A recente execução de um casal no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, voltou a escancarar a guerra silenciosa que vem transformando a região do Recreio e de Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio, em território de disputa entre traficantes do Comando Vermelho (CV), integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) e grupos milicianos.
Em meio ao clima de tensão, uma denúncia do Ministério Público do Rio revelou detalhes da estrutura criminosa montada pelo TCP nas regiões do Terreirão e Posto 12, apontando traficantes responsáveis por execuções, distribuição de drogas, monitoramento policial e venda de entorpecentes em plena orla da praia.
A morte do casal, ocorrida recentemente em uma das áreas mais conflagradas do Recreio, aumentou o medo entre moradores e frequentadores da região. O crime é tratado nos bastidores da segurança pública como mais um reflexo da disputa territorial que se intensificou nos últimos anos na Zona Sudoeste da capital.
Segundo o Ministério Público, o TCP mantém domínio sobre pontos estratégicos do Terreirão, Canal, Pombo Sem Asa, Taboinha e Notredame, além de áreas próximas às Vargens e ao Posto 12, onde traficantes atuariam até mesmo durante o dia comercializando drogas para turistas e frequentadores de quiosques.
A investigação aponta que armas e entorpecentes eram escondidos na areia da praia, debaixo de decks e próximos a barcos utilizados pelos criminosos.
Estrutura da facção tinha gerentes, distribuidores e executores
A denúncia mostra que a facção possuía uma divisão clara de funções dentro da organização criminosa.
O traficante conhecido como “Lobim” aparece como um dos principais gerentes do tráfico na região, responsável pelo abastecimento de drogas vindas da Vila do João, no Complexo da Maré. Além da logística dos entorpecentes, ele é apontado como um dos principais “matadores” da facção, ligado a diversos homicídios ocorridos no Recreio.
Outro nome citado é “RB”, descrito pelos investigadores como um dos “frentes” do TCP no Terreirão. Segundo o Ministério Público, ele atuava diretamente na eliminação de rivais e no controle dos pontos de venda de drogas.
Já o criminoso conhecido como “Sem Vulgo” é apontado como um dos principais executores da organização. Testemunhas afirmaram que ele fazia rondas diárias pela comunidade à procura de integrantes de facções rivais para matar.
Outro denunciado, conhecido como “Chibata”, foi apontado como participante de ataques armados e homicídios ligados à disputa territorial. Em um dos episódios citados na investigação, ele teria efetuado disparos contra um rival dentro de um posto de saúde no Terreirão.
Tráfico funcionava em quiosques e pistas de skate
A denúncia detalha ainda que o tráfico funcionava abertamente em áreas movimentadas do Posto 12.
Segundo as investigações, integrantes da facção comercializavam cocaína e maconha na areia da praia, em quiosques, decks e próximos à pista de skate frequentada por jovens e turistas.
Uma das denunciadas foi flagrada vendendo drogas diretamente para frequentadores da praia. Outro integrante acabou preso após fazer uma transmissão ao vivo nas redes sociais exibindo cocaína e anunciando a venda do entorpecente.
O Ministério Público afirma que quase metade dos registros de tráfico da região estavam concentrados no entorno do Posto 12.
Guerra envolve também milicianos e o Comando Vermelho
As investigações mostram que a violência no Recreio e nas Vargens vai além da rivalidade entre TCP e CV.
Grupos milicianos também tentam avançar sobre áreas estratégicas da Zona Sudoeste, aumentando o cenário de confrontos e execuções.
Um dos casos citados na denúncia envolve a morte de dois homens apontados como milicianos. Segundo os investigadores, traficantes do TCP teriam sido acionados após a presença dos rivais ser identificada no Terreirão.
O Ministério Público afirma que o conflito armado provocou uma explosão nos homicídios da região, que registrou aumento de 163% nas mortes entre 2022 e 2023.
Além das execuções, os criminosos utilizavam grupos de WhatsApp para monitorar viaturas e operações policiais em tempo real, permitindo esconder drogas e armas antes da chegada das equipes.
Para os investigadores, o Recreio e a região das Vargens deixaram de ser apenas áreas de expansão imobiliária e lazer da cidade para integrar o mapa das principais disputas do crime organizado no Rio de Janeiro.
cara, nao eh para omitir as funcoes dos traficantes
Execução de casal expõe guerra entre facções na Zona Sudoeste do Rio; denúncia revela estrutura do TCP no Recreio com gerentes, “matadores” e tráfico na praia
A execução recente de um casal no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, voltou a expor a escalada da violência na região do Recreio e de Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio, onde traficantes do Comando Vermelho (CV), integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) e grupos milicianos travam uma disputa armada por território, pontos de drogas e influência criminosa.
Em meio ao clima de guerra, uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio detalhou a estrutura montada pelo TCP no Terreirão e no Posto 12, revelando a atuação de gerentes do tráfico, distribuidores de drogas, vendedores na praia, executores de rivais e integrantes responsáveis por monitorar operações policiais.
Segundo a investigação, a facção domina áreas como Terreirão, Canal, Pombo Sem Asa, Taboinha, Notredame e pontos estratégicos próximos às Vargens e à orla do Recreio. O documento mostra que a região virou um dos principais centros de venda de drogas da Zona Sudoeste, com traficantes atuando até mesmo em quiosques, decks e pistas de skate frequentadas por turistas.
A denúncia afirma que armas e drogas eram enterradas na areia da praia ou escondidas embaixo de barcos e estruturas da orla.
Gerentes do tráfico e ligação com o Complexo da Maré
Entre os principais nomes citados está o traficante conhecido como “Lobim”, apontado como um dos gerentes do tráfico no Posto 12 e Terreirão.
Segundo o Ministério Público, ele era responsável por trazer drogas da Vila do João, no Complexo da Maré, para abastecer os pontos de venda no Recreio. Além da logística dos entorpecentes, Lobim também seria um dos principais “matadores” da facção, ligado a diversos homicídios registrados na região.
Outro denunciado apontado como liderança é “RB”, descrito como um dos “frentes” do TCP no Terreirão. A investigação afirma que ele atuava coordenando o tráfico e também participava da eliminação de rivais envolvidos na disputa territorial.
Já o traficante conhecido como “GB” seria o responsável pela conexão entre criminosos ligados ao TCP no Complexo da Maré e os gerentes do tráfico na Zona Oeste. Segundo os investigadores, ele fornecia os entorpecentes comercializados no Recreio.
Facção tinha executores responsáveis por matar rivais
A denúncia mostra que parte da estrutura do TCP era voltada exclusivamente para garantir o domínio armado da região.
O criminoso conhecido como “Sem Vulgo” aparece como um dos principais executores da facção. Testemunhas relataram que ele fazia rondas constantes no Terreirão procurando integrantes do CV e de outros grupos rivais para executar.
Outro integrante, conhecido como “Chibata”, foi apontado como autor de homicídios ligados à disputa territorial. Em um dos casos citados, ele teria participado da execução de homens apontados como milicianos no Terreirão.
A investigação também atribui a “Chibata” um ataque a tiros dentro de um posto de saúde da região contra um rival ligado ao Comando Vermelho.
Já o traficante conhecido como “JP” teria função ligada à identificação e localização de rivais. Segundo o Ministério Público, ele participou da ação que terminou com a morte de dois homens apontados como milicianos após alertar traficantes do TCP sobre a presença deles no Terreirão.
Outro denunciado, conhecido como “Chapoca”, foi identificado como participante da execução de um traficante que teria se recusado a integrar o TCP.
O criminoso apelidado de “Bebel” também foi apontado como integrante do núcleo responsável por eliminar rivais da facção.
Venda de drogas acontecia em quiosques e na areia da praia
A investigação detalha ainda a atuação dos vendedores de drogas que operavam diretamente na praia do Posto 12.
Uma das denunciadas, irmã de um dos gerentes do tráfico, seria responsável por vender drogas para banhistas e frequentadores de quiosques próximos à pista de skate.
Outra mulher denunciada aparece nas investigações comercializando entorpecentes diariamente em quiosques da orla.
O traficante conhecido como “MM” foi apontado como vendedor de drogas nos quiosques e na faixa de areia. Segundo o Ministério Público, a casa dele era utilizada pelo TCP para armazenar armas e entorpecentes.
A companheira de MM também integraria o esquema, sendo responsável por guardar drogas e armas utilizadas pela facção.
Outro integrante, conhecido como “Pica-Pau” ou “Reizinho”, tinha a função de vender drogas e monitorar operações policiais. Segundo a denúncia, ele participava de grupos de WhatsApp usados para avisar traficantes sobre a chegada de viaturas e movimentações da polícia.
Já um traficante identificado como Vitor dos Santos Silva foi preso após fazer uma transmissão ao vivo exibindo cocaína e anunciando a venda da droga em um quiosque do Posto 12.
Guerra entre TCP, CV e milícia provocou explosão de homicídios
O Ministério Público afirma que o conflito armado entre TCP, Comando Vermelho e grupos milicianos provocou uma explosão da violência na região.
Dados reunidos durante a investigação apontam aumento de 163% nos homicídios entre 2022 e 2023 no entorno do Terreirão e Posto 12.
A recente execução do casal no Terreirão é vista por investigadores como mais um capítulo da disputa que transformou o Recreio e as Vargens em áreas estratégicas para o crime organizado na Zona Oeste do Rio.