O assassinato do contraventor Fernando Iggnácio, cujo primeiro acusado foi condenado nesta semana — o ex-PM Rodrigo Silva das Neves, sentenciado a 32 anos e 9 meses de prisão — foi cometido por meio de uma emboscada cuidadosamente planejada e executada com extrema precisão.
O crime ocorreu no dia 10 de novembro de 2020, por volta das 13h15, a partir de um terreno baldio localizado ao lado do estacionamento do heliporto da empresa Heli-Rio Táxi Aéreo, situado na Avenida das Américas, nº 13.750, no bairro Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio.
Emboscada montada com antecedência e camuflagem
Os assassinos permaneceram em tocaia, escondidos de forma estratégica na extensa vegetação que ladeava o muro do heliporto, utilizando a camuflagem natural do local para não serem percebidos.
A escolha do ponto da emboscada foi feita de maneira precisa, assim como o momento do ataque, calculado para atingir a vítima quando estivesse em situação de maior vulnerabilidade.
Planejamento detalhado e divisão de tarefas
No dia do crime, por volta das 09h, conforme previamente ajustado entre os envolvidos e seguindo ordens atribuídas a “Araújo” e ao contraventor Rogério de Andrade, a ação foi colocada em prática.
Enquanto um dos quatro primeiros participantes permanecia no interior do veículo utilizado pelo grupo — um VW Fox Connect, cor branca —, os outros três invadiram o terreno baldio que fazia divisa com o heliporto da empresa Heli-Rio Táxi Aéreo.
Eles estavam munidos de, pelo menos, duas armas de fogo de alta energia cinética, sendo fuzis PARA FAL e AK-47, ambos calibre 7,62 mm.
Posição estratégica no muro e ataque a curta distância
Após aguardarem por cerca de quatro horas, esperando o retorno de Fernando Iggnácio de Angra dos Reis em seu helicóptero, três dos executores posicionaram suas armas sobre o muro contíguo ao estacionamento do heliporto.
Eles ficaram a uma distância aproximada de quatro metros do local onde estava estacionado o veículo da vítima, uma Land Rover/Range Rover, blindada, ano 2007, cor preta.
Assim que Fernando Iggnácio se colocou ao lado do automóvel, pelo menos dois dos envolvidos efetuaram diversos disparos de arma de fogo.
Disparos fatais e execução violenta
A vítima foi atingida por três disparos, sendo que um deles alcançou a região da cabeça, entre o nariz e o olho esquerdo.
Segundo consta no processo, o projétil penetrou a caixa craniana e explodiu em seu interior, causando a morte de forma imediata e espargindo massa encefálica..
Monitoramento da vítima foi essencial para o crime
O crime contou ainda com a participação de outro integrante responsável pelo monitoramento da vítima.
Ele repassava instruções a “Araújo”, apontado como responsável por contratar os executores, fornecendo informações que possibilitaram o êxito da empreitada criminosa.
Nas conversas interceptadas, Fernando Iggnácio era identificado pela alcunha “Cabeludo”.
A referência à vítima é reforçada por diálogos que mencionam características de um imóvel, como a existência de um “cais de ferro na cor verde nos fundos da casa do Cabeludo”, posteriormente identificado como sendo de propriedade da vítima.
Condenação confirma emboscada e abre caminho para novos desdobramentos
A condenação de Rodrigo Silva das Neves representa o primeiro desfecho judicial do caso e confirma a dinâmica de uma execução em emboscada, com planejamento prévio, divisão de tarefas e uso de armamento de guerra.
Outros envolvidos seguem sendo investigados.
Conclusão
Os elementos reunidos no processo mostram que o assassinato de Fernando Iggnácio foi resultado de uma emboscada estruturada, com monitoramento prévio, escolha estratégica do local, posicionamento tático dos executores — inclusive sobre o muro, a poucos metros da vítima — e execução coordenada.
A decisão da Justiça consolida essa versão e evidencia o nível de organização por trás do crime.