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corrupção policial

PM é acusado de usar arma e distintivo para extorquir vítimas e tomar carro como “garantia” de pagamento

Um policial militar está sendo submetido a Conselho de Disciplina, procedimento que pode resultar em sua expulsão da corporação. O agente é acusado de participação em uma extorsão ocorrida em fevereiro de 2025, em Volta Redonda, no Sul Fluminense. De acordo com a denúncia, o caso ocorreu na manhã de 15 de fevereiro, no bairro Brasilândia. A vítima, identificada como Leonardo B.F.S., teria ido ao local combinado para entregar uma pomada anestésica utilizada em tatuagens, conhecida como Xilocaína. Ao chegar ao endereço, Leonardo teria sido surpreendido por um grupo de homens. Entre eles estaria o policial militar, que teria se aproximado portando uma arma de fogo e utilizando um distintivo, participando da abordagem intimidatória. Segundo a decisão judicial, Leonardo já conhecia o policial de antes, pois os dois frequentavam a mesma academia. Por esse motivo, a Justiça considerou segura a identificação feita pela vítima. Após a abordagem, os envolvidos teriam questionado Leonardo sobre a origem da Xilocaína e sobre o paradeiro de Iago H.V. Utilizando o próprio celular da vítima, eles teriam entrado em contato com Iago e o atraído para outro ponto da cidade. Quando Iago chegou, os dois homens teriam sido ameaçados, agredidos e pressionados a pagar uma elevada quantia em dinheiro. Segundo a acusação, as vítimas eram ameaçadas de prisão caso não entregassem o valor exigido. Como os dois não tinham o dinheiro, os envolvidos teriam tomado o veículo Kia Sportage pertencente a Leonardo e o mantido como garantia da vantagem econômica exigida. A conduta foi considerada pela Justiça como parte da dinâmica de uma extorsão qualificada. Justiça rejeitou alegações da defesa Durante o processo, Iago afirmou em juízo que não reconhecia o policial acusado. A Justiça, no entanto, entendeu que essa circunstância não afastava a autoria, diante do relato considerado firme de Leonardo e de outros elementos reunidos no processo. Entre as provas analisadas estavam os reconhecimentos realizados na fase policial e declarações prestadas por outros envolvidos durante a investigação, posteriormente confrontadas com as provas produzidas em juízo. A defesa sustentou fragilidade das provas, ausência de elementos que vinculassem o policial aos crimes e contradições nos depoimentos das vítimas. As alegações, porém, foram rejeitadas. Segundo o entendimento judicial, as divergências apontadas seriam periféricas e não comprometeriam o núcleo principal da acusação, especialmente em relação à abordagem, ao uso de arma de fogo e distintivo, à exigência de dinheiro e à tomada do veículo. Conselho vai avaliar permanência do PM na corporação O processo disciplinar instaurado pela Polícia Militar não terá como objetivo reavaliar a existência do crime, questão que cabe ao Poder Judiciário. O Conselho de Disciplina analisará os aspectos éticos e administrativos da conduta atribuída ao policial. A corporação deverá avaliar se, diante dos atos atribuídos ao militar, ele ainda reúne condições éticas e morais para permanecer em seus quadros. Segundo a acusação disciplinar, a conduta investigada seria incompatível com os deveres e valores esperados de um policial militar e representaria uma violação ao compromisso de servir e proteger a sociedade. Ao final do procedimento, o PM poderá ser absolvido na esfera administrativa ou sofrer sanções, incluindo a possibilidade de exclusão da corporação, conforme a conclusão do processo.

Depois de 14 anos, PM suspeito de cobrar propina de traficantes em Caxias foi expulso da corporação

A PM expulsou depois de 14 anos o terceiro sargento Dario Fabrício Barbosa da Silva suspeito de ter recebido propina de traficantes em Duque de Caxias. Os fatos foram apurados no âmbito da denominada “Operação Purificação”, repercutindo negativamente para a imagem da PMERJ. Interceptações telefônicas revelaram que o PM que tinha os vulgos de Chocolate ou Novato teria exigido propina dos traficantes Pit e RDcondicionando a devolução de veículo apreendido ao pagamento de valores e orientando o traficante a comparecer à “casa” (o DPO da Figueira) para “desenrolar melhor Entre os dias 04 e 14 de maio de 2012, o agente teria exigido e ajustou o recebimento de propina de traficantes da comunidade do Corte Oito,em Duque de Caxias, para abster-se da repressão ao tráfico, incumbindo-se de contatos telefônicos com os criminosos, de ameaças de retomada da repressão em caso de não pagamento e do recolhimento dos valores em diversas localidades, Por fim, entre 12 de abril e 21 de maio de 2012, recebeu, de forma reiterada e contínua,“arrego” periódico referente ao DPO da Figueira. Por conta destes fatos, o PM foi condenado três vezes pela Justiça.

FALSA OPERAÇÃO, AMEAÇAS E DINHEIRO: PMs são acusados de extorquir comerciantes em série e podem ser expulsos após quase sete anos

Quase anos após os fatos, a Polícia Militar decidiu submeter ao Conselho de Disciplina dois policiais militares acusados de envolvimento em uma série de extorsões contra comerciantes. O procedimento pode resultar na expulsão dos agentes da corporação. De acordo com a acusação, os policiais teriam se passado por integrantes da Polícia Civil para ameaçar comerciantes e exigir dinheiro em troca da não realização de supostas operações, buscas e apreensões. Um dos principais episódios ocorreu em 14 de novembro de 2019, em Magalhães Bastos, na Zona Oeste do Rio. Segundo a denúncia, o sargento Campos, identificado como 2º SGT, compareceu ao estabelecimento de uma comerciante e afirmou ser policial civil da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM). O policial teria dito à vítima que havia denúncias contra o comércio e que “não teria como segurar” a situação. Em seguida, teria exigido R$ 10 mil para evitar problemas. A comerciante afirmou que não tinha o valor e que poderia pagar apenas R$ 700. A quantia teria sido entregue ao sargento, que também teria obtido da vítima a promessa de receber R$ 1 mil por semana. A investigação aponta que, cerca de um mês antes, a comerciante havia sido abordada por um homem que relatou a existência de um grupo de policiais que estaria extorquindo comerciantes na região. Na ocasião, ele teria sugerido que ela procurasse o sargento Campos para tratar de possíveis “buscas e apreensões ilegais”. A vítima chegou a entrar em contato com o policial, que marcou um encontro para conversar, mas a reunião não aconteceu. No dia 14 de novembro, após ser informada de que policiais estariam realizando uma suposta operação em seu comércio, a comerciante voltou a entrar em contato com Campos. Segundo a acusação, o policial determinou que ela fosse até o estabelecimento, onde teria ocorrido a exigência de dinheiro. Comerciante teria sido ameaçado com arma em Madureira Ainda no mesmo dia, por volta das 20h, o sargento Campos e o policial militar Gutemberg teriam abordado outra vítima, identificada pelas iniciais J.N.S.G., na passarela da Estação de Trem de Madureira. Segundo a denúncia, a vítima teria sido ameaçada com uma arma de fogo e obrigada a entregar dinheiro para evitar a apreensão de suas mercadorias. Inicialmente, Campos teria exigido R$ 30 mil, afirmando que a mercadoria seria apreendida e levada pela DRCPIM. Posteriormente, um terceiro homem, ainda não identificado e que teria sido apresentado como “Tenente” da SSI/PMERJ, teria participado da negociação e exigido R$ 20 mil. Diante da recusa da vítima, o valor teria sido reduzido para R$ 15 mil. Como não conseguiu reunir toda a quantia, a vítima teria entregado R$ 12 mil ao sargento Campos, em um encontro marcado na própria passarela da estação. Nova cobrança em Nova Iguaçu Quatro dias depois, em 18 de novembro de 2019, por volta das 16h, o sargento Campos teria feito uma nova cobrança. Segundo a acusação, ele esteve em um comércio informal de roupas localizado na Avenida Governador Roberto Silveira, em Nova Iguaçu, onde teria exigido R$ 10 mil de um comerciante identificado pelas iniciais G.A.C.A. O policial teria terminado recebendo R$ 4 mil. Os dois policiais agora serão submetidos ao Conselho de Disciplina da Polícia Militar. O procedimento administrativo poderá resultar na expulsão dos agentes da corporação, caso as acusações sejam confirmadas.

Abordagem, câmeras desligadas e dinheiro: cinco PMs podem ser expulsos após denúncia de extorsão contra argentinos

Quase dois anos após a ocorrência, a Polícia Militar decidiu submeter a Conselho de Disciplina cinco policiais suspeitos de envolvimento na extorsão de turistas argentinos. O procedimento pode resultar na expulsão dos agentes da corporação. De acordo com a denúncia, o caso ocorreu em 3 de setembro de 2024, quando uma mãe e seu filho, ambos argentinos, foram abordados por quatro policiais militares que utilizavam uma viatura do tipo caminhonete. Os turistas informaram aos agentes que utilizavam o Google Street View para tentar localizar a empresa Foco Locadora de Veículos, onde devolveriam o automóvel alugado antes de embarcar em um voo com destino à Argentina, no Aeroporto Internacional do Galeão. Segundo a investigação, entretanto, a liberação dos estrangeiros teria sido condicionada à entrega de dinheiro e outros bens. Durante buscas realizadas nas malas e bolsas da mulher, identificada pelas iniciais M.S.T., os policiais teriam encontrado R$ 1.300, US$ 1 mil e um celular Samsung A05. Também teria sido localizado R$ 1 mil pertencente ao filho, identificado pelas iniciais I.N.D. Ainda segundo a denúncia, os policiais exigiram que os valores e objetos fossem entregues dentro do Nissan Kicks alugado pelas vítimas. Um dos agentes, descrito como branco, teria empurrado M.S.T. para dentro do veículo e se apoderado dos bens. Câmeras corporais teriam sido retiradas durante abordagens As informações reunidas durante a investigação, registrada no Registro Policial Militar nº 238/119/2024, teriam permitido identificar a conduta atribuída a cada um dos policiais. Um relatório de análise das imagens das câmeras corporais apontou que os relatos feitos pelas vítimas na delegacia eram compatíveis com os áudios e imagens captados pelos equipamentos dos agentes. A análise também teria indicado a existência de outras possíveis vítimas da mesma guarnição. De acordo com a investigação, os policiais teriam deliberadamente retirado ou obstruído as câmeras corporais durante as abordagens, impedindo o registro integral do que acontecia no entorno. Apesar disso, áudios e imagens parciais teriam revelado uma divisão de tarefas entre os agentes. Segundo o documento, os policiais teriam concordado em desacoplar as câmeras operacionais e colocá-las dentro da viatura, com o objetivo de impedir a captação das abordagens. A investigação também aponta que um dos policiais não teria sequer acautelado a câmera operacional portátil para o serviço. Para os investigadores, isso pode indicar que ele seria o responsável pela abordagem coercitiva dos usuários da via. Agora, os cinco policiais serão submetidos ao Conselho de Disciplina da Polícia Militar. O procedimento poderá resultar na perda da função pública e na expulsão dos agentes da corporação, caso as acusações sejam confirmadas no âmbito administrativo.

PM alvo de operação por propina ao Comando Vermelho é acusado de executar jovem após vídeo que provocava milicianos em Nova Iguaçu

Um dos alvos da operação do MPRJ hoje contra PMs suspeitos de receber propinas de traficantes do Comando Vermelho na Baixada Fluminense, o policial Alan Silva do Nascimento é suspeito de matar Miguel Lopes Nascimento e atingir um homem chamado Higor em fevereiro de 2023 no bairro Cobrex, em Nova Iguaçu. O crime foi praticado por motivo torpe, em razão de disputa territorial entre grupos milicianos, com o objetivo de manter o controle da área onde os fatos ocorreram. O crime foi praticado com emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, visto que o denunciado e seu comparsa atacaram as vítimas de surpresa, efetuando disparos de dentro de um veículo em movimento, impedindo qualquer reação defensiva eficaz por parte das vítimas. Testemunhas disseram que Miguel colocou uma foto com arma; que depois, com 17 anos, a vítima colocou um vídeo dizendo “quer matar, mata agora, porque quando eu completar 18 anos já era; que a vítima estava provocando o pessoal do Cobrex. Miguel estava colaborando com a boca de fumo do Cobrex e o local tinha domínio de milícia. Os paramilitares mtiveram conhecimento do vídeo e queriam matar a vítima.Um conhecido alertou Miguel que os caras estavam de olho nele. O bairro na época tinha a atuação de justiceiros, entre eles Soró e Linguiça Após gravar um vídeo com ameaças, Miguel foi aconselhado a fazer um outro pedindo desculpas mas não deu tempo. O sobrevivente do fato chegou a acusar o PM como um dos participantes do crime chegando a dizer que Alan queria matar Miguel porque ele fazia muita besteira. Quando foi ouvido pela Justiça sobre o caso, Alan ficou em silêncio A operação de hoje O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ), com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, cumpre, nesta sexta-feira (03/07), sete mandados de busca e apreensão contra dois policiais militares investigados por associação criminosa armada e corrupção passiva majorada. O GAECO/MPRJ encontrou fortes indícios de que os dois agentes integram um esquema de recebimento de valores de narcotraficantes da facção Comando Vermelho para não combaterem o tráfico de drogas em comunidades de Japeri, na Baixada Fluminense. A investigação teve início a partir da apuração de crimes cometidos pelo policial militar, Alan Silva do Nascimento, que já resultou em denúncia por homicídio e em uma condenação por tráfico de drogas e posse ilegal de um fuzil e de munições de calibre restrito. O GAECO/MPRJ identificou a prática de diversos crimes de corrupção por Alan Nascimento e, de acordo com as investigações, por sua guarnição, autodenominada “Irmãos Metralha”, à época integrada pelos dois policiais alvos das buscas desta sexta-feira. Os agentes estavam lotados no 24º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo policiamento das cidades de Queimados, Japeri, Paracambi, Seropédica e Itaguaí. Os mandados, expedidos pelo Juízo da Auditoria da Justiça Militar a pedido do GAECO/MPRJ, estão sendo cumpridos em endereços nas cidades de Queimados e Nova Iguaçu, bem como no 20º Batalhão de Polícia Militar (Mesquita), atual unidade de lotação dos alvos.

Processo revela valores que, segundo o MP, Rogério Andrade teria pago a UPPs; montante não havia sido divulgado

Em abril de 2025, uma reportagem do Portal G1 revelou detalhes da investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que apontou que o contraventor Rogério Andrade teria destinado cerca de R$ 500 mil em propinas a batalhões da PMERJ e delegacias da Polícia Civil em apenas dois dias. Na ocasião, a reportagem expôs os valores que, segundo a investigação, teriam sido destinados a diversas unidades policiais, mas não detalhou as quantias que também teriam sido repassadas às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Agora, a reportagem teve acesso ao processo nº 0087234-41.2025.8.19.0001, que traz uma planilha atribuída ao esquema e revela os valores que, segundo o Ministério Público, teriam sido destinados a cinco UPPs entre os dias 6 e 9 de maio de 2023: De acordo com a denúncia, os pagamentos fariam parte de um esquema que teria resultado em 19 atos independentes de corrupção ativa majorada, com o objetivo de fazer com que unidades policiais retardassem ou deixassem de praticar atos de ofício. O Ministério Público sustenta que a exploração do jogo do bicho e de máquinas caça-níquel ocorria de forma ostensiva, em estabelecimentos comerciais e à luz do dia, sem a repressão esperada por parte dos órgãos responsáveis. Segundo a investigação, os indícios dos supostos pagamentos foram obtidos a partir de mensagens encontradas no celular de Flávio da Silva Santos, conhecido como Flávio Mocidade. Nas conversas, ele se comunicaria com um interlocutor identificado pelo codinome “Botafogo”. Ainda segundo a denúncia, em 8 de maio de 2023, “Botafogo” enviou uma versão inicial de uma planilha de contabilidade e, após diversas chamadas de voz e vídeo com Flávio Mocidade, elaborou um arquivo em formato PDF mais detalhado. Para o Ministério Público, o conteúdo das conversas indicaria que Flávio exercia supervisão sobre as finanças do grupo e sobre o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos corrompidos. As informações fazem parte da ação penal em curso e correspondem às acusações formuladas pelo Ministério Público, que ainda serão submetidas ao contraditório e à análise da Justiça.

Doca e Gadernal teriam pago R$ 50 mil por informações sigilosas de investigação, aponta print atribuído ao MP

Prints atribuídos ao Ministério Público do Rio de Janeiro que circulam nas redes sociais apontam que chefões do Comando Vermelho teriam pago R$ 50 mil de propina a um policial civil para obter informações sigilosas sobre uma investigação da DRACO. O material cita os traficantes conhecidos pelos apelidos de Doca e Gadernal e descreve um suposto vazamento envolvendo detalhes de monitoramentos e diligências policiais. De acordo com o conteúdo dos documentos que circulam na internet, Gadernal teria alertado Doca para trocar de aparelho telefônico por estar sendo monitorado pelas autoridades. A informação, segundo os prints, teria sido repassada por um policial civil, que teria recebido R$ 50 mil pelo suposto vazamento. Outro print que também passou a circular mostra uma conversa de WhatsApp na qual um dos contatos aparece identificado como “Contato Draco”. No diálogo, um suposto traficante afirma que um amigo estaria disposto a pagar por prisões de criminosos ligados às comunidades do Guarda e do Rato, em Del Castilho. A reportagem procurou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para verificar a autenticidade dos documentos e comentar o conteúdo divulgado, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.

PIADA: Apesar de ter perdido o cargo, policial civil acusado de cobrar propina armada de R$ 15 mil a delegado e citar “aval de delegado” pegou só 2 anos de prisão no RJ e ainda assim em semiaberto. Ele ainda recorreu

Um policial civil condenado por usar distintivo, arma de fogo e o peso da função pública para extorquir um comerciante no interior do Rio acabou recebendo uma punição considerada extremamente branda: apenas 2 anos e 8 meses de prisão em regime semiaberto. Segundo a denúncia do Ministério Público, o agente participou de uma abordagem em que a vítima foi pressionada a pagar R$ 15 mil para “resolver” uma suposta investigação criminal. Durante a intimidação, os acusados chegaram a afirmar que o valor “não poderia ser menor porque o delegado não aceitaria”. Apesar da gravidade das acusações — que envolvem ameaça, cobrança de propina e uso da estrutura policial para intimidar a vítima — a pena aplicada pela Justiça ficou abaixo de três anos. O agente também perdeu o cargo público. O caso aconteceu em abril de 2025, em Volta Redonda. De acordo com o processo, o policial e outro homem abordaram um comerciante próximo a uma padaria após serem apresentados por um policial militar conhecido da vítima. Na abordagem, um dos acusados se apresentou armado e exibindo distintivo da Polícia Civil. Em seguida, afirmou que o comerciante estaria sendo investigado por uma disputa envolvendo um terreno e que poderia “desenrolar a situação”. Ainda conforme os autos, os suspeitos questionaram a vítima sobre tráfico de drogas e armas escondidas na região antes de iniciarem a cobrança dos R$ 15 mil. O comerciante relatou ter ficado intimidado pela arma de fogo e pelo fato de um dos envolvidos ser policial civil com atuação anterior em delegacias do Sul Fluminense. Segundo a investigação, os acusados insistiram que o dinheiro seria necessário para evitar problemas na suposta investigação e afirmaram que “o delegado não aceitaria” valor inferior. Temendo sofrer represálias e possíveis complicações policiais, a vítima concordou inicialmente em pagar R$ 5 mil e prometeu entregar o restante posteriormente. Os acusados forneceram então um número de telefone internacional registrado no Canadá para manter contato e acertar a entrega do dinheiro. Mensagens trocadas entre os envolvidos foram anexadas ao processo. O pagamento, porém, não chegou a ser realizado. Dias depois, o comerciante viu publicações nas redes sociais denunciando homens suspeitos de extorquir comerciantes na região e reconheceu os envolvidos. Após procurar a delegacia, a vítima fez o reconhecimento formal dos acusados. Segundo o Ministério Público, o policial utilizava a própria estrutura da Polícia Civil para intimidar vítimas, aproveitando-se do acesso a armas, informações sigilosas, inquéritos e dados pessoais. Mesmo diante das acusações consideradas graves, a Justiça condenou o policial a apenas 2 anos e 8 meses de prisão em regime semiaberto. O outro acusado recebeu pena de 2 anos e 4 meses. Além da condenação criminal, a Justiça determinou a perda do cargo de policial civil. As defesas recorreram da sentença mas a Justiça negou.

MAIS UM ESCÂNDALO REVELADO: Quase 4 anos depois, Justiça tira das ruas PMs acusados de arrancar propina em euros de turista na Estrada do Joá

Quase quatro anos após um escandaloso caso de corrupção policial ocorrido na Zona Sul do Rio, a Justiça Militar decidiu afastar das ruas três policiais militares acusados de extorquir um turista estrangeiro durante uma abordagem na Estrada do Joá, em São Conrado. A decisão foi assinada pelo juiz da Auditoria da Justiça Militar que recebeu denúncia do Ministério Público contra um 2º sargento, um 3º sargento e um cabo da PM pelo crime de concussão — quando um agente público exige vantagem indevida usando o cargo. Segundo a denúncia, os PMs teriam exigido 2.500 euros de um passageiro estrangeiro após abordarem o veículo de aplicativo em que ele estava. Apesar da gravidade das acusações, a decisão que afastou os policiais da atividade operacional só ocorreu anos após o episódio, ocorrido em junho de 2023, fato que chama atenção diante da denúncia de corrupção envolvendo agentes armados em serviço. Abordagem terminou em suposta cobrança de propina em euros De acordo com o Inquérito Policial Militar, o caso aconteceu por volta das 18h50 na Estrada do Joá. A vítima estava em um carro de aplicativo quando foi abordada pela equipe policial. Segundo o Ministério Público, os agentes obrigaram o passageiro a desembarcar enquanto realizavam revista pessoal e inspeção da bagagem. Durante a abordagem, a vítima informou que carregava determinada quantia em euros. Em seguida, os policiais encontraram medicamentos na mala do passageiro. Foi nesse momento, segundo a denúncia, que os agentes passaram a afirmar que o estrangeiro seria conduzido para a delegacia. O Ministério Público afirma que o 2º sargento iniciou então uma conversa reservada com a vítima, enquanto os outros dois PMs permaneceram próximos, garantindo apoio e “superioridade numérica” durante a ação. Ainda segundo a acusação, o policial exigiu o pagamento de 2.500 euros para não levar o passageiro à delegacia. Após entregar o dinheiro, a vítima foi liberada e seguiu viagem. Justiça vê “risco inaceitável” em manter PMs nas ruas Ao receber a denúncia, a Justiça Militar entendeu que existem indícios suficientes para abertura da ação penal e classificou a conduta investigada como extremamente grave. Na decisão, o magistrado afirmou que os policiais, em tese, utilizaram o cargo e a função pública para exigir vantagem indevida da vítima. O juiz destacou ainda que a permanência dos acusados na atividade policial ostensiva representa ameaça à sociedade. “As condutas são especialmente reprováveis por terem se valido de seus cargos para exigirem quantia indevida da vítima, violando a proteção desta e constituindo risco inaceitável para a sociedade”, destacou a decisão. Diante disso, a Justiça determinou: Os três permanecerão apenas em funções administrativas até nova decisão judicial. Investigação reuniu escalas, registros e documentos internos Segundo a decisão, o Inquérito Policial Militar reuniu: A Justiça Militar entendeu que a denúncia do Ministério Público descreve de maneira individualizada a participação de cada policial no caso. Os PMs responderão pelo crime de concussão, previsto no Código Penal Militar, cuja pena pode chegar a oito anos de prisão. O processo seguirá agora para a fase de instrução criminal na Auditoria da Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro.

“Escutas Explodem: Policial Civil Vazava Operações Para Milícia Enquanto PM Planejava Ataques Armados Contra Traficantes Rivais dos paramilitares. LEIA OS DETALHES

As novas escutas obtidas pelo Ministério Público revelam detalhes explosivos sobre a atuação de policiais dentro da milícia que dominava áreas de Belford Roxo e Duque de Caxias. Os diálogos mostram vazamento de operações policiais, tentativa de liberação ilegal de veículos apreendidos, desvio de bens confiscados em ações da polícia e até planejamento de ataques armados contra traficantes rivais na comunidade da Talbinha. Segundo a investigação, um dos principais nomes citados nas conversas é o policial civil conhecido como Jaime, acusado de atuar diretamente em favor da organização criminosa usando a estrutura da Polícia Civil. O envolvimento de Jaime surgiu após a análise do celular de Angelo Adriano de Jesus Guarany, o “Magrinho”, apontado como gerente operacional da milícia. No aparelho, o policial aparecia salvo como “FAMÍLIA DRE”, referência à Delegacia de Repressão a Entorpecentes, onde estava lotado antes de ser transferido. As conversas mostram Jaime repassando informações sigilosas sobre operações policiais e ajudando integrantes da milícia. Em um diálogo do dia 7 de fevereiro de 2025, Jaime avisa que participava de uma grande operação policial na Baixada Fluminense. Logo depois, “Magrinho” pede ajuda ao policial: “Ajuda naquela situação do carro.” Jaime responde: “Vou ver isso agora pra você.” Segundo o Ministério Público, o veículo citado havia sido apreendido anteriormente com os milicianos “Fael” e “Sagaz”. As escutas também revelam que integrantes da quadrilha comemoravam a possibilidade de Jaime assumir a 54ª DP, delegacia localizada justamente na região dominada pela milícia. “Mete Bala” pergunta se o policial conseguiria retirar o carro apreendido da delegacia. “Magrinho” responde: “Mano, parceiro meu estava para assumir lá a 54. Vou ver se ele já chegou pro lado de lá Belford Roxo.” E continua: “Se ele tiver por lá o carro vai estar lá ainda. Fica mais fácil pra eu desenrolar com ele pra ele liberar o carro, entendeu?” Dias depois, Jaime avisa que havia sido transferido da DRE para a 17ª DP. “Magrinho” pergunta: “A rapaziada tua também saiu?” Jaime responde que apenas ele havia sido removido. Na sequência, o miliciano diz: “Tem trabalho pra tu.” Segundo os investigadores, o diálogo reforça a ligação direta do policial com o grupo criminoso. As conversas ficam ainda mais graves em março. No dia 10, “Magrinho” pergunta ao policial: “Tu viu a parada das multas?” Jaime responde: “Cheguei cedo na base. Tô levantando os mandados de quinta-feira.” Para o Ministério Público, o trecho demonstra vazamento de uma megaoperação policial que seria realizada dias depois. Com as informações obtidas através de Jaime, “Magrinho” entra em contato com André Junior, o “Litrão”, integrante da milícia e foragido da Justiça. No diálogo, ele alerta o comparsa: “Amanhã vai ter uma operação grande. Bagulho de carro clonado, roubado e mandado de prisão.” Depois, explica como funcionava o vazamento: “Os policiais desligam o telefone. Quem vaza fica com o telefone ligado.” Preocupado, “Litrão” responde: “Torcer pra não estar no meio dessa porra aí.” E continua: “O que me preocupa é esse mandado de 2018 aí.” “Magrinho” orienta o criminoso a fugir das cidades alvo da operação: “Tu vai estar na rua amanhã, não vai estar em casa, caralho.” “Ah, eles estão em Belford Roxo. Tu não vai pisar em Belford Roxo.” “Ah, eles estão em Caxias. Tu não vai pisar em Caxias.” No dia seguinte, 13 de março, a operação realmente aconteceu. Depois da ação policial, “Magrinho” pergunta a Jaime: “Tá rolando?” O policial responde: “146 presos.” Na sequência, o miliciano pede: “Se bingar algo e der pra trazer, me aciona.” Segundo o Ministério Público, a frase sugere desvio de bens apreendidos durante operações policiais em favor da milícia. Mas outro núcleo da investigação revela ainda mais violência. As escutas mostram o policial militar Gilmar Carneiro dos Santos, o “Professor Gilmar”, discutindo planos para atacar traficantes rivais no Morro da Talbinha. Em conversa do dia 16 de fevereiro de 2025, Gilmar reclama que não conseguia contato com o líder da milícia, “Cabeça de Ouro”. “Magrinho” responde: “Só recebo recado dele e respondo pela advogada.” Logo depois, Gilmar pede armamento pesado da organização criminosa: “Fala pro Cabeça que o Professor precisa pegar o 556 por 3 semanas.” Na sequência, revela o objetivo: “Vai subir a Talbinha e pegar o Pedro.” Segundo o Ministério Público, “Pedro” era apontado como traficante rival da milícia na comunidade. Dois dias depois, Gilmar publicou vídeo em rede social afirmando que moradores da Talbinha haviam vivido “uma madrugada de terror” após pichações do TCP, facção Terceiro Comando Puro. As conversas seguintes mostram que a guerra entre milicianos e traficantes continuava escalando. No dia 6 de março de 2025, Gilmar volta a conversar com “Magrinho” sobre a Talbinha. O policial militar lamenta a morte de um homem conhecido como “Jacaré”. Segundo ele, o assassinato teria sido cometido pelos traficantes “Pedro”, “Da Vovó” e outro criminoso. Gilmar então passa a discutir vingança contra os traficantes. Durante a conversa, demonstra preocupação com eventual confronto envolvendo policiais do 15º BPM: “Tem que ter alinhamento com o batalhão pra ninguém se machucar.” Depois, faz uma declaração considerada gravíssima pelos investigadores: “Os caras do 15 não são nossos amigos.” Na sequência, admite necessidade de proteção política: “Se não tiver alinhado por cima e um político pra respaldar, fica difícil.” “Magrinho” responde mostrando naturalidade nas articulações: “Todas as vezes que a gente foi nunca deu errado.” “A gente sempre faz contato.” “Até um passeio que a gente vai fazer a gente faz um certo contato.” Mesmo assim, Gilmar insiste: “Eu não confio nesses caras do 15.” Segundo o Ministério Público, as escutas revelam policiais discutindo operações ilegais ao lado da milícia, planejando ataques contra traficantes rivais, buscando armamento pesado e articulando apoio dentro das forças de segurança e da política para garantir proteção às ações criminosas.

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