A aliança entre lideranças do Comando Vermelho do Rio Grande do Norte (CV-RN) e traficantes do Comando Vermelho do Rio de Janeiro (CV-RJ) vem criando uma conexão criminosa que ultrapassa as fronteiras dos dois estados. No centro dessa articulação está o traficante Ruan Tales Silva de Oliveira, o “Chaves”, apontado como uma das principais lideranças do CV-RN e responsável por uma estrutura que mantém relações com criminosos instalados nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio.
Segundo informações levantadas, a relação envolve apoio entre integrantes das duas estruturas, abrigo para criminosos procurados, articulação entre lideranças e, principalmente, o suposto fornecimento de fuzis para a guerra travada pelo CV-RN contra o Sindicato do Crime (SDC) no Rio Grande do Norte.
Um dos principais nomes dessa conexão seria o traficante conhecido como “Pezão” ou “44”, liderança do Comando Vermelho no Complexo do Alemão. Ele teria uma relação próxima com Chaves e, segundo as informações, seria responsável pelo fornecimento de armamento para integrantes do CV-RN, especialmente para a chamada Tropa do Chaves.
A conexão também funciona no sentido inverso. Lideranças do CV-RN utilizam comunidades dominadas pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro como esconderijo, principalmente diante da pressão exercida pelo Sindicato do Crime no Rio Grande do Norte.
É o caso do traficante conhecido como “2T”, apontado como antigo chefe do bairro Cidade Nova, em Natal. Atualmente, ele estaria escondido no Complexo da Penha, uma das principais áreas de domínio do Comando Vermelho no Rio.
Outro exemplo é o traficante conhecido como “Preá”, apontado como uma das lideranças do CV-RN em Bom Jesus (RN). Em julho, ele teria sido alvo de uma tentativa de execução promovida por rivais do Sindicato do Crime dentro da própria residência onde estava escondido, em Extremoz. Depois do atentado, teria fugido para o Rio de Janeiro.
Chaves reúne aliados no Rio
A força dessa articulação ficou novamente evidenciada na noite do dia 8 de agosto, quando Chaves teria comemorado seu aniversário na região da Fazendinha, no Complexo do Alemão.
A presença de integrantes ligados ao CV-RN no Rio reforça a existência de uma rede de relacionamento entre criminosos potiguares e lideranças do Comando Vermelho instaladas na capital fluminense.
Chaves é apontado como uma das principais lideranças do CV-RN e sua estrutura teria papel relevante na guerra travada contra o Sindicato do Crime. Segundo as informações levantadas, integrantes ligados à sua tropa possuem atuação ou conexões em municípios como Grossos, Parelhas e Natal, além de outras cidades do Rio Grande do Norte.
A conexão com o Rio, porém, amplia a dimensão dessa disputa.
Rio se transforma em ponto estratégico para o CV-RN
A relação entre as duas estruturas criminosas não se limita a uma aproximação entre integrantes de facções que utilizam a mesma sigla.
Segundo as informações levantadas, o Rio de Janeiro passou a exercer papel estratégico para integrantes do CV-RN, servindo como local de abrigo para lideranças ameaçadas, ponto de encontro entre criminosos e possível origem de armamentos destinados à guerra no Rio Grande do Norte.
A presença de integrantes do CV-RN em áreas controladas pelo Comando Vermelho no Rio também demonstra como as alianças entre organizações criminosas passaram a funcionar em uma escala interestadual.
Execução em Natal pode ter relação com a Tropa do Chaves
Em meio a esse cenário, um homicídio ocorrido no Conjunto Santa Clara, no bairro Planalto, em Natal, é apontado como possível ação de integrantes da Tropa do Chaves.
Segundo as informações, dois homens chegaram de motocicleta à frente da casa da vítima e perguntaram sua identificação. Depois que o homem confirmou ser quem os criminosos procuravam, foi atingido por diversos disparos.
A principal suspeita é de que os executores tenham ligação com a estrutura de Chaves, que atua no contexto da guerra entre o CV-RN e o Sindicato do Crime.
O assassinato, porém, é apenas um dos episódios que chamam atenção para a atuação da Tropa do Chaves.
O aspecto mais relevante é a estrutura de alianças que conecta criminosos do Rio Grande do Norte a integrantes do Comando Vermelho no Rio de Janeiro, envolvendo lideranças, abrigo, circulação de criminosos e, segundo as informações levantadas, fornecimento de armamento para uma guerra que já provocou uma longa disputa pelo controle de territórios potiguares.
Obs.: Chaves teria realizado a comemoração de aniversário dois dias antes da data exata de seu nascimento.