Usuário de drogas e endividado com traficantes, um homem chamado Felioe afirmou à Justiça que passou a ser ameaçado pelo traficante carioca Peixão e que, diante das pressões, acabou obrigado a cumprir uma missão para quitar a dívida: buscar uma grande quantidade de maconha em Manaus, no Amazonas, e transportá-la para a região Sul do país.
A história terminou no Aeroporto Internacional de Brasília, onde Felipe foi preso com 19 tabletes de maconha, totalizando 19,305 quilos.
Segundo a versão apresentada pela defesa no processo, Felipe teria sido colocado sob forte pressão por causa de uma dívida com traficantes. Ele alegou que recebeu ameaças de Peixão e que temia sofrer represálias caso não cumprisse a determinação de transportar a droga.
A defesa utilizou justamente esse contexto para tentar demonstrar que Felipe não teria agido por livre vontade.
USUÁRIO, DÍVIDA E AMEAÇAS
De acordo com a versão apresentada no processo, Felipe era usuário de drogas e acabou contraindo uma dívida com traficantes.
A situação teria se agravado quando, segundo seu relato, passou a receber ameaças de Peixão. Pressionado pelo débito e temendo pelas consequências caso se recusasse a colaborar, teria sido encarregado de buscar a droga em Manaus.
A missão era transportar o entorpecente posteriormente para a região Sul.
A defesa sustentou que as ameaças foram tão graves que Felipe teria agido sob uma situação de coação moral irresistível, argumento utilizado para pedir sua absolvição.
QUASE 20 QUILOS DE MACONHA
No dia 13 de novembro de 2025, por volta das 8h, a viagem terminou em Brasília.
Felipe foi abordado no Aeroporto Internacional de Brasília transportando 19 tabletes de maconha, acondicionados em papel de seda e plástico filme. A perícia confirmou que a substância era maconha, com peso total de 19,305 quilos.
Durante o processo, o próprio acusado confirmou que fazia o transporte da droga.
A defesa, entretanto, insistiu que ele havia sido colocado naquela situação por causa da dívida e das ameaças que, segundo seu relato, teria recebido de Peixão.
O próprio depoimento de Felipe também reforça a conexão da operação com o Rio de Janeiro. Segundo ele, as pessoas que fizeram contato com ele em Manaus para que pegasse a droga eram do Rio.
Felipe afirmou que não sabia os nomes dos envolvidos, mas contou que, ao chegar a Manaus, recebeu uma ligação, foi buscado no aeroporto e levado para uma casa. No local, recebeu uma mala que já estava com a droga que deveria transportar para Florianópolis.
A declaração é relevante porque, segundo o próprio acusado, a articulação para que ele buscasse o entorpecente em Manaus partiu de pessoas que tinham ligação com o Rio de Janeiro. Ele também relatou que não recebeu os nomes dos envolvidos porque, segundo sua versão, eles não confiavam nele o suficiente para revelar suas identidades.
O acusado afirmou ainda que receberia R$ 1 mil pelo transporte e que consumiu grande quantidade de cocaína durante a passagem por Manaus.
AMEAÇA NÃO CONVENCEU A JUSTIÇA
A Justiça não aceitou a tese de que Felipe teria agido sob coação irresistível.
O juiz considerou comprovadas a materialidade e a autoria do crime e rejeitou a alegação apresentada pela defesa.
Assim, o caso acabou revelando uma história em que, segundo o próprio acusado, uma dívida relacionada ao consumo de drogas teria evoluído para ameaças de Peixão e o obrigou a entrar em uma operação para buscar quase 20 quilos de maconha em Manaus.