Uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio descreve um cenário de expansão do Comando Vermelho em Bom Jardim, na Região Serrana, com atuação estruturada em bairros da cidade, monitoramento permanente da movimentação policial e manutenção de atividades criminosas mesmo com parte das lideranças presa.
Segundo o documento encaminhado à Justiça, 21 investigados teriam integrado uma associação voltada ao tráfico de drogas com atuação principalmente nos bairros dos Alves e Jardim Boa Esperança (BNH), apontados pelos investigadores como áreas onde o grupo buscava consolidar presença territorial.
De acordo com a acusação, a organização mantinha uma divisão interna de funções semelhante a uma estrutura empresarial clandestina: havia responsáveis pelo comando, gerenciamento financeiro, armazenamento e distribuição de drogas, transporte de entorpecentes, fornecimento de armas, prestação de contas e vigilância para antecipar ações policiais.
Um dos elementos destacados pelo MP é que o comando do grupo, segundo a investigação, continuava ativo mesmo com lideranças encarceradas. A denúncia sustenta que ordens eram transmitidas por telefone e aplicativos de mensagens, permitindo manter o funcionamento do esquema fora dos presídios.
Os autos descrevem que o grupo operava por meio de um canal de comunicação no WhatsApp chamado “Tropa do Gato Preto”, usado diariamente para trocar alertas sobre presença policial e proteger a atividade do tráfico.
Segundo a denúncia, os integrantes monitoravam em tempo real diversos pontos considerados estratégicos dentro do município. Nas conversas e levantamentos citados pelo Ministério Público aparecem referências a áreas identificadas pelos próprios investigados como “Iraque”, “Iraq”, “BNH”, “Pistão”, “Pistão Iraque”, “Pistão BNH”, “Angico”, “Rodo”, “Rodinho”, “Altos”, “Pombal”, “Cemitério”, “12”, “15”, “Rua do Seu Erly”, “Volta da Cachoeira”, “Ponte do Sinal”, “CT”, “Quadra”, “Galpão” e “Bolívia”.
Para os investigadores, esses nomes funcionariam como uma espécie de mapa operacional da associação, indicando locais de vigilância, circulação de integrantes e áreas usadas para sustentar a venda de drogas.
Ainda conforme o Ministério Público, maconha e cocaína seriam comercializadas em embalagens diferenciadas por cores, símbolos e inscrições para facilitar identificação, separação de quantidades e venda.
A denúncia também afirma que integrantes monitoravam viaturas para avisar sobre abordagens e operações, reduzindo o risco de apreensões e prisões em flagrante.
Outro ponto citado pelo MP é o uso de violência e intimidação para preservar o controle interno do grupo. O documento menciona ainda emprego de armas, suposta participação de adolescentes em funções ligadas ao tráfico e referências a pichações atribuídas à facção em pontos da cidade.
Ao pedir prisões preventivas, o Ministério Público argumentou que o grupo teria criado uma estrutura permanente para manter o tráfico funcionando e dificultar a atuação das forças de segurança.
Os denunciados terão direito ao contraditório e à ampla defesa ao longo do processo judicial.