Quase duas décadas depois do início das investigações, a Polícia Militar expulsou três policiais envolvidos com uma organização criminosa especializada na exploração ilegal de máquinas caça-níquel e na corrupção de agentes públicos.
A quadrilha, segundo as investigações, atuava pelo menos desde 2007 e mantinha aproximadamente 500 pontos de exploração de máquinas caça-níquel em municípios da Região Metropolitana e da Região Serrana do Rio, incluindo Magé, Teresópolis, Guapimirim e cidades vizinhas.
O grupo era estruturado e contava com diferentes níveis de comando. De acordo com a investigação, os principais integrantes estabeleciam as diretrizes da organização, enquanto outros membros atuavam na operação do esquema e na administração financeira da atividade criminosa.
A organização também contava com a participação de policiais federais, que, em troca do recebimento periódico de vantagens indevidas, forneciam informações privilegiadas sobre investigações e operações policiais.
O objetivo era proteger o funcionamento do esquema de jogos ilegais e permitir que a quadrilha continuasse explorando as máquinas sem ser incomodada pelas autoridades.
Planilhas revelaram dimensão do esquema
Durante as investigações, interceptações telefônicas e documentos apreendidos ajudaram a revelar a estrutura da organização criminosa.
Em uma das conversas interceptadas, integrantes do grupo discutem até mesmo o pagamento de salários e o aumento da remuneração de envolvidos na operação.
Nas buscas realizadas pela polícia, foram apreendidos computadores e discos rígidos contendo planilhas relacionadas ao controle das máquinas caça-níquel, à movimentação financeira e à distribuição dos valores obtidos com a exploração ilegal.
Uma das planilhas apreendidas registrava a existência de 634 máquinas caça-níquel apenas na região de Barra Mansa. O material também apontava uma movimentação de aproximadamente R$ 1,5 milhão com as máquinas entre outubro de 2009 e junho de 2010.
As investigações também encontraram documentos que indicavam a existência de um esquema de corrupção policial ligado à exploração das máquinas.
Expulsão quase 20 anos depois
Apesar de os fatos investigados remontarem a 2007, a expulsão dos três policiais militares só foi formalizada agora, quase duas décadas depois do início da atuação criminosa atribuída à organização.
A decisão administrativa considerou que o envolvimento dos agentes com a exploração de jogos ilegais e com o esquema de corrupção era incompatível com a permanência nos quadros da Polícia Militar.
Os três foram excluídos da corporação por violação dos deveres funcionais e por condutas consideradas incompatíveis com a dignidade e o decoro da função policial.
O caso mostra a impressionante demora entre a descoberta de um esquema criminoso e a conclusão do processo disciplinar que resultou na expulsão dos policiais.
Quase 20 anos depois de a organização criminosa começar a operar, os três policiais finalmente foram retirados dos quadros da PM.