A denúncia contra 10 policiais militares acusados de invadir 13 casas no Complexo da Maré detalha duas formas de suposta ocultação durante a operação: segundo os autos, agentes teriam direcionado câmeras corporais para cima — ou para o lado oposto da equipe — e, em outros momentos, coberto as lentes, gerando imagens de “tela preta”.
O caso, antecipado pela reportagem e posteriormente repercutido por outros veículos, aponta que os policiais são acusados de abuso de poder e violação de dever funcional, além de não cumprirem a missão que lhes foi atribuída pela Apol do 22º BPM.
De acordo com o processo, os agentes também teriam desobedecido ordem superior relacionada à Instrução Normativa nº 0168, que estabelece os procedimentos para uso da Câmera Operacional Portátil (COP), conforme previsto no boletim da PM nº 182, de 30 de setembro de 2022.
Segundo a denúncia, durante a ocorrência, os policiais teriam obstruído indevidamente os equipamentos, comprometendo o registro das imagens.
Os autos descrevem que, em ao menos um caso, um dos PMs voltou a lente da câmera para cima ou para direção oposta à guarnição, impedindo que a ação fosse devidamente registrada.
Já em outras situações, policiais cobriram as lentes das COPs, fazendo com que os equipamentos registrassem apenas imagens de “tela preta”.
De acordo com a acusação, as práticas teriam sido adotadas com o objetivo de impedir a captação das ações realizadas durante a operação.
Para o Ministério Público, as condutas indicam tentativa de ocultação deliberada da atuação policial, em desacordo com as normas que regulamentam o uso das câmeras corporais.
O processo segue em tramitação, e a reportagem não localizou a defesa dos policiais citados.