O jornalista Bruno Assunção divulgou em suas redes sociais uma mensagem atribuída ao filho do traficante Lacoste, apontado pela polícia como uma das principais lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Serrinha, em Madureira. Segundo a publicação, o criminoso teria decidido abandonar o tráfico e deixado o Rio de Janeiro.
Na mensagem, o filho comemora a suposta decisão do pai:
“Melhor notícia, pai. O senhor foi embora, graças a Deus. Quanto eu pedi a Deus por esse momento. Que Deus proteja sua viagem. Quem dizia que você nunca ia sair dessa vida… Te amo, pai. Uma nova vida, um novo recomeço. Felizão, porra, meu pai saiu!”

A informação, porém, não significa que Lacoste tenha efetivamente deixado o crime. Até o momento, trata-se de uma declaração atribuída ao filho do traficante, e não de uma confirmação oficial de que ele tenha abandonado as atividades criminosas.
Lacoste, também conhecido pelos apelidos de Flamengo, WC e Salomão, é apontado pelas autoridades como uma das lideranças do TCP. O Portal dos Procurados oferece recompensa por informações que levem à sua prisão.
O Complexo da Serrinha reúne as comunidades da Serrinha, Fazenda, Patolinha, São José e Dendezinho e é considerado uma importante área de atuação do TCP na Zona Norte do Rio. Segundo informações policiais, a região possui pontos de venda de drogas e circulação de criminosos fortemente armados.
Lacoste também é apontado como envolvido em disputas territoriais entre o TCP e o Comando Vermelho. Entre os episódios atribuídos ao criminoso está uma invasão ao Morro do Cajueiro. Durante um confronto na região, o menino Ryan Gabriel Pereira dos Santos, de 4 anos, foi baleado enquanto estava na rua com o avô. A criança chegou a ser levada ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas não resistiu.
Lacoste estaria envolvido na recente guerra que eclodiu em Rio das Pedras, em Jacarepaguá, estando do lado dos milicianos contra o CV.
De acordo com o Portal dos Procurados, Lacoste possui mandados de prisão por homicídio e associação para o tráfico de drogas. Ele também é considerado foragido do sistema penitenciário desde 2007, quando deixou o Instituto Penal Plácido Sá de Carvalho durante o regime semiaberto e não retornou à unidade.
Outros traficantes já anunciaram que deixariam o crime
A história de um traficante que supostamente decide abandonar a criminalidade, entretanto, não é inédita no Rio de Janeiro. Outros criminosos conhecidos já fizeram declarações semelhantes e posteriormente voltaram a aparecer em investigações policiais.
Um dos casos mais conhecidos é o de Celsinho da Vila Vintém. Depois de passar cerca de 20 anos preso, o criminoso afirmou que havia abandonado o tráfico e passou a se dedicar à criação de porcos. Anos depois, porém, voltou a ser preso, acusado de atuar como elo entre integrantes do Amigo dos Amigos (ADA) e do Comando Vermelho.
Outro episódio envolve Facão, apontado como um dos fundadores do TCP. Depois de deixar a prisão, chegou a ser divulgado que ele havia abandonado o crime e passado a trabalhar no AfroReggae. Posteriormente, porém, o criminoso voltou a ser alvo das autoridades e acabou preso acusado de envolvimento na morte de um policial militar.
Há ainda o caso de Chapola, que comandava o Morro do Dendê, na Ilha do Governador. Também circularam informações de que ele teria abandonado a criminalidade e se mudado para Minas Gerais. O traficante acabou preso naquele estado e foi solto neste ano.