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corrupção policial

Investigação revela que PMs do 39º BPM recebiam R$ 100 semanais via PIX em esquema de propina em Belford Roxo. CONFIRA DIÁLOGOS

A investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro revelou que o esquema de corrupção instalado no 39º BPM (Belford Roxo) possuía uma dinâmica fixa e organizada para distribuição da propina entre policiais militares do Setor Alfa. O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) denunciou à Justiça 11 policiais militares pela prática reiterada do crime de corrupção em Belford Roxo. Um mandado de prisão foi cumprido nesta terça-feira (12/05), com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Corregedoria da Polícia Militar, contra o cabo Michel Maia Rodrigues. O Juízo da Auditoria da Justiça Militar também determinou o afastamento das atividades e a suspensão do porte de arma de todos os denunciados. Segundo a denúncia, Michel Maia Rodrigues atuava como intermediário entre comerciantes e os PMs envolvidos no esquema, sendo responsável por recolher e redistribuir os valores pagos por empresários em troca de proteção e policiamento privilegiado. De acordo com o MPRJ, a investigação revelou que os PMs recebiam de Michel a quantia exata de R$ 100,00 (cem reais), por meio de transferências via PIX, em sextas-feiras previamente determinadas. Identificou-se, assim, um padrão de funcionamento do grupo, uma vez que todos os pagamentos eram realizados às sextas-feiras e cada policial possuía uma semana específica para receber as transferências, havendo um sistema interno de revezamento para a realização desses repasses. Em outras palavras, segundo a investigação, em troca da segurança privada proporcionada pela milícia local em favor do estabelecimento comercial, Simone, ou pessoas por ela designadas, com a anuência de seus superiores, repassava semanalmente valores a título de propina, geralmente em espécie, a Michel. Este, por sua vez, encaminhava os pagamentos aos demais policiais militares, em regra por meio de transferências via PIX, sempre às sextas-feiras, ao policial militar escalado para o serviço naquela semana. A própria divisão dos valores foi mencionada em conversas interceptadas pelos investigadores. Em diálogo com o miliciano conhecido como “Dudu”, Michel afirma que o proprietário do posto desejava que ele continuasse administrando os pagamentos: “O proprietário do estabelecimento desejaria que eu permanecesse ‘administrando’ os valores pagos a título de propina entre o posto de combustíveis e os policiais militares corruptos, mencionando, inclusive, a divisão dos valores na forma de ‘100 para vtr e 100 para mim’.” As investigações também revelaram uma relação estreita entre Michel e o gestor do posto de gasolina, identificado pelo apelido de “André Boquinha”. Segundo o MPRJ, os diálogos entre ambos começaram no dia 25 de setembro de 2021, quando Michel se identifica para Boquinha chamando-o de “Chefe”. Logo em seguida, no mesmo dia, André realiza duas ligações de áudio via WhatsApp para o policial militar. Já em 27 de setembro de 2021, após uma ligação não atendida de Boquinha, Michel encaminhou nova mensagem contendo uma imagem da fachada do posto de combustíveis. Na sequência, ocorreram duas ligações telefônicas entre os interlocutores. Pouco tempo depois, Michel enviou novas mensagens afirmando que seu interlocutor iria falar “com quem de direito” e, em seguida, comunicou: “Já tá resolvido”“Ninguém vai mais lá não” Na mesma troca de mensagens, Michel esclareceu tratar-se da “resposta da milícia”. Segundo o Ministério Público, as comunicações demonstram que Michel atuou como interlocutor junto a integrantes da milícia para interceder em favor do posto de combustíveis, reforçando sua posição de articulador da rede de proteção ilícita conferida ao estabelecimento. As mensagens também revelam que Michel prestava satisfações a Boquinha, evidenciando sua atuação como aliado da milícia local. Esse vínculo entre Michel e integrantes da milícia também foi identificado em conversas mantidas entre o policial e o indivíduo conhecido como “Dudu”, apontado como miliciano atuante na Comunidade da Igrejinha, em Belford Roxo. Nos diálogos analisados, verifica-se que “Dudu”, juntamente com outros milicianos da localidade, estaria comparecendo ao posto de combustíveis para realizar cobranças relacionadas à denominada “taxa de segurança”, situação que teria gerado reclamações por parte de Boquinha e de um homem identificado como “Samuquinha”. Em conversa travada no dia 30 de setembro de 2021, Michel relatou que entrou em contato com Dudu para orientá-lo a não comparecer mais ao posto, já que Samuquinha estaria insatisfeito com as visitas. Em mensagens de áudio trocadas entre Michel e Dudu, o PM afirma: “Fala aí, Dudu, tranquilo, mano? Boa tarde. Dudu, vou te fazer um pedido aí, pra ver se você pode me ajudar. Os amigos aí, daí de cima, da Igrejinha, tá indo lá no posto do Samuqinha, né. Pô, aquele posto lá a sociedade do Samuqinha e do Boquinha. Aí pediu né pra viatura que tá de frente do setor falar com os caras aí, entendeu, porque lá a briga é pra cima. Eles não querem nada, envolvimento com o pessoal daí de cima. Eu falei que conheço a rapaziada e ia dar um alô pra evitar qualquer problema com eles lá. Irmão, tem deputado envolvido, aí os caras têm um ego maior, entendeu? Eles não querem, melhor deixar pra lá, beleza? (…) Se tu puder fazer esse favor ai pra gente aí cara, te agradeço. (…) Esquecer aquele posto lá. (…) Ajuda a gente nessa aí. O que precisar da gente aqui estamos à disposição também.” Em outro áudio, Michel detalha a localização do estabelecimento: “Esse posto, ele é em frente ao Shopping, né, ali em frente à antiga MAP, ali próximo ali à Loja Americana.” Após receber retorno positivo do miliciano, Michel agradece: “Valeu, meu camarada. Brigado aí, Dudu. Se precisar da gente aí é só chamar, beleza, irmão? Estamos juntos aí.” Segundo a investigação, após essas mensagens, Michel repassou a Boquinha a resposta obtida junto aos milicianos: “Já tá resolvido”“Ninguém vai mais lá não” Outro elemento apontado pelo MPRJ como indicativo da confiança entre Boquinha e Michel ocorreu em 7 de junho de 2022. Na ocasião, Boquinha entrou em contato com Michel para pedir um favor inicialmente tratado por ligação via WhatsApp. Após a chamada, encaminhou ao policial uma anotação contendo dados bancários e o CPF de um homem identificado como “Arley”.

Só depois de sete anos, MP denuncia PMs por receber propina de milicianos para liberar carro irregular na Muzema

Depois de sete anos, o Ministério Público do Rio de Janeiro decidiu denunciar três policiais militares suspeitos de receber propina de integrantes da milícia que atuava na Muzema e em Rio das Pedras para liberar um veículo com irregularidades durante uma abordagem. A denúncia foi apresentada por promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) e tem como base provas técnicas obtidas a partir de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça no âmbito da operação “Os Intocáveis”, que investigou a atuação de organizações criminosas na Zona Oeste do Rio. De acordo com o Ministério Público, o caso aconteceu no dia 1º de fevereiro de 2019, durante uma operação de trânsito realizada por policiais militares do APTRAN do 18º BPM, em Rio das Pedras. Na ocasião, um veículo com irregularidades foi abordado pelos agentes, que chegaram a determinar sua apreensão e acionaram um reboque. No entanto, o motorista, conhecido como “Valdir do frete”, acionou integrantes ligados à milícia que dominava a região na época para evitar que o carro fosse levado. Ainda segundo a investigação, a partir desse contato, houve uma articulação entre os criminosos e os policiais militares, que resultou no pagamento de vantagem indevida para que o veículo fosse liberado. O Ministério Público aponta que os três policiais denunciados agiram em conjunto, de forma consciente, para receber a propina e deixar de cumprir o dever legal de apreender o automóvel. As provas reunidas indicam que, após negociações intermediadas por terceiros ligados ao grupo criminoso, o carro acabou sendo liberado, mesmo com as irregularidades constatadas inicialmente pelos próprios agentes. A investigação destaca ainda que o material utilizado para embasar a denúncia é majoritariamente técnico, baseado em interceptações telefônicas e cruzamento de dados, considerado mais robusto em casos envolvendo organizações criminosas, onde a prova testemunhal costuma ser limitada. Os três policiais foram denunciados pelo crime de corrupção passiva. Na denúncia, o Ministério Público também pede à Justiça a suspensão do exercício da função pública dos agentes no policiamento ostensivo, permitindo apenas atuação em funções administrativas, como forma de evitar a repetição de condutas semelhantes durante o andamento do processo. O caso remonta ao período em que a milícia ainda exercia forte controle territorial sobre a Muzema e regiões vizinhas, influenciando diretamente ações cotidianas — inclusive abordagens policiais. Agora, com a apresentação da denúncia, caberá à Justiça decidir se aceita a acusação e transforma o caso em ação penal.

Alvo de atiradores que mataram três pessoas em Nova Iguaçu, miliciano morto era um dos responsáveis por pagar propinas a PMs

A chacina de três mortos ocorrida durante a semana em Austin, em Nova Iguaçu, continua trazendo desdobramentos sobre o histórico da criminalidade no local. Segundo investigações do início desta década, o principal alvo dos atiradores, Vitor da Paixão Aragão, o Vitinho da Biqueira, tinha como uma da suas principais atribuições dentro da milícia que agia na região pagar propinas a PMs. A quadrilha realizava o pagamento de arrego aos agentes lotados no DPO de Austin’, regularmente, para que esses deixassem de repreender as ações delituosas do grupo, de acordo com a investigação. Em uma escuta telefônica feita à época, Vitinho informou a um policial que precisava “desenrolar uma meta” com ele e um colega de farda. Segundo as investigações, o pagamento da propina era subsidiado por quantias em dinheiro arrecadadas pela organização criminosa, proveniente de taxa recolhida junto aos mototaxistas da região, para que estes pudessem circular livremente pela localidade. A investigação revelou que naquela época chegou a haver um racha na quadrilha com o chefe do grupo, Marquinho Alemão, ordenando a morte de Vitinho ao saber que ele estaria ameaçando matá-lo. Vitinho chegou a se tornar um dos líderes da milícia com a prisão de Alemão. Vitinho dava ordens aos seus comandados, notadamente aqueles que realizavam o recolhimento de”taxa”de comerciantes e mototaxistas da localidade, bem como organizava e participava de empreitadas criminosas juntamente com outros milicianos. Ele também era considerado um dos matadores da milícia sendo acusado de dois homicídios cujos corpos das vitimas foram deixados no Arco Metropolitano, conforme nossa reportagem divulgou durante a semana. A investigação revelou que fazia parte também desta milícia um indivíduo conhecido como Nem Corolla, que foi assassinado em novembro do ano passado junto de outras duas pessoas em um bar em Nova Iguaçu, A chacina ocorrida essa semana em Austin deixou duas pessoas sem qualquer envolvimento com o crime mortas, entre elas o comerciante Rafael Babalu, dono do bar onde ocorreram os homicídios.

POLICIAL PENAL PRESO HOJE NOS EUA AVISAVA LÍDERES DO TRÁFICO SOBRE AÇÕES DA POLÍCIA. LEIA TRECHOS

O policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como “Bonitão”, preso nesta semana nos Estados Unidos, já havia sido condenado no Brasil por um esquema gravíssimo de vazamento de informações sigilosas diretamente para chefões do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Ele respondeu a processo iniciado em 2013 e acabou condenado em 2017 a 14 anos de reclusão em regime fechado, acusado de se aproveitar da própria função pública — e também de pessoas de seu círculo de relacionamento — para obter e repassar dados estratégicos sobre ações policiais e do sistema penitenciário a criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação no Complexo da Maré, Serrinha, Vila Aliança, Dendê e Rocinha — à época ainda dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA). As transcrições reunidas no processo são contundentes e mostram que esse verdadeiro “setor da quadrilha” recebia pagamentos semanais para coletar informações privilegiadas junto a órgãos de segurança e ao sistema prisional, repassando tudo aos traficantes. O esquema era ainda mais sofisticado: em acordo com criminosos, os envolvidos também ofereciam informações a outros policiais, como a localização de armas e drogas, numa estratégia para ganhar confiança e ampliar o acesso a dados sigilosos. A partir daí, alimentavam continuamente a facção com informações que fortaleciam suas operações ilegais. Para a Justiça, ficou evidenciado que os integrantes atuavam de forma associada, com o objetivo claro de violar sigilo profissional e vender informações estratégicas ao crime organizado, auxiliando diretamente os interesses das facções. Interceptações telefônicas escancararam o nível de envolvimento de Bonitão com os principais nomes do tráfico: No dia 27 de dezembro de 2013, Luciano informou ao traficante Menor P, então um dos chefões da Maré, sobre a existência de um informante policial atuando na comunidade, que estaria utilizando um dispositivo de filmagem. Em 24 de fevereiro de 2014, após ser alertado por um comparsa sobre uma operação policial no Morro do Dendê, Bonitão avisou Fernandinho Guarabu, líder do tráfico na região, sobre a presença de dois informantes da polícia que acompanhariam o efetivo na ação. Já no dia 7 de março de 2014, ele voltou a agir ao informar Menor P sobre uma operação do BOPE em comunidades da Nova Holanda, áreas sob controle do Comando Vermelho. Segundo a Polícia Federal, a prisão de Bonitão nos Estados Unidos ocorreu porque ele voltou a se envolver em um núcleo criminoso voltado à negociação de vantagens indevidas e venda de influência, desta vez para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas. A captura foi realizada por agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), a agência federal antidrogas do Departamento de Justiça dos EUA, após uma troca de informações com policiais federais do Rio de Janeiro. O caso expõe uma engrenagem profunda de corrupção e infiltração dentro do sistema de segurança, mostrando como um agente público condenado por ajudar facções no passado voltou a aparecer no centro de um esquema com ramificações internacionais.

7 PMs suspeitos de ligação com Índio do Lixão podem ser expulsos: relatório revela o que cada um fazia para ajudar o CV

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — que pode levar à expulsão — sete agentes apontados em investigação da Polícia Federal como cooptados pelo Comando Vermelho. O caso tem como figura central o traficante conhecido como “Índio do Lixão”, descrito na própria decisão como peça-chave da facção e responsável pelo tráfico internacional de armas e drogas. A investigação revelou a existência de um núcleo estável e coordenado de policiais militares que atuava diretamente na segurança particular e no braço logístico da liderança criminosa, utilizando a função pública para favorecer e prestar suporte a “Índio”. A decisão esclarece que a atuação desse grupo veio à tona após a deflagração da Operação Zargun, quando surgiram novos elementos demonstrando a participação dos militares na engrenagem criminosa investigada. Segundo a Polícia Federal, o grupo funcionava como uma verdadeira rede de apoio integral à organização criminosa, desviando a função pública para assegurar proteção física a traficantes, garantir o êxito de deslocamentos, realizar transporte de valores e viabilizar operações logísticas da facção. O documento chega a registrar que os policiais atuavam como uma espécie de “empresa de terceirização de riscos” para o Comando Vermelho, não apenas monitorando acessos, mas também realizando transporte de valores e oferecendo suporte armado. Em 11 de março, a Polícia Federal cumpriu medidas cautelares deferidas pelo Supremo Tribunal Federal, executando 07 mandados de prisão preventiva e 07 mandados de busca e apreensão contra os policiais militares investigados. A decisão judicial registra diálogos encontrados no aparelho celular do cabo PM Costa. Em 6 de junho de 2024, ele informa ao PM Ormond que “Índio” desejava a formação de duas equipes de segurança, sendo uma montada por “Costa” e outra pela equipe de “Libertador”, para atuação direta em seu favor. Consta ainda que, em 11 de julho de 2024, “Costa” encaminhou a “Ormond” um áudio de um indivíduo não identificado solicitando seguranças para um influenciador, a pedido de “Índio”. A autoridade policial ressalta que a relação entre o traficante, o então deputado estadual TH Joias e o influenciador já havia sido exposta no âmbito da Operação Zargun, inclusive após terem aparecido juntos em vídeos divulgados durante o chamado “baile da escolinha”, evento promovido pelo Comando Vermelho no Complexo do Alemão. A decisão também menciona que, em 19 de agosto de 2025, antes da deflagração da operação, “Costa” enviou mensagem a “Ormond” solicitando segurança para o “amigo Índio” na Freguesia, bairro para o qual a liderança criminosa havia se mudado após deixar o Complexo do Alemão, onde viria a ser preso. O PM Ormond também é suspeito de ter negociado, em tese, a venda ilegal de uma pistola Taurus e carregadores calibre .45 para “Índio”. Nas mensagens apreendidas, há referência expressa à negociação de carregadores de pistola Taurus 845, calibre .45, que, segundo a autoridade policial, teria sido concluída com sucesso, reforçando sua atuação não apenas na segurança, mas também no fornecimento de armamento à organização criminosa. O PM Cavalcante também aparece nos diálogos, ao enviar mensagem ao colega Costa buscando notícias de “Índio”. Durante a conversa, afirmou que o traficante teria “coração bom”, mas seria muito ingênuo, acrescentando que ele sequer parecia “band” — abreviação de “bandido”. Segundo a autoridade policial, isso demonstra que o agente tinha plena ciência do envolvimento de “Índio” com atividades criminosas, inserindo-o no núcleo de policiais que, em tese, atuavam conscientemente em sua proteção. O PM Nascimento teria sido recrutado por Costa para uma missão a mando de “Índio”. No dia seguinte, afirmou em mensagem que “tinha dado bom ontem”. Em 23 de julho de 2024, Nascimento enviou a Costa um print de conversa mantida diretamente com o traficante, na qual solicitava um empréstimo de R$ 1.500, elemento interpretado pela investigação como indicativo de vínculo de confiança e promiscuidade entre agente público e liderança criminosa. Já o PM Menezes foi informado por Costa, em 27 de março de 2025, sobre um serviço de segurança às 16h, no qual ele e “Tobias” estariam escalados para atuar em favor de “Índio”. O ponto de encontro seria o chamado “posto azul”, identificado como o posto Redmil, na Estrada Adhemar Bebiano, nº 3482, Engenho da Rainha. Segundo a decisão, o local fica em uma das entradas do Complexo do Alemão e já havia sido citado em informações de Polícia Judiciária como ponto de encontro utilizado em atividades ilícitas do grupo, inclusive em deslocamentos de “Índio” para fora da comunidade. Há ainda registros de diálogos entre Costa e Menezes nos dias 13 e 15 de abril, indicando que o policial continuava atuando na segurança do traficante nessas datas. O PM Carvalho também foi flagrado em conversas com Costa, com elementos que indicam sua atuação na segurança de “Índio” em diversas ocasiões ao longo de 2024 e 2025. Consta ainda que, em 2025, quando ainda integrava a equipe responsável pela segurança do traficante, Costa informou a Carvalho que havia acertado a segurança de “Índio” para todos os dias da semana, com diálogos datados de 20 de agosto de 2025, pouco antes da operação que resultou na prisão de ambos. Por fim, a decisão aponta que “Índio” depositava confiança especial no policial Pereira. Em 16 de abril de 2024, ao recrutar agentes para uma determinada empreitada, solicitou especificamente a presença do PM, o que, em tese, evidencia o grau de confiança e proximidade entre o traficante e o agente público.

Rota suspeita: PMs passaram por 29 comércios em 3 horas sem câmera e entraram na mira de processo de expulsão

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — que pode culminar na expulsão — dois policiais do 15º BPM (Duque de Caxias) por uma conduta considerada altamente suspeita durante o serviço. O caso chama atenção por um dado incomum: no dia 7 de maio de 2025, a dupla passou por 29 estabelecimentos comerciais em poucas horas sem utilizar as câmeras corporais. Entre os locais visitados estão postos de gasolina, lojas de materiais de construção, empresas de produtos alimentícios, empresas de reciclagem, borracharias, depósitos de gás e até uma empresa de bombeamento de concreto. O próprio documento aponta que não ficou claro se houve extorsão. De acordo com a apuração interna, no período entre 8h e 11h, os policiais não realizaram nenhuma abordagem e tampouco efetuaram patrulhamento ostensivo preventivo, o que chamou atenção pela incompatibilidade com a atividade policial. O relatório destaca ainda a incompatibilidade da velocidade da viatura com um deslocamento típico de patrulhamento entre os diversos estabelecimentos visitados. O documento publicado no Boletim Interno da PMERJ também revela conversas consideradas suspeitas. Em uma empresa de reciclagem, um funcionário diz aos agentes: “Vou pegar o negócio de vocês”, recebendo como resposta: “Valeu, meu chefe, fica com Deus, abraço aí”. Em outra parada, também em uma empresa de reciclagem, os policiais chamam: “Ô Caio, bora Caio”. Já em uma loja de materiais de construção, foi registrada uma situação atípica: um caminhão estava parado na contramão de uma via de mão dupla e não houve qualquer advertência por parte dos PMs. Os policiais investigados alegaram que a denúncia seria fruto de um “Disque Vingança”. Segundo eles, ambos trabalham há mais de cinco anos no Setor Golf do 15º BPM e afirmam que sua atuação no patrulhamento causa “mal-estar a malfeitores e seus associados”, destacando ainda que a área de atuação inclui diversos comércios. As alegações, no entanto, não prosperaram. De acordo com o relatório, as imagens demonstram que a viatura, desde o início do serviço, foi utilizada para fins alheios à finalidade pública, contrariando as atribuições da corporação, que incluem evitar, impedir ou eliminar práticas que perturbem a ordem pública e preservar o interesse geral da segurança nas comunidades.

“EU PAGO TODO MUNDO”: CHEFÃO DO TCP FOI FLAGRADO EM ESCUTA DIZENDO CONTROLAR POLICIAIS EM CAXIAS

Uma interceptação telefônica obtida no âmbito de uma investigação policial revelou o nível de poder e ousadia atribuído ao traficante conhecido como Flamengo, apontado como um dos chefes do Terceiro Comando Puro (TCP) em Duque de Caxias. Na gravação, ele afirma, em tom explícito, que pagaria propina a policiais militares que atuam na região. “Eu tenho a porra do batalhão todo na minha mão. Os polícia da área eu conheço tudo, eu pago todo mundo. Tu acha que essa porra tem tráfico de drogas porque? Eu pago é todo mundo, porra”. A escuta foi realizada anos atrás, durante uma investigação sobre a atuação do TCP em condomínios residenciais da região, e é tratada pelas autoridades como um indício do possível nível de infiltração criminosa e controle territorial sustentado por corrupção e intimidação. Na mesma interceptação, Flamengo aparece fazendo ameaças diretas a um síndico de condomínio, exigindo o repasse de dinheiro ao grupo criminoso. “Ou tu dá a porra do nosso dinheiro nessa porra ou tu vai morrer fdp”. Segundo as investigações, os condomínios Volterra, Rotonda, Parma, Pádua e Bolzano eram anteriormente dominados por um miliciano conhecido como Baby. Esse cenário mudou no final de 2022, após uma operação que prendeu diversos integrantes da milícia. Com o enfraquecimento do grupo, traficantes ligados ao TCP, oriundos da comunidade do Barro 3 e sob liderança de Flamengo, teriam avançado sobre a região e assumido o controle. De acordo com a apuração, o grupo passou a atuar como uma espécie de “empresa do crime”. Além do tráfico de drogas, passou a controlar serviços dentro dos condomínios, como venda de gás, distribuição de água, fornecimento de internet, TV a cabo, iluminação e até a cobrança de taxas de condomínio. Parte desses valores, segundo a investigação, seria destinada à organização criminosa. Para manter o domínio, os criminosos teriam adotado práticas violentas e sistemáticas. Entre elas, roubos de carga, extorsões, tortura de moradores, expulsão de residentes e assassinatos de pessoas que contrariavam seus interesses. Ainda segundo os elementos reunidos, Flamengo teria consolidado seu poder expulsando síndicos, retirando moradores e eliminando desafetos. Pessoas de sua confiança teriam sido colocadas na administração dos condomínios, ampliando o controle financeiro da organização. O grupo também teria expandido sua atuação para os morros do Sossego e do Cacareco, reforçando o domínio territorial. A disputa pelo controle da região provocou confrontos entre traficantes e milicianos. Em setembro de 2023, episódios de violência resultaram na queima de ônibus e veículos, afetando diretamente a população local. Relatos de moradores que afirmaram ter sido vítimas de tortura foram levados às autoridades policiais, que já conduziam outras investigações sobre a organização criminosa. Após um trabalho considerado minucioso, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, com o objetivo de responsabilizar os envolvidos. Embora as acusações ainda dependam de julgamento, o material reunido descreve um cenário em que, segundo a investigação, o crime organizado não apenas atua na região, mas exerce controle direto sobre a rotina e a vida cotidiana dos moradores.

DADOS EM CELULAR DE ASSESSOR REVELAM SUSPEITA DE PAGAMENTOS DO CRIME A DEPUTADOS DO RJ, DIZ CPI

O relatório final da CPI do Crime Organizado do Senado Federal, tornado público nesta semana, joga luz sobre um cenário que, se confirmado, expõe uma das mais graves suspeitas de infiltração criminosa já associadas ao poder legislativo do Rio de Janeiro. De acordo com o documento, há registros que sugerem que 47 dos 70 deputados estaduais da Alerj poderiam, em tese, estar vinculados ao recebimento de pagamentos mensais de organizações criminosas. A informação teria origem na análise de celulares apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Unha e Carne. Os aparelhos foram recolhidos na residência de Rui Bulhões, então chefe de gabinete de Rodrigo Bacellar. O ex-presidente da Alerj acabou posteriormente preso e cassado, acusado de vazamento de informações sigilosas que teriam comprometido uma operação policial — a mesma que levou à prisão do ex-deputado conhecido como “TH Joias”, investigado por suposta ligação com o Comando Vermelho. O próprio relatório ressalta que os dados ainda dependem de apuração e confirmação pelas autoridades competentes, não podendo ser tratados como prova conclusiva. Ainda assim, o teor das informações é descrito como um indicativo relevante do possível nível de influência do crime organizado dentro da estrutura política do estado. A gravidade do quadro é reforçada por declaração do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que, em sessão plenária, afirmou que cerca de 30 deputados estaduais estariam, em tese, associados ao recebimento de valores ligados ao jogo do bicho. INFILTRAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE PODER Mais do que casos isolados, a CPI aponta para um modelo estruturado de atuação. Segundo o relatório, o crime organizado não atua apenas à margem do Estado — ele busca influenciar decisões, garantir proteção institucional e manter acesso direto aos centros de poder. Essa estratégia, segundo a investigação, ocorreria por múltiplas vias: A conclusão é clara: não se trata apenas de presença criminosa, mas de uma tentativa de inserção contínua dentro da máquina pública. O PAPEL DA OMISSÃO E A ENGRENAGEM DO CRIME O relatório também traz o depoimento da jornalista investigativa Cecília Olliveira, fundadora do Instituto Fogo Cruzado, que aponta um fator central para a manutenção desse cenário: a colaboração — direta ou indireta — de agentes públicos. Segundo ela, esse tipo de relação funciona como um verdadeiro “adubo do crime”, permitindo que organizações criminosas se fortaleçam e se perpetuem. A análise não se limita a casos explícitos de corrupção. Inclui também situações de omissão, em que autoridades deixam de agir diante de irregularidades, contribuindo, ainda que indiretamente, para a continuidade dessas estruturas. PRESSÃO AUMENTA, MAS RESPOSTAS AINDA NÃO VIERAM Embora o relatório não apresente responsabilizações individuais definitivas, o conteúdo amplia a pressão sobre órgãos de investigação e controle. O documento expõe um cenário em que, ao menos em tese, o crime organizado não apenas enfrenta o Estado — mas busca operar de dentro dele. E, diante da dimensão dos indícios apresentados, a pergunta que começa a circular nos bastidores é inevitável:até onde essa influência pode ter chegado — e quem será efetivamente responsabilizado?

PM parte para expulsão de agentes suspeitos de atuar na segurança do bicheiro Rogério Andrade

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — instância que pode resultar na expulsão da corporação — o subtenente inativo Machado e o sargento reformado Carneiro, apontados em investigação por suposto envolvimento com a estrutura de segurança do bicheiro Rogério Andrade. A medida ocorre no contexto de uma apuração que resultou na denúncia de diversos policiais militares da ativa, ex-policiais e outros agentes ligados ao esquema de proteção do contraventor. Segundo os elementos reunidos no inquérito, a segurança pessoal de Rogério Andrade operava com estrutura estável, organizada e hierarquizada. O grupo seria integrado por diversos agentes subordinados ao ex-subtenente Pinheiro, apontado como responsável direto pela segurança pessoal, e ao sargento reformado Araújo, indicado como chefe-geral do esquema. Durante as investigações, foi apreendida uma planilha que detalha a dimensão da estrutura: ao todo, 36 integrantes compunham o núcleo de segurança, com custo mensal estimado em R$ 207.600,00. Os vencimentos pagos aos policiais variavam entre R$ 5.600,00 e R$ 7.600,00, o que, de acordo com a apuração, evidencia a continuidade e a estabilidade da atuação do grupo armado. Outro ponto relevante destacado nos autos foi o afastamento do sigilo de dados telemáticos do aparelho celular apreendido com o ex-cabo Nelsinho. A análise revelou intensa atividade no grupo de WhatsApp denominado “Vampiros”, formado por integrantes da segurança do turno da noite. O grupo contava com 14 participantes e registrou 14.456 mensagens trocadas entre 30 de outubro de 2019 e 10 de maio de 2022. As conversas tratavam de escalas, pagamentos, orientações operacionais e informes internos relacionados à prestação de serviços ao bicheiro e a seus familiares. No caso do subtenente Machado, as investigações indicam que ele não apenas integrava o núcleo de segurança da organização criminosa, como também ocupava posição de destaque, sendo apontado como um dos líderes da equipe e integrante da cúpula do aparato de proteção. Em relação ao sargento reformado Carneiro, a denúncia aponta que ele mantinha vínculo direto com o ex-cabo Nelsinho, figurando nominalmente em listas de seguranças pessoais da organização e em diversas escalas de serviço compartilhadas no grupo “Vampiros” entre os dias 5 de fevereiro de 2020 e 5 de maio de 2022. Ainda segundo a acusação, foi imputado a Carneiro o crime de corrupção ativa, por supostamente atuar, em diversas ocasiões, em conjunto com o bicheiro na oferta e promessa de vantagens indevidas a policiais militares. O objetivo, de acordo com a denúncia, seria obter informações sigilosas, retardar ou omitir atos funcionais e favorecer os interesses da organização criminosa diante de grupos rivais. O Ministério Público ressalta que os acusados detinham elevado grau de confiança dentro da estrutura, integrando os níveis mais altos do esquema de segurança montado para assegurar o pleno funcionamento das atividades ilícitas atribuídas à quadrilha. A instauração do Conselho de Disciplina não representa, por si só, condenação, mas pode culminar na exclusão definitiva dos envolvidos dos quadros da Polícia Militar, caso as acusações sejam confirmadas ao longo do processo administrativo.

Conversas levantam suspeitas de que traficantes do TCP tentaram cooptar PMs em guerra em Niterói

Prints de conversas que circulam nas redes sociais expõem bastidores da guerra entre o Terceiro Comando Puro e o Comando Vermelho em Niterói e levantam suspeitas graves: traficantes teriam oferecido dinheiro a supostos policiais militares para atuar diretamente nos confrontos. Nos diálogos, atribuídos a integrantes do TCP, os criminosos falam abertamente sobre pagamentos para execução de rivais, chamados de “alemão” no vocabulário do tráfico. “Fala assim, mn, vai te dar 20 mil reais para você ajudar a matar esses caras aí”, diz um traficante a um suposto PM. “Dá um dinheiro a mais para ele. Ajuda a gente a matar os ‘cães’. Cara, vou dar um dinheiro maior, mas quero ver resultado.” “Dá cinco por semana para ele, mas tem que matar — 20 mil por mês.” As mensagens indicam não apenas a tentativa de cooptação de agentes públicos, mas também a existência de metas e recompensas por execuções, em meio à disputa territorial que vem se intensificando na cidade. De acordo com as conversas, o objetivo dos criminosos seria transformar o Fonseca, tradicional área de conflito, novamente em um reduto do TCP. Em outro trecho, um dos envolvidos afirma que pagaria R$ 10 mil como “mérito” para quem matar rivais e apreender armas. Outro integrante diz que o grupo adversário estaria adotando a mesma prática, indicando uma escalada ainda mais violenta no confronto. Os diálogos também mencionam o uso da “caixinha” da facção — espécie de fundo coletivo do crime — para financiar as ações. “Irmão, caixinha mandou, meta foi dada. O valor que eles iam dar para o Fonseca. Foi prestado tudo que foi gasto com a caixinha.” Embora não haja confirmação oficial sobre a autenticidade das conversas ou a identidade dos envolvidos, o conteúdo expõe um padrão já conhecido em disputas entre facções: a profissionalização da violência, com pagamento por metas e tentativa de infiltração ou cooptação de agentes do Estado. Relatos recentes apontam que a disputa entre as duas facções vem provocando mudanças no controle territorial em áreas de Niterói, com episódios de expulsão de criminosos rivais e avanço armado sobre comunidades estratégicas. Há relatos de que o Comando Vermelho teria expulsado o TCP do Complexo do Fonseca. A guerra na cidade se acirrou em novembro. Há trechos de conversas em que traficantes falam que iriam abandonar a guerra com receio de morrerem e da perda de fuzis. Um deles chegou a dizer que a facção perdeu oito fuzis.

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