Apontado pela polícia como chefe do tráfico no Castelar, área dominada pelo Comando Vermelho, José Severino da Silva Júnior, o “Soró”, virou réu por homicídio em um caso marcado por um detalhe chocante: testemunhas afirmam ter ouvido, em uma ligação telefônica ao vivo, os últimos momentos de desespero da vítima antes da execução.
Segundo a investigação, Ary teria sido sequestrado por traficantes da facção e levado para um “acerto de contas” dentro da comunidade. Durante o trajeto, uma testemunha afirma que permaneceu em chamada com a vítima e escutou criminosos dizendo que Soró havia mandado “dar um jeito” nele.
O relato é considerado um dos pontos mais pesados do processo.
De acordo com o depoimento, Ary começou a implorar pela própria vida enquanto era cercado pelos traficantes. Pouco depois, ainda durante a ligação, foram ouvidos os disparos de arma de fogo que teriam colocado fim à execução.
Outra testemunha contou que viu o momento em que traficantes do Comando Vermelho telefonaram para Soró avisando que a vítima já estava no local do chamado “acerto”.
Para os investigadores, os depoimentos indicam que a execução teria acontecido sob ordens diretas do criminoso, apontado como uma das principais lideranças do CV no Castelar.
A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público contra Soró pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver, entendendo que existem indícios suficientes para abertura da ação penal.
Apesar da gravidade do caso e do conteúdo explosivo dos depoimentos, o juiz negou o pedido de prisão preventiva.
Na decisão, o magistrado reconhece a existência de indícios contra o acusado, mas afirma que ainda não há testemunhas que tenham presenciado diretamente o momento do assassinato. O juiz também destacou que não existem provas de que Soró esteja ameaçando testemunhas ou tentando interferir na investigação.
Com isso, o traficante continuará respondendo ao processo em liberdade enquanto o caso segue sendo investigado pela polícia e pelo Ministério Público.
Outro crime
Soró também aparece como acusado em outro processo extremamente violento investigado pela Justiça. Desta vez, o traficante apontado como chefe do Comando Vermelho no Castelar é citado como um dos envolvidos na execução de Kauã, conhecido como “Cobrinha”.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Kauã vinha sofrendo ameaças havia semanas após uma briga envolvendo integrantes ligados ao tráfico. O processo aponta que, dias antes do assassinato, criminosos já haviam feito ataques de intimidação contra a vítima, chegando a disparar tiros em sua direção em diferentes ocasiões.
No dia do crime, Kauã foi cercado por quatro homens em duas motos quando voltava para casa após uma confraternização. O próprio pai da vítima afirmou à polícia que presenciou a emboscada.
De acordo com o depoimento, um criminoso conhecido como “Cabeludo” teria sido o responsável pelos disparos, enquanto “Mateus” conduzia a moto usada na execução. Mesmo baleado, Kauã ainda tentou correr para dentro de casa, mas acabou atingido antes de conseguir escapar.
Outro detalhe pesado do processo é que um dos acusados presos admitiu participação no ataque durante depoimento à polícia. Segundo ele, o assassinato teria ligação direta com a guerra entre facções criminosas rivais.
A Justiça entendeu que existem provas e indícios suficientes contra os envolvidos e decretou a prisão preventiva dos acusados, incluindo Soró. Na decisão, o juiz destacou a gravidade do crime, o risco à ordem pública e a violência empregada na execução.