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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

Depoimento explosivo: irmã de capoeirista Paulinho Sabiá teria planejado matá-lo para ficar com R$ 2 milhões e depois vasculhou imóveis em busca da fortuna, revela testemunha”

Uma testemunha afirmou à Polícia Civil que Adriana Souza Possobom Aragão de Miranda teria revelado meses antes do assassinato do capoeirista Paulinho Sabiá que pretendia matar o próprio irmão para ficar com cerca de R$ 2 milhões que ele supostamente guardava escondidos. Após a morte da vítima, ocorrida em fevereiro, em Niterói, segundo o depoimento, ela iniciou uma verdadeira caça ao dinheiro, mandando quebrar paredes, vasculhar imóveis e até realizar escavações na tentativa de encontrar a fortuna. Segundo a testemunha, que afirmou conhecer tanto Adriana quanto Paulo Cesar há aproximadamente 27 anos, a conversa aconteceu em janeiro de 2026. De acordo com o depoimento, Adriana relatou que enfrentava dificuldades financeiras e acreditava que Paulo Cesar possuía cerca de R$ 2 milhões em espécie guardados em seu apartamento. A quantia, segundo ela, teria sido acumulada ao longo dos anos com as aulas ministradas pela vítima no exterior. A testemunha afirmou que Adriana declarou claramente que pretendia matar o irmão e, em seguida, se apoderar do dinheiro. Na época, porém, o depoente disse não ter dado importância à declaração, acreditando que a ameaça jamais sairia do campo das palavras. Tentativa de contratar traficantes O relato também aponta que Adriana teria tentado encontrar quem executasse o plano. Segundo a testemunha, algumas semanas antes da morte de Paulo Cesar, a investigada esteve na comunidade onde o depoente mora, em São Gonçalo, e teria procurado traficantes locais para negociar a execução da vítima. A informação teria chegado ao conhecimento do depoente por intermédio de um criminoso da região. Ainda de acordo com o relato, o traficante teria demonstrado surpresa com a proposta e comentado que naquele local havia apenas atividades relacionadas ao tráfico de drogas, acrescentando que Adriana estaria “ficando doida” ao tentar envolver os criminosos em um assassinato. Após tomar conhecimento da situação, a testemunha procurou Adriana para questioná-la sobre o assunto. Segundo o depoimento, ela respondeu apenas que não devia explicações a ninguém. Choque ao saber da morte A testemunha afirmou que recebeu a notícia da morte de Paulo Cesar por telefone, por volta das 21h do dia 18 de fevereiro de 2026. Segundo o relato, a informação foi repassada por um homem chamado Antônio Carlos. O depoente declarou que ficou em estado de choque ao saber do assassinato, pois imediatamente se lembrou das conversas anteriores e passou a acreditar que Adriana poderia realmente ter colocado o plano em prática. Busca desesperada pelo dinheiro Ainda segundo a testemunha, após a morte do irmão, Adriana passou a demonstrar grande interesse em localizar o suposto dinheiro. O depoente afirmou que ela começou a pedir ajuda a ele e a outras pessoas para procurar valores escondidos nos imóveis pertencentes a Paulo Cesar. Dias antes da prisão da investigada, ele esteve no apartamento onde a vítima morava. Segundo o relato, estavam presentes Adriana, Antônio Carlos, Emerson e o próprio depoente. A testemunha afirmou que Adriana ordenou que fossem quebradas diversas paredes do imóvel para procurar o dinheiro que ela acreditava estar escondido. Apesar da destruição realizada no apartamento, nada foi encontrado. O depoente contou ainda que, posteriormente, precisou participar da reforma do imóvel por causa dos danos causados durante as buscas. Escavações e procura em todos os cantos A procura pela suposta fortuna não ficou restrita ao apartamento. Segundo a testemunha, ela também o levou até um imóvel onde funcionava a confecção de roupas da Capoeira Brasil. No local, Adriana teria determinado que ele cavasse e procurasse dinheiro “em todo lugar”. Mesmo após as buscas, nenhuma quantia foi encontrada. O depoente afirmou que não sabe dizer se a investigada localizou algum valor posteriormente, pois não permaneceu ao lado dela durante todo o tempo. No entanto, ressaltou que ela nunca comentou ter encontrado qualquer quantia milionária. Fortuna nunca apareceu O depoimento descreve uma sequência de fatos que teria começado com a suposta intenção de matar o irmão para colocar as mãos em uma fortuna estimada em R$ 2 milhões, seguido por uma tentativa de contratar traficantes para executar o crime e uma busca frenética pelo dinheiro após o assassinato. Até o momento, segundo a própria testemunha, a quantia que Adriana acreditava existir jamais foi encontrada. O caso segue sendo investigado pelas autoridades. Presa, Adriana teve a prisão preventiva decretada na última semana de maio.

ENCHARCADA DE ÁLCOOL E INCENDIADA: BARBÁRIE CONTRA MULHER EM TERESÓPOLIS PASSA LONGE DOS HOLOFOTES”

Em meio a recentes casos de feminicídio na Região Metropolitana do RIo de Janeiro que receberam grande destaque da imprensa, um episódio muito grave de violência contra a mulher ocorrido esta semana mas que não terminou em morte passou longe de receber destaque no noticíário principal Policiais civis da 110ª DP, em ação conjunta com policiais militares do 30º BPM, prenderam em flagrante, nesta sexta-feira (05/06), um homem acusado de tentar matar a própria companheira no bairro Rosário, em Teresópolis. As diligências tiveram início após as equipes tomarem conhecimento de uma grave ocorrência de violência doméstica. A vítima foi localizada com queimaduras pelo corpo e relatou que seu companheiro, após uma discussão motivada por ciúmes, jogou álcool sobre ela e ateou fogo utilizando um isqueiro. De acordo com a investigação preliminar, após provocar as queimaduras, o agressor impediu que a vítima deixasse a residência para buscar ajuda, restringindo sua liberdade de locomoção. A mulher informou que permaneceu no imóvel contra sua vontade e somente conseguiu sair quando o autor deixou o local para trabalhar. Temendo novas agressões, ela se escondeu até ser localizada pelas equipes policiais. A vítima foi socorrida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Teresópolis e, devido à gravidade das lesões, transferida para o Hospital das Clínicas de Teresópolis, onde permaneceu sob cuidados médicos. Após a coleta das informações e o acionamento das equipes operacionais, policiais civis da 110ª DP e policiais militares do 30º BPM realizaram diligências para localizar o suspeito, que foi encontrado em um estabelecimento comercial no bairro Rosário e conduzido à delegacia. Com base nos elementos reunidos durante a apuração inicial, o homem foi autuado em flagrante pelos crimes de feminicídio tentado e cárcere privado, permanecendo preso à disposição da Justiça.

Dedo-duro da guerra? Depoimento sobre mortes na Gardênia Azul teria deixado chefes do CV em alerta e reforçado caçada da Justiça

Um depoimento considerado estratégico pela investigação sobre a guerra entre o Comando Vermelho e a milícia na Gardênia Azul, Zona Oeste do Rio, teria provocado preocupação dentro da própria facção e ajudado a sustentar a ação penal contra traficantes apontados como envolvidos em um ataque que terminou com um morto e dois feridos. Segundo a decisão judicial, R.R.G relatou aos investigadores informações que teria obtido diretamente de pessoas ligadas ao crime. Em seu depoimento, ele atribuiu participação no ataque a Francisco Glauber Costa de Oliveira, o “GL”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho na Gardênia Azul, além de Leonardo de Araújo Alves da Silva, o “Fielzinho”, e Aldenir Martins do Monte Júnior, o “China”. O caso investigado envolve a morte de Ricardo, a tentativa de homicídio contra William e lesões causadas em José, crimes que, segundo a acusação, ocorreram no contexto da sangrenta disputa territorial entre traficantes e milicianos pela região. Conversas revelaram preocupação na facção De acordo com o processo, mensagens interceptadas entre criminosos identificados como “Lesk” e “PTK” mostrariam preocupação com o fato de Rafael ter fornecido informações sobre diversos homicídios atribuídos ao Comando Vermelho durante a guerra da Gardênia Azul. Para a Justiça, as conversas reforçam os indícios reunidos ao longo da investigação e demonstram que os relatos do depoente repercutiram entre integrantes da própria organização criminosa. Justiça mantém prisão de acusados Ao analisar a defesa de GL, o juiz rejeitou os pedidos para anular provas, encerrar o processo e revogar a prisão preventiva. Na decisão, o magistrado destacou que existem elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal e que os fatos investigados possuem extrema gravidade por estarem relacionados à atuação de uma organização criminosa armada em disputa por território. Continuam presos por ordem judicial GL, Fielzinho e China. Já Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, e Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, também tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, mas ainda não foram capturados pelas autoridades. Segundo a decisão, a manutenção das prisões foi considerada necessária para garantir a ordem pública, proteger a instrução criminal e evitar novos episódios de violência relacionados à guerra entre facções e milicianos na Zona Oeste do Rio.

“Quem ficar contra nós, vai entrar na bala”: traficante do CV faz ameaça pública a moradores e apoiadores da milícia na Zona Oeste no Rio. OUÇA COMPLETO

Em um áudio que circula nas redes sociais atribuído ao traficante RD vinculado ao Comando Vermelho, ele fez uma série de ameaças às pessoas que estariam apoiando milicianos na Zona Oeste do Rio de Janeiro. “Não se mete na porra da guerra não hein. É só meia dúzia de gato pingado que está fechando com essa merda de milícia, esculachando nosso bairro, esculachando criança, esculachando morador, ninguém aguenta mais essa porra não, Quem estiver fechando com a milícia, vai entrar na bala. Quem estiver contra nós vai entrar na bala, vai ficar fudido”. RD é um ex-miliciano que se aliou ao CV e ficou encarregado pela facção de atacar redutos paramilitares na região. Há vários meses, seu bando tem realizado investidas em Campo Grande, Paciência, Santa Cruz, o que já resultou em várias mortes, inclusive de pessoas inocentes. Moradores de Paciência viveram momentos de tensão após uma intensa sequência de disparos de fuzil registrada na região. Segundo informações que circulam nas redes sociais e grupos de mensagens, um miliciano identificado como “Mancu do Antares” teria sido capturado e executado por integrantes ligados a RD, atualmente apontado como integrante da chamada “Tropa do Urso”. Relatos apontam que a quantidade de tiros assustou moradores da região, gerando medo e apreensão durante a ação criminosa.

Em meio à tensão após a megaoperação na Penha e no Alemão, homem que filmou deslocamento de policiais na megaoperação da Penha vira réu após vídeo com discurso semelhante ao de criminosos “Nós vai pegar” e “Vamos fazer arruaça”

Em um momento de forte tensão na segurança pública do Rio, poucos dias após a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, um homem virou réu na Justiça acusado de filmar o deslocamento de policiais civis e militares e divulgar as imagens nas redes sociais acompanhadas de frases como “Nós vai pegar, filho”, “Isso é ordem” e “Vamos fazer arruaça”. Segundo denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, o acusado registrou a passagem das viaturas durante uma ação de patrulhamento reforçado realizada justamente para evitar possíveis represálias criminosas após a operação nas comunidades dominadas pelo Comando Vermelho. Nas imagens, de acordo com a acusação, ele aparece monitorando a movimentação policial, informando quantas viaturas haviam passado pelo local e quantas ainda estariam chegando. Em seguida, faz declarações que levaram os investigadores a considerarem a situação grave. “Os caras quer ficar sufocando nós, mano! Nós tá fazendo nada. Aí nós pega na pista e é isso que dá aí. Nós vai pegar, filho. Isso é ordem aí, tá ligado? Vamos fazer arruaça! Nós não deixa eles pegar também não!”, diz o homem no vídeo citado pelo Ministério Público. Para a Promotoria, a gravação não apenas expôs a localização e o deslocamento das equipes de segurança, como também continha ameaças e ofensas direcionadas aos agentes que participavam das ações de patrulhamento. A denúncia relata que o vídeo passou a circular nas redes sociais e foi identificado pelo setor de inteligência das forças de segurança. Após buscas na região, policiais localizaram o suspeito ainda com a motocicleta utilizada durante as filmagens. Ele foi levado para a delegacia e, segundo os autos, admitiu ser o autor da gravação. O Ministério Público denunciou o homem pelo crime de atentado contra a segurança pública. O caso agora será analisado pela Justiça. A investigação destaca que o episódio ocorreu em um período considerado sensível pelas autoridades, quando policiais civis e militares mantinham operações e patrulhamentos reforçados em diversos pontos da Região Metropolitana para impedir possíveis reações criminosas após a ofensiva realizada nos complexos da Penha e do Alemão.

Comando Vermelho mobilizou motociclistas para sabotar cerco policial e salvar traficantes na megaoperação na Penha e Alemão

A Justiça do Rio revelou detalhes de uma estratégia utilizada pelo Comando Vermelho (CV) para tentar minimizar os impactos da Operação Contenção, uma das maiores ofensivas policiais já realizadas nos complexos da Penha e do Alemão que deixou 122 mortos em 28 de outubro. Segundo a decisão judicial, traficantes da facção acionaram motociclistas para provocar tumulto, atrapalhar a movimentação das forças de segurança e abrir caminho para a fuga de criminosos que estavam sendo alvo do cerco policial. As investigações apontam que os motociclistas não tinham a missão de enfrentar os agentes, mas sim de criar obstáculos à operação, dificultando o avanço das equipes e favorecendo a retirada de traficantes das áreas cercadas. Um dos envolvidos admitiu aos policiais que foi chamado para atuar durante a operação justamente com o objetivo de gerar confusão e prejudicar a ação das forças de segurança. A Justiça destacou que os suspeitos avançavam em direção à área do confronto, comportamento incompatível com o de moradores que buscavam proteção diante dos tiroteios. Para o Ministério Público e para o magistrado responsável pelo caso, a atuação demonstra uma estrutura organizada de apoio ao tráfico, na qual pessoas ligadas à facção exercem funções específicas para proteger integrantes do grupo criminoso durante operações policiais. A decisão ressalta ainda que a rápida mobilização de motociclistas durante a Operação Contenção evidencia a capacidade de articulação do Comando Vermelho para reagir a grandes ações das forças de segurança, utilizando colaboradores para criar distrações e facilitar a fuga de traficantes sob pressão do cerco policial. Na avaliação da Justiça, a estratégia reforça os indícios de associação dos envolvidos à facção, que teria utilizado a ação coordenada como uma forma de preservar integrantes do grupo durante uma das maiores operações realizadas contra o Comando Vermelho na cidade do Rio de Janeiro.

Mulher que levou 34 facadas na Praça Seca só não foi morta porque traficantes intercederam

Os autos do processo contra acusadas de dar mais de 30 facadas em Hayannah de Almeida Vieira revelaram que a vítima só não foi morta porque a autora dos golpoes, Andrea Camilli Bezerra dos Santos interrompeu as agressões com a chegada dos integrantes do tráfico na Favela Bateau Mouche, na Praça Seca. Andrea foi amante do marido da vítima (um traficante já falecido). Ela foi presa assim como a ex-sogra de Hayannah, Jaqueline Alves Vasconcellos, que acusa a vítima da morte do filho. Uma das testemunhas diss ter presnciado Jaqueline segurando a vítima, enquanto Andrea desferia sucessivos golpes de faca. A declarante acrescentou que, ao perceber a aproximação de terceiros, Jaqueline passou a simular que tentava separar a agressão, circunstância que evidencia tentativa de ocultação de sua efetiva participação. Disse ainda que Andrea continuou agredindo a vítima e ameaçou de morte aqueles que tentavam socorrê-la, somente interrompendo as agressões após a chegada de integrantes do tráfico local. Outra testemunha afirmou que encontrou Hayannah gravemente ferida, perdendo grande quantidade de sangue, e visualizou Andrea portando faca ensanguentada, enquanto debochava da situação, chegando a questionar os presentes sobre o que iriam fazer contra ela. Uma terceira testemunha declarou que encontrou a vítima gravemente lesionada, visualizando Andrea Camilli portando faca com sangue na mão e demonstrando absoluto desprezo pela situação. Os autos informaram que os fatos ocorreram na madrugada do dia 31/05/2026, com o crime sendo noticiado na manhã do mesmo dia. As autoras residem na mesma comunidade onde a vítima habita, permanecendo esta internada em estado grave no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em situação de vulnerabilidade, Segundo consta dos autos, na madrugada do dia 31/05/2026, por volta das 04h30, ao retornar para sua residência localizada na comunidade Bateau Mouche, Praça Seca, a vítima foi emboscada por Jaqueline e Andrea , amante do falecido marido de Hayannah. A motivação do crime, conforme apurado, foi o relacionamento extraconjugal mantido por Andrea com o marido da vítima, já falecido.A dinâmica delitiva, conforme reconstruída a partir das provas colhidas, é a seguinte: Jaqueline imobilizou a vítima, segurando-a pelo corpo, enquanto Andrea desferiu sucessivos golpes de faca contra Hayannah. A vítima sofreu trinta e quatro perfurações distribuídas por diversas regiões do corpo, incluindo extremidades, dorso, face e região cervical esquerda, com perfuração do platisma supra-clavicular esquerdo, sendo necessária a realização de toracostomia fechada com drenagem torácica. Andrea e Jaqueline estão com as prisões preventivas decretadas.

Tráfico proíbe entrada de oficiais de Justiça na Penha (CV) e mandado deixa de ser cumprido por ameaça de morte

Um oficial de Justiça informou ao Tribunal de Justiça do Rio que deixou de cumprir um mandado na Penha após o tráfico de drogas supostamente proibir a entrada de agentes do Judiciário nas comunidades que integram o complexo. Em certidão anexada a um processo, o servidor relatou que criminosos ameaçam de morte qualquer oficial encontrado na região. O documento foi encaminhado ao cartório após a tentativa frustrada de cumprimento de uma ordem judicial. Segundo o oficial, a facção que controla as favelas do Complexo da Penha teria vetado o cumprimento de mandados em todas as ruas de acesso às comunidades. Na certidão, o servidor afirma que a diligência não foi realizada por causa do alto risco à integridade física dos agentes públicos. Ele também cita a presença constante de olheiros do tráfico e criminosos circulando armados com fuzis e metralhadoras pelas vias da região. O oficial relata ainda que o cenário ficou mais perigoso após uma grande operação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão em 28 de outubro que deixou 122 mortos, aumentando os riscos para a atuação de representantes do Estado na localidade. Antes de devolver o mandado sem cumprimento, o servidor informou ter tentado localizar a parte por telefone e meios eletrônicos, sem sucesso. Mesmo com a possibilidade de apoio da Polícia Militar, o oficial destacou que não haveria garantia de segurança para agentes do Judiciário, policiais ou moradores durante a realização da diligência. Diante da situação, o mandado foi devolvido ao cartório com a solicitação de um endereço alternativo para localização da pessoa que deveria ser intimada. A certidão expõe um cenário preocupante: segundo o relato oficial encaminhado à Justiça, o poder exercido pelo tráfico na região estaria impedindo até mesmo o cumprimento de ordens judiciais por servidores do Estado.

Peguei esse filho da p… e estou indo embora”: traficante do Complexo do Salgueiro é acusado de executar dono de provedor de internet por não obedecer ordens do Comando Vermelho em Magé

Um integrante do Comando Vermelho ligado ao Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, é acusado de executar o dono de um provedor de internet em Magé após a vítima se recusar a atender exigências impostas pelo tráfico de drogas que dominava a região da Vila Inca. A investigação aponta que o crime foi cometido para fortalecer o controle da facção sobre o mercado de provedores de internet e servir de exemplo para outras empresas que resistissem às ordens dos criminosos.. O crime ocorreu ano passasdo. A revelação consta em documentos da investigação que embasaram o pedido de prisão preventiva dos acusados. Segundo o Ministério Público, o homicídio está diretamente relacionado à disputa pelo controle dos serviços de internet na região, onde traficantes exigiam pagamento de propina e a instalação de câmeras de monitoramento para atender aos interesses da organização criminosa. Facção queria expulsar empresas de internet De acordo com a apuração, a vítima, identificada como Joanilson n Silva Gonçalves Júnior, de 29 anos, trabalhava com instalação de internet e teria se tornado alvo do tráfico após se recusar a colaborar com as exigências impostas pelos criminosos. Uma testemunha considerada fundamental para a investigação revelou à polícia que manteve um breve relacionamento com Mateus William, apontado como integrante do tráfico do Complexo do Salgueiro. Segundo seu depoimento, Mateus afirmou que os traficantes pretendiam retirar da Vila Inca todas as empresas de internet que não aceitassem colaborar com a facção. De acordo com a testemunha, ele chegou a dizer: “Vai ficar só a empresa que colaborou com eles.” Ainda segundo o relato, Mateus afirmou que Joanilson não havia aceitado as imposições do grupo criminoso. Adolescente teria sido usada para localizar a vítima As investigações apontam que, dias antes do assassinato, Mateus passou a utilizar a adolescente para monitorar os passos da vítima. Segundo o depoimento, ele determinou que ela o avisasse imediatamente caso Joanilson aparecesse na Vila Inca. A ordem teria sido acompanhada de uma ameaça de morte. No dia do crime, Mateus entrou em contato novamente perguntando se Joanilson estava realizando instalações de internet na região. A testemunha respondeu que sim. Pouco depois, o criminoso voltou a procurá-la. Desta vez queria saber exatamente onde o técnico estava. A localização foi repassada. Minutos depois, Joanilson seria morto. “Peguei esse filho da puta” Após a execução, Mateus teria feito contato com a testemunha e revelado o que havia acontecido. Segundo o termo de declaração anexado ao inquérito, ele afirmou: “Peguei, peguei esse filho da puta e estou indo embora.” Em outra conversa, segundo a investigação, o traficante admitiu a motivação do assassinato. “Matei o JOANILSON porque ele não quis respeitar a ordem do MANO.” A polícia identificou o homem citado como “Mano” como sendo um criminoso conhecido pelos apelidos de Manel e Zóio. Ordem teria partido de criminoso foragido Segundo a investigação, Mateus afirmou que o homicídio foi praticado a mando de Manel. Os investigadores apontam que o suspeito é um criminoso de alta periculosidade que estaria foragido do sistema prisional. A decisão menciona que contra ele existem quatro mandados de prisão pendentes e dezessete anotações criminais. Para a polícia, o crime foi uma demonstração de força da facção na região. Imagens registraram a fuga dos assassinos A investigação também reuniu imagens de câmeras de monitoramento instaladas na BR-116. Segundo o relatório policial, os equipamentos registraram dois homens praticando o crime e fugindo logo após a execução. As imagens passaram a integrar o conjunto de provas reunidas pela Polícia Civil. Família relatou ameaças anteriores Além das imagens, a polícia ouviu familiares e sócios da vítima. Os depoimentos apontaram que Joanilson já enfrentava problemas relacionados à atuação do Comando Vermelho sobre provedores de internet na região. As testemunhas relataram ameaças e pressões para que empresas aceitassem as condições impostas pelos traficantes. Segundo a investigação, a recusa da vítima em se submeter às exigências criminosas teria sido determinante para sua morte. Crime serviu para intimidar outros empresários Na avaliação do Ministério Público, o assassinato não teve apenas o objetivo de eliminar Joanilson. Os promotores sustentam que a execução possuía um caráter intimidatório. O objetivo seria demonstrar o poder da facção e enviar uma mensagem a outros prestadores de serviço que atuam na região. A manifestação do Ministério Público afirma que o homicídio foi praticado em um contexto de imposição territorial por organização criminosa, destinado a consolidar o domínio do Comando Vermelho sobre a Vila Inca. Acusado desapareceu após o crime A investigação aponta ainda que Mateus fugiu da região logo após o homicídio. Segundo a polícia, ele não foi mais localizado. Os autos registram que, mesmo intimado para prestar depoimento, o suspeito não compareceu à delegacia. Para os investigadores, a conduta demonstra tentativa de escapar da responsabilização criminal. Prisões preventivas foram pedidas Diante das provas reunidas, o Ministério Público apoiou o pedido da Polícia Civil para decretar a prisão preventiva dos acusados. O órgão destacou a gravidade do crime, o envolvimento com o Comando Vermelho, o risco de intimidação de testemunhas e a possibilidade de fuga dos investigados. A Promotoria também ressaltou que a liberdade dos suspeitos representaria ameaça à ordem pública e à continuidade das investigações. O caso expõe mais um capítulo da disputa pelo controle dos serviços de internet em áreas dominadas pelo crime organizado, onde provedores e trabalhadores do setor têm sido alvo de ameaças, extorsões e violência por parte de facções criminosas.

Doca e Gadernal teriam pago R$ 50 mil por informações sigilosas de investigação, aponta print atribuído ao MP

Prints atribuídos ao Ministério Público do Rio de Janeiro que circulam nas redes sociais apontam que chefões do Comando Vermelho teriam pago R$ 50 mil de propina a um policial civil para obter informações sigilosas sobre uma investigação da DRACO. O material cita os traficantes conhecidos pelos apelidos de Doca e Gadernal e descreve um suposto vazamento envolvendo detalhes de monitoramentos e diligências policiais. De acordo com o conteúdo dos documentos que circulam na internet, Gadernal teria alertado Doca para trocar de aparelho telefônico por estar sendo monitorado pelas autoridades. A informação, segundo os prints, teria sido repassada por um policial civil, que teria recebido R$ 50 mil pelo suposto vazamento. Outro print que também passou a circular mostra uma conversa de WhatsApp na qual um dos contatos aparece identificado como “Contato Draco”. No diálogo, um suposto traficante afirma que um amigo estaria disposto a pagar por prisões de criminosos ligados às comunidades do Guarda e do Rato, em Del Castilho. A reportagem procurou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para verificar a autenticidade dos documentos e comentar o conteúdo divulgado, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.

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