A quadrilha do traficante Peixão, uma das principais lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP) no Rio, vem sendo pressionada simultaneamente por operações da Polícia Militar e por ataques do Comando Vermelho (CV), que tenta avançar sobre áreas controladas pelos rivais.
Enquanto a PM intensifica as operações no Complexo de Israel, o grupo de Peixão também enfrenta investidas de traficantes do CV em comunidades de sua área de influência.
No último fim de semana, criminosos das tropas de Bochecha Rosa, ou BX, e Urso, ligados ao Comando Vermelho, teriam invadido a comunidade do Buraco do Boi, em Nova Iguaçu. Durante a ação, os invasores executaram dois integrantes do bando de Peixão e levaram drogas que pertenciam aos rivais.
Depois da invasão, traficantes do CV passaram a debochar dos integrantes mortos nas redes sociais, numa demonstração de força diante dos adversários.
A pressão sobre o grupo também teria provocado uma deserção. Um traficante conhecido pelo vulgo de “Tá Maluco”, que atuava no Buraco do Boi, teria abandonado o TCP e passado a integrar o Comando Vermelho.
No mesmo momento em que enfrenta a ofensiva do CV, Peixão também está no alvo de uma nova operação da Polícia Militar no Complexo de Israel.
Nesta segunda-feira, a PM realizou uma nova etapa da operação. Depois de concentrar a primeira fase na Cidade Alta e em comunidades do entorno, as forças policiais avançaram para Parada de Lucas e Vigário Geral.
A ofensiva provocou uma nova reação violenta dos criminosos. Houve intensos tiroteios, explosões, incêndios de caminhões e veículos e importantes vias expressas chegaram a ser fechadas preventivamente.

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egundo o repórter Bruno Assunção, criminosos agrediram motoristas e retiraram vítimas de seus carros, enquanto gritavam: “Quem manda aqui é a gente. Mete o pé, mete o pé.”
Durante a operação em Parada de Lucas e Vigário Geral, quatro criminosos foram presos por policiais do BOPE. Após negociação para a rendição, os agentes apreenderam dois fuzis escondidos em uma área de charco.
Segundo a Polícia Militar, um dos soldados de Peixão estava com um explosivo preso ao colete. Ainda de acordo com os policiais, o artefato seria utilizado para ser lançado contra as equipes durante o confronto.

As equipes também realizaram a desobstrução de vias, dando continuidade à operação para conter a atuação de grupos criminosos armados e reduzir os impactos da violência sobre moradores e usuários das principais vias expressas da região.
A Cidade Alta é considerada uma área de posição topográfica privilegiada, característica que pode ser explorada por grupos criminosos para ampliar a capacidade de observação, controle territorial e enfrentamento às forças de segurança.
Depois de estabilizar a Cidade Alta, a Polícia Militar avançou para uma segunda fase da operação, concentrada em Parada de Lucas e Vigário Geral.
De acordo com a PM, um dos principais objetivos é conter as disputas territoriais entre facções criminosas nas comunidades do entorno do Complexo de Israel e combater quadrilhas que utilizam essas áreas como base para roubos de veículos e cargas, exploração ilegal de serviços e outras atividades criminosas.
A operação também busca combater práticas de perseguição e intolerância religiosa contra minorias religiosas, incluindo praticantes de religiões de matriz africana e outros segmentos cristãos, preservando a liberdade religiosa e a segurança da população.
Antes do início da ação, a PM realizou o fechamento preventivo da Avenida Brasil e da Linha Vermelha, seguindo o protocolo de segurança adotado em operações realizadas em comunidades próximas às principais vias expressas.
A medida teve como objetivo proteger motoristas e usuários das duas vias durante a atuação das equipes policiais.
Com ataques do CV contra áreas de seu domínio e a pressão crescente das forças de segurança, o grupo de Peixão enfrenta uma situação de forte cerco no Complexo de Israel, tendo de reagir simultaneamente à disputa territorial com uma facção rival e às operações policiais que avançam sobre seus principais redutos.