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“Band of Brothers”: PMs acusados de integrar esquema de segurança armada de VIPs da contravenção podem ser expulsos

Dois policiais militares apontados como integrantes de grupos ligados ao falecido capitão Adriano da Nóbrega e ao contraventor Bernardo Bello estão sendo submetidos a Conselho de Disciplina da Polícia Militar e podem ser expulsos da corporação. Segundo a denúncia, entre 2019 e 2021, os dois PMs teriam integrado, ao lado de outros envolvidos, uma organização criminosa armada voltada à exploração de jogos de azar e à agiotagem. Entre os crimes atribuídos ao grupo estão homicídios, porte e posse ilegal de armas de fogo, extorsões, exploração irregular do mercado imobiliário e lavagem de dinheiro. A investigação aponta que, após a morte de Adriano da Nóbrega, integrantes de seu grupo criminoso teriam assumido funções relacionadas à continuidade das atividades ilícitas. Entre os envolvidos estariam a viúva do ex-capitão e o ex-policial militar conhecido como “Pai Bara”, apontados como possíveis sucessores na condução de parte das atividades do grupo. Segurança armada e ligação com Adriano Um dos investigados, conhecido como “Grande”, é apontado como um dos principais colaboradores de Adriano da Nóbrega. Segundo a denúncia, ele atuava na segurança pessoal do ex-capitão e também participava da coordenação e administração dos pagamentos destinados aos demais seguranças armados ligados ao grupo. Grande também teria desempenhado um papel importante na intermediação da comunicação entre Adriano, outros integrantes da organização criminosa e familiares do ex-capitão durante o período em que ele permaneceu foragido. Já o ex-PM conhecido como “Pai Bara” teria atuado como segurança pessoal de Adriano e na proteção de pontos de jogo do bicho, principalmente na Zona Sul do Rio. Após a morte do capitão, ele teria passado a integrar um grupo de seguranças armados que atuava na proteção de Shanna G. e de seu marido, conhecido como “R7”. Grupo de segurança armada para clientes VIP A investigação identificou, após a quebra do sigilo de dados telemáticos de Grande, sua participação em um grupo de WhatsApp chamado “Band of Brothers”, criado em agosto de 2020. Segundo a denúncia, o grupo reunia seguranças armados que prestavam serviços de escolta a clientes considerados “VIPs”, inclusive com a utilização de armas de grosso calibre. Entre os supostos beneficiários do serviço estariam Shanna G., apontada como pessoa ligada à contravenção, e seu marido, R7. A identificação dos dois policiais investigados teria ocorrido a partir da análise das mensagens trocadas no grupo e de conversas mantidas entre Grande e um dos PMs. Conversas sobre compra de fuzil As investigações também identificaram conversas entre Grande e o outro policial militar relacionadas à aquisição de armamentos. Segundo a denúncia, esse PM também integrava o grupo de seguranças armados que realizava escoltas para clientes considerados VIPs, trabalhando em regime de escala. Em novembro de 2020, o policial teria enviado a Grande uma fotografia de um contrato de aquisição de um fuzil Parafal calibre 7,62 mm, formalizado em seu nome, além dos dados bancários da empresa responsável pela venda. Em uma mensagem de áudio, o PM teria informado que estava encaminhando a documentação e as informações necessárias para o pagamento porque um dos clientes VIP havia manifestado interesse na compra da arma. Grande teria respondido agradecendo o envio do material e orientando que a documentação fosse apresentada rapidamente ao interessado, que já teria determinado a realização da compra. Escala de segurança para a contravenção A investigação também apontou que Grande fazia parte de outro grupo de WhatsApp, chamado “Escala da Vitória”, criado em fevereiro de 2021. O grupo reunia seguranças armados ligados à contravenção e tinha como objetivo organizar as escalas de serviço. Embora a maior parte das mensagens tenha sido apagada, algumas conversas foram recuperadas pelos investigadores. O grupo foi encerrado em março de 2021, após a decisão do chamado “01” de manter apenas o grupo de seguranças que já possuía. Segundo a investigação, o grupo “Escala da Vitória” funcionaria como um reforço à segurança de Shanna e R7, que já contariam com a proteção dos integrantes do “Band of Brothers”. Agora, os dois policiais militares são submetidos ao Conselho de Disciplina da corporação. O procedimento avaliará se as condutas atribuídas aos agentes são incompatíveis com a condição de policiais militares e se eles ainda reúnem condições éticas e morais para permanecer na corporação. Caso sejam considerados culpados na esfera administrativa, os dois poderão ser expulsos da Polícia Militar.

PM é acusado de usar arma e distintivo para extorquir vítimas e tomar carro como “garantia” de pagamento

Um policial militar está sendo submetido a Conselho de Disciplina, procedimento que pode resultar em sua expulsão da corporação. O agente é acusado de participação em uma extorsão ocorrida em fevereiro de 2025, em Volta Redonda, no Sul Fluminense. De acordo com a denúncia, o caso ocorreu na manhã de 15 de fevereiro, no bairro Brasilândia. A vítima, identificada como Leonardo B.F.S., teria ido ao local combinado para entregar uma pomada anestésica utilizada em tatuagens, conhecida como Xilocaína. Ao chegar ao endereço, Leonardo teria sido surpreendido por um grupo de homens. Entre eles estaria o policial militar, que teria se aproximado portando uma arma de fogo e utilizando um distintivo, participando da abordagem intimidatória. Segundo a decisão judicial, Leonardo já conhecia o policial de antes, pois os dois frequentavam a mesma academia. Por esse motivo, a Justiça considerou segura a identificação feita pela vítima. Após a abordagem, os envolvidos teriam questionado Leonardo sobre a origem da Xilocaína e sobre o paradeiro de Iago H.V. Utilizando o próprio celular da vítima, eles teriam entrado em contato com Iago e o atraído para outro ponto da cidade. Quando Iago chegou, os dois homens teriam sido ameaçados, agredidos e pressionados a pagar uma elevada quantia em dinheiro. Segundo a acusação, as vítimas eram ameaçadas de prisão caso não entregassem o valor exigido. Como os dois não tinham o dinheiro, os envolvidos teriam tomado o veículo Kia Sportage pertencente a Leonardo e o mantido como garantia da vantagem econômica exigida. A conduta foi considerada pela Justiça como parte da dinâmica de uma extorsão qualificada. Justiça rejeitou alegações da defesa Durante o processo, Iago afirmou em juízo que não reconhecia o policial acusado. A Justiça, no entanto, entendeu que essa circunstância não afastava a autoria, diante do relato considerado firme de Leonardo e de outros elementos reunidos no processo. Entre as provas analisadas estavam os reconhecimentos realizados na fase policial e declarações prestadas por outros envolvidos durante a investigação, posteriormente confrontadas com as provas produzidas em juízo. A defesa sustentou fragilidade das provas, ausência de elementos que vinculassem o policial aos crimes e contradições nos depoimentos das vítimas. As alegações, porém, foram rejeitadas. Segundo o entendimento judicial, as divergências apontadas seriam periféricas e não comprometeriam o núcleo principal da acusação, especialmente em relação à abordagem, ao uso de arma de fogo e distintivo, à exigência de dinheiro e à tomada do veículo. Conselho vai avaliar permanência do PM na corporação O processo disciplinar instaurado pela Polícia Militar não terá como objetivo reavaliar a existência do crime, questão que cabe ao Poder Judiciário. O Conselho de Disciplina analisará os aspectos éticos e administrativos da conduta atribuída ao policial. A corporação deverá avaliar se, diante dos atos atribuídos ao militar, ele ainda reúne condições éticas e morais para permanecer em seus quadros. Segundo a acusação disciplinar, a conduta investigada seria incompatível com os deveres e valores esperados de um policial militar e representaria uma violação ao compromisso de servir e proteger a sociedade. Ao final do procedimento, o PM poderá ser absolvido na esfera administrativa ou sofrer sanções, incluindo a possibilidade de exclusão da corporação, conforme a conclusão do processo.

FALSA OPERAÇÃO, AMEAÇAS E DINHEIRO: PMs são acusados de extorquir comerciantes em série e podem ser expulsos após quase sete anos

Quase anos após os fatos, a Polícia Militar decidiu submeter ao Conselho de Disciplina dois policiais militares acusados de envolvimento em uma série de extorsões contra comerciantes. O procedimento pode resultar na expulsão dos agentes da corporação. De acordo com a acusação, os policiais teriam se passado por integrantes da Polícia Civil para ameaçar comerciantes e exigir dinheiro em troca da não realização de supostas operações, buscas e apreensões. Um dos principais episódios ocorreu em 14 de novembro de 2019, em Magalhães Bastos, na Zona Oeste do Rio. Segundo a denúncia, o sargento Campos, identificado como 2º SGT, compareceu ao estabelecimento de uma comerciante e afirmou ser policial civil da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM). O policial teria dito à vítima que havia denúncias contra o comércio e que “não teria como segurar” a situação. Em seguida, teria exigido R$ 10 mil para evitar problemas. A comerciante afirmou que não tinha o valor e que poderia pagar apenas R$ 700. A quantia teria sido entregue ao sargento, que também teria obtido da vítima a promessa de receber R$ 1 mil por semana. A investigação aponta que, cerca de um mês antes, a comerciante havia sido abordada por um homem que relatou a existência de um grupo de policiais que estaria extorquindo comerciantes na região. Na ocasião, ele teria sugerido que ela procurasse o sargento Campos para tratar de possíveis “buscas e apreensões ilegais”. A vítima chegou a entrar em contato com o policial, que marcou um encontro para conversar, mas a reunião não aconteceu. No dia 14 de novembro, após ser informada de que policiais estariam realizando uma suposta operação em seu comércio, a comerciante voltou a entrar em contato com Campos. Segundo a acusação, o policial determinou que ela fosse até o estabelecimento, onde teria ocorrido a exigência de dinheiro. Comerciante teria sido ameaçado com arma em Madureira Ainda no mesmo dia, por volta das 20h, o sargento Campos e o policial militar Gutemberg teriam abordado outra vítima, identificada pelas iniciais J.N.S.G., na passarela da Estação de Trem de Madureira. Segundo a denúncia, a vítima teria sido ameaçada com uma arma de fogo e obrigada a entregar dinheiro para evitar a apreensão de suas mercadorias. Inicialmente, Campos teria exigido R$ 30 mil, afirmando que a mercadoria seria apreendida e levada pela DRCPIM. Posteriormente, um terceiro homem, ainda não identificado e que teria sido apresentado como “Tenente” da SSI/PMERJ, teria participado da negociação e exigido R$ 20 mil. Diante da recusa da vítima, o valor teria sido reduzido para R$ 15 mil. Como não conseguiu reunir toda a quantia, a vítima teria entregado R$ 12 mil ao sargento Campos, em um encontro marcado na própria passarela da estação. Nova cobrança em Nova Iguaçu Quatro dias depois, em 18 de novembro de 2019, por volta das 16h, o sargento Campos teria feito uma nova cobrança. Segundo a acusação, ele esteve em um comércio informal de roupas localizado na Avenida Governador Roberto Silveira, em Nova Iguaçu, onde teria exigido R$ 10 mil de um comerciante identificado pelas iniciais G.A.C.A. O policial teria terminado recebendo R$ 4 mil. Os dois policiais agora serão submetidos ao Conselho de Disciplina da Polícia Militar. O procedimento administrativo poderá resultar na expulsão dos agentes da corporação, caso as acusações sejam confirmadas.

Abordagem, câmeras desligadas e dinheiro: cinco PMs podem ser expulsos após denúncia de extorsão contra argentinos

Quase dois anos após a ocorrência, a Polícia Militar decidiu submeter a Conselho de Disciplina cinco policiais suspeitos de envolvimento na extorsão de turistas argentinos. O procedimento pode resultar na expulsão dos agentes da corporação. De acordo com a denúncia, o caso ocorreu em 3 de setembro de 2024, quando uma mãe e seu filho, ambos argentinos, foram abordados por quatro policiais militares que utilizavam uma viatura do tipo caminhonete. Os turistas informaram aos agentes que utilizavam o Google Street View para tentar localizar a empresa Foco Locadora de Veículos, onde devolveriam o automóvel alugado antes de embarcar em um voo com destino à Argentina, no Aeroporto Internacional do Galeão. Segundo a investigação, entretanto, a liberação dos estrangeiros teria sido condicionada à entrega de dinheiro e outros bens. Durante buscas realizadas nas malas e bolsas da mulher, identificada pelas iniciais M.S.T., os policiais teriam encontrado R$ 1.300, US$ 1 mil e um celular Samsung A05. Também teria sido localizado R$ 1 mil pertencente ao filho, identificado pelas iniciais I.N.D. Ainda segundo a denúncia, os policiais exigiram que os valores e objetos fossem entregues dentro do Nissan Kicks alugado pelas vítimas. Um dos agentes, descrito como branco, teria empurrado M.S.T. para dentro do veículo e se apoderado dos bens. Câmeras corporais teriam sido retiradas durante abordagens As informações reunidas durante a investigação, registrada no Registro Policial Militar nº 238/119/2024, teriam permitido identificar a conduta atribuída a cada um dos policiais. Um relatório de análise das imagens das câmeras corporais apontou que os relatos feitos pelas vítimas na delegacia eram compatíveis com os áudios e imagens captados pelos equipamentos dos agentes. A análise também teria indicado a existência de outras possíveis vítimas da mesma guarnição. De acordo com a investigação, os policiais teriam deliberadamente retirado ou obstruído as câmeras corporais durante as abordagens, impedindo o registro integral do que acontecia no entorno. Apesar disso, áudios e imagens parciais teriam revelado uma divisão de tarefas entre os agentes. Segundo o documento, os policiais teriam concordado em desacoplar as câmeras operacionais e colocá-las dentro da viatura, com o objetivo de impedir a captação das abordagens. A investigação também aponta que um dos policiais não teria sequer acautelado a câmera operacional portátil para o serviço. Para os investigadores, isso pode indicar que ele seria o responsável pela abordagem coercitiva dos usuários da via. Agora, os cinco policiais serão submetidos ao Conselho de Disciplina da Polícia Militar. O procedimento poderá resultar na perda da função pública e na expulsão dos agentes da corporação, caso as acusações sejam confirmadas no âmbito administrativo.

Alvo de operação que descobriu elo de facções brasileiras com a Al Qaeda já havia sido investigado desde 2018 por suspeitas de terrorismo e comércio irregular no Mercado Livre

Um dos alvos da Operação Hawala, deflagrada nesta quarta-feira (15) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), já havia sido investigado pela Polícia Federal desde 2018 por suspeitas que chegaram a envolver possível financiamento ao terrorismo e negociações irregulares de mercadorias pela internet. Trata-se do empresário Reda Zayoun, integrante de um núcleo de empresários de origem libanesa denunciado por participação em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 100 milhões em benefício de facções criminosas. Ele foi preso no Paraná. Documentos da Justiça Federal mostram que, em janeiro de 2018, a Polícia Federal representou pela expedição de mandados de busca e apreensão contra Reda Zayoun, E outros dois estrangeiros após receber denúncias de movimentações consideradas suspeitas em um apartamento localizado na Rua do Riachuelo, na Lapa, região central do Rio. Segundo a investigação da época, moradores do condomínio relataram que os estrangeiros utilizavam diariamente um maçarico e uma bacia metálica dentro do imóvel. Ao comparecerem ao local acompanhados pelo chefe de segurança do condomínio, agentes da Polícia Federal tentaram contato com os moradores, mas ninguém abriu a porta, embora houvesse indícios de que havia pessoas no interior do apartamento. Durante as diligências, os policiais também constataram que Reda Zayoun e Yasser Zayoun (outro alvo da operação de hoje) e um comparsa estavam em situação migratória irregular no Brasil. Suspeitas chegaram a envolver terrorismo Na representação encaminhada à Justiça Federal, a Polícia Federal sustentou que os elementos reunidos até aquele momento poderiam indicar, em tese, a prática de crimes contra a ordem econômica e até possíveis infrações previstas na Lei Antiterrorismo (Lei nº 13.260/2016). O Ministério Público Federal manifestou-se favoravelmente à busca e apreensão, entendendo que a denúncia anônima, a utilização constante de maçarico, a situação migratória irregular de parte dos investigados e a recusa em permitir a entrada dos agentes formavam um conjunto mínimo de indícios suficiente para justificar a medida cautelar. A Justiça Federal autorizou a operação em 31 de janeiro de 2018, determinando buscas para apreensão de eventuais peças de ouro comercializadas ilegalmente, armas, munições, maçaricos e outros objetos que pudessem comprovar os crimes investigados. Dinheiro apreendido teria origem em vendas pelo Mercado Livre Durante o cumprimento do mandado, em fevereiro de 2018, os policiais federais não encontraram armas, ouro ou qualquer material que confirmasse as suspeitas iniciais. Entretanto, apreenderam R$ 186 mil em espécie. Posteriormente, Reda Zayoun ingressou na Justiça alegando que o dinheiro era proveniente da venda de peças de reposição para celulares comercializadas pela plataforma Mercado Livre, atividade desenvolvida em sociedade com um homem chamado Yago. Segundo sua versão, Yago era responsável pela movimentação financeira do negócio, enquanto Reda realizava a compra das mercadorias em lojas físicas de São Paulo, efetuando pagamentos à vista e em dinheiro. Para comprovar a origem dos recursos, foram apresentados extratos bancários e comprovantes de saques realizados na plataforma Mercado Pago. Operação Hawala Sete anos depois, o nome de Reda Zayoun voltou ao centro das investigações. Nesta quarta-feira, a Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) deflagraram a Operação Hawala, que busca desmontar uma das maiores estruturas de lavagem de dinheiro já identificadas no Estado do Rio de Janeiro. A investigação começou a partir de apurações sobre a atuação do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de São Carlos, na região central do Rio. Ao longo das diligências, os investigadores descobriram que a organização financeira responsável por ocultar recursos do TCP também prestava serviços para outras facções criminosas, incluindo o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Polícia Civil, entre 2021 e 2024, o grupo movimentou mais de R$ 100 milhões utilizando dezenas de empresas de fachada espalhadas pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Essas empresas eram usadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados. As investigações revelaram uma sofisticada engenharia financeira baseada em depósitos fracionados, utilização de “laranjas”, sucessivas transferências entre empresas ligadas ao grupo, ocultação patrimonial e movimentações incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelos investigados. O trabalho contou com apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Polícia Civil. Os investigadores também identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa, integrado por Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun, apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais teriam sido utilizadas para movimentar valores entre operadores financeiros, empresas de fachada e integrantes das organizações criminosas. Outro ponto que chamou a atenção da investigação foi a identificação de movimentações relacionadas à Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), região historicamente monitorada por autoridades nacionais e internacionais devido à atuação de redes de lavagem de dinheiro e financiamento de organizações terroristas. Além disso, a Polícia Civil afirma ter identificado uma relação comercial entre empresa ligada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, apontado como integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Segundo os investigadores, essa possível conexão internacional ainda será aprofundada com a análise do material apreendido durante a operação. Ao todo, a Operação Hawala cumpre 10 mandados de prisão, 37 mandados de busca e apreensão e diversas medidas de bloqueio de contas bancárias, indisponibilidade de bens e participações societárias nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Até o momento, oito investigados já foram presos, enquanto as diligências prosseguem para identificar outros integrantes da organização e rastrear novos ativos financeiros ligados ao esquema. 22 denunciados O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou à Justiça 22 pessoas acusadas de integrar uma ampla rede de lavagem de dinheiro que opera para variadas facções criminosas do Brasil. Nesta quarta-feira (15/07), a Polícia Civil, pela Delegacia de Defesa dos

Peixão (TCP) estaria planejando atacar base de Beira Mar (CV) no RJ, diz repórter

O repórter Bruno Assunção publicou em suas redes sociais que obteve informações que o traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”, apontado como uma das principais lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP), estaria planejando uma ofensiva para tentar invadir a Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que é a principal base de Fernandinho Beira Mar no RJ. A comunidade Beira-Mar é considerada uma área estratégica pela localização. O território fica próximo a importantes vias de ligação da região metropolitana, à Baía de Guanabara e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio. A região também é conhecida historicamente por ter sido um dos principais redutos do Comando Vermelho (CV). O nome da comunidade ganhou projeção nacional nas décadas de 1990 e 2000 por causa de Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar, uma das lideranças mais conhecidas do Comando Vermelho. Ele construiu sua trajetória no tráfico de drogas com forte atuação na região da Baixada Fluminense antes de ser preso em 2001. Segundo as informações obtidas, Peixão retornou ao Rio de Janeiro há cerca de um mês e, no último fim de semana, realizou uma festa em Vigário Geral para marcar os 19 anos de domínio do TCP na região. O evento foi marcado como uma demonstração de força da facção, que tenta ampliar sua área de influência. Além da possível investida contra a Beira-Mar, a liderança do TCP também estaria buscando avançar sobre outras áreas próximas ao Complexo de Israel, como as comunidades do Dourado e Tinta, em Cordovil, regiões próximas ao Quitungo e ao Complexo da Penha. Essas comunidades há dias têm sido palco de tiroteios e registrou uma chacina de sete mortos no último fim de semana. Peixão também está em guerra com traficantes do CV no Jardim América.

ADA fez uma série de ataques ao TCP em Campos e deixou rastro de sangue. VIDEO

Integrantes dos Amigos dos Amigos (ADA) realizaram quatro ataques contra o TCP em Campos dos Goytacazes, em represália à morte de um gerente da facção no mês passado. O primeiro ataque ocorreu no Morro do Coco, onde os criminosos executaram dois irmãos dentro de uma residência. O segundo foi em Santa Clara, onde um homem foi morto e outros dois ficaram feridos. O terceiro aconteceu no Eldorado, mas os traficantes do TCP já estavam preparados e conseguiram repelir a investida dos rivais. O quarto ataque ocorreu no Codin, onde os criminosos executaram um homem.

Veja quem é o traficante responsável pela política expansionista da quadrilha de Peixão (TCP)

Jorge Diego Cardozo Martins, de 39 anos, conhecido no meio criminoso como Jamelão, é apontado como o braço direito de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, sendo considerado um dos principais nomes da organização criminosa em atuação nas ruas. Jamelão é apontado como o principal financiador das sucessivas ofensivas da facção nas regiões do Tinta, Dourados, Quitungo e Guaporé, em Brás de Pina. Atualmente, Jamelão dividiria a posição de número dois na hierarquia do Complexo de Israel com Aldo Malaquias Santa Rosa, conhecido como Sardinha da Cidade Alta, irmão de Peixão. Além da atuação no tráfico de drogas, ele também é apontado como um dos chefes de uma organização especializada em roubos de cargas e veículos em toda a Baixada Fluminense. Ao lado de Sardinha, ainda seria um dos responsáveis pela ampliação do uso de tecnologias pela facção, incluindo drones e os chamados “capetinhas”, equipamentos utilizados para bloqueio de sinais de comunicação. Após a morte de Geremias, conhecido como Rei do Fumo, Jamelão teria assumido parte da coordenação da política expansionista doa quadrilha de Peixão em diversos territórios da Baixada Fluminense. Entre as áreas citadas estão as comunidades de Aymoré, Inferninho, Nova Brasília e Buraco do Boi, em Nova Iguaçu, além de Parque Paulista e Massapê, em Duque de Caxias. Segundo as informações, ele também seria responsável por coordenar o envio de reforços e armamentos para comunidades sob influência de Peixão na Baixada Fluminense. Com a perda de diversos integrantes considerados estratégicos da facção na região, Jamelão também teria passado a auxiliar na logística de comunidades de Belford Roxo, entre elas Morro do Machado, Morro das Pedrinhas e Gogó da Ema. Jamelão também é apontado como um dos articuladores dos antigos confrontos entre o TCP e o Comando Vermelho (CV) nas localidades de Imbariê, Santa Lúcia e Rodrigues, em Duque de Caxias. Em 2024, ainda segundo as informações, teria comandado a expansão da facção para áreas que até então não possuíam atuação do tráfico, como os complexos do Mirante e do Mangue Seco, em Pilar, além de costurar acordos com milicianos da região do Parque Santo Antônio (PSA). Essa ofensiva tinha como objetivo estabelecer um novo reduto para abrigar Peixão, que à época era alvo de operações policiais frequentes em Parada de Lucas. Atualmente, os traficantes que ocupavam essas localidades teriam sido redistribuídos entre o Parque Paulista, em Duque de Caxias, e o Buraco do Boi, em Nova Iguaçu. Mais recentemente, Peixão, também conhecido pelo apelido de Moreno, teria assumido parte do controle do tráfico no Morro do Danon, em Nova Iguaçu, utilizando a comunidade como base para investidas do TCP contra áreas controladas pelo Comando Vermelho em Mesquita, incluindo as comunidades da Barreira e do Alto Uruguai. Em imagens divulgadas na Internet, ele aparece usando cordões de ouro com inscrições de versículos bíblicos ao lado do MC FL, identificado como um dos porta-vozes da facção, durante a festa em comemoração aos 19 anos do domínio da comunidade de Vigário Geral pelo TCP, realizada na madrugada do último sábado (11). Jamelão também foi visto ao lado de Peixão e de seus seguranças durante a festa que celebrou os 19 anos do domínio do Terceiro Comando Puro sobre a região da Parada Geral.

Veja a publicação que mostra que Fernandinho Beira-Mar estava incluído na lista do governo dos EUA

Um documento oficial do governo dos Estados Unidos ao qual a reportagem teve acesso confirma a matéria do jornal Extra que o traficante brasileiro Luis Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar, foi incluído na lista de pessoas classificadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) como relacionadas ao tráfico internacional de drogas. O registro faz parte da lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN) do Departamento do Tesouro americano e identifica Beira-Mar pelo nome completo, apelido, data de nascimento e local de nascimento. No documento, Luis Fernando da Costa (a.k.a. Fernandinho Beira-Mar) aparece com data de nascimento em 4 de julho de 1967 e local de nascimento no Rio de Janeiro, Brasil. A classificação indicada é SDNTK, sigla usada pelo governo americano para identificar pessoas vinculadas ao tráfico internacional de entorpecentes. Além do brasileiro, o mesmo documento lista outros nomes apontados pelo governo dos Estados Unidos como integrantes ou relacionados a redes internacionais de narcotráfico. Entre eles está o mexicano Ismael Zambada Garcia, conhecido como “El Mayo Zambada”, apontado como um dos históricos líderes do cartel de Sinaloa. O registro também cita Eduardo Gonzalez Quirarte, do México, com diferentes nomes falsos atribuídos a ele. A lista inclui ainda Haji Ibrahim, do Paquistão; Samuel Knowles, das Bahamas; Oded Tuito, de Israel, que aparece com diversos nomes alternativos; e Mario Ernesto Villanueva Madrid, ex-governador do estado mexicano de Quintana Roo. Segundo o documento, todos esses nomes estavam classificados pelo OFAC na categoria SDNTK, relacionada ao narcotráfico internacional. A lista também registra alterações em outros nomes. Um deles é Kassim Abbas, identificado como cidadão iraquiano e com endereço posteriormente atualizado para a Alemanha. O documento informa ainda a retirada de Lieride Agudelo Galvez, da Colômbia, da lista de sanções do OFAC. A inclusão de Fernandinho Beira-Mar no cadastro americano demonstra que o governo dos Estados Unidos passou a tratá-lo oficialmente como um alvo de sanções relacionadas ao narcotráfico internacional, com possibilidade de restrições financeiras e comerciais dentro da jurisdição americana. O documento obtido pela reportagem, no entanto, é um registro histórico. A presença do nome de Beira-Mar na lista do OFAC não representa uma nova inclusão, mas confirma uma classificação feita pelo governo americano nos anos 2000. Quem é Beira-Mar Beira-Mar como um dos principais líderes da organização criminosa conhecida como Comando Vermelo), com atuação em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Complexo de Manguinhos, Complexo do Jacarezinho, Complexo do Chapadão, Complexo do Alemão, todas na capital fluminense, no Complexo do Salgueiro, em Niterói, nos municípios de Macaé, Petrópolis, Rio das Ostras, e, ainda, no Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Ele possui uma extensa ficha criminal com oitenta e seis anotações, incluindo tráfico nacional e internacional de drogas, tráfico internacional de armas de fogo, lavagem de dinheiro, organização criminosa transnacional, homicídio qualificado, extorsão mediante sequestro, corrupção ativa, entre outros delitos. No ano de 1999, após se evadir do sistema penitenciário fluminense, o agravante se aliou às FARC ¿ Forças Revolucionárias da Colômbia, passando a viver nas selvas deste país, oportunidade em que expandiu a mercancia de drogas a outros países da América do Sul. Dados de inteligência indicam que em 2000, o traficante implementou planos de ameaças a membros do Ministério Público que o investigavam. No ano de 2001, foi preso na selva colombiana. Contudo, mesmo encarcerado, o agravante manteve suas atividades ilícitas, utilizando-se de pessoas próximas e familiares para representá-lo. Nesta perspectiva, consta que somente na 62ª Delegacia de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, situada em Imbariê, Duque de Caxias, existem quarenta e três procedimentos, instaurados entre os anos de 2019 e 2022, que investigam a atuação do agravante e de seus asseclas na prática dos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, associação criminosa, roubo de carga, entre outros. Informações do DEPEN revelam, ainda, histórico de indisciplina do agravante em unidades prisionais. Em 2015, foi condenado a cento e vinte anos de reclusão pelo Tribunal do Júri, em razão de ser o mandante do homicídio de quatro integrantes de facção rival no interior do presídio Bangu I, durante uma rebelião ocorrida no ano de 2002.

Suposta perseguição do CV na Bolívia teria levado Peixão (TCP) de volta ao Brasil

Circulam nas redes sociais informações que, até o momento, não receberam confirmação oficial das autoridades, dando conta de que o traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, teria retornado ao Brasil após permanecer por um período na Bolívia. Segundo esses relatos, o criminoso teria deixado o país vizinho porque estaria sendo alvo de uma suposta perseguição de integrantes de uma facção rival. Ainda de acordo com essas informações, a suposta ordem para caçá-lo teria partido do traficante conhecido como Zeus, apontado como integrante do Conselho do Comando Vermelho. Oriundo da Região Norte do país, Zeus atualmente é apontado como uma das principais lideranças da facção na comunidade da Muzema, localizada no Itanhangá, Zona Oeste do Rio. Os mesmos relatos afirmam que, diante da alegada ameaça, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) teriam providenciado a retirada de Peixão da Bolívia, permitindo seu retorno ao território brasileiro. Não há, contudo, confirmação oficial sobre essa versão dos fatos. Na época em que familaires de Peixão foram detidos por policiais rodoviários indo para a Bolívia, chegou a ser publicado que membros do PCC estavam dando segurança ao traficante carioca. Já de volta ao Rio de Janeiro, Peixão voltou a desafiar e a debochar das autoridades. No último fim de semana, o traficante teria promovido um grande baile em Vigário Geral para celebrar os 19 anos da ocupação das comunidades que compõem o chamado Complexo de Israel. Imagens que circulam nas redes sociais mostram a presença de diversos MCs e de criminosos portando fuzis durante o evento. VEJA OS VÍDEOS: https://twitter.com/CDFNOTICIA/status/2076421030763991432/video/3 https://twitter.com/RioWarz21/status/2076666120510071275/video/2

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