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jogo do bicho

Processo revela valores que, segundo o MP, Rogério Andrade teria pago a UPPs; montante não havia sido divulgado

Em abril de 2025, uma reportagem do Portal G1 revelou detalhes da investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que apontou que o contraventor Rogério Andrade teria destinado cerca de R$ 500 mil em propinas a batalhões da PMERJ e delegacias da Polícia Civil em apenas dois dias. Na ocasião, a reportagem expôs os valores que, segundo a investigação, teriam sido destinados a diversas unidades policiais, mas não detalhou as quantias que também teriam sido repassadas às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Agora, a reportagem teve acesso ao processo nº 0087234-41.2025.8.19.0001, que traz uma planilha atribuída ao esquema e revela os valores que, segundo o Ministério Público, teriam sido destinados a cinco UPPs entre os dias 6 e 9 de maio de 2023: De acordo com a denúncia, os pagamentos fariam parte de um esquema que teria resultado em 19 atos independentes de corrupção ativa majorada, com o objetivo de fazer com que unidades policiais retardassem ou deixassem de praticar atos de ofício. O Ministério Público sustenta que a exploração do jogo do bicho e de máquinas caça-níquel ocorria de forma ostensiva, em estabelecimentos comerciais e à luz do dia, sem a repressão esperada por parte dos órgãos responsáveis. Segundo a investigação, os indícios dos supostos pagamentos foram obtidos a partir de mensagens encontradas no celular de Flávio da Silva Santos, conhecido como Flávio Mocidade. Nas conversas, ele se comunicaria com um interlocutor identificado pelo codinome “Botafogo”. Ainda segundo a denúncia, em 8 de maio de 2023, “Botafogo” enviou uma versão inicial de uma planilha de contabilidade e, após diversas chamadas de voz e vídeo com Flávio Mocidade, elaborou um arquivo em formato PDF mais detalhado. Para o Ministério Público, o conteúdo das conversas indicaria que Flávio exercia supervisão sobre as finanças do grupo e sobre o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos corrompidos. As informações fazem parte da ação penal em curso e correspondem às acusações formuladas pelo Ministério Público, que ainda serão submetidas ao contraditório e à análise da Justiça.

Veja detalhes da fuga de Adilsinho com ajuda de PM preso ao seu lado este ano em Cabo Frio; comerciantes de cigarros da quadrilha são investigados por milícia e homicídios e foram beneficiados por depósitos feitos por empresa de contraventor

A investigação que apura a estrutura criminosa atribuída a Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”, vem revelando conexões que vão muito além do comércio ilegal de cigarros. Entre os fatos que mais chamaram atenção das autoridades está a atuação de um policial militar apontado como integrante do núcleo de segurança do grupo e acusado de ter ajudado o criminoso a escapar de uma operação policial antes de ser encontrado ao seu lado meses depois. Segundo o Ministério Público Federal, o policial militar Diego D’Arribada Rebello de Lima desempenhou papel decisivo durante uma tentativa frustrada de captura de Adilsinho no condomínio Reserva do Itanhangá, na Zona Oeste do Rio. As investigações indicam que agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) monitoravam a presença do criminoso no local quando a operação foi desencadeada. Apesar do cerco policial, Adilsinho conseguiu fugir. De acordo com a acusação, Diego foi identificado circulando pela região em uma Mitsubishi Outlander prata e posteriormente teria sido visto armado no condomínio vizinho Greenwood. A apuração aponta que o policial e Adilsinho atravessaram o muro que separa os dois condomínios para escapar da ação policial. Ainda segundo os investigadores, Diego teria utilizado sua condição funcional para intimidar funcionários da segurança privada do condomínio, chegando a apresentar sua carteira de policial militar para facilitar a fuga. A evasão teria sido concluída quando os dois alcançaram uma caminhonete que os aguardava nas proximidades. Meses depois, em fevereiro de 2026, o mesmo policial voltou a aparecer no centro das investigações. Durante uma operação realizada em Cabo Frio, agentes da FICCO encontraram Diego dentro de uma residência ao lado de Adilsinho. Segundo o Ministério Público Federal, ele estava armado com uma pistola Glock calibre .40 municiada. Para os investigadores, a sequência dos fatos reforça a suspeita de que o PM não prestava auxílio eventual ao criminoso, mas integrava de forma permanente a estrutura responsável por sua proteção e segurança. Com base nesses elementos, o Ministério Público Federal denunciou Diego D’Arribada Rebello de Lima por suposta participação na organização criminosa investigada na Operação Libertatis. Na denúncia, os procuradores sustentam que ele atuava no núcleo armado da estrutura atribuída a Adilsinho, exercendo funções de segurança, apoio logístico e ocultação do paradeiro do contraventor. Além da condenação criminal, o MPF pediu à Justiça Federal a perda do cargo de policial militar e a interdição para o exercício de função pública pelo prazo de oito anos após o cumprimento da eventual pena, caso haja condenação. Ligações com investigados por milícia e homicídios As investigações também revelaram que a estrutura financeira atribuída a Adilsinho mantinha relações com personagens conhecidos das forças de segurança por envolvimento em apurações sobre milícias na Baixada Fluminense. Um dos nomes citados é o de Siri, apontado pelos investigadores como comerciante de cigarros contrafeitos e investigado há anos por supostas ligações com grupos paramilitares em Duque de Caxias. Segundo a apuração, Siri foi preso em 2019 durante uma operação da Core e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil enquanto participava de uma partida de futebol ao lado de outros suspeitos ligados à milícia. Na ocasião, diversas armas de fogo foram apreendidas. Mesmo após o episódio, seu nome continuou aparecendo em documentos relacionados à ADILOC, empresa apontada pela Polícia Federal como parte da engrenagem financeira da organização criminosa atribuída a Adilsinho. Além disso, Siri também aparece em investigações relacionadas à tentativa de homicídio contra um policial militar e por suposta participação em milícia privada. Outro personagem mencionado é PQD, que segundo a investigação também recebeu notas fiscais emitidas pela ADILOC e aparece vinculado a operações que somariam quase R$ 400 mil em mercadorias. O histórico atribuído a PQD chamou atenção dos investigadores porque ele responde a processos relacionados a homicídios atribuídos à atuação de milicianos na Baixada Fluminense. Nos autos citados pela Polícia Federal, ele aparece ao lado de policiais militares acusados de participação nos assassinatos, incluindo integrantes conhecidos pelos apelidos de “Cara de Pedra”. Notas fiscais sob suspeita Segundo a Polícia Federal, mensagens obtidas durante a investigação indicam que integrantes da estrutura administrativa ligada à empresa determinavam a emissão de notas fiscais em nome de pessoas vinculadas ao esquema. A suspeita é que parte desses documentos não correspondesse a operações comerciais reais e fosse utilizada para dar aparência de legalidade à circulação de mercadorias e recursos oriundos das atividades criminosas. Na avaliação dos investigadores, o mecanismo teria sido empregado para ocultar movimentações financeiras, dificultar o rastreamento dos recursos e fortalecer a estrutura econômica da organização. Investigação continua A Polícia Federal e o Ministério Público sustentam que os elementos reunidos apontam para uma organização criminosa com atuação diversificada, envolvendo comércio ilegal de cigarros, operadores financeiros, pessoas investigadas por milícia e indivíduos ligados a crimes violentos. As investigações seguem em andamento e novas medidas não estão descartadas.

Mensagens revelam bastidores da rede da contravenção comandada por filha de Piruinha

Esses ganchos destacam o que há de maMensagens encontradas em celulares e tablets apreendidos com Monalliza Escafura, filha do contraventor José Caruzzo Escafura, o Piruinha, revelaram conversas sobre repasses de dinheiro para a companheira da investigada e discussões sobre os impactos de operações policiais nos pontos clandestinos de jogos de azar controlados pelo grupo. Monalliza está presa desde maio. Segundo o Ministério Público, os diálogos mostram que um dos principais operadores da organização, relatava diretamente a Monalliza dificuldades enfrentadas pelos exploradores de caça-níqueis em áreas onde havia presença policial, além de coordenar a arrecadação de dinheiro dos pontos de jogo. As mensagens também apontam que parte dos valores movimentados pela quadrilha era depositada em contas de terceiros indicados por Monalliza. Entre os beneficiários dos repasses aparece a companheira da filha de Piruinha. De acordo com os investigadores, o operador de Monalliza era responsável por recolher dinheiro de diversos pontos clandestinos espalhados pelo Rio de Janeiro, supervisionar operadores e encaminhar grandes quantias para a liderança do esquema. Em uma das conversas citadas no processo, ele cobra pagamentos de responsáveis por pontos de jogo e comunica à chefia problemas causados por ações policiais que estariam afetando a arrecadação da organização. Já em outros diálogos, segundo o Ministério Público, aparecem discussões sobre depósitos, transferências bancárias e entrega de dinheiro em espécie, indicando a movimentação de centenas de milhares de reais provenientes da exploração ilegal dos jogos. Operador era considerado homem de confiança de Monalliza A investigação aponta que Renato ocupava posição estratégica dentro do grupo. Segundo os promotores, ele administrava a rotina dos pontos clandestinos, controlava pagamentos, recolhia a arrecadação e mantinha contato permanente com Monalliza, prestando contas sobre o desempenho financeiro da operação. As mensagens analisadas pelos investigadores indicariam que ele atuava diretamente na logística financeira da quadrilha e no repasse dos recursos arrecadados. Justiça decreta prisão Com base no material apreendido, a Justiça decretou a prisão preventiva de Monalliza Escafura e Renato Marçano Cavalcante. A decisão destaca que as conversas encontradas nos aparelhos eletrônicos mostram o funcionamento do esquema, o controle da movimentação financeira e a utilização de terceiros para receber recursos ligados à exploração ilegal de jogos de azar. Segundo a acusação, a organização atuava há anos em diferentes comunidades do Rio de Janeiro e mantinha uma rede de pontos clandestinos voltada à exploração de caça-níqueis e outras modalidades de jogos.is específico no documento.

“Testemunhas detalham atuação de grupo de extermínio ligado ao TCP: execuções, ‘botes’ e mortes sob encomenda” para milícia, tráfico e contravenção

Recentemente, nossa reportagem publicou uma matéria informando que traficantes do Terceiro Comando Puro foram contratados para cometer um assassinato para pessoas ligadas ao bicheiro Rogério Andrade. Depoimentos prestados à Justiça e documentos de investigações da Delegacia de Homicídios revelam detalhes da atuação do grupo de extermínio formado por esses traficantes que, segundo investigadores, realizava assassinatos sob encomenda para diferentes setores do crime organizado no Rio de Janeiro. No centro das investigações aparecem Jhonathan Borges dos Reis, conhecido como “Esquilo”, já morto, e Caio Siqueira Ribeiro, o “Caio Piloto”, apontados por policiais civis como uma dupla especializada em execuções. Segundo os relatos reunidos nos processos, eles não estariam vinculados exclusivamente a uma única organização criminosa. Pelo contrário: a dupla teria prestado serviços para milicianos, traficantes e até integrantes da contravenção, funcionando como verdadeiros pistoleiros de aluguel. “Matavam para quem contratasse” Um dos trechos mais impactantes dos depoimentos foi dado pelo delegado Leandro Teixeira Costa, que atuou nas investigações. Segundo ele, as apurações apontaram que a dupla construiu uma reputação de extrema violência na Zona Oeste. “Eles começaram a se envolver com o crime e começaram a matar por aluguel, indiscriminadamente. Matavam para a milícia, matavam para o tráfico, quem contratasse eles matavam”, afirmou o delegado em juízo. A declaração reforça a suspeita de que o grupo não possuía fidelidade a uma única facção ou estrutura criminosa, atuando conforme os interesses de quem estivesse disposto a pagar pelas execuções. Execuções em série De acordo com os investigadores, diversas equipes da Delegacia de Homicídios chegaram ao nome da dupla durante apurações distintas. O modus operandi era praticamente sempre o mesmo. As vítimas eram surpreendidas por uma motocicleta. Caio conduzia o veículo e Esquilo ocupava a garupa. Quando se aproximavam do alvo, os disparos eram efetuados rapidamente e os criminosos fugiam logo em seguida. O apelido “Caio Piloto”, segundo os próprios investigadores, surgiu justamente porque ele seria o responsável por conduzir motos e carros utilizados nas execuções. “Sempre que o Esquilo estava, o Caio estava junto pilotando”, relatou o delegado responsável pelas investigações. Morte de policiais entrou no radar da DH A gravidade das suspeitas aumentou quando os nomes da dupla passaram a aparecer em investigações relacionadas ao assassinato de agentes de segurança. Segundo depoimentos prestados à Justiça, Esquilo tornou-se alvo prioritário após ser apontado como envolvido em crimes contra policiais. Um dos investigadores afirmou que uma operação da Delegacia de Homicídios voltada para casos envolvendo agentes de segurança foi desencadeada justamente após a morte de policiais. “O que gerou a prisão dele foi a morte de um policial militar e de um policial penal”, declarou o delegado Leandro Costa durante audiência. As investigações também apontavam que, após os assassinatos, armas das vítimas teriam sido levadas pelos criminosos. Ligação com a contravenção Além da atuação para milicianos e traficantes, os investigadores também citaram envolvimento da dupla em crimes relacionados à contravenção. Um policial civil afirmou em juízo que Esquilo era tratado nas investigações como um matador profissional. “Era um matador até de aluguel, de contrato. Inclusive está envolvido em homicídio ligado à contravenção do jogo do bicho”, declarou. A afirmação reforça uma das principais linhas investigativas da Delegacia de Homicídios: a de que a dupla teria se transformado em uma espécie de braço armado utilizado por diferentes grupos criminosos. Do apoio à milícia à aproximação com facção As investigações indicam que a trajetória criminosa da dupla teria passado por diferentes fases. Inicialmente, segundo os policiais, os suspeitos circulavam em áreas dominadas por milicianos na região de Guaratiba, Vargem Grande e adjacências. Posteriormente, passaram a atuar em conflitos ligados ao tráfico de drogas. Segundo os investigadores, no fim da trajetória criminosa ambos já estavam diretamente ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP). Os depoimentos apontam que os dois chegaram a residir na comunidade da Vila do João, no Complexo da Maré, de onde saíam para realizar execuções e ações ligadas à expansão territorial da facção na Zona Oeste. Testemunha descreveu dupla como “matadores” Uma testemunha ouvida em outra investigação também atribuiu à dupla a prática de diversos homicídios. Segundo o depoimento, Esquilo e Caio eram conhecidos na região por realizar assassinatos sob encomenda. O relato afirma que: Esquilo seria o executor;Caio atuaria como motorista e pilotoExecuções ligadas aos chamados “botes” As investigações revelam que parte dos homicídios atribuídos à dupla estaria relacionada aos chamados “botes”, expressão utilizada no mundo do crime para designar furtos, roubos, desvios de dinheiro, drogas ou mercadorias pertencentes a traficantes e milicianos. Segundo os autos, a execução de Helivelton Ragazzi Marcelino, conhecido como “Pitico”, teria sido motivada justamente por um conflito desse tipo. De acordo com testemunhas e investigadores, Pitico teria criado problemas para uma “estica” — ponto de venda de drogas ligado a Esquilo — provocando prejuízos aos interesses do grupo criminoso. Um dos depoimentos afirma que a vítima teria dado um “bote” em um dos homens que trabalhavam para Esquilo na comercialização de entorpecentes. A reação teria sido imediata. Pouco depois, Pitico foi executado a tiros em Barra de Guaratiba. Outro homicídio teria ocorrido após adulteração de drogas Os autos também mencionam o assassinato de um homem identificado como Felipe. Segundo relato prestado por uma testemunha à Polícia Civil, Felipe teria sido morto após supostamente adulterar cargas de cocaína pertencentes ao grupo criminoso. O depoimento aponta que ele teria aberto pacotes da droga e alterado seu conteúdo, causando prejuízo financeiro aos traficantes. A suposta traição teria resultado em uma sentença de morte. Investigadores afirmam que testemunhas atribuíram a execução à dupla formada por Esquilo e Caio. Um histórico marcado por mortes Embora cada caso possua investigação própria, os depoimentos reunidos pela Justiça apontam para um padrão que se repetia constantemente: assassinatos realizados em motocicletas, ataques rápidos, vítimas ligadas a disputas do crime organizado e motivações frequentemente relacionadas a dívidas, traições, “botes” ou conflitos entre grupos criminosos. Para os investigadores que atuaram nos inquéritos, o histórico atribuído à dupla revela uma estrutura que ultrapassava as disputas locais e operava como um verdadeiro grupo de extermínio a serviço de diferentes interesses

Operador financeiro do Comando Vermelho chegou a ser preso durante operação contra a quadrilha de Adilsinho levantando suspeitas sobre possível ligação da facção com a contravenção

Uma revelação contida em decisão judicial escancarou uma conexão explosiva entre integrantes do Comando Vermelho e um dos principais alvos das investigações contra a contravenção no Rio de Janeiro: um homem apontado como operador financeiro da facção foi preso justamente durante uma operação contra o grupo do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”. O investigado aparece nos autos como responsável por movimentações financeiras clandestinas em benefício da cúpula do Comando Vermelho, incluindo operações ilegais de câmbio em dólares destinadas ao traficante Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, atual chefe da facção no Complexo do Alemão. Segundo a investigação, Igor integrava o chamado núcleo financeiro da organização criminosa e teria atuado diretamente na ocultação e dissimulação de recursos oriundos do tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e outras atividades do CV. O detalhe que chamou atenção dos investigadores — e que até então não havia sido divulgado — é que o operador financeiro do Comando Vermelho acabou preso em março de 2025 numa operação policial voltada justamente contra as atividades ilícitas atribuídas ao grupo do mafioso do jogo do bicho “Adilsinho”. A informação cria um elo inédito entre um personagem apontado como lavador de dinheiro do Comando Vermelho e uma investigação ligada à estrutura financeira da contravenção carioca. Dólares para o CV e ligação com esquema investigado na contravenção Os autos apontam que, em abril de 2024, Igor teria realizado uma operação clandestina de câmbio no valor de US$ 60 mil para beneficiar diretamente “Pezão”, uma das lideranças máximas do CV no Rio. As tratativas, segundo a investigação, envolveram ainda outros integrantes do grupo, incluindo operadores políticos e logísticos ligados à facção. Mesmo com esse histórico descrito pelos investigadores, Igor acabou aparecendo posteriormente no radar da operação contra “Adilsinho”, acusado de integrar organização criminosa ligada a esquemas financeiros ilícitos. O operador foi preso durante a ofensiva policial, mas acabou libertado meses depois, respondendo atualmente em liberdade.

Bicheiros contrataram traficantes do TCP para cometer assassinato na Zona Oeste do Rio. Atirador trabalhava para ‘quem pagasse mais’

A investigação sobre a execução de Fábio Romualdo Mendes, morto em 2021 em Vargem Pequena, revelou um detalhe explosivo que expõe um novo patamar da ligação entre contravenção e tráfico no Rio: integrantes de um grupo ligado ao bicheiro Rogério Andrade teriam recorrido a um traficante associado ao TCP para executar um homicídio ligado à guerra interna do jogo do bicho na Zona Oeste, que agora é Zona Sudoeste O caso, que voltou aos holofotes após decisões recentes da Justiça, mostra como criminosos da contravenção passaram a utilizar a estrutura armada de facções para resolver disputas territoriais e eliminar adversários. Segundo a Delegacia de Homicídios, o traficante conhecido como Jonathan Esquilo, apontado como integrante do TCP e suspeito de diversos assassinatos na Zona Oeste, teria sido contratado para atuar diretamente na execução de Fábio. Em depoimento considerado um dos mais impactantes do processo, o delegado responsável pela investigação afirmou que Jonathan “matava para milícia, para o tráfico e para a contravenção”, funcionando como uma espécie de matador de aluguel da guerra criminosa na região. A polícia sustenta que o criminoso atuava principalmente em áreas como Vargem Grande e Guaratiba e que, nos últimos anos, passou a integrar o TCP, sem abandonar os serviços prestados a outros grupos criminosos. Segundo a investigação, Jonathan Esquilo era conhecido justamente por atuar para quem oferecesse mais dinheiro, independentemente de facção ou organização criminosa. O delegado afirmou em juízo que o traficante “matava para quem pagasse mais”, sendo usado em execuções ligadas ao tráfico, à milícia e até à contravenção. CONTRAVENÇÃO E FACÇÃO: A ALIANÇA QUE ASSUSTA INVESTIGADORES O ponto central da investigação não é apenas o homicídio em si — amplamente noticiado na época — mas a revelação de que a guerra do jogo do bicho na Zona Oeste passou a envolver diretamente traficantes armados do TCP. De acordo com a DH, o grupo ligado a Rogério Andrade e ao bicheiro Flávio da Mocidade teria recorrido a criminosos especializados em execução para eliminar pessoas associadas ao grupo rival de Márcio Araújo, preso por outros crimes ligados à contravenção. As investigações apontam que Jonathan Esquilo foi escolhido justamente por sua fama de pistoleiro profissional disposto a atuar para qualquer organização criminosa mediante pagamento. Outro nome citado no processo é o de Caio Piloto, apontado como responsável por conduzir a motocicleta usada na emboscada. Piloto também é membro do TCP era um dos responsáveis pelos confrontos na disputa de território em Vargem Grande e Vargem Pequena, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A polícia afirma que a arma utilizada no assassinato foi relacionada, por confronto balístico, a outros homicídios atribuídos ao traficante do TCP. Jonathan Esquilo acabou morto posteriormente em confronto com milicianos. GUERRA INTERNA NA ESTRUTURA DE ROGÉRIO ANDRADE Segundo depoimentos colhidos pela Delegacia de Homicídios, existia uma disputa interna entre braços operacionais ligados à estrutura de Rogério Andrade na Zona Oeste. O delegado responsável pelo caso afirmou que, após a prisão de Márcio Araújo, integrantes ligados a Flávio da Mocidade tentaram assumir áreas de exploração ilegal e eliminar aliados do grupo rival. Fábio Romualdo Mendes, segundo a investigação, era considerado homem de confiança de Márcio Araújo e teria sido executado justamente por causa dessa guerra. A investigação aponta que o grupo criminoso atuava de forma organizada, com divisão clara de funções: As quebras de sigilo revelaram mensagens sobre o monitoramento da vítima, tentativas anteriores de execução e comemoração após o crime. Segundo a investigação, um dos envolvidos chegou a enviar vídeo da vítima baleada logo após os disparos. POLICIAL MILITAR E MATADORES DE ALUGUEL Outro ponto considerado alarmante pelos investigadores é a presença de um policial militar entre os integrantes apontados como participantes da organização criminosa. A DH também identificou movimentações envolvendo transporte de armas, circulação de fuzis e acesso a criminosos especializados em homicídios por encomenda. Os autos descrevem uma estrutura onde contraventores, traficantes, PMs e matadores profissionais atuariam em conjunto na disputa por territórios e dinheiro na Zona Oeste do Rio. JUSTIÇA LEVA ACUSADO A JÚRI Após a instrução criminal, a Justiça decidiu levar um dos acusados ao Tribunal do Júri por entender que existem indícios suficientes de participação no planejamento do homicídio. Mesmo com parte dos investigados impronunciados nesta fase, o processo escancarou um dos cenários mais perigosos já revelados sobre a aproximação entre a contravenção carioca e facções armadas do tráfico. Para investigadores, o caso mostra que a guerra do jogo do bicho deixou de ser apenas uma disputa entre bicheiros e passou a envolver diretamente criminosos do TCP, milicianos e grupos armados especializados em execuções.

PM bota em conselho que pode expulsar cabo flagrado fazendo segurança de um dos chefes da nova cúpula do jogo do bicho no RJ

A Polícia Militar decidiu submeter a Conselho de Disciplina, que pode levar a expulsão de seus quadros, de um cabo suspeito de fazer a segurança de Flávio Mocidade, que é investigado por supostamente comandar a nova cúpula do Jogo do bicho uma organização criminosa voltada para a exploração de jogos de azar e corrupção de forças policiais, por meio do pagamento de propina a diferentes unidades das polícias Civil e Militar do Estado do Rio de Janeiro. O PM foi flagrado no dia 03 Out 25, por volta das 06h, na Avenida Lúcio Costa, n.o 3.650, Condomínio Next, Barra da Tijuca/RJ. Na ocasião, o Grupamento de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, doMinistério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO-MPRJ) cumpria mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra Flávio. No endereço do alvo, a equipe, que integrava a escolta do promotor de Justiça, deparou-se com o polical portando a pistola Beretta APX, calibre 9mm, um carregador com 15 (quinze) munições oriundas do Lote ENS67, de propriedade da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, arma acautelada consigo para uso exclusivo no serviço policial militar e sua segurança pessoal. Na ocasião, ao ser interpelado sobre o motivo de sua presença naquele local e horário,inicialmente relatou aos agentes, que prestava serviços à família e trabalhava como segurança no local e na escola de samba Mocidade. Assim, foi determinado pelo Membro do Ministério Público que conduzisse o policial militar à 2a DPJM, a fim de prestar declarações sobre os fatos.Segundo o Boletim Interno da PMERJ, a situação revela atitudes incompatíveiscom a condição de policial militar. Para a corporação, o policial expôs negativamente a Instituição, ao ferir a disciplina castrense ( O envolvimento de PMs com jogos de azar, caça´níquel, independente de responsabilização nas esferas civil e criminal é considerado transgressão de disciplina de natureza grave.

“Nunca mais vamos ser contraventores”: escutas revelam plano da quadrilha de Rogério Andrade para transformar jogo do bicho em império internacional de apostas

Uma investigação explosiva do Ministério Público do Rio revelou bastidores inéditos da sofisticada estrutura tecnológica atribuída ao grupo de Rogério Andrade, apontado pelas autoridades como um dos principais nomes da contravenção no país. Escutas, e-mails e mensagens interceptadas mostram que a organização não apenas mantinha sistemas clandestinos de apostas online, aplicativos e caça-níqueis funcionando em larga escala, como também discutia uma estratégia para expandir os negócios para fora do Brasil e operar os jogos sob aparência de legalidade internacional. O ponto mais impactante da investigação aparece em um e-mail apreendido pelos investigadores, no qual um integrante do núcleo tecnológico sugere transferir toda a operação para o exterior para evitar ações da Justiça brasileira e transformar o esquema em uma espécie de “empresa legalizada” de apostas. Na mensagem, o investigado afirma que o grupo já possuía licença internacional para atuar com jogos fora do país e propõe migrar a estrutura: “O 01 já possui uma licença fora do Brasil para atuar com os jogos. Sugiro montar todos os projetos funcionando legalmente no país que ele tem autorização.” Em seguida, o texto deixa clara a intenção de blindar a organização das investigações no Brasil: “Quando ele tiver isso, nunca mais vamos correr o risco da Justiça achar que estamos fazendo algo ilegal.” A conversa termina com um trecho ainda mais simbólico: “Nunca mais ele vai ser contraventor de jogos.” Segundo o Ministério Público, o “01” citado nas mensagens seria uma referência direta ao chefe da organização criminosa. aplicativos, links secretos e estrutura milionária As investigações apontam que o grupo possuía um verdadeiro “departamento de tecnologia” voltado exclusivamente para manter de pé o império dos jogos ilegais. A denúncia descreve dois núcleos distintos: um responsável por aplicativos, links, conexões online e sistemas digitais; e outro encarregado da manutenção operacional das máquinas físicas espalhadas pelos pontos de apostas. De acordo com os autos, integrantes conhecidos pelos vulgos “Urso” e “Baiano” teriam papel central na sustentação tecnológica do esquema, atuando na criação e manutenção de aplicativos de apostas clandestinas. Os investigadores descobriram inclusive registros ligados à empresa Oracle, gigante mundial da tecnologia, utilizados para hospedar sistemas usados pela organização. Nos arquivos encontrados, aparecem aplicativos identificados como: Para o Ministério Público, isso demonstra que a contravenção havia ultrapassado há muito tempo o modelo antigo de bancas espalhadas pelas ruas e migrado para uma operação digital sofisticada, com capacidade de movimentação em larga escala. “paralisação total” e medo de operações policiais Outro trecho que chamou atenção dos investigadores revela o temor da quadrilha diante de possíveis operações policiais e bloqueios judiciais. Em um e-mail apreendido, um dos integrantes alerta sobre risco de colapso completo do sistema: “Paralisação TOTAL de TUDO (…) por um TEMPO MÍNIMO DE 30 DIAS.” A mensagem ainda afirma: “Hoje não temos contingência para os sistemas.” Segundo os investigadores, isso reforça a tese de que o grupo operava como uma empresa estruturada, com preocupação constante em manter os servidores, aplicativos e links funcionando sem interrupções. expansão internacional e aparência de legalidade Para o Ministério Público, as mensagens revelam um passo além da contravenção tradicional: a tentativa de internacionalização da atividade. A ideia discutida internamente seria utilizar licenças de apostas em países estrangeiros para permitir que brasileiros jogassem online em plataformas aparentemente legais, dificultando ações da Justiça brasileira. Os investigadores afirmam que o objetivo era criar uma estrutura semelhante a grandes plataformas internacionais de apostas, usando tecnologia avançada para esconder a origem do dinheiro e reduzir riscos de operações policiais. organização criminosa com “visão empresarial” A denúncia descreve a suposta quadrilha como uma das mais estruturadas do Rio de Janeiro, com divisão de funções, cadeia hierárquica e setores especializados. Segundo o MP, havia: As autoridades afirmam ainda que o grupo possuía forte poder econômico e utilizava um esquema sofisticado de corrupção e intimidação para garantir o funcionamento dos jogos. foragidos e prisões preventivas A Justiça recebeu a denúncia e decretou prisões preventivas de integrantes apontados como peças-chave da estrutura tecnológica da organização. Parte dos investigados ficou foragida durante a investigação. Na decisão, o Judiciário destacou que o grupo apresentava uma estrutura “empresarial”, com capacidade tecnológica avançada e atuação contínua voltada à exploração ilegal de apostas. Para os investigadores, as escutas e documentos apreendidos revelam um retrato raro da modernização da contravenção no Rio: um submundo que deixou de depender apenas das bancas físicas e passou a operar através de aplicativos, servidores, sistemas digitais e projetos de expansão internacional. igação com milícias, facções e esquema de corrupção Os documentos da investigação apontam que a organização criminosa não atuava apenas na exploração de jogos ilegais. Na decisão judicial, o grupo é descrito como uma das organizações criminosas “mais antigas, estruturadas e violentas” em atuação no Rio de Janeiro, sustentada por dois pilares principais: Segundo o Ministério Público, havia uma “rede de proteção” alimentada por corrupção de servidores públicos em diferentes níveis, além de relacionamento com facções criminosas e grupos milicianos. Os investigadores afirmam que a organização possuía: Relatórios de inteligência citados no processo apontam ainda que o esquema de exploração dos jogos ilegais no estado teria provocado uma espécie de “loteamento” territorial entre grupos da contravenção, milícias e organizações criminosas. homicídios e violência para eliminar rivais A denúncia também faz referência a episódios de violência ligados à manutenção do poder da organização. Segundo a investigação, existem “sólidos indicativos” de utilização de homicídios e ações violentas contra pessoas consideradas obstáculos aos interesses do grupo. A decisão judicial menciona: “cometimento de homicídios para eliminação daqueles que colocam contra os interesses do grupo.” O Ministério Público sustenta que a organização utilizava métodos de intimidação, corrupção e violência para proteger suas atividades e evitar o avanço de investigações. organização criminosa com “visão empresarial” Para os investigadores, o grupo funcionava como uma verdadeira corporação clandestina. A denúncia descreve: A Justiça destacou que os investigados teriam criado uma estrutura sofisticada para garantir funcionamento ininterrupto das apostas ilegais, inclusive com possibilidade de expansão internacional. contravenção virou operação digital global Para investigadores envolvidos no caso, as escutas revelam uma mudança histórica no submundo da

DOCUMENTO DO STF REVELA SUPOSTO BRAÇO DO JOGO DO BICHO USADO PARA AMEAÇAR DESAFETOS DE EX-DONO DO BANCO MASTER. LEIA DETALHES DAS AÇÕES INTIMIDATÓRIAS

Documento do Supremo Tribunal Federal (STF) revela que um operador do jogo do bicho apontado como integrante do núcleo criminoso conhecido como “A Turma” teria atuado como responsável por ameaças presenciais e intimidações contra desafetos do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no Estado do Rio de Janeiro. Segundo a investigação, Manoel Mendes Rodrigues exerceria papel de liderança de um braço local da organização criminosa, formado por operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais, usado para executar ações de pressão física, monitoramento e constrangimento direto de alvos considerados problemas para os interesses da família Vorcaro. A Polícia Federal afirma que Manoel funcionava como elo entre o comando central da organização e a força local empregada para intimidação presencial. O documento aponta que uma das ações mais graves atribuídas ao grupo ocorreu em Angra dos Reis, em junho de 2024. Segundo os autos, após determinação de Daniel Vorcaro, integrantes do núcleo “A Turma” teriam se deslocado até a Marina Bracuhy para ameaçar L.F.W., então comandante de uma embarcação utilizada pelo empresário. Na sequência, o grupo também teria ido até um hotel para intimidar L.G., ex-chefe de cozinha ligado ao círculo do empresário. A investigação descreve uma verdadeira operação de monitoramento contra os dois alvos. De acordo com a cronologia levantada pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro teria encaminhado documentos pessoais de L.F.W. para Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, ordenando que fosse feito “levantamento de tudo” e afirmando que “teriam que ir pra cima”. O documento afirma ainda que houve determinação para levantamento de dados pessoais e familiares não apenas de L.F.W., mas também de L.G. Em resposta, Felipe Mourão teria encaminhado áudios informando que os levantamentos já estavam em andamento. Em uma das conversas citadas nos autos, integrantes do grupo discutem qual seria a ordem exata: acompanhamento, monitoramento ou abordagem direta das vítimas. Para os investigadores, os diálogos mostram que o braço carioca da organização atuava mediante ordens concretas vindas do núcleo central do esquema. Segundo o parecer do Ministério Público Federal, as próprias vítimas relataram episódios de terror envolvendo grupos armados. L.F.W. afirmou ter sido ameaçado de morte por cerca de sete homens e declarou que um dos integrantes se apresentou como “Manoel”, amigo de Daniel Vorcaro e ligado ao jogo do bicho. Já L.G. descreveu abordagem semelhante, envolvendo Felipe Mourão e outro homem identificado como “Manoel” ou “Emanuel”. Uma testemunha ligada à embarcação Solar I também relatou ter sido abordada por um grupo de seis a sete homens que procuravam por L.F.W. Para os investigadores, os relatos colocam Manoel diretamente no centro das ações presenciais de intimidação. A investigação afirma que sua atuação seria particularmente grave porque revelaria a existência de um braço territorializado da organização no Rio de Janeiro, com potencial uso de força privada ou paramilitar para atender interesses da família Vorcaro. Segundo o documento, Manoel seria responsável por disponibilizar mão de obra intimidatória e presença física no estado, funcionando como instrumento de coerção da organização criminosa. Os autos também apontam que, durante as ações em Angra dos Reis, integrantes do grupo realizaram levantamentos de dados pessoais e familiares das vítimas, monitoramentos e discussões sobre acompanhamento telefônico. Em um dos trechos citados no documento, investigadores afirmam que os integrantes chegaram a cogitar agir “na mesma língua” dos alvos, expressão interpretada pela Polícia Federal como indicativo de possível escalada de intimidação. Para a investigação, a presença de Manoel tinha justamente a função de conferir credibilidade às ameaças e causar medo nas vítimas. O STF aponta que os elementos reunidos até agora indicam que Manoel Mendes Rodrigues teria atuado como executor presencial e articulador territorial do núcleo “A Turma”, liderando um braço local da organização no Rio de Janeiro e mobilizando grupos de quatro a seis pessoas para ações de ameaça e pressão física. Segundo a investigação, ele também manteria comunicação constante com Felipe Mourão e outros integrantes do esquema, utilizando sua influência no submundo do jogo do bicho como instrumento de coerção em favor da organização investigada. O caso segue sob investigação no Supremo Tribunal Federal.

Milhões em espécie, notas frias e lavagem de dinheiro: o esquema do braço-direito de Adilsinho

Preso este ano, o contraventor Adilsinho voltou a ser destaque na mídia carioca com a decisão da Justiça de mantê-lo em uma penitenciária federal longe do Estado do Rio de Janeiro. Nossa reportagem foi atrás de novas informações sobre o bicheiro para não ficar na mesmice do factual e descobriu junto à Justiça uma peça-chave no funcionamento dos negócios do criminoso. O suspeito trata-se de um homem conhecido como Verdini, apontado como braço-direito de Adilsinho; Empregado da empresa de Adilsinho e sócio dele em um clube na Barra da Tijuca, Verdini chegou a movimentar cerca de R$ 5,5 milhões entre 2015 e 2024, valores em espécie incompatíveis com seus rendimentos. Ele fez isso como forma de dissimular a origem do dinheiro. Ele chegou a realizar quatro depósitos no valor de R$ 5,5 milhões, tudo em espécie, sem qualquer identifficação de origem sendo que, deste total, R4 4,8 milhões eram destinados à firma de Adilsinho. O suspeito, junto de outras pessoas, ainda fez transações de câmbio para uma mulher que vivia nos Estados Unidos, o que pode configurar evasão de divisa Segundo a investigação, Verdini comandaria a elaboração de notas falsas em favor de Adilsinho, a quem se referia como ‘presidente”; Diálogos captados pela polícia mostraram ele indicando endereço e nome de quem deveriam ser emitidas as notas. A polícia ainda identificou diversas transferências para a conta dele, muitas delas feitas pela empresa de Adilsinho no total de R$ 127 mil. Verdini era ainda o responsável pela gestão financeira e administrativa de Adilsinho e da própria organização criminosa. Foram encontrados em sua nuvem vinculada à sua conta de email, por exemplo, planilhas de fluxo financeiro por pontos de vendas de cigarros, além de uma planilha de controle de gastos pessoais da filha e da esposa do cotnraventor., bem como a declaração do imposto de renda de Adilsinho. Com ele, foram achadas ainda 500 planilhas que revelaram o fluxo de caixa da quadrilha e as movimentações com proventos econômicos do escoamento da produção de cigarros, documentando a entrada e saída de bens do estoque da matriz e de cada uma das filiais A investigação revelou que Adilsinoh passou a emitir notas fiscais falsas de compra e venda de cigarros por três de suas empresas a pessoas físicas geralmente integrantes da máfia sem capacidade financeira e com inúmeros antecedentes criminais de delitos violentos de modo a encobrir a fabricação e comercialização clandetina de cigarros de modo a dissimular a origem e a movimentação dos valores auferidos com os crimes cometidos. Verdini teve a prisão decretada em 18 de fevereiro do ano passado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais. GRUPO DE EXTERMÍNIO Um outro relatório obtido pela reportagem, haveria um grupo de extermínio que contaria com a participação de PMs do 15º Batalhão (Duque de Caxias) que atenderia aos interesses da quadrilha de Adilsinho, que é chamado também de ‘patrão’, ‘zero um’ ou ‘homem’. Adilsinho explora a comercialização ilegal de cigarros e jogos de azar.

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