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STJ ESCANCARA PODER DE MARCINHO VP: RELATÓRIO REVELA SUPOSTAS ORDENS PARA MORTES, ATAQUES E GUERRAS QUE TERIAM SIDO DADAS DE DENTRO DA PRISÃO

O relatório do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que justificou a decisão de 17 de abril de manter o traficante Marcinho VP em presídio federal fora do Estado do RJ traz uma sequência de crimes do qual o bandido é suspeito de envolvimento ao longo de vários anos, mesmo estando preso. Segundo o documento, a permanência de “Marcinho VP” em estabelecimento penal federal de segurança máxima se dá em atendimento ao interesse da segurança pública, eis que capitaneada por fatos concretos e atuais revelados pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Polícia Civil. Marcinho VP ocupa, ainda hoje, posição de liderança na facção criminosa denominada “Comando Vermelho”, com atuação no domínio do tráfico de drogas do Complexo do Alemão, Complexo da Penha e no Município de São João de Meriti. Destaque-se a autuação do paciente em crimes de violência extremada, dentre eles, rebeliões em unidades prisionais com mortes e incursões abertas em guerras expansionistas geradoras do caos na segurança pública. De acordo com o STJ, ele apresenta histórico penal desfavorável, contando com atos de indisciplina e com influência em outros internos, pertencentes ao Comando Vermelho. Segundo atestado, o paciente ‘Marcinho VP’, membro do Comando Vermelho, é reconhecido como ‘Comandante do tráfico’, um dos responsáveis ‘pela ordem de uma série de ações criminosas ocorridas no Rio de Janeiro em Dezembro de 2006, tendo como alvos Delegacias, Cabines e Viaturas da PMERJ, quartel do Corpo de Bombeiros, assim como depredações a prédios públicos e queima de coletivos, onde resultou na morte de 19 pessoas. Segundo a polícia do Rio, a ordem para os ataques teria partido por via celular, de dentro do presídio de segurança máxima Bangu 1, mais especificamente da cela de Marcinho VP, considerado principal chefe do CV em Bangu I’. A periculosidade do paciente também é extraída pelo fato de ter respondido a inúmeros procedimentos disciplinares por insubordinação, indisciplina, subversão à ordem, evasão, com referência, ainda, a fatos específicos, tais como o de ter sido ‘apontado pela polícia do Rio como um dos mentores da construção de um túnel subterrâneo de 80 metros de extensão que daria fuga em massa aos presos dos complexos penitenciários de Bangu 1 e Bangu III (zona oeste)’, O documento revela que foram interceptadas conversas que confirmaram ter partido dele a ordem para prática de homicídio de oito jovens, vizinhos da Favela de Vigário Geral; vítimas estas que foram torturadas e mortas, ‘para vingar a morte dos moradores de Vigário Geral’. Ademais, foi referenciado seu envolvimento com criminosos também de altíssima periculosidade, eis que, ‘comandou, juntamente com (My Thor), Elias Maluco e (Fernandinho Beira Mar) a rebelião em Bangu I, que resultou na destruição do presídio e na morte de 04 (quatro) detentos, entre eles o (Uê), considerado líder da ADA, cuja autoria foi a ele atribuída’. Na época, houve a suspeiþa que a ebelião teve ajuda de um agente penitenciário que forneceu armamentos e chaves e teria recebido R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais). Mas o policial foi absolvido O relatório comenta ainda sobre sua suposta responsabilidade pela morte da diretora do presídio de Bangu I, Sidneya dos Santos de Jesus, pois, à época, ao que consta, “Marcinho VP” teria se revoltado porque a diretora vinha endurecendo as medidas de segurança, o que desagradou também aos demais presos. Também foi apresentada fundamentação idônea no sentido de que o paciente já foi ‘condenado a 36 anos de prisão por participação em dois homicídios, cometidos em 1996, ambos duplamente qualificados por motivo torpe e meio cruel. Ele teria sido o mentor intelectual do esquartejamento de André Luiz dos Santos Jorge e Rubem Ferreira de Andrade, integrantes de quadrilha rival que disputava o controle do tráfico no Complexo do Alemão’ e ‘em 2003, através de (Disque Denúncia), a Secretaria de Segurança Pública do Rio descobriu que (Marcinho VP) recebia boa parte do faturamento do tráfico que é avaliado em 1 milhão de reais, levados a Bangu I por suas duas irmãs e pela sua esposa (Márcia). O dinheiro era destinado ao pagamento de alguns agentes que lhe davam proteção e concessão de regalias, como telefone celular, drogas entre outros objetos proibidos’. De acordo com o relatório, a transferência de Marcinho VP para o sistema federal (Penitenciária Federal de Catanduvas) com os demais integrantes das facções criminosas do Complexo Bangu, ocorreu em virtude de levantamento de ‘dados indicativos de que as lideranças estariam mobilizando seus comparsas extramuros com o objetivo de reiniciar as ações perpetradas, com reflexo nas penitenciárias, possivelmente com início de uma rebelião em cadeias destinadas a custódia de presos ligados ao Comando Vermelho’. É um dos suspeitos de ter assassinado em Bangu III o interno Márcio Amaro de Oliveira (também chamado de (Marcinho VP), que fora encontrado no lixo, após morte por asfixia mecânica (estrangulamento). Marcinho VP foi o personagem do documentário (Abusado) de Caco Barcelos e foi morto em represália por ter revelado muitos segredos do Comando Vermelho ao repórter, fornecendo detalhes sobre o esquema do tráfico de drogas). Além do histórico gravíssimo de criminalidade e subversão que recai sobre o paciente ‘Marcinho VP’, o ofício da Diretoria do Sistema Penitenciário Federal indica fatos atuais no sentido de que ‘o poder de domínio do reeducando’ perdura até hoje, visto que há ‘notícias recentes de que o preso negociou uma trégua temporária com sua principal facção rival com o objetivo de unirem forças para o enfrentamento ao Estado brasileiro’. Logo, a periculosidade do paciente, o histórico envolvendo a prática de crimes de extrema gravidade, os persistentes atos de indisciplina no sistema prisional, a perenidade de execução de ações de liderança em facções criminosas (Comando Desde sua inclusão no SPF, o interno em questão manteve sua posição de controle e influência sobre outros presos, uma vez que tem grande poder aquisitivo, voz de comando e respeito de outras lideranças de seu grupo criminoso. Tem registros de indisciplina e inclusão no Regime Disciplinar Diferenciado – RDD, além de tentar constantemente burlar os procedimentos de segurança das unidades penais federais em que esteve preso com comunicações ostensivas

Detentos em isolamento iniciaram motim em presídio de Campos (RJ). Como foram impedidos, um deles tentou o suicídio e o outro o incentivou a se matar

Presos do isolamento iniciaram um motim no último dia 15 no Presídio Norberto Ferreira de Moraes, em Campos dos Goytacazes/RJ. Como a rebelião foi controlada, um deles tentou o suicídio e seu companheiro de cela lhe ajudou a tentar se matar, segundo o Tribunal de Justiça do Rio. De acordo com o processo, os presos Wellington Vieira da Silva e Felipe Santos Castro Dias, na cela 15 do isolamento, iniciaram motim, golpeando grades, ateando fogo ao colchão e ameaçando agentes, sendo o incêndio controlado pela equipe. Um tempo depois, Wellington praticou autolesões e tentou suicídio com auxílio e incentivo de Felipe, utilizando lâmina e lençol, sendo o ato impedido pelos policiais. Felipe foi flagrado com estoque artesanal perfurante, apreendido e ambos foram contidos, Wellington encaminhado ao SAMU e Felipe apresentado na delegacia tendo a prisão preventiva decretada.

Menores infratores ficariam sem comida se não fizessem rebelião no Rio. Um deles se recusou e foi agredido fisicamente

Na denúncia que resultou no afastamento de 22 agentes do Degase (Departamento de Ações Sócio-Educativas) que incitaram menores infratores a realizar uma rebelião em 2019 em uma unidade na Ilha do Governador, foi descrito que os funcionários públicos teriam, que adolescentes internados no CENSE Ilha praticassem diversos atos infracionais análogos aos crimes de motim, dano ao patrimônio público, lesão corporal, entre outros. Segundo a denúncia, os internos afirmaram que a rebelião somente ocorreu por determinação dos agentes socioeducativos mencionados, em especial um que foi preso ontem, relatando, ainda, que ele os teria ameaçado, dizendo que se a rebelião não ocorresse na madrugada do dia 05 de novembro de 2019, lhes seriam retirados direitos básicos, como alimentação. Há ainda relatos que, quando um dos reeducandos se recusou a participar da rebelião, o agente ‘Suzano’ o teria retirado do alojamento e lhe desferido um soco no rosto.Foi constatado, ainda, que a referida ordem tinha por objetivo fortalecer os pleitos apresentados pelo movimento grevista da categoria. Inclusive, as imagens captadas pelas câmeras da referida Unidade demonstraram que agentes do Sindicato da categoria grevista estariam no local momentos antes dos atos infracionais ocorrerem, restando evidenciado que o Presidente do Sindicato na época, ingressou no corredor dos alojamentos da Unidade quando os adolescentes ainda estavam sendo contidos pelo Grupo de Ações Rápidas do Degase, para tão somente tirar fotografias do local (quedando-se inerte em apoiar seus colegas na contenção dos adolescentes). Muito embora não tenha sido possível identificar o local e o momento em que teve início a rebelião, as imagens fornecidas evidenciaram que os agentes socioeducativos foram responsáveis por permitirem a saída dos adolescentes dos alojamentos, deixando as portas abertas, ensejando, assim, a rebelião, que precisou ser contida pelo GAR (Grupamento de Ações Rápidas do Degase, acionado em situações de crise). O agente preso ontem torturou psicologicamente os jovens que estavam sob sua batuta, a fim de os pressionar para que fizessem a rebelião que tinha como escopo chamar a atenção da sociedade para a imprescindibilidade da função dos agentes socioeducativos, os quais, com isso, pretendiam fortalecer o movimento grevista. Ademais, torturou fisicamente a vítima K.S.N Sampaio Nobre com o mesmo objetivo.

Vinte e dois agentes do Degase foram afastados pela Justiça suspeitos de incitar menores a fazer rebelião

O Ministério Público Estadual denunciou 22 agentes do Degase (Departamento de Ações Sócio-Educativas) por associação criminosa que resultou na rebelião de internos ocorrida em 5 de novembro de 2019, no CENSE Ilha do Governador. O episódio foi marcado por atos violentos, destruição de patrimônio público e risco à integridade de adolescentes e servidores. A pedido do GAECO/MPRJ, a Justiça afastou todos os denunciados de suas funções e deferiu a prisão de um agente, cumprida pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), na quarta-feira (27/08). Segundo o GAECO/MPRJ, os internos foram incitados pelos agentes a destruir as instalações do CENSE Ilha para atrair a atenção da sociedade e da mídia às reivindicações da categoria. Parte dos denunciados, integrantes do sindicato, registrou a destruição em vez de contê-la, reforçando o cenário de caos. Os promotores de Justiça apontam que os denunciados usaram os adolescentes como “massa de manobra” para dar visibilidade a um movimento grevista, colocando em risco vidas humanas e a segurança institucional. O agente Thiago Guedes Suzano, conhecido como “Suzano”, foi preso pela CSI/MPRJ em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Sua prisão preventiva foi requerida em razão de sua liderança na articulação criminosa. Ele também foi denunciado por tortura. De acordo com as investigações, ele incitou os adolescentes a se rebelarem, praticando tortura física e psicológica contra os internos que resistiram ao motim. Além disso, as apurações revelaram que o denunciado tentou alinhar versões após os fatos, demonstrando risco à instrução processual e possibilidade de reiteração criminosa. A denúncia do GAECO/MPRJ, recebida pela 42ª Vara Criminal da Capital, tornou réus os 22 agentes, que responderão por associação criminosa, dano qualificado ao patrimônio público e facilitação de fuga de pessoa legalmente privada de liberdade. Um dos agentes responderá ainda por falsidade ideológica, por ter inserido informações falsas no livro público de registros da unidade.

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