipótese. O que já consta em investigações do Ministério Público, porém, é que a região onde o comerciante foi executado possui um histórico de denúncias envolvendo extorsões sistemáticas contra comerciantes, praticadas por integrantes da chamada “Milícia do Babi”, organização criminosa que já foi alvo de operações policiais e procedimentos do MPRJ. Cobrança porta a porta Documentos do Ministério Público revelam que policiais da P2 flagraram, em janeiro deste ano, um homem apontado como cobrador da milícia realizando arrecadações em diversos estabelecimentos comerciais de Nova Aurora. Segundo a denúncia, o esquema funcionava de forma simples e eficiente: um integrante da organização, normalmente desarmado, percorria os comércios recolhendo dinheiro dos proprietários. A ameaça era indireta, mas clara. De acordo com informações obtidas pela inteligência policial, os comerciantes eram informados de que, caso não efetuassem os pagamentos exigidos, a cobrança passaria a ser feita de forma violenta pelos chefes da organização criminosa. Durante a ação policial, os agentes afirmaram ter observado o suspeito entrando em diversos estabelecimentos, recolhendo valores e seguindo para o comércio seguinte. Após a abordagem, dinheiro em espécie e um aparelho celular foram apreendidos. Comerciantes dominados pelo medo A investigação revelou ainda um dos aspectos mais marcantes da atuação da milícia: o silêncio imposto às vítimas. Conforme relatado pelo Ministério Público, comerciantes confirmaram informalmente aos policiais que o homem atuava como arrecadador da organização criminosa. No entanto, quando foram convidados a prestar depoimento formal na delegacia, recusaram-se por medo de represálias. O receio de denunciar os criminosos é apontado por investigadores como uma das principais ferramentas utilizadas pela milícia para manter o controle territorial e financeiro da região. Taxas variavam conforme o tamanho do negócio As investigações apontam que os valores cobrados não eram fixos. Segundo o Ministério Público, as taxas semanais eram calculadas de acordo com o porte do estabelecimento e a capacidade de faturamento de cada comerciante. Entre as vítimas identificadas na investigação estavam proprietários de drogarias, oficinas mecânicas, lojas de ração, bazares e outros pequenos empreendimentos da região. O dinheiro arrecadado seria repassado a integrantes da estrutura financeira da milícia, que posteriormente prestariam contas aos líderes da organização. Grupo já era monitorado por autoridades A própria denúncia do Ministério Público destaca que existiam indícios de atuação de milícia privada na região e que as investigações deveriam prosseguir para identificar outros integrantes da organização criminosa. Na ocasião, os promotores solicitaram inclusive a quebra do sigilo de dados do celular apreendido com o suspeito para aprofundar a apuração sobre o funcionamento da quadrilha, sua contabilidade, forma de arrecadação e cadeia de comando. Morte reacende denúncias Agora, após o assassinato de Leonel Braga da Silva, moradores e familiares voltam a apontar a atuação da milícia como pano de fundo para a violência em Nova Aurora. Além da suposta cobrança de taxa para funcionamento do lava jato, parentes relatam que criminosos já teriam demonstrado interesse em adquirir o estabelecimento do comerciante anteriormente, proposta que teria sido recusada. A DHBF busca imagens de câmeras de segurança e outras provas que possam esclarecer a autoria e a motivação do homicídio. Enquanto a investigação avança, o caso lança novamente luz sobre um modelo de atuação que, segundo autoridades, se sustenta por meio de cobranças sistemáticas, intimidação de comerciantes e controle econômico de áreas inteiras da Baixada Fluminense.

Dias antes da morte de menino em Costa Barros, Justiça havia decretado prisão de traficante dono de festa da onde teria partido o tiro e de toda a cúpula do crime na Pedreira (TCP)

Em meio as suspeitas de que a bala que matou o menino Bento Costa Petillo Benze, de 12 anos, no Morro da Quitanda, em Costa Barros, tenha partido de uma festa, em comemoração ao aniversário do chefe do tráfico de drogas da região, Douglas Oliveira dos Santos, vulgo “Pudim ou Palmeiras, a Justiça decretou no último dia 27 a prisão deste bandido e de outros cinco bandidos que integram a linha de frente do tráfico no Complexo da Pedreira pelo crime de organização criminosa. O documento revela também a hierarquia do crime no Complexo da Pedreira. A investigação aponta a liderança de Raro (preso) apontado como “dono” da área e responsável por ordens e gestão da organização; a atuação de Coelho como braço armado e segundo na hierarquia; a função de “frente” exercidas por Morcego ou Cego e Menor D, com atuação operacional nas comunidades; a liderança de Neném em grupo armado próprio e de Pudim apontado como responsável pela comunidade da Quitanda. O inquérito policial apontou a existência de organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e hierarquia definida, voltada à prática de diversos crimes graves Sobre a morte de Bento, o tiro atingiu o peito do menino enquanto ele brincava na quadra do condomínio, localizado na Rua Capitão Gouveia.Bento estava na companhia do irmão, de 13 anos, que presenciou o momento em que ele foi baleado. A comunidade fica a 2 quilômetros de onde o garoto foi atingido.

Antes da tortura de duas mulheres em São Gonçalo, defesa de um dos mandantes alegou que bandido não era de alta periculosidade para ficar preso em Bangu 1

Antes de ser apontado pela Polícia Civil como um dos envolvidos na tortura de duas mulheres submetidas a um “tribunal do tráfico” na comunidade do Risca-Faca, em São Gonçalo, um dos investigados, vulgo Mumu, sustentava na Justiça que não possuía perfil de alta periculosidade para permanecer em Bangu 1, uma das unidades prisionais mais rígidas do estado. Em uma petição apresentada após sua prisão em outro processo, a defesa questionou a transferência do acusado para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, conhecida como Bangu 1. Segundo os advogados, ele foi o único entre sete denunciados encaminhado para a unidade de segurança máxima, apesar de, segundo a tese defensiva, não se enquadrar nos critérios normalmente utilizados para esse tipo de custódia. Os advogados também alegaram que a transferência teria ocorrido sem fundamentação adequada e relataram dificuldades enfrentadas pelo preso dentro da unidade, incluindo a falta de acesso ao banho de sol durante parte do período em que permaneceu custodiado, argumento utilizado para pedir sua remoção para um presídio comum. Meses depois, porém, o nome do suspeito voltou a aparecer em uma investigação relacionada a um dos episódios mais violentos registrados recentemente na região de São Gonçalo. Segundo a Polícia Civil, ele está entre os integrantes do Comando Vermelho investigados por participação nas agressões praticadas contra duas mulheres em 18 de maio deste ano, no interior da comunidade do Risca-Faca. De acordo com as investigações, as vítimas foram levadas ao chamado “tribunal do tráfico”, mecanismo de punição ilegal utilizado por facções criminosas. Elas teriam sido espancadas, humilhadas e obrigadas a se submeter a uma série de castigos impostos pelos traficantes. As mulheres tiveram os cabelos raspados e foram forçadas a caminhar pelas ruas da comunidade pedindo desculpas aos criminosos diante de moradores da região. As cenas foram registradas pelos próprios traficantes e posteriormente divulgadas nas redes sociais. Para os investigadores, a exposição das imagens teve o objetivo de intimidar a população local, reforçar o controle territorial da facção e demonstrar o poder exercido pelo grupo criminoso. Após a repercussão do caso, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) iniciou uma investigação que envolveu análise de vídeos, coleta de depoimentos, cruzamento de informações e diligências de inteligência. Segundo a Polícia Civil, o conjunto de provas reunido aponta a participação direta de integrantes da organização criminosa. As investigações também indicam que as ordens para a prática das torturas teriam partido de lideranças da facção com histórico de atuação no tráfico de drogas. Nesta terça-feira (2), agentes da DRE-CAP, com apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), realizaram uma operação na comunidade para cumprir mandados de busca e apreensão contra os investigados. Três pessoas foram presas. As investigações prosseguem para identificar todos os participantes das agressões e aprofundar a apuração sobre a atuação da facção na comunidade do Risca-Faca. O caso chama atenção porque, enquanto a defesa sustentava anteriormente que o investigado não apresentava características que justificassem sua permanência em uma unidade destinada a presos considerados de alta periculosidade, as apurações mais recentes o colocam entre os alvos de uma investigação envolvendo um episódio de extrema violência atribuído ao chamado tribunal do tráfico. Mumu era apontado como chefe do tráfico no Morro do Estado, em Niterói. Ele fo preso ano passado (Durante a ação, os policiais apreenderam um grande arsenal: dois fuzis Colt AR-15 calibre 5,56 mm, uma pistola Glock calibre 9 mm, 91 munições calibre 5,56 mm, nove munições calibre 9 mm, três munições calibre 45 mm, além de carregadores, 885 trouxinhas de maconha, duas capas de colete, um cinto tático e R$ 200 em dinheiro. Dois veículos, um Chevrolet Onix e um Chevrolet Prisma, ambos brancos, também foram apreendidos. Segundo a polícia, ‘Mumu’ possui duas anotações criminais por tráfico de drogas e uma por homicídi

Muito além do esconderijo: captura de chefe do Bonde do Maluco na Vila Aliança expõe parceria entre TCP e facção do Nordeste para armas, drogas e logística criminosa”

A prisão de Iago Santiago dos Santos, conhecido pelos apelidos de “Carioca” ou “Sábio”, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção Bonde do Maluco (BDM), de Pernambuco e Bahia, lança luz sobre uma relação cada vez mais ampla entre grupos criminosos de diferentes estados e o Terceiro Comando Puro (TCP), uma das maiores facções do Rio de Janeiro. Capturado nesta quarta-feira por agentes da Polícia Civil em uma operação com apoio do Projeto Captura, coordenado pelo Ministério da Justiça, Iago estava escondido na comunidade Vila Aliança, na Zona Oeste do Rio. Segundo as investigações, ele desembolsava cerca de R$ 3 mil por semana para permanecer protegido na região sob influência do TCP. O pagamento, segundo fontes da investigação, não representa apenas uma espécie de “aluguel” para permanecer na comunidade, mas evidencia uma estrutura criminosa que ultrapassa fronteiras estaduais e demonstra o grau de cooperação entre facções que atuam em diferentes regiões do país. Aliança criminosa vai além do refúgio Embora o caso tenha chamado atenção pelo valor pago para permanecer escondido no Rio, documentos de investigações apontam que a relação entre o BDM e o TCP é muito mais profunda do que a simples concessão de abrigo a foragidos. Segundo relatórios produzidos por autoridades que investigam a organização criminosa baiana, o BDM mantém articulação direta com facções do Sudeste, especialmente o TCP fluminense. A parceria envolveria não apenas a circulação de criminosos entre estados, mas também apoio logístico, operacional e intercâmbio de integrantes. As apurações indicam que a organização criminosa baiana utiliza essas conexões para obter acesso a carregamentos de drogas e armamentos de alto poder de fogo, além de contar com suporte para deslocamento e ocultação de integrantes procurados pela Justiça. Nesse cenário, o Rio de Janeiro se transformou em um dos principais destinos para criminosos de outros estados que buscam proteção em territórios controlados por facções armadas. Guerra entre facções e série de homicídios Iago possuía três mandados de prisão por homicídio expedidos pelos estados da Bahia e Pernambuco. Ele também é investigado por envolvimento em mais de 13 assassinatos relacionados à disputa entre grupos criminosos nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). As investigações apontam ainda sua participação no fornecimento de armas, veículos e apoio logístico para ações criminosas. A captura do suspeito ocorre em meio ao avanço das operações voltadas à localização de criminosos que deixam seus estados de origem e passam a utilizar comunidades do Rio como esconderijos estratégicos. Estrutura semelhante à de organizações mafiosas Relatórios de inteligência descrevem o BDM como uma das maiores organizações criminosas da Bahia, com presença em diversas regiões do estado e uma estrutura considerada sofisticada pelas autoridades. Segundo as investigações, a facção exerce domínio territorial sobre comunidades vulneráveis, impondo controle sobre moradores e explorando atividades ilícitas que vão além do tráfico de drogas. Entre elas estariam extorsões, cobrança de taxas de comerciantes, exploração de serviços clandestinos de transporte, fornecimento irregular de energia elétrica e redes ilegais de internet e televisão. As autoridades também destacam o uso recorrente da violência para consolidar poder nas áreas dominadas, incluindo torturas, espancamentos e homicídios, além da utilização de armamentos de uso restrito. Rio segue atraindo criminosos de outros estados A prisão de Iago reforça uma realidade já identificada por órgãos de segurança: facções de diferentes estados vêm fortalecendo alianças para garantir rotas de tráfico, proteção de integrantes e expansão de suas atividades criminosas. O fato de um líder do BDM estar escondido em território controlado pelo TCP, pagando valores semanais para permanecer na comunidade, é apontado por investigadores como mais um indício da integração crescente entre organizações criminosas que atuam em diferentes regiões do país, tornando o combate a essas estruturas um desafio cada vez mais complexo para as forças de segurança.

“Testemunhas detalham atuação de grupo de extermínio ligado ao TCP: execuções, ‘botes’ e mortes sob encomenda” para milícia, tráfico e contravenção

Recentemente, nossa reportagem publicou uma matéria informando que traficantes do Terceiro Comando Puro foram contratados para cometer um assassinato para pessoas ligadas ao bicheiro Rogério Andrade. Depoimentos prestados à Justiça e documentos de investigações da Delegacia de Homicídios revelam detalhes da atuação do grupo de extermínio formado por esses traficantes que, segundo investigadores, realizava assassinatos sob encomenda para diferentes setores do crime organizado no Rio de Janeiro. No centro das investigações aparecem Jhonathan Borges dos Reis, conhecido como “Esquilo”, já morto, e Caio Siqueira Ribeiro, o “Caio Piloto”, apontados por policiais civis como uma dupla especializada em execuções. Segundo os relatos reunidos nos processos, eles não estariam vinculados exclusivamente a uma única organização criminosa. Pelo contrário: a dupla teria prestado serviços para milicianos, traficantes e até integrantes da contravenção, funcionando como verdadeiros pistoleiros de aluguel. “Matavam para quem contratasse” Um dos trechos mais impactantes dos depoimentos foi dado pelo delegado Leandro Teixeira Costa, que atuou nas investigações. Segundo ele, as apurações apontaram que a dupla construiu uma reputação de extrema violência na Zona Oeste. “Eles começaram a se envolver com o crime e começaram a matar por aluguel, indiscriminadamente. Matavam para a milícia, matavam para o tráfico, quem contratasse eles matavam”, afirmou o delegado em juízo. A declaração reforça a suspeita de que o grupo não possuía fidelidade a uma única facção ou estrutura criminosa, atuando conforme os interesses de quem estivesse disposto a pagar pelas execuções. Execuções em série De acordo com os investigadores, diversas equipes da Delegacia de Homicídios chegaram ao nome da dupla durante apurações distintas. O modus operandi era praticamente sempre o mesmo. As vítimas eram surpreendidas por uma motocicleta. Caio conduzia o veículo e Esquilo ocupava a garupa. Quando se aproximavam do alvo, os disparos eram efetuados rapidamente e os criminosos fugiam logo em seguida. O apelido “Caio Piloto”, segundo os próprios investigadores, surgiu justamente porque ele seria o responsável por conduzir motos e carros utilizados nas execuções. “Sempre que o Esquilo estava, o Caio estava junto pilotando”, relatou o delegado responsável pelas investigações. Morte de policiais entrou no radar da DH A gravidade das suspeitas aumentou quando os nomes da dupla passaram a aparecer em investigações relacionadas ao assassinato de agentes de segurança. Segundo depoimentos prestados à Justiça, Esquilo tornou-se alvo prioritário após ser apontado como envolvido em crimes contra policiais. Um dos investigadores afirmou que uma operação da Delegacia de Homicídios voltada para casos envolvendo agentes de segurança foi desencadeada justamente após a morte de policiais. “O que gerou a prisão dele foi a morte de um policial militar e de um policial penal”, declarou o delegado Leandro Costa durante audiência. As investigações também apontavam que, após os assassinatos, armas das vítimas teriam sido levadas pelos criminosos. Ligação com a contravenção Além da atuação para milicianos e traficantes, os investigadores também citaram envolvimento da dupla em crimes relacionados à contravenção. Um policial civil afirmou em juízo que Esquilo era tratado nas investigações como um matador profissional. “Era um matador até de aluguel, de contrato. Inclusive está envolvido em homicídio ligado à contravenção do jogo do bicho”, declarou. A afirmação reforça uma das principais linhas investigativas da Delegacia de Homicídios: a de que a dupla teria se transformado em uma espécie de braço armado utilizado por diferentes grupos criminosos. Do apoio à milícia à aproximação com facção As investigações indicam que a trajetória criminosa da dupla teria passado por diferentes fases. Inicialmente, segundo os policiais, os suspeitos circulavam em áreas dominadas por milicianos na região de Guaratiba, Vargem Grande e adjacências. Posteriormente, passaram a atuar em conflitos ligados ao tráfico de drogas. Segundo os investigadores, no fim da trajetória criminosa ambos já estavam diretamente ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP). Os depoimentos apontam que os dois chegaram a residir na comunidade da Vila do João, no Complexo da Maré, de onde saíam para realizar execuções e ações ligadas à expansão territorial da facção na Zona Oeste. Testemunha descreveu dupla como “matadores” Uma testemunha ouvida em outra investigação também atribuiu à dupla a prática de diversos homicídios. Segundo o depoimento, Esquilo e Caio eram conhecidos na região por realizar assassinatos sob encomenda. O relato afirma que: Esquilo seria o executor;Caio atuaria como motorista e pilotoExecuções ligadas aos chamados “botes” As investigações revelam que parte dos homicídios atribuídos à dupla estaria relacionada aos chamados “botes”, expressão utilizada no mundo do crime para designar furtos, roubos, desvios de dinheiro, drogas ou mercadorias pertencentes a traficantes e milicianos. Segundo os autos, a execução de Helivelton Ragazzi Marcelino, conhecido como “Pitico”, teria sido motivada justamente por um conflito desse tipo. De acordo com testemunhas e investigadores, Pitico teria criado problemas para uma “estica” — ponto de venda de drogas ligado a Esquilo — provocando prejuízos aos interesses do grupo criminoso. Um dos depoimentos afirma que a vítima teria dado um “bote” em um dos homens que trabalhavam para Esquilo na comercialização de entorpecentes. A reação teria sido imediata. Pouco depois, Pitico foi executado a tiros em Barra de Guaratiba. Outro homicídio teria ocorrido após adulteração de drogas Os autos também mencionam o assassinato de um homem identificado como Felipe. Segundo relato prestado por uma testemunha à Polícia Civil, Felipe teria sido morto após supostamente adulterar cargas de cocaína pertencentes ao grupo criminoso. O depoimento aponta que ele teria aberto pacotes da droga e alterado seu conteúdo, causando prejuízo financeiro aos traficantes. A suposta traição teria resultado em uma sentença de morte. Investigadores afirmam que testemunhas atribuíram a execução à dupla formada por Esquilo e Caio. Um histórico marcado por mortes Embora cada caso possua investigação própria, os depoimentos reunidos pela Justiça apontam para um padrão que se repetia constantemente: assassinatos realizados em motocicletas, ataques rápidos, vítimas ligadas a disputas do crime organizado e motivações frequentemente relacionadas a dívidas, traições, “botes” ou conflitos entre grupos criminosos. Para os investigadores que atuaram nos inquéritos, o histórico atribuído à dupla revela uma estrutura que ultrapassava as disputas locais e operava como um verdadeiro grupo de extermínio a serviço de diferentes interesses

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