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extorsão

Dono de empresa de internet em Paracambi que foi ameaçado por traficantes por não pagar taxa tenta obter porte de arma para se defender

Um empresário do setor de internet em Paracambi, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, afirma estar sob ameaça de uma organização criminosa após se recusar a pagar extorsões para manter suas atividades na cidade. Diante da escalada de violência, ele solicitou, em março deste ano, a concessão de porte de arma de fogo por meio de requerimento administrativo junto à Polícia Federal. Segundo o relato, o empresário é proprietário de uma empresa provedora de internet que atua regularmente no município, com carteira de clientes ativa, geração de empregos e cumprimento de obrigações fiscais. Ainda assim, passou a ser alvo de cobranças ilegais, conhecidas como “arrego”, supostamente feitas por criminosos ligados a um indivíduo identificado pelo apelido de “Russão”. Após se negar a pagar as quantias exigidas, o empresário afirma ter recebido ameaças diretas contra sua vida e a de seus familiares. Um dos registros de ocorrência foi formalizado sob o número 051-00457/2026. Em mensagens enviadas por meio do aplicativo WhatsApp, os autores teriam afirmado: “Cara, vou tacar fogo em tudo e onde parar vai fogo”. A ameaça se concretizou no dia 25 de março de 2026, quando um veículo da empresa foi interceptado e incendiado. O carro, um Fiat Mobi branco, ano 2020, de propriedade da empresa, foi destruído na ação. O caso foi registrado em nova ocorrência policial, sob o número 051-00476/2026-01, e também teve repercussão na imprensa. Diante da gravidade da situação, o empresário relata viver sob constante temor, afirmando que as ameaças não se restringem ao ambiente de trabalho, mas se estendem a qualquer local que frequente. No mesmo dia do ataque ao veículo, ele compareceu à sede da Polícia Federal para relatar os fatos e solicitar urgência na análise do pedido de porte de arma, mas, segundo ele, não obteve retorno. A defesa sustenta que o caso envolve risco iminente à vida e à integridade física do empresário e de sua família, motivo pelo qual foi ajuizada ação com pedido de tutela de urgência. O objetivo é garantir a análise célere do requerimento administrativo, protocolado em 21 de março de 2026, e possibilitar ao autor o exercício do direito à legítima defesa. Ainda de acordo com os advogados, apesar dos registros de ocorrência, o empresário não conta com proteção integral do Estado, o que reforçaria a necessidade de uma resposta rápida das autoridades. Eles argumentam que a demora na análise do pedido pode resultar em consequências irreparáveis, diante da gravidade das ameaças. O empresário afirma que não pode interromper suas atividades sem comprometer sua subsistência e o cumprimento de contratos com clientes. Para ele, a ausência de resposta do poder público diante da urgência do caso o deixa vulnerável à ação criminosa. A defesa também aponta possível omissão estatal, alegando que a burocracia não pode se sobrepor ao direito à vida. Segundo os advogados, cabe ao Estado agir com celeridade em situações excepcionais como essa, sob risco de agravar ainda mais o cenário de insegurança enfrentado pelo empresário.

Membro da família Avelino, alvo de operação do MP hoje, vai a júri popular por morte de empresário que teve o corpo colocado em carro em chamas

A Justiça do Rio decidiu no último dia 2 de março levar a júri popular Fernandinho Avelino, membro da família suspeita de diversos homicídios no interior fluminesne nas últimas décadas. Fernandinho é acusado do assassinato de um empresário em 12 de janeiro de 2024. A vítima foi Thiago Amorim Navarro Os dados obtidos com a quebra de sigilo demonstram que, dois dias antes do crime, existem dois registros de ligações telefônicas entre os terminais utilizados pela vítima Thiago e Fernandinho sendo que no dia dos fatos há uma ligação telefônica entre os doistendo a vítima, provavelmente, avisado a Avelino que estava se deslocando para sua residência, No dia do homicídio, Thiago recebeu uma ligação telefônica e os dados de seu aparelho comprovam que ele estava na estrada (BR-393 nas proximidades do distrito de Andrade Pinto) e se deslocava até Vassouras para encontrar-se com Fernando. Apurou-se que Thiago chegou à residência de Fernando por volta de 11h, Uma testemunha narrou que Thiago lhe disse que vindo buscar com Fernando uma declaração, pois em 2021, ele havia dado um cheque para o acusado no valor de R$3.000,00, mas que como não houve fundos ele pagou Fernando posteriormente o total do cheque, mas precisava do mesmo para dar baixa no banco, porém como Fernando não tinha mais o cheque ficou de assinar uma declaração do mesmo para Thiago Narrou que por volta de 12h06min foi a última vez que falou com Thiago que este disse que após resolver as coisas com Fernando, ia passar no correio e depois ele iria a cidade de Juiz de Fora pegar seu carro que tinha ficado pronto e entregaria o que estava com ele (…)” A investigação revelou que os dados telefônicos de Fernando indicaram o seu deslocamento sentido Massambará e, posteriormente, para o local do crime. O relatório destacou que o Azimute do telefone de Fernando se altera em direção ao local do encontro do cadáver de Thiago, onde ele permaneceu até as 13h30min. Assim, pelos dados obtidos com a quebra de sigilo, resta inequívoco que o indiciado Fernando Avelino efetivamente esteve no local do crime (ao menos da destruição de cadáver), e que, em seguida, voltou à sua residência e desativou o aparelho da vítima Thiago. E mais, pela lógica da trama, ficou clara a participação de terceira pessoa no evento, já que o corpo da vítima se encontrava no interior de seu próprio veículo, ambos em chamas. Logo, certo é que a presença de outro elemento se fez necessária para retirar o indiciado Fernando do local do crime por meio de outro transporte. A família Avelino é alvo hoje de uma operação do Ministério Público Estadual do Rio A Promotoria obteve na Justiça mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quarta-feira (01/04) contra 21 pessoas ligadas aos clãs da Família Avelino, investigada pela prática de diversos crimes. Entre os alvos estão integrantes da família, cinco policiais militares, um advogado e suspeitos de atuar como pistoleiros do grupo. A ação é realizada com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil (SSINTE). Estão sendo cumpridos mandados em 29 endereços ligados aos investigados, nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Pará, com o apoio dos GAECOs locais. No Rio, os agentes cumprem mandados na Capital e nos municípios de Paty do Alferes, Vassouras, Paraíba do Sul e Três Rios. As investigações são conduzidas em Procedimento Investigatório Criminal (PIC) próprio do GAECO/MPRJ e demonstram a existência de conduta criminosa sistemática e reiterada por parte dos integrantes do clã, com forte influência em diversos municípios do Sul Fluminense e características de milícia privada. Isso inclui a prática de assassinatos já denunciados pelo Ministério Público, suspeitas de dezenas de outras execuções, múltiplas tentativas de homicídio, controle territorial, corrupção de agentes públicos, estrutura hierárquica com clara divisão de funções, obstrução sistemática da Justiça, entre outros. Com histórico de violência e poder que remonta à década de 1930, com quatro gerações documentadas praticando homicídios, as apurações mostram que a família e seus associados empregam uma série de mecanismos para escapar da persecução penal, incluindo intimidação de testemunhas, ameaças extensivas a familiares e eliminação de adversários. O objetivo é criar um clima de medo que resguarde a chamada “lei do silêncio”. Atento ao histórico de criminalidade violenta, à intimidação de autoridades e às obstruções sistemáticas, o GAECO/MPRJ passou a concentrar todas as investigações criminais contra o clã. A família Avelino é temida no interior e por vezes usavam o nome do clã para praticar extorsões. Em 2022, um homem foi procurado por um elemento que dizia ser o marido de “uma mulher chamada Vanessa” e que o acusou de haver subtraído a quantia de R$ da “suposta esposa”. O suspeito passou a intimidar a vítima, dizendo ser da família “Avelino” e afirmando que iria matar o rapaz, caso ele não pagasse ao menos metade do valor. Amedrontado, a vítima se dirigiu a um endereço indicado e entregou para o elemento um automóvel FORD Fiesta, u aparelho de telefonia celular, um tanquinho de lavar roupas e a quantia de R$ 3.000 sendo ainda obrigado a assinar para o suspeito um recibo com mais valores. Não satisfeito, o elemento passou a ligar novamente para a vítima exigindo mais dinheiro, sendo certo que passou a perseguir a vítima, se fazendo presentes nos lugares que o alvo costumava frequentar Na delegacia, o suspeito afirmou que teria feito empréstimos à vítima buscando justificar a movimentação de dinheiro de um para o outro

Apagão de provas: câmeras da PMERJ falham ou não são usadas, imagens somem e casos chegam à Justiça sem registro”

Após mortes recentes em operações policiais — como a de uma médica em Cascadura e de um morador no Morro dos Prazeres — vieram à tona não apenas questionamentos sobre a atuação da PMERJ, mas também falhas recorrentes da própria corporação no fornecimento e na gestão das imagens captadas por câmeras corporais. Em diversos casos analisados pela Justiça, o problema não se limita ao uso inadequado dos equipamentos pelos agentes, mas envolve a ausência de registros, dificuldades no acesso às gravações e até o apagamento automático dos arquivos, o que compromete a transparência das ações policiais e a produção de provas. A polêmica ganhou força porque, embora as câmeras corporais sejam tratadas como ferramentas essenciais para dar mais segurança jurídica às abordagens, há uma série de falhas estruturais e operacionais. Há registros de policiais que não utilizam os equipamentos por falta de unidades disponíveis nos batalhões, de agentes que realizam operações sem portar as câmeras e de situações em que as imagens simplesmente não são apresentadas — seja por problemas técnicos, seja pelo limite de armazenamento de 60 dias, após o qual o conteúdo é automaticamente apagado. Apesar disso, o entendimento predominante da Justiça é de que a ausência das imagens não impede, por si só, uma condenação. As gravações são consideradas elementos adicionais, e não indispensáveis para a formação da convicção do juiz. Falta de equipamentos nos batalhões Em uma ocorrência registrada no ano passado na comunidade Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, um suspeito foi preso com drogas, rádios e armas e alegou ter sido agredido por policiais militares. O laudo pericial apontou lesões compatíveis com soco no rosto, reforçando a versão apresentada. Os PMs afirmaram que não utilizavam câmeras corporais porque o batalhão não possuía equipamentos suficientes para todos os agentes envolvidos na operação. O suspeito acabou condenado, mas a defesa recorreu com base na ausência de imagens, conseguindo a redução da pena. Imagens não entregues e apagadas Em outro caso, ocorrido em 2023, a defesa de um homem preso por tráfico solicitou as imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos. Os agentes alegaram ter entregue os equipamentos na unidade, e o juiz determinou o envio das mídias pela Ouvidoria da PMERJ. Mesmo após reiteradas solicitações — incluindo ofício expedido em fevereiro de 2024 e até determinação de busca e apreensão — a resposta só veio posteriormente pela Corregedoria da corporação: o conteúdo havia sido apagado automaticamente após o prazo de 60 dias de armazenamento. Ainda assim, o réu foi condenado e não obteve revisão criminal, evidenciando como a falta das imagens não tem sido suficiente para reverter decisões judiciais. Denúncias prejudicadas pela ausência de câmeras Em Volta Redonda, no Sul Fluminense, a falta de câmeras corporais impactou diretamente a apuração de uma denúncia grave. Policiais afirmaram ter prendido dois homens armados após perseguição. Os acusados, porém, deram versões completamente diferentes, alegando que não estavam envolvidos com o crime e que teriam sido vítimas de abordagem arbitrária e até de tentativa de extorsão por parte dos agentes. Sem imagens que comprovassem o que de fato ocorreu, a Justiça determinou o envio do caso à Corregedoria da PMERJ e ao Ministério Público para investigação das condutas dos policiais. Prazo curto compromete provas Outro episódio semelhante envolveu um acusado de tráfico cuja defesa solicitou as imagens das câmeras corporais durante o processo. O pedido foi aceito pela Justiça, mas o batalhão informou que o material já havia sido apagado, novamente em razão do limite de armazenamento de 60 dias. A recorrência desse tipo de resposta levanta questionamentos sobre a eficiência do sistema de guarda das evidências digitais e sobre a responsabilidade da corporação em preservar provas relevantes. Problemas de cadastro e acesso às imagens Em Itaboraí, durante a prisão de um suspeito com drogas, os policiais também não utilizavam câmeras corporais. Ao serem cobradas pela Justiça, as imagens não foram apresentadas. Em resposta oficial, a PMERJ informou que não foi possível atender ao pedido, citando laudo técnico da empresa responsável pela gestão das imagens, indicando inconsistências no vínculo das câmeras aos policiais envolvidos na ocorrência. O episódio evidencia falhas administrativas no controle e na rastreabilidade dos equipamentos. Gravações incompletas Há ainda casos em que as câmeras funcionam parcialmente. Em uma ocorrência na Favela Nova Brasília, em Niterói, envolvendo apreensão de armas e drogas após troca de tiros, a Justiça solicitou as imagens da operação. No entanto, apenas áudios foram registrados, sem qualquer registro visual da ação. Diante disso, o próprio Judiciário reconheceu que a ausência de imagens impede a verificação concreta da dinâmica dos fatos, abrindo margem para dúvidas sobre as versões apresentadas. O conjunto desses casos revela que o problema vai além da conduta individual de policiais e expõe fragilidades internas da PMERJ na gestão das câmeras corporais. Entre falta de equipamentos, falhas técnicas, prazos curtos de armazenamento e dificuldades no fornecimento das imagens à Justiça, o sistema que deveria garantir transparência ainda apresenta lacunas que podem impactar diretamente investigações e julgamentos.

Escândalo na Baixada: policial civil é suspeito de fornecer arma e interferir para favorecer milícia do filho

Investigações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) apontam que um policial civil lotado na Delegacia de Paracambi é suspeito de atuar em favor de uma milícia que operava em Queimados, na Baixada Fluminense, da qual seu próprio filho faria parte. O miliciano foi preso no ano passado. De acordo com os autos, o agente era frequentemente procurado por integrantes do grupo para resolver “problemas” em delegacias. Em um dos episódios citados, após a prisão em flagrante do chefe da quadrilha, conhecido como “João da Jacutinga”, o policial teria sido acionado para “desenrolar” a situação, com o objetivo de interceder e impedir ou dificultar a formalização do auto de prisão. A investigação também revelou que uma das armas apreendidas com os milicianos — uma espingarda calibre 12 — estava registrada em nome do policial civil, o que reforça as suspeitas de vínculo com a organização criminosa. Segundo o processo, tanto o agente quanto seu filho já haviam sido citados em denúncias anônimas encaminhadas ao Disque-Denúncia como integrantes da milícia de Queimados. Embora esse tipo de informação, isoladamente, não constitua prova, a Justiça destaca que os relatos convergem com outros elementos reunidos ao longo da apuração. Entre esses elementos estão mensagens trocadas entre pai e filho, que indicariam compartilhamento de informações sobre a atuação do grupo, além de discussões sobre reportagens que os mencionavam como integrantes da milícia. Os diálogos também demonstrariam preocupação com ameaças vindas de outros membros da organização, o que, segundo a análise judicial, aponta para uma relação que vai além do vínculo familiar, indicando alinhamento de interesses. Para a Justiça, há indícios de que o policial civil teria utilizado sua função pública em benefício da milícia, tanto ao supostamente fornecer armamento de sua propriedade quanto ao tentar interferir em procedimentos policiais para favorecer comparsas. As investigações apontam ainda que a milícia atuante em Queimados era estruturada de forma hierarquizada e voltada à prática de extorsões contra comerciantes e mototaxistas da região. O grupo utilizava como fachada a empresa “Mibius Segurança Privada” e realizava cobranças de “taxas” por meio de transferências via PIX, a partir de linhas telefônicas vinculadas à suposta empresa.

Traficantes da Serrinha (TCP) são suspeitos de aplicar o golpe do ouro onde sequestram, torturam, extorquem, roubam e até matam

Um ourives foi sequestrado e torturado por traficantes no Morro da Serrinha, em Madureira, na zona norte do Rio. Além disso ficou sem o carro. O homem foi liberado após a empresa onde trabalha realizar um Pix de quase R$ 20 mil. Ele relatou que outros colegas também foram vítimas dos criminosos. Além dos quatro ourives sequestrados no final de semana, a polícia investiga uma possível ligação do grupo criminoso com a morte de um jovem encontrado baleado dentro do próprio carro em Vicente de Carvalho Mateus Eduardo Oliveira, foi morto em Vicente de Carvalho após cair em um golpe conhecido como “golpe do ouro”. A vítima foi atraída por criminosos com a promessa de uma negociação envolvendo ouro, mas acabou sendo surpreendida e assassinada durante o encontro. De acordo com as informações, esse tipo de crime costuma envolver armadilhas bem planejadas, nas quais os suspeitos simulam oportunidades lucrativas para atrair vítimas. A polícia investiga o caso e busca identificar os envolvidos, enquanto reforça o alerta sobre esse tipo de golpe, que tem se repetido e, em alguns casos, termina de forma violenta.

Extorsão em Curicica: defesa de miliciano questiona inquérito e levanta suspeitas sobre condução da investigação

A defesa do miliciano André Boto solicitou à Justiça a rejeição da denúncia e, caso o processo tenha prosseguimento, a absolvição sumária. Ele é acusado de ser o mandante de uma extorsão contra um comerciante em Curicica, ocorrida no ano passado. Os advogados apontam como suspeito o fato de a investigação ter permanecido paralisada, sem a realização de diligências para esclarecer os fatos, e, poucos dias após a revogação da prisão preventiva de Boto em outro processo, um novo inquérito ter sido instaurado. O caso teve início em 28 de março de 2025, quando um comerciante foi abordado por dois homens em uma motocicleta sem placa, ambos usando capacetes. Segundo o relato, os suspeitos exigiram o pagamento semanal de R$ 2 mil, sob ameaça de incendiar imóveis da vítima localizados na Estrada dos Bandeirantes. De acordo com a denúncia, os executores teriam afirmado que agiam por ordem de “chefes”, citando o vulgo Boto, que está preso. Ainda conforme o documento, ele teria atuado de forma dolosa na coordenação das atividades criminosas, induzindo os autores da extorsão a constranger a vítima. A defesa também questiona o fato de o registro da ocorrência ter sido feito na 16ª DP (Barra da Tijuca), embora os fatos tenham ocorrido na área da 32ª DP (Taquara). Segundo os advogados, essa inconsistência já teria gerado dúvidas, especialmente pela ausência de explicação sobre o motivo de a vítima não procurar a delegacia da área correspondente. No mesmo dia do registro, a 16ª DP determinou a remessa do caso à 32ª DP, responsável pelas diligências, o que, segundo a defesa, não foi efetivamente cumprido. Posteriormente, em 9 de abril, a 32ª DP encaminhou o caso à DRACO, sob o argumento de que havia uma investigação mais avançada, embora, ainda segundo os advogados, nenhuma diligência tenha sido realizada até então. A defesa afirma que o delegado responsável pela remessa e o policial encarregado da investigação são os mesmos que conduziram uma apuração anterior contra Boto e outros investigados em 2025. Esse processo tramita na 2ª Vara Criminal de Jacarepaguá e aguarda sentença, apesar de o Ministério Público ter se manifestado pela absolvição dos acusados por insuficiência de provas. O caso envolve a alegação de que Boto teria negociado a comunidade da Vila Sapê com o traficante Celsinho, da Vila Vintém. Após o envio à DRACO, a investigação teria permanecido sem avanços até 27 de outubro, quando um novo inquérito foi instaurado. A defesa ressalta que, coincidentemente, a prisão preventiva de Boto havia sido revogada dias antes pelo juízo da 2ª Vara Criminal de Jacarepaguá, após a oitiva dos policiais apontados como responsáveis por uma suposta investigação irregular. Para os advogados, não se trata de mera coincidência o fato de a investigação ter ficado paralisada por meses e, logo após a revogação da prisão, um novo inquérito ter sido aberto. Eles classificam a situação como, no mínimo, suspeita. A defesa destaca ainda que, no mesmo dia da revogação da prisão, foi juntado aos autos o termo de declaração do comerciante, prestado em 28 de março de 2025, documento que até então não constava no inquérito. A vítima também foi ouvida posteriormente na sede da DRACO. Por fim, os advogados apontam que, na data de instauração do novo inquérito, o delegado da DRACO anexou um relatório técnico que fazia referência às mesmas imputações questionadas no processo em curso na 2ª Vara Criminal de Jacarepaguá. Também foi registrado um aditamento para incluir Boto como investigado, com fundamentações consideradas pela defesa como desproporcionais e sem base consistente.

Confira a trama montada por policiais civis para exigir propina de R$ 1,5 milhão de traficante e encerrar investigação

O despacho de Alexandre de Moraes revela a trama que resultou na cobrança de R$ 1,5 milhão de policiais civis para encerrar uma investigação contra o traficante Índio do Lixão na 44º DP (Inhaúma), Os policiais chegaram a intimar a esposa, o irmão e um amigo do traficante. A história começa quando Índio pergunta ao servidor da Alerj Dudu sobre a situação na 44a DP, ocasião em que este respondeu que encontraria o policial Franklin na Barra naquele dia, acompanhado de outro policial, Leandro Dudu disse que Leandro havia garantido que seria firme na negociação. Na sequência,“Índio afirmou que falaria para o “01” sobre o que Franklin estava fazendo. Posteriormente, Índio perguntou sobre o safado da 44 , em referência ao encontro que Dudu teria com Franklin. Por sua vez, “Dudu” responde que Leandro ainda não teria marcado o encontro na Barra da Tijuca. Em conversa com Leandro, Dudu reclamou que o “amigo” estaria ligando toda hora, o que não seria adequado, pois “esses negócios” deveriam ser tratados pessoalmente. Em outro diálogo, Dudu afirmou que Índio do Lixão estava se esforçando pararesolver a questão e que ele estaria nas negociações para “ajudar e ganhar algo também”, insinuando que teria algum lucro com a situação. Dudu encaminou a Leandro print de conversa com Franklin que revelava conflitos quanto à marcação de reuniões, e o interlocutor se mostra insatisfeito. Em áudiossubsequentes, “DUDU” explicou que Índio não foi à reunião porque teria passado mal, e reclamou da atitude do policial Leandro e Dudu se encontraram no apartamento do servidor da Alerj e ligaram para Franklin.O assunto da ligação foi o conteúdo de mídia com informações capazes de incriminar “Índio do Lixão. Em maio de 2025, Leandro perguntou a “Dudu” se o “amigo” não havia aparecido, e que ele iria acabar se prejudicando. “Dudu respondeu que não iria mais falar sobre o assunto (no contexto, o pagamento aos policiais da 44a DP), pois “Índio” poderia interpretar como pressão. A seguir, “Dudu” relatou que Franklin havia ameaçado pedir a prisão de “todos”, ou seja, havia incluído Dudu” em suas intimidações. Logo depois, Leandro afirmou que Franklin não era “maluco”, ou seja, não pediria as prisões, mas estava irritado porque “Índio do Lixão” estaria “enrolando”. Leandro dsse que precisa passar um recado rápido da d inferno” (44a DP) e pergunta se “ele” (“Índio) não quis fazer uma ligação. “Dudu” responde que “Índio teria ligado para Carracena, que por sua vez teria ligado para “o delegado” – provavelmente Marcus Henrique. A seguir, Dudu afirmou que Carracena iria apenas intermediar e “pedir para morrer tudo” (encerrar a investigação sobre “Índio”). Leandro disse que estava no telefone com Franklin e que Carracena não teria ligado para o delegado.

Alexandre de Moraes descreve papel de cada PM, policial civil e federal presos apontados como envolvidos com o Comando Vermelho

O despacho do ministro do STF Alexandre de Moraes sobre a prisão de policiais civis, militares e federais por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho diz o seguinte sobre a participação de cada um, de acordo com as investigações da Polícia Federal Núcleo de policiais civis envolvidos com o Comando Vermeho Franklin José de Oliveira Alves – Atuou diretamente na linha de frente da negociação ilícita. Mantinha contatos telefônicos frequentes com os intermediários para cobrar o pagamento da propina e impor prazos. Também assinou intimações de coação e possui estrutura empresarial familiar com movimentações financeiras suspeitas. Marcus Henrique de Oliveira Alves (delegado) Na qualidade de titular da 44a DP, assinou, juntamente com seu irmão, intimações utilizadas para pressionar o traficante “Índio do Lixão” no esquema de extorsão. Apresenta movimentação financeira vultosa e incompatível com seus vencimentos, utilizando empresas em nome defamiliares para ocultar bens e valores. Leandro Moutinho de Deus Atuou como intermediário nas negociações de pagamentode propina entre os traficantes e os policiais da 44a DP.Segundo o despacho de Moraes, os policiais civis exigiram de Índio , mediante violência e grave ameaça, o valor correspondente R$ 1.500.000,00 para encerrar um procedimento investigativo em tramitação na 44a Delegacia Policial envolvendo o traficante, A investigação revelou que Carracena iria intermediar e pedir para encerrar o inquérito contra Índio. II. Núcleo de atuação para favorecer os interesses do traficante internacional Gerel Lusiano Palm (neerlandês) Alessandro Pitombeira Carracena Advogado e ex-secretário de estado, atuou como o articulador central entre criminosos e servidores públicos. Ele utilizou sua influência política para intermediar vantagensindevidas e, segundo diálogos, teria retido R$ 120.000,00 de um pagamento feito em espécie para influenciar um pedido de refúgio. Fabrizio José Romano (delegado da PF) ´ Atuou de forma incompatível com seu cargo, oferecendo influência interna na Polícia Federal em favor do traficante Gerel Lusiano Palm. Em consequência disso, solicitou adiantamentos” financeiros e negociou a nomeaçãode sua esposa, para um cargo comissionado como contrapartida por sua atuação ilícita. Patrícia Carvalho Falcão – Advogada parceira de Carracena. Embora atuasse nadefesa técnica, as mensagens revelaram sua ciência e participação na viabilização de pagamentos indevidos a servidores e na pressão pela devolução de valores após o fracasso do pleito. A esposa de Gerel mandou áudio para Patrícia cobrando o dinheiro dado por eles, que segundo a advogada, havia sido a importância de R$150.000,00(cento e cinquenta mil reais) em espécie”: Patrícia disse que o delegado Fabrizio e o policial federal Luciano teriam recebido, dos R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) pagos em espécie pela esposa de Gerel , a quantia de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) cada um, para auxiliarem no pedido de refúgio Gerel. Segundo ela, ambos ainda receberiam, em caso de êxito do processo, o valor adicional de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) cada. Núcleo de atuação criminosa de Policiais Militares do Estado do Rio de Janeiro ao realizarem segurança e logística de liderança do Comando Vermelho As investigações revelaram que “o traficante Índio do Lixão” contava com esse núcleo, estável e coordenado, de policiais militares que atuavam na segurança particular e braço logístico, sendo tais policiais liderados pelo policial militar Rodrigo da Costa Oliveira, conhecido como Costa, Flavio Cosme Menezes Pereira, alcunha “Menezes – ” Prestava segurança de forma reiterada e consciente, incluindo durante as férias, colocando-se à disposição paraqualquer missão da organização criminosa. Franklin Ormond de Andrade, alcunha “Ormond – Além de realizar escoltas constantes, negociou ilicitamente a venda de uma pistola Taurus e carregadores para Indio; Enio Claudio Amâncio Duarte – Participava de escoltas armadas em eventos específicos,como enterros e consultas médicas do traficante, operando em áreas conflagradas sob domínio do Comando Vermelho. Alex Pereira do Nascimento – Mantinha contato direto com o “Índio”, a quem recorreupara solicitar um empréstimo pessoal de R$ 1.500,00, evidenciando a promiscuidade da relação entre o agente da lei e o criminoso. Leonardo Cavalcanti Marques Atuava na segurança com plena consciência da condiçãode “bandido” de “Índio”. Ricardo Pereira da Silva = Policial militar de extrema confiança de “Índio”, solicitado nominalmente pelo traficante para missões de escolta em Duque de Caxias. Rodrigo de Oliveira Carvalho, alcunha “Carvalho – Atuava na segurança diária de “Índio”. É o principal alvo no que tange à comercialização ilegal de armamento, tendo oferecido a “Índo” 2 (dois) fuzis calibre 5.56. Além disso, realizou o transporte de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) em espécie a mando da organização criminosa. Segundo a investigação, os PMs ainda realizavam-

Escolas em Copacabana foram extorquidas por detentos de presídio de Magé que ameaçavam atentados violentos para quem não pagasse. Bandidos se passavam por traficantes do CV

Uma investigação de anos atrás que resultou em processo que teve decisão recente com a Justiça negando que um dos condenados progredisse para regime aberto revelou a existência de uma quadrilha dentro do presídio Milton Dias Moreira, em Japeri, que realizava extorsões a instituições de ensino em Copacabana sob ameaça de praticarem atentados violentos em caso de recusa a pagar, segundo o TJ-RJ. Segundo relatório da Justiça, o bando agiu entre 01 de agosto de 2023 a 18 de outubro de 2023 fazendo extorsões através de ligações telefônicas e redes sociais. Os envolvidos faziam ameaças de morte às vítimas e seus familiares, exigindo-lhes valores pecuniários. Os autos dizem que em agosto de 2023, funcionárias de três escolas do bairro foram constrangidas por terceiras pessoas não identificadas, que se passavam por criminosos das Comunidades Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, a realizarem o pagamento de valor pecuniário sob a ameaça de serem as instituições de ensino vítimas de atos violentos. A denúncia diz que foi exigido de um dos colégios o valor de três mil reais e das demais instituições foram cobradas quantias para a libertação de comparsas presos. Os denunciados utilizaram 58 linhas telefônicas e foram um total de 48 casos de extorsão praticados pelos criminosos. Ao todo, 11 responderam processo. O suspeito que recorreu da decisão da negativa de progredí-lo para regime aberto cumpre penas unificadas que totalizam 14 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão, decorrentes de condenações por tráfico de drogas, associação para o tráfico e extorsão.

Processo sigiloso confirma indícios de extorsão a comerciantes por traficantes do TCP em Campos e cita homicídios

Processo sigiloso que tramita desde 2023 com decisão recente de negativa de habeas corpus descreve a atuação de grupo criminoso ligado à facção “Terceiro Comando Puro – TCP” na região da Baixada Campista, a sistemática das extorsões praticadas contra comerciantes e donos de olarias. Segundo a denúncia, o traficante conhecido como Mega seguindo ordens de um bandido preso seria o responsável por exigir valores periódicos de comerciantes locais, bem como pela guarda de armas e drogas, em atuação articulada com outros integrantes do grupo na Vila dos Pescadores. No relatório, há informações no sentido de que a facção Terceiro Comando Puro (TCP) domina diversas localidades da Baixada Campista (Tocos, Baixa Grande, Praia do Farol de São Thomé etc.), impondo aos comerciantes o pagamento de quantias mensais ou semanais, sob ameaça de represálias e até de morte, existindo referência, inclusive, à sensação de terror instalada na região após homicídios ali ocorridos, que passaram a ser utilizados como reforço das ameaças dirigidas às vítimas. No que concerne especificamente à Praia do Farol de São Thomé, registra-se que a arrecadação dos valores decorrentes das extorsões na Vila dos Pescadores seria administrada justamente pelos gerente Mega e Ana Paula com o recolhimento efetuado por outros corréus, quadro que revela vínculo concreto do paciente com a empreitada criminosa. O teor do relatório de inteligência destacou a existência de depoimentos de vítimas que confirmam ameaças e exigências de pagamento, bem como documentos investigativos – dentre os quais o Registro de Ocorrência nº 134-01169/2024 – que apontam, de maneira expressa Mega e como um dos responsáveis pela arrecadação dos valores das extorsões na região da Vila dos Pescadores, em benefício da facção “Terceiro Comando Puro”. Desse modo, verifica-se que a decisão vergastada não se baseou em meras suposições. O modus operandi empregado, consistente na cobrança de “taxas” extorsivas de comerciantes, proprietários de olarias e moradores da região, sob ameaça de represálias físicas, inclusive com referência aos homicídios de Sandro Siqueira Barcelos e Amaro Nilton de Souza1, demonstra a sofisticação, estabilidade e violência da estrutura criminosa ligada à facção criminosa TCP, o que reforça a imprescindibilidade da custódia cautelar para garantia da ordem pública.

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