Uma investigação do GAECO de Piracicaba revelou a existência de um esquema instalado no interior de São Paulo voltado ao fornecimento de armas para traficantes do Rio de Janeiro, especialmente integrantes do Comando Vermelho (CV). No centro da apuração aparece Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como “Léo Bode”, apontado como articulador do armamento destinado à facção carioca.
Segundo o Ministério Público, Léo Bode foi “batizado” pelo Comando Vermelho no RJ e hoje exerce papel de liderança da facção em áreas do interior paulista, sendo apontado ainda como responsável por ordenar execuções e ataques contra rivais ligados ao PCC em Rio Claro.
A investigação teve origem após a Operação Contenção, deflagrada em maio de 2025, que levou à prisão de um comerciante de armas suspeito de abastecer o CV. A partir daí, promotores passaram a rastrear uma estrutura empresarial usada para dar aparência de legalidade ao comércio clandestino de armamentos.
Loja de armas e viagens constantes ao Rio
De acordo com o procedimento investigatório, uma empresa do ramo esportivo sediada em Americana, no interior paulista, passou a ser monitorada após suspeitas de que estaria sendo utilizada como fachada para negociações ilegais de armas.
Os investigadores identificaram viagens frequentes ao Rio de Janeiro realizadas em veículos registrados em nome da empresa. Os deslocamentos coincidiam, segundo o GAECO, com a continuidade das atividades criminosas mesmo após a prisão do principal investigado na Operação Contenção.
Levantamentos feitos por radares inteligentes mostraram que os veículos circularam repetidamente pela Região Metropolitana do Rio, área de influência do Comando Vermelho.
Conversas revelam contatos diretos com criminosos do Rio
A quebra telemática autorizada pela Justiça aprofundou as suspeitas. A análise de mensagens de WhatsApp revelou contatos permanentes com pessoas ligadas ao crime organizado fluminense, inclusive utilizando números internacionais associados a comunidades dominadas pela facção.
Os investigadores afirmam que criminosos com maior estrutura costumam utilizar linhas estrangeiras para dificultar o rastreamento policial. Um dos números identificados possuía prefixo colombiano e, segundo o relatório, era usado em comunidades do Rio controladas pelo CV.
CAC é apontado como peça do esquema
Outro ponto considerado grave pelos investigadores envolve a participação de um CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) no esquema.
Um homem conhecido como “Galego”, preso em Rio Claro com drogas e armas, mantinha em seu acervo um fuzil calibre 7.62 e pistolas 9mm que não foram localizadas durante as buscas, levantando a suspeita de que os armamentos já estivessem em circulação nas mãos da facção.
Ainda segundo o Ministério Público, armas registradas em nome de Léo Bode foram encontradas na residência do suspeito. Parte da documentação de tráfego desses armamentos teria sido assinada pelo pai de um dos investigados presos anteriormente por envolvimento no abastecimento do Comando Vermelho.
Facção carioca expandindo influência em São Paulo
Os documentos do GAECO indicam que Léo Bode atua como elo entre criminosos paulistas e o Comando Vermelho do Rio de Janeiro, fortalecendo uma rota interestadual de armas e drogas.
A investigação aponta que ele passou a comandar ações violentas em Rio Claro após ser incorporado à facção carioca, promovendo ataques contra integrantes do PCC e ampliando a influência do CV em cidades do interior paulista.
Agora, o Ministério Público busca aprofundar a análise dos celulares apreendidos e rastrear o destino final das armas encontradas em um fundo falso de uma loja investigada no esquema.