Em um momento de forte tensão na segurança pública do Rio, poucos dias após a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, um homem virou réu na Justiça acusado de filmar o deslocamento de policiais civis e militares e divulgar as imagens nas redes sociais acompanhadas de frases como “Nós vai pegar, filho”, “Isso é ordem” e “Vamos fazer arruaça”.
Segundo denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, o acusado registrou a passagem das viaturas durante uma ação de patrulhamento reforçado realizada justamente para evitar possíveis represálias criminosas após a operação nas comunidades dominadas pelo Comando Vermelho.
Nas imagens, de acordo com a acusação, ele aparece monitorando a movimentação policial, informando quantas viaturas haviam passado pelo local e quantas ainda estariam chegando. Em seguida, faz declarações que levaram os investigadores a considerarem a situação grave.
“Os caras quer ficar sufocando nós, mano! Nós tá fazendo nada. Aí nós pega na pista e é isso que dá aí. Nós vai pegar, filho. Isso é ordem aí, tá ligado? Vamos fazer arruaça! Nós não deixa eles pegar também não!”, diz o homem no vídeo citado pelo Ministério Público.
Para a Promotoria, a gravação não apenas expôs a localização e o deslocamento das equipes de segurança, como também continha ameaças e ofensas direcionadas aos agentes que participavam das ações de patrulhamento.
A denúncia relata que o vídeo passou a circular nas redes sociais e foi identificado pelo setor de inteligência das forças de segurança. Após buscas na região, policiais localizaram o suspeito ainda com a motocicleta utilizada durante as filmagens.
Ele foi levado para a delegacia e, segundo os autos, admitiu ser o autor da gravação.
O Ministério Público denunciou o homem pelo crime de atentado contra a segurança pública. O caso agora será analisado pela Justiça.
A investigação destaca que o episódio ocorreu em um período considerado sensível pelas autoridades, quando policiais civis e militares mantinham operações e patrulhamentos reforçados em diversos pontos da Região Metropolitana para impedir possíveis reações criminosas após a ofensiva realizada nos complexos da Penha e do Alemão.