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lavagem de dinheiro

LIBANESES INVESTIGADOS POR LIGAÇÃO COM FACÇÕES VÃO À JUSTIÇA PARA APAGAR DOS AUTOS REFERÊNCIA À AL-QAEDA

Investigados por suposta ligação com facções criminosas e envolvidos em uma investigação sobre lavagem de dinheiro, libaneses recorreram à Justiça para tentar retirar do processo referências à Al-Qaeda. A menção à organização terrorista internacional aparece no contexto das apurações conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que identificaram, segundo os autos, conexões entre os investigados e pessoas ligadas a grupos criminosos envolvidos com o narcotráfico. A tentativa de afastar a referência à Al-Qaeda ocorre dentro de uma ação penal que nasceu de uma investigação inicialmente relacionada a outro tipo de crime. A Polícia Civil começou a apurar a atuação da empresa JF Multimarcas, localizada no Complexo do São Carlos, na região central do Rio, depois de uma representação apresentada por um escritório de advocacia denunciar a produção e comercialização de produtos contrafeitos. O caso, porém, ganhou proporções maiores durante o trabalho de investigação. A análise das movimentações financeiras dos envolvidos, especialmente depois da quebra dos sigilos bancários, levou os investigadores a suspeitar de uma estrutura destinada à movimentação, ocultação e dissimulação de valores provenientes de atividades criminosas. De acordo com a narrativa apresentada pelo Ministério Público, a atividade empresarial investigada estaria relacionada a pessoas que exerceriam posições de liderança ou influência em facções criminosas dedicadas ao narcotráfico. A partir daí, a apuração passou a examinar não apenas a eventual comercialização de produtos ilegais, mas também o caminho percorrido pelo dinheiro. É nesse contexto que aparecem os libaneses e a referência à Al-Qaeda. Segundo os elementos apresentados no processo, os investigados teriam sido relacionados a integrantes ou estruturas ligadas às facções criminosas que atuam no Rio de Janeiro. A investigação também trouxe para os autos referências à organização terrorista internacional Al-Qaeda. Os libaneses, entretanto, tentam agora retirar essa referência do processo. A iniciativa judicial busca afastar dos autos a associação feita durante a investigação, impedindo que a menção à Al-Qaeda permaneça como elemento relacionado aos investigados. A questão é particularmente sensível porque a referência à organização terrorista aparece dentro de uma investigação que já havia identificado, segundo a acusação, conexões entre os investigados e integrantes de organizações criminosas responsáveis pelo tráfico de drogas. O processo descreve uma estrutura financeira que teria sido utilizada para dificultar a identificação da origem dos recursos. Segundo o Ministério Público, o dinheiro proveniente das atividades criminosas seria inicialmente introduzido no sistema financeiro por meio de depósitos pulverizados. A técnica é conhecida como smurfing. Em vez de realizar uma única operação de valor elevado, os recursos são fracionados em diversas transações de menor valor, muitas vezes distribuídas entre diferentes contas e pessoas. A finalidade, segundo a acusação, seria dificultar a detecção das operações pelos mecanismos de controle financeiro e evitar que as movimentações despertassem alertas automáticos. A investigação aponta que essa estrutura teria sido utilizada para a chamada reciclagem de capitais, permitindo que recursos provenientes de atividades ilícitas circulassem pelo sistema financeiro com o objetivo de ocultar sua origem. A origem da apuração, contudo, foi a JF Multimarcas. A empresa entrou no radar da Polícia Civil após a denúncia sobre a produção e comercialização de produtos contrafeitos. Com o aprofundamento das diligências, os investigadores passaram a analisar as relações financeiras e pessoais dos envolvidos. Foi a partir dessas diligências que, de acordo com os autos, apareceram indícios de que a atividade empresarial poderia estar relacionada a pessoas ligadas a facções criminosas do narcotráfico. A quebra dos sigilos financeiros teve papel importante na ampliação da investigação. A movimentação das contas permitiu aos investigadores reconstruir parte do caminho percorrido pelos recursos e identificar operações consideradas incompatíveis com a atividade empresarial declarada. Segundo a acusação, não se tratava apenas da circulação de dinheiro decorrente da venda de produtos. A suspeita era de que a estrutura empresarial e financeira pudesse ser utilizada para ocultar valores provenientes de atividades criminosas. O caso passou, então, a envolver suspeitas de lavagem de dinheiro e conexões com organizações criminosas. É justamente dentro dessa investigação que a referência à Al-Qaeda passou a integrar o processo e agora é alvo de contestação por parte dos libaneses. A estratégia dos investigados na Justiça concentra-se, portanto, em afastar uma das associações mais graves presentes na narrativa investigativa. A Al-Qaeda não aparece como objeto original da apuração — que começou com a denúncia contra a JF Multimarcas —, mas surgiu posteriormente no conjunto de elementos reunidos pela Polícia Civil. A discussão judicial deverá definir se a referência à organização permanecerá no processo e poderá continuar sendo considerada pelas autoridades na análise das relações dos investigados ou se deverá ser retirada dos autos. Enquanto os libaneses contestam essa parte da investigação, permanecem em discussão os demais elementos reunidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público sobre suas supostas relações com integrantes de facções criminosas e sobre a estrutura financeira investigada. O processo, dessa forma, reúne uma sequência que começou com uma denúncia de falsificação de produtos, avançou para a investigação de movimentações financeiras suspeitas, alcançou uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro relacionada ao crime organizado e passou a envolver pessoas apontadas como ligadas a facções do narcotráfico. No meio dessa investigação surgiu a referência à Al-Qaeda — e é justamente essa parte que os libaneses agora tentam retirar da ação penal. A Justiça terá de analisar os argumentos apresentados pelos investigados e os elementos que levaram a Polícia Civil e o Ministério Público a incluir a referência à organização terrorista no contexto da apuração. Os libaneses são suspeitos de integrar uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas. As investigações apontaram que a estrutura financeira prestava serviços ao Terceiro Comando Puro (TCP) e também ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação teve início a partir da atuação do TCP no Complexo de São Carlos, na Região Central do Rio. Ao longo das diligências, os agentes descobriram que a mesma engrenagem financeira também era utilizada para lavar recursos provenientes de outras facções criminosas, como o CV e o PCC,

TCP SOB PRESSÃO: facção perde territórios para o CV, contra-ataca e tenta reconstruir seu mapa de poder no Rio

O Terceiro Comando Puro (TCP) atravessa um dos períodos mais turbulentos de sua história recente no Rio de Janeiro. Desde 2025, a facção perdeu territórios importantes para o Comando Vermelho (CV), passou a enfrentar novas ofensivas em áreas consideradas estratégicas e, paralelamente, iniciou uma série de contra-ataques para recuperar espaços e impedir o avanço rival. O resultado é um cenário de disputas territoriais simultâneas, com confrontos em diferentes regiões da capital e também em Niterói, enquanto o grupo mantém sob seu domínio alguns de seus principais complexos. 1. 2025: o ano em que o TCP começou a perder terreno Depois de anos de confrontos, o TCP perdeu para o Comando Vermelho o controle do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte. A derrota não foi isolada. A facção também deixou de controlar os morros do Fubá e do Campinho, que passaram para o domínio do CV. As perdas atingiram áreas importantes do mapa criminal da cidade e aumentaram a pressão sobre o TCP, que passou a adotar uma postura mais ofensiva em outras regiões para tentar recuperar espaço. 2. Juramento virou uma das principais frentes de batalha Uma das disputas mais persistentes ocorre no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. O TCP vem tentando tomar a comunidade do CV e, segundo relatos, chegou a conseguir entrar no território em algumas ocasiões. O problema, porém, seria a dificuldade de manter homens no local de forma permanente. A disputa transformou o Juramento em uma das principais frentes de confronto entre as duas facções. À frente de parte dessa ofensiva está Walace de Brito Trindade, o Lacoste, apontado como chefe do Complexo da Serrinha, em Madureira. 3. Cordovil e Brás de Pina: uma guerra marcada por avanços e recuos Outra frente de conflito surgiu recentemente em Cordovil e Brás de Pina. O TCP conseguiu tomar do CV os morros do Dourado e da Tinta, mas posteriormente perdeu as áreas e voltou a recuperá-las. A disputa, entretanto, permanece aberta. Os confrontos nessa região ganharam um componente particularmente perigoso: o uso de drones para lançar granadas, com episódios que já deixaram moradores inocentes feridos. A escalada colocou essas comunidades entre os principais pontos de tensão da guerra entre as duas facções. 4. Jardim América também entrou no mapa da guerra O TCP também passou a enfrentar o CV no Jardim América, ampliando o número de frentes de confronto simultâneas. A multiplicação das disputas mostra que a guerra deixou de estar concentrada em poucos territórios e passou a envolver diferentes áreas da Zona Norte e da Zona Oeste. 5. Tijuca: territórios do TCP estão sob pressão Se existe uma região especialmente problemática para o TCP atualmente, é a Tijuca. Os morros da Casa Branca, Cruz e Chácara do Céu vêm sendo alvos constantes de ataques do CV. A violência chegou diretamente aos moradores. Nos morros Cruz e Chácara do Céu, mãe e filha foram feridas por granadas lançadas de drones durante os confrontos. Em meio aos ataques, criminosos ligados ao TCP também conseguiram matar um rival, apreender um fuzil atribuído ao CV e divulgar imagens nas redes sociais em tom de provocação. A violência foi tanta que os bandidos exibiram um video do suposto inimigo morto com o rosto completamente desfigurado e qie teria tido o corpo queimado. 6. Costa Barros e Barros Filho: outra área de risco O avanço do CV também atingiu territórios ligados ao TCP em Costa Barros e Barros Filho. A facção chegou a perder o controle do Morro do Chaves e do Bairro 13, no Complexo da Pedreira. A região se tornou mais um ponto de pressão sobre o grupo, que precisa administrar simultaneamente territórios ameaçados e novas tentativas de expansão. Operações policiais têm provocado resistência na região com traficantes espalhando caos pelas ruas. 7. Niterói: TCP tenta recuperar áreas perdidas A guerra não está restrita à capital. Em Niterói, o TCP se envolveu em uma intensa disputa pelo controle do Fonsequistão, região que esteve sob domínio da facção durante anos. O grupo conseguiu recuperar algumas áreas, mas a disputa demonstra que o cenário de instabilidade territorial também se espalhou para outros municípios da Região Metropolitana. Na Baixada, o TCP teria sido alijado de São João de Meriti e enfrentou golpes que resultaram em perdas e disputas por territórios com o CV em Belford Roxo. 8. Vargem Grande: uma derrota provocada por uma mudança de lado Outra perda recente ocorreu em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio. Uma mudança brusca no equilíbrio entre os grupos criminosos provocou a perda dos redutos que estavam sob influência do TCP, que acabaram passando para o CV. O episódio representa mais uma redução da presença territorial da facção na capital. 9. Aliança com milicianos amplia o campo de batalha Pressionado pelo avanço do CV, o TCP também passou a estabelecer alianças com grupos de milícia. Essa aproximação colocou a facção em disputas pelo controle de áreas da Zona Oeste, especialmente em regiões como Rio das Pedras e Curicica, em Jacarepaguá. O fenômeno tornou o mapa criminal ainda mais complexo, com alianças circunstanciais e inimigos que podem variar de acordo com o território. 10. Peixão: uma das principais lideranças do TCP Entre as principais figuras do TCP está Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como liderança do Complexo de Israel. Depois de passar um período escondido na Bolívia, Peixão retornou ao Rio de Janeiro. Pouco depois, a região sob sua influência passou a ser palco de uma nova frente de guerra contra o CV, especialmente em Cordovil. 11. Lacoste e a pressão sobre o Juramento Outra liderança de destaque é Walace de Brito Trindade, o Lacoste, apontado como comandante do Complexo da Serrinha, em Madureira. Seu nome aparece associado às ofensivas contra o CV no Juramento, uma das áreas onde o TCP tenta ampliar novamente sua presença territorial. 12. Apesar das perdas, TCP ainda controla grandes complexos O avanço do CV não significa que o TCP esteja próximo de desaparecer do mapa criminal do Rio. A facção ainda mantém o

MAPA DO CRIME EM GUERRA: CV EXPANDE DOMÍNIOS, ABRE NOVAS FRENTES PELO RIO E DIVERSIFICA NEGÓCIOS QUE MOVIMENTAM MILHÕES

Nos últimos anos, o Comando Vermelho ampliou significativamente seu poder no Rio de Janeiro, impulsionado principalmente pela tomada de territórios antes controlados por grupos rivais. Com o traficante Doca, do Complexo da Penha, apontado como principal liderança da facção nas ruas, o CV avançou sobre uma extensa área da Grande Jacarepaguá. A ofensiva atingiu comunidades como Barão, Bateau Mouche, Covanca, Teixeiras, Santa Maria, Chacrinha, Sítio Pai João, Morro do Banco, Muzema, Tijuquinha, Gardênia Azul, Cesar Maia, Fontela e Ipadu, entre outras áreas que estavam sob domínio de milicianos. Mais recentemente, a facção passou a dominar o bairro de Vargem Grande, também na Zona Sudoeste, após rivais do Terceiro Comando Puro aderirem à organização. Na Zona Norte, a facção também ampliou seu território. O CV avançou sobre o Morro dos Macacos, em Vila Isabel, e sobre os morros do Fubá e do Campinho, áreas que estavam sob controle do Terceiro Comando Puro (TCP). Matérias recentemente divulgadas na imprensa apontam que a expansão do CV a busca criar corredores de passagem na Região Metropolitana para acessar os Portos do Rio, de Itaguaí e a Baía de Guanabara. 2. Os próximos alvos A política expansionista, porém, está longe de ter terminado. Um dos principais focos atuais é Rio das Pedras, em Jacarepaguá. A disputa pelo controle da região se intensificou nas últimas semanas após quase 20 milicianos, segundo relatos, deixarem a milícia e aderirem ao Comando Vermelho. A movimentação provocou uma escalada da tensão e aumentou a pressão da facção sobre um dos principais redutos milicianos da Zona Oeste. Rio das Pedras, no entanto, não é o único alvo. Comunidades da Zona Oeste controladas pela milícia ligada ao grupo conhecido como Bonde do Zinho/PL, como Antares, Carobinha, Barbante e Cachamorra, vêm sendo alvo de ataques recorrentes do Comando Vermelho, principalmente de criminosos ligados ao Bonde de Rio das Pedras. Na Zona Norte, o CV mantém a pressão sobre áreas da Tijuca controladas pelo TCP. Entre os territórios cobiçados estão os morros da Casa Branca, Cruz e Chácara do Céu, palcos de constantes tiroteios. Na Baixada Fluminense, outro foco de tensão está em Itaguaí, onde o Comando Vermelho disputa áreas com o TCP e grupos milicianos. Uma recente escalada da guerra na cidade deixou três mortos. Em Costa Barros, na Zona Norte, a disputa entre CV e TCP também permanece. A região está inserida em uma antiga guerra pelo controle dos complexos da Pedreira e do Chapadão, um dos principais pontos de conflito entre as duas facções. As comunidades do Bairro 13 e do Morro do Chaves chegaram a ser tomadas pela organização. 3. Uma guerra que provocou uma reação policial O avanço territorial do Comando Vermelho colocou a facção no centro de uma das maiores ofensivas de segurança pública do estado. As forças policiais passaram a concentrar esforços não apenas na prisão de traficantes, mas também na interrupção da estrutura logística e financeira que sustenta a expansão territorial do grupo. É nesse contexto que foi criada a Operação Contenção, voltada para frear o avanço do Comando Vermelho e atingir sua capacidade operacional e financeira. Até o momento, a operação já resultou em mais de 370 prisões e 137 criminosos mortos em confrontos, segundo os dados divulgados pelas autoridades. Também foram apreendidas cerca de 480 armas, incluindo aproximadamente 190 fuzis, além de mais de 51 mil munições. 4. O CV não vive apenas do tráfico Ao mesmo tempo em que amplia seu domínio territorial, o Comando Vermelho também diversifica suas atividades criminosas e busca novas fontes de financiamento. A facção deixou de depender exclusivamente do tráfico de drogas e passou a atuar em diferentes setores da economia ilegal. Entre as atividades estão complexos esquemas de lavagem de dinheiro, incluindo o uso de estruturas clandestinas ligadas à mineração de criptomoedas e fraudes bancárias. A facção também incorporou a tecnologia à sua atuação criminosa, utilizando drones em operações e confrontos, além de novas estratégias de intimidação e monitoramento dos territórios. Outra frente de expansão está na exploração de serviços e mercados ilegais. Criminosos ligados ao grupo passaram a controlar ou disputar a distribuição clandestina de internet e televisão por assinatura, além de cobrar taxas e praticar extorsões contra comerciantes e moradores de áreas sob sua influência. 5. Clubes, pousadas e outros negócios Outras frentes de exploração envolvem clubes e pousadas. Segundo investigações, criminosos exigiam o pagamento de taxas para permitir o funcionamento dos estabelecimentos, enquanto pessoas de confiança da organização criminosa teriam assumido informalmente a administração dos locais. A atuação incluiria o controle de eventos, movimentações financeiras e decisões internas, mesmo sem qualquer vínculo jurídico ou estatutário com as instituições. Os valores movimentados chamam atenção. Somente com a exploração de um clube e de uma pousada, a facção teria gerado R$ 11 milhões. No Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, uma estrutura criminosa investigada por ocultação, dissimulação e lavagem de recursos ilícitos provenientes do tráfico teria movimentado mais de R$ 453 milhões. 6. Uma estrutura que ultrapassa as fronteiras do Rio O Comando Vermelho também montou uma estrutura criminosa de grande complexidade, com conselho nacional, conselhos regionais e articulação entre organizações criminosas de diferentes estados. As investigações apontam ainda para possíveis relações de cooperação com organizações criminosas de outros estados, inclusive com indícios de aproximação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa estrutura permite que decisões estratégicas, recursos financeiros e alianças ultrapassem os limites das comunidades controladas pela facção no Rio de Janeiro. 7. Quem está no comando Mesmo após quase três décadas no sistema prisional, investigações indicam que o traficante Marcinho VP continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção, sendo apontado como liderança do chamado conselho federal permanente do grupo. Segundo investigações, parentes do criminoso também teriam sido utilizados em operações relacionadas à lavagem de dinheiro da organização. Nas ruas, Doca é apontado como o principal homem do CV, mas outras figuras de destaque permanecem em liberdade. Entre elas estão Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, apontado como responsável pela gestão financeira do grupo, e Carlos da Costa Neves, o

Filha de Piruinha comandava rede milionária de jogos de azar, usava laranjas para lavar dinheiro e expandia esquema para novas comunidades como a Rocinha (CV), aponta investigação

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva de Monalliza Neves Escafura, apontada pelo Ministério Público como a principal líder do clã Escafura após a morte de seu pai, José Caruzzo Escafura, o “Piruinha”, um dos últimos integrantes da chamada “velha cúpula” do jogo do bicho no estado. Ela está sendo acusada de lavagem de dinheiro. A denúncia descreve uma organização criminosa altamente estruturada, responsável por administrar dezenas de pontos clandestinos de jogos de azar, movimentar mais de meio milhão de reais por meio de laranjas, expandir a atividade para novas comunidades e manter um rígido controle financeiro sobre toda a operação. Segundo a investigação, Monalliza assumiu definitivamente o comando da organização após o falecimento de Piruinha, em 22 de janeiro de 2025. Antes disso, já atuava subordinada ao pai, participando diretamente da administração dos negócios ilícitos do clã. Com a morte do contraventor, passou a comandar de forma autônoma os pontos clandestinos de exploração de jogos de azar e todas as demais atividades criminosas da organização. Contabilidade clandestina movimentou mais de meio milhão de reais Um dos principais elementos da investigação foi a perícia realizada em um tablet Samsung SM-P615 e em um iPhone 14 Pro Max apreendidos com Monalliza. Nos aparelhos, os investigadores encontraram planilhas de contabilidade paralela, listas de pontos clandestinos, recibos de apostas, material promocional das atividades ilegais e comprovantes bancários que demonstram uma movimentação financeira superior a R$ 500 mil proveniente da exploração dos jogos de azar. Segundo o Ministério Público, a ocultação da origem desse dinheiro era feita por meio de uma sofisticada estrutura de lavagem de capitais, utilizando diversas pessoas interpostas. Entre os laranjas utilizados pela organização, a investigação destaca a companheira de Monalliza, Thamires apontada como uma das principais intermediárias para o recebimento de depósitos e movimentação dos recursos ilícitos. Chefe utilizava codinomes para comandar a quadrilha Os diálogos extraídos dos aparelhos eletrônicos revelam que Monalliza comandava pessoalmente todas as operações da organização. Segundo a denúncia, ela utilizava o pseudônimo “MariaTereza” e também o nome de usuário “José” para transmitir ordens aos subordinados, cobrar resultados financeiros, negociar prazos para repasses de dinheiro e acompanhar diariamente o funcionamento dos pontos clandestinos. As conversas demonstram que nenhuma decisão importante era tomada sem sua autorização. Gerente recolhia dinheiro, pagava funcionários e prestava contas diretamente à chefe Apontado como um dos homens de maior confiança de Monalliza, Renato exercia a função de gerente operacional da organização criminosa. Entre outubro de 2023 e março de 2024, ele era responsável por administrar integralmente os pontos clandestinos explorados pelo grupo, recolher diariamente os valores obtidos com os jogos ilegais, controlar o pagamento dos funcionários, supervisionar a rotina dos estabelecimentos e solucionar problemas operacionais. As mensagens analisadas mostram que Renato também comunicava à chefe dificuldades provocadas por ações policiais e obras próximas aos pontos clandestinos, além de organizar a logística dos repasses financeiros. Segundo o Ministério Público, centenas de milhares de reais foram encaminhados para Monalliza, normalmente em espécie ou por depósitos realizados em contas de laranjas indicados pela líder da organização, principalmente em nome de Thamires. Os investigadores destacam ainda que Renato demonstrava absoluta naturalidade ao tratar da atividade criminosa, discutindo cobranças financeiras aos operadores dos pontos, logística de entrega de dinheiro e mecanismos utilizados para ocultar os recursos, evidenciando que o crime havia se tornado seu principal meio de vida. Organização abriu novo cassino clandestino na Rocinha Outro núcleo da organização era comandado por Luiz Fernando responsável pela expansão dos pontos clandestinos. De acordo com a denúncia, entre maio e junho de 2024 ele recebeu ordens diretas de Monalliza para implantar um novo ponto de exploração de jogos de azar na Rocinha. O trabalho envolveu praticamente toda a estruturação do empreendimento ilegal. Segundo as investigações, Luiz Fernando assumiu o imóvel alugado, contratou eletricista, supervisionou toda a reforma, providenciou a instalação das máquinas caça-níqueis e equipamentos de bingo, adquiriu móveis, recrutou funcionários e ainda buscou clientes para o novo estabelecimento. Toda a operação foi financiada com recursos enviados por Monalliza por intermédio de terceiros, incluindo sua companheira, Thamires. As conversas interceptadas mostram que a própria chefe decidia quais equipamentos seriam instalados, quais materiais deveriam ser comprados e acompanhava o andamento da implantação do novo ponto clandestino. Grupo cobrava taxa mensal de R$ 2 mil para explorar máquinas Outro integrante identificado pela investigação foi outro Luiz Fernando que exercia funções de cobrador e intermediador da organização. Segundo o Ministério Público, ele era encarregado de negociar a abertura de novos pontos clandestinos em áreas vizinhas às dominadas pelo grupo, adquirir imóveis comerciais para utilização da quadrilha, fiscalizar o funcionamento dos estabelecimentos ilegais e cobrar uma taxa mensal de R$ 2 mil dos responsáveis pela exploração de cada ponto de jogo. As mensagens mostram que todas essas atividades eram executadas sob ordens diretas de Monalliza, que também determinava a expansão da atividade criminosa para territórios fronteiriços aos já controlados pelo clã. Organização espalhava pontos clandestinos por diversas comunidades A denúncia afirma que a estrutura criminosa comandada por Monalliza mantinha pontos clandestinos de jogos de azar em diversas regiões da capital fluminense. Entre os locais citados estão Vidigal, Rocinha, Piedade, Méier, Lins, Engenho de Dentro, Madureira, Cascadura, Quintino, Vaz Lobo, Parada de Lucas e Vigário Geral. Para os investigadores, a presença simultânea em tantas comunidades demonstra a dimensão da organização criminosa e sua capacidade operacional para administrar diversos estabelecimentos clandestinos ao mesmo tempo. Monalliza permaneceu foragida por dois anos Outro ponto destacado na denúncia é que Monalliza permaneceu foragida da Justiça por aproximadamente dois anos após a deflagração da Operação Louvre, realizada em 24 de maio de 2022. Ela somente foi presa em 19 de junho de 2024, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido em outra ação penal, na qual responde por crimes de extorsão e lavagem de dinheiro. Mesmo após ser investigada e presa anteriormente, o Ministério Público sustenta que ela não interrompeu as atividades criminosas e continuou administrando a organização. Justiça aponta risco de continuidade das atividades criminosas Ao pedir as prisões preventivas, o Ministério

Clube alvo de operação contra lavagem de dinheiro do CV já havia sido alvo de disputa que antecedeu duplo homicídio de PM e perito

O Clube Marabu, localizado em Piedade, na Zona Norte do Rio, um dos alvos da operação deflagrada nesta terça-feira pela Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, já havia sido apontado como motivo de um duplo homicídio ocorrido no ano passado. As vítimas foram o subtenente da Polícia Militar Isaac Drummond de Azeredo e o perito judicial Sérgio Paixão Bonfim, executados a tiros na Rua Assis Carneiro, também na Zona Norte da capital. De acordo com as investigações realizadas na época, Isaac era um dos sócios do Clube Marabu e havia investido na reforma do espaço. O local, porém, despertava o interesse de traficantes do Morro do Dezoito, em Água Santa, que pretendiam assumir o controle da administração do clube. Antes de ser assassinado, o policial chegou a registrar em delegacia ameaças atribuídas aos criminosos. Operação mira estrutura financeira do tráfico A ação desta terça-feira, coordenada pela Polícia Civil, investiga uma sofisticada organização criminosa ligada ao tráfico de drogas que utilizava um clube recreativo e uma pousada para lavar dinheiro obtido com atividades ilícitas. Policiais cumprem mandados de busca e apreensão em endereços da capital fluminense e da Região dos Lagos. Entre os alvos estão o Clube Marabu, em Piedade, e uma pousada em Armação dos Búzios. A Justiça também autorizou o bloqueio de valores e ativos financeiros, a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, restrições sobre veículos e participações societárias, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e das empresas envolvidas. Clube era alvo de extorsão do tráfico A investigação teve início após dirigentes de um clube social denunciarem à Polícia Civil que vinham sendo ameaçados para abandonar a administração da entidade e entregar o controle do espaço a pessoas ligadas ao tráfico de drogas. Segundo as apurações da 52ª DP, as ameaças partiam da liderança do tráfico do Morro do Dezoito. Além da tentativa de assumir o comando do clube, os criminosos exigiam o pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir que o estabelecimento continuasse funcionando sem sofrer represálias. Durante as diligências, os investigadores identificaram indícios de um esquema semelhante no Clube Marabu, . As investigações revelaram que pessoas de confiança da organização criminosa passaram a administrar informalmente o espaço, controlando eventos, movimentações financeiras e decisões internas, mesmo sem qualquer vínculo jurídico ou estatutário com a instituição. Movimentações milionárias incompatíveis com a renda As apurações também identificaram um núcleo familiar responsável pela gestão financeira paralela do clube. De acordo com a Polícia Civil, um dos investigados atuava como principal operador financeiro da organização criminosa, enquanto uma segunda investigada administrava o clube de forma paralela. Um terceiro suspeito exercia funções de gestão e movimentou R$ 2,4 milhões em apenas seis meses, apesar de não possuir atividade empresarial formal compatível com esse volume de recursos. Outro investigado realizou cerca de 40 transferências via PIX, que somaram aproximadamente R$ 240 mil. Ele aparece como autor em cerca de 20 procedimentos policiais, muitos deles relacionados a roubos de carga. A investigação também identificou a participação de uma quinta investigada, que movimentou cerca de R$ 2,2 milhões em apenas seis meses, embora declarasse exercer a função de recepcionista, com renda aproximada de R$ 3,2 mil mensais. No mesmo período, ela recebeu cerca de R$ 253 mil de um dos principais alvos da investigação, por meio de seis transferências bancárias. A análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) apontou movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada dos investigados, além de intensa circulação de recursos entre familiares, empresas e pessoas físicas por meio de transferências bancárias, depósitos em espécie e operações fracionadas via PIX, indicando um sofisticado esquema de ocultação e lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.

Relatório da Justiça expõe suposto império milionário da esposa de Marcinho VP e detalha esquema de lavagem do Comando Vermelho

Relatório da Justiça obtido com exclusividade pela reportagem aponta que Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, esposa do traficante Marcinho VP, teria atuado como uma das principais responsáveis pela administração, ocultação e movimentação do patrimônio atribuído ao Comando Vermelho. A investigação descreve um suposto esquema que envolveria compra de imóveis milionários, aquisição de fazendas para blindagem patrimonial, movimentação de dinheiro em espécie, uso de testas de ferro e operadores financeiros, além de pagamentos realizados por integrantes da cúpula da facção criminosa. De acordo com o relatório, entre 2022 e 2023, Márcia teria adquirido um imóvel avaliado em R$ 1,3 milhão junto ao estabelecimento comercial Casa de Vidro. Embora recebesse os valores dos aluguéis, o bem teria sido registrado em nome de um terceiro com o objetivo de dificultar o rastreamento patrimonial e afastar suspeitas sobre a origem dos recursos. As investigações apontam ainda que ela administrava quitinetes localizadas no Complexo da Penha que, segundo os investigadores, foram construídas com recursos provenientes do tráfico de drogas. O documento também afirma que Márcia adquiriu propriedades rurais em Araruama e Iguaba Grande, que teriam sido utilizadas como instrumento de blindagem patrimonial da organização criminosa. O relatório sustenta que Márcia recebia grandes quantias em dinheiro vivo de traficantes identificados como Doca, Pezão e 2D. Conversas interceptadas pelos investigadores registrariam solicitações de repasses financeiros, com mensagens como: “manda o D2 entregar” e “vê quando o P vai mandar”. Segundo a investigação, ela também determinava depósitos em espécie para a aquisição de imóveis, ordenava pagamentos por PIX, transferências bancárias e outras operações executadas por pessoas utilizadas como testas de ferro. O relatório afirma ainda que Márcia recorria a operadores financeiros para quitar contas, movimentar recursos e realizar transferências utilizando contas de terceiros, inclusive para administrar valores destinados aos filhos. Outro trecho do documento aponta que a esposa de Marcinho VP exigia que traficantes integrantes do núcleo de liderança operacional do Comando Vermelho realizassem depósitos diretamente na conta do marido, preso em penitenciária federal. A investigação também detalha despesas pessoais consideradas incompatíveis com a renda declarada. Entre elas, a realização de um chá de bebê que teria custado R$ 8 mil, a compra de móveis no valor de mais de R$ 20 mil, o pagamento de R$ 10 mil em faturas de cartão de crédito e repasses mensais de R$ 3 mil destinados a Marcinho VP. Como resultado das investigações, a Justiça chegou a impor medidas cautelares contra Márcia Gama dos Santos, proibindo-a de frequentar comunidades dominadas pelo Comando Vermelho e também de visitar o presídio onde o marido cumpre pena.

Investigação revela como milícia de Rio das Pedras dividia território, cobrava moradores e ocultava patrimônio milionário

Uma investigação da Polícia Civil revelou como funcionava, por dentro, a estrutura da milícia que atuava em áreas de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. A organização teria dividido o território, distribuído funções entre seus integrantes e criado diferentes fontes de arrecadação, em um modelo descrito pelo Ministério Público como semelhante ao de uma empresa criminosa. No topo da estrutura, segundo a denúncia, estavam Dalmir Pereira Barbosa e Taillon de Alcântara Pereira Barbosa, apontados como os líderes da organização. Abaixo deles, havia integrantes responsáveis por funções específicas. “Missim”, apontado como homem de confiança de Dalmir, teria atuado na administração dos recursos arrecadados pela organização. Thiago era acusado de cuidar do abastecimento do grupo com armas e munições. A investigação também apontava que “Missim” havia participado de um episódio de tortura ocorrido em dezembro de 2021. Território era dividido para organizar a arrecadação Um dos aspectos revelados pela investigação era a forma como a organização teria dividido o território para facilitar a cobrança. Na região conhecida como Invasão, na Estrada do Itanhangá, as áreas eram repartidas entre diferentes responsáveis. Laerte era apontado como responsável por um dos setores. A Polícia Civil chegou a apontar Gerardo como responsável por outra área, mas depois reconheceu que havia ocorrido um erro na identificação do homem conhecido como “Bolado”. Por isso, a Justiça retirou Gerardo do processo. A estrutura funcionava em diferentes níveis. Enquanto os líderes comandavam a organização, os responsáveis por cada área administravam a arrecadação e os cobradores atuavam diretamente junto à população. Moradores que ocupavam imóveis também eram cobrados Segundo a denúncia, Luana, Naira e Janderson atuavam na cobrança de taxas dos ocupantes de imóveis nas áreas controladas pela organização. Luana exercia uma função de supervisão. Ela centralizava os valores arrecadados por Naira e Janderson e fazia a prestação de contas aos responsáveis pelo gerenciamento da área. A investigação, portanto, apontava para um sistema organizado de cobrança: os ocupantes de imóveis pagavam taxas à milícia, enquanto os valores eram recolhidos por cobradores e posteriormente repassados dentro da estrutura da organização. Os comerciantes tinham uma fonte de cobrança específica. Pablo era apontado como responsável pela arrecadação das taxas impostas aos estabelecimentos comerciais. A organização também explorava o fornecimento irregular de energia elétrica. Biel e Tipa eram acusados de fornecer energia clandestina e cobrar os moradores pelo serviço. Dinheiro teria sido transformado em patrimônio milionário A investigação também acompanhou o destino de parte dos recursos que, segundo o Ministério Público, eram obtidos pelas atividades criminosas. Em um dos casos, Dalmir teria utilizado R$ 300 mil na aquisição de um imóvel no Condomínio Praia do Café, em Angra dos Reis. O imóvel, porém, não havia sido registrado em seu nome. A companheira e o filho de Dalmir apareciam formalmente como compradores. Para os investigadores, a operação tinha como objetivo esconder a verdadeira propriedade do imóvel e dificultar a identificação da origem do dinheiro utilizado na compra. A acusação sustentava que a manobra havia sido planejada e coordenada por Dalmir para ocultar patrimônio que teria sido adquirido com recursos provenientes das atividades criminosas da organização em Rio das Pedras. Em outro episódio, Dalmir e Taillon eram acusados de participar da aquisição de uma lancha avaliada em aproximadamente R$ 1 milhão. A embarcação Humility havia sido registrada em nome de uma empresa, utilizada, segundo o Ministério Público, para dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários. A companheira de Dalmir também teria se apresentado como proprietária da lancha perante a marina onde a embarcação era mantida. Uma organização com várias fontes de renda O retrato traçado pela investigação era o de uma estrutura organizada para controlar território e arrecadar dinheiro. No topo estavam os líderes. Abaixo, responsáveis pelo dinheiro, pelas armas e por áreas específicas. Na ponta, cobradores encarregados de recolher as taxas diretamente dos ocupantes de imóveis e dos comerciantes. A organização teria explorado diferentes fontes de renda, como a cobrança de ocupantes de imóveis, a extorsão de comerciantes e o fornecimento irregular de energia elétrica. Segundo o Ministério Público, o modelo também envolvia a divisão territorial, a descentralização da administração e o uso da violência para manter o controle das áreas e afastar concorrentes. Parte do dinheiro obtido, de acordo com a acusação, teria sido transformada em patrimônio de alto valor, como o imóvel em Angra dos Reis e a lancha de R$ 1 milhão. A Justiça considerou que havia indícios suficientes para o prosseguimento da ação penal. As acusações ainda seriam analisadas durante o processo, e os denunciados tinham direito à ampla defesa e ao contraditório.

Documentos revelam como mulher de Marcinho VP usaria operador financeiro para movimentar dinheiro do tráfico

Documentos de uma investigação que levou à denúncia de um suposto operador financeiro do Comando Vermelho revelam detalhes dos bastidores da movimentação de dinheiro atribuída a Márcia Gama, apontada como mulher do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, uma das principais lideranças da facção criminosa. Segundo uma decisão judicial, Carlos Alexandre Martins da Silva é apontado pela Polícia Civil como suposto operador financeiro de uma liderança do Comando Vermelho e, especificamente, como operador financeiro pessoal de Márcia Gama. De acordo com o relatório policial citado na decisão, conversas interceptadas indicam que boa parte dos pagamentos feitos a mando de Márcia saía da conta bancária de Carlos Alexandre. A suspeita investigada é de que Carlos Alexandre teria utilizado suas próprias contas para realizar pagamentos e movimentar recursos supostamente relacionados a Márcia, dificultando a identificação da origem e do destino dos valores. O objetivo da estrutura, segundo a linha investigativa apresentada à Justiça, seria ocultar a origem de recursos supostamente ilícitos e integrar ativos relacionados ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro ao patrimônio aparentemente lícito. Um Honda Fit, ano 2019, foi apreendido durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em um imóvel localizado no Morro do Adeus, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, endereço relacionado a integrante do Comando Vermelho. A decisão judicial, no entanto, não afirma que o veículo pertencia diretamente a Márcia Gama ou que era utilizado por ela. A relação do automóvel com a investigação aparece no contexto da apuração contra Carlos Alexandre, apontado como suposto operador financeiro pessoal de Márcia. Ainda assim, para a Justiça, havia indícios de que o veículo poderia ter sido utilizado como instrumento de ocultação patrimonial e integração de ativos supostamente ilícitos ao patrimônio aparentemente lícito do investigado. A decisão autorizou a Polícia Civil a utilizar provisoriamente o Honda Fit em suas atividades. O veículo deverá receber placas reservadas e um certificado provisório de registro em nome da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O pedido de perdimento definitivo do automóvel não foi analisado neste momento. A Justiça decidiu que a questão deverá ser examinada posteriormente, na sentença da ação penal. A investigação ainda deverá esclarecer a extensão da atuação de Carlos Alexandre, a origem dos recursos movimentados em suas contas e a eventual relação patrimonial entre os bens apreendidos e os investigados. Carlos Alexandre Martins da Silva responde a uma ação penal e é considerado inocente até o trânsito em julgado de eventual condenação. Márcia Gama também tem direito à presunção de inocência em relação às acusações investigadas.

Alvo de operação que descobriu elo de facções brasileiras com a Al Qaeda já havia sido investigado desde 2018 por suspeitas de terrorismo e comércio irregular no Mercado Livre

Um dos alvos da Operação Hawala, deflagrada nesta quarta-feira (15) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), já havia sido investigado pela Polícia Federal desde 2018 por suspeitas que chegaram a envolver possível financiamento ao terrorismo e negociações irregulares de mercadorias pela internet. Trata-se do empresário Reda Zayoun, integrante de um núcleo de empresários de origem libanesa denunciado por participação em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 100 milhões em benefício de facções criminosas. Ele foi preso no Paraná. Documentos da Justiça Federal mostram que, em janeiro de 2018, a Polícia Federal representou pela expedição de mandados de busca e apreensão contra Reda Zayoun, E outros dois estrangeiros após receber denúncias de movimentações consideradas suspeitas em um apartamento localizado na Rua do Riachuelo, na Lapa, região central do Rio. Segundo a investigação da época, moradores do condomínio relataram que os estrangeiros utilizavam diariamente um maçarico e uma bacia metálica dentro do imóvel. Ao comparecerem ao local acompanhados pelo chefe de segurança do condomínio, agentes da Polícia Federal tentaram contato com os moradores, mas ninguém abriu a porta, embora houvesse indícios de que havia pessoas no interior do apartamento. Durante as diligências, os policiais também constataram que Reda Zayoun e Yasser Zayoun (outro alvo da operação de hoje) e um comparsa estavam em situação migratória irregular no Brasil. Suspeitas chegaram a envolver terrorismo Na representação encaminhada à Justiça Federal, a Polícia Federal sustentou que os elementos reunidos até aquele momento poderiam indicar, em tese, a prática de crimes contra a ordem econômica e até possíveis infrações previstas na Lei Antiterrorismo (Lei nº 13.260/2016). O Ministério Público Federal manifestou-se favoravelmente à busca e apreensão, entendendo que a denúncia anônima, a utilização constante de maçarico, a situação migratória irregular de parte dos investigados e a recusa em permitir a entrada dos agentes formavam um conjunto mínimo de indícios suficiente para justificar a medida cautelar. A Justiça Federal autorizou a operação em 31 de janeiro de 2018, determinando buscas para apreensão de eventuais peças de ouro comercializadas ilegalmente, armas, munições, maçaricos e outros objetos que pudessem comprovar os crimes investigados. Dinheiro apreendido teria origem em vendas pelo Mercado Livre Durante o cumprimento do mandado, em fevereiro de 2018, os policiais federais não encontraram armas, ouro ou qualquer material que confirmasse as suspeitas iniciais. Entretanto, apreenderam R$ 186 mil em espécie. Posteriormente, Reda Zayoun ingressou na Justiça alegando que o dinheiro era proveniente da venda de peças de reposição para celulares comercializadas pela plataforma Mercado Livre, atividade desenvolvida em sociedade com um homem chamado Yago. Segundo sua versão, Yago era responsável pela movimentação financeira do negócio, enquanto Reda realizava a compra das mercadorias em lojas físicas de São Paulo, efetuando pagamentos à vista e em dinheiro. Para comprovar a origem dos recursos, foram apresentados extratos bancários e comprovantes de saques realizados na plataforma Mercado Pago. Operação Hawala Sete anos depois, o nome de Reda Zayoun voltou ao centro das investigações. Nesta quarta-feira, a Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) deflagraram a Operação Hawala, que busca desmontar uma das maiores estruturas de lavagem de dinheiro já identificadas no Estado do Rio de Janeiro. A investigação começou a partir de apurações sobre a atuação do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de São Carlos, na região central do Rio. Ao longo das diligências, os investigadores descobriram que a organização financeira responsável por ocultar recursos do TCP também prestava serviços para outras facções criminosas, incluindo o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Polícia Civil, entre 2021 e 2024, o grupo movimentou mais de R$ 100 milhões utilizando dezenas de empresas de fachada espalhadas pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Essas empresas eram usadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados. As investigações revelaram uma sofisticada engenharia financeira baseada em depósitos fracionados, utilização de “laranjas”, sucessivas transferências entre empresas ligadas ao grupo, ocultação patrimonial e movimentações incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelos investigados. O trabalho contou com apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Polícia Civil. Os investigadores também identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa, integrado por Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun, apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais teriam sido utilizadas para movimentar valores entre operadores financeiros, empresas de fachada e integrantes das organizações criminosas. Outro ponto que chamou a atenção da investigação foi a identificação de movimentações relacionadas à Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), região historicamente monitorada por autoridades nacionais e internacionais devido à atuação de redes de lavagem de dinheiro e financiamento de organizações terroristas. Além disso, a Polícia Civil afirma ter identificado uma relação comercial entre empresa ligada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, apontado como integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Segundo os investigadores, essa possível conexão internacional ainda será aprofundada com a análise do material apreendido durante a operação. Ao todo, a Operação Hawala cumpre 10 mandados de prisão, 37 mandados de busca e apreensão e diversas medidas de bloqueio de contas bancárias, indisponibilidade de bens e participações societárias nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Até o momento, oito investigados já foram presos, enquanto as diligências prosseguem para identificar outros integrantes da organização e rastrear novos ativos financeiros ligados ao esquema. 22 denunciados O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou à Justiça 22 pessoas acusadas de integrar uma ampla rede de lavagem de dinheiro que opera para variadas facções criminosas do Brasil. Nesta quarta-feira (15/07), a Polícia Civil, pela Delegacia de Defesa dos

Preso em operação da PF, pastor Márcio Poncio já era investigado por suspeita de ligação com a máfia dos cigarros

O pastor Márcio Poncio, preso em operação deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal, já era investigado pelas autoridades há vários anos por suspeitas de envolvimento em um esquema de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial relacionado ao comércio de cigarros. A investigação teve origem em uma denúncia anônima apresentada à Ouvidoria do Ministério Público de São Paulo em 2021. O relato afirmava que Poncio, apontado como responsável de fato por empresas do setor tabagista, teria estruturado um esquema para esconder sua participação nos negócios e dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização. Segundo os autos, a principal empresa mencionada era a Win Distribuidora de Cigarros, que, conforme a denúncia, teria transferido sua sede do Rio de Janeiro para São Paulo e promovido alterações societárias para retirar oficialmente Márcio Poncio do quadro de sócios. Apesar disso, o documento sustentava que ele continuaria exercendo o comando da empresa, figurando apenas como procurador. A denúncia também citava outras empresas ligadas ao grupo, entre elas a New Ficet Indústria e Comércio de Cigarros, a Quality in Tabacos Indústria e Comércio de Cigarros e a Blue Comercial Ltda.. Conforme o relato encaminhado ao Ministério Público, alterações societárias e mudanças de endereço teriam sido utilizadas para ocultar o verdadeiro controle das companhias e dar continuidade às atividades sem despertar a atenção das autoridades. O documento ainda descrevia um suposto esquema de movimentação de grandes quantias em dinheiro em espécie provenientes da comercialização de cigarros, principalmente na região da Rua 25 de Março, em São Paulo. Os valores, segundo a denúncia, seriam recolhidos por pessoas ligadas ao grupo e posteriormente entregues a Márcio Poncio. As suspeitas também envolviam o uso de empresas e de terceiros para ocultação patrimonial, além da aquisição de imóveis e bens de luxo supostamente incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. Durante a apuração, o Ministério Público Estadual arquivou a parte relacionada aos crimes tributários por entender que não havia elementos suficientes para demonstrar a existência de sonegação fiscal ou de lançamento definitivo de tributos. O caso foi então remetido ao Ministério Público Federal para análise de possíveis crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro. Ao longo da investigação, a Polícia Federal e o MPF solicitaram informações à Receita Federal e à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Também foram verificadas centenas de inscrições em dívida ativa envolvendo empresas citadas na denúncia. Apesar disso, a Receita Federal informou não ter localizado lançamentos tributários definitivos ou ações fiscais capazes de caracterizar os crimes apontados. Diante da ausência de um crime antecedente que sustentasse a investigação por lavagem de dinheiro e da falta de provas suficientes, o Ministério Público Federal concluiu que não havia suporte probatório mínimo para o prosseguimento das investigações. Em abril de 2025, o MPF requereu o arquivamento do inquérito, destacando que, após o esgotamento das diligências realizadas, não foram encontrados elementos capazes de comprovar os delitos investigados. O arquivamento ocorreu sem prejuízo de eventual reabertura do caso caso surgissem novas provas, conforme prevê o artigo 18 do Código de Processo Penal. A existência desse inquérito demonstra, no entanto, que Márcio Poncio já vinha sendo monitorado pelas autoridades antes de voltar ao centro das investigações na operação realizada nesta quarta-feira. A ação de hoje Poncio é um dos alvos da quinta fase da Operação Unha e Carne com o objetivo de aprofundar apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo “capo” da nova cúpula do jogo do bicho, vulgo Adilsinho, e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro. Na ação de hoje, policiais federais cumprem cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Além disso, o STF determinou o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões.  Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro. As investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema. A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.

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