Apontado como um dos criminosos mais antigos e influentes de São Gonçalo, ANTÔNIO ILÁRIO FERREIRA, o “Rabicó” ou “Coroa”, transformou o Complexo do Salgueiro em um dos principais quartéis-generais do Comando Vermelho fora da capital fluminense, comandando uma quadrilha envolvida com tráfico de drogas, roubos de cargas, homicídios e ações armadas em diferentes regiões do estado.
Segundo as investigações, o Complexo do Salgueiro — também conhecido como “G-84” — consolidou-se como uma base estratégica da facção em São Gonçalo, abrangendo comunidades dos bairros Porto do Rosa, Itaúna, Fazenda dos Mineiros, Palmeiras, Itaóca, Praia da Luz, Jardim São Lourenço e Recanto das Acácias.
Os autos apontam que a organização utilizava barricadas, áreas de mata e a geografia da região para dificultar operações policiais e garantir o domínio territorial armado imposto pelo grupo.
Rabicó aparece descrito como a principal liderança criminosa da região. Condenado a mais de 27 anos de prisão, ele foi preso em Pernambuco em 2008, mas, após deixar o sistema prisional, reassumiu o controle do tráfico no Complexo do Salgueiro e ampliou violentamente as atividades da facção.
As investigações apontam que a quadrilha deixou de atuar apenas no tráfico de drogas e passou a explorar roubos de cargas, roubos de veículos, homicídios e ações armadas de grande impacto.
Os autos descrevem uma organização criminosa altamente estruturada, com divisão de tarefas, homens fortemente armados e células específicas para cada modalidade criminosa.
Segundo o Ministério Público, Rabicó exercia controle direto sobre diversas ações violentas praticadas pela quadrilha e era constantemente visto circulando armado ao lado de comparsas com fuzis.
Fotografias reunidas na investigação mostram o traficante cercado por criminosos fortemente armados dentro do Complexo do Salgueiro.
Em uma das imagens citadas nos autos, Rabicó aparece sentado no centro de um grupo de criminosos armados, incluindo integrantes apontados como lideranças da organização.
Outra fotografia mencionada no relatório final mostra Rabicó portando uma arma de grosso calibre ao lado de RAFAEL TEIXEIRA GUIMARÃES PEIXOTO, o “Funil”, apontado como chefe da célula especializada em roubos da facção.
Na mesma imagem aparece também o rapper Oruam segurando uma criança enquanto os criminosos ostentavam armamento pesado em uma área dominada pelo Comando Vermelho.
Segundo os investigadores, Funil atuava como um dos principais homens de confiança de Rabicó e era responsável por coordenar roubos de cargas, veículos e joias em São Gonçalo e Niterói.
A investigação sustenta que ele liderava ações criminosas de grande violência e impacto econômico, sempre com autorização direta da cúpula da facção no Salgueiro.
Depoimentos reunidos nos autos descrevem momentos em que Rabicó apareceu pessoalmente supervisionando cargas roubadas dentro da comunidade.
Uma das vítimas relatou que foi levada por criminosos armados até o interior da favela, onde Rabicó surgiu portando um fuzil e sendo tratado pelos comparsas como “chefe”.
Segundo o depoimento, ele analisava notas fiscais das mercadorias roubadas e determinava para onde os produtos seriam levados.
Outra testemunha afirmou que Rabicó coordenava o posicionamento dos caminhões roubados enquanto homens armados realizavam o transbordo das cargas.
Os investigadores apontam que a organização não hesitava em utilizar violência extrema para manter o controle territorial e impor medo à população.
Os autos descrevem uma facção fortemente armada, envolvida em confrontos constantes e homicídios ligados à disputa de território e manutenção do poder criminoso na região.
Além do domínio em São Gonçalo, as investigações revelam que Rabicó mantinha contato com outras lideranças criminosas do Comando Vermelho em diferentes regiões do país.
Entre os nomes citados aparece ISAÍAS DO BOREL, apontado como uma das lideranças da facção no Morro do Borel.
Os investigadores também mencionam ligações com ARNALDO DA SILVA DIAS, o “Samurai”, criminoso associado a atividades da facção no Distrito Federal, além de contatos com integrantes identificados pelo vulgo “Bebezinha”.
Segundo os autos, a estrutura liderada por Rabicó possuía forte articulação com diferentes núcleos criminosos e operava como uma engrenagem armada voltada ao fortalecimento territorial do Comando Vermelho em São Gonçalo.
O material reunido pela investigação descreve a quadrilha como uma organização criminosa violenta, hierarquizada e fortemente armada, responsável por transformar o Complexo do Salgueiro em uma das áreas mais estratégicas do Comando Vermelho no estado do Rio de Janeiro.