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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

Suspeito de matar modelo na Barra já havia sido acusado de espancar e estuprar uma ex-namorada, apontam relatos — ele foi encontrado morto na delegacia

O homem apontado como principal suspeito da morte da modelo e miss baiana Ana Luiza Mateus, de 29 anos, já havia sido acusado anteriormente de agredir uma ex-namorada, segundo reportagens publicadas pela imprensa de Campo Grande (MS). O caso ganhou ainda mais repercussão após ele ser encontrado morto dentro da carceragem da Delegacia de Homicídios da Capital, poucas horas depois de ser preso no Rio. Endreo Lincoln Ferreira da Cunha foi detido nesta quinta-feira após a queda da modelo do 13º andar de um prédio na Barra da Tijuca. Horas depois, de acordo com a Polícia Civil, ele foi encontrado sem vida na cela. A principal linha de investigação é suicídio: segundo os agentes, ele teria utilizado uma peça de roupa — uma bermuda — para provocar asfixia. O local foi isolado e periciado. RELATO DE VIOLÊNCIA EXTREMA NO PASSADO Em uma reportagem divulgada no ano passado, uma ex-namorada de Endreo relatou à imprensa e às autoridades que teria vivido episódios de violência em um imóvel no bairro Villas Boas, em Campo Grande. Segundo o relato, ela afirmou que já havia sido agredida em 2024 e que, em um dos episódios mais graves, no ano seguinte, após uma discussão motivada por ciúmes, teria sido espancada com socos na cabeça, no rosto e no abdômen. Ainda de acordo com a versão apresentada pela vítima à época, mesmo já caída, ela teria sido forçada a confessar uma traição que negava e, em seguida, teria sido enforcada com um cinto. A mulher também relatou que teria permanecido por horas sob domínio do agressor, em situação que descreveu como cárcere privado, e que teria sido obrigada a manter relações sexuais contra a própria vontade. Segundo esse mesmo relato, ela conseguiu sair do local após dizer que precisava de atendimento médico por conta de um sangramento. Em uma unidade de saúde, exames teriam confirmado uma fratura na cavidade óssea do crânio, sem necessidade de cirurgia. OUTROS EPISÓDIOS ENVOLVENDO O SUSPEITO Endreo chegou a cursar medicina e, conforme informações divulgadas anteriormente, teria se envolvido em episódios de ameaça dentro da faculdade. Segundo esses relatos, ao menos dois alunos teriam solicitado medidas protetivas contra ele. Há ainda menção, em reportagens da época, de que ele teria diagnóstico de transtorno bipolar e apresentaria episódios de surto, com comportamento agressivo — informação que não implica, por si só, prática de crimes. Em 2019, conforme noticiado, ele foi baleado pelo próprio pai durante uma briga familiar. Na ocasião, o pai afirmou ter agido em legítima defesa, alegando que o filho tentava invadir sua residência. O CASO NA BARRA DA TIJUCA No caso mais recente, Ana Luiza morreu após cair do 13º andar do apartamento onde estava com o suspeito. Segundo testemunhas, o casal teria discutido ao chegar ao condomínio. Após sair, o homem retornou ao local. Funcionários relataram que a modelo chegou a dizer que iria embora, inclusive com passagem comprada para a Bahia, mas acabou permanecendo no imóvel. A queda ocorreu por volta das 5h30. De acordo com a Polícia Civil, Endreo foi preso em flagrante horas depois, suspeito de envolvimento direto na morte. Segundo o delegado Renato Martins, ele afirmou ser “culpado”, embora não tenha formalizado uma confissão. As investigações apontam ainda que ele teria alterado a cena do crime e tentado deixar o local pelos fundos. Outro ponto destacado é que ele se apresentou inicialmente com um documento de identificação em nome do próprio irmão, o que foi posteriormente confirmado por perícia. MORTE NA CARCERAGEM Poucas horas após a prisão, o caso teve um novo desdobramento: Endreo foi encontrado morto dentro da carceragem da Delegacia de Homicídios. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que ele tenha cometido suicídio utilizando uma peça de roupa. A área foi periciada, e o caso também passou a ser apurado pelas autoridades. INVESTIGAÇÃO SEGUE Com a morte do principal suspeito, a Polícia Civil segue investigando para esclarecer completamente as circunstâncias da queda da modelo e os acontecimentos dentro do imóvel. As informações sobre o passado do investigado, incluindo denúncias e relatos anteriores, fazem parte do contexto, mas não substituem a apuração oficial em andamento.

7 PMs suspeitos de ligação com Índio do Lixão podem ser expulsos: relatório revela o que cada um fazia para ajudar o CV

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — que pode levar à expulsão — sete agentes apontados em investigação da Polícia Federal como cooptados pelo Comando Vermelho. O caso tem como figura central o traficante conhecido como “Índio do Lixão”, descrito na própria decisão como peça-chave da facção e responsável pelo tráfico internacional de armas e drogas. A investigação revelou a existência de um núcleo estável e coordenado de policiais militares que atuava diretamente na segurança particular e no braço logístico da liderança criminosa, utilizando a função pública para favorecer e prestar suporte a “Índio”. A decisão esclarece que a atuação desse grupo veio à tona após a deflagração da Operação Zargun, quando surgiram novos elementos demonstrando a participação dos militares na engrenagem criminosa investigada. Segundo a Polícia Federal, o grupo funcionava como uma verdadeira rede de apoio integral à organização criminosa, desviando a função pública para assegurar proteção física a traficantes, garantir o êxito de deslocamentos, realizar transporte de valores e viabilizar operações logísticas da facção. O documento chega a registrar que os policiais atuavam como uma espécie de “empresa de terceirização de riscos” para o Comando Vermelho, não apenas monitorando acessos, mas também realizando transporte de valores e oferecendo suporte armado. Em 11 de março, a Polícia Federal cumpriu medidas cautelares deferidas pelo Supremo Tribunal Federal, executando 07 mandados de prisão preventiva e 07 mandados de busca e apreensão contra os policiais militares investigados. A decisão judicial registra diálogos encontrados no aparelho celular do cabo PM Costa. Em 6 de junho de 2024, ele informa ao PM Ormond que “Índio” desejava a formação de duas equipes de segurança, sendo uma montada por “Costa” e outra pela equipe de “Libertador”, para atuação direta em seu favor. Consta ainda que, em 11 de julho de 2024, “Costa” encaminhou a “Ormond” um áudio de um indivíduo não identificado solicitando seguranças para um influenciador, a pedido de “Índio”. A autoridade policial ressalta que a relação entre o traficante, o então deputado estadual TH Joias e o influenciador já havia sido exposta no âmbito da Operação Zargun, inclusive após terem aparecido juntos em vídeos divulgados durante o chamado “baile da escolinha”, evento promovido pelo Comando Vermelho no Complexo do Alemão. A decisão também menciona que, em 19 de agosto de 2025, antes da deflagração da operação, “Costa” enviou mensagem a “Ormond” solicitando segurança para o “amigo Índio” na Freguesia, bairro para o qual a liderança criminosa havia se mudado após deixar o Complexo do Alemão, onde viria a ser preso. O PM Ormond também é suspeito de ter negociado, em tese, a venda ilegal de uma pistola Taurus e carregadores calibre .45 para “Índio”. Nas mensagens apreendidas, há referência expressa à negociação de carregadores de pistola Taurus 845, calibre .45, que, segundo a autoridade policial, teria sido concluída com sucesso, reforçando sua atuação não apenas na segurança, mas também no fornecimento de armamento à organização criminosa. O PM Cavalcante também aparece nos diálogos, ao enviar mensagem ao colega Costa buscando notícias de “Índio”. Durante a conversa, afirmou que o traficante teria “coração bom”, mas seria muito ingênuo, acrescentando que ele sequer parecia “band” — abreviação de “bandido”. Segundo a autoridade policial, isso demonstra que o agente tinha plena ciência do envolvimento de “Índio” com atividades criminosas, inserindo-o no núcleo de policiais que, em tese, atuavam conscientemente em sua proteção. O PM Nascimento teria sido recrutado por Costa para uma missão a mando de “Índio”. No dia seguinte, afirmou em mensagem que “tinha dado bom ontem”. Em 23 de julho de 2024, Nascimento enviou a Costa um print de conversa mantida diretamente com o traficante, na qual solicitava um empréstimo de R$ 1.500, elemento interpretado pela investigação como indicativo de vínculo de confiança e promiscuidade entre agente público e liderança criminosa. Já o PM Menezes foi informado por Costa, em 27 de março de 2025, sobre um serviço de segurança às 16h, no qual ele e “Tobias” estariam escalados para atuar em favor de “Índio”. O ponto de encontro seria o chamado “posto azul”, identificado como o posto Redmil, na Estrada Adhemar Bebiano, nº 3482, Engenho da Rainha. Segundo a decisão, o local fica em uma das entradas do Complexo do Alemão e já havia sido citado em informações de Polícia Judiciária como ponto de encontro utilizado em atividades ilícitas do grupo, inclusive em deslocamentos de “Índio” para fora da comunidade. Há ainda registros de diálogos entre Costa e Menezes nos dias 13 e 15 de abril, indicando que o policial continuava atuando na segurança do traficante nessas datas. O PM Carvalho também foi flagrado em conversas com Costa, com elementos que indicam sua atuação na segurança de “Índio” em diversas ocasiões ao longo de 2024 e 2025. Consta ainda que, em 2025, quando ainda integrava a equipe responsável pela segurança do traficante, Costa informou a Carvalho que havia acertado a segurança de “Índio” para todos os dias da semana, com diálogos datados de 20 de agosto de 2025, pouco antes da operação que resultou na prisão de ambos. Por fim, a decisão aponta que “Índio” depositava confiança especial no policial Pereira. Em 16 de abril de 2024, ao recrutar agentes para uma determinada empreitada, solicitou especificamente a presença do PM, o que, em tese, evidencia o grau de confiança e proximidade entre o traficante e o agente público.

Rota suspeita: PMs passaram por 29 comércios em 3 horas sem câmera e entraram na mira de processo de expulsão

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — que pode culminar na expulsão — dois policiais do 15º BPM (Duque de Caxias) por uma conduta considerada altamente suspeita durante o serviço. O caso chama atenção por um dado incomum: no dia 7 de maio de 2025, a dupla passou por 29 estabelecimentos comerciais em poucas horas sem utilizar as câmeras corporais. Entre os locais visitados estão postos de gasolina, lojas de materiais de construção, empresas de produtos alimentícios, empresas de reciclagem, borracharias, depósitos de gás e até uma empresa de bombeamento de concreto. O próprio documento aponta que não ficou claro se houve extorsão. De acordo com a apuração interna, no período entre 8h e 11h, os policiais não realizaram nenhuma abordagem e tampouco efetuaram patrulhamento ostensivo preventivo, o que chamou atenção pela incompatibilidade com a atividade policial. O relatório destaca ainda a incompatibilidade da velocidade da viatura com um deslocamento típico de patrulhamento entre os diversos estabelecimentos visitados. O documento publicado no Boletim Interno da PMERJ também revela conversas consideradas suspeitas. Em uma empresa de reciclagem, um funcionário diz aos agentes: “Vou pegar o negócio de vocês”, recebendo como resposta: “Valeu, meu chefe, fica com Deus, abraço aí”. Em outra parada, também em uma empresa de reciclagem, os policiais chamam: “Ô Caio, bora Caio”. Já em uma loja de materiais de construção, foi registrada uma situação atípica: um caminhão estava parado na contramão de uma via de mão dupla e não houve qualquer advertência por parte dos PMs. Os policiais investigados alegaram que a denúncia seria fruto de um “Disque Vingança”. Segundo eles, ambos trabalham há mais de cinco anos no Setor Golf do 15º BPM e afirmam que sua atuação no patrulhamento causa “mal-estar a malfeitores e seus associados”, destacando ainda que a área de atuação inclui diversos comércios. As alegações, no entanto, não prosperaram. De acordo com o relatório, as imagens demonstram que a viatura, desde o início do serviço, foi utilizada para fins alheios à finalidade pública, contrariando as atribuições da corporação, que incluem evitar, impedir ou eliminar práticas que perturbem a ordem pública e preservar o interesse geral da segurança nas comunidades.

Trama nascida na cadeia terminou em execução: Homem foi morto sob aval da cúpula da milícia, corpo desapareceu e vingança disparou onda de mortes em Santa Cruz

A reportagem teve acesso a documentos que mostram que uma trama iniciada dentro de um presídio terminou em um homicídio que teve autorização de um dos chefes da maior milícia do Rio de Janeiro e culminou com uma série de execuções posteriormente A vitima Jonathas Vidal da Silva, conhecida coomo Bodão, foi assassinada no dia 24 de outubro de 2024 na Avenida Cesário de Melo, em Santa Cruz. O corpo nunca apareceu. Segundo os autos, os autores teriam sido dois milciianos vulgos Zulu e Primavera (morto recentemente) com autorização de PL, um dos líderes do grupo paramilitar que atua na região. Os três vão a júri popular pelo homicídio. As investigações apontam que o crime foi praticado porque os autores acreditavam que a vítima estava transmitindo informações sobre os assasinos a um cirminoso vulgo Russo, que estava preso e desejava assumir o comando da Favela do Rodo, em Santa Cruz. Ou seja, os bandidos agiram por vigança e porque teriam se sentido traídos por Jonathan, Os autores sumiram com o cadáver de Jonathas. A vítima foi arrebatada após sair do supermercado Super Compras, situado em Santa Cruz, quando se dirigia para a residência, localizada na Favela do Rodo. Cerca de cinco minutos do arrebatamento, foi ouvido um disparo de projétil de disparo de arma de fogo, não tendo a vítima retornado a seu domicílio.Logo após o crime de homicídio, Zulu, Primavera e Parazinho portando fuzis e pistolas, tendo em poder os telefones celulares da vítima, ingressaram na residência desta e se apropriaram de documentos pessoais, bem como suas senhas bancárias e telefônicas. Curioso nesta história é que o irmão de Russo, vulgo Du Mal, que também estava preso à época, foi quem teria transmitido as informações para os assassinos,, que praticaram o crime para se vingar da suposta traição de Jonathas. A partir daí,, deu-se início a uma série de homicídios na Favela do Rodo, com notícia de corpos sendo ocultados no Rio Guandu de todos que mantinham contato com Russo. Mas a história não para por ai. Em depoimento, Russo revelou que teria sido obrigado, pago e aliciado pelos milicianos Juninho Varão, Sprint e Jiraya para prestar falsos relatos contra Felipe e Du Mal. Os três são rivais da milícia do PL. Jiraya foi assassinado na Baixada Fluminense este ano. Segundo ele, foi Sprint que ofereceu a proposta para ajudá-los com algumas falsas acusações contra os autores e para que que fosse para o lado deles e levantassem informações contra a rivalidade. A oferta, segundo ele, foi de de 600 reais. Eles deram quatro parcelas e Russo ficou na galeria deles por quatro meses; Russo contou que Sprint levou um celular para que ele falasse com Jiraya. Depois, Jiraya o botou para falar com Varão e ficaram os três conversando, A polícia contou que Russo e Zulu teriam brigado porque o primeiro ficou de receber do segundo um valor por um crime que ele foi cometer. Zulu não pagou porque houve perda de armamento. Russo, então, jurou vingança e ela seria obtida buscando informações de Zulu a partir de Jonathas, A polícia tinha informações de que a vítima era integrante da milícia do Rodo e fazia venda de terrenos do grupo, além de cobrar comerciantes. A viúva de Jonathas disse, no entanto, que ele era trabalhador, atuava com conserto de celular e fazia um curso na Microlins. Ela é sobrinha de Russo. Um outro policial disse que Russo pretendia assumir para si a área de atuação; em Santa Cruz e usava o celular do irmão para pedir informações sobre Zulu. O agente confirmou que, a partir da morte de Jonathas, Zulu teria cometido uma sequência de crimes de pessoas que estavam vinculadas ao Russo para enfraquecer a possibilidade da tentativa dele em tomar a região. Segundo o policial, foi uma série de execuções de qualquer pessoa que estivessem atreladas ao Russo. O policial disse que Dumal ao revelar a intenção do irmão de obter informações sobre Zulu teria sido agredido na cadeia e teve que ficar em isolamento.

Justiça vê esquema ativo e risco de fuga e explica por que MC Poze e MC Ryan continuam presos

A Justiça Federal de São Paulo decidiu manter presos os funkeiros MC Poze do Rodo e MC Ryan na semana passada por entender que há indícios claros de que os investigados vinham repetindo práticas criminosas. Segundo a decisão, isso ficou evidente pela movimentação contínua de dinheiro ilegal, com valores altos circulando, algo que já vinha sendo apontado desde o início da investigação, além da estrutura organizada montada pelo grupo, o que também já teria sido demonstrado em procedimentos anteriores que confirmaram esse tipo de atuação. A Justiça ainda destacou que alguns investigados continuam soltos e que outros dois estão fora do país, em locais desconhecidos. Os funkeiros foram presos sob suspeita de envolvimento em uma associação criminosa estruturada, voltada à movimentação de grandes quantias em dinheiro vivo, transferências bancárias e também operações com criptoativos, tanto no Brasil quanto no exterior, com o objetivo de lavar dinheiro e viabilizar o tráfico internacional de drogas. De acordo com a decisão, os diálogos já analisados e outras análises que ainda estão em andamento devem mostrar a real capacidade dos investigados de continuar atuando mesmo de fora, o que pesa diretamente contra a soltura. Para a Justiça, colocar os envolvidos em liberdade agora poderia atrapalhar as diligências em curso, facilitar a fuga, permitir que os crimes continuem acontecendo e ainda comprometer a produção de provas. Outro ponto destacado é a gravidade concreta das condutas e o tamanho da estrutura montada pelo grupo. Segundo a decisão, a organização funcionava com vários núcleos, incluindo logística para manuseio, conferência, transporte e entrega de valores, além de áreas de comunicação, financeiro, lavagem de patrimônio, contratação de “laranjas” e uso de empresas de fachada. A Justiça também chamou atenção para a existência de uma estrutura de comando bem definida e para o fato de que as movimentações financeiras tinham alcance internacional, o que aumenta ainda mais a gravidade do caso. Diante de tudo isso, a conclusão foi direta: a prisão temporária dos investigados é considerada absolutamente necessária neste momento e não pode ser substituída por outras medidas mais leves. Segundo o entendimento da Justiça, a soltura representaria um risco grave à ordem pública, às investigações e à aplicação da lei penal.

Homem considerado X9 caiu no ‘tribunal do tráfico’ do CV em Três Rios sendo morto com golpes de enxada e cadeiradas

Um homem foi morto com golpes de enxada e cadeiradas após cair no ‘tribunal do tráfico’ do Comando Vermelho na cidade de Três Rios, no interior fluminense. A vítima foi acusada de ser X9 da polícia. O crime ocorreu em outubro e o Ministério Público Estadual denunciou três suspeitos. O alvo foi submetida a intenso e desnecessário sofrimento, sendo brutalmente espancada com golpes de enxada, em evidente excesso de violência, o que tornou impossível a defesa da vítima , que estava dormindo no momento da execução. A vítima passou a ser considerada “x9” pela facção criminosa Comando Vermelho após, em tese, ter informado à Polícia Militar o paradeiro de uma carga de drogas e de demais objetos referentes à traficância. Com isso, um dos líderes da facção e responsável pelo “tribunal do tráfico”, determinou a morte da vítima. Na ocasião dos fatos, a vítima e dois dos autores encontravam- se na mesma residência e, com o intuito de cumprir a ordem emanada, aguardaram que o ofendido adormecesse. Após constatarem que a vítima estava dormindo, um dos autores pegou uma cadeira e uma enxada e passou a desferir-lhe diversos golpes, causando-lhe a morte.Uma mulher registrou um vídeo do momento da execução, afirmando para a vítima que “se ela corresse ia ser pior”. O mandante do crime realizava diversas publicações em redes sociais fazendo expressa referência ao denominado “tribunal do tráfico” , inclusive com a divulgação de vídeo da execução , bem como ostentando arma de fogo e se apresentando como figura de autoridade no âmbito da facção criminosa Comando Vermelho. O bandido que atirou na vítima confessou o crime aos policiais militares que atenderam a ocorrência, assumindo expressamente sua autoria .

Traficante de Goiás preso no Vidigal e grupo tinham base no RJ e esquema de fraude judicial para evitar prisão

Preso ontem no Morro do Vidigal, em uma operação policial cercada de polêmica e que deixou centenas de turistas ilhados, Patrick César Tobias Xavier, o “Bart”, não é um criminoso qualquer. Ele integra uma célula do Comando Vermelho de Goiás que encontrou abrigo no Rio de Janeiro, operando sob a proteção direta de traficantes cariocas. Segundo as investigações, essa base de apoio estaria instalada no Morro dos Prazeres, no Rio Comprido — território onde criminosos de fora do estado recebem guarida e estrutura para continuar comandando suas atividades ilegais. Na prática, o Rio funciona como refúgio estratégico para esses bandidos, que seguem operando à distância. De dentro do estado fluminense, os traficantes goianos negociavam drogas e armas de fogo em esquemas sofisticados, utilizando inclusive números de telefone habilitados no exterior para dificultar o rastreamento e driblar a ação das autoridades. Bart não atuava sozinho. A investigação aponta a presença de outros criminosos de Goiás escondidos no Rio, conhecidos pelos vulgos Skadão, Keka, Lagoa ou LG — todos considerados de altíssima periculosidade. Mesmo refugiados no RJ, eles seguem comandando o tráfico e outras atividades criminosas em Goiás, demonstrando o alcance e a articulação interestadual da facção. O esquema vai além da violência armada. Integrantes do grupo conseguiram, segundo a apuração, fraudar sistemas informatizados da Justiça para obter contramandados e derrubar ordens de prisão — incluindo o próprio Bart. Um movimento que expõe não só ousadia, mas também um nível alarmante de infiltração e organização. Com histórico no crime desde a adolescência, Bart já participava de assaltos antes mesmo de atingir a maioridade. Sua prisão no Vidigal escancara um cenário preocupante: criminosos de outros estados utilizando comunidades do Rio como base segura para expandir seus negócios ilegais, com apoio direto de facções locais.

TCP se expande sem comando central: estrutura descentralizada impulsiona avanço da facção pelo país

Investigações recentes escancaram o funcionamento do Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa que deixou de ser apenas mais um grupo do narcotráfico fluminense para se consolidar como uma organização em expansão nacional, cada vez mais próxima do modelo de atuação das milícias. De acordo com documento obtido pela reportagem, o TCP herdou do antigo Terceiro Comando uma estrutura fragmentada, sem um comando central rígido. Na prática, cada comunidade dominada possui um “dono”, responsável por comandar as atividades criminosas de forma autônoma, sem interferência direta de outras lideranças. Essa descentralização, no entanto, não significa desorganização. Pelo contrário: os chefes locais se articulam para fortalecer seus negócios ilícitos, defender territórios, esconder criminosos e negociar armas e drogas, formando uma engrenagem criminosa eficiente e difícil de desarticular. As investigações identificam cinco grandes polos de poder no Rio de Janeiro que sustentam o avanço da facção: o Complexo da Maré, o Complexo do São Carlos, o Complexo de Israel, o Complexo do Dendê e o Complexo da Guacha, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Entre eles, o Complexo da Maré se destaca como principal base operacional do TCP. A região funciona como centro de distribuição de armas e drogas e como base para quadrilhas de roubo de cargas e veículos que atuam na capital. A disputa com o Comando Vermelho (CV) também se dá no campo simbólico. O TCP construiu uma identidade própria, adotando expressões como “Tudo 3”, “É a gente” e “Viva e deixe viver (V.D.V)”, numa tentativa de consolidar sua marca e ampliar sua influência. Outro aspecto que chama atenção é o uso de símbolos religiosos e a imposição de padrões de comportamento nas áreas dominadas. Há registros de intolerância a religiões de matriz africana e a utilização de referências ligadas ao universo evangélico. Em algumas comunidades, como no Complexo de Israel, a facção ostenta a bandeira de Israel, com a Estrela de Davi pintada em pontos estratégicos como símbolo de domínio territorial. A partir de 2020, o TCP passou a expandir suas atividades para além do tráfico de drogas, incorporando práticas típicas de milícia. A facção passou a extorquir comerciantes e moradores, além de explorar serviços básicos de forma coercitiva, como fornecimento de gás, água, energia, internet e TV clandestina. Também há indícios de corrupção de agentes públicos. Esse movimento ampliou significativamente as fontes de renda da organização e fortaleceu sua capacidade de expansão territorial, consolidando um modelo de exploração sistemática das comunidades. Esse avanço não ficou restrito ao Rio de Janeiro. Desde 2021, surgem evidências claras da expansão do TCP para outros estados, como Espírito Santo, Ceará e Minas Gerais. A expansão ocorre principalmente por meio de conexões diretas entre lideranças. Criminosos de outros estados mantêm contato com chefes de comunidades do Rio, sendo acolhidos nessas áreas como forma de garantir proteção, esconderijo e suporte logístico. Caso não houvesse anuência dos chefes cariocas, a presença desses criminosos não seria permitida, o que reforça a existência de articulação estruturada, ainda que sem comando central formal. Fora do Rio, o TCP passou a replicar sua rivalidade com o Comando Vermelho, criando novos polos de conflito e, em alguns casos, se aliando a organizações como o PCC para ampliar sua força. No Espírito Santo, esse processo é evidente. O TCP se consolidou a partir da absorção de grupos locais, como a Associação Família Capixaba e o grupo Irmãos Vera. A facção passou a atuar como fornecedora de drogas e armas, atraindo organizações menores e impondo sua estrutura. Com o tempo, essas células passaram a adotar integralmente a sigla TCP. Hoje, a presença da facção já se materializa no território. Em parceria com o PCC, o TCP passou a controlar o narcotráfico em diversos bairros da Grande Vitória. Em Vitória, a atuação foi identificada em áreas como Itararé, Cruzamento e Tabuazeiro. Em Vila Velha, o domínio se estende por regiões como Ibes, Boa Vista, Cristóvão Colombo, Aribiri, Ilha das Flores e Santa Rita. Na Serra, há registros de atuação em Nova Almeida, Jardim Carapina, Central Carapina e Parque das Gaivotas. Em Cariacica, o grupo atua em Mucuri, Morro do Quiabo e Morro dos Gama. Também há presença em Conceição da Barra. Esse avanço territorial evidencia a consolidação da facção fora do Rio e mostra que a expansão não é apenas pontual, mas estruturada. O cenário atual no Espírito Santo é de divisão clara entre dois blocos criminosos: de um lado, TCP e PCC; do outro, Comando Vermelho e Primeiro Comando de Vitória (PCV). Os impactos já aparecem nos indicadores de violência. Apenas entre janeiro e agosto de 2024, uma região de Vila Velha registrou 16 homicídios, sendo ao menos nove ligados ao tráfico, além de 32 tentativas de homicídio, das quais 21 relacionadas diretamente à disputa entre facções. A evolução do conflito também se reflete na disputa territorial. Após a prisão de lideranças locais, áreas antes controladas passaram a ser alvo de alianças e confrontos entre grupos rivais. A presença das facções é marcada por pichações e símbolos que indicam domínio, reforçando o clima de tensão nas comunidades. O TCP surgiu em 2002, a partir de uma dissidência do antigo Terceiro Comando, em meio a conflitos no sistema prisional fluminense. Desde então, expandiu sua atuação para diversas frentes criminosas, incluindo tráfico de drogas, comércio de armas, roubo de cargas e veículos e extorsão. Hoje, a facção reúne características que a colocam entre as principais ameaças à segurança pública: domínio territorial, uso de armamento pesado, enfrentamento ao Estado, expansão interestadual e adoção de práticas típicas de milícia. O avanço do TCP aponta para a consolidação de uma organização criminosa híbrida, que combina tráfico, controle territorial e exploração econômica, ampliando seu poder e o potencial de violência em diferentes regiões do país.

Facção de traficante alvo no Vidigal (CV) promoveu fuga em massa, atentado contra diretor e nova tentativa de resgate em presídio na Bahia

Alvo principal da polêmica operação no Morro do Vidigal, que deixou turistas presos na comunidade nesta segunda-feira, o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o “Dada”, integra uma organização criminosa (Primeiro Comando de Eunápolis) com atuação violenta e contínua contra o sistema prisional da Bahia. A facção da qual faz parte foi responsável por uma fuga em massa no Conjunto Penal de Eunápolis em 2024, um atentado contra o diretor da unidade em 2025 e uma nova tentativa de resgate de comparsas em 2026. Dada sempre buscou dominar as unidades prisionais de Eunápolis e Teixeira de Freitas, além de expandir sua influência pelas cidades do sul do estado, utilizando a violência como ferramenta central de controle. Segundo investigações, crises e motins eram provocados dentro das unidades, enquanto homicídios eram ordenados contra qualquer um que contrariasse os interesses do grupo. Ele e o irmão, conhecido como “Rena”, são apontados como líderes de uma ampla cadeia criminosa que atua dentro e fora dos presídios. De acordo com apurações, tudo que acontecia precisava da autorização dos dois, garantindo que a estrutura funcionasse de forma lucrativa. Qualquer ação fora dessa hierarquia resultava em represália, com punições executadas por braços direitos posicionados em todos os pavilhões. Ambos respondem a pelo menos sete processos por homicídio, além de diversas acusações relacionadas ao tráfico de drogas. O histórico recente da facção evidencia o nível de organização e ousadia. Após a fuga de Dada e outros detentos do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024, o grupo seguiu tentando impor sua força. Na madrugada de 29 de janeiro de 2026, uma operação conjunta das polícias Civil e Militar impediu uma nova invasão à unidade prisional, que seria realizada por integrantes do Comando Vermelho com o objetivo de resgatar comparsas. O confronto terminou com oito criminosos mortos e um policial militar baleado. Antes disso, a escalada de violência já havia atingido diretamente a administração do presídio. Houve um atentado contra a vida do diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, Jorge Magno Alves Pinto, e também contra o servidor estadual Emerson de Jesus Santos, ação atribuída a integrantes da facção PCE/CV, da qual Dada faz parte. Mesmo fora do sistema prisional, a atuação do traficante e de sua organização segue sendo tratada pelas autoridades como de alta periculosidade, diante do histórico de ataques coordenados, domínio interno de unidades prisionais e ações violentas articuladas para manter o controle do crime organizado.

Alvo no Vidigal (CV), traficante “Dada” controlava o crime na Bahia com mão de ferro. Investigações mostraram seu poder mesmo quando estava preso

O alvo da operação realizada nesta segunda-feira no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, era tratado pelas autoridades como um dos pilares do crime organizado no sul da Bahia. Segundo investigações da Polícia Civil baiana, Ednaldo Pereira de Souza, o “Dada”, construiu um histórico de poder e influência capaz de sustentar uma máquina criminosa violenta e altamente estruturada. Apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ele é citado em relatórios do Departamento de Polícia do Interior (DEPIN) como peça central em uma guerra sangrenta contra o Bonde do Maluco (BDM), marcada por homicídios, ataques armados, incêndios e ameaças contra forças de segurança. As informações são baseadas em investigações locais, com análise de celulares apreendidos, relatórios de inteligência e depoimentos protegidos. Segundo a polícia, mesmo quando esteve preso, Dada continuava operando o crime com precisão, utilizando aparelhos celulares para ordenar execuções, coordenar o tráfico e orientar comparsas sobre como agir. De acordo com os investigadores, o controle exercido por ele era absoluto: Relatos colhidos pela Polícia Civil reforçam que o traficante mantinha uma rede ativa e disciplinada, com integrantes posicionados estrategicamente tanto dentro quanto fora das unidades prisionais. A dimensão desse poder ficou evidente em levantamentos policiais. Um relatório da 20ª COORPIN (Brumado) aponta que a movimentação de lideranças criminosas ligadas a esse núcleo coincidiu com um salto de até 700% nos crimes violentos letais na região — um reflexo direto da atuação dessas facções. As autoridades também são enfáticas ao apontar que o uso de celulares por lideranças como Dada é um dos principais fatores que sustentam o funcionamento dessas organizações, permitindo que o comando criminoso continue ativo mesmo em cenários de repressão. Agora, fora do sistema prisional e alvo de operação no Rio de Janeiro, o nome de Dada volta ao centro das atenções das forças de segurança. Para investigadores da Bahia, trata-se de um líder com histórico comprovado de articulação criminosa, capacidade de comando e influência direta sobre ações violentas. A fuga no Vidigal, diante desse histórico, não é apenas mais um episódio — é um sinal claro de que um dos principais articuladores do crime organizado baiano segue em circulação.

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