O medo dos milicianos era tamanho que comerciantes e funcionários do Parque Araruama, em São João de Meriti, disseram que estariam dispostos a mentir para favorecê-los caso fossem chamados a depor.
As vítimas das cobranças se recusaram a comparecer à delegacia para prestar depoimento porque temiam represálias e chegaram a afirmar que, se fossem obrigadas a falar, dariam uma versão falsa para proteger os acusados.
O relato expõe o grau de intimidação que, segundo as investigações, era imposto aos comerciantes da região. Não se tratava apenas do receio de sofrer alguma represália por deixar de pagar.
O medo era tamanho que pessoas que teriam sido diretamente vítimas das cobranças admitiam a possibilidade de mentir para a polícia para não contrariar os integrantes do grupo.
A investigação aponta que os paramilitares atuavam em diversos estabelecimentos comerciais do Parque Araruama, onde faziam o chamado “recolhe” semanal. Comerciantes eram obrigados a entregar dinheiro sob a justificativa de pagamento por uma suposta “taxa de proteção” ou “taxa de segurança”.
A cobrança, segundo os investigadores, era feita mediante grave ameaça. O mecanismo seria simples: os integrantes do grupo exigiam pagamentos periódicos e deixavam claro que os comerciantes deveriam pagar para evitar problemas.
Durante uma abordagem policial, os próprios suspeitos teriam admitido integrar a milícia e afirmado que estavam realizando o “recolhe” dos comércios locais.