Suspeito de matar modelo na Barra já havia sido acusado de espancar e estuprar uma ex-namorada, apontam relatos — ele foi encontrado morto na delegacia
O homem apontado como principal suspeito da morte da modelo e miss baiana Ana Luiza Mateus, de 29 anos, já havia sido acusado anteriormente de agredir uma ex-namorada, segundo reportagens publicadas pela imprensa de Campo Grande (MS). O caso ganhou ainda mais repercussão após ele ser encontrado morto dentro da carceragem da Delegacia de Homicídios da Capital, poucas horas depois de ser preso no Rio. Endreo Lincoln Ferreira da Cunha foi detido nesta quinta-feira após a queda da modelo do 13º andar de um prédio na Barra da Tijuca. Horas depois, de acordo com a Polícia Civil, ele foi encontrado sem vida na cela. A principal linha de investigação é suicídio: segundo os agentes, ele teria utilizado uma peça de roupa — uma bermuda — para provocar asfixia. O local foi isolado e periciado. RELATO DE VIOLÊNCIA EXTREMA NO PASSADO Em uma reportagem divulgada no ano passado, uma ex-namorada de Endreo relatou à imprensa e às autoridades que teria vivido episódios de violência em um imóvel no bairro Villas Boas, em Campo Grande. Segundo o relato, ela afirmou que já havia sido agredida em 2024 e que, em um dos episódios mais graves, no ano seguinte, após uma discussão motivada por ciúmes, teria sido espancada com socos na cabeça, no rosto e no abdômen. Ainda de acordo com a versão apresentada pela vítima à época, mesmo já caída, ela teria sido forçada a confessar uma traição que negava e, em seguida, teria sido enforcada com um cinto. A mulher também relatou que teria permanecido por horas sob domínio do agressor, em situação que descreveu como cárcere privado, e que teria sido obrigada a manter relações sexuais contra a própria vontade. Segundo esse mesmo relato, ela conseguiu sair do local após dizer que precisava de atendimento médico por conta de um sangramento. Em uma unidade de saúde, exames teriam confirmado uma fratura na cavidade óssea do crânio, sem necessidade de cirurgia. OUTROS EPISÓDIOS ENVOLVENDO O SUSPEITO Endreo chegou a cursar medicina e, conforme informações divulgadas anteriormente, teria se envolvido em episódios de ameaça dentro da faculdade. Segundo esses relatos, ao menos dois alunos teriam solicitado medidas protetivas contra ele. Há ainda menção, em reportagens da época, de que ele teria diagnóstico de transtorno bipolar e apresentaria episódios de surto, com comportamento agressivo — informação que não implica, por si só, prática de crimes. Em 2019, conforme noticiado, ele foi baleado pelo próprio pai durante uma briga familiar. Na ocasião, o pai afirmou ter agido em legítima defesa, alegando que o filho tentava invadir sua residência. O CASO NA BARRA DA TIJUCA No caso mais recente, Ana Luiza morreu após cair do 13º andar do apartamento onde estava com o suspeito. Segundo testemunhas, o casal teria discutido ao chegar ao condomínio. Após sair, o homem retornou ao local. Funcionários relataram que a modelo chegou a dizer que iria embora, inclusive com passagem comprada para a Bahia, mas acabou permanecendo no imóvel. A queda ocorreu por volta das 5h30. De acordo com a Polícia Civil, Endreo foi preso em flagrante horas depois, suspeito de envolvimento direto na morte. Segundo o delegado Renato Martins, ele afirmou ser “culpado”, embora não tenha formalizado uma confissão. As investigações apontam ainda que ele teria alterado a cena do crime e tentado deixar o local pelos fundos. Outro ponto destacado é que ele se apresentou inicialmente com um documento de identificação em nome do próprio irmão, o que foi posteriormente confirmado por perícia. MORTE NA CARCERAGEM Poucas horas após a prisão, o caso teve um novo desdobramento: Endreo foi encontrado morto dentro da carceragem da Delegacia de Homicídios. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que ele tenha cometido suicídio utilizando uma peça de roupa. A área foi periciada, e o caso também passou a ser apurado pelas autoridades. INVESTIGAÇÃO SEGUE Com a morte do principal suspeito, a Polícia Civil segue investigando para esclarecer completamente as circunstâncias da queda da modelo e os acontecimentos dentro do imóvel. As informações sobre o passado do investigado, incluindo denúncias e relatos anteriores, fazem parte do contexto, mas não substituem a apuração oficial em andamento.







