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Comando Vermelho mobilizou motociclistas para sabotar cerco policial e salvar traficantes na megaoperação na Penha e Alemão

A Justiça do Rio revelou detalhes de uma estratégia utilizada pelo Comando Vermelho (CV) para tentar minimizar os impactos da Operação Contenção, uma das maiores ofensivas policiais já realizadas nos complexos da Penha e do Alemão que deixou 122 mortos em 28 de outubro. Segundo a decisão judicial, traficantes da facção acionaram motociclistas para provocar tumulto, atrapalhar a movimentação das forças de segurança e abrir caminho para a fuga de criminosos que estavam sendo alvo do cerco policial. As investigações apontam que os motociclistas não tinham a missão de enfrentar os agentes, mas sim de criar obstáculos à operação, dificultando o avanço das equipes e favorecendo a retirada de traficantes das áreas cercadas. Um dos envolvidos admitiu aos policiais que foi chamado para atuar durante a operação justamente com o objetivo de gerar confusão e prejudicar a ação das forças de segurança. A Justiça destacou que os suspeitos avançavam em direção à área do confronto, comportamento incompatível com o de moradores que buscavam proteção diante dos tiroteios. Para o Ministério Público e para o magistrado responsável pelo caso, a atuação demonstra uma estrutura organizada de apoio ao tráfico, na qual pessoas ligadas à facção exercem funções específicas para proteger integrantes do grupo criminoso durante operações policiais. A decisão ressalta ainda que a rápida mobilização de motociclistas durante a Operação Contenção evidencia a capacidade de articulação do Comando Vermelho para reagir a grandes ações das forças de segurança, utilizando colaboradores para criar distrações e facilitar a fuga de traficantes sob pressão do cerco policial. Na avaliação da Justiça, a estratégia reforça os indícios de associação dos envolvidos à facção, que teria utilizado a ação coordenada como uma forma de preservar integrantes do grupo durante uma das maiores operações realizadas contra o Comando Vermelho na cidade do Rio de Janeiro.

Mulher que levou 34 facadas na Praça Seca só não foi morta porque traficantes intercederam

Os autos do processo contra acusadas de dar mais de 30 facadas em Hayannah de Almeida Vieira revelaram que a vítima só não foi morta porque a autora dos golpoes, Andrea Camilli Bezerra dos Santos interrompeu as agressões com a chegada dos integrantes do tráfico na Favela Bateau Mouche, na Praça Seca. Andrea foi amante do marido da vítima (um traficante já falecido). Ela foi presa assim como a ex-sogra de Hayannah, Jaqueline Alves Vasconcellos, que acusa a vítima da morte do filho. Uma das testemunhas diss ter presnciado Jaqueline segurando a vítima, enquanto Andrea desferia sucessivos golpes de faca. A declarante acrescentou que, ao perceber a aproximação de terceiros, Jaqueline passou a simular que tentava separar a agressão, circunstância que evidencia tentativa de ocultação de sua efetiva participação. Disse ainda que Andrea continuou agredindo a vítima e ameaçou de morte aqueles que tentavam socorrê-la, somente interrompendo as agressões após a chegada de integrantes do tráfico local. Outra testemunha afirmou que encontrou Hayannah gravemente ferida, perdendo grande quantidade de sangue, e visualizou Andrea portando faca ensanguentada, enquanto debochava da situação, chegando a questionar os presentes sobre o que iriam fazer contra ela. Uma terceira testemunha declarou que encontrou a vítima gravemente lesionada, visualizando Andrea Camilli portando faca com sangue na mão e demonstrando absoluto desprezo pela situação. Os autos informaram que os fatos ocorreram na madrugada do dia 31/05/2026, com o crime sendo noticiado na manhã do mesmo dia. As autoras residem na mesma comunidade onde a vítima habita, permanecendo esta internada em estado grave no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em situação de vulnerabilidade, Segundo consta dos autos, na madrugada do dia 31/05/2026, por volta das 04h30, ao retornar para sua residência localizada na comunidade Bateau Mouche, Praça Seca, a vítima foi emboscada por Jaqueline e Andrea , amante do falecido marido de Hayannah. A motivação do crime, conforme apurado, foi o relacionamento extraconjugal mantido por Andrea com o marido da vítima, já falecido.A dinâmica delitiva, conforme reconstruída a partir das provas colhidas, é a seguinte: Jaqueline imobilizou a vítima, segurando-a pelo corpo, enquanto Andrea desferiu sucessivos golpes de faca contra Hayannah. A vítima sofreu trinta e quatro perfurações distribuídas por diversas regiões do corpo, incluindo extremidades, dorso, face e região cervical esquerda, com perfuração do platisma supra-clavicular esquerdo, sendo necessária a realização de toracostomia fechada com drenagem torácica. Andrea e Jaqueline estão com as prisões preventivas decretadas.

Tráfico proíbe entrada de oficiais de Justiça na Penha (CV) e mandado deixa de ser cumprido por ameaça de morte

Um oficial de Justiça informou ao Tribunal de Justiça do Rio que deixou de cumprir um mandado na Penha após o tráfico de drogas supostamente proibir a entrada de agentes do Judiciário nas comunidades que integram o complexo. Em certidão anexada a um processo, o servidor relatou que criminosos ameaçam de morte qualquer oficial encontrado na região. O documento foi encaminhado ao cartório após a tentativa frustrada de cumprimento de uma ordem judicial. Segundo o oficial, a facção que controla as favelas do Complexo da Penha teria vetado o cumprimento de mandados em todas as ruas de acesso às comunidades. Na certidão, o servidor afirma que a diligência não foi realizada por causa do alto risco à integridade física dos agentes públicos. Ele também cita a presença constante de olheiros do tráfico e criminosos circulando armados com fuzis e metralhadoras pelas vias da região. O oficial relata ainda que o cenário ficou mais perigoso após uma grande operação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão em 28 de outubro que deixou 122 mortos, aumentando os riscos para a atuação de representantes do Estado na localidade. Antes de devolver o mandado sem cumprimento, o servidor informou ter tentado localizar a parte por telefone e meios eletrônicos, sem sucesso. Mesmo com a possibilidade de apoio da Polícia Militar, o oficial destacou que não haveria garantia de segurança para agentes do Judiciário, policiais ou moradores durante a realização da diligência. Diante da situação, o mandado foi devolvido ao cartório com a solicitação de um endereço alternativo para localização da pessoa que deveria ser intimada. A certidão expõe um cenário preocupante: segundo o relato oficial encaminhado à Justiça, o poder exercido pelo tráfico na região estaria impedindo até mesmo o cumprimento de ordens judiciais por servidores do Estado.

Doca e Gadernal teriam pago R$ 50 mil por informações sigilosas de investigação, aponta print atribuído ao MP

Prints atribuídos ao Ministério Público do Rio de Janeiro que circulam nas redes sociais apontam que chefões do Comando Vermelho teriam pago R$ 50 mil de propina a um policial civil para obter informações sigilosas sobre uma investigação da DRACO. O material cita os traficantes conhecidos pelos apelidos de Doca e Gadernal e descreve um suposto vazamento envolvendo detalhes de monitoramentos e diligências policiais. De acordo com o conteúdo dos documentos que circulam na internet, Gadernal teria alertado Doca para trocar de aparelho telefônico por estar sendo monitorado pelas autoridades. A informação, segundo os prints, teria sido repassada por um policial civil, que teria recebido R$ 50 mil pelo suposto vazamento. Outro print que também passou a circular mostra uma conversa de WhatsApp na qual um dos contatos aparece identificado como “Contato Draco”. No diálogo, um suposto traficante afirma que um amigo estaria disposto a pagar por prisões de criminosos ligados às comunidades do Guarda e do Rato, em Del Castilho. A reportagem procurou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para verificar a autenticidade dos documentos e comentar o conteúdo divulgado, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.

Homem que saiu da Baixada Fluminense para fazer cobranças atribuídas à milícia em São Gonçalo foi executado por traficantes do Comando Vermelho; motorista que o levou foi torturado, espancado e quase morto

Um homem apontado pelas investigações como integrante da milícia foi perseguido e executado por traficantes do Comando Vermelho após sair da Baixada Fluminense para realizar cobranças ilegais em estabelecimentos comerciais de São Gonçalo. O crime, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, foi seguido de uma sessão de tortura contra o mototaxista que transportou a vítima até a Comunidade do Feijão. O trabalhador foi espancado por diversos criminosos, teve a moto e o celular roubados e escapou da morte ao aproveitar um momento de distração dos traficantes. Os fatos levaram a Justiça a receber denúncia por homicídio qualificado, tortura e roubo contra Wanderson Silva Nogueira, o “Wandgol”, Cristian Rodrigues Nepomuceno de Souza, o “Negueba”, Wesley Luiz Leite Martins, o “Nego”, e Hilário Gabriel dos Santos Rangel, o “Biel do Feijão”, apontado como uma das lideranças do tráfico na comunidade. Investigação aponta que vítima saiu de São João de Meriti para fazer “recolhe” em área dominada pelo tráfico Segundo a denúncia, a vítima fatal foi Carlos Alberto da Silva Junior, morador de São João de Meriti. A investigação sustenta que ele costumava se deslocar até São Gonçalo para realizar atividades atribuídas à milícia, especialmente o chamado “recolhe”, que consiste na cobrança de dinheiro de comerciantes. A companheira da vítima, Darlene Silva Almeida, prestou depoimento à polícia e apresentou mensagens que, segundo os investigadores, reforçam a suspeita de que Carlos Alberto atuava em favor da milícia. O Ministério Público afirma que o assassinato ocorreu porque traficantes do Comando Vermelho descobriram a presença do suposto miliciano em território controlado pela facção. Para os investigadores, o crime foi motivado pela disputa entre tráfico e milícia pelo controle de áreas e fontes de arrecadação. Corrida começou em Nova Iguaçu A principal testemunha do caso foi o mototaxista Jorge Michal Cirino da Costa. Em depoimento, ele contou que trabalha como mototaxista e eventualmente utiliza o aplicativo 99. Ele admitiu que utilizava uma conta de terceiro para fazer corridas porque possuía habilitação provisória e anotações criminais. Jorge afirmou que estava em um ponto de mototáxi próximo à Via Dutra, em Nova Iguaçu, quando Carlos Alberto o procurou. Segundo o relato: “A vítima perguntou se eu faria uma corrida para São Gonçalo e ofereceu R$ 150.” O motorista disse que não conhecia Carlos Alberto e afirmou que, naquele momento, não sabia que ele seria apontado posteriormente como integrante da milícia. Três paradas antes da execução Durante o trajeto, Carlos Alberto pediu diversas paradas. Segundo a testemunha, a primeira ocorreu em uma loja de roupas. A vítima permaneceu aproximadamente 30 minutos no local e saiu carregando uma sacola. Depois foi até um salão de beleza instalado em um prédio. Lá, permaneceu cerca de uma hora. A terceira parada ocorreu em uma loja de ração. O motorista afirmou que, naquele momento, começou a suspeitar que o passageiro estivesse realizando o chamado “recolhe”. Após as visitas, seguiram para o destino final: um posto de combustíveis localizado na entrada da Comunidade do Feijão. Moto chega em alta velocidade e criminosos anunciam assalto Quando chegaram ao posto, Carlos Alberto iniciou uma transferência via PIX para pagar a corrida. Nesse momento, uma motocicleta Yamaha Lander azul surgiu em alta velocidade. Segundo Jorge, os ocupantes foram diretamente em direção à moto dele. O carona já desceu com uma pistola na mão. As primeiras palavras foram: “Perdeu! Perdeu!” Os criminosos mandaram os dois levantarem a camisa. Jorge disse que imediatamente informou ser trabalhador. Carlos Alberto reagiu de forma diferente. Ao perceber a abordagem, correu. Perseguição termina com execução Segundo o mototaxista, o homem armado saiu correndo atrás de Carlos Alberto. Ele ouviu vários tiros. Em um depoimento relatou mais de dois disparos. Posteriormente afirmou que ouviu mais de cinco. Pouco depois, o atirador retornou. Foi então que, segundo Jorge, ouviu a frase: “Matei o seu amigo e você vai ser o próximo.” A investigação aponta que quem efetuou os disparos foi Wanderson Silva Nogueira, o Wandgol. Segundo o Ministério Público, ele perseguiu Carlos Alberto pelas ruas da região até alcançá-lo e executá-lo. Mata-leão e sequestro Enquanto Carlos Alberto era perseguido, Jorge tentou fugir para o lado oposto. Mas acabou capturado. Segundo o relato, o piloto da Yamaha Lander o alcançou e aplicou um golpe conhecido como mata-leão. A polícia afirma que esse homem era Cristian Rodrigues Nepomuceno de Souza, o Negueba. A partir daí começou uma sequência de agressões. Os traficantes passaram a arrastá-lo para dentro da comunidade. “Tu tá mandado” Ainda próximo ao posto, os criminosos iniciaram os espancamentos. O motorista relatou que recebia socos, chutes e golpes enquanto era interrogado. A todo momento escutava ameaças. Segundo ele, os traficantes repetiam: “Tu tá mandado.” “Tu vai morrer.” Eles queriam saber quem ele era e qual sua ligação com Carlos Alberto. Quando informou que morava em Valverde, em Nova Iguaçu, a situação piorou. Segundo o depoimento, os criminosos passaram a desconfiar ainda mais dele porque a região possui atuação de grupos milicianos. Tráfico acreditava que motorista também era ligado à milícia O trabalhador insistia que era apenas mototaxista. Chegou a pedir seu celular para mostrar provas. Mas os traficantes já haviam ficado com o aparelho. Enquanto era espancado, um terceiro criminoso apareceu conduzindo sua motocicleta roubada. Nesse momento, segundo o relato, avisou: “Tem viatura rondando.” Mesmo assim as agressões continuaram. “Parecia um formigueiro” O motorista contou que não conseguia identificar todos os agressores. Mas afirmou que o número de traficantes aumentava rapidamente. Em determinado momento disse: “Parecia um formigueiro em cima de mim.” Ele relatou que ouviu criminosos chamando uns aos outros pelos apelidos “Negueba” e “Wandgol”. Também afirmou que um novo grupo chegou ao local em outra motocicleta. Aparição de Biel do Feijão Segundo a testemunha, uma Honda 160 preta chegou com dois ocupantes. O passageiro desembarcou, conversou com os traficantes e foi embora. Jorge afirmou ter reconhecido o homem como Hilário Gabriel dos Santos Rangel, o Biel do Feijão. Ele declarou que reconheceu o traficante por fotografias divulgadas na imprensa após uma prisão anterior. Para o Ministério Público, a presença de Biel

Cobranças, ameaças e medo: como agia a milícia apontada por moradores após assassinato de comerciante em Belford Roxo

A morte do comerciante Leonel Braga da Silva, assassinado a tiros em Nova Aurora, Belford Roxo, trouxe novamente à tona as denúncias sobre a atuação da milícia que há anos é alvo de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público na região. Familiares da vítima afirmam que Leonel teria sido morto após se recusar a pagar uma taxa de R$ 100 exigida por criminosos para permitir o funcionamento de seu lava jato. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga a motivação do crime e não descarta nenhuma hipótese. O que já consta em investigações do Ministério Público, porém, é que a região onde o comerciante foi executado possui um histórico de denúncias envolvendo extorsões sistemáticas contra comerciantes, praticadas por integrantes da chamada “Milícia do Babi”, organização criminosa que já foi alvo de operações policiais e procedimentos do MPRJ. Cobrança porta a porta Documentos do Ministério Público revelam que policiais da P2 flagraram, em janeiro deste ano, um homem apontado como cobrador da milícia realizando arrecadações em diversos estabelecimentos comerciais de Nova Aurora. Segundo a denúncia, o esquema funcionava de forma simples e eficiente: um integrante da organização, normalmente desarmado, percorria os comércios recolhendo dinheiro dos proprietários. A ameaça era indireta, mas clara. De acordo com informações obtidas pela inteligência policial, os comerciantes eram informados de que, caso não efetuassem os pagamentos exigidos, a cobrança passaria a ser feita de forma violenta pelos chefes da organização criminosa. Durante a ação policial, os agentes afirmaram ter observado o suspeito entrando em diversos estabelecimentos, recolhendo valores e seguindo para o comércio seguinte. Após a abordagem, dinheiro em espécie e um aparelho celular foram apreendidos. Comerciantes dominados pelo medo A investigação revelou ainda um dos aspectos mais marcantes da atuação da milícia: o silêncio imposto às vítimas. Conforme relatado pelo Ministério Público, comerciantes confirmaram informalmente aos policiais que o homem atuava como arrecadador da organização criminosa. No entanto, quando foram convidados a prestar depoimento formal na delegacia, recusaram-se por medo de represálias. O receio de denunciar os criminosos é apontado por investigadores como uma das principais ferramentas utilizadas pela milícia para manter o controle territorial e financeiro da região. Taxas variavam conforme o tamanho do negócio As investigações apontam que os valores cobrados não eram fixos. Segundo o Ministério Público, as taxas semanais eram calculadas de acordo com o porte do estabelecimento e a capacidade de faturamento de cada comerciante. Entre as vítimas identificadas na investigação estavam proprietários de drogarias, oficinas mecânicas, lojas de ração, bazares e outros pequenos empreendimentos da região. O dinheiro arrecadado seria repassado a integrantes da estrutura financeira da milícia, que posteriormente prestariam contas aos líderes da organização. Grupo já era monitorado por autoridades A própria denúncia do Ministério Público destaca que existiam indícios de atuação de milícia privada na região e que as investigações deveriam prosseguir para identificar outros integrantes da organização criminosa. Na ocasião, os promotores solicitaram inclusive a quebra do sigilo de dados do celular apreendido com o suspeito para aprofundar a apuração sobre o funcionamento da quadrilha, sua contabilidade, forma de arrecadação e cadeia de comando. Morte reacende denúncias Agora, após o assassinato de Leonel Braga da Silva, moradores e familiares voltam a apontar a atuação da milícia como pano de fundo para a violência em Nova Aurora. Além da suposta cobrança de taxa para funcionamento do lava jato, parentes relatam que criminosos já teriam demonstrado interesse em adquirir o estabelecimento do comerciante anteriormente, proposta que teria sido recusada. A DHBF busca imagens de câmeras de segurança e outras provas que possam esclarecer a autoria e a motivação do homicídio. Enquanto a investigação avança, o caso lança novamente luz sobre um modelo de atuação que, segundo autoridades, se sustenta por meio de cobranças sistemáticas, intimidação de comerciantes e controle econômico de áreas inteiras da Baixada Fluminense.

Execução em Minas foi comandada de presídio do Rio: denúncia aponta que líder do CV em Bangu ordenou assassinato de grávida por dívida de drogas

Uma denúncia do Ministério Público de Minas Gerais revela que a execução de uma mulher grávida, assassinada com 11 tiros em plena luz do dia na cidade de Nanuque, no Vale do Mucuri, foi planejada e coordenada a partir de dentro do sistema prisisional do Rio de Janeiro. Segundo os promotores, a ordem para matar a vítima partiu de um bandido conhecido como “General”, apontado como liderança regional do Comando Vermelho (CV) e atualmente preso no Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio. De acordo com a investigação, mesmo atrás das grades, o criminoso continuava exercendo influência sobre integrantes da facção em Minas Gerais e teria determinado a execução por causa de uma suposta dívida relacionada ao tráfico de drogas, além da acusação de que a vítima teria furtado entorpecentes pertencentes à organização criminosa. Rede criminosa ligando Rio e Minas A denúncia descreve uma estrutura criminosa que ligava integrantes do Comando Vermelho no Rio de Janeiro a executores em Minas Gerais. Segundo o Ministério Público, duas mulheres residentes em Bangu atuavam como intermediárias da ordem de execução, coordenando a logística do crime e repassando informações para os envolvidos em Nanuque. A investigação aponta ainda que a vítima foi monitorada em tempo real antes do assassinato. Vídeos teriam sido enviados aos executores mostrando sua localização exata momentos antes da emboscada. Execução monitorada e filmada De acordo com a denúncia, a vítima caminhava por uma rua da região central de Nanuque quando foi surpreendida pelos criminosos. Os executores chegaram ao local em uma motocicleta roubada. O atirador desceu do veículo e efetuou diversos disparos de pistola calibre 9 milímetros à curta distância. O laudo de necropsia apontou 11 perfurações provocadas pelos tiros, sendo a causa da morte uma hemorragia interna severa. Para o Ministério Público, a execução ocorreu de forma premeditada, mediante emboscada e sem qualquer possibilidade de reação por parte da vítima. Grávida no momento do crime Outro aspecto destacado pelos promotores é que a vítima estava grávida quando foi assassinada. A circunstância foi incluída entre os agravantes da acusação e, segundo o Ministério Público, aumenta ainda mais a gravidade do caso, já que a violência atingiu não apenas a mulher, mas também a vida intrauterina. Preso, mas ainda dando ordens Um dos pontos mais contundentes da denúncia é a afirmação de que o suposto líder da facção continuava comandando ações criminosas mesmo recolhido em uma unidade prisional de segurança máxima no Rio de Janeiro. Ao pedir a prisão preventiva dos denunciados, o Ministério Público destacou que a periculosidade do grupo é demonstrada justamente pelo fato de que o líder preso em Bangu teria conseguido ordenar uma execução a centenas de quilômetros de distância. Para os promotores, o caso evidencia a capacidade de articulação do Comando Vermelho fora dos presídios e a manutenção das estruturas de comando da facção mesmo com seus principais integrantes encarcerados. Os denunciados responderão por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de outros crimes apontados na denúncia apresentada à Justiça mineira.

Dias antes da morte de menino em Costa Barros, Justiça havia decretado prisão de traficante dono de festa da onde teria partido o tiro e de toda a cúpula do crime na Pedreira (TCP)

Em meio as suspeitas de que a bala que matou o menino Bento Costa Petillo Benze, de 12 anos, no Morro da Quitanda, em Costa Barros, tenha partido de uma festa, em comemoração ao aniversário do chefe do tráfico de drogas da região, Douglas Oliveira dos Santos, vulgo “Pudim ou Palmeiras, a Justiça decretou no último dia 27 a prisão deste bandido e de outros cinco bandidos que integram a linha de frente do tráfico no Complexo da Pedreira pelo crime de organização criminosa. O documento revela também a hierarquia do crime no Complexo da Pedreira. A investigação aponta a liderança de Raro (preso) apontado como “dono” da área e responsável por ordens e gestão da organização; a atuação de Coelho como braço armado e segundo na hierarquia; a função de “frente” exercidas por Morcego ou Cego e Menor D, com atuação operacional nas comunidades; a liderança de Neném em grupo armado próprio e de Pudim apontado como responsável pela comunidade da Quitanda. O inquérito policial apontou a existência de organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e hierarquia definida, voltada à prática de diversos crimes graves Sobre a morte de Bento, o tiro atingiu o peito do menino enquanto ele brincava na quadra do condomínio, localizado na Rua Capitão Gouveia.Bento estava na companhia do irmão, de 13 anos, que presenciou o momento em que ele foi baleado. A comunidade fica a 2 quilômetros de onde o garoto foi atingido.

Antes da tortura de duas mulheres em São Gonçalo, defesa de um dos mandantes alegou que bandido não era de alta periculosidade para ficar preso em Bangu 1

Antes de ser apontado pela Polícia Civil como um dos envolvidos na tortura de duas mulheres submetidas a um “tribunal do tráfico” na comunidade do Risca-Faca, em São Gonçalo, um dos investigados, vulgo Mumu, sustentava na Justiça que não possuía perfil de alta periculosidade para permanecer em Bangu 1, uma das unidades prisionais mais rígidas do estado. Em uma petição apresentada após sua prisão em outro processo, a defesa questionou a transferência do acusado para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, conhecida como Bangu 1. Segundo os advogados, ele foi o único entre sete denunciados encaminhado para a unidade de segurança máxima, apesar de, segundo a tese defensiva, não se enquadrar nos critérios normalmente utilizados para esse tipo de custódia. Os advogados também alegaram que a transferência teria ocorrido sem fundamentação adequada e relataram dificuldades enfrentadas pelo preso dentro da unidade, incluindo a falta de acesso ao banho de sol durante parte do período em que permaneceu custodiado, argumento utilizado para pedir sua remoção para um presídio comum. Meses depois, porém, o nome do suspeito voltou a aparecer em uma investigação relacionada a um dos episódios mais violentos registrados recentemente na região de São Gonçalo. Segundo a Polícia Civil, ele está entre os integrantes do Comando Vermelho investigados por participação nas agressões praticadas contra duas mulheres em 18 de maio deste ano, no interior da comunidade do Risca-Faca. De acordo com as investigações, as vítimas foram levadas ao chamado “tribunal do tráfico”, mecanismo de punição ilegal utilizado por facções criminosas. Elas teriam sido espancadas, humilhadas e obrigadas a se submeter a uma série de castigos impostos pelos traficantes. As mulheres tiveram os cabelos raspados e foram forçadas a caminhar pelas ruas da comunidade pedindo desculpas aos criminosos diante de moradores da região. As cenas foram registradas pelos próprios traficantes e posteriormente divulgadas nas redes sociais. Para os investigadores, a exposição das imagens teve o objetivo de intimidar a população local, reforçar o controle territorial da facção e demonstrar o poder exercido pelo grupo criminoso. Após a repercussão do caso, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) iniciou uma investigação que envolveu análise de vídeos, coleta de depoimentos, cruzamento de informações e diligências de inteligência. Segundo a Polícia Civil, o conjunto de provas reunido aponta a participação direta de integrantes da organização criminosa. As investigações também indicam que as ordens para a prática das torturas teriam partido de lideranças da facção com histórico de atuação no tráfico de drogas. Nesta terça-feira (2), agentes da DRE-CAP, com apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), realizaram uma operação na comunidade para cumprir mandados de busca e apreensão contra os investigados. Três pessoas foram presas. As investigações prosseguem para identificar todos os participantes das agressões e aprofundar a apuração sobre a atuação da facção na comunidade do Risca-Faca. O caso chama atenção porque, enquanto a defesa sustentava anteriormente que o investigado não apresentava características que justificassem sua permanência em uma unidade destinada a presos considerados de alta periculosidade, as apurações mais recentes o colocam entre os alvos de uma investigação envolvendo um episódio de extrema violência atribuído ao chamado tribunal do tráfico. Mumu era apontado como chefe do tráfico no Morro do Estado, em Niterói. Ele fo preso ano passado (Durante a ação, os policiais apreenderam um grande arsenal: dois fuzis Colt AR-15 calibre 5,56 mm, uma pistola Glock calibre 9 mm, 91 munições calibre 5,56 mm, nove munições calibre 9 mm, três munições calibre 45 mm, além de carregadores, 885 trouxinhas de maconha, duas capas de colete, um cinto tático e R$ 200 em dinheiro. Dois veículos, um Chevrolet Onix e um Chevrolet Prisma, ambos brancos, também foram apreendidos. Segundo a polícia, ‘Mumu’ possui duas anotações criminais por tráfico de drogas e uma por homicídi

Muito além do esconderijo: captura de chefe do Bonde do Maluco na Vila Aliança expõe parceria entre TCP e facção do Nordeste para armas, drogas e logística criminosa”

A prisão de Iago Santiago dos Santos, conhecido pelos apelidos de “Carioca” ou “Sábio”, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção Bonde do Maluco (BDM), de Pernambuco e Bahia, lança luz sobre uma relação cada vez mais ampla entre grupos criminosos de diferentes estados e o Terceiro Comando Puro (TCP), uma das maiores facções do Rio de Janeiro. Capturado nesta quarta-feira por agentes da Polícia Civil em uma operação com apoio do Projeto Captura, coordenado pelo Ministério da Justiça, Iago estava escondido na comunidade Vila Aliança, na Zona Oeste do Rio. Segundo as investigações, ele desembolsava cerca de R$ 3 mil por semana para permanecer protegido na região sob influência do TCP. O pagamento, segundo fontes da investigação, não representa apenas uma espécie de “aluguel” para permanecer na comunidade, mas evidencia uma estrutura criminosa que ultrapassa fronteiras estaduais e demonstra o grau de cooperação entre facções que atuam em diferentes regiões do país. Aliança criminosa vai além do refúgio Embora o caso tenha chamado atenção pelo valor pago para permanecer escondido no Rio, documentos de investigações apontam que a relação entre o BDM e o TCP é muito mais profunda do que a simples concessão de abrigo a foragidos. Segundo relatórios produzidos por autoridades que investigam a organização criminosa baiana, o BDM mantém articulação direta com facções do Sudeste, especialmente o TCP fluminense. A parceria envolveria não apenas a circulação de criminosos entre estados, mas também apoio logístico, operacional e intercâmbio de integrantes. As apurações indicam que a organização criminosa baiana utiliza essas conexões para obter acesso a carregamentos de drogas e armamentos de alto poder de fogo, além de contar com suporte para deslocamento e ocultação de integrantes procurados pela Justiça. Nesse cenário, o Rio de Janeiro se transformou em um dos principais destinos para criminosos de outros estados que buscam proteção em territórios controlados por facções armadas. Guerra entre facções e série de homicídios Iago possuía três mandados de prisão por homicídio expedidos pelos estados da Bahia e Pernambuco. Ele também é investigado por envolvimento em mais de 13 assassinatos relacionados à disputa entre grupos criminosos nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). As investigações apontam ainda sua participação no fornecimento de armas, veículos e apoio logístico para ações criminosas. A captura do suspeito ocorre em meio ao avanço das operações voltadas à localização de criminosos que deixam seus estados de origem e passam a utilizar comunidades do Rio como esconderijos estratégicos. Estrutura semelhante à de organizações mafiosas Relatórios de inteligência descrevem o BDM como uma das maiores organizações criminosas da Bahia, com presença em diversas regiões do estado e uma estrutura considerada sofisticada pelas autoridades. Segundo as investigações, a facção exerce domínio territorial sobre comunidades vulneráveis, impondo controle sobre moradores e explorando atividades ilícitas que vão além do tráfico de drogas. Entre elas estariam extorsões, cobrança de taxas de comerciantes, exploração de serviços clandestinos de transporte, fornecimento irregular de energia elétrica e redes ilegais de internet e televisão. As autoridades também destacam o uso recorrente da violência para consolidar poder nas áreas dominadas, incluindo torturas, espancamentos e homicídios, além da utilização de armamentos de uso restrito. Rio segue atraindo criminosos de outros estados A prisão de Iago reforça uma realidade já identificada por órgãos de segurança: facções de diferentes estados vêm fortalecendo alianças para garantir rotas de tráfico, proteção de integrantes e expansão de suas atividades criminosas. O fato de um líder do BDM estar escondido em território controlado pelo TCP, pagando valores semanais para permanecer na comunidade, é apontado por investigadores como mais um indício da integração crescente entre organizações criminosas que atuam em diferentes regiões do país, tornando o combate a essas estruturas um desafio cada vez mais complexo para as forças de segurança.

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