Morto na manhã desta quinta-feira após ser baleado no dia anterior, o vereador Germano Silva de Oliveira, o Maninho do Cabuçu, já havia sido alvo de uma operação da Polícia Civil contra a milícia que atuava na Baixada Fluminense.
A ação ocorreu em 2020, quando agentes cumpriram mandados e realizaram buscas em endereços ligados a investigados — entre eles, a residência do parlamentar.
Na época, reportagens (inclusive do G1) apontaram que Maninho teria sido citado como possível candidato com apoio do grupo criminoso. Posteriormente, no entanto, não houve confirmação oficial dessa informação, nem divulgação de desdobramentos que comprovassem a acusação.
Aquela operação que Maninho fo alvo era para investigar o assassinato do vereador Domingos Cabral. O irmão do político, um PM, comandava uma milícia na região.
Até o momento, também não há qualquer indicação de que o atentado que resultou na morte do vereador tenha relação com aquela investigação.
ATAQUE A TIROS
Maninho foi baleado na tarde de quarta-feira, nas proximidades do Posto Aliança, na Avenida Abílio Augusto Távora, em Nova Iguaçu.
Segundo relatos, homens armados se aproximaram e efetuaram disparos. O vereador foi atingido nas costas.
Policiais do 20º BPM prestaram socorro e o levaram para a UPA de Cabuçu. Ele chegou consciente e com estado considerado estável. Em seguida, foi transferido para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã desta quinta-feira.
CENÁRIO DA MILÍCIA NA REGIÃO
A operação que citou o nome do vereador tinha como alvo a organização criminosa que, à época, era comandada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, e tinha como um dos principais nomes Danilo Dias Lima, o Tandera.
Atualmente, segundo investigações, o grupo que atua na região é associado à liderança de Juninho Varão.
INVESTIGAÇÃO
O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Flumiensne que busca identificar os autores e esclarecer a motivação do crime.
Até agora, não há informações oficiais sobre suspeitos ou possíveis ligações entre o homicídio e investigações anteriores.
NOTA OFICIAL DA CÂMARA DE NOVA IGUAÇU
A Câmara Municipal de Nova Iguaçu manifesta profundo pesar pelo falecimento do vereador Maninho de Cabuçu, ocorrido na madrugada desta quinta-feira, após ter sido vítima de um atentado na tarde de ontem, em Cabuçu.
Neste momento de dor, nos solidarizamos com seus familiares, amigos e toda a população de Nova Iguaçu, especialmente da região de Cabuçu, onde o vereador construiu sua trajetória de dedicação à vida pública.
Em razão dessa perda irreparável, o presidente da Câmara, Dr. Marcio Guerreiro, decretou luto oficial de 5 dias no município.
Os vereadores reforçam a necessidade de rigorosa apuração dos fatos pelas autoridades competentes e esperam que os responsáveis por este ato de violência sejam identificados e presos o mais rápido possível.
Casado e pai de três filhos, Maninho estava no segundo mandato de vereador. Que sua trajetória de trabalho e compromisso com a população seja lembrada e respeitada.
Ao longo do dia iremos passar mais informações sobre o falecimento do vereador. O velório será no plenário da Casa, na parte da tarde de hoje.