De homem usado como laranja para movimentar dinheiro do crime a integrante apontado como um dos nomes de liderança da milícia de Rio das Pedras. Essa foi a trajetória de Fabrício Ferreira Godoi, preso ontem por agentes da Polícia Civil do Rio.
O nome de Godoi surgiu nas investigações que deram origem à Operação Intocáveis, responsável por revelar, no final da década passada, a complexa estrutura criminosa que dominava Rio das Pedras e transformava a exploração ilegal de serviços e outras atividades clandestinas em uma verdadeira fonte de renda para o grupo paramilitar.
Na época, Fabrício era associado a um dos principais integrantes da organização, conhecido pelo vulgo Fininho. Segundo as investigações, ele atuava como uma espécie de operador financeiro do esquema, disponibilizando sua conta bancária pessoal para o recebimento de valores provenientes das atividades criminosas da quadrilha.
A movimentação tinha um objetivo claro: ocultar e dissimular a origem ilícita do dinheiro, dificultando o rastreamento dos recursos pelas autoridades.
Ciente da procedência dos valores, Fabrício chegou a receber em sua própria conta bancária cerca de R$ 50 mil, quantia apontada nas investigações como proveniente das atividades criminosas da organização.
Mas a participação de Godoi no universo da milícia não teria ficado restrita à movimentação financeira.
Anos depois, seu nome voltou a aparecer em uma investigação que revelou sua proximidade com integrantes da cúpula do grupo paramilitar. Em 2022, Fabrício foi flagrado em uma reunião envolvendo nomes de peso da milícia de Rio das Pedras e de outras comunidades da Zona Oeste.
Entre os participantes estava André Silva Loback, o André Careca, apontado naquele momento como um dos principais líderes da milícia que atuava em Rio das Pedras e responsável diretamente pelas atividades criminosas da organização nas localidades conhecidas como Areal 2 e Floresta.
Também participava do encontro Bruno Rodrigues Guarany de Carvalho, o Skank, apontado na época como chefe da milícia na comunidade da Muzema.
Os integrantes presentes mantinham ainda vínculos com Edmilson Gomes Menezes, o Macaquinho, nome histórico da milícia do Fubá e do Campinho, que durante anos exerceu forte influência sobre as atividades criminosas da região.
A reunião expunha, segundo as investigações, a existência de uma rede de relações entre diferentes núcleos da milícia na Zona Oeste do Rio, da qual Fabrício fazia parte.
conder dinheiro do crime havia, portanto, avançado dentro da estrutura criminosa e passado a circular entre integrantes de sua cúpula.
Fabrício Ferreira Godoi foi localizado e capturado por agentes da 21ª DP (Bonsucesso) em um apartamento de luxo na Freguesia, na Zona Sudoeste do Rio.
Contra ele havia um mandado de prisão condenatório expedido pela Justiça pelo crime de organização criminosa.
Preso, Fabrício responderá pelo crime previsto na Lei de Organizações Criminosas.