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corrupção policial

Vídeo levanta suspeita de possível apoio de PMs a milicianos durante cobranças na Taquara. ASSISTA

Um vídeo de procedência e data ainda desconhecidas, que circula nas redes sociais, levanta uma grave suspeita sobre uma possível relação entre policiais militares e integrantes de um grupo de milicianos que atua na comunidade Cabeça de Porco, na Taquara, Zona Oeste do Rio. De acordo com a legenda que acompanha as imagens, policiais militares lotados no 18º BPM (Jacarepaguá) teriam supostamente recebido propina de milicianos para escoltá-los durante ações de cobrança na região. A acusação, entretanto, não foi confirmada oficialmente e a reportagem não conseguiu verificar de forma independente quando e onde exatamente o vídeo foi gravado. As imagens, feitas aparentemente de um ponto elevado, mostram inicialmente a movimentação de vários homens na localidade. A própria gravação ou sua legenda cita os nomes de alguns deles e os identifica como supostos integrantes da milícia que atua na região. Na sequência, o vídeo registra a passagem de uma viatura da Polícia Militar. Pouco depois, o veículo se aproxima do grupo de homens que aparece nas imagens. A publicação também menciona os nomes de dois policiais militares que supostamente estariam envolvidos na cena, levantando a suspeita de que os agentes teriam acompanhado ou dado cobertura ao grupo durante uma atividade de cobrança. A reportagem comunicou o fato para a assessoria de imprensa da corporação e aguarda posicionamento.

PMs suspeitos de cobrar propina de comerciantes em Nilópolis podem ser expulsos da corporação: “Agem como milicianos”, denuncia relato. Câmeras flagraram suposta entrega de dinheiro. Acusados pegavam até coca-cola e cerveja

Dois policiais militares estão sendo submetidos a um Conselho de Disciplina que poderá decidir pela expulsão deles da Polícia Militar. Os agentes são suspeitos de, entre maio de 2023 e abril de 2024, exigir pagamentos semanais de R$ 50 de comerciantes de Nilópolis, na Baixada Fluminense. As suspeitas surgiram a partir da análise de imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais, além de gravações feitas por câmeras de monitoramento de um estabelecimento comercial. Os registros, segundo a investigação, revelaram indícios de desvios funcionais atribuídos aos militares. Uma das denúncias encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) fez um relato contundente sobre a suposta cobrança. “Peço ajuda ao MPRJ e para o pessoal do GAECO, porque os comerciantes não aguentam exploração dos policiais que agem como milicianos. Obs.: isso acontece todo domingo, não estamos aguentando mais essas atitudes.” A denúncia foi encaminhada à 1ª Promotoria de Justiça com Atribuição na AJMERJ e acompanhada de uma mídia contendo dois vídeos curtos, com duração total de aproximadamente dez segundos. Vídeo mostra PM recebendo objeto semelhante a dinheiro No vídeo 1, conforme descrito no relatório de investigação, foi possível observar, por meio da câmera interna de monitoramento de um estabelecimento comercial, um policial militar fardado no momento em que recebeu “algo semelhante a um papel-moeda” durante um aperto de mãos com uma funcionária do estabelecimento. O policial estava usando colete e portava um fuzil. Segundo o relatório, entretanto, ele não fazia uso de sua câmera corporal naquele momento. A partir da decoração do local, do balcão com diversos papéis semelhantes a cardápios e das grades de ferro existentes no interior do estabelecimento, os investigadores apontaram que o episódio ocorreu em uma hamburgueria situada na Rua Alberto Teixeira da Cunha, no Centro de Nilópolis. A investigação descreveu detalhadamente a sequência registrada pelas câmeras. Imagem 1: o policial militar entra no comércio e estende a mão para uma funcionária, ainda não identificada. Imagem 2: a funcionária aparece conduzindo algo semelhante a um pedaço de papel colorido em sua mão direita, levando o objeto em direção à mão do policial. Imagem 3: policial e funcionária completam o aperto de mãos. Imagem 4: a funcionária deixa a cédula na mão do policial. Logo em seguida, afasta a própria mão, como se tivesse o cuidado de deixar visível para a câmera que havia entregado o objeto ao PM. A câmera estava posicionada bem próxima, na parte superior do local. Imagem 5: os dois desfazem o aperto de mãos. A funcionária abre as mãos, aparentemente como se quisesse evidenciar que a entrega havia sido concluída, e retira a mão vazia. Imagem 6: posteriormente, o policial leva a mão em direção ao bolso lateral da calça. Imagem 7: o PM tenta, pela primeira vez, colocar o papel semelhante a dinheiro no bolso, mas não consegue. Imagem 8: em uma segunda tentativa, coloca o objeto no bolso lateral direito da farda. Nesse momento, o pedaço de papel semelhante a dinheiro fica ainda mais exposto. A imagem também permite observar que o policial possui uma tatuagem no antebraço. Imagem 9: finalmente, o policial consegue guardar o objeto no bolso. Segundo vídeo mostra viatura e outro policial O vídeo 2, com duração aproximada de três segundos, foi feito por uma câmera externa. Pela posição do equipamento, os investigadores conseguiram identificar novamente o estabelecimento comercial, além da viatura do Setor D do 20º BPM. Um cabo da PM aparece próximo ao estabelecimento. Segundo o relatório, o policial é visto em pé na calçada, aparentemente resguardando o colega de farda, enquanto conversa com um homem que vestia camisa preta e bermuda jeans. A análise das imagens foi confrontada com os registros das câmeras corporais dos policiais. Segundo a investigação, o sargento envolvido no esquema encontrava-se embarcado na viatura, que permanecia estacionada, enquanto o cabo ficava do lado de fora, conversando com dois homens não identificados. Conversas captadas pelas câmeras corporais A análise dos registros audiovisuais captados pelas câmeras corporais identificou diversos diálogos considerados relevantes pelos investigadores. Às 00h22min52seg, a guarnição deixa o local e segue em patrulhamento. Às 00h24min24seg, o sargento recebe mensagens pelo celular e comenta: “Ocorrência lá no …, pegar os bagulho hein?” Às 00h24min38seg, ele explica que se tratava de uma ocorrência na Rua Antônio Pereira de Carvalho, no Centro de Nilópolis, próximo à Caixa D’Água, na altura do número 19. Às 00h27min56seg, começa outro diálogo: “Daqui a pouco o Pedro fecha, tá vazio hein? É o Pedro é hoje.” O cabo pergunta: “Quer pegar logo?” O sargento responde: “Não! Agora não vai vir não.” O cabo pergunta: “É Pedro, depois?” O sargento responde: “Luiz Leite tá até pago.” O cabo volta a questionar: “E Pedro?” O sargento responde: “Pedro, Luiz, … faixa 10 acho que é hoje hein?” Em outro momento da gravação, o sargento diz: “Aqui pai, é hoje também pai, para aí, para aí. Pai, o bagulho aqui ficou maneiro hein?” O cabo responde: “Vê se pega uma água aqui…” O sargento orienta: “É, pega aí ó, vai lá, pega uma água com ela, ela vai te dar na tua mão.” O cabo diz: “Aqui, aqui, aqui, aqui!” E o sargento responde: “Aproveita que ela tá bebendo aí, duas aguinhas e pega o negócio. E não, tá legal não pai, maior bondão já aí, tá legal não! Tá legal não.” O cabo pergunta: “Hã?” O sargento repete: “Tá legal não, tá legal não!” “Vão fazer o pagamento do pessoal” Às 00h28min50seg, a viatura para em frente à hamburgueria. Em novo diálogo, o sargento, que estava sem a câmera corporal, recoloca a COP no local correto. Na sequência, afirma: “É, vamos lá… vão fazer o pagamento do pessoal aí, mané. Vamos lá só bicar logo essa ocorrência… ééé, e volta logo para cá para dar uma moral.” Em outro trecho da conversa, o sargento diz: “É lá no Luiz. Amanhã vou marcar um dezinho lá, botar as mochilas na frente que aqui não cabe

Investigação revela detalhes inéditos de escândalo de corrupção envolvendo PMs (incluindo um do BOPE) e o traficante Doca, chefão do CV

MARIO HUGO MONKEN Uma investigação da Polícia Federal que já havia revelado a existência de uma suposta rede de corrupção e vazamento de informações em benefício do Comando Vermelho ganhou novos contornos com a denúncia apresentada pelo Ministério Público na Justiça Militar. Os documentos agora detalham como dois policiais militares teriam atuado em favor da facção, quanto teria sido pago a um deles e até que tipo de informação teria sido negociada com criminosos. Os detalhes da suposta negociação ainda não haviam sido divulgados dessa forma. A denúncia tramita na Auditoria da Justiça Militar, na Ação Penal Militar nº 0131935-87.2025.8.19.0001, e tem como réus presos o 1º sargento PM conhecido como “Fred do BOPE”, e o cabo PM Luciano. Segundo o Ministério Público, os dois teriam desempenhado funções distintas dentro de um esquema que, de acordo com a acusação, mantinha conexões com integrantes do Comando Vermelho. Fred é acusado de ter recebido ou aceitado a promessa de receber mais de R$ 10 mil em troca de informações e, posteriormente, de ter recebido R$ 2 mil em outra ocasião. Luciano, por sua vez, é acusado de integrar a organização criminosa e de utilizar seu acesso ao sistema de Justiça para obter e transmitir informações consideradas sensíveis à facção. ‘Arrego Fred’: a contabilidade do tráfico Um dos elementos mais contundentes descritos na denúncia está relacionado à contabilidade encontrada nas mensagens extraídas de contas utilizadas por integrantes do Comando Vermelho. De acordo com o Ministério Público, a investigação teve origem, entre outros elementos, na quebra de sigilo telemático de uma conta do iCloud atribuída a Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como liderança do Comando Vermelho. Durante a análise do material, os investigadores encontraram conversas entre Doca e Elbert Luiz dos Santos, o Pinduca. Em uma dessas conversas, segundo a acusação, Pinduca teria informado a Doca sobre o pagamento de um saldo devedor de R$ 10 mil a “Fred”, relacionado ao vazamento de informações. Mas a investigação teria encontrado uma segunda referência ainda mais direta. Em 22 de março de 2025, Pinduca teria enviado a Doca uma fotografia de um caderno utilizado para a contabilidade da organização criminosa. Na imagem, segundo a denúncia, aparecia a anotação: “ARREGO FRED 2.000,00”. Para o Ministério Público, a anotação seria uma confirmação do pagamento de R$ 2 mil ao policial em razão das informações fornecidas à facção. Sargento trabalhava no BOPE A acusação sustenta que Fred estava lotado no Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e exercia a função de sargenteante. É justamente essa posição que dá dimensão ao suposto esquema descrito pelos investigadores. Segundo a denúncia, o policial teria aceitado vantagens indevidas para informar criminosos sobre operações realizadas pelo BOPE. A acusação afirma que, dessa maneira, informações obtidas por um integrante de uma unidade especializada da Polícia Militar acabariam chegando à estrutura do Comando Vermelho. O Ministério Público atribui a Rodolfo duas condutas de corrupção passiva, ambas relacionadas à aceitação de vantagens indevidas em razão da função. Em uma delas, o valor mencionado é superior a R$ 10 mil. Na outra, o valor apontado é de R$ 2 mil. Um outro trecho da investigação revela que Doca teria ordenado a seus subordinados, os gerentes do tráfico de drogas, vulgos Pinduca e Gardenal, que separassem uma quantidade específica de entorpecentes e armamentos de baixa qualidade para serem entregues voluntariamente à equipe de Fred Com isso, seria forjado um auto de apreensão positivo e, assim, tal agente público permaneceria em unidade de elite, a fim de servir com maior eficácia aos interesses da organização criminosa, inclusive informando sobre operações que seriam realizadas em comunidades dominadas pelo “Comando Vermelho”, sobretudo no Complexo do Alemão. Outro policial teria usado acesso ao Judiciário em favor do CV O segundo caso apresenta uma particularidade ainda mais sensível. Luciano era policial militar lotado no 5º Batalhão da PM, mas estava à disposição do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público, essa condição teria permitido que ele tivesse acesso a rotinas internas do Poder Judiciário, que posteriormente seriam utilizadas em benefício da organização criminosa. A denúncia afirma que o cabo teria desempenhado uma espécie de função estratégica para a facção dentro do sistema de Justiça. Entre suas atribuições no esquema, segundo a acusação, estariam o monitoramento de decisões judiciais, contato com advogados e autoridades e obtenção de informações sobre procedimentos criminais de interesse do Comando Vermelho. Conversa com integrante da cúpula do CV A investigação aponta ainda uma situação particularmente grave. Nos dias 17 e 19 de abril de 2025, segundo o Ministério Público, Luciano manteve contato com Manoel Cinquine Pereira, conhecido como “Paulista”, apontado na denúncia como integrante da cúpula do Comando Vermelho. Nas mensagens, o policial teria informado sobre o “andamento final do caveira”, expressão interpretada pelos investigadores como referência ao BOPE. Em seguida, teria escrito: “vi a prévia da denúncia do caveira” e “Irmão pode atender?” Na sequência, segundo os autos, houve uma ligação telefônica de 18 minutos e 24 segundos. Para o Ministério Público, a conversa demonstra que o policial não estaria apenas transmitindo informações genéricas, mas teria acesso a dados relacionados a um procedimento criminal envolvendo um integrante do BOPE. ‘Coisas importantes’ e mensagens de visualização única O material apreendido também teria revelado, segundo a denúncia, um padrão de comunicação entre Luciano e integrantes do Comando Vermelho. O Ministério Público afirma que o policial encaminhava informações a Paulista por mensagens de visualização única e que chegou a classificar determinados conteúdos como “coisas importantes”. Na avaliação da acusação, isso reforçaria a hipótese de que Luciano exerceria deliberadamente a função de informante da organização criminosa. A investigação sustenta ainda que ele se apresentaria como alguém capaz de antecipar decisões e movimentações do sistema de Justiça, utilizando sua proximidade institucional para favorecer os interesses da facção. Investigação nasceu da Operação Buzz Bomb O caso não surgiu isoladamente. Os elementos que deram origem à investigação fazem parte de um desdobramento da Operação Buzz Bomb, que investigava a atuação de civis e agentes públicos ligados à estrutura do

Delegado expulso da Polícia Civil do RJ é suspeito de tentar transferir multas de trânsito para terceiros em esquema investigado pela Justiça

Um novo episódio envolvendo o ex-delegado da Polícia Civil do RJ Maurício Demétrio veio à tona a partir de depoimentos colhidos em investigação que apura supostas irregularidades praticadas pelo policial civil. Segundo o relato de um comerciante do ramo de automóveis, o então delegado teria solicitado ajuda para retirar infrações de trânsito do prontuário de um veículo e transferi-las para outras pessoas que aceitassem assumir a responsabilidade pelas multas. De acordo com o depoimento, o comerciante, proprietário de uma loja que atua na compra e venda de veículos, conheceu Demétrio em 2019, durante a negociação de uma Land Rover Evoque blindada e usada. A partir desse contato, segundo ele, os dois passaram a manter comunicação por mensagens de celular. O depoente afirmou que reconheceu os diálogos apresentados durante a investigação e confirmou que as conversas ocorreram entre ele e o delegado. Segundo o relato, em determinado momento, Maurício Demétrio teria pedido que ele “operacionalizasse” a transferência de infrações de trânsito para o prontuário de outra pessoa. O veículo envolvido seria uma Toyota Hilux, ano 2009, de cor preta, pertencente a Carlos Henrique. Conforme o depoimento, o delegado teria oferecido pagamento para pessoas que aceitassem assumir as multas como se fossem os verdadeiros condutores responsáveis pelas infrações. A proposta, segundo o comerciante, envolvia o pagamento por cada multa transferida. O dinheiro deveria ser repassado às pessoas que aceitassem receber os pontos em seus prontuários. O comerciante afirmou que procurou integrantes da própria família — incluindo sogra, filha, genro e esposa — que teriam concordado em assumir as infrações. Segundo ele, os documentos de notificação já chegavam assinados pelo proprietário do veículo, cabendo ao comerciante preencher os dados das pessoas indicadas como supostos condutores. Após o preenchimento, toda a documentação teria sido enviada ao Detran por meio do aplicativo oficial do órgão. No depoimento, o comerciante afirmou que não chegou a receber os valores prometidos pelo delegado e que o acordo não teria sido integralmente cumprido. Ele declarou ainda que, no momento em que realizou os procedimentos, não tinha conhecimento de que a conduta poderia configurar crime, tendo compreendido a suposta ilegalidade somente posteriormente, após orientação jurídica. O depoente assumiu responsabilidade pelos atos praticados, mas afirmou desconhecer se o proprietário do veículo tinha ciência da suposta irregularidade ou das tratativas feitas com o delegado. O caso passou a integrar o conjunto de acusações investigadas contra Maurício Demétrio, que já foi alvo de outras apurações envolvendo sua atuação como delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Demétrio foi preso há cinco anos durante uma operação que investigava um suposto esquema de cobrança de propina para permitir a comercialização de roupas falsificadas na Rua Teresa, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Embora tenha sido absolvido recentemente da acusação de obstrução de Justiça, Demétrio permanece preso em razão de outros processos ainda em andamento. Ele responde a acusações que envolvem crimes como organização criminosa, concussão, corrupção e lavagem de dinheiro. Antes de ser exonerado do cargo em 2024, l seu transporte para audiências presenciais era realizado pela instituição, mediante escolta que lhe garantia maior segurança e o mantinha afastado dos demais detentos. Depois disso, l perdeu a escolta oferecida pela instituição para os momentos em que era necessário deixar o presídio. Atualmente seuransporte para audiências é realizado pela SEAP, mediante requisição do Juízo. A defesa alega, durante sua carreira, Maurício foi um delegado combativo, tendo sido responsável pela prisão de centenas de pessoas. Assim, revela-se altamente perigosa a participação do requerente em audiências presenciais, pois há grande probabilidade de ele encontrar alguém cuja prisão decorreu de investigações por ele presididas . Diante disso, o ex-delegado vem solicitando, em todos os processos de que é parte, autorização para participar das audiências por videoconferência, diretamente do Complexo de Gericinó.

Quase 20 anos de espera: PM expulsa três policiais de quadrilha que controlava centenas de caça-níqueis

Quase duas décadas depois do início das investigações, a Polícia Militar expulsou três policiais envolvidos com uma organização criminosa especializada na exploração ilegal de máquinas caça-níquel e na corrupção de agentes públicos. A quadrilha, segundo as investigações, atuava pelo menos desde 2007 e mantinha aproximadamente 500 pontos de exploração de máquinas caça-níquel em municípios da Região Metropolitana e da Região Serrana do Rio, incluindo Magé, Teresópolis, Guapimirim e cidades vizinhas. O grupo era estruturado e contava com diferentes níveis de comando. De acordo com a investigação, os principais integrantes estabeleciam as diretrizes da organização, enquanto outros membros atuavam na operação do esquema e na administração financeira da atividade criminosa. A organização também contava com a participação de policiais federais, que, em troca do recebimento periódico de vantagens indevidas, forneciam informações privilegiadas sobre investigações e operações policiais. O objetivo era proteger o funcionamento do esquema de jogos ilegais e permitir que a quadrilha continuasse explorando as máquinas sem ser incomodada pelas autoridades. Planilhas revelaram dimensão do esquema Durante as investigações, interceptações telefônicas e documentos apreendidos ajudaram a revelar a estrutura da organização criminosa. Em uma das conversas interceptadas, integrantes do grupo discutem até mesmo o pagamento de salários e o aumento da remuneração de envolvidos na operação. Nas buscas realizadas pela polícia, foram apreendidos computadores e discos rígidos contendo planilhas relacionadas ao controle das máquinas caça-níquel, à movimentação financeira e à distribuição dos valores obtidos com a exploração ilegal. Uma das planilhas apreendidas registrava a existência de 634 máquinas caça-níquel apenas na região de Barra Mansa. O material também apontava uma movimentação de aproximadamente R$ 1,5 milhão com as máquinas entre outubro de 2009 e junho de 2010. As investigações também encontraram documentos que indicavam a existência de um esquema de corrupção policial ligado à exploração das máquinas. Expulsão quase 20 anos depois Apesar de os fatos investigados remontarem a 2007, a expulsão dos três policiais militares só foi formalizada agora, quase duas décadas depois do início da atuação criminosa atribuída à organização. A decisão administrativa considerou que o envolvimento dos agentes com a exploração de jogos ilegais e com o esquema de corrupção era incompatível com a permanência nos quadros da Polícia Militar. Os três foram excluídos da corporação por violação dos deveres funcionais e por condutas consideradas incompatíveis com a dignidade e o decoro da função policial. O caso mostra a impressionante demora entre a descoberta de um esquema criminoso e a conclusão do processo disciplinar que resultou na expulsão dos policiais. Quase 20 anos depois de a organização criminosa começar a operar, os três policiais finalmente foram retirados dos quadros da PM.

PM é acusado de usar arma e distintivo para extorquir vítimas e tomar carro como “garantia” de pagamento

Um policial militar está sendo submetido a Conselho de Disciplina, procedimento que pode resultar em sua expulsão da corporação. O agente é acusado de participação em uma extorsão ocorrida em fevereiro de 2025, em Volta Redonda, no Sul Fluminense. De acordo com a denúncia, o caso ocorreu na manhã de 15 de fevereiro, no bairro Brasilândia. A vítima, identificada como Leonardo B.F.S., teria ido ao local combinado para entregar uma pomada anestésica utilizada em tatuagens, conhecida como Xilocaína. Ao chegar ao endereço, Leonardo teria sido surpreendido por um grupo de homens. Entre eles estaria o policial militar, que teria se aproximado portando uma arma de fogo e utilizando um distintivo, participando da abordagem intimidatória. Segundo a decisão judicial, Leonardo já conhecia o policial de antes, pois os dois frequentavam a mesma academia. Por esse motivo, a Justiça considerou segura a identificação feita pela vítima. Após a abordagem, os envolvidos teriam questionado Leonardo sobre a origem da Xilocaína e sobre o paradeiro de Iago H.V. Utilizando o próprio celular da vítima, eles teriam entrado em contato com Iago e o atraído para outro ponto da cidade. Quando Iago chegou, os dois homens teriam sido ameaçados, agredidos e pressionados a pagar uma elevada quantia em dinheiro. Segundo a acusação, as vítimas eram ameaçadas de prisão caso não entregassem o valor exigido. Como os dois não tinham o dinheiro, os envolvidos teriam tomado o veículo Kia Sportage pertencente a Leonardo e o mantido como garantia da vantagem econômica exigida. A conduta foi considerada pela Justiça como parte da dinâmica de uma extorsão qualificada. Justiça rejeitou alegações da defesa Durante o processo, Iago afirmou em juízo que não reconhecia o policial acusado. A Justiça, no entanto, entendeu que essa circunstância não afastava a autoria, diante do relato considerado firme de Leonardo e de outros elementos reunidos no processo. Entre as provas analisadas estavam os reconhecimentos realizados na fase policial e declarações prestadas por outros envolvidos durante a investigação, posteriormente confrontadas com as provas produzidas em juízo. A defesa sustentou fragilidade das provas, ausência de elementos que vinculassem o policial aos crimes e contradições nos depoimentos das vítimas. As alegações, porém, foram rejeitadas. Segundo o entendimento judicial, as divergências apontadas seriam periféricas e não comprometeriam o núcleo principal da acusação, especialmente em relação à abordagem, ao uso de arma de fogo e distintivo, à exigência de dinheiro e à tomada do veículo. Conselho vai avaliar permanência do PM na corporação O processo disciplinar instaurado pela Polícia Militar não terá como objetivo reavaliar a existência do crime, questão que cabe ao Poder Judiciário. O Conselho de Disciplina analisará os aspectos éticos e administrativos da conduta atribuída ao policial. A corporação deverá avaliar se, diante dos atos atribuídos ao militar, ele ainda reúne condições éticas e morais para permanecer em seus quadros. Segundo a acusação disciplinar, a conduta investigada seria incompatível com os deveres e valores esperados de um policial militar e representaria uma violação ao compromisso de servir e proteger a sociedade. Ao final do procedimento, o PM poderá ser absolvido na esfera administrativa ou sofrer sanções, incluindo a possibilidade de exclusão da corporação, conforme a conclusão do processo.

Depois de 14 anos, PM suspeito de cobrar propina de traficantes em Caxias foi expulso da corporação

A PM expulsou depois de 14 anos o terceiro sargento Dario Fabrício Barbosa da Silva suspeito de ter recebido propina de traficantes em Duque de Caxias. Os fatos foram apurados no âmbito da denominada “Operação Purificação”, repercutindo negativamente para a imagem da PMERJ. Interceptações telefônicas revelaram que o PM que tinha os vulgos de Chocolate ou Novato teria exigido propina dos traficantes Pit e RDcondicionando a devolução de veículo apreendido ao pagamento de valores e orientando o traficante a comparecer à “casa” (o DPO da Figueira) para “desenrolar melhor Entre os dias 04 e 14 de maio de 2012, o agente teria exigido e ajustou o recebimento de propina de traficantes da comunidade do Corte Oito,em Duque de Caxias, para abster-se da repressão ao tráfico, incumbindo-se de contatos telefônicos com os criminosos, de ameaças de retomada da repressão em caso de não pagamento e do recolhimento dos valores em diversas localidades, Por fim, entre 12 de abril e 21 de maio de 2012, recebeu, de forma reiterada e contínua,“arrego” periódico referente ao DPO da Figueira. Por conta destes fatos, o PM foi condenado três vezes pela Justiça.

FALSA OPERAÇÃO, AMEAÇAS E DINHEIRO: PMs são acusados de extorquir comerciantes em série e podem ser expulsos após quase sete anos

Quase anos após os fatos, a Polícia Militar decidiu submeter ao Conselho de Disciplina dois policiais militares acusados de envolvimento em uma série de extorsões contra comerciantes. O procedimento pode resultar na expulsão dos agentes da corporação. De acordo com a acusação, os policiais teriam se passado por integrantes da Polícia Civil para ameaçar comerciantes e exigir dinheiro em troca da não realização de supostas operações, buscas e apreensões. Um dos principais episódios ocorreu em 14 de novembro de 2019, em Magalhães Bastos, na Zona Oeste do Rio. Segundo a denúncia, o sargento Campos, identificado como 2º SGT, compareceu ao estabelecimento de uma comerciante e afirmou ser policial civil da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM). O policial teria dito à vítima que havia denúncias contra o comércio e que “não teria como segurar” a situação. Em seguida, teria exigido R$ 10 mil para evitar problemas. A comerciante afirmou que não tinha o valor e que poderia pagar apenas R$ 700. A quantia teria sido entregue ao sargento, que também teria obtido da vítima a promessa de receber R$ 1 mil por semana. A investigação aponta que, cerca de um mês antes, a comerciante havia sido abordada por um homem que relatou a existência de um grupo de policiais que estaria extorquindo comerciantes na região. Na ocasião, ele teria sugerido que ela procurasse o sargento Campos para tratar de possíveis “buscas e apreensões ilegais”. A vítima chegou a entrar em contato com o policial, que marcou um encontro para conversar, mas a reunião não aconteceu. No dia 14 de novembro, após ser informada de que policiais estariam realizando uma suposta operação em seu comércio, a comerciante voltou a entrar em contato com Campos. Segundo a acusação, o policial determinou que ela fosse até o estabelecimento, onde teria ocorrido a exigência de dinheiro. Comerciante teria sido ameaçado com arma em Madureira Ainda no mesmo dia, por volta das 20h, o sargento Campos e o policial militar Gutemberg teriam abordado outra vítima, identificada pelas iniciais J.N.S.G., na passarela da Estação de Trem de Madureira. Segundo a denúncia, a vítima teria sido ameaçada com uma arma de fogo e obrigada a entregar dinheiro para evitar a apreensão de suas mercadorias. Inicialmente, Campos teria exigido R$ 30 mil, afirmando que a mercadoria seria apreendida e levada pela DRCPIM. Posteriormente, um terceiro homem, ainda não identificado e que teria sido apresentado como “Tenente” da SSI/PMERJ, teria participado da negociação e exigido R$ 20 mil. Diante da recusa da vítima, o valor teria sido reduzido para R$ 15 mil. Como não conseguiu reunir toda a quantia, a vítima teria entregado R$ 12 mil ao sargento Campos, em um encontro marcado na própria passarela da estação. Nova cobrança em Nova Iguaçu Quatro dias depois, em 18 de novembro de 2019, por volta das 16h, o sargento Campos teria feito uma nova cobrança. Segundo a acusação, ele esteve em um comércio informal de roupas localizado na Avenida Governador Roberto Silveira, em Nova Iguaçu, onde teria exigido R$ 10 mil de um comerciante identificado pelas iniciais G.A.C.A. O policial teria terminado recebendo R$ 4 mil. Os dois policiais agora serão submetidos ao Conselho de Disciplina da Polícia Militar. O procedimento administrativo poderá resultar na expulsão dos agentes da corporação, caso as acusações sejam confirmadas.

Abordagem, câmeras desligadas e dinheiro: cinco PMs podem ser expulsos após denúncia de extorsão contra argentinos

Quase dois anos após a ocorrência, a Polícia Militar decidiu submeter a Conselho de Disciplina cinco policiais suspeitos de envolvimento na extorsão de turistas argentinos. O procedimento pode resultar na expulsão dos agentes da corporação. De acordo com a denúncia, o caso ocorreu em 3 de setembro de 2024, quando uma mãe e seu filho, ambos argentinos, foram abordados por quatro policiais militares que utilizavam uma viatura do tipo caminhonete. Os turistas informaram aos agentes que utilizavam o Google Street View para tentar localizar a empresa Foco Locadora de Veículos, onde devolveriam o automóvel alugado antes de embarcar em um voo com destino à Argentina, no Aeroporto Internacional do Galeão. Segundo a investigação, entretanto, a liberação dos estrangeiros teria sido condicionada à entrega de dinheiro e outros bens. Durante buscas realizadas nas malas e bolsas da mulher, identificada pelas iniciais M.S.T., os policiais teriam encontrado R$ 1.300, US$ 1 mil e um celular Samsung A05. Também teria sido localizado R$ 1 mil pertencente ao filho, identificado pelas iniciais I.N.D. Ainda segundo a denúncia, os policiais exigiram que os valores e objetos fossem entregues dentro do Nissan Kicks alugado pelas vítimas. Um dos agentes, descrito como branco, teria empurrado M.S.T. para dentro do veículo e se apoderado dos bens. Câmeras corporais teriam sido retiradas durante abordagens As informações reunidas durante a investigação, registrada no Registro Policial Militar nº 238/119/2024, teriam permitido identificar a conduta atribuída a cada um dos policiais. Um relatório de análise das imagens das câmeras corporais apontou que os relatos feitos pelas vítimas na delegacia eram compatíveis com os áudios e imagens captados pelos equipamentos dos agentes. A análise também teria indicado a existência de outras possíveis vítimas da mesma guarnição. De acordo com a investigação, os policiais teriam deliberadamente retirado ou obstruído as câmeras corporais durante as abordagens, impedindo o registro integral do que acontecia no entorno. Apesar disso, áudios e imagens parciais teriam revelado uma divisão de tarefas entre os agentes. Segundo o documento, os policiais teriam concordado em desacoplar as câmeras operacionais e colocá-las dentro da viatura, com o objetivo de impedir a captação das abordagens. A investigação também aponta que um dos policiais não teria sequer acautelado a câmera operacional portátil para o serviço. Para os investigadores, isso pode indicar que ele seria o responsável pela abordagem coercitiva dos usuários da via. Agora, os cinco policiais serão submetidos ao Conselho de Disciplina da Polícia Militar. O procedimento poderá resultar na perda da função pública e na expulsão dos agentes da corporação, caso as acusações sejam confirmadas no âmbito administrativo.

PM alvo de operação por propina ao Comando Vermelho é acusado de executar jovem após vídeo que provocava milicianos em Nova Iguaçu

Um dos alvos da operação do MPRJ hoje contra PMs suspeitos de receber propinas de traficantes do Comando Vermelho na Baixada Fluminense, o policial Alan Silva do Nascimento é suspeito de matar Miguel Lopes Nascimento e atingir um homem chamado Higor em fevereiro de 2023 no bairro Cobrex, em Nova Iguaçu. O crime foi praticado por motivo torpe, em razão de disputa territorial entre grupos milicianos, com o objetivo de manter o controle da área onde os fatos ocorreram. O crime foi praticado com emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, visto que o denunciado e seu comparsa atacaram as vítimas de surpresa, efetuando disparos de dentro de um veículo em movimento, impedindo qualquer reação defensiva eficaz por parte das vítimas. Testemunhas disseram que Miguel colocou uma foto com arma; que depois, com 17 anos, a vítima colocou um vídeo dizendo “quer matar, mata agora, porque quando eu completar 18 anos já era; que a vítima estava provocando o pessoal do Cobrex. Miguel estava colaborando com a boca de fumo do Cobrex e o local tinha domínio de milícia. Os paramilitares mtiveram conhecimento do vídeo e queriam matar a vítima.Um conhecido alertou Miguel que os caras estavam de olho nele. O bairro na época tinha a atuação de justiceiros, entre eles Soró e Linguiça Após gravar um vídeo com ameaças, Miguel foi aconselhado a fazer um outro pedindo desculpas mas não deu tempo. O sobrevivente do fato chegou a acusar o PM como um dos participantes do crime chegando a dizer que Alan queria matar Miguel porque ele fazia muita besteira. Quando foi ouvido pela Justiça sobre o caso, Alan ficou em silêncio A operação de hoje O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ), com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, cumpre, nesta sexta-feira (03/07), sete mandados de busca e apreensão contra dois policiais militares investigados por associação criminosa armada e corrupção passiva majorada. O GAECO/MPRJ encontrou fortes indícios de que os dois agentes integram um esquema de recebimento de valores de narcotraficantes da facção Comando Vermelho para não combaterem o tráfico de drogas em comunidades de Japeri, na Baixada Fluminense. A investigação teve início a partir da apuração de crimes cometidos pelo policial militar, Alan Silva do Nascimento, que já resultou em denúncia por homicídio e em uma condenação por tráfico de drogas e posse ilegal de um fuzil e de munições de calibre restrito. O GAECO/MPRJ identificou a prática de diversos crimes de corrupção por Alan Nascimento e, de acordo com as investigações, por sua guarnição, autodenominada “Irmãos Metralha”, à época integrada pelos dois policiais alvos das buscas desta sexta-feira. Os agentes estavam lotados no 24º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo policiamento das cidades de Queimados, Japeri, Paracambi, Seropédica e Itaguaí. Os mandados, expedidos pelo Juízo da Auditoria da Justiça Militar a pedido do GAECO/MPRJ, estão sendo cumpridos em endereços nas cidades de Queimados e Nova Iguaçu, bem como no 20º Batalhão de Polícia Militar (Mesquita), atual unidade de lotação dos alvos.

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