Motorista de aplicativo preso suspeito de transportar dinheiro do jogo do bicho disse que fazia isso há quatro meses fora da plataforma e recebia R$ 50 por cada entrega
O caso da prisão de um motorista de aplicativo acusado de transportar valores ligados ao jogo do bicho ganhou destaque na mídia nesta semana. O Auto de Prisão em Flagrante, porém, traz um detalhe que não apareceu nas matérias sobre a ocorrência: o transporte dos valores não era feito pela plataforma. Segundo o depoimento do motorista, ele realizava esse serviço por fora da plataforma, havia aproximadamente quatro meses, recebendo R$ 50 por cada entrega. Na ocasião da prisão, ele fazia uma corrida regular pelo aplicativo e aproveitou o mesmo deslocamento para buscar um envelope e levá-lo até a Barra da Tijuca. O flagrante ocorreu em 2 de setembro, por volta das 11h30. Policiais do 18º BPM receberam informações de que um Renault Kwid branco estaria sendo utilizado para recolher valores provenientes da exploração do jogo do bicho. O veículo foi localizado na Avenida Geremário Dantas, na Freguesia, em Jacarepaguá. Durante a abordagem, os policiais encontraram dois envelopes, dois celulares e R$ 1.685 em espécie. O mtotorista contou que havia iniciado uma corrida pela plataforma com destino à Barra da Tijuca e, com autorização da passageira, fez uma parada na Praça do Valqueire. No local, recolheu um envelope lacrado a pedido de uma mulher chamada “Elaine”. O motorista afirmou que fazia esse tipo de transporte de maneira rotineira, fora dos aplicativos, e que recebia R$ 50 por entrega com destino à Barra. Também declarou que, por retirar os envelopes em um ponto de exploração do jogo do bicho, presumia que eles continham dinheiro. A partir das informações fornecidas pelo motorista policiais foram até um endereço na Rua Quiririm, na Vila Valqueire, onde encontraram Elaine Cristina Cosme da Silva. Segundo o auto, ela admitiu que o estabelecimento funcionava como ponto de anotação do jogo do bicho. No local, foram apreendidos dois celulares, duas impressoras térmicas e, em uma sala nos fundos, três máquinas caça-níqueis em funcionamento. Outra equipe foi até um imóvel na Rua das Cravinas, também na Vila Valqueire, que havia sido identificado durante o acompanhamento do trajeto do motorista. Os policiais encontraram bilhetes de jogo do bicho e um porta-tabelas. Elgen Vieira de Souza, que estava no local, tentou fugir ao perceber a presença dos agentes. Na sala, foram apreendidos uma máquina de apostas, bilhetes de jogo do bicho e dinheiro. De acordo com a decisão judicial, ao todo foram apreendidos R$ 2.518 em espécie, além de máquinas de caça-níqueis, celulares, máquina de cartão, notas fiscais, recibos, calculadora, veículos, folhetos, bobinas, cadernos de anotações e outros materiais relacionados à atividade. A decisão também destaca que o relato de Erick aponta para uma atuação habitual, já que ele afirmou realizar o transporte dos envelopes havia cerca de quatro meses, mediante pagamento de R$ 50 por entrega. A história ganhou mais contornos hoje quando o Núcleo de Atuação perante as Centrais de Audiência de Custódia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (NACAC/MPRJ) recorreu da decisão que concedeu prisão domiciliar a Elgen Vieira de Souza, de 70 anos. Ele teve a prisão preventiva convertida em domiciliar, com monitoramento eletrônico, em razão da idade e do estado de saúde debilitado. No recurso, o NACAC/MPRJ sustenta que os documentos apresentados pela defesa não comprovam que o estado de saúde de Elgen seja incompatível com o cumprimento da prisão no sistema penitenciário. O material, segundo o Núcleo, não demonstra de forma inequívoca que o investigado esteja extremamente debilitado por doença grave, nem que o tratamento necessário não possa ser oferecido em uma unidade prisional. Outro argumento é que a prisão domiciliar não impediria Elgen de continuar exercendo, de dentro de casa, as atividades que lhe são atribuídas no esquema. A estrutura investigada operaria fortemente por meios digitais, sem depender da presença física dos envolvidos nos pontos de jogo. Com acesso a celular, internet e aplicativos, ele poderia continuar se comunicando com outros integrantes, acompanhando a contabilidade do jogo e autorizando movimentações financeiras por PIX. Da corrida de aplicativo aos pontos de jogo A ocorrência que resultou nas prisões começou na quarta-feira (02/09), quando uma passageira de transporte por aplicativo desconfiou de que o motorista, carregava dinheiro relacionado ao jogo do bicho. Durante o trajeto, ela enviou mensagens ao namorado, um delegado da Polícia Civil, relatando que estava com medo e compartilhando sua localização. A partir do alerta, policiais localizaram e abordaram o veículo. Segundo os autos, Erick estava com R$ 1.675 e informou aos policiais que fazia a coleta de valores para Elaine Cristina Cosme da Silva, em um percurso que começava em Vila Valqueire e terminaria na Barra da Tijuca. As informações obtidas na abordagem levaram os agentes a novas diligências em endereços que seriam utilizados pela estrutura do jogo do bicho. Em um desses locais, os policiais encontraram Elgen. De acordo com o recurso, ele tentou fugir ao perceber a chegada dos agentes. No endereço, foram apreendidos uma máquina utilizada para apostas, cartelas, cadernos de anotações e R$ 833. O NACAC/MPRJ atribui a ele atuação no recebimento de apostas, nos registros e na movimentação de valores do esquema.









