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processo judicial

JÚRI POPULAR: Traficante vai a júri popular por morte de suposto X9 da milícia em homicídio que marcou a entrada do CV na Gardênia Azul. Chefões da facção forneciam armas, homens e davam ordens para matar suspeitos de serem informantes de rivais

A Justiça decidiu levar a júri popular depois de mais de três anos o traficante Francisco Glauber, o GL, que está preso, pelo homicídio de um homem que o Comando Vermelho considerava X9 da milícia na Gardênia Azul, em Jacarepaguá. O crime marcou a entrada do CV na comunidade. Erinaldo Gomes da Silva foi morto com tiros pelas costas. Líder do CV nas ruas, o traficante Doca e seu assessor direto, vulgo Gardenal, fornecendo homens e armas de fogo e dando instruções sobre as execuções que deveriam ocorrer para a retomada e controle territorial e criminoso da região do Gardênia Azul. BMW colocava em prática as instruções sobre as execuções que deveriam ocorrer para retomada e controle territorial e criminoso da região.GL e outros bandidos já mortos (Lesk e Vin Diesel) eram líderes locais que solicitaram o auxílio de Doca e Gardenal e deram as ordens para que o executor (vulgo Mãozinha) para matar a vítima. Os envolvidos no crime acreditavam que Erinaldo era informante da polícia e/ou integrante da milícia privada que anteriormente dominava a região do Gardênia Azul, conforme prints de postagens dos criminosos no Twitter Mas há relatos de que Erinaldo possa ter sido confundido com alguém. Entre 1º fevereiro e 15 de março de 2023, na região do Gardênia Azul/Jacarepaguá, traficantes do CV praticaram diversos homicídios, além da venda de botijões de gás (motivação do homicídio apurado no I. P. nº 901-00286/2023). Além de ordenar homicídios, Doca passou a lucrar com a repartição das drogas comercializadas na região do Gardênia Azul. Uma testemunha revelou que a Gardênia Azul era dividida em algumas áreas e cada uma dominada por um grupo de milicianos diferente.Todos conviviam pacificamente até que um grupo, na época liderado pelo já falecido Gargalhone que era composto pelos milicianos Lesk, GL dentre outros tentou tomar as outras comunidades. Eles acabaram expulsos e foram pedir auxílio do miliciano Zinho para tentarem reconquistar a parte que eles perderam e toda a Gardênia.Zinho não pôde apoiá-los nessa guerra porque ele já estava apoiando guerras lá na Zona Oeste e fez interlocução com os traficantes Doca e Gadernaldo Comando Vermelho, que passaram a dar suporte bélico, de soldados, de armas, enfim de insumos, para que esses milicianos que passaram a integrar o Comando Vermelho assumissem a Gardênia Azul. Isso foi um início ali de muitos homicídios e os traficantes passaram a matar pessoas que eles acusavam ou desconfiavam de serem X9 ou de milicianos ou da polícia. Foi neste contexto que Erinaldo acabou sendo morto porque os traficantes acreditavam que ele fosse um X9 da polícia ou da milícia. Esse grupo de traficantes tinha o hábito de publicar os homicídios como forma de impor o medo aos demais moradores da região.Foi constatado na época diversas pichações com vulgos de traficantes que estavam atuando lá. O traficante que vai a júri popular pelo homicídio de Erinaldo era na época a liderança direta que atuava diretamente na Gardênia. Além da Gardênia, na época, haviam muitos homicídios também na Rua Araticum devido a essas pessoas que eram acusadas de participar da milícia, ou algum informante, algum simpatizante da milícia, o tráfico estava ali, estava executando. Tanto a milícia como o CV faziam quase que uma campanha de mídia, divulgando os atos, as ameaças, o que eles faziam, o que iam fazer. Ouvido na época, GL negou tudo e disse que nem conhecia a vítima. Confirmou que já tinha sido da milícia e rolou uma guerra ali e tinha que deixar a região. Ele também responde pelos homicídios dos três médicos, mortos na orla da Barra da Tijuca após um deles ser confundido com o miliciano Taillon de Rio das Pedras.

Traficante do CV vai a júri popular acusado de matar dois rivais do TCP e ganhar R$ 10 mil pela execução

A Justiça decidiu levar a júri popular Leandro Azevedo Pereira, acusado pelo Ministério Público de participar do assassinato de Geovani Braz Patrício de Oliveira e Marcos Cesar da Silva Costa, dois homens apontados na denúncia como integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), em meio à disputa territorial com o Comando Vermelho (CV). Segundo a acusação, após a execução, Leandro teria recebido R$ 10 mil de bonificação dos líderes do CV pela ação. O Ministério Público ofereceu denúncia contra Leandro Azevedo Pereira e outros acusados, imputando a ele a prática do crime previsto no artigo 121, § 2º, incisos I, IV e V, do Código Penal, ou seja, homicídio qualificado. De acordo com a denúncia, o crime ocorreu no dia 25 de abril de 2023, por volta das 20h, na Rua Altair, nº 171, em Anchieta, na Zona Norte do Rio. Segundo o MP, Leandro, agindo de forma livre e consciente e em comunhão de ações e desígnios com os traficantes Doca e Pedro Bala cujas ordens obedeceria, teria participado da ação com a intenção de matar Geovani e Marcos. As lesões provocadas pelos disparos, segundo os laudos de necropsia, foram a causa das mortes das duas vítimas. A denúncia afirma que os acusados seriam integrantes do Comando Vermelho, facção que dominava a localidade conhecida como Az de Ouro, e que o grupo mantinha disputas territoriais frequentes com criminosos da comunidade conhecida como Jaqueira, apontada como área ainda dominada pelo Terceiro Comando Puro, facção à qual, segundo a acusação, pertenciam as vítimas. No dia do crime, conforme o Ministério Público, Leandro e outros criminosos ainda não identificados seguiram de carro até a Rua Altair, nº 171, descrita na denúncia como local de traficância. Ao avistarem integrantes da facção rival, os criminosos teriam efetuado diversos disparos e fugido em seguida. Geovani Braz Patrício de Oliveira e Marcos Cesar da Silva Costa foram atingidos fatalmente. A denúncia afirma ainda que, depois do crime, Leandro teria comemorado em sua conta na rede social Twitter o resultado da ação, fazendo referência à morte dos chamados “dois alemães”. Ainda segundo o Ministério Público, a atuação teria sido reconhecida pelos líderes do Comando Vermelho, que teriam realizado o pagamento de uma bonificação de R$ 10 mil em razão da precisão na execução da empreitada criminosa determinada pelo grupo. Os elementos relacionados às redes sociais e ao suposto pagamento foram mencionados pelo MP nos anexos 37, 42 e 55 da investigação. Crime teria ocorrido em meio à guerra entre CV e TCP Na denúncia, o Ministério Público sustenta que o homicídio foi cometido por motivo torpe, em razão do conflito entre duas facções criminosas rivais e da tentativa de o TCP avançar territorialmente sobre pontos de venda de drogas, chamados de “esticas”. A acusação também afirma que o crime foi cometido de maneira a impossibilitar a defesa das vítimas, que teriam sido surpreendidas por criminosos fortemente armados. Outra qualificadora apontada pelo MP é a de que os homicídios teriam sido praticados para assegurar vantagem relacionada a outro crime, já que a ação teria como objetivo o controle do tráfico de drogas na região. Processo chegou à fase do Tribunal do Júri Leandro estava preso preventivamente em razão de outro processo. Depois do oferecimento da denúncia, a acusação foi recebida pela Justiça. A defesa apresentou resposta à acusação e, posteriormente, o recebimento da denúncia foi ratificado. Foi realizada audiência de instrução e julgamento, com a produção das provas e a oitiva das testemunhas. Nas alegações finais, o Ministério Público pediu a pronúncia de Leandro, para que ele fosse submetido ao julgamento pelo Tribunal do Júri. A defesa técnica, por sua vez, pediu inicialmente o reconhecimento da nulidade da prova digital apresentada no processo e, no mérito, a absolvição por insuficiência de provas. Defesa questionou prints de redes sociais A defesa alegou que haveria nulidade na prova digital porque seria apenas um print de tela isolado, sem perícia técnica e sem observância da cadeia de custódia da prova. O juiz rejeitou o argumento. Na decisão, o magistrado observou que a defesa não havia sequer especificado a qual print de tela isolado estava se referindo, não indicando a folha ou o índice do processo em que estaria localizado o material. Apesar disso, o juiz verificou a existência de prints nos IDs 114 e 883. Segundo os relatórios nos quais os materiais estavam inseridos, as imagens haviam sido obtidas de fontes abertas de contas em redes sociais, entre elas perfis no Instagram, Twitter e Facebook. Foram citados no processo os endereços de perfis como @constamarcos_21, o perfil do Twitter @diretodomiolo, além de @KiinTorre – Twitter e Kíín Torre (Carrapato Citty) – Facebook. Diante disso, a Justiça entendeu que a alegação da defesa não deveria ser acolhida.

EXECUÇÃO BRUTAL NA MILÍCIA DE JACAREPAGUÁ: QUATRO SÃO SUSPEITOS POR MORTE DE HOMEM QUE TERIA SIDO ESQUARTEJADO E TEVE CORPO DESAPARECIDO

Quatro homens identificados pelos vulgos “Russo”, “Caveirinha”, “Pitbull” e “Thierry” tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça por uma execução brutal ocorrida em uma área de atuação de milicianos na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. Segundo a denúncia do Ministério Público, Robson Sant’Anna Torres foi capturado, colocado em um veículo e levado até o local onde teria sido assassinado. Há relatos de que, depois da execução, a vítima teria sido esquartejada. O corpo, porém, nunca foi encontrado. Os quatro são acusados de homicídio qualificado e ocultação de cadáver pelo crime ocorrido em 28 de janeiro de 2025. A investigação foi conduzida pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA). De acordo com a decisão judicial que determinou as prisões, o assassinato teria ocorrido em contexto de criminalidade organizada. Para o magistrado, a gravidade concreta do crime e a violência empregada contra a vítima justificam a prisão preventiva para garantir a ordem pública. A investigação aponta que Robson teria sido levado contra sua vontade em um veículo até o ponto onde acabou executado. Depois da morte, testemunhas relataram que o corpo poderia ter sido esquartejado, numa possível tentativa de impedir que fosse localizado. Até hoje, no entanto, o cadáver não foi encontrado. A ausência do corpo não impediu o avanço da investigação. O Ministério Público considerou que os elementos reunidos no inquérito eram suficientes para denunciar os quatro acusados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. PRISÃO FOI NEGADA INICIALMENTE Antes de denunciar os quatro, a autoridade policial já havia pedido a prisão preventiva de “Russo”, “Caveirinha”, “Pitbull” e “Thierry”. Naquele primeiro momento, porém, o Ministério Público se manifestou contra a prisão e pediu 60 dias para reavaliar o caso. O juiz rejeitou então a representação policial, destacando que o Ministério Público, titular da ação penal, ainda não havia formado sua opinião sobre o oferecimento da denúncia. Posteriormente, após a análise do material investigativo, o Ministério Público ofereceu a denúncia contra os quatro. JUSTIÇA VÊ RISCO PARA TESTEMUNHAS Ao receber a denúncia, a Justiça afirmou que a investigação havia reunido indícios suficientes de autoria e que estavam presentes os requisitos para o início da ação penal. Na análise do novo pedido de prisão, o magistrado também apontou preocupação com a possibilidade de interferência na produção das provas. Segundo a decisão, as testemunhas indicadas na denúncia possuem vínculos com o local onde o assassinato teria ocorrido. Dessa forma, os acusados poderiam, em liberdade, causar medo ou insegurança nas testemunhas, comprometendo seus depoimentos. Para a Justiça, esse risco poderia prejudicar a reconstrução dos acontecimentos e impedir que os fatos fossem esclarecidos de maneira adequada. Por isso, o magistrado decretou a prisão preventiva de “Russo”, “Caveirinha”, “Pitbull” e “Thierry”, considerando a medida necessária para garantir a ordem pública e preservar a instrução criminal. Os quatro tiveram mandados de prisão expedidos, com prazo de validade de 20 anos. Os acusados responderão ao processo e ainda terão direito à ampla defesa e ao contraditório.

Justiça livra Doca, Gardenal, Pezão, Abelha e Pedro Bala de acusação por morte de manicure em Irajá

A Justiça arquivou a acusação contra alguns dos principais chefões do Comando Vermelho investigados pela morte da manicure Tatiany Brandão Cruz, de 41 anos, durante um ataque a tiros na comunidade da Malvina, em Irajá, na Zona Norte do Rio. Entre os nomes que ficaram fora da ação penal estão Edgar Alves de Andrade, o Doca; Pedro Paulo Guedes, o Gardenal; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; Thiago do Nascimento Mendes, o Pezão; e Pedro Bala, além de outros investigados. Na mesma decisão, porém, a Justiça recebeu a denúncia contra Thiago de Souza e Jonathan da Silva Vilela, que passam a responder criminalmente pela morte de Tatiany e pelas tentativas de homicídio contra dois idosos atingidos no mesmo ataque. O juiz também decretou a prisão preventiva dos dois. Tatiany morreu depois de ser baleada na cabeça durante o tiroteio. Segundo testemunhas, ela estava no portão de casa, fazendo as unhas de uma cliente, quando foi atingida pelos disparos. O ataque ocorreu em meio à disputa entre grupos criminosos pelo controle territorial da região. A investigação apontava para um confronto envolvendo integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP). Chefes do tráfico ficam fora da acusação A decisão judicial determina o arquivamento da investigação em relação a Edgar Alves de Andrade, Pedro Paulo Guedes, Wilton Carlos Rabello Quintanilha, Thiago do Nascimento Mendes, Carlos Costa Neves, Washington Cesar Braga da Silva e Luciano Martiniano da Silva. Ou seja, embora esses nomes tenham aparecido no curso da investigação, o Ministério Público promoveu o arquivamento em relação a eles, e o juiz registrou que não havia providência a ser tomada quanto a esse ponto. Entre os investigados estão criminosos de grande importância dentro da estrutura do Comando Vermelho, como Doca, Gardenal, Abelha, Pezão e Pedro Bala. Na prática, a decisão reduz de maneira significativa o número de acusados que irão responder pela morte da manicure. A ação penal seguirá contra Thiago de Souza e Jonathan da Silva Vilela. Dois acusados terão que responder pela morte Ao analisar a denúncia, o juiz entendeu que estavam presentes os requisitos para a abertura da ação penal contra Thiago e Jonathan. A denúncia atribui aos dois a prática de homicídio qualificado pela morte de Tatiany e duas tentativas de homicídio relacionadas aos idosos João dos Santos, de 71 anos, e Sebastião Gomes Valadão, de 72. O magistrado também considerou que havia elementos suficientes para justificar a prisão preventiva dos acusados. Entre as provas citadas estão documentos periciais relacionados à morte de Tatiany e aos ferimentos dos dois idosos. A decisão também destaca os depoimentos de duas testemunhas apresentados como testemunhas presenciais dos fatos. Segundo o juiz, os dois prestaram depoimentos detalhados durante a investigação e apontaram condutas atribuídas aos acusados. Manicure foi atingida no portão de casa Tatiany chegou a ser socorrida para uma unidade de saúde e posteriormente transferida para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas morreu em decorrência dos ferimentos. Os dois idosos também foram baleados durante o ataque. João recebeu alta, enquanto Sebastião permaneceu internado em estado estável. A morte da manicure provocou protestos de moradores da comunidade, que foram às ruas pedir mais segurança e justiça. Com a decisão, o processo agora terá como réus Thiago de Souza e Jonathan da Silva Vilela, enquanto a acusação contra os demais investigados — incluindo nomes de peso do tráfico como Doca, Gardenal, Pezão, Abelha e Pedro Bala — foi arquivada.

Do mapeamento ao bombardeio: drones viram armas na guerra entre facções em Vargem Grande.

Somente neste bairro, polícia fez apreensão e ouviu suspeito confessar que usa os equipamentos para atacar rivais Duas operações policiais realizadas em julho e agosto de 2026 reforçaram a ideia de uma nova dimensão da disputa territorial entre facções criminosas em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio: o uso de drones como ferramenta de guerra. Os casos mostram que os equipamentos vêm sendo empregados não apenas para vigilância e reconhecimento do terreno, mas também em ações ofensivas com explosivos. Somente neste bairro, polícia fez apreensão e ouviu suspeito confessar que usa os equipamentos para atacar rivais Os episódios ocorreram na comunidade Pombo Sem Asa e apresentam elementos que apontam para uma crescente utilização da tecnologia por criminosos envolvidos na disputa pelo controle da região. IMPORTANTE: Em outros locais do Rio, foram registrados vários ataques de granadas atiradas por drones mas em nenhum deles a polícia prendeu suspeitos nem apreendeu equipamentos muto menos ouviu depoimentos de suspeitos admitindo o uso dos aparelhos para atacar redutos rivais. Em julho, drone era usado para mapear território para invasão do TCP O primeiro caso veio à tona a partir de uma denúncia apresentada pelo Ministério Público em um processo relacionado a uma operação realizada em 10 de julho de 2026, durante um intenso confronto na comunidade Pombo Sem Asa. Segundo a denúncia, integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) tentavam retomar o controle da comunidade, então ocupada pelo Comando Vermelho (CV). A ação envolveu homens armados, que teriam utilizado tecnologia para auxiliar a ofensiva. Um dos denunciados admitiu aos policiais que atuava como operador de drone, realizando o mapeamento do terreno para orientar os traficantes que participavam da invasão. A função era considerada estratégica pela própria acusação. De acordo com o Ministério Público, o equipamento era utilizado para obter informações sobre o território e favorecer a movimentação dos criminosos durante a tentativa de retomada da comunidade. A dimensão militar da ação ficou ainda mais evidente com o arsenal encontrado pelos policiais em um terreno abandonado: um fuzil calibre 5,56 mm, uma pistola 9 mm com numeração suprimida, cinco granadas, além de um lançador de granada adaptado para drone e um carregador de drone. O Ministério Público classificou o episódio como um cenário de “guerra urbana” entre TCP e CV e destacou que o operador de drone exercia uma função técnica e estratégica dentro da organização criminosa. Ou seja, em julho, o drone aparece como uma ferramenta de inteligência, reconhecimento e preparação da ofensiva territorial. Um mês depois, drone passa do reconhecimento ao ataque Em agosto, uma nova operação policial em Vargem Grande revelou uma utilização ainda mais agressiva da tecnologia. Na madrugada do dia 12 de agosto, policiais militares realizaram uma operação na comunidade Pombo Sem Asa após identificarem o uso de um drone para transportar explosivos e realizar ataques contra a comunidade e forças de segurança. Segundo as informações divulgadas sobre a operação, dois criminosos foram presos e os policiais conseguiram rastrear o drone até uma cobertura alugada, apontada como ponto de controle do equipamento. Um dos momentos mais graves da ação ocorreu quando um blindado da Polícia Militar foi alvo de explosões provocadas pelos criminosos. Além das prisões, o drone utilizado na ação e materiais explosivos foram apreendidos. O caso passou a ser investigado pela 42ª Delegacia de Polícia, que busca identificar outros integrantes do grupo responsável pela utilização do equipamento. Dois episódios, uma mesma guerra Os dois casos, embora tenham ocorrido em momentos distintos, revelam uma evolução preocupante no emprego dos drones por criminosos em Vargem Grande. Em julho, o equipamento era utilizado para observar e mapear o território que seria alvo de uma invasão do TCP. Em agosto, um drone foi empregado para transportar explosivos e realizar ataques. A sequência chama atenção porque demonstra que a tecnologia passou a integrar diferentes etapas das ações criminosas: da coleta de informações sobre o território até operações ofensivas. O primeiro episódio também mostra que os drones já estavam incorporados ao aparato de guerra empregado na disputa entre TCP e CV. O segundo indica que a tecnologia passou a ser utilizada diretamente contra forças de segurança, aumentando o alcance dos ataques e permitindo que explosivos fossem transportados por via aérea. Os casos ainda têm outro ponto em comum: a comunidade Pombo Sem Asa, em Vargem Grande, cenário de confrontos e disputa territorial. A utilização de drones, portanto, deixa de aparecer como um recurso pontual e passa a fazer parte do próprio cenário de guerra entre grupos criminosos na região. As investigações deverão esclarecer se os episódios estão relacionados à mesma estrutura criminosa e qual é a extensão da utilização desses equipamentos pelas facções que disputam o território.

‘Deduraram’ paraplégico ao tráfico: filho revela execução de pai na Chacrinha por ser suposto X9 da milícia e aponta Tiriça entre envolvidos

O traficante Tiriça, que foi nomeado pelo chefe do Comando Vermelho, vulgo Doca, como o interventor da facção na guerra em Cordovil, teve a prisão preventiva decretada este ano suspeito de um homicídio cometido na comunidade da Chacrinha, na Praça Seca, em 2023. Corpo nunca foi encontrado Mário Luiz Gomes Trindade tinha 60 anos, era paraplégico e se deslocava com auxílio de muletas. O filho dele contou à polícia que Mário era usuário de cocaína e que, quando se mudou para a Chacrinha, a comunidade estava em guerra. Pouco depois, a facção criminosa Comando Vermelho se estabeleceu no local. Segundo o filho, Mário havia “desenrolado” com os traficantes sobre o passado dele com a milícia. O idoso teria explicado que já havia feito parte do grupo paramilitar que atuava na região, mas que havia deixado a organização e não participava mais de nenhuma atividade ilícita. O filho afirmou que, mesmo após essa conversa, soube que alguém da comunidade havia “dedurado” Mário para o tráfico, dizendo que ele estaria passando informações para a milícia. De acordo com o depoimento, Mário acabou morto no domingo, dia 9 de julho de 2023. Naquele dia, segundo o filho, estava ocorrendo um evento de bate-bola na favela, na localidade conhecida como Campo de 11. Ele acredita que os traficantes tenham aproveitado a realização do evento para pegar seu pai, por causa dos comentários de que o idoso estaria passando informações para a milícia. O filho contou ainda que soube de comentários na comunidade de que os traficantes haviam matado diversas pessoas durante o mês de julho. Segundo ele, os envolvidos na morte de Mário seriam GTA, Weltinho, Sussé, Tiriça, Menino Rei e Mbappé. O filho afirmou que Menino Rei e Mbappé teriam vindo do Complexo da Penha para reforçar a Chacrinha e seriam gerentes do tráfico na região. Perguntado novamente sobre o motivo pelo qual os traficantes teriam matado seu pai, o declarante afirmou acreditar que o crime poderia estar relacionado ao seu próprio envolvimento anterior com a milícia ou a alguma questão relacionada à dependência química de Mário. Uma testemunha revelou que Mário havia, na época, discutido com uma mulher de um bar próximo e, devido a isso, teria levado uma “trava” dos traficantes da comunidade. Segundo a testemunha, um dos filhos de Mário já havia sido preso por envolvimento com a milícia que atuava na Chacrinha. O idoso teria “dado o papo” aos traficantes de que tinha um filho envolvido com o grupo paramilitar, mas que ele havia deixado a milícia. Ainda de acordo com o relato, os traficantes teriam dito que estava tudo tranquilo, que Mário era “família” e que não iriam mexer com ele. A testemunha disse que perdeu contato com Mário no dia 10 de julho de 2023, quando tentou falar com ele pelo WhatsApp e por ligação normal, mas o telefone já estava desligado. Ela esteve na comunidade procurando por Mário e, após perguntar a conhecidos, soube que os traficantes do local haviam matado o idoso e levado o corpo “lá pra cima”. Questionada sobre o motivo que teria levado os traficantes a atentarem contra a vida de Mário, a testemunha afirmou não saber se foi pelo envolvimento do filho dele com a milícia ou por causa da discussão que o idoso havia tido com uma mulher na comunidade. Conversando com conhecidos na comunidade, soube ainda que os traficantes já haviam matado e ocultado os corpos de diversas pessoas desde que tomaram a favela. A testemunha disse que, na época, o responsável pela frente da favela da Chacrinha era o traficante conhecido como GTA e que o criminoso estaria diretamente ligado à morte de Mário. Segundo ela, a ordem para matar o idoso teria partido de GTA. Mário teria dito ainda que havia escutado na favela que o “papo” era matar qualquer pessoa que tivesse contato com milicianos. Testemunha relata expulsões, mortes e casas tomadas pelo tráfico Uma mulher afirmou que, em 2023, foi expulsa da comunidade e teve sua casa invadida e seus bens furtados por traficantes do Comando Vermelho que dominam a região até os dias de hoje. Na ocasião, compareceu à 28ª DP e reconheceu, por meio de mosaico de fotografias, todos os traficantes do Comando Vermelho que atuariam no local e que, segundo ela, subjugavam os moradores. Ela disse que, quando os traficantes chegaram à comunidade, tomaram diversas casas e colocaram os moradores para fora. As residências tomadas, segundo a testemunha, eram entregues aos próprios parentes dos traficantes. Esses criminosos também teriam matado diversos moradores que poderiam ter ou manter qualquer tipo de relação com os milicianos que anteriormente dominavam a comunidade e que foram expulsos da localidade. Sobre Mário, a mulher afirmou que ele tinha três filhos envolvidos com a milícia. Disse ainda que o idoso teria sido morto por GTA, Da Serra e Thiago. Apesar de ter sido expulsa, ela afirmou que tem irmãos e muitos familiares morando na Chacrinha até hoje e, por isso, continua tendo acesso a informações sobre tudo o que acontece na comunidade. Sua mãe ainda frequenta a Chacrinha, mas os traficantes não sabem que ela mora com a testemunha fora dali, em outra comunidade dominada pelo Terceiro Comando Puro. Ela afirmou que sempre alerta a mãe para que tenha cuidado. A testemunha contou ainda que uma jovem chamada Monalisa e outras duas pessoas teriam sido levadas pelos traficantes para serem mortas, entre elas um rapaz homossexual. Relatou também o caso de uma mulher que havia se relacionado com um miliciano. Segundo ela, os traficantes chegaram a pensar que a mulher também havia sido morta, mas ela conseguiu escapar. O miliciano com quem ela havia se relacionado, porém, foi morto pelos criminosos. A testemunha disse ainda que, após a invasão, cada traficante teria ficado responsável por uma vila. Mbappé e Sussué também tiveram as prisões decretadas.

Delegado expulso da Polícia Civil do RJ é suspeito de tentar transferir multas de trânsito para terceiros em esquema investigado pela Justiça

Um novo episódio envolvendo o ex-delegado da Polícia Civil do RJ Maurício Demétrio veio à tona a partir de depoimentos colhidos em investigação que apura supostas irregularidades praticadas pelo policial civil. Segundo o relato de um comerciante do ramo de automóveis, o então delegado teria solicitado ajuda para retirar infrações de trânsito do prontuário de um veículo e transferi-las para outras pessoas que aceitassem assumir a responsabilidade pelas multas. De acordo com o depoimento, o comerciante, proprietário de uma loja que atua na compra e venda de veículos, conheceu Demétrio em 2019, durante a negociação de uma Land Rover Evoque blindada e usada. A partir desse contato, segundo ele, os dois passaram a manter comunicação por mensagens de celular. O depoente afirmou que reconheceu os diálogos apresentados durante a investigação e confirmou que as conversas ocorreram entre ele e o delegado. Segundo o relato, em determinado momento, Maurício Demétrio teria pedido que ele “operacionalizasse” a transferência de infrações de trânsito para o prontuário de outra pessoa. O veículo envolvido seria uma Toyota Hilux, ano 2009, de cor preta, pertencente a Carlos Henrique. Conforme o depoimento, o delegado teria oferecido pagamento para pessoas que aceitassem assumir as multas como se fossem os verdadeiros condutores responsáveis pelas infrações. A proposta, segundo o comerciante, envolvia o pagamento por cada multa transferida. O dinheiro deveria ser repassado às pessoas que aceitassem receber os pontos em seus prontuários. O comerciante afirmou que procurou integrantes da própria família — incluindo sogra, filha, genro e esposa — que teriam concordado em assumir as infrações. Segundo ele, os documentos de notificação já chegavam assinados pelo proprietário do veículo, cabendo ao comerciante preencher os dados das pessoas indicadas como supostos condutores. Após o preenchimento, toda a documentação teria sido enviada ao Detran por meio do aplicativo oficial do órgão. No depoimento, o comerciante afirmou que não chegou a receber os valores prometidos pelo delegado e que o acordo não teria sido integralmente cumprido. Ele declarou ainda que, no momento em que realizou os procedimentos, não tinha conhecimento de que a conduta poderia configurar crime, tendo compreendido a suposta ilegalidade somente posteriormente, após orientação jurídica. O depoente assumiu responsabilidade pelos atos praticados, mas afirmou desconhecer se o proprietário do veículo tinha ciência da suposta irregularidade ou das tratativas feitas com o delegado. O caso passou a integrar o conjunto de acusações investigadas contra Maurício Demétrio, que já foi alvo de outras apurações envolvendo sua atuação como delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Demétrio foi preso há cinco anos durante uma operação que investigava um suposto esquema de cobrança de propina para permitir a comercialização de roupas falsificadas na Rua Teresa, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Embora tenha sido absolvido recentemente da acusação de obstrução de Justiça, Demétrio permanece preso em razão de outros processos ainda em andamento. Ele responde a acusações que envolvem crimes como organização criminosa, concussão, corrupção e lavagem de dinheiro. Antes de ser exonerado do cargo em 2024, l seu transporte para audiências presenciais era realizado pela instituição, mediante escolta que lhe garantia maior segurança e o mantinha afastado dos demais detentos. Depois disso, l perdeu a escolta oferecida pela instituição para os momentos em que era necessário deixar o presídio. Atualmente seuransporte para audiências é realizado pela SEAP, mediante requisição do Juízo. A defesa alega, durante sua carreira, Maurício foi um delegado combativo, tendo sido responsável pela prisão de centenas de pessoas. Assim, revela-se altamente perigosa a participação do requerente em audiências presenciais, pois há grande probabilidade de ele encontrar alguém cuja prisão decorreu de investigações por ele presididas . Diante disso, o ex-delegado vem solicitando, em todos os processos de que é parte, autorização para participar das audiências por videoconferência, diretamente do Complexo de Gericinó.

Relembre como foi o ataque a policiais civis que rendeu uma condenação de 87 anos de prisão a traficante do bando de Peixão (TCP). Bandidos fizeram reféns mas se entregaram: “”Vamos sair de boa, chefe, não atira não!

Armado com um fuzil de guerra, João Átila da Silva Botelho, conhecido como “J”, integrou o grupo de traficantes que transformou uma operação da Polícia Civil no Complexo de Israel, em 2023, em um cenário de guerra. Segundo o processo, os criminosos receberam os agentes a tiros, atingiram uma viatura da corporação, invadiram uma residência para escapar do cerco policial e fizeram o morador Leonardo e sua filha, Thalita, reféns até se renderem. Três anos depois, o Tribunal do Júri condenou João Átila por 13 tentativas de homicídio qualificado, além dos crimes de cárcere privado, cárcere privado qualificado e associação para o tráfico de drogas com emprego de arma de fogo. Conforme a denúncia e as decisões judiciais, policiais civis realizavam uma operação no Complexo de Israel quando foram surpreendidos por uma intensa sequência de disparos efetuados por traficantes que atuavam na comunidade. O confronto foi imediato e, segundo o magistrado que analisou o caso, os criminosos agiram com manifesta intenção de matar os agentes. Um dos disparos atingiu uma viatura da Polícia Civil e perfurou o encosto de um dos bancos do veículo, circunstância utilizada pela Justiça para demonstrar a extrema gravidade da ação. Após o intenso tiroteio, os policiais conseguiram identificar uma casa onde parte dos criminosos havia se escondido. Ao entrarem no imóvel, os traficantes renderam o morador Leonardo e sua filha, Thalita, mantendo ambos como reféns enquanto tentavam impedir o avanço das equipes policiais. A residência foi cercada e os policiais iniciaram uma negociação para libertar as vítimas e obter a rendição dos criminosos. Durante as tratativas, um dos integrantes do grupo saiu desarmado e caminhou em direção aos agentes dizendo: “Vamos sair de boa, chefe, não atira não!”. Após a rendição do primeiro suspeito, os demais traficantes também deixaram o imóvel e se entregaram. As prisões revelaram o poder de fogo da quadrilha. João Átila da Silva Botelho estava armado com um fuzil M16 modelo LA15. William dos Santos Silvestre portava um fuzil M16 modelo SAR223C, da fabricante Sarsilmaz. Rodrigo Jesus, conhecido como “Boxeador”, carregava um fuzil G3 calibre 7,62×51 milímetros e quatro granadas de mão ofensivas, capazes de produzir estilhaços. Filipe Querino Alves, o “PR”, estava com um fuzil FAL calibre 7,62×51, de fabricação argentina. Rafael Santos da Costa, o “Bomba”, portava um fuzil G3 calibre 7,62×51 da marca Federal Arms, com a numeração raspada. Samuel Rocha Ferreira, o “Samuca”, carregava um fuzil AR-10 calibre 7,62×51 e duas granadas ofensivas. Já Cauã de Carvalho Rodrigues estava armado com um fuzil AR-15 calibre 5,56×45 milímetros. Na audiência de custódia, o juiz homologou as prisões em flagrante e as converteu em preventivas. Na decisão, destacou a extrema periculosidade dos acusados, ressaltando que todos integravam o grupo que efetuou diversos disparos contra policiais civis com intenção de matar, utilizava armamento de guerra e granadas e ainda fez dois moradores reféns para tentar escapar da ação policial. O magistrado também afirmou que os elementos do processo demonstravam o forte vínculo dos presos com a organização criminosa responsável pelo tráfico de drogas na região, o que tornava necessária a manutenção das prisões para garantia da ordem pública e para evitar a continuidade das atividades da facção. Segundo a decisão, medidas cautelares diversas da prisão seriam insuficientes diante da gravidade concreta dos fatos. Os pedidos de prisão domiciliar formulados pelas defesas foram rejeitados por falta de comprovação dos requisitos legais. O caso foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, que julgou parcialmente procedente a denúncia do Ministério Público. João Átila da Silva Botelho foi condenado a 87 anos de prisão por 13 tentativas de homicídio qualificado, pelos crimes de cárcere privado e cárcere privado qualificado, em razão do sequestro dos moradores durante a fuga, além de associação para o tráfico de drogas com a causa de aumento pelo emprego de arma de fogo. Após a leitura da sentença, a defesa manifestou interesse em recorrer da decisão por meio de apelação.

Mataram um trabalhador inocente e ainda comemoraram: Justiça decreta prisão de seis traficantes do Chapadão (CV)

A Justiça do Rio recebeu a denúncia do Ministério Público e decretou a prisão preventiva de seis traficantes do Comando Vermelho (CV) acusados de participar da execução do barbeiro Fábio Oliveira Fortes, de 26 anos, que, segundo a investigação e os depoimentos de familiares, não possuía qualquer envolvimento com a criminalidade. O trabalhador foi assassinado no dia 1º de maio de 2025, durante um ataque promovido por criminosos do Complexo do Chapadão contra uma área de divisa com o Complexo da Pedreira, palco da guerra entre o CV e o Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo uma das testemunhas, integrantes do Comando Vermelho chegaram a comemorar o assassinato nas redes sociais, publicando a mensagem: “Baqueamos a barbearia e matamos um menino lá”. A testemunha afirmou que não conseguiu preservar a postagem, mas relatou seu conteúdo durante o inquérito policial. Entre os denunciados está Luiz Fernando Nascimento Ferreira, conhecido como “Nando Bacalhau”, chefão do Chapadão e preso há vários anos. Outro investigado é um traficante conhecido pelo vulgo “WL”. Ao todo, seis integrantes da facção tiveram a prisão preventiva decretada e responderão por homicídio qualificado, por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e para assegurar outro crime, além de organização criminosa. De acordo com a denúncia, Fábio era barbeiro, morava havia mais de dez anos na Estrada do Camboatá, em Costa Barros, e mantinha uma barbearia em frente à vila onde residia. Familiares foram unânimes ao afirmar que ele era trabalhador, não usava drogas, nunca havia sido preso, não possuía dívidas, não tinha inimigos e jamais integrou qualquer facção criminosa. Na manhã do crime, Fábio estava em frente à barbearia acompanhado de um homem identificado como Kraive, quando um veículo ocupado por criminosos se aproximou. Os ocupantes gritaram “Polícia!”, estratégia usada para surpreender as vítimas, e abriram fogo contra os dois. Kraive conseguiu fugir, mas Fábio foi atingido por diversos disparos. Moradores o socorreram para a UPA de Costa Barros e, posteriormente, ele foi transferido para o Hospital Municipal Souza Aguiar, onde morreu. Os depoimentos apontam que o verdadeiro alvo da ação seria Kraive, que já havia sido preso por roubo no fim de 2024, ou ainda integrantes do TCP que costumam circular pela região. As investigações também indicam que Fábio pode ter sido confundido pelos criminosos por trabalhar em uma área frequentada por moradores e por pessoas ligadas à facção rival. Familiares afirmaram ainda que sua barbearia atendia clientes de toda a comunidade, inclusive traficantes do TCP, sem que isso significasse qualquer participação na organização criminosa. Testemunhas explicaram que o local do homicídio fica em uma região estratégica, na divisa entre os territórios controlados pelo Comando Vermelho, no Complexo do Chapadão, e pelo Terceiro Comando Puro, no Complexo da Pedreira. Segundo os relatos, traficantes do CV realizam constantes invasões, conhecidas como “baques”, para tentar ampliar o domínio territorial e executar rivais. Também foi informado que criminosos costumam utilizar veículos e gritar “polícia” para surpreender as vítimas antes dos ataques. “A irmã contou à Polícia Civil que estava trabalhando quando recebeu uma ligação informando que o irmão havia sido baleado em frente à barbearia. Segundo ela, vizinhos socorreram Fábio até a UPA de Costa Barros e, posteriormente, ele foi transferido para o Hospital Souza Aguiar, onde morreu. Ela afirmou que o irmão nunca teve envolvimento com a criminalidade, trabalhava como barbeiro havia cerca de oito anos, não era usuário de drogas, nunca havia sido preso e não possuía qualquer ligação com facções. Em novo depoimento, acrescentou que acredita que os criminosos procuravam outro homem, identificado como Kraive, e relatou ter tomado conhecimento de uma postagem atribuída ao Comando Vermelho dizendo: “Baqueamos a barbearia e matamos um menino lá” Na decisão que recebeu a denúncia, o magistrado destacou que o crime possui extrema gravidade, ressaltando que há indícios de que os denunciados possuem estreita ligação com a organização criminosa que controla o tráfico de drogas no Complexo do Chapadão, inclusive ocupando posições de liderança. O juiz enfatizou que a vítima teve a vida ceifada simplesmente por exercer seu trabalho em uma localidade disputada por facções rivais, circunstância que demonstra a necessidade da prisão preventiva para garantia da ordem pública. Também ressaltou que a medida é necessária para proteger as testemunhas, especialmente os familiares de Fábio, cujos depoimentos serão fundamentais durante a instrução do processo. Com isso, a Justiça decretou a prisão preventiva dos seis denunciados e determinou a expedição de mandados de prisão com validade de 20 anos.

Filha de Piruinha comandava rede milionária de jogos de azar, usava laranjas para lavar dinheiro e expandia esquema para novas comunidades como a Rocinha (CV), aponta investigação

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva de Monalliza Neves Escafura, apontada pelo Ministério Público como a principal líder do clã Escafura após a morte de seu pai, José Caruzzo Escafura, o “Piruinha”, um dos últimos integrantes da chamada “velha cúpula” do jogo do bicho no estado. Ela está sendo acusada de lavagem de dinheiro. A denúncia descreve uma organização criminosa altamente estruturada, responsável por administrar dezenas de pontos clandestinos de jogos de azar, movimentar mais de meio milhão de reais por meio de laranjas, expandir a atividade para novas comunidades e manter um rígido controle financeiro sobre toda a operação. Segundo a investigação, Monalliza assumiu definitivamente o comando da organização após o falecimento de Piruinha, em 22 de janeiro de 2025. Antes disso, já atuava subordinada ao pai, participando diretamente da administração dos negócios ilícitos do clã. Com a morte do contraventor, passou a comandar de forma autônoma os pontos clandestinos de exploração de jogos de azar e todas as demais atividades criminosas da organização. Contabilidade clandestina movimentou mais de meio milhão de reais Um dos principais elementos da investigação foi a perícia realizada em um tablet Samsung SM-P615 e em um iPhone 14 Pro Max apreendidos com Monalliza. Nos aparelhos, os investigadores encontraram planilhas de contabilidade paralela, listas de pontos clandestinos, recibos de apostas, material promocional das atividades ilegais e comprovantes bancários que demonstram uma movimentação financeira superior a R$ 500 mil proveniente da exploração dos jogos de azar. Segundo o Ministério Público, a ocultação da origem desse dinheiro era feita por meio de uma sofisticada estrutura de lavagem de capitais, utilizando diversas pessoas interpostas. Entre os laranjas utilizados pela organização, a investigação destaca a companheira de Monalliza, Thamires apontada como uma das principais intermediárias para o recebimento de depósitos e movimentação dos recursos ilícitos. Chefe utilizava codinomes para comandar a quadrilha Os diálogos extraídos dos aparelhos eletrônicos revelam que Monalliza comandava pessoalmente todas as operações da organização. Segundo a denúncia, ela utilizava o pseudônimo “MariaTereza” e também o nome de usuário “José” para transmitir ordens aos subordinados, cobrar resultados financeiros, negociar prazos para repasses de dinheiro e acompanhar diariamente o funcionamento dos pontos clandestinos. As conversas demonstram que nenhuma decisão importante era tomada sem sua autorização. Gerente recolhia dinheiro, pagava funcionários e prestava contas diretamente à chefe Apontado como um dos homens de maior confiança de Monalliza, Renato exercia a função de gerente operacional da organização criminosa. Entre outubro de 2023 e março de 2024, ele era responsável por administrar integralmente os pontos clandestinos explorados pelo grupo, recolher diariamente os valores obtidos com os jogos ilegais, controlar o pagamento dos funcionários, supervisionar a rotina dos estabelecimentos e solucionar problemas operacionais. As mensagens analisadas mostram que Renato também comunicava à chefe dificuldades provocadas por ações policiais e obras próximas aos pontos clandestinos, além de organizar a logística dos repasses financeiros. Segundo o Ministério Público, centenas de milhares de reais foram encaminhados para Monalliza, normalmente em espécie ou por depósitos realizados em contas de laranjas indicados pela líder da organização, principalmente em nome de Thamires. Os investigadores destacam ainda que Renato demonstrava absoluta naturalidade ao tratar da atividade criminosa, discutindo cobranças financeiras aos operadores dos pontos, logística de entrega de dinheiro e mecanismos utilizados para ocultar os recursos, evidenciando que o crime havia se tornado seu principal meio de vida. Organização abriu novo cassino clandestino na Rocinha Outro núcleo da organização era comandado por Luiz Fernando responsável pela expansão dos pontos clandestinos. De acordo com a denúncia, entre maio e junho de 2024 ele recebeu ordens diretas de Monalliza para implantar um novo ponto de exploração de jogos de azar na Rocinha. O trabalho envolveu praticamente toda a estruturação do empreendimento ilegal. Segundo as investigações, Luiz Fernando assumiu o imóvel alugado, contratou eletricista, supervisionou toda a reforma, providenciou a instalação das máquinas caça-níqueis e equipamentos de bingo, adquiriu móveis, recrutou funcionários e ainda buscou clientes para o novo estabelecimento. Toda a operação foi financiada com recursos enviados por Monalliza por intermédio de terceiros, incluindo sua companheira, Thamires. As conversas interceptadas mostram que a própria chefe decidia quais equipamentos seriam instalados, quais materiais deveriam ser comprados e acompanhava o andamento da implantação do novo ponto clandestino. Grupo cobrava taxa mensal de R$ 2 mil para explorar máquinas Outro integrante identificado pela investigação foi outro Luiz Fernando que exercia funções de cobrador e intermediador da organização. Segundo o Ministério Público, ele era encarregado de negociar a abertura de novos pontos clandestinos em áreas vizinhas às dominadas pelo grupo, adquirir imóveis comerciais para utilização da quadrilha, fiscalizar o funcionamento dos estabelecimentos ilegais e cobrar uma taxa mensal de R$ 2 mil dos responsáveis pela exploração de cada ponto de jogo. As mensagens mostram que todas essas atividades eram executadas sob ordens diretas de Monalliza, que também determinava a expansão da atividade criminosa para territórios fronteiriços aos já controlados pelo clã. Organização espalhava pontos clandestinos por diversas comunidades A denúncia afirma que a estrutura criminosa comandada por Monalliza mantinha pontos clandestinos de jogos de azar em diversas regiões da capital fluminense. Entre os locais citados estão Vidigal, Rocinha, Piedade, Méier, Lins, Engenho de Dentro, Madureira, Cascadura, Quintino, Vaz Lobo, Parada de Lucas e Vigário Geral. Para os investigadores, a presença simultânea em tantas comunidades demonstra a dimensão da organização criminosa e sua capacidade operacional para administrar diversos estabelecimentos clandestinos ao mesmo tempo. Monalliza permaneceu foragida por dois anos Outro ponto destacado na denúncia é que Monalliza permaneceu foragida da Justiça por aproximadamente dois anos após a deflagração da Operação Louvre, realizada em 24 de maio de 2022. Ela somente foi presa em 19 de junho de 2024, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido em outra ação penal, na qual responde por crimes de extorsão e lavagem de dinheiro. Mesmo após ser investigada e presa anteriormente, o Ministério Público sustenta que ela não interrompeu as atividades criminosas e continuou administrando a organização. Justiça aponta risco de continuidade das atividades criminosas Ao pedir as prisões preventivas, o Ministério

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