Somente neste bairro, polícia fez apreensão e ouviu suspeito confessar que usa os equipamentos para atacar rivais
Duas operações policiais realizadas em julho e agosto de 2026 reforçaram a ideia de uma nova dimensão da disputa territorial entre facções criminosas em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio: o uso de drones como ferramenta de guerra. Os casos mostram que os equipamentos vêm sendo empregados não apenas para vigilância e reconhecimento do terreno, mas também em ações ofensivas com explosivos.
Somente neste bairro, polícia fez apreensão e ouviu suspeito confessar que usa os equipamentos para atacar rivais
Os episódios ocorreram na comunidade Pombo Sem Asa e apresentam elementos que apontam para uma crescente utilização da tecnologia por criminosos envolvidos na disputa pelo controle da região.
IMPORTANTE: Em outros locais do Rio, foram registrados vários ataques de granadas atiradas por drones mas em nenhum deles a polícia prendeu suspeitos nem apreendeu equipamentos muto menos ouviu depoimentos de suspeitos admitindo o uso dos aparelhos para atacar redutos rivais.
Em julho, drone era usado para mapear território para invasão do TCP
O primeiro caso veio à tona a partir de uma denúncia apresentada pelo Ministério Público em um processo relacionado a uma operação realizada em 10 de julho de 2026, durante um intenso confronto na comunidade Pombo Sem Asa.
Segundo a denúncia, integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) tentavam retomar o controle da comunidade, então ocupada pelo Comando Vermelho (CV). A ação envolveu homens armados, que teriam utilizado tecnologia para auxiliar a ofensiva.
Um dos denunciados admitiu aos policiais que atuava como operador de drone, realizando o mapeamento do terreno para orientar os traficantes que participavam da invasão.
A função era considerada estratégica pela própria acusação. De acordo com o Ministério Público, o equipamento era utilizado para obter informações sobre o território e favorecer a movimentação dos criminosos durante a tentativa de retomada da comunidade.
A dimensão militar da ação ficou ainda mais evidente com o arsenal encontrado pelos policiais em um terreno abandonado: um fuzil calibre 5,56 mm, uma pistola 9 mm com numeração suprimida, cinco granadas, além de um lançador de granada adaptado para drone e um carregador de drone.
O Ministério Público classificou o episódio como um cenário de “guerra urbana” entre TCP e CV e destacou que o operador de drone exercia uma função técnica e estratégica dentro da organização criminosa.
Ou seja, em julho, o drone aparece como uma ferramenta de inteligência, reconhecimento e preparação da ofensiva territorial.
Um mês depois, drone passa do reconhecimento ao ataque
Em agosto, uma nova operação policial em Vargem Grande revelou uma utilização ainda mais agressiva da tecnologia.
Na madrugada do dia 12 de agosto, policiais militares realizaram uma operação na comunidade Pombo Sem Asa após identificarem o uso de um drone para transportar explosivos e realizar ataques contra a comunidade e forças de segurança.
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, dois criminosos foram presos e os policiais conseguiram rastrear o drone até uma cobertura alugada, apontada como ponto de controle do equipamento.
Um dos momentos mais graves da ação ocorreu quando um blindado da Polícia Militar foi alvo de explosões provocadas pelos criminosos.
Além das prisões, o drone utilizado na ação e materiais explosivos foram apreendidos. O caso passou a ser investigado pela 42ª Delegacia de Polícia, que busca identificar outros integrantes do grupo responsável pela utilização do equipamento.
Dois episódios, uma mesma guerra
Os dois casos, embora tenham ocorrido em momentos distintos, revelam uma evolução preocupante no emprego dos drones por criminosos em Vargem Grande.
Em julho, o equipamento era utilizado para observar e mapear o território que seria alvo de uma invasão do TCP. Em agosto, um drone foi empregado para transportar explosivos e realizar ataques.
A sequência chama atenção porque demonstra que a tecnologia passou a integrar diferentes etapas das ações criminosas: da coleta de informações sobre o território até operações ofensivas.
O primeiro episódio também mostra que os drones já estavam incorporados ao aparato de guerra empregado na disputa entre TCP e CV. O segundo indica que a tecnologia passou a ser utilizada diretamente contra forças de segurança, aumentando o alcance dos ataques e permitindo que explosivos fossem transportados por via aérea.
Os casos ainda têm outro ponto em comum: a comunidade Pombo Sem Asa, em Vargem Grande, cenário de confrontos e disputa territorial.
A utilização de drones, portanto, deixa de aparecer como um recurso pontual e passa a fazer parte do próprio cenário de guerra entre grupos criminosos na região.
As investigações deverão esclarecer se os episódios estão relacionados à mesma estrutura criminosa e qual é a extensão da utilização desses equipamentos pelas facções que disputam o território.