Em abril de 2025, uma reportagem do Portal G1 revelou detalhes da investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que apontou que o contraventor Rogério Andrade teria destinado cerca de R$ 500 mil em propinas a batalhões da PMERJ e delegacias da Polícia Civil em apenas dois dias.
Na ocasião, a reportagem expôs os valores que, segundo a investigação, teriam sido destinados a diversas unidades policiais, mas não detalhou as quantias que também teriam sido repassadas às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
Agora, a reportagem teve acesso ao processo nº 0087234-41.2025.8.19.0001, que traz uma planilha atribuída ao esquema e revela os valores que, segundo o Ministério Público, teriam sido destinados a cinco UPPs entre os dias 6 e 9 de maio de 2023:
- UPP Prazeres – R$ 5 mil;
- UPP Macacos – R$ 1 mil;
- UPP Pavão-Pavãozinho/Cantagalo – R$ 5 mil;
- UPP Vidigal – R$ 8 mil;
- UPP Chapéu Mangueira/Babilônia – R$ 5 mil.
De acordo com a denúncia, os pagamentos fariam parte de um esquema que teria resultado em 19 atos independentes de corrupção ativa majorada, com o objetivo de fazer com que unidades policiais retardassem ou deixassem de praticar atos de ofício. O Ministério Público sustenta que a exploração do jogo do bicho e de máquinas caça-níquel ocorria de forma ostensiva, em estabelecimentos comerciais e à luz do dia, sem a repressão esperada por parte dos órgãos responsáveis.
Segundo a investigação, os indícios dos supostos pagamentos foram obtidos a partir de mensagens encontradas no celular de Flávio da Silva Santos, conhecido como Flávio Mocidade. Nas conversas, ele se comunicaria com um interlocutor identificado pelo codinome “Botafogo”.
Ainda segundo a denúncia, em 8 de maio de 2023, “Botafogo” enviou uma versão inicial de uma planilha de contabilidade e, após diversas chamadas de voz e vídeo com Flávio Mocidade, elaborou um arquivo em formato PDF mais detalhado. Para o Ministério Público, o conteúdo das conversas indicaria que Flávio exercia supervisão sobre as finanças do grupo e sobre o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos corrompidos.
As informações fazem parte da ação penal em curso e correspondem às acusações formuladas pelo Ministério Público, que ainda serão submetidas ao contraditório e à análise da Justiça.