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“Creio que não vamos ter problema?” Prints mostram supostos traficantes extorquindo moradores e comerciantes do Complexo de Israel (TCP). Origem não foi confirmada

Prints divulgados nas redes sociais mostram supostos traficantes que seriam do Complexo de Israel exigindo dinheiro de moradores e comerciantes. Um deles se identifica como responsável pela Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica Pau. Ele disse que teria umas pessoas presas na Cidade da Polícia e estavam fazendo contatos com todos os moradores e comerciantes da comunidade para fechar um valor que poderia ser entre 50 e 100 reais. Ele ainda fez uma ameaça velada. “Creio que não vamos ter problema?” Não há claro confirmação de que se tratam mesmo de traficantes do Complexo de Israel Já houve histórias em que pessoas se passavam por milicianos e traficantes para extorquir os outros mas fica o registro da denúncia.

Complexo de Israel (TCP): investigações revelam tráfico que cobra taxas, controla serviços, mantém homens armados e trava guerras pelo território

As operações policiais realizadas desde a última sexta-feira (21) no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, acontecem em um território que, segundo uma investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, é submetido a uma estrutura criminosa muito mais ampla do que o comércio de drogas. A denúncia descreve uma organização ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP) que teria construído um sistema de poder baseado em tráfico, extorsões, exploração de serviços, cobrança de taxas, controle territorial, violência e uma estrutura armada utilizada contra rivais e agentes do Estado. O processo reúne informações sobre a atuação do grupo nas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Pica-pau e Cinco Bocas. Segundo o Ministério Público, a organização teria se estruturado para obter vantagens econômicas não apenas com a venda de entorpecentes, mas também com a exploração de outros serviços existentes no território. Entre as atividades apontadas pela investigação estão o fornecimento de TV a cabo, internet e a cobrança de taxas de funcionamento de estabelecimentos comerciais e de serviços. Também são mencionadas cobranças relacionadas a telecomunicações, distribuição de sinais de internet e transportes alternativos. Na avaliação do Ministério Público, o modelo de atuação apresentava características semelhantes às de uma milícia, razão pela qual a denúncia utiliza a expressão “narcomilícia” para descrever a estrutura. A organização, segundo a acusação, teria como objetivo ampliar o domínio territorial e transformar esse controle em fonte permanente de arrecadação. Estrutura hierarquizada e divisão de funções A denúncia descreve uma organização estruturalmente ordenada, permanente e com divisão de tarefas. No topo, segundo o Ministério Público, está Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como principal líder da organização. A investigação afirma que ele exerceria comando sobre o grupo e seria responsável pela administração da sistemática de arrecadação de aluguéis e taxas de funcionamento de comércio e serviços no chamado Complexo de Israel. Peixão também é apontado na denúncia como mandante de homicídios, torturas e invasões armadas a imóveis e áreas dominadas por grupos rivais. Ainda segundo o Ministério Público, foi durante sua liderança que o território controlado pelo grupo teria se expandido significativamente. A denúncia também atribui ao líder a imposição da fé cristã aos moradores das áreas dominadas. Abaixo da principal liderança, a investigação identificou diferentes funções. Um dos integrantes é apontado como braço direito e liderança do tráfico em Parada de Lucas, enquanto outro, mesmo estando preso, teria mantido posição de prestígio na hierarquia do TCP e continuado a se comunicar com subordinados, inclusive para autorizar ou orientar ações relacionadas a invasões de outras comunidades. Outro integrante, também atuando de dentro do sistema prisional, é apontado como responsável pela coordenação de invasões a comunidades rivais e pela execução de desafetos de Peixão, além de exercer influência sobre uma comunidade localizada em Duque de Caxias. Há ainda integrantes identificados como responsáveis pelo gerenciamento de pontos de venda de drogas em Cinco Bocas e Cidade Alta. Foi justamente a quebra do sigilo de dados de um dos celulares apreendidos durante a investigação que permitiu, segundo o Ministério Público, reunir um grande acervo de conversas entre integrantes da organização. Esse integrante também teria sido identificado em imagens publicadas em redes sociais ostentando armas de grosso calibre, um caderno de anotações do tráfico e fazendo gestos relacionados à facção. Outro denunciado é apontado como liderança do tráfico em uma área controlada pelo grupo fora da capital, no Buraco do Boi, em Nova Iguaçu. Segundo a investigação, ele aparecia em redes sociais em pontos de venda de drogas e ao lado de integrantes armados da organização. Braço armado e homens responsáveis pela segurança A estrutura tinha ainda uma camada dedicada exclusivamente à força. Um dos integrantes é apontado como braço armado da organização na Cidade Alta, tendo atuado anteriormente como segurança de uma liderança. A investigação afirma que ele ostentava armas de fogo em redes sociais e comemorava a morte de traficantes rivais. Outro integrante é apontado como responsável pelo gerenciamento das bocas de fumo da Cidade Alta e como um dos homens de confiança de Peixão, contando inclusive com segurança própria. Também havia criminosos responsáveis especificamente pela segurança das bocas de fumo e pela contenção de invasões de rivais e operações policiais. A denúncia cita, inclusive, um episódio em que um desses integrantes teria efetuado disparos contra uma guarnição da Polícia Militar que, ao tentar escapar do trânsito, acabou entrando na comunidade. Outro integrante exerceria a função de segurança armada, especialmente na Cidade Alta, enquanto outro atuaria como vendedor de drogas, descrito na investigação como responsável pela comercialização dos entorpecentes dentro da comunidade. A investigação aponta ainda outros três integrantes como seguranças armados da organização, sendo um deles descrito pelos investigadores como particularmente violento. O Ministério Público ressalta que os chamados “soldados do tráfico” exerciam também a função de proteger criminosos que ocupavam posições superiores na hierarquia da organização, permanecendo constantemente armados e utilizando outros equipamentos bélicos. Nem o SAMU escapou do domínio territorial Um dos episódios descritos no processo ajuda a mostrar até onde, segundo a investigação, chegava o controle exercido pelos criminosos. Em 2 de maio de 2022, uma ambulância do SAMU foi chamada para atender uma emergência dentro de uma comunidade. Quando a equipe chegou ao local, um integrante apontado pela investigação como segurança armado da organização abordou a técnica de enfermagem e o motorista da ambulância e determinou que eles deixassem a comunidade, alegando que naquele momento ocorria uma operação policial. O episódio demonstra, segundo os elementos reunidos na investigação, que os criminosos não se limitavam a controlar atividades diretamente relacionadas ao tráfico. Eles também impunham regras sobre a circulação de serviços públicos e de emergência dentro do território, utilizando a força e a ameaça como instrumento de controle. Menores também participavam da estrutura A investigação identificou ainda a participação de adolescentes na organização criminosa liderada por Peixão. Segundo o Ministério Público, menores de idade participavam ativamente de atividades de interesse da facção. A presença de adolescentes se somava à utilização de homens armados para garantir a vigilância das

De ‘sniper’ do tráfico a chefe da extorsão: bandido preso é apontado como líder de esquema do TCP que aterrorizava condomínios na Pavuna

Apontado no passado como “sniper” e um dos principais seguranças do tráfico no Complexo da Pedreira, Luís Henrique Ferreira de Melo, o “Angolano”, agora é apontado pela Polícia Civil como líder de um esquema de extorsão de condomínios na Pavuna, na Zona Norte do Rio. A 39ª DP (Pavuna) deflagrou nesta sexta-feira (14) uma operação para desarticular o grupo, que obrigava síndicos a romper contratos de segurança e entregar o serviço a uma empresa ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP). Atualmente preso, Angolano tem uma longa trajetória dentro da estrutura criminosa antes de aparecer como suposto chefe do esquema investigado atualmente. Aos 21 anos, ele foi apontado em investigações anteriores como o “sniper” do tráfico no Morro da Lagartixa, em Barros Filho. Armado com um fuzil equipado com luneta e mira a laser, ocupava pontos estratégicos da comunidade para atacar policiais e integrantes de grupos rivais. Mas sua função dentro do tráfico não se limitava à atuação como atirador. Em processo do Tribunal de Justiça do Rio, Angolano foi descrito como um dos mais importantes “seguranças” do Complexo da Pedreira. Seu posto habitual era o Morro da Lagartixa, mas ele seria deslocado para outras comunidades do complexo quando havia risco de invasão por quadrilhas rivais ou operações policiais, ficando responsável pela organização da segurança armada. Ele já atua desde os tempos do traficante Celso Pimenta, o Playboy, que mandava na área na época da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos) Os autos apontavam ainda que ele eventualmente exercia funções de gerência do tráfico, determinando a quantidade de material entorpecente que deveria ser preparado e o volume que seria distribuído nas bocas de fumo. Agora, segundo a investigação da 39ª DP, Angolano estaria à frente de uma estrutura que encontrou nos condomínios uma nova fonte de exploração financeira. Como funcionava o esquema De acordo com a investigação, traficantes ligados ao TCP, com influência na Comunidade da Quitanda e no Complexo da Pedreira, passaram a pressionar condomínios da Pavuna para assumir o controle dos serviços de segurança. A estratégia não era simplesmente oferecer uma empresa aos moradores: os síndicos eram coagidos a cancelar contratos que já estavam em vigor e a contratar uma empresa indicada pelo grupo criminoso. A pressão era feita por meio de ameaças. Os criminosos deixavam claro que poderiam criar problemas dentro dos próprios condomínios caso os responsáveis não obedecessem às determinações. Entre as ameaças investigadas estava a possibilidade de permitir a entrada de usuários de drogas nos condomínios. Outra ameaça era ainda mais direta: os criminosos poderiam determinar a quebra de muros divisórios entre áreas residenciais. Dessa forma, a organização utilizava o poder exercido pelo tráfico na região para criar uma espécie de mercado de segurança compulsório. Os moradores eram submetidos a uma escolha que, na prática, não era uma escolha: para ter a promessa de segurança e tranquilidade, precisavam aceitar a empresa indicada pelos criminosos. Depois da contratação, os moradores eram obrigados a arcar com taxas mensais pelo serviço. O dinheiro dos condomínios, portanto, passava a alimentar uma atividade empresarial imposta sob ameaça pela estrutura criminosa. A investigação identificou ainda diferentes papéis dentro da engrenagem. Um dos envolvidos seria responsável por funcionar como intermediário entre a liderança criminosa e os demais integrantes, recebendo as determinações e repassando as ordens para quem atuava diretamente junto aos condomínios. Outro alvo da operação é um síndico que, segundo a polícia, teria sido o único responsável por um condomínio a aderir ao contrato imposto pelos criminosos. A partir daí, ainda segundo as apurações, a relação teria ido além da simples contratação. O síndico teria passado a obter vantagens e trabalhar informalmente para a empresa indicada pelo grupo, criando uma conexão entre a administração do condomínio e o esquema investigado. Do controle armado à exploração dos condomínios O caso chama atenção pela trajetória atribuída ao principal investigado. O mesmo criminoso que, anos atrás, aparecia em investigações como homem encarregado da segurança armada do Complexo da Pedreira e como atirador de elite do tráfico é agora apontado como líder de uma estrutura que, segundo a Polícia Civil, teria utilizado a força da facção para avançar sobre uma atividade econômica fora das comunidades. A investigação mostra como o domínio territorial pode ser utilizado não apenas para proteger pontos de venda de drogas, mas também para impor serviços e gerar novas fontes de renda para a organização criminosa. Nesta sexta-feira, policiais civis cumprem mandados de busca e apreensão em endereços na Pavuna e em Costa Barros, com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC). Um dos mandados relacionados a Angolano foi cumprido no sistema penitenciário, já que ele se encontra preso. A operação busca reunir novas provas sobre o funcionamento do esquema, identificar outros integrantes e aprofundar a investigação sobre a atuação do grupo nos condomínios da região.

TCP SOB PRESSÃO: facção perde territórios para o CV, contra-ataca e tenta reconstruir seu mapa de poder no Rio

O Terceiro Comando Puro (TCP) atravessa um dos períodos mais turbulentos de sua história recente no Rio de Janeiro. Desde 2025, a facção perdeu territórios importantes para o Comando Vermelho (CV), passou a enfrentar novas ofensivas em áreas consideradas estratégicas e, paralelamente, iniciou uma série de contra-ataques para recuperar espaços e impedir o avanço rival. O resultado é um cenário de disputas territoriais simultâneas, com confrontos em diferentes regiões da capital e também em Niterói, enquanto o grupo mantém sob seu domínio alguns de seus principais complexos. 1. 2025: o ano em que o TCP começou a perder terreno Depois de anos de confrontos, o TCP perdeu para o Comando Vermelho o controle do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte. A derrota não foi isolada. A facção também deixou de controlar os morros do Fubá e do Campinho, que passaram para o domínio do CV. As perdas atingiram áreas importantes do mapa criminal da cidade e aumentaram a pressão sobre o TCP, que passou a adotar uma postura mais ofensiva em outras regiões para tentar recuperar espaço. 2. Juramento virou uma das principais frentes de batalha Uma das disputas mais persistentes ocorre no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. O TCP vem tentando tomar a comunidade do CV e, segundo relatos, chegou a conseguir entrar no território em algumas ocasiões. O problema, porém, seria a dificuldade de manter homens no local de forma permanente. A disputa transformou o Juramento em uma das principais frentes de confronto entre as duas facções. À frente de parte dessa ofensiva está Walace de Brito Trindade, o Lacoste, apontado como chefe do Complexo da Serrinha, em Madureira. 3. Cordovil e Brás de Pina: uma guerra marcada por avanços e recuos Outra frente de conflito surgiu recentemente em Cordovil e Brás de Pina. O TCP conseguiu tomar do CV os morros do Dourado e da Tinta, mas posteriormente perdeu as áreas e voltou a recuperá-las. A disputa, entretanto, permanece aberta. Os confrontos nessa região ganharam um componente particularmente perigoso: o uso de drones para lançar granadas, com episódios que já deixaram moradores inocentes feridos. A escalada colocou essas comunidades entre os principais pontos de tensão da guerra entre as duas facções. 4. Jardim América também entrou no mapa da guerra O TCP também passou a enfrentar o CV no Jardim América, ampliando o número de frentes de confronto simultâneas. A multiplicação das disputas mostra que a guerra deixou de estar concentrada em poucos territórios e passou a envolver diferentes áreas da Zona Norte e da Zona Oeste. 5. Tijuca: territórios do TCP estão sob pressão Se existe uma região especialmente problemática para o TCP atualmente, é a Tijuca. Os morros da Casa Branca, Cruz e Chácara do Céu vêm sendo alvos constantes de ataques do CV. A violência chegou diretamente aos moradores. Nos morros Cruz e Chácara do Céu, mãe e filha foram feridas por granadas lançadas de drones durante os confrontos. Em meio aos ataques, criminosos ligados ao TCP também conseguiram matar um rival, apreender um fuzil atribuído ao CV e divulgar imagens nas redes sociais em tom de provocação. A violência foi tanta que os bandidos exibiram um video do suposto inimigo morto com o rosto completamente desfigurado e qie teria tido o corpo queimado. 6. Costa Barros e Barros Filho: outra área de risco O avanço do CV também atingiu territórios ligados ao TCP em Costa Barros e Barros Filho. A facção chegou a perder o controle do Morro do Chaves e do Bairro 13, no Complexo da Pedreira. A região se tornou mais um ponto de pressão sobre o grupo, que precisa administrar simultaneamente territórios ameaçados e novas tentativas de expansão. Operações policiais têm provocado resistência na região com traficantes espalhando caos pelas ruas. 7. Niterói: TCP tenta recuperar áreas perdidas A guerra não está restrita à capital. Em Niterói, o TCP se envolveu em uma intensa disputa pelo controle do Fonsequistão, região que esteve sob domínio da facção durante anos. O grupo conseguiu recuperar algumas áreas, mas a disputa demonstra que o cenário de instabilidade territorial também se espalhou para outros municípios da Região Metropolitana. Na Baixada, o TCP teria sido alijado de São João de Meriti e enfrentou golpes que resultaram em perdas e disputas por territórios com o CV em Belford Roxo. 8. Vargem Grande: uma derrota provocada por uma mudança de lado Outra perda recente ocorreu em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio. Uma mudança brusca no equilíbrio entre os grupos criminosos provocou a perda dos redutos que estavam sob influência do TCP, que acabaram passando para o CV. O episódio representa mais uma redução da presença territorial da facção na capital. 9. Aliança com milicianos amplia o campo de batalha Pressionado pelo avanço do CV, o TCP também passou a estabelecer alianças com grupos de milícia. Essa aproximação colocou a facção em disputas pelo controle de áreas da Zona Oeste, especialmente em regiões como Rio das Pedras e Curicica, em Jacarepaguá. O fenômeno tornou o mapa criminal ainda mais complexo, com alianças circunstanciais e inimigos que podem variar de acordo com o território. 10. Peixão: uma das principais lideranças do TCP Entre as principais figuras do TCP está Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como liderança do Complexo de Israel. Depois de passar um período escondido na Bolívia, Peixão retornou ao Rio de Janeiro. Pouco depois, a região sob sua influência passou a ser palco de uma nova frente de guerra contra o CV, especialmente em Cordovil. 11. Lacoste e a pressão sobre o Juramento Outra liderança de destaque é Walace de Brito Trindade, o Lacoste, apontado como comandante do Complexo da Serrinha, em Madureira. Seu nome aparece associado às ofensivas contra o CV no Juramento, uma das áreas onde o TCP tenta ampliar novamente sua presença territorial. 12. Apesar das perdas, TCP ainda controla grandes complexos O avanço do CV não significa que o TCP esteja próximo de desaparecer do mapa criminal do Rio. A facção ainda mantém o

MILÍCIA QUIS TOMAR CONTA DA ÁGUA E DO GÁS EM BÚZIOS: GRUPO IMPUNHA FORNECEDORES, PREÇOS E COBRANÇAS A COMERCIANTE

Uma investigação da Polícia Civil, posteriormente analisada pela Justiça do Rio de Janeiro, revela uma atuação de milícia privada voltada ao controle econômico de comerciantes de água e gás em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o grupo não se limitava à cobrança de valores. Os integrantes são acusados de determinar de quem os comerciantes poderiam comprar mercadorias, impedir a entrada de produtos adquiridos em outros municípios, roubar cargas e impor aumento de preços para financiar a própria estrutura criminosa. Os detalhes aparecem no processo de habeas corpus nº 0033453-73.2026.8.19.0000, analisado pela Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. De acordo com a acusação, os episódios ocorreram principalmente entre os dias 3 e 10 de abril de 2026 e tiveram como alvo comerciantes que trabalhavam com a distribuição e revenda de botijões de gás e galões de água. BOTIJÕES DE GÁS VIRARAM ALVO DO GRUPO Um dos primeiros episódios relatados na investigação ocorreu em 3 de abril. Segundo a denúncia, W.G.O teria sido abordado por integrantes do grupo e ameaçado para que passasse a adquirir botijões de gás exclusivamente da Supergasbras. A ordem, segundo a acusação, vinha acompanhada de uma ameaça direta: caso o comerciante não obedecesse, sua mercadoria poderia ser subtraída. No mesmo dia, um segundo comerciante, identificado como José Roberto da Hora Mendes, teria sido abordado enquanto transportava sete botijões de gás adquiridos em Cabo Frio para revenda em Búzios. Segundo seu relato à polícia, dois homens que estavam em um Jeep Renegade prata interceptaram o comerciante e levaram os sete botijões. A justificativa apresentada pelos suspeitos, de acordo com a investigação, era que aqueles produtos não poderiam ser revendidos em Búzios porque haviam sido adquiridos fora dos fornecedores determinados pelo grupo. O caso, segundo o Ministério Público, não terminou com o roubo da carga. José Roberto teria passado a receber mensagens pelo WhatsApp nas quais era novamente advertido de que não poderia comercializar produtos comprados de fornecedores diferentes daqueles indicados pelos suspeitos. AMEAÇAS PARA CONTROLAR QUEM PODIA FORNECER GÁS A investigação aponta que a estratégia era mais ampla. No dia 7 de abril, R.R.O teria sido abordado e, segundo a acusação, recebeu uma determinação semelhante: comprar botijões exclusivamente dos depósitos Supergasbras ou Fontoura Gás. Caso desobedecesse, poderia sofrer prejuízos ou ter sua mercadoria subtraída. O padrão descrito pela investigação chama atenção porque indica uma tentativa de estabelecer controle sobre a origem das mercadorias que circulavam no município. Na prática, segundo a acusação, comerciantes seriam impedidos de buscar produtos onde encontrassem melhores condições comerciais e obrigados a seguir fornecedores previamente escolhidos pelo grupo. ÁGUA: O PRÓXIMO PASSO DO ESQUEMA A partir de 9 de abril, segundo a investigação, o foco também passou a ser o comércio de água. Nesse dia, quatro dos denunciados teriam comparecido ao estabelecimento Depósito JW Bebidas e Cia, localizado na Avenida José Bento Ribeiro Dantas, na Rasa. Segundo o relato da vítima J.W.C, os suspeitos determinaram que o preço dos galões de água fosse aumentado em R$ 2 por unidade. O dinheiro adicional, de acordo com a acusação, deveria ser repassado à organização. A alternativa apresentada ao comerciante seria ainda mais direta: passar a comprar os produtos diretamente dos integrantes do grupo. A ameaça, segundo a denúncia, era de que, caso não obedecesse, sua atividade comercial poderia ser inviabilizada. O mesmo procedimento teria sido aplicado contra outro comerciante, Doque dos Santos Machado. Segundo seu depoimento, os integrantes do grupo também exigiram o aumento de R$ 2 no preço de cada galão. O valor adicional deveria ser recolhido pela organização a cada viagem de entrega. Doque também teria relatado que recebeu novas cobranças por meio do WhatsApp. NÃO ERA APENAS EXTORSÃO: INVESTIGAÇÃO APONTA ESTRUTURA DE DOMÍNIO ECONÔMICO É justamente nesse ponto que a investigação ganha uma dimensão maior. Para o Ministério Público, os episódios não constituíam crimes isolados praticados por indivíduos sem conexão. A acusação sustenta que os denunciados constituíram e integraram uma milícia particular com a finalidade de praticar crimes patrimoniais, especialmente roubos e extorsões contra comerciantes de água e gás em Búzios. O objetivo apontado pela acusação era exercer uma forma de poder paralelo sobre um setor da economia local. O grupo, segundo o Ministério Público, teria utilizado ameaças para determinar: É uma dinâmica que ultrapassa a tradicional cobrança de dinheiro por proteção. A acusação descreve uma tentativa de interferir diretamente no funcionamento do mercado, criando regras próprias e utilizando a ameaça e a violência para obrigar comerciantes a cumpri-las. O JEEP RENEGADE QUE ENTROU NO RADAR DA POLÍCIA O veículo utilizado pelo grupo também acabou se tornando uma das peças importantes da investigação. Segundo os autos, aproximadamente 15 dias antes da prisão, a unidade policial já vinha recebendo denúncias sobre indivíduos que utilizavam um Jeep Renegade para abordar comerciantes e obrigá-los a comprar produtos exclusivamente de fornecedores determinados. No dia 10 de abril, por volta das 10h, policiais civis receberam informações do centro de monitoramento sobre o deslocamento do veículo, que já era investigado por suposto envolvimento em extorsões em Búzios. A equipe saiu de Cabo Frio em direção ao município e localizou o Renegade na Avenida José Bento Ribeiro Dantas, nas proximidades do bairro Marina. A abordagem foi realizada em conjunto com equipes da Polícia Militar. Dentro do veículo estavam, segundo os autos, Pablo, Gustavo e Matheus. DINHEIRO, CELULARES E ANOTAÇÕES COM DADOS DE COMERCIANTES A busca no veículo encontrou elementos que, segundo a investigação, reforçaram a suspeita de que havia uma estrutura organizada por trás das abordagens. Foram apreendidos sete aparelhos celulares, R$ 10.200 em dinheiro vivo e diversas anotações. Os registros continham, segundo os autos, endereços de estabelecimentos comerciais que trabalhavam com água e gás, valores, números de CNPJ e chaves Pix. O material passou a ser considerado pela acusação como indicativo de uma atividade organizada e contínua. Também foi apreendido com Pablo o valor de R$ 647 em espécie, apontado na investigação como possivelmente relacionado à atividade criminosa. Os três homens foram presos e conduzidos

Denúncia aponta que traficantes do CV estariam ligando para casa de moradores de comunidades de Cordovil exigindo dinheiro. “Deram ordem para pagar R$ 600 anuais”. LEIA DEPOIMENTO

Como se já não bastasse o terror vivido pelos moradores com os constantes tiroteios na região de Cordovil e Brás de Pina em razão da guerra entre traficantes do Terceiro Comando Puro e do Comando Vermelho, agora surgem denúncias de que os bandidos estariam supostamente ligando para a casa das pessoas exigindo dinheiro e ameaçando quem se recusar a pagar. Leia esse depoimento que circulou nas redes sociais Tiriça é um traficante que agia na Praça Seca e Jacarepaguá e teria sido indicado pelo chefão do CV, Doca, para intervir na guerra com o TCP nas comunidades do Dourado e da Tinta. O CV teria retomado do TCP o controle das comunidades no último fim de semana. E no domingo, atacou a Cidade Alta e a Cinco Bocas deixando um morto. O TCP, em contrapartida, na última madrugada teria ido até o Morro do Adeus, em Bonsucesso, onde foram registrados tiros.

PM expulsa sargento condenado por sequestrar, espancar e extorquir mulher depois de mais de quatro anos do crime

A Polícia Militar do Rio de Janeiro expulsou, somente agora, mais de quatro anos depois do crime, o 3º sargento Roquelaine Peres Campelo, condenado a 23 anos, seis meses e 20 dias de prisão por participar do sequestro, espancamento, roubo e extorsão de uma mulher. Os crimes ocorreram entre os dias 17 e 18 de fevereiro de 2022, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, e no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. De acordo com a condenação criminal e com o processo disciplinar, o policial agiu com outros criminosos para atrair a vítima até um bar em Olinda, em Nilópolis. No local, ela foi agredida e obrigada a entrar no veículo utilizado pelo grupo. Na sequência, os criminosos foram até a residência da mulher e roubaram diversos bens, entre eles celular, televisão, ventiladores e tênis. A vítima foi então levada para o Recreio dos Bandeirantes, onde permaneceu privada de sua liberdade por mais de 12 horas. Segundo as decisões judiciais, o grupo exigia que ela pagasse R$ 30 mil. A mulher foi brutalmente agredida com golpes de taco de beisebol e coronhadas no rosto e na cabeça. Ela sofreu múltiplas fraturas no braço, lesões nas costelas e perdeu parcialmente a visão de um dos olhos. Após ser mantida em um cativeiro improvisado, a vítima conseguiu escapar na manhã seguinte. Sargento foi condenado a 23 anos de prisão Em agosto de 2024, a 1ª Vara Criminal de Nilópolis condenou Roquelaine pelos crimes de roubo majorado, extorsão e cárcere privado. A pena foi fixada em 23 anos, seis meses e 20 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado, além de 60 dias-multa. A Justiça também determinou a perda do cargo de policial militar, considerando que a prática de crimes violentos era completamente incompatível com o exercício da função. A defesa recorreu, mas a condenação foi mantida integralmente pela 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em agosto de 2025. A perda da função pública também foi mantida. Mesmo assim, a exclusão administrativa dos quadros da PM só foi publicada em julho de 2026, mais de quatro anos após a prática dos crimes e quase dois anos depois da condenação em primeira instância. Negou participação Durante o Conselho de Disciplina, o sargento negou as acusações. Ele afirmou que apenas havia dado uma carona a uma das envolvidas e sustentou que a vítima teria entrado voluntariamente no veículo. Também negou ter participado das agressões, do roubo, da extorsão e do uso de arma de fogo. A versão, no entanto, foi rejeitada pelo Conselho de Disciplina. O processo destacou que a condenação criminal foi baseada em depoimentos, reconhecimentos, laudos periciais e imagens de câmeras de segurança. Segundo a decisão administrativa, as provas demonstraram que o policial teve participação direta na ação e que era responsável por comandar a atuação dos demais envolvidos. O Conselho concluiu que o comportamento do sargento era incompatível com a permanência na corporação. Comandante-geral da PM decidiu, então, excluir Roquelaine Peres Campelo “a bem da disciplina” dos quadros da Polícia Militar. O policial já havia sido condenado criminalmente e perdido o cargo por decisão judicial. A expulsão administrativa, porém, só foi formalizada mais de quatro anos depois do violento crime.

“‘TAXA’, MORTE E VIGILÂNCIA: ESCUTAS INÉDITAS EXPÕEM OS BASTIDORES DA MILÍCIA QUE DOMINAVA ÁREAS DE QUEIMADOS”

Depois de um fato que foi amplamente noticiado pela imprensa com vídeo e tudo de um tiroteio entre milicianos rivais em Queimados no dia 21 de junho de 2024 que terminou com a morte de um homem e a prisão de cinco suspeitos, a polícia foi a fundo na investigação contra o grupo após rastrear um dos celulares apreendidos. Dois anos depois, a Justiça abriu processo contra a quadrilha. Foram encontrados elementos que confirmaram o envolvimento de todos os prsos com a milícia atuante em Queimados. Os agentes recuperaram i mensagens trocadas entre os de-nunciados, tanto por meio de chat de conversa privada, quanto por grupos de WhatsApp, destacando-se, dentre eles, o denominado grupo “Futebol dos Amigos”, destinado, especialmente, ao monitoramento da atividade policial e de grupos rivais, com informes em tempo real sobre a localização de viaturas das polícias militar e civil em áreas dominadas pela milícia, notadamente nos arredores dos condomínios residenciais José Metódio, José Marttins, Laurindo Moreira e Sebastião Torres. A análise dos dados do celular confirmou que outras empreitadas foram realizadas pelo bando tendo como objetivo executar criminosos de grupos rivais. Para tanto, os denunciados se valiam de extensa rede de informantes, que enviavam dados sobre a localização, veículos e vestimentas utilizadas pelos alvos. Os policiais conseguiram obter na galeria de imagens do aparelho celular fotografias que mostravam o poderio bélico do bando que possuía fuzis, pistolas, coletes e fardas policiais usados para o cometimento dos crimes de extorsões e homicídios. Os bandidos faziam até falsas blitzes para abordar motoristas de aplicativos. As mensagens trocadas pelo dono do celular, vulgo Bibi, com seus comparsas evidenciaram que o grupo criminoso disputava o domínio territorial de Queimados com outro grupo miliciano, tendo por finalidade o controle financeiro decorrente das extorsões de comerciantes e mototaxistas, sendo Bibi peça-chave na engrenagem criminosa. E tal disputa territorial é levada ao extremo pelos denunciados, a ponto de valerem-se de armas de grosso calibre, veículos clonados e informantes, tudo com o claro objetivo da eliminação da vida alheia e consequente vitória da guerra urbana. Soldado e cobrador da milícia, Bibi atuava tanto nas extorsões de comerciantes e mototaxistas, como no planejamento e execução dos homicídios praticados pelo grupo. Em um dos diálogos com um comparsa já falecido vulgo DG7 ele tratou da extorsão de mototaxistas e do planejamento de execução de criminosos rivais: “Mano, a gente tem que ir lá, entendeu mano, fazer a reuni-ão, entendeu mano, acertar isso daí, mano. Irmão, passou de meio dia, vai rolar os juros, entendeu mano. Porra, lá fora o bagulho é mais caro, mano, mas vamos fazer o dinheiro. O bagulho vem na risca, na sexta-feira. Nós, porra, não dá papo não dá nada… vagabundo que fazer nós de otário Bibi: “Igual Wallace…Dia todo que passei na rua, ele bebendo. Ai nem pagou a porra do ponto ainda, entendeu. E até mesmo os ouros demais também” Em outra conversa com DG, Bibi indagou: “Geral pagou? Geral pagou, viadão? Dá o papo?” DG: “Sapatão, acho que perdeu…O cara pegou a moto, arrumou uma moto lá. Vai me mandar amanhã. Jussara perdeu os documentos, carteira com dinheiro…falou que vai mandar também. DG: “E aquele Jonathan, mano, pediu para avisar que não ia rodar essa semana não. Que ia resolver um problema de saúde. Ai não ia pagar essa semana, tá ligado” Outra figura de destaque na milícia era o criminoso vulgo Elefante, também soldado e cobrador da milícia. Foi comprovado sua participação nos atos extorsionários. Seu vulgo era bastante conhecido no universo criminoso de Queimados. A tática de usar um codinome distinto do seu real nome ou mesmo do seu vulgo foi utilizada por outros diversos integrantes da milícia de Queimados, sempre com a finalidade de não serem identificados no curso das investigações. Elefante que também era chamado de Elefantinho agia em dupla com Bibi tanto na cobrança das extorsões, quanto no planejamento e execução de homicídios. Foi comprovado também o envolvimento de uma mulher vulgo Tia MCG”, que passou a integrar a milícia fornecendo informações de milicianos rivais em troca de cesta básica, e mensagens a respeito de extorsões de empresas de internet: “Sabe qual é o ruim, Elefante. Que naquele dia eu falei com todo mundo, o caralho a quatro, falou que ia mandar o bagulho lá pra mina, coisa e tal, entendeu, que a mina estava precisando de um bagulho lá pra filha dela. A gente ia ver se ia mandar uma cesta básica ou kit danone, o caralho a quatro… não mandou. Po, ficar mandando mensagem é foda, mano, entendeu. A gente quer ser ajudada, as pessoas também gosta também de ser ajudado, entendeu, mano?” Elefante: “Po, irmão, mas não seguiu a cesta básica pra mulher lá não, mano? não seguiu a cesta básica pra mulher lá não, mano? Tu não falou com o irmão não, cara? Vamos correr atrás aí, cara para mandar a cesta básica para a mulher hoje, mano (…) Só agarrar uma cesta básica, filho, e seguir pra ela, depois a gente fala com o irmão, mano. Vamos ver se a gente resolve essa porra hoje. Mano eu vou chegar nesses caras, porra. Eu vou chegar. Confia. Olha aí, eu vou te mandar uns negócios” Bibi: “Então, mano. O irmão ia ligar, naquele dia que eu fui em São João levar o material do Chucky. Não ligou, entendeu, ma-no. Tem que ver isso daí, pra levar uma pra ela lá, vamos ver se a gente agarra uma no Belmonte, entendeu” Elefante: “Mano, faz contato com ela e fala que a cesta básica dela vai seguir hoje, entendeu. Fala: “po, me desculpa que eu ta-va na correria ai, aconteceu umas paradas aí, a gente teve que dar uma saída da cidade, me perdoa mesmo. Entendeu, mas o negócio da sua filha vai seguir. A gente vai seguir aí o negócio da sua filha e depois a gente vai seguir um dinheiro ai também pra tu poder comprar o danone e os biscoitos das crianças, entendeu. A gente já vai fazer

Condomínio sob domínio da milícia de Juninho Varão tinha cobrança de ‘segurança’, venda forçada de produtos e sistema organizado de arrecadação. Mulher era peça-chave no esquema

Uma investigação da Polícia Civil revelou detalhes sobre a atuação da organização paramilitar ligada à liderança de Gilson Ingrácio de Souza Junior, o “Juninho Varão”, apontado como chefe da milicia que manteria o controle sobre moradores do Condomínio Jardim Guandu, na Baixada Fluminense. Segundo a investigação, o condomínio seria dominado por milicianos, que explorariam economicamente os moradores por meio da imposição da aquisição de produtos e serviços, especialmente gás e mantimentos, além da cobrança sistemática de valores sob a justificativa de uma suposta “segurança”. As denúncias, recebidas de forma frequente e reiterada pelo Disque Denúncia e por outros canais institucionais, apontam para um esquema de exploração dos moradores que, em tese, envolveria práticas de extorsão e esbulho possessório. A apuração é conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO-IE), no âmbito do Inquérito Policial nº 405-00102/2026, instaurado para investigar a atuação da organização paramilitar vinculada a “Juninho Varão”. A investigação aponta que o esquema contaria com uma estrutura organizada para controlar, registrar e administrar o dinheiro arrecadado dos moradores. Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão judicial, deferido em regime de plantão no processo nº 0033229-35.2026.8.19.0001, os policiais apreenderam em um imóvel localizado no interior do condomínio talonários de recibos, controles de cobrança, escrituras e diversos documentos compatíveis com a arrecadação sistemática de valores provenientes das extorsões. O imóvel era ocupado por uma mulher que, segundo informações de inteligência, exerceria uma função ativa na organização criminosa, especialmente na arrecadação dos valores cobrados dos moradores. A análise preliminar do celular apreendido com ela, realizada com autorização judicial, revelou grupos e conversas estruturadas voltadas à cobrança de moradores. O aparelho também continha informações sobre o monitoramento de ações policiais, inclusive referências diretas à atuação da unidade responsável pela investigação e à autoridade policial que subscreveu a representação. Para os investigadores, o material apreendido demonstra a existência de organização, divisão de tarefas e funções específicas dentro da estrutura criminosa. Os elementos encontrados — incluindo registros manuscritos, diálogos e comprovantes de pagamentos — indicariam que a mulher exercia a função de gerenciar a arrecadação dos valores extorquidos dos moradores, controlando e registrando os pagamentos ilícitos exigidos mediante coação. A função, segundo a investigação, já vinha sendo delineada durante a apuração e teria sido confirmada pelo material apreendido. Investigação também relaciona grupo a homicídio A organização investigada também é relacionada a crimes violentos. Em uma investigação recente sobre um homicídio ocorrido na Baixada Fluminense, formalizada no Registro de Ocorrência nº 861-0866/2025, a mãe da vítima relatou que o filho teria sido morto por milicianos ligados à liderança de “Juninho Varão”. Segundo o relato, integrantes do grupo atuariam e residiriam no Condomínio Jardim Guandu. A mulher apontou ainda Felipe Alves da Silva, companheiro da investigada, como um dos envolvidos diretamente no homicídio. Para a polícia, a informação reforça a possível ligação do núcleo familiar da mulher com a estrutura criminosa violenta investigada. Celulares roubados Durante a operação, os policiais também constataram que dois celulares encontrados com a mulher possuíam registros de roubo em sistemas oficiais. Um dos aparelhos era um Motorola Moto G8 Power, relacionado ao Registro de Ocorrência nº 35-03843/2021, com o IMEI nº 359097101021775. O outro era um Apple iPhone 14 Pro Max, relacionado ao Registro de Ocorrência nº 044-04457/2025, com os IMEIs nº 355901946584307 e 355901946880184. Segundo a investigação, a manutenção dos aparelhos na posse da conduzida, sem comprovação de origem lícita, poderia configurar, em tese, o crime de receptação, previsto no artigo 180 do Código Penal. A apuração prossegue para identificar outros integrantes da organização, esclarecer a extensão do domínio exercido pela milícia sobre o condomínio e aprofundar a investigação sobre o sistema de cobrança, arrecadação e controle imposto aos moradores.

Juninho Varão estaria supostamente cobrando taxas de motoristas de aplicativo em Nova Iguaçu, aponta denúncia

Informação ainda extra-oficial que circula na Internet aponta que o miliciano Gilson Ingrácio, conhecido como Juninho Varão estaria supostamente impondo uma taxa ilegal a motoristas de aplicativo que atuam em regiões sob domínio de sua facção na Baixada Fluminense A cobrança aconteceria nas proximidades de Cabuçu, KM32, Guandu, Valverde e outras localidades de Nova Iguaçu controladas pelo grupo. Segundo relatos de profissionais, estaria sendo exigido o pagamento de R$ 50,00 por semana para que possam realizar corridas na região;​ Quem se recusa a pagar sofre represálias: veículos são destruídos como forma de aviso;​ Em casos mais graves, motoristas são sequestrados e executados. A informação circula entre trabalhadores de aplicativo, que temem denunciar por medo de represálias. Até o momento, não há confirmação oficial de investigação policial divulgada publicamente.

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