Uma investigação revela a existência de uma conexão direta entre traficantes do Comando Vermelho no Mato Grosso e integrantes da facção que atuam na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio — ampliando o alcance interestadual da organização criminosa.
Segundo a apuração, antes de ser preso ano passado, o apontado como chefe do CV no Mato Grosso, conhecido como “Tega”, se escondia na comunidade carioca, operando sob a proteção de lideranças locais.
As informações indicam que o investigado mantinha vínculos com nomes de alta hierarquia da Rocinha, como Rogério 157 e Johnny Bravo, reforçando a suspeita de integração entre núcleos da facção em diferentes estados.
De acordo com a investigação, Tega manteve ativa uma rede de tráfico de drogas e armas entre o Mato Grosso e o Rio de Janeiro, utilizando a estrutura da Rocinha como base de apoio e articulação.
Um dos pontos que mais chama atenção foi o uso da própria residência na comunidade como espécie de “abrigo operacional”. Segundo os investigadores, o imóvel era disponibilizado para outros integrantes da organização “em caso de necessidade”, o que levanta a suspeita de que o local funcionasse como esconderijo para foragidos ligados ao grupo criminoso.
A atuação do investigado também se estendia ao ambiente digital. Ele utilizava redes sociais com referências explícitas à facção — como a identificação “Rocinha 157” — ao mesmo tempo em que movimentaria valores por meio de contas bancárias em nome de familiares, prática que, segundo a apuração, indica tentativa de ocultação e dissimulação de patrimônio.
Apesar de não possuir renda lícita compatível, Tega mantinha bens de alto valor, incluindo um veículo modelo Toyota Corolla Altis, o que, de acordo com os investigadores, reforça os indícios de enriquecimento proveniente da atividade criminosa.
Interceptações telefônicas também revelariam o grau de organização do grupo. Em áudios analisados, o investigado afirmou ter “ritmado” áreas estratégicas de Cuiabá, estruturando pontos de venda e sistemas de arrecadação de dinheiro ilícito.
Ainda segundo a investigação, ele também atuava oferecendo suporte logístico a criminosos vindos do Mato Grosso, garantindo abrigo e proteção dentro de território dominado pela facção no Rio de Janeiro.
Embora os fatos ainda estejam sob análise das autoridades competentes, o material reunido aponta para um modelo de atuação que vai além da criminalidade local, indicando uma engrenagem interestadual estruturada, com base territorial, logística e financeira articuladas entre diferentes regiões do país.
Tega é apontado como herdeiro de um dos maiores líderes do CV no Estado., vulgo WT.