A Justiça arquivou a acusação contra alguns dos principais chefões do Comando Vermelho investigados pela morte da manicure Tatiany Brandão Cruz, de 41 anos, durante um ataque a tiros na comunidade da Malvina, em Irajá, na Zona Norte do Rio. Entre os nomes que ficaram fora da ação penal estão Edgar Alves de Andrade, o Doca; Pedro Paulo Guedes, o Gardenal; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; Thiago do Nascimento Mendes, o Pezão; e Pedro Bala, além de outros investigados.
Na mesma decisão, porém, a Justiça recebeu a denúncia contra Thiago de Souza e Jonathan da Silva Vilela, que passam a responder criminalmente pela morte de Tatiany e pelas tentativas de homicídio contra dois idosos atingidos no mesmo ataque. O juiz também decretou a prisão preventiva dos dois.
Tatiany morreu depois de ser baleada na cabeça durante o tiroteio. Segundo testemunhas, ela estava no portão de casa, fazendo as unhas de uma cliente, quando foi atingida pelos disparos.
O ataque ocorreu em meio à disputa entre grupos criminosos pelo controle territorial da região. A investigação apontava para um confronto envolvendo integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP).
Chefes do tráfico ficam fora da acusação
A decisão judicial determina o arquivamento da investigação em relação a Edgar Alves de Andrade, Pedro Paulo Guedes, Wilton Carlos Rabello Quintanilha, Thiago do Nascimento Mendes, Carlos Costa Neves, Washington Cesar Braga da Silva e Luciano Martiniano da Silva.
Ou seja, embora esses nomes tenham aparecido no curso da investigação, o Ministério Público promoveu o arquivamento em relação a eles, e o juiz registrou que não havia providência a ser tomada quanto a esse ponto.
Entre os investigados estão criminosos de grande importância dentro da estrutura do Comando Vermelho, como Doca, Gardenal, Abelha, Pezão e Pedro Bala.
Na prática, a decisão reduz de maneira significativa o número de acusados que irão responder pela morte da manicure. A ação penal seguirá contra Thiago de Souza e Jonathan da Silva Vilela.
Dois acusados terão que responder pela morte
Ao analisar a denúncia, o juiz entendeu que estavam presentes os requisitos para a abertura da ação penal contra Thiago e Jonathan.
A denúncia atribui aos dois a prática de homicídio qualificado pela morte de Tatiany e duas tentativas de homicídio relacionadas aos idosos João dos Santos, de 71 anos, e Sebastião Gomes Valadão, de 72.
O magistrado também considerou que havia elementos suficientes para justificar a prisão preventiva dos acusados.
Entre as provas citadas estão documentos periciais relacionados à morte de Tatiany e aos ferimentos dos dois idosos. A decisão também destaca os depoimentos de duas testemunhas apresentados como testemunhas presenciais dos fatos.
Segundo o juiz, os dois prestaram depoimentos detalhados durante a investigação e apontaram condutas atribuídas aos acusados.
Manicure foi atingida no portão de casa
Tatiany chegou a ser socorrida para uma unidade de saúde e posteriormente transferida para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
Os dois idosos também foram baleados durante o ataque. João recebeu alta, enquanto Sebastião permaneceu internado em estado estável.
A morte da manicure provocou protestos de moradores da comunidade, que foram às ruas pedir mais segurança e justiça.
Com a decisão, o processo agora terá como réus Thiago de Souza e Jonathan da Silva Vilela, enquanto a acusação contra os demais investigados — incluindo nomes de peso do tráfico como Doca, Gardenal, Pezão, Abelha e Pedro Bala — foi arquivada.