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lavagem de dinheiro

Documentos revelam como mulher de Marcinho VP usaria operador financeiro para movimentar dinheiro do tráfico

Documentos de uma investigação que levou à denúncia de um suposto operador financeiro do Comando Vermelho revelam detalhes dos bastidores da movimentação de dinheiro atribuída a Márcia Gama, apontada como mulher do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, uma das principais lideranças da facção criminosa. Segundo uma decisão judicial, Carlos Alexandre Martins da Silva é apontado pela Polícia Civil como suposto operador financeiro de uma liderança do Comando Vermelho e, especificamente, como operador financeiro pessoal de Márcia Gama. De acordo com o relatório policial citado na decisão, conversas interceptadas indicam que boa parte dos pagamentos feitos a mando de Márcia saía da conta bancária de Carlos Alexandre. A suspeita investigada é de que Carlos Alexandre teria utilizado suas próprias contas para realizar pagamentos e movimentar recursos supostamente relacionados a Márcia, dificultando a identificação da origem e do destino dos valores. O objetivo da estrutura, segundo a linha investigativa apresentada à Justiça, seria ocultar a origem de recursos supostamente ilícitos e integrar ativos relacionados ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro ao patrimônio aparentemente lícito. Um Honda Fit, ano 2019, foi apreendido durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em um imóvel localizado no Morro do Adeus, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, endereço relacionado a integrante do Comando Vermelho. A decisão judicial, no entanto, não afirma que o veículo pertencia diretamente a Márcia Gama ou que era utilizado por ela. A relação do automóvel com a investigação aparece no contexto da apuração contra Carlos Alexandre, apontado como suposto operador financeiro pessoal de Márcia. Ainda assim, para a Justiça, havia indícios de que o veículo poderia ter sido utilizado como instrumento de ocultação patrimonial e integração de ativos supostamente ilícitos ao patrimônio aparentemente lícito do investigado. A decisão autorizou a Polícia Civil a utilizar provisoriamente o Honda Fit em suas atividades. O veículo deverá receber placas reservadas e um certificado provisório de registro em nome da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O pedido de perdimento definitivo do automóvel não foi analisado neste momento. A Justiça decidiu que a questão deverá ser examinada posteriormente, na sentença da ação penal. A investigação ainda deverá esclarecer a extensão da atuação de Carlos Alexandre, a origem dos recursos movimentados em suas contas e a eventual relação patrimonial entre os bens apreendidos e os investigados. Carlos Alexandre Martins da Silva responde a uma ação penal e é considerado inocente até o trânsito em julgado de eventual condenação. Márcia Gama também tem direito à presunção de inocência em relação às acusações investigadas.

Alvo de operação que descobriu elo de facções brasileiras com a Al Qaeda já havia sido investigado desde 2018 por suspeitas de terrorismo e comércio irregular no Mercado Livre

Um dos alvos da Operação Hawala, deflagrada nesta quarta-feira (15) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), já havia sido investigado pela Polícia Federal desde 2018 por suspeitas que chegaram a envolver possível financiamento ao terrorismo e negociações irregulares de mercadorias pela internet. Trata-se do empresário Reda Zayoun, integrante de um núcleo de empresários de origem libanesa denunciado por participação em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 100 milhões em benefício de facções criminosas. Ele foi preso no Paraná. Documentos da Justiça Federal mostram que, em janeiro de 2018, a Polícia Federal representou pela expedição de mandados de busca e apreensão contra Reda Zayoun, E outros dois estrangeiros após receber denúncias de movimentações consideradas suspeitas em um apartamento localizado na Rua do Riachuelo, na Lapa, região central do Rio. Segundo a investigação da época, moradores do condomínio relataram que os estrangeiros utilizavam diariamente um maçarico e uma bacia metálica dentro do imóvel. Ao comparecerem ao local acompanhados pelo chefe de segurança do condomínio, agentes da Polícia Federal tentaram contato com os moradores, mas ninguém abriu a porta, embora houvesse indícios de que havia pessoas no interior do apartamento. Durante as diligências, os policiais também constataram que Reda Zayoun e Yasser Zayoun (outro alvo da operação de hoje) e um comparsa estavam em situação migratória irregular no Brasil. Suspeitas chegaram a envolver terrorismo Na representação encaminhada à Justiça Federal, a Polícia Federal sustentou que os elementos reunidos até aquele momento poderiam indicar, em tese, a prática de crimes contra a ordem econômica e até possíveis infrações previstas na Lei Antiterrorismo (Lei nº 13.260/2016). O Ministério Público Federal manifestou-se favoravelmente à busca e apreensão, entendendo que a denúncia anônima, a utilização constante de maçarico, a situação migratória irregular de parte dos investigados e a recusa em permitir a entrada dos agentes formavam um conjunto mínimo de indícios suficiente para justificar a medida cautelar. A Justiça Federal autorizou a operação em 31 de janeiro de 2018, determinando buscas para apreensão de eventuais peças de ouro comercializadas ilegalmente, armas, munições, maçaricos e outros objetos que pudessem comprovar os crimes investigados. Dinheiro apreendido teria origem em vendas pelo Mercado Livre Durante o cumprimento do mandado, em fevereiro de 2018, os policiais federais não encontraram armas, ouro ou qualquer material que confirmasse as suspeitas iniciais. Entretanto, apreenderam R$ 186 mil em espécie. Posteriormente, Reda Zayoun ingressou na Justiça alegando que o dinheiro era proveniente da venda de peças de reposição para celulares comercializadas pela plataforma Mercado Livre, atividade desenvolvida em sociedade com um homem chamado Yago. Segundo sua versão, Yago era responsável pela movimentação financeira do negócio, enquanto Reda realizava a compra das mercadorias em lojas físicas de São Paulo, efetuando pagamentos à vista e em dinheiro. Para comprovar a origem dos recursos, foram apresentados extratos bancários e comprovantes de saques realizados na plataforma Mercado Pago. Operação Hawala Sete anos depois, o nome de Reda Zayoun voltou ao centro das investigações. Nesta quarta-feira, a Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) deflagraram a Operação Hawala, que busca desmontar uma das maiores estruturas de lavagem de dinheiro já identificadas no Estado do Rio de Janeiro. A investigação começou a partir de apurações sobre a atuação do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de São Carlos, na região central do Rio. Ao longo das diligências, os investigadores descobriram que a organização financeira responsável por ocultar recursos do TCP também prestava serviços para outras facções criminosas, incluindo o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Polícia Civil, entre 2021 e 2024, o grupo movimentou mais de R$ 100 milhões utilizando dezenas de empresas de fachada espalhadas pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Essas empresas eram usadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados. As investigações revelaram uma sofisticada engenharia financeira baseada em depósitos fracionados, utilização de “laranjas”, sucessivas transferências entre empresas ligadas ao grupo, ocultação patrimonial e movimentações incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelos investigados. O trabalho contou com apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Polícia Civil. Os investigadores também identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa, integrado por Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun, apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais teriam sido utilizadas para movimentar valores entre operadores financeiros, empresas de fachada e integrantes das organizações criminosas. Outro ponto que chamou a atenção da investigação foi a identificação de movimentações relacionadas à Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), região historicamente monitorada por autoridades nacionais e internacionais devido à atuação de redes de lavagem de dinheiro e financiamento de organizações terroristas. Além disso, a Polícia Civil afirma ter identificado uma relação comercial entre empresa ligada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, apontado como integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Segundo os investigadores, essa possível conexão internacional ainda será aprofundada com a análise do material apreendido durante a operação. Ao todo, a Operação Hawala cumpre 10 mandados de prisão, 37 mandados de busca e apreensão e diversas medidas de bloqueio de contas bancárias, indisponibilidade de bens e participações societárias nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Até o momento, oito investigados já foram presos, enquanto as diligências prosseguem para identificar outros integrantes da organização e rastrear novos ativos financeiros ligados ao esquema. 22 denunciados O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou à Justiça 22 pessoas acusadas de integrar uma ampla rede de lavagem de dinheiro que opera para variadas facções criminosas do Brasil. Nesta quarta-feira (15/07), a Polícia Civil, pela Delegacia de Defesa dos

Preso em operação da PF, pastor Márcio Poncio já era investigado por suspeita de ligação com a máfia dos cigarros

O pastor Márcio Poncio, preso em operação deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal, já era investigado pelas autoridades há vários anos por suspeitas de envolvimento em um esquema de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial relacionado ao comércio de cigarros. A investigação teve origem em uma denúncia anônima apresentada à Ouvidoria do Ministério Público de São Paulo em 2021. O relato afirmava que Poncio, apontado como responsável de fato por empresas do setor tabagista, teria estruturado um esquema para esconder sua participação nos negócios e dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização. Segundo os autos, a principal empresa mencionada era a Win Distribuidora de Cigarros, que, conforme a denúncia, teria transferido sua sede do Rio de Janeiro para São Paulo e promovido alterações societárias para retirar oficialmente Márcio Poncio do quadro de sócios. Apesar disso, o documento sustentava que ele continuaria exercendo o comando da empresa, figurando apenas como procurador. A denúncia também citava outras empresas ligadas ao grupo, entre elas a New Ficet Indústria e Comércio de Cigarros, a Quality in Tabacos Indústria e Comércio de Cigarros e a Blue Comercial Ltda.. Conforme o relato encaminhado ao Ministério Público, alterações societárias e mudanças de endereço teriam sido utilizadas para ocultar o verdadeiro controle das companhias e dar continuidade às atividades sem despertar a atenção das autoridades. O documento ainda descrevia um suposto esquema de movimentação de grandes quantias em dinheiro em espécie provenientes da comercialização de cigarros, principalmente na região da Rua 25 de Março, em São Paulo. Os valores, segundo a denúncia, seriam recolhidos por pessoas ligadas ao grupo e posteriormente entregues a Márcio Poncio. As suspeitas também envolviam o uso de empresas e de terceiros para ocultação patrimonial, além da aquisição de imóveis e bens de luxo supostamente incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. Durante a apuração, o Ministério Público Estadual arquivou a parte relacionada aos crimes tributários por entender que não havia elementos suficientes para demonstrar a existência de sonegação fiscal ou de lançamento definitivo de tributos. O caso foi então remetido ao Ministério Público Federal para análise de possíveis crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro. Ao longo da investigação, a Polícia Federal e o MPF solicitaram informações à Receita Federal e à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Também foram verificadas centenas de inscrições em dívida ativa envolvendo empresas citadas na denúncia. Apesar disso, a Receita Federal informou não ter localizado lançamentos tributários definitivos ou ações fiscais capazes de caracterizar os crimes apontados. Diante da ausência de um crime antecedente que sustentasse a investigação por lavagem de dinheiro e da falta de provas suficientes, o Ministério Público Federal concluiu que não havia suporte probatório mínimo para o prosseguimento das investigações. Em abril de 2025, o MPF requereu o arquivamento do inquérito, destacando que, após o esgotamento das diligências realizadas, não foram encontrados elementos capazes de comprovar os delitos investigados. O arquivamento ocorreu sem prejuízo de eventual reabertura do caso caso surgissem novas provas, conforme prevê o artigo 18 do Código de Processo Penal. A existência desse inquérito demonstra, no entanto, que Márcio Poncio já vinha sendo monitorado pelas autoridades antes de voltar ao centro das investigações na operação realizada nesta quarta-feira. A ação de hoje Poncio é um dos alvos da quinta fase da Operação Unha e Carne com o objetivo de aprofundar apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo “capo” da nova cúpula do jogo do bicho, vulgo Adilsinho, e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro. Na ação de hoje, policiais federais cumprem cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Além disso, o STF determinou o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões.  Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro. As investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema. A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.

Cartões bancários com etiquetas de bocas de fumo revelam organização do caixa do tráfico na Vila Vintém (ADA)

A investigação da Polícia Civil do Rio que culminou com uma operação hoje para desarticular o braço financeiro da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), com atuação na comunidade da Vila Vintém, na Zona Oeste carioca, revelou um dado curioso. A apuração começou depois que um homem foi preso com dez cartões de contas bancárias usadas para movimentar o esquema e esses cartões tinham uma fita com os nomes de locais de boca de fumo da Vintém como Turquia e Selvinha O suspeito na época disse que os cartões pertenciam ao tráfico de drogas da Vila Vintém e seria para sacar o dinheiro no caixa eletrônico e entregar o dinheiro para integrantes da organização criminosa que domina o tráfico local da área; “Cada cartão pertencia a uma boca de fumo”, disse o suspeito que ganhava R$ 1.500 e confirmou quem recebia o dinheiro. O suspeito decidiu colaborar com a investigação, razão pela qual forneceu a senha de desbloqueio de seu aparelho telefônico celular aos policiais responsáveis pela diligência. Esclareceu, ainda, que franqueou voluntariamente o acesso ao referido aparelho, exibindo aos policiais civis e policiais militares as conversas e mensagens mantidas com os demais envolvidos nos fatos investigados, sem qualquer coação, constrangimento ou promessa de benefício, autorizando a visualização do respectivo conteúdo para fins de apuração dos fatos. Os elementos extraídos do aparelho celular apontam para sofisticada divisão de tarefas entre os integrantes da organização criminosa, identificando responsáveis pela arrecadação, prestação de contas, gerenciamento financeiro, movimentação de recursos por intermédio de transferências eletrônicas via PIX, utilização de contas bancárias de terceiros, saques em espécie e ocultação dos valores provenientes da atividade ilícita, circunstâncias corroboradas pelos comprovantes de transferências bancárias, fotografias de numerário, conversas mantidas por aplicativos de mensagens, depoimentos testemunhais e demais elementos constantes dos autos. As investigações apontam que o grupo movimentava cerca de R$ 500 mil por semana em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. As investigações identificaram um esquema estruturado para converter em dinheiro em espécie os valores obtidos com a venda de drogas.De acordo com os agentes, o comércio de entorpecentes na região era realizado, em grande parte, por meio de transferências via Pix e pagamentos em máquinas de cartão de crédito e débito. Segundo a apuração, os valores eram inicialmente transferidos para contas bancárias de terceiros, utilizados como laranjas no esquema. Em seguida, cartões vinculados a essas contas eram repassados a outros integrantes da organização, responsáveis por sacar os valores em espécie. Após esse processo, o dinheiro retornava à facção já desvinculado de sua origem ilícita, abastecendo novamente a estrutura financeira do tráfico. A investigação permitiu identificar 14 integrantes diretamente envolvidos na prática criminosa. Cada um movimentava, em média, cerca de R$ 5 mil por dia. A Justiça também determinou o bloqueio das contas bancárias utilizadas no esquema, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro da organização criminosa. A polícia teme concreto risco de evasão dos investigados, de ocultação de patrimônio ilícito, de destruição de aparelhos eletrônicos, alteração de registros bancários, exclusão de conversas mantidas por aplicativos de mensagens, dissipação dos ativos financeiros e intimidação de eventuais testemunhas, circunstâncias que recomendam a pronta atuação jurisdicional, sobretudo diante da notícia de que os investigados integram organização criminosa estruturada e voltada ao tráfico ilícito de entorpecentes e à lavagem de capitais.

Foi a partir de alerta de banco que polícia descobriu esquema milionário de lavagem de dinheiro da milícia do Catiri

Enquanto a operação da Polícia Civil contra a milícia do Catiri, em Bangu, já repercutiu em diversos veículos de imprensa, documentos judiciais obtidos pela reportagem revelam com mais profundidade como funcionava a estrutura financeira montada pelo grupo para lavar dinheiro e ocultar a origem ilícita dos recursos. O esquema, segundo as investigações, combinava fraudes bancárias, empresas de fachada, uso de laranjas e uma complexa rede de movimentação de valores destinada a dar aparência de legalidade a recursos obtidos por meio de crimes. As apurações começaram a partir de uma comunicação do Banco Santander, que identificou irregularidades em uma agência no Rio de Janeiro envolvendo a abertura de contas com documentação falsa e concessão indevida de crédito. O caso, inicialmente tratado como fraude bancária, revelou um prejuízo estimado em mais de R$ 5,2 milhões e serviu como ponto de partida para a descoberta de uma estrutura criminosa mais ampla. Segundo a investigação, o grupo atuava de forma organizada e permanente, com divisão clara de funções e forte integração entre pessoas físicas e jurídicas. No topo da estrutura estaria o chamado núcleo central, responsável por coordenar toda a engrenagem: criação de empresas, definição de operadores, controle indireto de contas bancárias e direcionamento dos fluxos financeiros. Esse núcleo seria formado por investigados que, segundo os autos, concentravam o poder decisório e a articulação estratégica do esquema. Abaixo dele, um núcleo operacional-financeiro executava as fraudes bancárias. Esse grupo era responsável por abrir contas em instituições financeiras utilizando documentos falsos ou adulterados, inserir dados ideologicamente inverídicos e viabilizar a contratação de linhas de crédito que, posteriormente, eram descumpridas de forma deliberada. Em diversos casos, o mesmo grupo operava múltiplas contas e empresas simultaneamente, criando uma malha de circulação artificial de recursos. Outro eixo fundamental da engrenagem era formado pelos chamados “testas de ferro”. Pessoas sem capacidade econômica compatível apareciam formalmente como sócios ou administradores de empresas utilizadas nas operações. Segundo os investigadores, essas pessoas eram usadas para ocultar os reais beneficiários das estruturas empresariais e dificultar o rastreamento patrimonial. Já o núcleo de circulação e pulverização de valores tinha como função fragmentar os recursos ilícitos. O dinheiro era transferido entre diversas contas de pessoas físicas e jurídicas interligadas, muitas vezes em pequenas quantias fracionadas, estratégia conhecida por dificultar a detecção por sistemas de controle financeiro. Após essa etapa, os valores retornavam ao sistema bancário com aparência de origem lícita, fechando o ciclo da lavagem. Relatórios de inteligência financeira do COAF e análises do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) identificaram movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos investigados, além de padrões repetitivos de transferências entre empresas ligadas entre si e contas utilizadas exclusivamente para trânsito de valores. As investigações também apontam o uso recorrente de empresas de fachada em diferentes setores da economia, muitas delas sem atividade operacional real, registradas em endereços inexistentes, residenciais ou compartilhados entre múltiplas pessoas jurídicas. Em vários casos, os mesmos sócios apareciam vinculados a diferentes empresas, todas movimentando valores expressivos sem lastro econômico compatível. Outro ponto destacado pelos investigadores é o uso de operações em espécie e transações fracionadas, estratégia considerada típica de estruturas de lavagem de dinheiro, voltada a evitar mecanismos automáticos de controle e comunicação obrigatória ao sistema financeiro. Para a Polícia Civil e para os órgãos de controle financeiro, o conjunto de elementos revela uma engrenagem criminosa altamente estruturada, com divisão de tarefas, atuação coordenada e mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial. O esquema, segundo os autos, não se limitava a fraudes isoladas, mas funcionava como um sistema integrado de circulação e dissimulação de recursos ilícitos dentro do sistema financeiro formal.

Investigação revela império de um dos alvos da operação no São Carlos (TCP): mansão, carros de luxo, controle da internet e bloqueio de R$ 347 milhões.

Pegando como gancho a operação que teve como alvo integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de São Carlos nesta semana, revelamos r detalhes sobre o que as autoridades descrevem como um verdadeiro império criminoso comandado por Rafael Carlos da Silva Ferreira, o Parazão, apontado como uma das principais lideranças da facção no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, Parazão não era apenas mais um traficante da organização. Os documentos afirmam que ele recebeu de Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, apontado como um dos chefes históricos do TCP, o controle do Morro da Mineira, uma das comunidades que integram o Complexo de São Carlos, na região central do Rio. De acordo com a apuração, Coelho teria dado a Parazão “carta branca” para administrar a Mineira da forma que desejasse, consolidando sua posição como uma das figuras mais influentes da facção. Mesmo preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, Coelho continuaria acompanhando assuntos relacionados à administração da região, segundo diálogos interceptados durante as investigações. Domínio sobre a Mineira e ligação entre Rio e Minas As investigações apontam que Parazão construiu uma estrutura que ultrapassava as fronteiras do Rio de Janeiro. Além de ser identificado como o “frente” do TCP na Mineira, ele também é apontado como líder da organização criminosa conhecida como Sala VIP, com atuação no aglomerado Cabana do Pai Tomás, em Belo Horizonte. Para os investigadores, a estrutura funcionava como uma verdadeira empresa criminosa, com operadores financeiros, responsáveis por movimentação de dinheiro, transporte de drogas, logística e controle territorial. Mansão, carros de luxo e vida de alto padrão A investigação também descreve um padrão de vida incompatível com a renda formal dos envolvidos. Segundo os investigadores, recursos atribuídos a Parazão teriam sido utilizados para aquisição de um imóvel de alto padrão no bairro Paraíso, em Belo Horizonte, além da compra de veículos de luxo utilizados por pessoas ligadas ao grupo. Os documentos apontam que o imóvel teria sido adquirido por intermédio de pessoas próximas ao traficante e pago com recursos oriundos das atividades criminosas atribuídas à organização. Entre os veículos citados na investigação aparecem uma Mitsubishi ASX, avaliada em cerca de R$ 70 mil, uma Mitsubishi Outlander, uma Toyota Hilux SRX avaliada em aproximadamente R$ 185 mil, além de um Volkswagen Nivus, Honda Civic, Toyota Corolla e outros automóveis que acabaram atingidos pelas medidas judiciais. Segundo os investigadores, parte desses bens estaria registrada em nome de terceiros para dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários. A investigação também aponta gastos elevados com imóveis, veículos, despesas pessoais e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos. Controle da internet nas comunidades Outro ponto que chamou atenção das autoridades foi o suposto controle exercido por Parazão sobre o mercado de internet em áreas dominadas pelo grupo. Segundo diálogos interceptados, ele recebia mensalmente cerca de R$ 50 mil provenientes do chamado “negócio da internet”. As investigações indicam que empresas concorrentes teriam dificuldades para atuar em determinadas comunidades sem autorização da organização criminosa. Mensagens analisadas pelos investigadores mostram integrantes discutindo se determinados provedores poderiam ou não instalar serviços nas regiões controladas pelo grupo. Rede milionária de lavagem de dinheiro A investigação aponta a existência de uma complexa rede financeira utilizada para movimentar recursos atribuídos à organização. Relatórios de inteligência financeira identificaram pessoas ligadas ao grupo movimentando milhões de reais em contas bancárias apesar de possuírem rendas formais baixas ou incompatíveis com os valores transacionados. Um dos operadores financeiros citados teria movimentado mais de R$ 4,8 milhões em suas contas. Outro investigado aparece associado a transações que ultrapassariam R$ 12 milhões. Há ainda registros de movimentações superiores a R$ 8,6 milhões realizadas por investigados que declaravam renda mensal pouco acima de mil reais. Segundo as autoridades, a estrutura utilizava empresas, contas de terceiros e sucessivas transferências para ocultar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro. Empresas sob suspeita Os investigadores também identificaram empresas que teriam sido utilizadas para movimentar recursos relacionados ao grupo criminoso. Entre elas aparecem provedores de internet, empresas de transporte, importação, exportação e outros negócios que passaram a ser monitorados pelas autoridades. Uma das empresas citadas na investigação movimentou mais de R$ 52 milhões em aproximadamente um ano. Outra teria registrado cerca de R$ 22 milhões em operações consideradas incompatíveis com o faturamento declarado. Para os investigadores, parte dessas empresas funcionaria como mecanismo para ocultação e circulação de dinheiro da organização criminosa. Drogas, armas e rota entre estados As investigações também apontam que integrantes do grupo atuavam no transporte de drogas entre Minas Gerais e Rio de Janeiro para abastecer áreas dominadas pela facção. Os investigadores encontraram registros de negociações envolvendo cocaína, crack, maconha, drogas sintéticas e armas de fogo. Também foram localizadas imagens de fuzis, carregamentos de entorpecentes e referências diretas ao TCP e à chamada Sala VIP. As apurações identificaram ainda deslocamentos frequentes de integrantes do grupo para regiões próximas à fronteira com o Paraguai, área historicamente associada às rotas de entrada de drogas no Brasil. Bloqueio de R$ 347 milhões Diante do conjunto de provas reunidas durante a investigação, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, aplicações financeiras, empresas, veículos e outros bens ligados aos investigados. O valor das medidas patrimoniais chega a R$ 347,6 milhões. Além dos bloqueios financeiros, a decisão também determinou restrições sobre diversos veículos apontados como ligados à estrutura investigada. Para as autoridades, os elementos reunidos demonstram que Parazão não exercia apenas o comando armado do Morro da Mineira, mas estaria no centro de uma organização que combinava tráfico de drogas, controle econômico de territórios, exploração de serviços em comunidades e uma sofisticada engrenagem de movimentação financeira capaz de movimentar centenas de milhões de reais. As investigações prosseguem para identificar a extensão total do patrimônio supostamente acumulado pelo grupo e a participação de outros integrantes da organização criminosa.

Saiba detalhes sobre a atuação da facção baiana ligada ao CV alvo de operação ontem pela Polícia Civil do RJ

Uma investigação conduzida pelas autoridades da Bahia revelou a existência de uma sofisticada organização criminosa ligada ao Comando Vermelho que atuava principalmente no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador, e que teria movimentado cerca de R$ 99 milhões por meio de um esquema de lavagem de dinheiro destinado a ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades criminosas. O bando foi alvo de operação ontem pela Polícia Ciivl no Rio. Seus integrantes estariam escondidos em comunidades da Zona Sudoeste carioca. Considerado um dos principais redutos do Comando Vermelho na capital baiana, o Complexo do Nordeste de Amaralina há anos figura entre as áreas de maior interesse das forças de segurança devido à forte presença da facção. Segundo as investigações, o grupo possuía uma estrutura altamente organizada, com divisão de funções e mecanismos financeiros sofisticados para dificultar a ação das autoridades. No topo da organização estaria o traficante conhecido como “Surfista”, apontado como uma das principais lideranças da facção na região. De acordo com o Ministério Público da Bahia, ele exercia funções de comando, coordenando atividades criminosas e gerenciando o fluxo financeiro da organização. As apurações tiveram início após a identificação de movimentações financeiras consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A partir daí, foram realizadas análises bancárias, fiscais e patrimoniais que permitiram aos investigadores reconstruir a engrenagem financeira da organização. Os relatórios apontam que a facção utilizava métodos típicos de lavagem de dinheiro para esconder a origem dos recursos obtidos com o tráfico. Entre as práticas identificadas estão o fracionamento de depósitos em pequenas quantias para evitar mecanismos de controle do sistema financeiro, a pulverização de recursos entre diversas contas bancárias e a rápida transferência de valores entre diferentes titulares. Segundo a investigação, o dinheiro proveniente das atividades criminosas era inicialmente inserido no sistema financeiro por meio de contas registradas em nome de terceiros. Em seguida, os valores passavam por uma série de transferências sucessivas destinadas a dificultar o rastreamento da origem ilícita dos recursos. A análise dos extratos bancários revelou mais de 12 mil operações financeiras interligadas, evidenciando, segundo os investigadores, um esquema profissionalizado e estruturado para movimentação de dinheiro do crime organizado. As autoridades também identificaram o uso de empresas sem atividade econômica compatível com os valores movimentados. Algumas delas eram classificadas como inaptas perante a Receita Federal, mas continuavam sendo utilizadas para dar aparência de legalidade às transações realizadas pela organização criminosa. De acordo com os investigadores, a estrutura da facção era dividida em diferentes núcleos. O núcleo diretivo seria responsável pelas decisões estratégicas e pelo comando das atividades criminosas. Já o núcleo operacional-financeiro executava as movimentações bancárias e administrava a circulação dos recursos ilícitos. Havia ainda um núcleo de apoio patrimonial e familiar, composto por pessoas encarregadas de disponibilizar contas bancárias, empresas e estruturas utilizadas para ocultação de bens e valores. As investigações apontam que diversos integrantes exerciam funções específicas dentro do esquema, atuando como intermediários financeiros e operadores responsáveis pela fragmentação e dispersão dos recursos movimentados pela facção. Outro elemento que reforçou as suspeitas foi a identificação de vínculos entre os investigados e pessoas já investigadas ou processadas por tráfico de drogas. Para as autoridades, esses elementos demonstram a conexão direta entre a atividade de tráfico e o sistema de lavagem de dinheiro utilizado para esconder os lucros obtidos pela organização. Segundo o Ministério Público, os indícios reunidos mostram que não se tratava de movimentações isoladas ou esporádicas, mas de um esquema permanente e coordenado, estruturado para sustentar financeiramente as atividades da facção criminosa. Operação chegou ao Rio de Janeiro Foi justamente para atingir integrantes dessa organização que policiais civis da Bahia e do Rio de Janeiro deflagraram, nesta quinta-feira (11), a segunda fase da Operação Maré Vermelha. A investigação apontou que alguns dos alvos passaram a utilizar comunidades da Zona Oeste do Rio de Janeiro, especialmente em regiões de Jacarepaguá, Rio das Pedras e arredores da Gardênia Azul, como refúgio para escapar da pressão das forças de segurança baianas. Mesmo fora da Bahia, os investigados continuariam participando de atividades ligadas ao tráfico de drogas, tráfico de armas e à movimentação financeira da facção. Com apoio de agentes da 32ª DP (Taquara), equipes cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes da organização criminosa. O objetivo da ofensiva é localizar foragidos, reunir novas provas e enfraquecer a estrutura financeira e logística de uma das principais ramificações do Comando Vermelho em atuação na Bahia.

Mensagens revelam bastidores da rede da contravenção comandada por filha de Piruinha

Esses ganchos destacam o que há de maMensagens encontradas em celulares e tablets apreendidos com Monalliza Escafura, filha do contraventor José Caruzzo Escafura, o Piruinha, revelaram conversas sobre repasses de dinheiro para a companheira da investigada e discussões sobre os impactos de operações policiais nos pontos clandestinos de jogos de azar controlados pelo grupo. Monalliza está presa desde maio. Segundo o Ministério Público, os diálogos mostram que um dos principais operadores da organização, relatava diretamente a Monalliza dificuldades enfrentadas pelos exploradores de caça-níqueis em áreas onde havia presença policial, além de coordenar a arrecadação de dinheiro dos pontos de jogo. As mensagens também apontam que parte dos valores movimentados pela quadrilha era depositada em contas de terceiros indicados por Monalliza. Entre os beneficiários dos repasses aparece a companheira da filha de Piruinha. De acordo com os investigadores, o operador de Monalliza era responsável por recolher dinheiro de diversos pontos clandestinos espalhados pelo Rio de Janeiro, supervisionar operadores e encaminhar grandes quantias para a liderança do esquema. Em uma das conversas citadas no processo, ele cobra pagamentos de responsáveis por pontos de jogo e comunica à chefia problemas causados por ações policiais que estariam afetando a arrecadação da organização. Já em outros diálogos, segundo o Ministério Público, aparecem discussões sobre depósitos, transferências bancárias e entrega de dinheiro em espécie, indicando a movimentação de centenas de milhares de reais provenientes da exploração ilegal dos jogos. Operador era considerado homem de confiança de Monalliza A investigação aponta que Renato ocupava posição estratégica dentro do grupo. Segundo os promotores, ele administrava a rotina dos pontos clandestinos, controlava pagamentos, recolhia a arrecadação e mantinha contato permanente com Monalliza, prestando contas sobre o desempenho financeiro da operação. As mensagens analisadas pelos investigadores indicariam que ele atuava diretamente na logística financeira da quadrilha e no repasse dos recursos arrecadados. Justiça decreta prisão Com base no material apreendido, a Justiça decretou a prisão preventiva de Monalliza Escafura e Renato Marçano Cavalcante. A decisão destaca que as conversas encontradas nos aparelhos eletrônicos mostram o funcionamento do esquema, o controle da movimentação financeira e a utilização de terceiros para receber recursos ligados à exploração ilegal de jogos de azar. Segundo a acusação, a organização atuava há anos em diferentes comunidades do Rio de Janeiro e mantinha uma rede de pontos clandestinos voltada à exploração de caça-níqueis e outras modalidades de jogos.is específico no documento.

Do lixo ao dinheiro do tráfico? Gigante da reciclagem no RJ é alvo de investigação sobre lavagem para o CV. Empresa contesta

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil do Rio investiga o suposto envolvimento de uma das maiores empresas de reciclagem e genenciamento de resíduos do Estado do RJ com a com lavagem de dinheiro do Comando Vermelho. Ela teve as finanças bloqueadas pela Justiça Segundo a apuração policial, o envolvimento da empresa e de seus sócios na intrincada teia criminosa se dá em razão de transações financeiras junto a uma pessoa que possui vínculos com o CV. A investigação inserida no contexto da “Operação Contenção” , versa sobre o bloqueio de bens de variadas pessoas jurídicas e físicas que, em maior ou menor proximidade, supostamente serviriam de instrumento de lavagem de dinheiro para a facção. Segundo a apuração policial, o suposto envolvimento da comanhia e de seus sócios na intrincada teia criminosa se dá em razão de transações financeiras junto ao Sr. Nome, que alegadamente possui vínculos com tal facção. A empresa, no entanto, reagiu. Afirmou que tas transações entre a firma e esse suposto membro do CV tinham objeto lícito, emissão de nota fiscal, eram acompanhadas pelo regular recolhimento de impostos e recebiam o mesmo tratamento minucioso que a empresa confere às cargas que lhe são trazidas por todos os seus fornecedores. A empresa alega que o fato de ter comprado sucata de alguém, por si só, não deveria servir para que o Estado entenda que os sócios da empresa possuem vínculos com organização criminosa violenta A tal empresa citada acumula mais de 25 anos de operação ininterrupta, tendo evoluído de uma empresa voltada à comercialização de aparas de papel para um grupo empresarial de grande porte, com atuação diversificada no processamento de plásticos, sucata metálica e resíduos industriais e comerciais em geral. Ela conta com sede própria de 52.540 m2, cinco unidades operacionais no Estado do Rio de Janeiro, capacidade de processamento superior a 40.000 toneladas de materiais por mês e redirecionamento anual de mais de 450 mil toneladas de resíduos de aterros sanitários e oceanos. Ela emprega diretamente 540 (quinhentos e quarenta) trabalhadores registrados sob o regime celetista, além de contar com equipes terceirizadas, totalizando 549 (quinhentos e quarenta e nove) postos de trabalho. Argumenta ainda que mantém escrituração contábil regular, possui todas as licenças necessárias para desenvolvimento das suas atividades, emite e recebe notas fiscais, recolhe uma vultosa carga de tributos e cumpre as obrigações previstas na legislação aplicável ao comércio de resíduos sólidos, incluindo o CER – Certificado de Estabelecimento de Reciclagem, documento exigido pela legislação estadual fluminense e emitido pela DRF Ela possui como clientes algumas das maiores empresas brasileiras, . Ou seja: a sucata que a compra, após os devidos processos de beneficiamento que a empresa realiza, retorna ao mercado nacional como indispensável insumo para utilização produtiva por expoentes da indústria brasileira. Mas a investigação diz que foram identificadas transações financeiras realizadas no período de 2020 a 2025, entre a empresa e essa pessoa, que segundo a investigação seria um associado da facção criminosa Comando Vermelho. A polícia conseguiu o bloqueio de todas as contas bancárias, aplicações e ativos financeiros da firma e de seus sócios administradores, além da constrição de bens imóveis e da apreensão de dezenas de veículos integrantes da frota operacional da empresa. A firma alega que o bloqueio decretado é manifestamente desproporcional e deve ser reduzido, por três razões objetivas, quais sejam Uma delas que o valor bloqueado excede em 71 vezes o montante efetivamente imputado como ilícito à empresa A firma alega ainda que o bloqueio imposto apenas à empresa e seus sócios supera o valor total supostamente movimentado por toda a organização criminosa. A empresa argumenta ainda que se não bastasse a desproporção estrutural e ausência de razoabilidade jurídica demonstrada, o bloqueio integral produz efeito imediatamente catastrófico sobre a atividade empresarial e as centenas de trabalhadores que dela dependem. . Com a totalidade de seus ativos financeiros bloqueados, a empresa se encontra absolutamente impossibilitada de honrar suas obrigações trabalhistas, o que configura dano imediato, concreto e irreparável a trabalhadores inteiramente alheios aos fatos apurados nos presentes autos. Além das obrigações com funcionários e prestadores de serviços, a empresa também precisa pagar impostos referente aos serviços prestados pelos terceirizados e guia de ISS pelos serviços prestados pela empresa, que também venceram nesta primeira semana de junho A firma alega ainda que a situação é de urgência real, já que, entre pagamentos de valores líquidos aos seus colaboradores e tributos, a empresa precisava realizar cumprir até 05.06.26 e, ao presente momento, afirma não dispõe de qualquer valor disponível em conta para fazer frente à obrigação, eis que a totalidade de seus ativos financeiros foi bloqueada . Por conta disso, a firma requereu à Justiça seja determinada a redução do bloqueio determinado em face das pessoas físicas e jurídicas ligadas à empresae imediata liberação dos valores que excedem a esse montante;

O sequestro que abriu a caixa-preta financeira do Comando Vermelho na Maré

O sequestro de um homem em setembro de 2025 acabou levando a Polícia Civil a descobrir o que seria uma sofisticada engrenagem de lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho (CV) no Complexo da Maré. Segundo documentos do Ministério Público, a investigação revelou movimentações financeiras suspeitas, empresas, imóveis, joias e contas bancárias que teriam sido usadas para esconder recursos provenientes do tráfico de drogas e de outros crimes praticados pela facção. De acordo com o procedimento, tudo começou após o sequestro de E.S ocorrido em 12 de setembro de 2025. Durante as negociações para libertá-lo, familiares e pessoas próximas teriam reunido rapidamente uma grande quantidade de dinheiro em espécie e joias para o pagamento do resgate. O que chamou a atenção dos investigadores foi a origem dos recursos. Segundo o Ministério Público, os valores mobilizados durante as negociações eram incompatíveis com a capacidade financeira oficialmente declarada pelos envolvidos, o que levou a polícia a aprofundar as apurações. Resgate levou investigadores até traficante da Nova Holanda As investigações apontaram que um dos responsáveis por ajudar a reunir os recursos para o resgate seria um homem conhecido pelo apelido de “Manga”, apontado pelas autoridades como integrante do Comando Vermelho e atuante no tráfico de drogas da comunidade da Nova Holanda, uma das principais localidades do Complexo da Maré. Segundo o Ministério Público, o investigado não possuía fonte de renda lícita conhecida capaz de justificar os recursos que movimentava. A partir desse ponto, os investigadores passaram a rastrear transferências bancárias, empresas, aquisição de imóveis e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos oficialmente declarados pelos suspeitos. Empresas, ouro e padrão de vida incompatível A investigação identificou que pessoas ligadas ao grupo eram proprietárias de estabelecimentos comerciais localizados dentro de áreas controladas pelo Comando Vermelho na Maré. Apesar de declararem rendimentos modestos, os investigados mantinham negócios com capital elevado, além da posse de joias e outros bens considerados incompatíveis com as atividades econômicas informadas às autoridades. Segundo o Ministério Público, o padrão financeiro encontrado indicava a possível utilização de empresas para dar aparência de legalidade a recursos oriundos de atividades criminosas. Contas bancárias e movimentações suspeitas Durante a apuração, os investigadores identificaram uma série de transações envolvendo pessoas que possuíam ligações com áreas dominadas pelo Comando Vermelho. Relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações consideradas atípicas, incluindo valores elevados circulando por contas de pessoas sem capacidade financeira aparente para justificar tais operações. Uma das linhas investigativas sustenta que contas bancárias de terceiros teriam sido utilizadas para movimentar recursos ligados ao tráfico de drogas da Nova Holanda. Compra de imóvel e dinheiro em espécie Outro trecho da investigação descreve a venda de um imóvel localizado no interior do Complexo da Maré. Segundo os autos, parte do pagamento teria ocorrido por meio de transferências bancárias e outra parte teria sido entregue em dinheiro vivo. Para os investigadores, a negociação reforça os indícios de utilização do mercado imobiliário para ocultar recursos provenientes das atividades da facção. Ligação com outros investigados do Comando Vermelho As apurações também identificaram conexões financeiras entre pessoas vinculadas à Maré e indivíduos já investigados em outros procedimentos relacionados ao Comando Vermelho em diferentes regiões do Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público, os cruzamentos bancários apontam para uma estrutura que ultrapassaria uma única comunidade e envolveria operadores encarregados de movimentar e ocultar dinheiro da organização criminosa. Dinheiro do tráfico, roubos e extorsões No parecer apresentado à Justiça, o Ministério Público afirma que os elementos reunidos indicam a existência de uma associação criminosa voltada ao branqueamento de capitais oriundos do tráfico de drogas, roubos, extorsões e outras atividades ilícitas praticadas em territórios dominados pelo Comando Vermelho. De acordo com os investigadores, o grupo utilizaria empresas, imóveis, pessoas interpostas e transações financeiras fracionadas para dificultar o rastreamento da origem dos recursos. Justiça pode autorizar novas buscas Diante dos indícios reunidos, a Polícia Civil pediu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, além da quebra dos sigilos de dados dos aparelhos eletrônicos que forem encontrados. O objetivo é localizar documentos, contratos, registros contábeis, celulares, computadores, joias e outros materiais que possam revelar como funcionava a suposta engrenagem financeira utilizada para lavar dinheiro da facção. A investigação segue em andamento e, segundo o Ministério Público, busca identificar todos os integrantes da estrutura e rastrear o destino dos valores movimentados ao longo dos últimos anos.

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