Após a divulgação de um áudio que mostraria um policial militar conversando com um traficante — caso que resultou na expulsão do agente da corporação dias depois — o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, voltou a utilizar as redes sociais para fazer novas denúncias envolvendo a Polícia Militar.
Desta vez, Garotinho afirmou ter recebido relatos de moradores de que policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 27º BPM estariam supostamente alinhados à milícia do PL, em confronto com a quadrilha de Juninho Varão, na região de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio.
De acordo com o ex-governador, os agentes teriam implantado um suposto regime de RAS compulsório na localidade conhecida como João 23, área recentemente dominada pelo grupo paramilitar.
Garotinho também relatou que um cabo da PM teria sido flagrado participando de uma reunião com milicianos em Itaguaí, o que teria resultado em punição disciplinar. Ainda segundo ele, o policial levaria uma vida de alto padrão, com viagens internacionais — incluindo destinos como a Tailândia — sem autorização oficial.
O ex-governador citou ainda outros dois policiais: um deles apontado como responsável pela arrecadação de dinheiro junto a comerciantes da região, e outro descrito como o suposto “cérebro” da milícia local.
Em seu blog, Garotinho acrescentou que, segundo denúncias, milicianos forneceriam apoio logístico a policiais, como água e alimentação, enquanto a população viveria sob forte intimidação. Ele afirma que o grupo criminoso controlaria atividades como a venda de botijões de gás, o transporte alternativo, serviços ilegais de TV a cabo (“gatonet”), além da comercialização e aluguel de imóveis.
A milícia do PL teria expulsado o Bonde do Varão das comunidades do Alvorada, João 23, Reta, Liberdade, Guandu, São Fernando e Higienópolis, em Santa Cruz – na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Procurada para comentar as acusações, a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) ainda não se manifestou. Em casos semelhantes, a corporação costuma questionar se as denúncias foram formalizadas junto aos órgãos de controle interno, como a Corregedoria, ou orienta que sejam encaminhadas à Ouvidoria.