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tráfico de drogas

Verdade ou mentira? Filho de Lacoste (TCP) anuncia que traficante abandonou o crime e deixou o Rio, publicou repórter

O jornalista Bruno Assunção divulgou em suas redes sociais uma mensagem atribuída ao filho do traficante Lacoste, apontado pela polícia como uma das principais lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Serrinha, em Madureira. Segundo a publicação, o criminoso teria decidido abandonar o tráfico e deixado o Rio de Janeiro. Na mensagem, o filho comemora a suposta decisão do pai: “Melhor notícia, pai. O senhor foi embora, graças a Deus. Quanto eu pedi a Deus por esse momento. Que Deus proteja sua viagem. Quem dizia que você nunca ia sair dessa vida… Te amo, pai. Uma nova vida, um novo recomeço. Felizão, porra, meu pai saiu!” A informação, porém, não significa que Lacoste tenha efetivamente deixado o crime. Até o momento, trata-se de uma declaração atribuída ao filho do traficante, e não de uma confirmação oficial de que ele tenha abandonado as atividades criminosas. Lacoste, também conhecido pelos apelidos de Flamengo, WC e Salomão, é apontado pelas autoridades como uma das lideranças do TCP. O Portal dos Procurados oferece recompensa por informações que levem à sua prisão. O Complexo da Serrinha reúne as comunidades da Serrinha, Fazenda, Patolinha, São José e Dendezinho e é considerado uma importante área de atuação do TCP na Zona Norte do Rio. Segundo informações policiais, a região possui pontos de venda de drogas e circulação de criminosos fortemente armados. Lacoste também é apontado como envolvido em disputas territoriais entre o TCP e o Comando Vermelho. Entre os episódios atribuídos ao criminoso está uma invasão ao Morro do Cajueiro. Durante um confronto na região, o menino Ryan Gabriel Pereira dos Santos, de 4 anos, foi baleado enquanto estava na rua com o avô. A criança chegou a ser levada ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas não resistiu. Lacoste estaria envolvido na recente guerra que eclodiu em Rio das Pedras, em Jacarepaguá, estando do lado dos milicianos contra o CV. De acordo com o Portal dos Procurados, Lacoste possui mandados de prisão por homicídio e associação para o tráfico de drogas. Ele também é considerado foragido do sistema penitenciário desde 2007, quando deixou o Instituto Penal Plácido Sá de Carvalho durante o regime semiaberto e não retornou à unidade. Outros traficantes já anunciaram que deixariam o crime A história de um traficante que supostamente decide abandonar a criminalidade, entretanto, não é inédita no Rio de Janeiro. Outros criminosos conhecidos já fizeram declarações semelhantes e posteriormente voltaram a aparecer em investigações policiais. Um dos casos mais conhecidos é o de Celsinho da Vila Vintém. Depois de passar cerca de 20 anos preso, o criminoso afirmou que havia abandonado o tráfico e passou a se dedicar à criação de porcos. Anos depois, porém, voltou a ser preso, acusado de atuar como elo entre integrantes do Amigo dos Amigos (ADA) e do Comando Vermelho. Outro episódio envolve Facão, apontado como um dos fundadores do TCP. Depois de deixar a prisão, chegou a ser divulgado que ele havia abandonado o crime e passado a trabalhar no AfroReggae. Posteriormente, porém, o criminoso voltou a ser alvo das autoridades e acabou preso acusado de envolvimento na morte de um policial militar. Há ainda o caso de Chapola, que comandava o Morro do Dendê, na Ilha do Governador. Também circularam informações de que ele teria abandonado a criminalidade e se mudado para Minas Gerais. O traficante acabou preso naquele estado e foi solto neste ano.

Complexo de Israel (TCP): investigações revelam tráfico que cobra taxas, controla serviços, mantém homens armados e trava guerras pelo território

As operações policiais realizadas desde a última sexta-feira (21) no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, acontecem em um território que, segundo uma investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, é submetido a uma estrutura criminosa muito mais ampla do que o comércio de drogas. A denúncia descreve uma organização ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP) que teria construído um sistema de poder baseado em tráfico, extorsões, exploração de serviços, cobrança de taxas, controle territorial, violência e uma estrutura armada utilizada contra rivais e agentes do Estado. O processo reúne informações sobre a atuação do grupo nas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Pica-pau e Cinco Bocas. Segundo o Ministério Público, a organização teria se estruturado para obter vantagens econômicas não apenas com a venda de entorpecentes, mas também com a exploração de outros serviços existentes no território. Entre as atividades apontadas pela investigação estão o fornecimento de TV a cabo, internet e a cobrança de taxas de funcionamento de estabelecimentos comerciais e de serviços. Também são mencionadas cobranças relacionadas a telecomunicações, distribuição de sinais de internet e transportes alternativos. Na avaliação do Ministério Público, o modelo de atuação apresentava características semelhantes às de uma milícia, razão pela qual a denúncia utiliza a expressão “narcomilícia” para descrever a estrutura. A organização, segundo a acusação, teria como objetivo ampliar o domínio territorial e transformar esse controle em fonte permanente de arrecadação. Estrutura hierarquizada e divisão de funções A denúncia descreve uma organização estruturalmente ordenada, permanente e com divisão de tarefas. No topo, segundo o Ministério Público, está Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como principal líder da organização. A investigação afirma que ele exerceria comando sobre o grupo e seria responsável pela administração da sistemática de arrecadação de aluguéis e taxas de funcionamento de comércio e serviços no chamado Complexo de Israel. Peixão também é apontado na denúncia como mandante de homicídios, torturas e invasões armadas a imóveis e áreas dominadas por grupos rivais. Ainda segundo o Ministério Público, foi durante sua liderança que o território controlado pelo grupo teria se expandido significativamente. A denúncia também atribui ao líder a imposição da fé cristã aos moradores das áreas dominadas. Abaixo da principal liderança, a investigação identificou diferentes funções. Um dos integrantes é apontado como braço direito e liderança do tráfico em Parada de Lucas, enquanto outro, mesmo estando preso, teria mantido posição de prestígio na hierarquia do TCP e continuado a se comunicar com subordinados, inclusive para autorizar ou orientar ações relacionadas a invasões de outras comunidades. Outro integrante, também atuando de dentro do sistema prisional, é apontado como responsável pela coordenação de invasões a comunidades rivais e pela execução de desafetos de Peixão, além de exercer influência sobre uma comunidade localizada em Duque de Caxias. Há ainda integrantes identificados como responsáveis pelo gerenciamento de pontos de venda de drogas em Cinco Bocas e Cidade Alta. Foi justamente a quebra do sigilo de dados de um dos celulares apreendidos durante a investigação que permitiu, segundo o Ministério Público, reunir um grande acervo de conversas entre integrantes da organização. Esse integrante também teria sido identificado em imagens publicadas em redes sociais ostentando armas de grosso calibre, um caderno de anotações do tráfico e fazendo gestos relacionados à facção. Outro denunciado é apontado como liderança do tráfico em uma área controlada pelo grupo fora da capital, no Buraco do Boi, em Nova Iguaçu. Segundo a investigação, ele aparecia em redes sociais em pontos de venda de drogas e ao lado de integrantes armados da organização. Braço armado e homens responsáveis pela segurança A estrutura tinha ainda uma camada dedicada exclusivamente à força. Um dos integrantes é apontado como braço armado da organização na Cidade Alta, tendo atuado anteriormente como segurança de uma liderança. A investigação afirma que ele ostentava armas de fogo em redes sociais e comemorava a morte de traficantes rivais. Outro integrante é apontado como responsável pelo gerenciamento das bocas de fumo da Cidade Alta e como um dos homens de confiança de Peixão, contando inclusive com segurança própria. Também havia criminosos responsáveis especificamente pela segurança das bocas de fumo e pela contenção de invasões de rivais e operações policiais. A denúncia cita, inclusive, um episódio em que um desses integrantes teria efetuado disparos contra uma guarnição da Polícia Militar que, ao tentar escapar do trânsito, acabou entrando na comunidade. Outro integrante exerceria a função de segurança armada, especialmente na Cidade Alta, enquanto outro atuaria como vendedor de drogas, descrito na investigação como responsável pela comercialização dos entorpecentes dentro da comunidade. A investigação aponta ainda outros três integrantes como seguranças armados da organização, sendo um deles descrito pelos investigadores como particularmente violento. O Ministério Público ressalta que os chamados “soldados do tráfico” exerciam também a função de proteger criminosos que ocupavam posições superiores na hierarquia da organização, permanecendo constantemente armados e utilizando outros equipamentos bélicos. Nem o SAMU escapou do domínio territorial Um dos episódios descritos no processo ajuda a mostrar até onde, segundo a investigação, chegava o controle exercido pelos criminosos. Em 2 de maio de 2022, uma ambulância do SAMU foi chamada para atender uma emergência dentro de uma comunidade. Quando a equipe chegou ao local, um integrante apontado pela investigação como segurança armado da organização abordou a técnica de enfermagem e o motorista da ambulância e determinou que eles deixassem a comunidade, alegando que naquele momento ocorria uma operação policial. O episódio demonstra, segundo os elementos reunidos na investigação, que os criminosos não se limitavam a controlar atividades diretamente relacionadas ao tráfico. Eles também impunham regras sobre a circulação de serviços públicos e de emergência dentro do território, utilizando a força e a ameaça como instrumento de controle. Menores também participavam da estrutura A investigação identificou ainda a participação de adolescentes na organização criminosa liderada por Peixão. Segundo o Ministério Público, menores de idade participavam ativamente de atividades de interesse da facção. A presença de adolescentes se somava à utilização de homens armados para garantir a vigilância das

“EXÉRCITO DO CV”: Doca, Gadernal e Pezão no comando de uma máquina de guerra que usa drones, fuzis e homens de guerra para dominar a Vila Kennedy e avançar sobre o Catiri

Uma investigação da Polícia Civil revela uma estrutura hierárquica do Comando Vermelho (CV) que, segundo a denúncia, atuava para manter o domínio da facção sobre a Vila Kennedy e, ao mesmo tempo, ampliar seu território para o Catiri, Jardim Bangu e áreas adjacentes, na Zona Oeste do Rio. O esquema descrito pelos investigadores reunia lideranças regionais, comando territorial, gerentes do tráfico, responsáveis pelas finanças, recrutadores, homens de guerra e soldados encarregados de executar incursões armadas. No topo dessa estrutura regional, segundo a denúncia, estavam Edgar Alves de Andrade, vulgo Doca, e Carlos da Costa Neves, vulgo Gadernal, identificados como líderes do Comando Vermelho com atuação nas comunidades do Complexo da Penha, Vila Kennedy e Catiri. Gadernal, segundo a acusação, atuava sob as ordens de Doca e era responsável por coordenar as ações de expansão territorial na região denominada Catiri, além de organizar o deslocamento de indivíduos da Vila da Penha para a Vila Kennedy. Logo abaixo dessa liderança regional aparece Marcelo Cardoso, vulgo Pezão, apontado na denúncia como o “dono” da comunidade Vila Kennedy. Segundo a acusação, Pezão encontrava-se recolhido ao sistema penitenciário, mas, mesmo preso, mantinha amplo e total domínio dos atos ilícitos praticados pelos integrantes da associação criminosa. De dentro do cárcere, ele dirigiria as atividades dos comparsas responsáveis pela exploração do tráfico de drogas naquela localidade. A investigação descreve, portanto, uma estrutura na qual a liderança poderia ser exercida mesmo a partir do sistema penitenciário, mantendo sob comando as atividades criminosas desenvolvidas nas ruas. Sombrão: o homem que controlava a Vila Kennedy Na estrutura territorial da Vila Kennedy aparece Jorge Alexandre Cândido Maria, vulgo Sombrão, apontado na denúncia como o “dono da Vila Kennedy”. Em outro trecho da investigação, Sombrão é identificado como lugar-tenente de Pezão, seu subordinado direto e responsável por atuar como o longa manus do chefe. Segundo a acusação, Sombrão era o “frente” da Vila Kennedy e controlava o funcionamento criminoso dos demais integrantes da associação. A investigação atribui a ele uma atuação que ia muito além da simples participação no tráfico. Sombrão seria responsável por oferecer apoio logístico à associação e fornecer abrigo a integrantes do tráfico. Segundo a denúncia, foi também Sombrão quem integrou Caio Felipe Ferreira da Cruz, vulgo Reizin, como soldado do tráfico do Comando Vermelho. Além disso, teria sido Sombrão quem autorizou Gadernal a ceder o controle do transporte alternativo de Bangu e adjacências para Rafael Luz Souza, vulgo Pulgão. Sombrão possuía ainda mandado de prisão em aberto, segundo a denúncia, após ter sido libertado por progressão de regime, retirado a tornozeleira eletrônica e não justificado sua conduta às autoridades competentes. Branco: o “dono dos drones” e os olhos da facção no território Logo depois de Sombrão aparece Alexsandro Teixeira Torres, vulgo Branco, apontado pela investigação como uma das peças estratégicas do aparato operacional utilizado pelo Comando Vermelho na guerra territorial. Branco, segundo a denúncia, era responsável por oferecer apoio aéreo aos traficantes locais e aos integrantes do Bonde dos Crias, utilizando drones para monitorar as regiões onde seriam realizadas as missões. Os equipamentos permitiam acompanhar a movimentação das áreas que seriam alvo das incursões e fornecer informações aos criminosos antes e durante as operações. As informações obtidas pelos drones eram repassadas aos demais integrantes da associação por meio dos grupos de WhatsApp utilizados para organizar as ações. A investigação ganhou novos elementos a partir da decisão judicial proferida no processo nº 0049046-76.2025.8.19.0001, que autorizou o afastamento do sigilo de dados telemáticos e das comunicações telefônicas armazenados no aparelho celular apreendido no IP 034-06345/2025. Posteriormente, segundo a denúncia, verificou-se que o aparelho pertencia ao menor Abraão de Paula Gomes da Silva, vulgo B2. A análise das mensagens enviadas aos grupos de WhatsApp permitiu, segundo os investigadores, identificar Branco como o “dono dos drones”. Sua atuação, conforme descrita na denúncia, não se limitava à operação dos equipamentos. Branco seria responsável por coordenar ataques e facilitar as movimentações dos criminosos, utilizando os drones para monitorar as áreas, indicar os alvos, apontar as rotas de acesso e acompanhar a movimentação dos milicianos. Com essas informações, segundo a acusação, Branco auxiliava os membros do Comando Vermelho, os chamados “soldados do tráfico” e os integrantes do Bonde dos Crias a evitar o cerco das forças de segurança pública, contribuindo diretamente para a efetividade das investidas criminosas. A denúncia aponta ainda indícios de que Branco seria responsável pelo lançamento de granadas por meio de drones na região do Catiri. Embora os ataques tivessem como alvo os milicianos, segundo a investigação, os artefatos acabavam por vezes atingindo residências que não possuíam qualquer relação com a guerra entre os criminosos. Os relatos constariam do RO 034-11771/2025. Também há registro, segundo a denúncia, de lançamento de drones na direção das forças policiais que atuavam no Catiri, conforme o RO 034-14663/2025. Chel da Congo e RD: recrutamento e formação do Bonde dos Crias Depois do núcleo de comando territorial, a investigação aponta Gabriel Pinagé do Carmo Maria, vulgo Chel da Congo ou Iluminado, e Rodney Lima de Freitas, vulgo RD, como responsáveis por uma das principais engrenagens da expansão territorial. Segundo a denúncia, os dois tinham a missão de recrutar jovens na Vila Kennedy e no Catiri para formar o grupo denominado Bonde dos Crias. O objetivo seria realizar incursões armadas para expulsar milicianos e consolidar o domínio do tráfico nas regiões do Catiri, Jardim Bangu e adjacências. RD é apontado como ex-integrante de grupos de milicianos que ingressou no tráfico de drogas do Comando Vermelho. Segundo a investigação, atualmente ele lidera a chamada Tropa do RD, formada por traficantes provenientes de diversas comunidades da Zona Oeste, e também uma célula denominada GAT dos Crias. RD ainda forneceria apoio logístico ao Bonde dos Crias. Para colocar as ações criminosas em prática, segundo a denúncia, RD recebia as missões dos líderes Doca e Gadernal e as repassava a Chel da Congo. Chel da Congo, por sua vez, atuaria recrutando e coordenando os chamados “soldados do tráfico” por meio de grupos de WhatsApp, especialmente os grupos “ATAQUE”, “ATAQUE RESULTADO” e

Ameaçado por Peixão (TCP) e endividado com traficantes, homem foi forçado a ir a Manaus buscar quase 20 kg de maconha para trazer para o sul do país. Acabou parado no aeroporto do DF

Usuário de drogas e endividado com traficantes, um homem chamado Felioe afirmou à Justiça que passou a ser ameaçado pelo traficante carioca Peixão e que, diante das pressões, acabou obrigado a cumprir uma missão para quitar a dívida: buscar uma grande quantidade de maconha em Manaus, no Amazonas, e transportá-la para a região Sul do país. A história terminou no Aeroporto Internacional de Brasília, onde Felipe foi preso com 19 tabletes de maconha, totalizando 19,305 quilos. Segundo a versão apresentada pela defesa no processo, Felipe teria sido colocado sob forte pressão por causa de uma dívida com traficantes. Ele alegou que recebeu ameaças de Peixão e que temia sofrer represálias caso não cumprisse a determinação de transportar a droga. A defesa utilizou justamente esse contexto para tentar demonstrar que Felipe não teria agido por livre vontade. USUÁRIO, DÍVIDA E AMEAÇAS De acordo com a versão apresentada no processo, Felipe era usuário de drogas e acabou contraindo uma dívida com traficantes. A situação teria se agravado quando, segundo seu relato, passou a receber ameaças de Peixão. Pressionado pelo débito e temendo pelas consequências caso se recusasse a colaborar, teria sido encarregado de buscar a droga em Manaus. A missão era transportar o entorpecente posteriormente para a região Sul. A defesa sustentou que as ameaças foram tão graves que Felipe teria agido sob uma situação de coação moral irresistível, argumento utilizado para pedir sua absolvição. QUASE 20 QUILOS DE MACONHA No dia 13 de novembro de 2025, por volta das 8h, a viagem terminou em Brasília. Felipe foi abordado no Aeroporto Internacional de Brasília transportando 19 tabletes de maconha, acondicionados em papel de seda e plástico filme. A perícia confirmou que a substância era maconha, com peso total de 19,305 quilos. Durante o processo, o próprio acusado confirmou que fazia o transporte da droga. A defesa, entretanto, insistiu que ele havia sido colocado naquela situação por causa da dívida e das ameaças que, segundo seu relato, teria recebido de Peixão. O próprio depoimento de Felipe também reforça a conexão da operação com o Rio de Janeiro. Segundo ele, as pessoas que fizeram contato com ele em Manaus para que pegasse a droga eram do Rio. Felipe afirmou que não sabia os nomes dos envolvidos, mas contou que, ao chegar a Manaus, recebeu uma ligação, foi buscado no aeroporto e levado para uma casa. No local, recebeu uma mala que já estava com a droga que deveria transportar para Florianópolis. A declaração é relevante porque, segundo o próprio acusado, a articulação para que ele buscasse o entorpecente em Manaus partiu de pessoas que tinham ligação com o Rio de Janeiro. Ele também relatou que não recebeu os nomes dos envolvidos porque, segundo sua versão, eles não confiavam nele o suficiente para revelar suas identidades. O acusado afirmou ainda que receberia R$ 1 mil pelo transporte e que consumiu grande quantidade de cocaína durante a passagem por Manaus. AMEAÇA NÃO CONVENCEU A JUSTIÇA A Justiça não aceitou a tese de que Felipe teria agido sob coação irresistível. O juiz considerou comprovadas a materialidade e a autoria do crime e rejeitou a alegação apresentada pela defesa. Assim, o caso acabou revelando uma história em que, segundo o próprio acusado, uma dívida relacionada ao consumo de drogas teria evoluído para ameaças de Peixão e o obrigou a entrar em uma operação para buscar quase 20 quilos de maconha em Manaus.

HISTÓRIA ANTIGA MAS NUNCA CONTADA: O papo foi dado, nóis vai cobrar’: policial penal que apreendia drogas no presídio encontrou ameaça do Comando Vermelho no carro dentro do Complexo de Gericinó e se aposentou por invalidez”

Uma história pouco conhecida, mas de enorme impacto, veio à tona em uma ação movida na Justiça por uma policial penal aposentada contra o Estado do Rio de Janeiro e o Rioprevidência. Na ação, a servidora sustenta que desenvolveu incapacidade permanente para o trabalho após sofrer uma ameaça de morte atribuída a integrantes do Comando Vermelho dentro do Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, e busca o reconhecimento de que sua aposentadoria decorreu de doença ocupacional, o que lhe garantiria proventos integrais. Segundo o processo, a policial ingressou na carreira em 2010 e, à época dos fatos, atuava na Penitenciária Moniz Sodré, unidade destinada a presos ligados ao Comando Vermelho. Lotada no setor de revista de visitantes, ela era responsável por impedir a entrada de drogas, armas e outros materiais ilícitos no presídio, realizando cerca de 250 revistas por plantão. A ação relata que, durante 2016, a servidora participou de diversas apreensões de drogas e conduções de visitantes à delegacia, após flagrantes de tentativas de introdução de entorpecentes na unidade prisional. O trabalho rigoroso teria desagradado integrantes da facção criminosa. Um dos episódios descritos ocorreu quando uma visitante de um detento do pavilhão B foi submetida a uma revista após o detector de metais apresentar repetidos sinais. Como não havia efetivo suficiente para operar o equipamento de escaneamento corporal, a mulher foi informada de que poderia aceitar a revista manual ou desistir da visita. Ela concordou com o procedimento e nada de irregular foi encontrado. Posteriormente, porém, colegas de trabalho informaram à policial que a visitante havia reclamado da abordagem aos integrantes da facção, acusando-a de supostos abusos e afirmando que o chamado “coletivo” do Comando Vermelho estaria revoltado com sua atuação. Embora a servidora reconheça que essas informações tenham chegado por intermédio de colegas, a ação sustenta que elas não poderiam ser tratadas como meros comentários diante do ambiente de violência vivido diariamente dentro do sistema prisional e do histórico de apreensões realizadas por ela. Dias depois, a ameaça se concretizou. Na tarde de 16 de novembro de 2016, ao deixar o plantão e caminhar até seu carro, estacionado ainda dentro do Complexo de Gericinó, a policial encontrou um papel preso ao retrovisor esquerdo do veículo. Ao abrir o bilhete, leu a seguinte mensagem: “O PAPO FOI DADO – NOIS VAI COBRA – TU TEM FAMILHA.” A ameaça fazia referência direta à família da servidora, que havia se tornado mãe no ano anterior, ampliando o temor de que não apenas ela, mas também seus familiares pudessem ser alvo da organização criminosa. O caso foi imediatamente comunicado à direção da Penitenciária Moniz Sodré. A administração determinou o encaminhamento da policial à autoridade policial, sendo registrado, no dia seguinte, o Termo Circunstanciado nº 034-14078/2016. O documento, segundo a ação, apreendeu o bilhete e relacionou a ameaça ao exercício das funções da servidora no setor de revista de visitantes e às constantes apreensões de drogas realizadas por ela, ressaltando ainda que a unidade era destinada a internos vinculados ao Comando Vermelho. Na ação judicial, a policial afirma que os episódios vividos no exercício da função culminaram no desenvolvimento de um quadro incapacitante que levou à sua aposentadoria por invalidez permanente, concedida em outubro de 2018. O benefício, entretanto, foi calculado com proventos proporcionais ao tempo de contribuição. Agora, ela pede que a Justiça reconheça que a invalidez decorreu diretamente das atividades exercidas como policial penal e do trauma provocado pelas ameaças sofridas em razão do combate ao crime organizado dentro do sistema penitenciário. Caso o pedido seja acolhido, a servidora terá direito à revisão da aposentadoria, com pagamento de proventos integrais e das diferenças salariais retroativas.

Veja detalhes de um flagrante que motivou operação da DRACO contra entrada de drogas em presídios do Rio

A apreensão de mais de 18 quilos de drogas e diversos aparelhos celulares dentro de uma unidade prisional do Rio de Janeiro deu origem à investigação que culminou na operação deflagrada nesta segunda-feira (03) pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), com apoio da Subsecretaria de Inteligência do Sistema Penitenciário (SSISPEN). A ação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa responsável por introduzir entorpecentes, celulares e acessórios no sistema prisional fluminense. Até o momento, três pessoas foram presas durante o cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão na capital e na Região Metropolitana. As investigações começaram após uma tentativa frustrada de ingresso de uma grande carga de drogas e aparelhos celulares em uma unidade prisional. O episódio, registrado em auto de prisão em flagrante e posteriormente detalhado em decisão da Justiça, revelou um esquema que, segundo a Draco, abastecia integrantes de facções criminosas presos no sistema penitenciário. De acordo com o processo, um policial penal responsável pela fiscalização de materiais que ingressavam na unidade utilizava o scanner, procedimento obrigatório durante a revista, quando percebeu, ainda à distância, imagens que indicavam a existência de objetos suspeitos no interior de uma das bolsas. Diante da suspeita, ele solicitou ao policial penal Wagner Jardim Dias, responsável pela inspeção dos materiais, que passasse novamente todas as bolsas pelo scanner até identificar aquela que havia despertado a atenção. Segundo o depoimento, Wagner abriu a bolsa de forma que o conteúdo não pudesse ser visualizado pelo colega, limitando-se a informar que havia “algo estranho” em seu interior. A atitude levantou ainda mais suspeitas. Outro policial penal determinou que todas as bolsas fossem novamente submetidas à fiscalização. Na nova revista, os agentes encontraram uma grande quantidade de materiais ilícitos escondidos nas bagagens. Foram apreendidos 3,48 quilos de cocaína, 15,10 quilos de maconha, 180 gramas de haxixe, além de diversos aparelhos celulares que seriam destinados aos presos. O policial que identificou a irregularidade afirmou em depoimento que o volume de drogas e celulares era tão expressivo que seria impossível passar despercebido durante uma fiscalização realizada de forma regular. Segundo ele, os superiores hierárquicos compareceram imediatamente ao local, acompanharam toda a apreensão e determinaram o encaminhamento da ocorrência para a Draco. Embora tenha afirmado que não viu quem deixou as bolsas na portaria da unidade, o servidor acompanhou toda a lavratura do procedimento policial. Com base nas investigações, a Polícia Civil concluiu que Wagner Jardim Dias, responsável pela custódia e inspeção dos materiais destinados ao presídio, teria permitido deliberadamente a entrada das bolsas contendo drogas e celulares, contrariando os protocolos obrigatórios de segurança. Segundo a decisão judicial, a quantidade de entorpecentes encontrada, o volume dos materiais e a forma como estavam acondicionados tornam incompatível a versão de que o agente não teria percebido a existência dos objetos ilícitos durante a fiscalização. Para a Justiça, há fortes indícios de que o policial penal tenha participado conscientemente da introdução clandestina do material dentro da unidade prisional, facilitando o abastecimento de integrantes de organizações criminosas presos no sistema penitenciário. A decisão destaca que a conduta atribuída ao servidor possui elevada gravidade por representar uma possível colaboração deliberada para o ingresso de drogas e aparelhos celulares no interior do presídio, comprometendo a segurança da unidade, a ordem pública e a credibilidade da administração penitenciária. O magistrado também ressaltou que a quantidade expressiva de drogas apreendidas, a variedade dos entorpecentes e a forma de execução da ação demonstram elevada periculosidade, justificando a manutenção da prisão preventiva para garantir a ordem pública, preservar a instrução criminal e impedir a continuidade das práticas criminosas. Ainda de acordo com a decisão, a apreensão de 3,48 quilos de cocaína, 15,10 quilos de maconha e 180 gramas de haxixe, substâncias consideradas de elevado potencial lesivo, reforça os indícios de intensa atuação no tráfico de drogas e de integração do investigado a organização criminosa, afastando a hipótese de um episódio isolado de traficância eventual. A Justiça também observou que, em casos envolvendo organizações criminosas, a prisão preventiva constitui medida necessária para interromper a atuação dos integrantes do grupo e impedir a continuidade das atividades ilícitas dentro do sistema penitenciário. A partir desse flagrante, a Draco aprofundou as investigações utilizando análise de imagens, cruzamento de informações, diligências de inteligência e investigação financeira, conseguindo identificar um grupo criminoso estruturado, com divisão de tarefas e atuação coordenada para introduzir drogas, celulares e acessórios destinados a integrantes de facções presos nas unidades prisionais do Estado. As investigações também revelaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda de um dos principais investigados. Segundo a Polícia Civil, ele movimentou mais de R$ 259 mil em transferências bancárias sem justificativa econômica aparente em um curto espaço de tempo. O conjunto de provas reunido pela Draco fundamentou os pedidos de prisão temporária e de busca e apreensão autorizados pela Justiça e cumpridos na operação desta segunda-feira, que busca desarticular a organização criminosa e identificar todos os envolvidos no esquema de abastecimento ilícito do sistema penitenciário fluminense.

Veja a publicação que mostra que Fernandinho Beira-Mar estava incluído na lista do governo dos EUA

Um documento oficial do governo dos Estados Unidos ao qual a reportagem teve acesso confirma a matéria do jornal Extra que o traficante brasileiro Luis Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar, foi incluído na lista de pessoas classificadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) como relacionadas ao tráfico internacional de drogas. O registro faz parte da lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN) do Departamento do Tesouro americano e identifica Beira-Mar pelo nome completo, apelido, data de nascimento e local de nascimento. No documento, Luis Fernando da Costa (a.k.a. Fernandinho Beira-Mar) aparece com data de nascimento em 4 de julho de 1967 e local de nascimento no Rio de Janeiro, Brasil. A classificação indicada é SDNTK, sigla usada pelo governo americano para identificar pessoas vinculadas ao tráfico internacional de entorpecentes. Além do brasileiro, o mesmo documento lista outros nomes apontados pelo governo dos Estados Unidos como integrantes ou relacionados a redes internacionais de narcotráfico. Entre eles está o mexicano Ismael Zambada Garcia, conhecido como “El Mayo Zambada”, apontado como um dos históricos líderes do cartel de Sinaloa. O registro também cita Eduardo Gonzalez Quirarte, do México, com diferentes nomes falsos atribuídos a ele. A lista inclui ainda Haji Ibrahim, do Paquistão; Samuel Knowles, das Bahamas; Oded Tuito, de Israel, que aparece com diversos nomes alternativos; e Mario Ernesto Villanueva Madrid, ex-governador do estado mexicano de Quintana Roo. Segundo o documento, todos esses nomes estavam classificados pelo OFAC na categoria SDNTK, relacionada ao narcotráfico internacional. A lista também registra alterações em outros nomes. Um deles é Kassim Abbas, identificado como cidadão iraquiano e com endereço posteriormente atualizado para a Alemanha. O documento informa ainda a retirada de Lieride Agudelo Galvez, da Colômbia, da lista de sanções do OFAC. A inclusão de Fernandinho Beira-Mar no cadastro americano demonstra que o governo dos Estados Unidos passou a tratá-lo oficialmente como um alvo de sanções relacionadas ao narcotráfico internacional, com possibilidade de restrições financeiras e comerciais dentro da jurisdição americana. O documento obtido pela reportagem, no entanto, é um registro histórico. A presença do nome de Beira-Mar na lista do OFAC não representa uma nova inclusão, mas confirma uma classificação feita pelo governo americano nos anos 2000. Quem é Beira-Mar Beira-Mar como um dos principais líderes da organização criminosa conhecida como Comando Vermelo), com atuação em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Complexo de Manguinhos, Complexo do Jacarezinho, Complexo do Chapadão, Complexo do Alemão, todas na capital fluminense, no Complexo do Salgueiro, em Niterói, nos municípios de Macaé, Petrópolis, Rio das Ostras, e, ainda, no Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Ele possui uma extensa ficha criminal com oitenta e seis anotações, incluindo tráfico nacional e internacional de drogas, tráfico internacional de armas de fogo, lavagem de dinheiro, organização criminosa transnacional, homicídio qualificado, extorsão mediante sequestro, corrupção ativa, entre outros delitos. No ano de 1999, após se evadir do sistema penitenciário fluminense, o agravante se aliou às FARC ¿ Forças Revolucionárias da Colômbia, passando a viver nas selvas deste país, oportunidade em que expandiu a mercancia de drogas a outros países da América do Sul. Dados de inteligência indicam que em 2000, o traficante implementou planos de ameaças a membros do Ministério Público que o investigavam. No ano de 2001, foi preso na selva colombiana. Contudo, mesmo encarcerado, o agravante manteve suas atividades ilícitas, utilizando-se de pessoas próximas e familiares para representá-lo. Nesta perspectiva, consta que somente na 62ª Delegacia de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, situada em Imbariê, Duque de Caxias, existem quarenta e três procedimentos, instaurados entre os anos de 2019 e 2022, que investigam a atuação do agravante e de seus asseclas na prática dos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, associação criminosa, roubo de carga, entre outros. Informações do DEPEN revelam, ainda, histórico de indisciplina do agravante em unidades prisionais. Em 2015, foi condenado a cento e vinte anos de reclusão pelo Tribunal do Júri, em razão de ser o mandante do homicídio de quatro integrantes de facção rival no interior do presídio Bangu I, durante uma rebelião ocorrida no ano de 2002.

Preso por suspeita de integrar milícia, policial civil também é investigado por tráfico de drogas sintéticas após flagrante com MDMA

Um policial civil preso no ano passado sob suspeita de integrar uma milícia que atuava em Belford Roxo também passou a ser investigado por envolvimento com o tráfico de drogas sintéticas, conforme revela um documento da Justiça obtido com exclusividade pela reportagem. A prisão do agente foi decretada no âmbito da investigação que apura a atuação da organização paramilitar na Baixada Fluminense. No entanto, durante o cumprimento do mandado, a operação revelou um cenário ainda mais grave. Na residência do policial, localizada no Condomínio Reserva do Parque, em Jacarepaguá, os agentes encontraram grande quantidade de drogas sintéticas escondidas dentro de um travesseiro no quarto do casal. Outra parte do entorpecente foi localizada no interior da viatura oficial da Polícia Civil que estava sob a posse do investigado. O policial foi preso em flagrante no dia 9 de dezembro de 2025. O laudo pericial confirmou que o material apreendido era composto por MDA e MDMA, totalizando mais de 180 gramas entre comprimidos e pó. Segundo o documento judicial, os elementos reunidos apontam para a prática de tráfico de drogas de forma individual, investigação distinta da apuração sobre a suposta participação do agente na milícia. Além dos entorpecentes, a operação apreendeu um verdadeiro arsenal em poder do policial: um fuzil, uma pistola Glock — ambos pertencentes ao patrimônio da corporação —, um simulacro de pistola, carregadores, munições, colete balístico, distintivo funcional de comissário, carteira funcional da SEPOL, um canivete, um coldre de Glock e a viatura oficial Toyota Corolla, prefixo 67-2098, utilizada pelo investigado.

Sob comando de Abelha, CV criou rede de células ainda na década passada para dominar Cabo Frio, aponta investigação

Pelo menos desde 2018, o traficante Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o “Abelha”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, coordena a expansão e o funcionamento da facção em Cabo Frio, na Região dos Lagos, por meio de uma estrutura criminosa dividida em células e inspirada no sistema de franquias empresariais. Essa organização foi alvo de uma grande operação deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que busca desarticular a estrutura operacional do grupo responsável pelo tráfico de drogas, controle territorial, ataques armados e imposição do domínio da facção na região. As investigações apontam que a principal área de influência do grupo era Unamar, distrito de Cabo Frio, onde o Comando Vermelho mantinha duas células locais subordinadas à liderança de Abelha. Havia ainda uma terceira célula instalada no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, de onde partiam ordens e o comando estratégico das ações criminosas. Segundo a Polícia Civil, a organização adotava um modelo semelhante ao de franquias empresariais: cada núcleo possuía autonomia operacional para administrar seu ponto de venda de drogas, mas permanecia subordinado à liderança de Abelha, seguindo determinações, estratégias e regras impostas pelo comando central. A primeira célula era chefiada por Demizinho, responsável pelo comércio de entorpecentes na Rua Sinagoga, Rua das Pacas e na Praça de Unamar. A segunda era comandada por Neurótico, que controlava a venda de drogas nas ruas Doze e Dezesseis, também em Unamar. Apesar da divisão territorial, os dois grupos atuavam de forma integrada e se uniam para promover ataques armados contra integrantes da facção rival, o Terceiro Comando Puro (TCP). As investigações revelaram ainda que Abelha comandava toda a estrutura criminosa a partir do Rio de Janeiro, coordenando as atividades da facção nas comunidades da Região dos Lagos. Ao longo das apurações, os agentes reuniram um amplo conjunto de provas, incluindo conteúdos extraídos de celulares e contas de integrantes da organização criminosa. As imagens mostram traficantes exibindo armamento de guerra, comercializando drogas, realizando incursões armadas contra áreas dominadas por facções rivais e instalando barricadas para dificultar a circulação de moradores e a entrada das forças de segurança. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a descoberta de um sofisticado esquema de delivery de drogas. De acordo com a Polícia Civil, os usuários faziam os pedidos por aplicativos de mensagens, realizavam o pagamento e recebiam os entorpecentes no endereço indicado, em um sistema que funcionava como um serviço de entrega. Durante a operação desta quarta-feira, os policiais cumprem mandados e buscam apreender armas de fogo, drogas, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam ampliar o conjunto de provas e identificar novos integrantes da organização criminosa.

A cúpula do CV às ordens para compra de arsenal e destruição de presídio: quem é Mexicano, chefão do tráfico com 15 anotações criminais caçado em operação no Dona Marta

O.princioal alvo da operação policial que causou pânico na manhã de hoje no Morro do Dona Martaem Botafogo, o traficante Mexicano possui extensa ficha criminal com destaque para os crimes de roubo, homicídios, tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico de drogas, o que pode ser comprovado pela simples análise da sua FAC com 15 anotações criminais, além de inúmeras investigações criminais que o apontam como liderança criminosa na comunidade. Ele é  arraigado nas articulações para venda de drogas ilícitas nos bairros de Botafogo e Copacabana e demais atividades ilegais. Quando esteve preso  Mexicano integrava ss chamadas “comissões” (composto pela cúpula da facção criminosa), quando, então, eram  repassadas as determinações do “Conselho de Líderes do Comando Vermelho”; há registros, inclusive, de determinação para aquisição de vasto material bélico a fim de retomar áreas eventualmente perdidas para outras facções e manter as já existentes. Ex-preso federal, depois que voltou ao RJ, Mexicano cometeu atos de danos ao patrimônio público em todas as celas das galerias B5, B6 e B7 da SEAPGC (Gabriel Ferreira Castilho), de forma coordenada, visando gerar instabilidade na segurança prisional, o que por meio de buscas, resultou na apreensão de materiais ilícitos. Ano passado, circulou informações que Mexicano havia sido rebaixado na hierarquia do tráfico no Dona Marra por suspeita de desvio de dinheiro. Segundo o que foi divulgado na época, teria implorado para não morrer.

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