A suspeita de que traficantes do Comando Vermelho estariam indo para a Ucrânia para receber treinamento e depois retonrar ao Rio para ensinar aos criminosos táticas de guerra virou alvo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
Um dos bandidos que teria feito o intercâmbio e já teve a identidade divulgada pela Polícia Civil no ano passado é alvo de um inquérito que tramita na Justiça Federal: trata-se de Philippe Martins Paiva
Segundo o que foi divulgado na época,, Marques Pinto é ligado ao traficante Antonio Hilário Ferreira, conhecido como Rabicó, uma das principais lideranças da facção. Ele é considerado chefe do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ).
A polícia descobriu que o integrante do CV foi ao menos três vezes para a Europa desde o início do conflito na Ucrânia. Todas as vezes, ele viajou do Aeroporto do Galeão, no Rio, para Lisboa, em Portugal, e depois teria ido até a região do conflito.
A primeira viagem aconteceu em junho de 2023. Na ocasião, ele ficou seis meses na Europa até o retorno ao Brasil. Depois, Marques Pinto permaneceu um ano em solo europeu, entre junho de 2024 e junho de 2025.
Conforme a investigação, a terceira ida do integrante do CV para a Ucrânia foi no dia 9 de setembro de 2025.
Os investigadores tiveram acesso a fotos e vídeos do homem com armas, usando uniforme de combate, e também em áreas de conflito.
Os bandidos do Rio de Janeiro estão usando táticas comunemente praticadas na Ucrânia
Um relatório de inteligência apontou que o ex-miltiar da Marinha Rian Maurício Tavares Mota, conhecido como Da Marinha, que está preso em penitenciária federal, teria se tornado peça estratégica do Comando Vermelho ao introduzir nas favelas cariocas uma técnica inspirada diretamente na guerra da Ucrânia: o uso de drones adaptados para lançar granadas contra rivais e forças policiais.
Rian não era apenas mais um integrante da facção, mas um operador especializado responsável por elevar o nível tecnológico e bélico do Comando Vermelho. As investigações sustentam que ele usou conhecimentos adquiridos durante sua carreira militar para treinar criminosos no manuseio de drones e equipamentos eletrônicos utilizados em ações armadas da organização criminosa.
A decisão destaca que relatórios da Secretaria de Inteligência da Polícia Civil apontam que o acusado ocupa posição de relevância dentro da facção, atuando diretamente sob influência de Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”, apontado como principal líder do Comando Vermelho no Complexo da Penha.
Drones com granadas e “tática de guerra”
O trecho mais explosivo da decisão judicial envolve justamente a referência às técnicas utilizadas no conflito entre Rússia e Ucrânia.
De acordo com os relatórios anexados ao processo, Rian seria o responsável por implementar em comunidades dominadas pelo CV uma espécie de adaptação das táticas vistas no leste europeu: drones equipados com dispensadores de granadas capazes de atacar alvos à distância e dificultar operações policiais.
A investigação afirma que o acusado teria introduzido:
drones adaptados para lançamento de explosivos;
treinamento de criminosos para uso dos equipamentos;
estratégias aéreas para proteção de líderes da facção;
técnicas voltadas para impedir avanço de tropas policiais em favelas.
Os documentos apontam que o sistema teria sido utilizado em confrontos recentes nos Complexos da Penha e do Alemão, onde traficantes passaram a usar drones armados para tentar conter operações das forças de segurança.
Guerra urbana no Rio
A decisão menciona diretamente os confrontos ocorridos em 28 de outubro de 2025, quando uma megaoperação resultou em:
113 presos;
10 adolescentes apreendidos;
118 armas apreendidas;
119 mortos;
4 agentes de segurança mortos.
Segundo o relatório citado pela Justiça, integrantes do Comando Vermelho utilizaram drones com granadas durante os ataques para proteger arsenal, drogas e líderes da facção.
O texto afirma que a tecnologia teria sido usada para criar uma espécie de “barreira aérea” contra a entrada da polícia em territórios controlados pelo grupo criminoso.
Ex-militar virou peça estratégica do CV
Para o Ministério Público, a gravidade do caso está justamente no fato de que o acusado possui formação militar especializada.
Os investigadores sustentam que:
Rian treinava comparsas;
ajudava no desenvolvimento operacional da facção;
atuava na modernização tecnológica do grupo;
auxiliava no fortalecimento territorial do CV.
A Justiça entendeu que o nível de influência do acusado dentro da organização e o risco de continuidade das articulações criminosas justificam sua remoção imediata para o sistema penitenciário federal.
Ligação direta com Doca
A decisão também ressalta que Rian responde ação penal ao lado de:
Edgar Alves de Andrade, o “Doca”;
Márcio Soares da Silva, o “Márcio Pedreiro”;
Mayelle Stephane Mathias Goulart, a “May”.
Os quatro são investigados por crimes ligados à organização criminosa, uso ilegal de explosivos e lavagem de dinheiro.
Segundo os autos, o acusado teria atuado diretamente para fortalecer o poder bélico do Comando Vermelho em áreas dominadas pela facção.
Justiça vê “elevada periculosidade”
Ao autorizar a inclusão de Rian no sistema federal, a Justiça destacou que a combinação entre conhecimento técnico militar, uso de explosivos e participação em organização criminosa representa alto risco à ordem pública.
A decisão afirma que o isolamento do acusado em presídio federal é necessário para:
interromper comunicação com a facção;
reduzir articulações criminosas;
impedir continuidade do treinamento de traficantes;
evitar expansão das técnicas de guerra
A primeira viagem aconteceu em junho de 2023. Na ocasião, ele ficou seis meses na Europa até o retorno ao Brasil. Depois, Marques Pinto permaneceu um ano em solo europeu, entre junho de 2024 e junho de 2025.
Conforme a investigação, a terceira ida do integrante do CV para a Ucrânia foi no dia 9 de setembro deste ano.
Os investigadores tiveram acesso a fotos e vídeos do homem com armas, usando uniforme de combate, e também em áreas de conflito.
Os bandidos do Rio de Janeiro estão usando táticas comunemente praticadas na Ucrânia