Quase dois anos após a ocorrência, a Polícia Militar decidiu submeter a Conselho de Disciplina cinco policiais suspeitos de envolvimento na extorsão de turistas argentinos. O procedimento pode resultar na expulsão dos agentes da corporação.
De acordo com a denúncia, o caso ocorreu em 3 de setembro de 2024, quando uma mãe e seu filho, ambos argentinos, foram abordados por quatro policiais militares que utilizavam uma viatura do tipo caminhonete.
Os turistas informaram aos agentes que utilizavam o Google Street View para tentar localizar a empresa Foco Locadora de Veículos, onde devolveriam o automóvel alugado antes de embarcar em um voo com destino à Argentina, no Aeroporto Internacional do Galeão.
Segundo a investigação, entretanto, a liberação dos estrangeiros teria sido condicionada à entrega de dinheiro e outros bens. Durante buscas realizadas nas malas e bolsas da mulher, identificada pelas iniciais M.S.T., os policiais teriam encontrado R$ 1.300, US$ 1 mil e um celular Samsung A05. Também teria sido localizado R$ 1 mil pertencente ao filho, identificado pelas iniciais I.N.D.
Ainda segundo a denúncia, os policiais exigiram que os valores e objetos fossem entregues dentro do Nissan Kicks alugado pelas vítimas. Um dos agentes, descrito como branco, teria empurrado M.S.T. para dentro do veículo e se apoderado dos bens.
Câmeras corporais teriam sido retiradas durante abordagens
As informações reunidas durante a investigação, registrada no Registro Policial Militar nº 238/119/2024, teriam permitido identificar a conduta atribuída a cada um dos policiais.
Um relatório de análise das imagens das câmeras corporais apontou que os relatos feitos pelas vítimas na delegacia eram compatíveis com os áudios e imagens captados pelos equipamentos dos agentes. A análise também teria indicado a existência de outras possíveis vítimas da mesma guarnição.
De acordo com a investigação, os policiais teriam deliberadamente retirado ou obstruído as câmeras corporais durante as abordagens, impedindo o registro integral do que acontecia no entorno.
Apesar disso, áudios e imagens parciais teriam revelado uma divisão de tarefas entre os agentes. Segundo o documento, os policiais teriam concordado em desacoplar as câmeras operacionais e colocá-las dentro da viatura, com o objetivo de impedir a captação das abordagens.
A investigação também aponta que um dos policiais não teria sequer acautelado a câmera operacional portátil para o serviço. Para os investigadores, isso pode indicar que ele seria o responsável pela abordagem coercitiva dos usuários da via.
Agora, os cinco policiais serão submetidos ao Conselho de Disciplina da Polícia Militar. O procedimento poderá resultar na perda da função pública e na expulsão dos agentes da corporação, caso as acusações sejam confirmadas no âmbito administrativo.