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NEGOCIOS ILEGAIS

DOCUMENTO REVELA QUE PM ASSASSINADO ERA PRINCIPAL TESTEMUNHA DA INVESTIGAÇÃO QUE APURA COMO O CV TOMOU CLUBES NA ZONA NORTE E LEVANTA SUSPEITA DE ELIMINAÇÃO DE PROVA

Um documento obtido pela reportagem junto ao Tribunal de Justiça revela o falecimento da principal testemunha e vítima que poderia prestar detalhes sobre a ação de traficantes para tomar o controle dos clubes Várzea e Marabu, na Zona Norte do Rio. Segundo o relatório, essa testemunha é Isaac Drumond de Azeredo, subtenente da PM, que foi assassinado em fevereiro do ano passado junto do policial civil Sérgio Paixão Bonfim, de 51 anos, em Piedade. O fato gerou o aditamento do Registro de Ocorrência para apurar possível eliminação de prova por parte dos investigados Há relatos de que os agentes administravam o Marabu. O inquérito revelou que o CV, com núcleo de atuação no Complexo do Morro do 18, impunha um cenário de ocupação forçada e controlede espaços civis mediante coação, com especial enfoque nas atividades recreativas do Marabu e do Várzea. A estrutura seria liderada pelo traficante Jean Carlos Nascimentos dos Santos, o Jean de Dezoito , e visaria a consolidação do domínio territorial para fins de exploração econômica e ocultação de ativos provenientes de atividades ilícitas. A narrativa policial descreve a ocupação forçada dos clubes, não como um fim empresarial autônomo, mas como estratégia de consolidação de domínio territorial para viabilizar o escoamento de entorpecentes e a ocultação de ativos da facção. Ontem, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) autorizou o Estado a assumir, provisoriamente, a gestão da sede do Várzea Country Clube, em Água Santa, na Zona Norte da Capital, e da Pousada Menino do Rio Ltda., em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos. Os dois imóveis já estavam sob sequestro judicial no âmbito de investigações relacionadas a organização criminosa, milícia e lavagem de dinheiro. Na decisão, o magistrado destacou No caso do Várzea Country Clube, a imissão do Estado na posse será imediata. Segundo informações do processo, o espaço recreativo teria sido tomado pela facção criminosa Comando Vermelho por volta de 2023 e transformado em local de encontros e realização de bailes do grupo, com relatos de presença ostensiva de armamento pesado. O magistrado ressaltou que a medida representa uma “verdadeira inversão de finalidade”, ao permitir que as estruturas esportivas e de lazer existentes no clube voltem a ser utilizadas pela comunidade local. A área de abrangência, segundo a decisão, reúne cerca de 70 mil moradores dos bairros de Água Santa, Piedade e Quintino Bocaiúva. Em razão do histórico de domínio armado na região, o cumprimento do mandado de imissão de posse contará com o apoio das forças de segurança. Gestão provisória da pousada em Búzios A imissão de posse da Pousada Menino do Rio, em Armação dos Búzios, ocorrerá de forma escalonada. Embora o imóvel esteja relacionado a indícios de lavagem de dinheiro atribuída à organização criminosa investigada, incluindo movimentações financeiras fracionadas e depósitos em espécie de valores elevados, o estabelecimento mantém atividade hoteleira regular. Para evitar a interrupção abrupta das atividades econômicas e preservar os direitos de terceiros de boa-fé, o magistrado condicionou a imissão de posse à apresentação e homologação de um plano de ação pelo Estado. O documento deverá contemplar medidas para o ressarcimento ou a reacomodação de hóspedes que tenham reservas ativas, além do levantamento e da preservação dos direitos trabalhistas dos funcionários formalmente vinculados ao estabelecimento. O procurador-geral do Estado foi intimado a indicar, no prazo de 30 dias, os órgãos que ficarão responsáveis pela gestão dos espaços, observada a prioridade legal de destinação das instalações à Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. A autorização concedida pelo Judiciário assegura apenas a posse direta e o uso temporário dos imóveis, sem alteração da titularidade da propriedade. A definição sobre a destinação definitiva dos bens dependerá do julgamento dos processos principais.

LIBANESES INVESTIGADOS POR LIGAÇÃO COM FACÇÕES VÃO À JUSTIÇA PARA APAGAR DOS AUTOS REFERÊNCIA À AL-QAEDA

Investigados por suposta ligação com facções criminosas e envolvidos em uma investigação sobre lavagem de dinheiro, libaneses recorreram à Justiça para tentar retirar do processo referências à Al-Qaeda. A menção à organização terrorista internacional aparece no contexto das apurações conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que identificaram, segundo os autos, conexões entre os investigados e pessoas ligadas a grupos criminosos envolvidos com o narcotráfico. A tentativa de afastar a referência à Al-Qaeda ocorre dentro de uma ação penal que nasceu de uma investigação inicialmente relacionada a outro tipo de crime. A Polícia Civil começou a apurar a atuação da empresa JF Multimarcas, localizada no Complexo do São Carlos, na região central do Rio, depois de uma representação apresentada por um escritório de advocacia denunciar a produção e comercialização de produtos contrafeitos. O caso, porém, ganhou proporções maiores durante o trabalho de investigação. A análise das movimentações financeiras dos envolvidos, especialmente depois da quebra dos sigilos bancários, levou os investigadores a suspeitar de uma estrutura destinada à movimentação, ocultação e dissimulação de valores provenientes de atividades criminosas. De acordo com a narrativa apresentada pelo Ministério Público, a atividade empresarial investigada estaria relacionada a pessoas que exerceriam posições de liderança ou influência em facções criminosas dedicadas ao narcotráfico. A partir daí, a apuração passou a examinar não apenas a eventual comercialização de produtos ilegais, mas também o caminho percorrido pelo dinheiro. É nesse contexto que aparecem os libaneses e a referência à Al-Qaeda. Segundo os elementos apresentados no processo, os investigados teriam sido relacionados a integrantes ou estruturas ligadas às facções criminosas que atuam no Rio de Janeiro. A investigação também trouxe para os autos referências à organização terrorista internacional Al-Qaeda. Os libaneses, entretanto, tentam agora retirar essa referência do processo. A iniciativa judicial busca afastar dos autos a associação feita durante a investigação, impedindo que a menção à Al-Qaeda permaneça como elemento relacionado aos investigados. A questão é particularmente sensível porque a referência à organização terrorista aparece dentro de uma investigação que já havia identificado, segundo a acusação, conexões entre os investigados e integrantes de organizações criminosas responsáveis pelo tráfico de drogas. O processo descreve uma estrutura financeira que teria sido utilizada para dificultar a identificação da origem dos recursos. Segundo o Ministério Público, o dinheiro proveniente das atividades criminosas seria inicialmente introduzido no sistema financeiro por meio de depósitos pulverizados. A técnica é conhecida como smurfing. Em vez de realizar uma única operação de valor elevado, os recursos são fracionados em diversas transações de menor valor, muitas vezes distribuídas entre diferentes contas e pessoas. A finalidade, segundo a acusação, seria dificultar a detecção das operações pelos mecanismos de controle financeiro e evitar que as movimentações despertassem alertas automáticos. A investigação aponta que essa estrutura teria sido utilizada para a chamada reciclagem de capitais, permitindo que recursos provenientes de atividades ilícitas circulassem pelo sistema financeiro com o objetivo de ocultar sua origem. A origem da apuração, contudo, foi a JF Multimarcas. A empresa entrou no radar da Polícia Civil após a denúncia sobre a produção e comercialização de produtos contrafeitos. Com o aprofundamento das diligências, os investigadores passaram a analisar as relações financeiras e pessoais dos envolvidos. Foi a partir dessas diligências que, de acordo com os autos, apareceram indícios de que a atividade empresarial poderia estar relacionada a pessoas ligadas a facções criminosas do narcotráfico. A quebra dos sigilos financeiros teve papel importante na ampliação da investigação. A movimentação das contas permitiu aos investigadores reconstruir parte do caminho percorrido pelos recursos e identificar operações consideradas incompatíveis com a atividade empresarial declarada. Segundo a acusação, não se tratava apenas da circulação de dinheiro decorrente da venda de produtos. A suspeita era de que a estrutura empresarial e financeira pudesse ser utilizada para ocultar valores provenientes de atividades criminosas. O caso passou, então, a envolver suspeitas de lavagem de dinheiro e conexões com organizações criminosas. É justamente dentro dessa investigação que a referência à Al-Qaeda passou a integrar o processo e agora é alvo de contestação por parte dos libaneses. A estratégia dos investigados na Justiça concentra-se, portanto, em afastar uma das associações mais graves presentes na narrativa investigativa. A Al-Qaeda não aparece como objeto original da apuração — que começou com a denúncia contra a JF Multimarcas —, mas surgiu posteriormente no conjunto de elementos reunidos pela Polícia Civil. A discussão judicial deverá definir se a referência à organização permanecerá no processo e poderá continuar sendo considerada pelas autoridades na análise das relações dos investigados ou se deverá ser retirada dos autos. Enquanto os libaneses contestam essa parte da investigação, permanecem em discussão os demais elementos reunidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público sobre suas supostas relações com integrantes de facções criminosas e sobre a estrutura financeira investigada. O processo, dessa forma, reúne uma sequência que começou com uma denúncia de falsificação de produtos, avançou para a investigação de movimentações financeiras suspeitas, alcançou uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro relacionada ao crime organizado e passou a envolver pessoas apontadas como ligadas a facções do narcotráfico. No meio dessa investigação surgiu a referência à Al-Qaeda — e é justamente essa parte que os libaneses agora tentam retirar da ação penal. A Justiça terá de analisar os argumentos apresentados pelos investigados e os elementos que levaram a Polícia Civil e o Ministério Público a incluir a referência à organização terrorista no contexto da apuração. Os libaneses são suspeitos de integrar uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas. As investigações apontaram que a estrutura financeira prestava serviços ao Terceiro Comando Puro (TCP) e também ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação teve início a partir da atuação do TCP no Complexo de São Carlos, na Região Central do Rio. Ao longo das diligências, os agentes descobriram que a mesma engrenagem financeira também era utilizada para lavar recursos provenientes de outras facções criminosas, como o CV e o PCC,

TCP SOB PRESSÃO: facção perde territórios para o CV, contra-ataca e tenta reconstruir seu mapa de poder no Rio

O Terceiro Comando Puro (TCP) atravessa um dos períodos mais turbulentos de sua história recente no Rio de Janeiro. Desde 2025, a facção perdeu territórios importantes para o Comando Vermelho (CV), passou a enfrentar novas ofensivas em áreas consideradas estratégicas e, paralelamente, iniciou uma série de contra-ataques para recuperar espaços e impedir o avanço rival. O resultado é um cenário de disputas territoriais simultâneas, com confrontos em diferentes regiões da capital e também em Niterói, enquanto o grupo mantém sob seu domínio alguns de seus principais complexos. 1. 2025: o ano em que o TCP começou a perder terreno Depois de anos de confrontos, o TCP perdeu para o Comando Vermelho o controle do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte. A derrota não foi isolada. A facção também deixou de controlar os morros do Fubá e do Campinho, que passaram para o domínio do CV. As perdas atingiram áreas importantes do mapa criminal da cidade e aumentaram a pressão sobre o TCP, que passou a adotar uma postura mais ofensiva em outras regiões para tentar recuperar espaço. 2. Juramento virou uma das principais frentes de batalha Uma das disputas mais persistentes ocorre no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. O TCP vem tentando tomar a comunidade do CV e, segundo relatos, chegou a conseguir entrar no território em algumas ocasiões. O problema, porém, seria a dificuldade de manter homens no local de forma permanente. A disputa transformou o Juramento em uma das principais frentes de confronto entre as duas facções. À frente de parte dessa ofensiva está Walace de Brito Trindade, o Lacoste, apontado como chefe do Complexo da Serrinha, em Madureira. 3. Cordovil e Brás de Pina: uma guerra marcada por avanços e recuos Outra frente de conflito surgiu recentemente em Cordovil e Brás de Pina. O TCP conseguiu tomar do CV os morros do Dourado e da Tinta, mas posteriormente perdeu as áreas e voltou a recuperá-las. A disputa, entretanto, permanece aberta. Os confrontos nessa região ganharam um componente particularmente perigoso: o uso de drones para lançar granadas, com episódios que já deixaram moradores inocentes feridos. A escalada colocou essas comunidades entre os principais pontos de tensão da guerra entre as duas facções. 4. Jardim América também entrou no mapa da guerra O TCP também passou a enfrentar o CV no Jardim América, ampliando o número de frentes de confronto simultâneas. A multiplicação das disputas mostra que a guerra deixou de estar concentrada em poucos territórios e passou a envolver diferentes áreas da Zona Norte e da Zona Oeste. 5. Tijuca: territórios do TCP estão sob pressão Se existe uma região especialmente problemática para o TCP atualmente, é a Tijuca. Os morros da Casa Branca, Cruz e Chácara do Céu vêm sendo alvos constantes de ataques do CV. A violência chegou diretamente aos moradores. Nos morros Cruz e Chácara do Céu, mãe e filha foram feridas por granadas lançadas de drones durante os confrontos. Em meio aos ataques, criminosos ligados ao TCP também conseguiram matar um rival, apreender um fuzil atribuído ao CV e divulgar imagens nas redes sociais em tom de provocação. A violência foi tanta que os bandidos exibiram um video do suposto inimigo morto com o rosto completamente desfigurado e qie teria tido o corpo queimado. 6. Costa Barros e Barros Filho: outra área de risco O avanço do CV também atingiu territórios ligados ao TCP em Costa Barros e Barros Filho. A facção chegou a perder o controle do Morro do Chaves e do Bairro 13, no Complexo da Pedreira. A região se tornou mais um ponto de pressão sobre o grupo, que precisa administrar simultaneamente territórios ameaçados e novas tentativas de expansão. Operações policiais têm provocado resistência na região com traficantes espalhando caos pelas ruas. 7. Niterói: TCP tenta recuperar áreas perdidas A guerra não está restrita à capital. Em Niterói, o TCP se envolveu em uma intensa disputa pelo controle do Fonsequistão, região que esteve sob domínio da facção durante anos. O grupo conseguiu recuperar algumas áreas, mas a disputa demonstra que o cenário de instabilidade territorial também se espalhou para outros municípios da Região Metropolitana. Na Baixada, o TCP teria sido alijado de São João de Meriti e enfrentou golpes que resultaram em perdas e disputas por territórios com o CV em Belford Roxo. 8. Vargem Grande: uma derrota provocada por uma mudança de lado Outra perda recente ocorreu em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio. Uma mudança brusca no equilíbrio entre os grupos criminosos provocou a perda dos redutos que estavam sob influência do TCP, que acabaram passando para o CV. O episódio representa mais uma redução da presença territorial da facção na capital. 9. Aliança com milicianos amplia o campo de batalha Pressionado pelo avanço do CV, o TCP também passou a estabelecer alianças com grupos de milícia. Essa aproximação colocou a facção em disputas pelo controle de áreas da Zona Oeste, especialmente em regiões como Rio das Pedras e Curicica, em Jacarepaguá. O fenômeno tornou o mapa criminal ainda mais complexo, com alianças circunstanciais e inimigos que podem variar de acordo com o território. 10. Peixão: uma das principais lideranças do TCP Entre as principais figuras do TCP está Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como liderança do Complexo de Israel. Depois de passar um período escondido na Bolívia, Peixão retornou ao Rio de Janeiro. Pouco depois, a região sob sua influência passou a ser palco de uma nova frente de guerra contra o CV, especialmente em Cordovil. 11. Lacoste e a pressão sobre o Juramento Outra liderança de destaque é Walace de Brito Trindade, o Lacoste, apontado como comandante do Complexo da Serrinha, em Madureira. Seu nome aparece associado às ofensivas contra o CV no Juramento, uma das áreas onde o TCP tenta ampliar novamente sua presença territorial. 12. Apesar das perdas, TCP ainda controla grandes complexos O avanço do CV não significa que o TCP esteja próximo de desaparecer do mapa criminal do Rio. A facção ainda mantém o

MAPA DO CRIME EM GUERRA: CV EXPANDE DOMÍNIOS, ABRE NOVAS FRENTES PELO RIO E DIVERSIFICA NEGÓCIOS QUE MOVIMENTAM MILHÕES

Nos últimos anos, o Comando Vermelho ampliou significativamente seu poder no Rio de Janeiro, impulsionado principalmente pela tomada de territórios antes controlados por grupos rivais. Com o traficante Doca, do Complexo da Penha, apontado como principal liderança da facção nas ruas, o CV avançou sobre uma extensa área da Grande Jacarepaguá. A ofensiva atingiu comunidades como Barão, Bateau Mouche, Covanca, Teixeiras, Santa Maria, Chacrinha, Sítio Pai João, Morro do Banco, Muzema, Tijuquinha, Gardênia Azul, Cesar Maia, Fontela e Ipadu, entre outras áreas que estavam sob domínio de milicianos. Mais recentemente, a facção passou a dominar o bairro de Vargem Grande, também na Zona Sudoeste, após rivais do Terceiro Comando Puro aderirem à organização. Na Zona Norte, a facção também ampliou seu território. O CV avançou sobre o Morro dos Macacos, em Vila Isabel, e sobre os morros do Fubá e do Campinho, áreas que estavam sob controle do Terceiro Comando Puro (TCP). Matérias recentemente divulgadas na imprensa apontam que a expansão do CV a busca criar corredores de passagem na Região Metropolitana para acessar os Portos do Rio, de Itaguaí e a Baía de Guanabara. 2. Os próximos alvos A política expansionista, porém, está longe de ter terminado. Um dos principais focos atuais é Rio das Pedras, em Jacarepaguá. A disputa pelo controle da região se intensificou nas últimas semanas após quase 20 milicianos, segundo relatos, deixarem a milícia e aderirem ao Comando Vermelho. A movimentação provocou uma escalada da tensão e aumentou a pressão da facção sobre um dos principais redutos milicianos da Zona Oeste. Rio das Pedras, no entanto, não é o único alvo. Comunidades da Zona Oeste controladas pela milícia ligada ao grupo conhecido como Bonde do Zinho/PL, como Antares, Carobinha, Barbante e Cachamorra, vêm sendo alvo de ataques recorrentes do Comando Vermelho, principalmente de criminosos ligados ao Bonde de Rio das Pedras. Na Zona Norte, o CV mantém a pressão sobre áreas da Tijuca controladas pelo TCP. Entre os territórios cobiçados estão os morros da Casa Branca, Cruz e Chácara do Céu, palcos de constantes tiroteios. Na Baixada Fluminense, outro foco de tensão está em Itaguaí, onde o Comando Vermelho disputa áreas com o TCP e grupos milicianos. Uma recente escalada da guerra na cidade deixou três mortos. Em Costa Barros, na Zona Norte, a disputa entre CV e TCP também permanece. A região está inserida em uma antiga guerra pelo controle dos complexos da Pedreira e do Chapadão, um dos principais pontos de conflito entre as duas facções. As comunidades do Bairro 13 e do Morro do Chaves chegaram a ser tomadas pela organização. 3. Uma guerra que provocou uma reação policial O avanço territorial do Comando Vermelho colocou a facção no centro de uma das maiores ofensivas de segurança pública do estado. As forças policiais passaram a concentrar esforços não apenas na prisão de traficantes, mas também na interrupção da estrutura logística e financeira que sustenta a expansão territorial do grupo. É nesse contexto que foi criada a Operação Contenção, voltada para frear o avanço do Comando Vermelho e atingir sua capacidade operacional e financeira. Até o momento, a operação já resultou em mais de 370 prisões e 137 criminosos mortos em confrontos, segundo os dados divulgados pelas autoridades. Também foram apreendidas cerca de 480 armas, incluindo aproximadamente 190 fuzis, além de mais de 51 mil munições. 4. O CV não vive apenas do tráfico Ao mesmo tempo em que amplia seu domínio territorial, o Comando Vermelho também diversifica suas atividades criminosas e busca novas fontes de financiamento. A facção deixou de depender exclusivamente do tráfico de drogas e passou a atuar em diferentes setores da economia ilegal. Entre as atividades estão complexos esquemas de lavagem de dinheiro, incluindo o uso de estruturas clandestinas ligadas à mineração de criptomoedas e fraudes bancárias. A facção também incorporou a tecnologia à sua atuação criminosa, utilizando drones em operações e confrontos, além de novas estratégias de intimidação e monitoramento dos territórios. Outra frente de expansão está na exploração de serviços e mercados ilegais. Criminosos ligados ao grupo passaram a controlar ou disputar a distribuição clandestina de internet e televisão por assinatura, além de cobrar taxas e praticar extorsões contra comerciantes e moradores de áreas sob sua influência. 5. Clubes, pousadas e outros negócios Outras frentes de exploração envolvem clubes e pousadas. Segundo investigações, criminosos exigiam o pagamento de taxas para permitir o funcionamento dos estabelecimentos, enquanto pessoas de confiança da organização criminosa teriam assumido informalmente a administração dos locais. A atuação incluiria o controle de eventos, movimentações financeiras e decisões internas, mesmo sem qualquer vínculo jurídico ou estatutário com as instituições. Os valores movimentados chamam atenção. Somente com a exploração de um clube e de uma pousada, a facção teria gerado R$ 11 milhões. No Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, uma estrutura criminosa investigada por ocultação, dissimulação e lavagem de recursos ilícitos provenientes do tráfico teria movimentado mais de R$ 453 milhões. 6. Uma estrutura que ultrapassa as fronteiras do Rio O Comando Vermelho também montou uma estrutura criminosa de grande complexidade, com conselho nacional, conselhos regionais e articulação entre organizações criminosas de diferentes estados. As investigações apontam ainda para possíveis relações de cooperação com organizações criminosas de outros estados, inclusive com indícios de aproximação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa estrutura permite que decisões estratégicas, recursos financeiros e alianças ultrapassem os limites das comunidades controladas pela facção no Rio de Janeiro. 7. Quem está no comando Mesmo após quase três décadas no sistema prisional, investigações indicam que o traficante Marcinho VP continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção, sendo apontado como liderança do chamado conselho federal permanente do grupo. Segundo investigações, parentes do criminoso também teriam sido utilizados em operações relacionadas à lavagem de dinheiro da organização. Nas ruas, Doca é apontado como o principal homem do CV, mas outras figuras de destaque permanecem em liberdade. Entre elas estão Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, apontado como responsável pela gestão financeira do grupo, e Carlos da Costa Neves, o

Filha de Piruinha comandava rede milionária de jogos de azar, usava laranjas para lavar dinheiro e expandia esquema para novas comunidades como a Rocinha (CV), aponta investigação

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva de Monalliza Neves Escafura, apontada pelo Ministério Público como a principal líder do clã Escafura após a morte de seu pai, José Caruzzo Escafura, o “Piruinha”, um dos últimos integrantes da chamada “velha cúpula” do jogo do bicho no estado. Ela está sendo acusada de lavagem de dinheiro. A denúncia descreve uma organização criminosa altamente estruturada, responsável por administrar dezenas de pontos clandestinos de jogos de azar, movimentar mais de meio milhão de reais por meio de laranjas, expandir a atividade para novas comunidades e manter um rígido controle financeiro sobre toda a operação. Segundo a investigação, Monalliza assumiu definitivamente o comando da organização após o falecimento de Piruinha, em 22 de janeiro de 2025. Antes disso, já atuava subordinada ao pai, participando diretamente da administração dos negócios ilícitos do clã. Com a morte do contraventor, passou a comandar de forma autônoma os pontos clandestinos de exploração de jogos de azar e todas as demais atividades criminosas da organização. Contabilidade clandestina movimentou mais de meio milhão de reais Um dos principais elementos da investigação foi a perícia realizada em um tablet Samsung SM-P615 e em um iPhone 14 Pro Max apreendidos com Monalliza. Nos aparelhos, os investigadores encontraram planilhas de contabilidade paralela, listas de pontos clandestinos, recibos de apostas, material promocional das atividades ilegais e comprovantes bancários que demonstram uma movimentação financeira superior a R$ 500 mil proveniente da exploração dos jogos de azar. Segundo o Ministério Público, a ocultação da origem desse dinheiro era feita por meio de uma sofisticada estrutura de lavagem de capitais, utilizando diversas pessoas interpostas. Entre os laranjas utilizados pela organização, a investigação destaca a companheira de Monalliza, Thamires apontada como uma das principais intermediárias para o recebimento de depósitos e movimentação dos recursos ilícitos. Chefe utilizava codinomes para comandar a quadrilha Os diálogos extraídos dos aparelhos eletrônicos revelam que Monalliza comandava pessoalmente todas as operações da organização. Segundo a denúncia, ela utilizava o pseudônimo “MariaTereza” e também o nome de usuário “José” para transmitir ordens aos subordinados, cobrar resultados financeiros, negociar prazos para repasses de dinheiro e acompanhar diariamente o funcionamento dos pontos clandestinos. As conversas demonstram que nenhuma decisão importante era tomada sem sua autorização. Gerente recolhia dinheiro, pagava funcionários e prestava contas diretamente à chefe Apontado como um dos homens de maior confiança de Monalliza, Renato exercia a função de gerente operacional da organização criminosa. Entre outubro de 2023 e março de 2024, ele era responsável por administrar integralmente os pontos clandestinos explorados pelo grupo, recolher diariamente os valores obtidos com os jogos ilegais, controlar o pagamento dos funcionários, supervisionar a rotina dos estabelecimentos e solucionar problemas operacionais. As mensagens analisadas mostram que Renato também comunicava à chefe dificuldades provocadas por ações policiais e obras próximas aos pontos clandestinos, além de organizar a logística dos repasses financeiros. Segundo o Ministério Público, centenas de milhares de reais foram encaminhados para Monalliza, normalmente em espécie ou por depósitos realizados em contas de laranjas indicados pela líder da organização, principalmente em nome de Thamires. Os investigadores destacam ainda que Renato demonstrava absoluta naturalidade ao tratar da atividade criminosa, discutindo cobranças financeiras aos operadores dos pontos, logística de entrega de dinheiro e mecanismos utilizados para ocultar os recursos, evidenciando que o crime havia se tornado seu principal meio de vida. Organização abriu novo cassino clandestino na Rocinha Outro núcleo da organização era comandado por Luiz Fernando responsável pela expansão dos pontos clandestinos. De acordo com a denúncia, entre maio e junho de 2024 ele recebeu ordens diretas de Monalliza para implantar um novo ponto de exploração de jogos de azar na Rocinha. O trabalho envolveu praticamente toda a estruturação do empreendimento ilegal. Segundo as investigações, Luiz Fernando assumiu o imóvel alugado, contratou eletricista, supervisionou toda a reforma, providenciou a instalação das máquinas caça-níqueis e equipamentos de bingo, adquiriu móveis, recrutou funcionários e ainda buscou clientes para o novo estabelecimento. Toda a operação foi financiada com recursos enviados por Monalliza por intermédio de terceiros, incluindo sua companheira, Thamires. As conversas interceptadas mostram que a própria chefe decidia quais equipamentos seriam instalados, quais materiais deveriam ser comprados e acompanhava o andamento da implantação do novo ponto clandestino. Grupo cobrava taxa mensal de R$ 2 mil para explorar máquinas Outro integrante identificado pela investigação foi outro Luiz Fernando que exercia funções de cobrador e intermediador da organização. Segundo o Ministério Público, ele era encarregado de negociar a abertura de novos pontos clandestinos em áreas vizinhas às dominadas pelo grupo, adquirir imóveis comerciais para utilização da quadrilha, fiscalizar o funcionamento dos estabelecimentos ilegais e cobrar uma taxa mensal de R$ 2 mil dos responsáveis pela exploração de cada ponto de jogo. As mensagens mostram que todas essas atividades eram executadas sob ordens diretas de Monalliza, que também determinava a expansão da atividade criminosa para territórios fronteiriços aos já controlados pelo clã. Organização espalhava pontos clandestinos por diversas comunidades A denúncia afirma que a estrutura criminosa comandada por Monalliza mantinha pontos clandestinos de jogos de azar em diversas regiões da capital fluminense. Entre os locais citados estão Vidigal, Rocinha, Piedade, Méier, Lins, Engenho de Dentro, Madureira, Cascadura, Quintino, Vaz Lobo, Parada de Lucas e Vigário Geral. Para os investigadores, a presença simultânea em tantas comunidades demonstra a dimensão da organização criminosa e sua capacidade operacional para administrar diversos estabelecimentos clandestinos ao mesmo tempo. Monalliza permaneceu foragida por dois anos Outro ponto destacado na denúncia é que Monalliza permaneceu foragida da Justiça por aproximadamente dois anos após a deflagração da Operação Louvre, realizada em 24 de maio de 2022. Ela somente foi presa em 19 de junho de 2024, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido em outra ação penal, na qual responde por crimes de extorsão e lavagem de dinheiro. Mesmo após ser investigada e presa anteriormente, o Ministério Público sustenta que ela não interrompeu as atividades criminosas e continuou administrando a organização. Justiça aponta risco de continuidade das atividades criminosas Ao pedir as prisões preventivas, o Ministério

Investigação revela como milícia de Rio das Pedras dividia território, cobrava moradores e ocultava patrimônio milionário

Uma investigação da Polícia Civil revelou como funcionava, por dentro, a estrutura da milícia que atuava em áreas de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. A organização teria dividido o território, distribuído funções entre seus integrantes e criado diferentes fontes de arrecadação, em um modelo descrito pelo Ministério Público como semelhante ao de uma empresa criminosa. No topo da estrutura, segundo a denúncia, estavam Dalmir Pereira Barbosa e Taillon de Alcântara Pereira Barbosa, apontados como os líderes da organização. Abaixo deles, havia integrantes responsáveis por funções específicas. “Missim”, apontado como homem de confiança de Dalmir, teria atuado na administração dos recursos arrecadados pela organização. Thiago era acusado de cuidar do abastecimento do grupo com armas e munições. A investigação também apontava que “Missim” havia participado de um episódio de tortura ocorrido em dezembro de 2021. Território era dividido para organizar a arrecadação Um dos aspectos revelados pela investigação era a forma como a organização teria dividido o território para facilitar a cobrança. Na região conhecida como Invasão, na Estrada do Itanhangá, as áreas eram repartidas entre diferentes responsáveis. Laerte era apontado como responsável por um dos setores. A Polícia Civil chegou a apontar Gerardo como responsável por outra área, mas depois reconheceu que havia ocorrido um erro na identificação do homem conhecido como “Bolado”. Por isso, a Justiça retirou Gerardo do processo. A estrutura funcionava em diferentes níveis. Enquanto os líderes comandavam a organização, os responsáveis por cada área administravam a arrecadação e os cobradores atuavam diretamente junto à população. Moradores que ocupavam imóveis também eram cobrados Segundo a denúncia, Luana, Naira e Janderson atuavam na cobrança de taxas dos ocupantes de imóveis nas áreas controladas pela organização. Luana exercia uma função de supervisão. Ela centralizava os valores arrecadados por Naira e Janderson e fazia a prestação de contas aos responsáveis pelo gerenciamento da área. A investigação, portanto, apontava para um sistema organizado de cobrança: os ocupantes de imóveis pagavam taxas à milícia, enquanto os valores eram recolhidos por cobradores e posteriormente repassados dentro da estrutura da organização. Os comerciantes tinham uma fonte de cobrança específica. Pablo era apontado como responsável pela arrecadação das taxas impostas aos estabelecimentos comerciais. A organização também explorava o fornecimento irregular de energia elétrica. Biel e Tipa eram acusados de fornecer energia clandestina e cobrar os moradores pelo serviço. Dinheiro teria sido transformado em patrimônio milionário A investigação também acompanhou o destino de parte dos recursos que, segundo o Ministério Público, eram obtidos pelas atividades criminosas. Em um dos casos, Dalmir teria utilizado R$ 300 mil na aquisição de um imóvel no Condomínio Praia do Café, em Angra dos Reis. O imóvel, porém, não havia sido registrado em seu nome. A companheira e o filho de Dalmir apareciam formalmente como compradores. Para os investigadores, a operação tinha como objetivo esconder a verdadeira propriedade do imóvel e dificultar a identificação da origem do dinheiro utilizado na compra. A acusação sustentava que a manobra havia sido planejada e coordenada por Dalmir para ocultar patrimônio que teria sido adquirido com recursos provenientes das atividades criminosas da organização em Rio das Pedras. Em outro episódio, Dalmir e Taillon eram acusados de participar da aquisição de uma lancha avaliada em aproximadamente R$ 1 milhão. A embarcação Humility havia sido registrada em nome de uma empresa, utilizada, segundo o Ministério Público, para dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários. A companheira de Dalmir também teria se apresentado como proprietária da lancha perante a marina onde a embarcação era mantida. Uma organização com várias fontes de renda O retrato traçado pela investigação era o de uma estrutura organizada para controlar território e arrecadar dinheiro. No topo estavam os líderes. Abaixo, responsáveis pelo dinheiro, pelas armas e por áreas específicas. Na ponta, cobradores encarregados de recolher as taxas diretamente dos ocupantes de imóveis e dos comerciantes. A organização teria explorado diferentes fontes de renda, como a cobrança de ocupantes de imóveis, a extorsão de comerciantes e o fornecimento irregular de energia elétrica. Segundo o Ministério Público, o modelo também envolvia a divisão territorial, a descentralização da administração e o uso da violência para manter o controle das áreas e afastar concorrentes. Parte do dinheiro obtido, de acordo com a acusação, teria sido transformada em patrimônio de alto valor, como o imóvel em Angra dos Reis e a lancha de R$ 1 milhão. A Justiça considerou que havia indícios suficientes para o prosseguimento da ação penal. As acusações ainda seriam analisadas durante o processo, e os denunciados tinham direito à ampla defesa e ao contraditório.

Comando Vermelho usa armas, extorsões e sabotagens para tomar mercado de internet e ampliar negócios criminosos em Duque de Caxias

O Comando Vermelho não se limita a controlar o tráfico de drogas nas comunidades de Duque de Caxias. A facção transformou o domínio territorial em uma máquina de exploração econômica e passou a usar armas, ameaças, sabotagens e expulsões para tomar o mercado de internet. Investigações revelam como o grupo cobrava taxas extorsivas de empresas provedoras e trabalhava para impor um monopólio criminoso sobre um serviço essencial, com empresas autorizadas a operar a serviço da própria organização. As informações constam de investigações que analisaram a atuação de diferentes núcleos criminosos ligados ao Comando Vermelho no município e revelam detalhes de como a facção utiliza o domínio territorial, o poderio bélico e a violência para ampliar seus negócios criminosos. O elo entre os diferentes núcleos criminosos seria Joab da Conceição Silva, conhecido como “Girafa”. Segundo a denúncia, a liderança exercida por ele no território de Duque de Caxias permitiria a coordenação simultânea de diferentes atividades criminosas, todas voltadas ao fortalecimento do Comando Vermelho. Segundo a investigação, alguns dos denunciados utilizavam o grupo de WhatsApp “Família R7” para trocar mensagens sobre o monitoramento de incursões policiais. O objetivo seria manter inabalável a dominação territorial do Comando Vermelho em áreas como Rua Sete, Salgueiro, Acapulco, Divinéia, Mangueira e Badu. As conversas também teriam revelado o poderio bélico da facção, com a confirmação da utilização de armamentos de grosso calibre por seus integrantes. A investigação apontou ainda que estruturas da sociedade civil seriam utilizadas em favor do crime organizado. Entre elas está a Associação de Moradores de Campos Elíseos, cujo presidente, Cláudio Corrêa da Silva, conhecido como “Pastor”, é um dos denunciados. Facção cobrava empresas e expulsava concorrentes Um dos principais braços criminosos identificados na investigação envolve o controle do serviço de internet. Segundo a apuração, o Comando Vermelho teria criado uma estrutura organizada, com divisão de tarefas, para dominar a distribuição do sinal nas áreas sob seu controle. O esquema começaria com a cobrança de taxas extorsivas das empresas provedoras que já atuavam nas comunidades. Em seguida, empresas que se recusassem a se submeter às exigências do grupo seriam alvo de sabotagens e expulsões violentas. O objetivo final seria controlar territorialmente a oferta de internet e estabelecer um monopólio formado por empresas que atuariam a serviço da própria facção. As investigações apontam que o esquema não se limitava à cobrança de uma taxa para permitir que as empresas trabalhassem. A facção buscaria controlar todo o mercado de internet nas áreas dominadas, utilizando a força das armas para eliminar concorrentes e garantir que apenas empresas autorizadas pelo Comando Vermelho pudessem prestar o serviço. A atividade, identificada nas investigações como exploração da chamada “CVNet”, geraria lucros significativos para o crime organizado e, ao mesmo tempo, fortaleceria o controle da facção sobre comunidades inteiras. A investigação destaca que o domínio sobre um serviço essencial como a internet amplia a influência da organização criminosa sobre os moradores, impondo controle, medo e dependência econômica. Esquema começou a ser investigado em Bom Retiro As análises telemáticas realizadas no Inquérito Policial nº 060-02796/2025 foram cruzadas com as informações reunidas no Inquérito Policial nº 02118/2022. Inicialmente, o segundo procedimento investigava traficantes da Comunidade do Bom Retiro, em Duque de Caxias, que estariam cobrando taxas de empresas provedoras de internet para permitir que elas atuassem em áreas dominadas pelo Comando Vermelho. Com o avanço da apuração, os investigadores identificaram que a logística criminosa também alcançava as comunidades do Rasta, Vila Urussaí, Badu e Rua Sete. O cruzamento dos dois inquéritos permitiu, segundo a investigação, identificar uma estrutura mais ampla de atuação do Comando Vermelho no município. Facção diversificou negócios criminosos A investigação aponta que o Comando Vermelho atua em Duque de Caxias em duas frentes simultâneas. A primeira está diretamente relacionada ao tráfico de drogas e às atividades necessárias para sua manutenção, como o monitoramento das ações policiais e o emprego de armas de fogo. A segunda envolve outros núcleos criminosos voltados para a obtenção de lucro e o fortalecimento da organização criminosa. Entre eles estão o roubo de cargas e veículos, a exploração ilegal do serviço de internet e a ocultação e lavagem do dinheiro obtido com as atividades criminosas. Segundo a denúncia, a estrutura criminosa seria dividida em quatro núcleos: A investigação aponta que esses grupos mantinham estruturas organizadas, com divisão de tarefas e diferentes níveis de atuação. O elo entre as estruturas criminosas seria Joab da Conceição Silva, conhecido como “Girafa”. Segundo a denúncia, a liderança exercida por ele no território de Duque de Caxias permitiria a coordenação simultânea de diferentes atividades criminosas, todas voltadas ao fortalecimento do Comando Vermelho. Armas também eram utilizadas em roubos A investigação aponta que o arsenal da facção não seria utilizado apenas para proteger pontos de venda de drogas ou garantir o domínio territorial. As armas também seriam empregadas em roubos de veículos e cargas. Após os crimes, os veículos e produtos roubados seriam inseridos em um esquema de receptação, com auxílio de integrantes de outras comunidades do estado do Rio de Janeiro também dominadas ou aliadas ao Comando Vermelho. Segundo a investigação, essa estrutura transformaria os roubos em uma das diversas fontes de financiamento e fortalecimento da facção. A investigação aponta que o Comando Vermelho teria construído em Duque de Caxias uma estrutura criminosa diversificada, que combina tráfico de drogas, roubos, extorsão de empresas, controle de serviços essenciais e lavagem de dinheiro. O resultado seria um sistema no qual diferentes atividades criminosas se alimentariam mutuamente e contribuiriam para ampliar o poder territorial e econômico da facção. A diversificação das atividades criminosas permitiria, de acordo com a denúncia, a retroalimentação da organização criminosa, com a utilização dos lucros para ampliar o número de integrantes, fortalecer e pulverizar lideranças, adquirir armas de fogo cada vez mais letais e aumentar a capacidade de compra e distribuição de drogas.

Por videochamada de presídio, traficante expulsou empresário e entregou mercado de internet a empresa controlada pelo Comando Vermelho em comunidades de Caxias

A expansão do crime organizado em Duque de Caxias teria ultrapassado o tráfico de drogas, o roubo de cargas e de veículos. Segundo elementos reunidos em uma investigação policial e citados em decisão judicial, uma liderança do Comando Vermelho teria usado a força e a ameaça para tomar o controle do mercado de internet em comunidades da Baixada Fluminense. O caso é analisado na ação penal nº 011659-64.2025.8.19.0001, em tramitação na 1ª Vara Criminal Especializada da Comarca da Capital. O acusado responde, em tese, pelos crimes de organização criminosa e extorsão e teve a prisão preventiva decretada. De acordo com a investigação, o acusado, apontado como liderança criminosa da comunidade do Bom Retiro, em Duque de Caxias, teria sido responsável por uma verdadeira expulsão de um provedor de internet da região. A vítima, empresária do ramo, teria recebido uma videochamada do criminoso, que se identificaria pelo vulgo de “Frei”. Segundo o relato incorporado ao processo, ele teria se apresentado como a “frente” das comunidades do Bom Retiro e do Rasta e determinado que a empresa deixasse de operar na região. A ameaça teria sido acompanhada de uma ordem clara: o fornecimento de internet passaria a ser feito por uma empresa escolhida pelo próprio tráfico, a W.M. Telecom, apontada na investigação como uma empresa gerida pelo grupo criminoso. Na prática, segundo o Ministério Público e os elementos descritos no processo, o crime organizado teria utilizado o domínio territorial para eliminar a concorrência e transformar o serviço de internet em um monopólio controlado pela facção. O caso revela uma modalidade de atuação cada vez mais sofisticada das organizações criminosas: o controle de serviços essenciais dentro das comunidades. Em vez de apenas cobrar taxas clandestinas de empresas, a facção, segundo a investigação, teria avançado para a própria exploração direta do mercado, expulsando concorrentes e direcionando os moradores para um provedor escolhido pelo grupo. FACÇÃO TERIA ESTRUTURA PARALELA As investigações conduzidas nos Inquéritos Policiais nº 060-02118/2022 e nº 060-02796/2025 apontaram, segundo a decisão judicial, a existência de uma organização criminosa armada ligada ao Comando Vermelho e estruturada em diferentes núcleos. O grupo teria atuação em diversas comunidades de Duque de Caxias e estaria envolvido, conforme os investigadores, com tráfico de drogas, roubos de veículos e cargas, exploração extorsiva de serviços de internet e lavagem de dinheiro. A suspeita é de que as diferentes atividades funcionassem de forma integrada, sob uma mesma estrutura de comando e com o domínio territorial garantido pelo uso ostensivo de armas e pela violência. No caso específico da internet, a acusação é de que o controle territorial teria sido utilizado para impedir que empresas concorrentes continuassem trabalhando na região. DONO DO PROVEDOR TERIA SIDO IDENTIFICADO EM VIDEOCHAMADA A defesa contestou a forma como o acusado foi reconhecido, argumentando que a identificação teria ocorrido por meio da comparação entre uma fotografia extraída de uma videochamada e uma imagem antiga existente em cadastro estatal. O Tribunal, entretanto, entendeu que a discussão exigiria uma análise aprofundada das provas e não poderia ser resolvida naquele momento por meio do habeas corpus. Além do reconhecimento, a investigação teria reunido registros de ocorrência, depoimentos de empresários do setor, quebra de sigilo telemático de terminal utilizado pelo líder criminoso, apreensão de drogas e de um caderno de contabilidade, entre outros elementos. Segundo a acusação, o acusado teria utilizado um telefone cadastrado em seu próprio nome para realizar a videochamada na qual teria ordenado que a empresa concorrente deixasse de atuar na região. PRISÃO PREVENTIVA Ao manter a prisão preventiva, a Justiça considerou a gravidade concreta da acusação e a posição que o investigado ocuparia dentro da estrutura criminosa. A decisão aponta que ele seria uma liderança local do Bom Retiro e estaria ligado à expulsão de provedores concorrentes e à imposição de um serviço de internet supostamente controlado pela organização criminosa. Para a Justiça, a liberdade do acusado poderia representar risco à ordem pública e à continuidade das atividades do grupo. O caso expõe como o crime organizado vem ampliando seu modelo de negócios. A facção não se contentaria apenas em controlar o território para vender drogas: segundo a investigação, também teria usado a ameaça para escolher quem poderia trabalhar, qual empresa poderia prestar serviço e quem ficaria com o dinheiro dos moradores. A acusação ainda será submetida ao julgamento definitivo da Justiça. O acusado é considerado inocente até o trânsito em julgado de eventual condenação.

Milhões em espécie, notas frias e lavagem de dinheiro: o esquema do braço-direito de Adilsinho

Preso este ano, o contraventor Adilsinho voltou a ser destaque na mídia carioca com a decisão da Justiça de mantê-lo em uma penitenciária federal longe do Estado do Rio de Janeiro. Nossa reportagem foi atrás de novas informações sobre o bicheiro para não ficar na mesmice do factual e descobriu junto à Justiça uma peça-chave no funcionamento dos negócios do criminoso. O suspeito trata-se de um homem conhecido como Verdini, apontado como braço-direito de Adilsinho; Empregado da empresa de Adilsinho e sócio dele em um clube na Barra da Tijuca, Verdini chegou a movimentar cerca de R$ 5,5 milhões entre 2015 e 2024, valores em espécie incompatíveis com seus rendimentos. Ele fez isso como forma de dissimular a origem do dinheiro. Ele chegou a realizar quatro depósitos no valor de R$ 5,5 milhões, tudo em espécie, sem qualquer identifficação de origem sendo que, deste total, R4 4,8 milhões eram destinados à firma de Adilsinho. O suspeito, junto de outras pessoas, ainda fez transações de câmbio para uma mulher que vivia nos Estados Unidos, o que pode configurar evasão de divisa Segundo a investigação, Verdini comandaria a elaboração de notas falsas em favor de Adilsinho, a quem se referia como ‘presidente”; Diálogos captados pela polícia mostraram ele indicando endereço e nome de quem deveriam ser emitidas as notas. A polícia ainda identificou diversas transferências para a conta dele, muitas delas feitas pela empresa de Adilsinho no total de R$ 127 mil. Verdini era ainda o responsável pela gestão financeira e administrativa de Adilsinho e da própria organização criminosa. Foram encontrados em sua nuvem vinculada à sua conta de email, por exemplo, planilhas de fluxo financeiro por pontos de vendas de cigarros, além de uma planilha de controle de gastos pessoais da filha e da esposa do cotnraventor., bem como a declaração do imposto de renda de Adilsinho. Com ele, foram achadas ainda 500 planilhas que revelaram o fluxo de caixa da quadrilha e as movimentações com proventos econômicos do escoamento da produção de cigarros, documentando a entrada e saída de bens do estoque da matriz e de cada uma das filiais A investigação revelou que Adilsinoh passou a emitir notas fiscais falsas de compra e venda de cigarros por três de suas empresas a pessoas físicas geralmente integrantes da máfia sem capacidade financeira e com inúmeros antecedentes criminais de delitos violentos de modo a encobrir a fabricação e comercialização clandetina de cigarros de modo a dissimular a origem e a movimentação dos valores auferidos com os crimes cometidos. Verdini teve a prisão decretada em 18 de fevereiro do ano passado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais. GRUPO DE EXTERMÍNIO Um outro relatório obtido pela reportagem, haveria um grupo de extermínio que contaria com a participação de PMs do 15º Batalhão (Duque de Caxias) que atenderia aos interesses da quadrilha de Adilsinho, que é chamado também de ‘patrão’, ‘zero um’ ou ‘homem’. Adilsinho explora a comercialização ilegal de cigarros e jogos de azar.

“EU PAGO TODO MUNDO”: CHEFÃO DO TCP FOI FLAGRADO EM ESCUTA DIZENDO CONTROLAR POLICIAIS EM CAXIAS

Uma interceptação telefônica obtida no âmbito de uma investigação policial revelou o nível de poder e ousadia atribuído ao traficante conhecido como Flamengo, apontado como um dos chefes do Terceiro Comando Puro (TCP) em Duque de Caxias. Na gravação, ele afirma, em tom explícito, que pagaria propina a policiais militares que atuam na região. “Eu tenho a porra do batalhão todo na minha mão. Os polícia da área eu conheço tudo, eu pago todo mundo. Tu acha que essa porra tem tráfico de drogas porque? Eu pago é todo mundo, porra”. A escuta foi realizada anos atrás, durante uma investigação sobre a atuação do TCP em condomínios residenciais da região, e é tratada pelas autoridades como um indício do possível nível de infiltração criminosa e controle territorial sustentado por corrupção e intimidação. Na mesma interceptação, Flamengo aparece fazendo ameaças diretas a um síndico de condomínio, exigindo o repasse de dinheiro ao grupo criminoso. “Ou tu dá a porra do nosso dinheiro nessa porra ou tu vai morrer fdp”. Segundo as investigações, os condomínios Volterra, Rotonda, Parma, Pádua e Bolzano eram anteriormente dominados por um miliciano conhecido como Baby. Esse cenário mudou no final de 2022, após uma operação que prendeu diversos integrantes da milícia. Com o enfraquecimento do grupo, traficantes ligados ao TCP, oriundos da comunidade do Barro 3 e sob liderança de Flamengo, teriam avançado sobre a região e assumido o controle. De acordo com a apuração, o grupo passou a atuar como uma espécie de “empresa do crime”. Além do tráfico de drogas, passou a controlar serviços dentro dos condomínios, como venda de gás, distribuição de água, fornecimento de internet, TV a cabo, iluminação e até a cobrança de taxas de condomínio. Parte desses valores, segundo a investigação, seria destinada à organização criminosa. Para manter o domínio, os criminosos teriam adotado práticas violentas e sistemáticas. Entre elas, roubos de carga, extorsões, tortura de moradores, expulsão de residentes e assassinatos de pessoas que contrariavam seus interesses. Ainda segundo os elementos reunidos, Flamengo teria consolidado seu poder expulsando síndicos, retirando moradores e eliminando desafetos. Pessoas de sua confiança teriam sido colocadas na administração dos condomínios, ampliando o controle financeiro da organização. O grupo também teria expandido sua atuação para os morros do Sossego e do Cacareco, reforçando o domínio territorial. A disputa pelo controle da região provocou confrontos entre traficantes e milicianos. Em setembro de 2023, episódios de violência resultaram na queima de ônibus e veículos, afetando diretamente a população local. Relatos de moradores que afirmaram ter sido vítimas de tortura foram levados às autoridades policiais, que já conduziam outras investigações sobre a organização criminosa. Após um trabalho considerado minucioso, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, com o objetivo de responsabilizar os envolvidos. Embora as acusações ainda dependam de julgamento, o material reunido descreve um cenário em que, segundo a investigação, o crime organizado não apenas atua na região, mas exerce controle direto sobre a rotina e a vida cotidiana dos moradores.

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