Uma investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) mostra como o Comando Vermelho mantém uma estrutura armada para controlar o Morro do Juramento, na Zona Norte do Rio.
As provas foram reunidas durante uma longa investigação e incluem conversas de grupos de WhatsApp usados por criminosos que atuavam na comunidade. Parte do material foi obtida a partir de dados armazenados na nuvem de um traficante conhecido como “Gadernal”, apontado pela polícia como um dos criminosos mais perigosos e influentes do estado.
A presença de Gadernal nos grupos chamou a atenção dos investigadores. Segundo o relatório, ele é uma liderança do Comando Vermelho ligada à organização de confrontos, à disputa por territórios e a ataques contra policiais e integrantes de facções rivais.
As conversas mostram, segundo a investigação, que os criminosos tinham uma rotina organizada para manter a segurança do território.
Dois grupos de WhatsApp, chamados “FML Juramento Cpx PH Luto” e “CP J2”, eram usados pelos integrantes do CV. Nas mensagens aparecem referências a homens armados, escalas de plantão e vigilância da comunidade.
Também aparecem ordens atribuídas a integrantes do chamado núcleo duro da facção, entre eles Doca, conhecido como “Urso”, e Gadernal.
A investigação aponta ainda que os criminosos mantinham ameaças contra policiais e grupos rivais e estavam envolvidos nos confrontos que marcaram a disputa pelo controle da região.
Preso com fuzil disse trabalhar para Doca
Um dos casos que fazem parte da investigação ocorreu em 28 de abril deste ano.
Policiais militares faziam patrulhamento nas proximidades de uma área dominada pelo Comando Vermelho quando viram um homem armado com um fuzil tentando entrar em uma casa.
Os policiais mandaram que ele parasse. Segundo a denúncia, o homem se rendeu imediatamente e colocou a arma no chão. Não houve troca de tiros.
Com ele, os policiais encontraram um fuzil Colt calibre 5,56, um carregador e oito munições, além de um celular.
Durante a abordagem, ainda segundo a denúncia, o homem afirmou que fazia parte do Comando Vermelho e que trabalhava para o “Urso”, exercendo a função de segurança de um ponto de venda de drogas.
“Urso” é o apelido de Doca, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho.
Para o Ministério Público, o homem fazia parte da estrutura da facção responsável pela vigilância armada e pelo controle do território.