Dois policiais militares apontados como integrantes de grupos ligados ao falecido capitão Adriano da Nóbrega e ao contraventor Bernardo Bello estão sendo submetidos a Conselho de Disciplina da Polícia Militar e podem ser expulsos da corporação.
Segundo a denúncia, entre 2019 e 2021, os dois PMs teriam integrado, ao lado de outros envolvidos, uma organização criminosa armada voltada à exploração de jogos de azar e à agiotagem. Entre os crimes atribuídos ao grupo estão homicídios, porte e posse ilegal de armas de fogo, extorsões, exploração irregular do mercado imobiliário e lavagem de dinheiro.
A investigação aponta que, após a morte de Adriano da Nóbrega, integrantes de seu grupo criminoso teriam assumido funções relacionadas à continuidade das atividades ilícitas. Entre os envolvidos estariam a viúva do ex-capitão e o ex-policial militar conhecido como “Pai Bara”, apontados como possíveis sucessores na condução de parte das atividades do grupo.
Segurança armada e ligação com Adriano
Um dos investigados, conhecido como “Grande”, é apontado como um dos principais colaboradores de Adriano da Nóbrega. Segundo a denúncia, ele atuava na segurança pessoal do ex-capitão e também participava da coordenação e administração dos pagamentos destinados aos demais seguranças armados ligados ao grupo.
Grande também teria desempenhado um papel importante na intermediação da comunicação entre Adriano, outros integrantes da organização criminosa e familiares do ex-capitão durante o período em que ele permaneceu foragido.
Já o ex-PM conhecido como “Pai Bara” teria atuado como segurança pessoal de Adriano e na proteção de pontos de jogo do bicho, principalmente na Zona Sul do Rio. Após a morte do capitão, ele teria passado a integrar um grupo de seguranças armados que atuava na proteção de Shanna G. e de seu marido, conhecido como “R7”.
Grupo de segurança armada para clientes VIP
A investigação identificou, após a quebra do sigilo de dados telemáticos de Grande, sua participação em um grupo de WhatsApp chamado “Band of Brothers”, criado em agosto de 2020.
Segundo a denúncia, o grupo reunia seguranças armados que prestavam serviços de escolta a clientes considerados “VIPs”, inclusive com a utilização de armas de grosso calibre.
Entre os supostos beneficiários do serviço estariam Shanna G., apontada como pessoa ligada à contravenção, e seu marido, R7.
A identificação dos dois policiais investigados teria ocorrido a partir da análise das mensagens trocadas no grupo e de conversas mantidas entre Grande e um dos PMs.
Conversas sobre compra de fuzil
As investigações também identificaram conversas entre Grande e o outro policial militar relacionadas à aquisição de armamentos.
Segundo a denúncia, esse PM também integrava o grupo de seguranças armados que realizava escoltas para clientes considerados VIPs, trabalhando em regime de escala.
Em novembro de 2020, o policial teria enviado a Grande uma fotografia de um contrato de aquisição de um fuzil Parafal calibre 7,62 mm, formalizado em seu nome, além dos dados bancários da empresa responsável pela venda.
Em uma mensagem de áudio, o PM teria informado que estava encaminhando a documentação e as informações necessárias para o pagamento porque um dos clientes VIP havia manifestado interesse na compra da arma.
Grande teria respondido agradecendo o envio do material e orientando que a documentação fosse apresentada rapidamente ao interessado, que já teria determinado a realização da compra.
Escala de segurança para a contravenção
A investigação também apontou que Grande fazia parte de outro grupo de WhatsApp, chamado “Escala da Vitória”, criado em fevereiro de 2021.
O grupo reunia seguranças armados ligados à contravenção e tinha como objetivo organizar as escalas de serviço.
Embora a maior parte das mensagens tenha sido apagada, algumas conversas foram recuperadas pelos investigadores. O grupo foi encerrado em março de 2021, após a decisão do chamado “01” de manter apenas o grupo de seguranças que já possuía.
Segundo a investigação, o grupo “Escala da Vitória” funcionaria como um reforço à segurança de Shanna e R7, que já contariam com a proteção dos integrantes do “Band of Brothers”.
Agora, os dois policiais militares são submetidos ao Conselho de Disciplina da corporação. O procedimento avaliará se as condutas atribuídas aos agentes são incompatíveis com a condição de policiais militares e se eles ainda reúnem condições éticas e morais para permanecer na corporação.
Caso sejam considerados culpados na esfera administrativa, os dois poderão ser expulsos da Polícia Militar.