Alvo prioritário da polícia do RJ nesta semana, José Severino da Silva Júnior, vulgos Soró, Jetta ou Maluquinho (vulgo “Soró”), ocupa o posto de destaque na hierarquia da estrutura criminosa Comando Vermelho, sendo considerado o chefe do complexo Castelar, em Belford Roxo – que abrange as comunidades Castelar, Palmeirinha e Rola Bosta – e, portanto, responsável pela determinação de todas as ações criminosas da facção na localidade. Homicídios só ocorrem sob sua autorização.
Uma testemunha revelou que ouviu em uma ligação telefônica, traficantes dizendo que Soró havia mandado “dar um jeito” em um homem chamado Ary, chegando a ouvi-lo implorando pela vida, ressalta ainda que ouviu os disparos de arma de fogo que o atingiram.
Uma outra disse que estava conversando com amigos na comunidade do Castelar amigos, no momento em que os traficantes da facção Comando Vermelho, levaram Ary para o “acerto de contas” e viu o momento em que um deles, ligou para Soró para dizer que já estavam com Ary no “acerto”.
Soró foi acusado por exemplo de mandar matar Rogério Natã Pinheiro da Silva em agosto do ano passado em razão de conflitos internos ou alegações que a vítima vinha afrontando ou desobecendo suas determinações.
Rogério foi morto com golpes na cabeça e teve o corpo esquartejado, membros retirados à altura dos cotovelos e joelhos. Os pedaços do corpo foram colocados em três sacolas.
Um homem foi coagido pelos traficantes a jogar o material às margens de um rio.
Um dos braços direito de Edgar Alves de Andrade, o Doca, Jetta ficou conhecido em 2018 quando teria dado ordem para atacar um grupo de pessoas que estavam em um bar na noite de Natal. Seis foram baleados. Soró determinou o ataque porque achava que havia um miliciano entre entre eles.
Ele também participado do homicídio de um homem, por este ser do tráfico local, e também por ser um assaltante de veículos na região, e que teria sido morto pelo tráfico de drogas local.
Soró assumiu o comando do Castelar devido a suposta morte de José Carlos Prazeres Silva, o Piranha, que teria sido picotado por ordem da cúpula do Comando Vermelho no Complexo da Penha por conta do episódio do desaparecimento de três meninos.
Ele é responsável por apresentar a contabilidade do dinheiro proveniente do tráfico no Castelar, além de prestar contas sobre armas e drogas destinadas à revenda.
Imagens anexadas a uma denúncia, extraídas da “nuvem” de Gardenal, mostram um malote de dinheiro e fazem referência às áreas controladas por José Severino.
Contra ele constam oito mandados de prisão.
A OPERAÇÃO QUE TENTOU PRENDÊ-LO
Policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Baixada Fluminense (DRE-BF) deflagraram, nesta quinta-feira (03/09), uma operação para combater o tráfico de drogas do Comando Vermelho em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, para tentar prender Jetta.
A ação contou com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da 54ª DP (Belford Roxo) e teve como foco o cumprimento de mandados de prisão e a repressão aos pontos de venda de entorpecentes. Durante as diligências, 11 criminosos foram capturados e um adolescente apreendido. Os agentes também apreenderam drogas e rádios comunicadores.
Entre os presos está um homem apontado pelas investigações como responsável pelo gerenciamento do tráfico na comunidade da Palmeira. Ele foi localizado em um ponto de venda de drogas e estava foragido desde que não retornou ao sistema prisional após uma saída temporária concedida por ocasião do Dia dos Pais. Outro alvo foi capturado enquanto atuava na vigilância do tráfico, monitorando a movimentação policial e repassando informações aos demais integrantes do grupo. Duas mulheres também foram presas, apontadas como colaboradoras da organização criminosa.
A ofensiva teve como principal foco a comunidade do Castelar, apontada nas investigações como uma das áreas de atuação da organização criminosa. De acordo com as apurações da DRE-BF, os alvos mantêm envolvimento reiterado com o tráfico de entorpecentes e integram a estrutura responsável pela comercialização de drogas na região.
As equipes atuaram na repressão aos pontos de venda de drogas instalados na comunidade.
A estratégia busca não apenas localizar os alvos, mas também atingir a estrutura utilizada para manter o comércio ilegal de entorpecentes e reduzir a capacidade de atuação da organização criminosa no território.
A ação faz parte da “Operação Contenção”, uma ofensiva estratégica do Governo do Estado para conter e atacar o avanço territorial da facção criminosa Comando Vermelho. O principal objetivo é desarticular a estrutura financeira, logística e operacional da organização criminosa, além de prender traficantes que atuam na região. Até o momento, são mais de 375 capturados e outros 138 criminosos neutralizados em confronto. Foram apreendidas cerca de 482 armas, sendo 191 fuzis, e mais de 51 mil munições.