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Cobranças, ameaças e medo: como agia a milícia apontada por moradores após assassinato de comerciante em Belford Roxo

A morte do comerciante Leonel Braga da Silva, assassinado a tiros em Nova Aurora, Belford Roxo, trouxe novamente à tona as denúncias sobre a atuação da milícia que há anos é alvo de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público na região. Familiares da vítima afirmam que Leonel teria sido morto após se recusar a pagar uma taxa de R$ 100 exigida por criminosos para permitir o funcionamento de seu lava jato. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga a motivação do crime e não descarta nenhuma hipótese. O que já consta em investigações do Ministério Público, porém, é que a região onde o comerciante foi executado possui um histórico de denúncias envolvendo extorsões sistemáticas contra comerciantes, praticadas por integrantes da chamada “Milícia do Babi”, organização criminosa que já foi alvo de operações policiais e procedimentos do MPRJ. Cobrança porta a porta Documentos do Ministério Público revelam que policiais da P2 flagraram, em janeiro deste ano, um homem apontado como cobrador da milícia realizando arrecadações em diversos estabelecimentos comerciais de Nova Aurora. Segundo a denúncia, o esquema funcionava de forma simples e eficiente: um integrante da organização, normalmente desarmado, percorria os comércios recolhendo dinheiro dos proprietários. A ameaça era indireta, mas clara. De acordo com informações obtidas pela inteligência policial, os comerciantes eram informados de que, caso não efetuassem os pagamentos exigidos, a cobrança passaria a ser feita de forma violenta pelos chefes da organização criminosa. Durante a ação policial, os agentes afirmaram ter observado o suspeito entrando em diversos estabelecimentos, recolhendo valores e seguindo para o comércio seguinte. Após a abordagem, dinheiro em espécie e um aparelho celular foram apreendidos. Comerciantes dominados pelo medo A investigação revelou ainda um dos aspectos mais marcantes da atuação da milícia: o silêncio imposto às vítimas. Conforme relatado pelo Ministério Público, comerciantes confirmaram informalmente aos policiais que o homem atuava como arrecadador da organização criminosa. No entanto, quando foram convidados a prestar depoimento formal na delegacia, recusaram-se por medo de represálias. O receio de denunciar os criminosos é apontado por investigadores como uma das principais ferramentas utilizadas pela milícia para manter o controle territorial e financeiro da região. Taxas variavam conforme o tamanho do negócio As investigações apontam que os valores cobrados não eram fixos. Segundo o Ministério Público, as taxas semanais eram calculadas de acordo com o porte do estabelecimento e a capacidade de faturamento de cada comerciante. Entre as vítimas identificadas na investigação estavam proprietários de drogarias, oficinas mecânicas, lojas de ração, bazares e outros pequenos empreendimentos da região. O dinheiro arrecadado seria repassado a integrantes da estrutura financeira da milícia, que posteriormente prestariam contas aos líderes da organização. Grupo já era monitorado por autoridades A própria denúncia do Ministério Público destaca que existiam indícios de atuação de milícia privada na região e que as investigações deveriam prosseguir para identificar outros integrantes da organização criminosa. Na ocasião, os promotores solicitaram inclusive a quebra do sigilo de dados do celular apreendido com o suspeito para aprofundar a apuração sobre o funcionamento da quadrilha, sua contabilidade, forma de arrecadação e cadeia de comando. Morte reacende denúncias Agora, após o assassinato de Leonel Braga da Silva, moradores e familiares voltam a apontar a atuação da milícia como pano de fundo para a violência em Nova Aurora. Além da suposta cobrança de taxa para funcionamento do lava jato, parentes relatam que criminosos já teriam demonstrado interesse em adquirir o estabelecimento do comerciante anteriormente, proposta que teria sido recusada. A DHBF busca imagens de câmeras de segurança e outras provas que possam esclarecer a autoria e a motivação do homicídio. Enquanto a investigação avança, o caso lança novamente luz sobre um modelo de atuação que, segundo autoridades, se sustenta por meio de cobranças sistemáticas, intimidação de comerciantes e controle econômico de áreas inteiras da Baixada Fluminense.

MAIS UM ESCÂNDALO REVELADO: Quase 4 anos depois, Justiça tira das ruas PMs acusados de arrancar propina em euros de turista na Estrada do Joá

Quase quatro anos após um escandaloso caso de corrupção policial ocorrido na Zona Sul do Rio, a Justiça Militar decidiu afastar das ruas três policiais militares acusados de extorquir um turista estrangeiro durante uma abordagem na Estrada do Joá, em São Conrado. A decisão foi assinada pelo juiz da Auditoria da Justiça Militar que recebeu denúncia do Ministério Público contra um 2º sargento, um 3º sargento e um cabo da PM pelo crime de concussão — quando um agente público exige vantagem indevida usando o cargo. Segundo a denúncia, os PMs teriam exigido 2.500 euros de um passageiro estrangeiro após abordarem o veículo de aplicativo em que ele estava. Apesar da gravidade das acusações, a decisão que afastou os policiais da atividade operacional só ocorreu anos após o episódio, ocorrido em junho de 2023, fato que chama atenção diante da denúncia de corrupção envolvendo agentes armados em serviço. Abordagem terminou em suposta cobrança de propina em euros De acordo com o Inquérito Policial Militar, o caso aconteceu por volta das 18h50 na Estrada do Joá. A vítima estava em um carro de aplicativo quando foi abordada pela equipe policial. Segundo o Ministério Público, os agentes obrigaram o passageiro a desembarcar enquanto realizavam revista pessoal e inspeção da bagagem. Durante a abordagem, a vítima informou que carregava determinada quantia em euros. Em seguida, os policiais encontraram medicamentos na mala do passageiro. Foi nesse momento, segundo a denúncia, que os agentes passaram a afirmar que o estrangeiro seria conduzido para a delegacia. O Ministério Público afirma que o 2º sargento iniciou então uma conversa reservada com a vítima, enquanto os outros dois PMs permaneceram próximos, garantindo apoio e “superioridade numérica” durante a ação. Ainda segundo a acusação, o policial exigiu o pagamento de 2.500 euros para não levar o passageiro à delegacia. Após entregar o dinheiro, a vítima foi liberada e seguiu viagem. Justiça vê “risco inaceitável” em manter PMs nas ruas Ao receber a denúncia, a Justiça Militar entendeu que existem indícios suficientes para abertura da ação penal e classificou a conduta investigada como extremamente grave. Na decisão, o magistrado afirmou que os policiais, em tese, utilizaram o cargo e a função pública para exigir vantagem indevida da vítima. O juiz destacou ainda que a permanência dos acusados na atividade policial ostensiva representa ameaça à sociedade. “As condutas são especialmente reprováveis por terem se valido de seus cargos para exigirem quantia indevida da vítima, violando a proteção desta e constituindo risco inaceitável para a sociedade”, destacou a decisão. Diante disso, a Justiça determinou: Os três permanecerão apenas em funções administrativas até nova decisão judicial. Investigação reuniu escalas, registros e documentos internos Segundo a decisão, o Inquérito Policial Militar reuniu: A Justiça Militar entendeu que a denúncia do Ministério Público descreve de maneira individualizada a participação de cada policial no caso. Os PMs responderão pelo crime de concussão, previsto no Código Penal Militar, cuja pena pode chegar a oito anos de prisão. O processo seguirá agora para a fase de instrução criminal na Auditoria da Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro.

“‘Manda Dar Uns Esporros’: Escutas Explodem Esquema de Milícia na Baixada e Revelam Ameaças, Guerra por Território e Suspeita de Corrupção Policial”

Novas novas escutas extraídas dos celulares apreendidos pelo Ministério Público revelam, com riqueza de detalhes, o funcionamento interno da milícia que atuava em Belford Roxo e Duque de Caxias. Os diálogos mostram uma organização criminosa estruturada, marcada por ameaças constantes, violência contra comerciantes, disputa armada por território e fortes indícios de corrupção policial dentro do esquema criminoso. Segundo a investigação, o grupo atuava principalmente nos bairros Wona, Lote XV e Vale das Mangueiras, em Belford Roxo, além da comunidade da Talbinha, em Duque de Caxias. A quadrilha é acusada de praticar extorsões, torturas e homicídios de desafetos, impondo medo em comerciantes e moradores das regiões dominadas. O material considerado mais explosivo pelos investigadores surgiu após a prisão em flagrante de integrantes da milícia que realizavam cobranças de comerciantes. Com eles, policiais apreenderam aparelhos celulares que tiveram o sigilo quebrado pela Justiça. A extração dos dados revelou áudios, mensagens e conversas que desmontam o funcionamento interno da organização criminosa. Segundo o Ministério Público, as provas mostram que a milícia era comandada pelos criminosos Diego dos Santos Souza, o “Cabeça de Ouro”, e Carlos Adriano Pereira Evaristo, o “Carlinhos da Padaria” ou “CL”, que continuavam dando ordens de dentro do sistema penitenciário com livre acesso a celulares. As escutas revelam que o grupo possuía divisão de tarefas, cobradores, gerentes e operadores responsáveis pela arrecadação das extorsões contra comerciantes e mototaxistas. Um dos principais nomes citados nas conversas é Angelo Adriano de Jesus Guarany, o “Magrinho”, apontado como gerente dos cobradores e elo entre os executores das extorsões e os líderes presos. As mensagens mostram o clima de intimidação imposto pela quadrilha. Em uma conversa de 18 de janeiro de 2025, logo após realizar uma cobrança em um estabelecimento comercial, Rafael Messias, o “Fael”, entra em contato com “Magrinho” relatando a reação de uma funcionária que teria resistido ao pagamento da taxa da milícia: “Pô, uma mulher gordinha, viado, uma mulher arrogante pra caralho, marrentona a mulher, entendeu? Mas eu não trato ninguém na ignorância, né mano.” Na sequência, ele deixa claro que o grupo estava impondo cobrança obrigatória aos comerciantes da região: “Aí eu falei com ela mano, que a partir de semana que vem tem que pagar.” A funcionária tenta se afastar da situação: “Aí ela falou assim: ‘Ué, tu não fala com ele? Fala com ele aí, avisa ele aí, não é comigo não, eu não quero falar no telefone não porque eu sou funcionária, eu não posso falar no telefone’.” O diálogo fica ainda mais grave quando “Fael” sugere represálias físicas contra a mulher: “Se for funcionária manda dar uns esporros nela também pra ela se ligar também irmão, pra ela aprender a falar com os outros, entendeu?” O criminoso ainda admite que quase partiu para violência: “Eu sou ignorante pra caralho mano, mas eu me segurei, entendeu mano? Que eu não sei se é parente do amigo aí também, entendeu mano? Por consideração ao amigo aí a gente não falou nada, ficamos quieto.” Depois, ele encerra a prestação de contas sobre a cobrança realizada: “Aí tu vê aí, maninho, valeu? Estamos juntos.” “Já é então, irmão, já é, estamos juntos.” “Já foi, já foi já, irmão. Já pegamos já.” Segundo os investigadores, os áudios mostram como comerciantes eram pressionados através do medo e da ameaça de violência física para aceitar as cobranças impostas pela milícia. As escutas também revelam o funcionamento financeiro da organização criminosa. No dia 4 de fevereiro de 2025, o miliciano Gabriel, o “Biel”, entra em contato com “Magrinho” para prestar contas da arrecadação do dia: “Fala filho do JUNINHO, acabei de chegar em casa. Acabei de pegar as duas FARMÁCIAS agora, fala tu. Faz o que? Tu vem aqui, alguém vem? Passa a visão.” “Magrinho” responde: “Calma aí que eu tô falando com o viado aqui pra ele pegar aí.” Dias depois, em nova conversa, “Biel” relata a transferência dos valores arrecadados: “Mandei 400 reais.” “300 do negócio.” “Falta os da noite.” Para o Ministério Público, os diálogos comprovam a existência de uma estrutura organizada de arrecadação criminosa, com prestação de contas e divisão de funções dentro da milícia. Mas as conversas consideradas mais sensíveis da investigação são as que apontam para a possível participação de policiais e agentes de segurança dentro do esquema criminoso. No dia 11 de fevereiro de 2025, “Biel” informa a “Magrinho” que um homem ligado à milícia rival do “Bombeirinho”, identificado nas escutas pelo código “88”, apareceu em uma farmácia tentando descobrir quem estava realizando as cobranças no local. A fala chama atenção pela maneira como o suspeito se apresenta: “Ele chegou falando: ‘não pô, aqui é o amigo da SEGURANÇA, pá, não sei o que, quem foi que passou aí e pegou hoje?’” Para os investigadores, a referência direta à “SEGURANÇA” reforça a suspeita de envolvimento de policiais civis e militares no funcionamento da milícia. Na sequência, “Biel” relata que a funcionária acabou revelando sua identidade: “A mulher da FARMÁCIA ainda falou o meu nome ainda.” “Aí a mulher, sem querer, sem maldade, falou meu nome, GABRIEL.” Mesmo identificado, o criminoso demonstra sensação de proteção e impunidade: “Pode falar, qualquer um que falar aí pode falar meu nome.” “Que eu dou meu nome pra geral.” Logo depois, ele ameaça o rival: “É que eu não tenho o número desse arrombado, senão eu ia falar umas caralhadas de merda pra ele.” “‘Mano, você tu vai tentar de novo?’” Em seguida, “Magrinho” pede imagens do homem ligado ao grupo rival para identificá-lo futuramente: “Mano, já que ela te mandou mensagem aí, pede pra ela mandar um vídeo, cara, de quem foi lá.” O trecho seguinte é considerado um dos mais graves da investigação: “Pede pra ela: ‘pô, amiga, me ajuda aí, só pra eu saber quem é, tá ligado, se ver na rua saber quem é, pra estar esperando alguma coisa’.” Para os investigadores, a expressão “estar esperando alguma coisa” indica possível preparação para ataque armado ou execução ligada à disputa territorial entre milicianos rivais. “Magrinho” continua: “Tenta desenrolar

Comerciante foi morto em Caxias por não aceitar comprar mercadorias com traficantes do TCP

Um comerciante chamado Jailton foi assassinado por traficantes do Terceiro Comando Puro em Duque de Caxias. O rapaz foi morto dentro do próprio estabelecimento por não ceder a pressão dos criminosos em comprar mercadoria com eles por um preço bem maior. Os bandidos também o acusavam de ser informante da polícia. Segundo relatos, os autores seriam traficantes vulgos WL e Chupa Lata. Eles estavam em uma moto e havia uma outra vermelha com mais dois suspeitos ainda não identificados. O deputado estadual Marcelo Dino comentou sobre o caso nas suas redes sociais. Quem trabalha honestamente no Rio de Janeiro está sendo colocado contra a parede pelo crime organizado.Essa foi mais uma história absurda que chegou até mim em Duque de Caxias:um comerciante perdeu a própria vida porque se recusou a obedecer as ordens do tráfico.E olha o nível da crueldade…O trabalhador já era obrigado a pagar taxa para traficantes. Mas agora eles querem controlar até o que o comerciante compra, obrigando comerciantes a adquirir mercadorias mais caras ou até produtos de origem criminosa para alimentar o sistema deles.Ele disse “não”.E pagou com a vida.Enquanto muitos romantizam comunidade dominada pelo tráfico, a realidade é essa:famílias vivendo com medo, comerciantes sendo extorquidos e o povo pagando mais caro até no pão e no ovo por causa do domínio criminoso.Eu já entrei em contato com a 60ª DP e com o 15º BPM e tenho confiança no trabalho das forças de segurança para identificar e prender os responsáveis.O trabalhador não pode viver ajoelhado para bandido.E o Rio de Janeiro não pode aceitar que facções ditem regras dentro das comunidades.E digo mais:fiquem atentos.Daqui a pouco vai aparecer político querendo fazer acordo velado com criminoso para conseguir entrar em comunidade em época de eleição.Quem anda de mãos dadas com o crime não representa o povo.

DRACO DIZ QUE COMERCIANTES DAS ZONAS NORTE E OESTE DO RIO SÃO FORÇADOS PELA MILÍCIA A COMPARECER A LOCAIS PARA COMPRAR FARINHA DE TRIGO SOB MIRA DE FUZIS

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas recebeu, no dia 18 de abril, uma denúncia que expõe um esquema grave de exploração econômica com características típicas de atuação miliciana nas zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com o documento obtido pela reportagem, as informações chegaram por meio de um canal institucional de denúncias anônimas e apontam que comerciantes estariam sendo coagidos a comparecer a locais previamente determinados, em datas específicas, para a retirada compulsória de mercadorias. Segundo o relato, os pontos de entrega são controlados por homens fortemente armados, portando fuzis e pistolas, que exercem vigilância ostensiva sobre a movimentação. A presença constante dos criminosos cria um ambiente de intimidação absoluta, anulando qualquer possibilidade de resistência por parte das vítimas. Ainda conforme a denúncia, os comerciantes vêm sendo obrigados, mediante grave ameaça, a adquirir insumos alimentícios — principalmente farinha de trigo — de fornecedores previamente indicados pelo grupo criminoso. A imposição ocorre em condições consideradas abusivas, com exigência de compra em quantidades superiores à demanda real, preços inflacionados e produtos de qualidade inferior. Quem se recusa a cumprir as ordens, segundo o documento, fica sujeito a retaliações que vão desde o fechamento do estabelecimento até ameaças à integridade física. Na prática, o esquema descrito aponta para a substituição do livre mercado por um monopólio criminoso, imposto mediante o uso da força. A dinâmica da operação também revela um nível de organização voltado a dificultar a ação das autoridades. Os comerciantes são convocados em datas variáveis, sem padrão fixo, e direcionados a locais fechados, sem qualquer identificação externa e inacessíveis ao público em geral. A estratégia, segundo os investigadores, reforça o caráter clandestino da atividade e indica planejamento estruturado. A denúncia se diferencia de informes anteriores recebidos pela polícia por apresentar elementos concretos de tempo, modo e local, incluindo a indicação de datas específicas para retirada das mercadorias e a presença ostensiva de homens armados nos pontos de entrega, o que confere maior precisão e possibilidade de verificação às informações. Diante desse cenário, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro entendeu que há indícios de atividade criminosa em plena execução, com impacto direto sobre a ordem pública e a livre iniciativa. Levantamento preliminar do setor de inteligência identificou que os endereços mencionados na denúncia correspondem a empresas formalmente constituídas. Entre os locais citados estão uma distribuidora de alimentos em Madureira, um galpão na Estrada dos Gouveias, em Santa Cruz, e uma empresa do mesmo ramo em Campo Grande. Segundo a análise, há indícios de um entrelaçamento societário entre essas empresas, com compartilhamento de sócios, endereços e atividades, o que pode indicar a existência de uma estrutura empresarial utilizada para dar aparência de legalidade ao esquema. Diante dos elementos levantados, a Polícia Civil representou à Justiça pela expedição de mandados de busca e apreensão nas sedes das empresas e também nos endereços residenciais de sócios e administradores. A avaliação é de que documentos, registros informais, dispositivos eletrônicos e valores em espécie possam estar sendo mantidos fora dos estabelecimentos comerciais como forma de dificultar a investigação. A urgência da medida é reforçada por uma informação considerada crucial: comerciantes teriam sido convocados a comparecer ainda no mesmo fim de semana em que a denúncia foi feita, a um endereço em Madureira, para retirada das mercadorias impostas. Segundo o documento, o local estaria sendo guarnecido por diversos homens armados, caracterizando, na avaliação dos investigadores, um cenário de prática criminosa em curso ou prestes a se consumar. A polícia alerta que a demora na adoção de medidas pode resultar no perecimento de provas, seja pela rápida circulação das mercadorias, seja pela possibilidade de ocultação ou destruição de documentos e dispositivos eletrônicos, além de permitir a continuidade do esquema em larga escala.

Alvo de atiradores que mataram três pessoas em Nova Iguaçu, miliciano morto era um dos responsáveis por pagar propinas a PMs

A chacina de três mortos ocorrida durante a semana em Austin, em Nova Iguaçu, continua trazendo desdobramentos sobre o histórico da criminalidade no local. Segundo investigações do início desta década, o principal alvo dos atiradores, Vitor da Paixão Aragão, o Vitinho da Biqueira, tinha como uma da suas principais atribuições dentro da milícia que agia na região pagar propinas a PMs. A quadrilha realizava o pagamento de arrego aos agentes lotados no DPO de Austin’, regularmente, para que esses deixassem de repreender as ações delituosas do grupo, de acordo com a investigação. Em uma escuta telefônica feita à época, Vitinho informou a um policial que precisava “desenrolar uma meta” com ele e um colega de farda. Segundo as investigações, o pagamento da propina era subsidiado por quantias em dinheiro arrecadadas pela organização criminosa, proveniente de taxa recolhida junto aos mototaxistas da região, para que estes pudessem circular livremente pela localidade. A investigação revelou que naquela época chegou a haver um racha na quadrilha com o chefe do grupo, Marquinho Alemão, ordenando a morte de Vitinho ao saber que ele estaria ameaçando matá-lo. Vitinho chegou a se tornar um dos líderes da milícia com a prisão de Alemão. Vitinho dava ordens aos seus comandados, notadamente aqueles que realizavam o recolhimento de”taxa”de comerciantes e mototaxistas da localidade, bem como organizava e participava de empreitadas criminosas juntamente com outros milicianos. Ele também era considerado um dos matadores da milícia sendo acusado de dois homicídios cujos corpos das vitimas foram deixados no Arco Metropolitano, conforme nossa reportagem divulgou durante a semana. A investigação revelou que fazia parte também desta milícia um indivíduo conhecido como Nem Corolla, que foi assassinado em novembro do ano passado junto de outras duas pessoas em um bar em Nova Iguaçu, A chacina ocorrida essa semana em Austin deixou duas pessoas sem qualquer envolvimento com o crime mortas, entre elas o comerciante Rafael Babalu, dono do bar onde ocorreram os homicídios.

Policial civil e falsos agentes formavam milícia para extorquir comerciantes em Búzios — detalhes de uma cobrança sob mira de réplica de fuzil vêm à tona

Uma operação criminosa com características típicas de milícia atuou livremente em Búzios, na Região dos Lagos, explorando comerciantes sob ameaça e com participação direta de um agente da lei. O caso, que começou a ser desvendado ainda em dezembro de 2025, ganha agora contornos muito mais graves com a revelação de novos detalhes da investigação. Os criminosos se passavam por policiais civis para extorquir empresários locais, utilizando armamento, distintivos e até viatura disfarçada para dar aparência de legalidade às ações. O grupo exigia dinheiro sob ameaça de apreensão de bens — uma prática clássica de milícias que atuam como um “Estado paralelo”. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu na manhã de 5 de dezembro de 2025. Um empresário do ramo de construção foi surpreendido ao ser informado de que uma suposta equipe da Polícia Civil estava em seu terreno, na Estrada de Tucuns, onde mantinha máquinas e caminhões. Ao chegar ao local, encontrou três homens dentro da propriedade. Um deles, identificado como policial civil, ostentava distintivo oficial e comandava a ação. Outro portava uma pistola na cintura. O terceiro permanecia no interior de um Renault Kwid. A abordagem foi violenta. O empresário foi rendido sob a mira de um fuzil — posteriormente identificado como uma réplica — em uma clara demonstração de intimidação. Em seguida, o suposto agente da lei passou a questionar a documentação dos veículos. Mesmo com os documentos apresentados, o grupo encontrou um pretexto: dois caminhões estavam com o licenciamento vencido. Foi o suficiente para a chantagem. A exigência veio de forma direta: R$ 10 mil para “resolver a situação”. Caso contrário, os veículos seriam apreendidos — e, segundo a ameaça, dificilmente recuperados. Pressionado e temendo prejuízos ainda maiores, o empresário iniciou os pagamentos via PIX. Foram transferidos R$ 4 mil — parte por ele, parte por familiares — enquanto tentava completar o valor exigido. A operação total só não foi concluída porque a transferência maior entrou em análise bancária. Mesmo assim, os criminosos não foram embora de imediato. Permaneceram nas proximidades aguardando o restante do dinheiro, deixando claro que a extorsão ainda estava em andamento. Foi nesse momento que o esquema começou a ruir. Por volta das 10h, a polícia recebeu denúncias de que homens estavam se passando por policiais civis em Búzios, utilizando um Renault Kwid branco para extorquir comerciantes. O monitoramento confirmou que o veículo circulava pela cidade desde cedo e seguia em direção a Cabo Frio. A interceptação aconteceu na Estrada Velha Cabo Frio/Búzios. Durante a abordagem, um dos suspeitos voltou a se apresentar como policial civil e afirmou estar armado. Ao desembarcar, outro integrante foi flagrado com uma pistola na cintura. A situação rapidamente escalou quando um dos criminosos tentou tomar a arma de um policial, entrando em confronto físico. Um disparo foi efetuado para conter a agressão, atingindo o suspeito. Na revista do veículo, veio a confirmação do nível de organização do grupo: Com o policial envolvido, foram apreendidos distintivo e carteira funcional da Polícia Civil, evidenciando que o esquema contava com suporte interno para dar credibilidade às ações criminosas. As anotações encontradas reforçam que não se tratava de um caso isolado. O grupo operava de forma estruturada entre Búzios e Cabo Frio, com alvos previamente definidos — um verdadeiro roteiro de extorsões. Um dos presos confessou ter recebido R$ 4 mil da vítima. Posteriormente, o empresário compareceu à delegacia e reconheceu, sem qualquer dúvida, tanto o veículo quanto os autores do crime. O caso, que inicialmente parecia mais um episódio pontual de falsos policiais, agora se revela como algo muito mais profundo: uma engrenagem criminosa com método, planejamento e participação de quem deveria combater o crime. E o mais grave: tudo isso começou a ser descoberto em dezembro — mas só agora a dimensão real do esquema vem à tona.

“EU PAGO TODO MUNDO”: CHEFÃO DO TCP FOI FLAGRADO EM ESCUTA DIZENDO CONTROLAR POLICIAIS EM CAXIAS

Uma interceptação telefônica obtida no âmbito de uma investigação policial revelou o nível de poder e ousadia atribuído ao traficante conhecido como Flamengo, apontado como um dos chefes do Terceiro Comando Puro (TCP) em Duque de Caxias. Na gravação, ele afirma, em tom explícito, que pagaria propina a policiais militares que atuam na região. “Eu tenho a porra do batalhão todo na minha mão. Os polícia da área eu conheço tudo, eu pago todo mundo. Tu acha que essa porra tem tráfico de drogas porque? Eu pago é todo mundo, porra”. A escuta foi realizada anos atrás, durante uma investigação sobre a atuação do TCP em condomínios residenciais da região, e é tratada pelas autoridades como um indício do possível nível de infiltração criminosa e controle territorial sustentado por corrupção e intimidação. Na mesma interceptação, Flamengo aparece fazendo ameaças diretas a um síndico de condomínio, exigindo o repasse de dinheiro ao grupo criminoso. “Ou tu dá a porra do nosso dinheiro nessa porra ou tu vai morrer fdp”. Segundo as investigações, os condomínios Volterra, Rotonda, Parma, Pádua e Bolzano eram anteriormente dominados por um miliciano conhecido como Baby. Esse cenário mudou no final de 2022, após uma operação que prendeu diversos integrantes da milícia. Com o enfraquecimento do grupo, traficantes ligados ao TCP, oriundos da comunidade do Barro 3 e sob liderança de Flamengo, teriam avançado sobre a região e assumido o controle. De acordo com a apuração, o grupo passou a atuar como uma espécie de “empresa do crime”. Além do tráfico de drogas, passou a controlar serviços dentro dos condomínios, como venda de gás, distribuição de água, fornecimento de internet, TV a cabo, iluminação e até a cobrança de taxas de condomínio. Parte desses valores, segundo a investigação, seria destinada à organização criminosa. Para manter o domínio, os criminosos teriam adotado práticas violentas e sistemáticas. Entre elas, roubos de carga, extorsões, tortura de moradores, expulsão de residentes e assassinatos de pessoas que contrariavam seus interesses. Ainda segundo os elementos reunidos, Flamengo teria consolidado seu poder expulsando síndicos, retirando moradores e eliminando desafetos. Pessoas de sua confiança teriam sido colocadas na administração dos condomínios, ampliando o controle financeiro da organização. O grupo também teria expandido sua atuação para os morros do Sossego e do Cacareco, reforçando o domínio territorial. A disputa pelo controle da região provocou confrontos entre traficantes e milicianos. Em setembro de 2023, episódios de violência resultaram na queima de ônibus e veículos, afetando diretamente a população local. Relatos de moradores que afirmaram ter sido vítimas de tortura foram levados às autoridades policiais, que já conduziam outras investigações sobre a organização criminosa. Após um trabalho considerado minucioso, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, com o objetivo de responsabilizar os envolvidos. Embora as acusações ainda dependam de julgamento, o material reunido descreve um cenário em que, segundo a investigação, o crime organizado não apenas atua na região, mas exerce controle direto sobre a rotina e a vida cotidiana dos moradores.

Bomba na PM: três policiais podem ser expulsos após duas acusações explosivas — roubo de iPhones e cobrança de R$ 15 mil para liberar ônibus

A Polícia Militar decidiu submeter três policiais ao Conselho de Disciplina, procedimento que pode resultar na expulsão dos agentes da corporação, após o surgimento de duas acusações graves envolvendo abordagens a ônibus de turismo no Arco Metropolitano, na Baixada Fluminense. De acordo com os autos, o primeiro caso remonta a março do ano passado, quando os policiais, então em serviço no DPO de Jardim Primavera, abordaram um ônibus que transportava mercadorias adquiridas em São Paulo com destino a Campos dos Goytacazes. Segundo as investigações, após revista no veículo, os agentes teriam alegado a ausência de notas fiscais para justificar a apreensão dos produtos. No entanto, conforme a acusação, parte da carga não foi devidamente registrada, incluindo 11 aparelhos celulares da marca iPhone, que teriam sido subtraídos pelos policiais. Ainda de acordo com o procedimento, há relatos de que os passageiros foram colocados em condição de impossibilidade de reação durante a ação, o que agrava a natureza das acusações. Durante as diligências posteriores, materiais foram localizados na posse de um dos investigados. Os itens foram apreendidos e permanecem custodiados na 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), devidamente lacrados, aguardando destinação conforme decisão judicial. Segunda acusação: cobrança em dinheiro para liberação de ônibus Os mesmos policiais também são alvo de uma segunda acusação, relacionada a um episódio ocorrido em 17 de novembro de 2025, também no Arco Metropolitano, na altura de Saracuruna, em Duque de Caxias. De acordo com o relato das vítimas, o grupo viajava em um ônibus de excursão quando foi abordado por uma viatura policial. Durante a fiscalização, os agentes teriam realizado uma revista no bagageiro, com relatos de danos a mercadorias transportadas. Ainda segundo os denunciantes, ao constatarem a ausência de notas fiscais, os policiais teriam exigido o pagamento de R$ 15 mil em espécie para liberar o veículo e permitir a continuidade da viagem. Processo pode levar à expulsão As duas ocorrências passaram a ser analisadas conjuntamente no âmbito administrativo, e a instauração do Conselho de Disciplina indica que a corporação identificou indícios considerados relevantes para a abertura do procedimento. O processo não implica culpa automática, e os policiais terão direito à ampla defesa e ao contraditório. Ao final, o colegiado poderá recomendar sanções que vão desde advertências até a exclusão definitiva dos quadros da Polícia Militar. O caso segue em apuração.

Sob domínio do crime: narcomilícia ligada ao CV explora comerciantes que vendem gás em São Gonçalo

São Gonçalo já registra a atuação de grupos de narcomilícia, que unem práticas típicas do tráfico de drogas com a lógica de exploração econômica das milícias. A constatação veio à tona após a prisão de um homem suspeito de extorquir comerciantes na comunidade da Coruja. De acordo com as investigações, o suspeito atuava junto a comparsas na cobrança de taxas mensais impostas a comerciantes de gás, que eram obrigados a pagar para continuar exercendo suas atividades na região. No momento da prisão, ocorrida em dezembro, policiais encontraram com o homem R$ 8.500 em espécie. Segundo ele próprio confessou, o valor havia sido arrecadado no mesmo dia junto a cerca de 15 comerciantes. Ainda de acordo com o depoimento, o dinheiro seria destinado a uma narcomilícia ligada à facção criminosa Comando Vermelho. Um veículo utilizado na prática das extorsões também foi apreendido durante a ação. A defesa do suspeito chegou a ingressar com um pedido de habeas corpus para tentar revogar a prisão, mas a solicitação foi negada pela Justiça. O caso segue em andamento, com audiência marcada para o dia 19 de maio.

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