A reportagem teve acesso a documentos que mostram que uma trama iniciada dentro de um presídio terminou em um homicídio que teve autorização de um dos chefes da maior milícia do Rio de Janeiro e culminou com uma série de execuções posteriormente
A vitima Jonathas Vidal da Silva, conhecida coomo Bodão, foi assassinada no dia 24 de outubro de 2024 na Avenida Cesário de Melo, em Santa Cruz. O corpo nunca apareceu.
Segundo os autos, os autores teriam sido dois milciianos vulgos Zulu e Primavera (morto recentemente) com autorização de PL, um dos líderes do grupo paramilitar que atua na região. Os três vão a júri popular pelo homicídio.
As investigações apontam que o crime foi praticado porque os autores acreditavam que a vítima estava transmitindo informações sobre os assasinos a um cirminoso vulgo Russo, que estava preso e desejava assumir o comando da Favela do Rodo, em Santa Cruz. Ou seja, os bandidos agiram por vigança e porque teriam se sentido traídos por Jonathan, Os autores sumiram com o cadáver de Jonathas.
A vítima foi arrebatada após sair do supermercado Super Compras, situado em Santa Cruz, quando se dirigia para a residência, localizada na Favela do Rodo.
Cerca de cinco minutos do arrebatamento, foi ouvido um disparo de projétil de disparo de arma de fogo, não tendo a vítima retornado a seu domicílio.
Logo após o crime de homicídio, Zulu, Primavera e Parazinho portando fuzis e pistolas, tendo em poder os telefones celulares da vítima, ingressaram na residência desta e se apropriaram de documentos pessoais, bem como suas senhas bancárias e telefônicas.
Curioso nesta história é que o irmão de Russo, vulgo Du Mal, que também estava preso à época, foi quem teria transmitido as informações para os assassinos,, que praticaram o crime para se vingar da suposta traição de Jonathas.
A partir daí,, deu-se início a uma série de homicídios na Favela do Rodo, com notícia de corpos sendo ocultados no Rio Guandu de todos que mantinham contato com Russo.
Mas a história não para por ai. Em depoimento, Russo revelou que teria sido obrigado, pago e aliciado pelos milicianos Juninho Varão, Sprint e Jiraya para prestar falsos relatos contra Felipe e Du Mal. Os três são rivais da milícia do PL. Jiraya foi assassinado na Baixada Fluminense este ano.
Segundo ele, foi Sprint que ofereceu a proposta para ajudá-los com algumas falsas acusações contra os autores e para que que fosse para o lado deles e levantassem informações contra a rivalidade.
A oferta, segundo ele, foi de de 600 reais. Eles deram quatro parcelas e Russo ficou na galeria deles por quatro meses;
Russo contou que Sprint levou um celular para que ele falasse com Jiraya. Depois, Jiraya o botou para falar com Varão e ficaram os três conversando,
A polícia contou que Russo e Zulu teriam brigado porque o primeiro ficou de receber do segundo um valor por um crime que ele foi cometer. Zulu não pagou porque houve perda de armamento.
Russo, então, jurou vingança e ela seria obtida buscando informações de Zulu a partir de Jonathas,
A polícia tinha informações de que a vítima era integrante da milícia do Rodo e fazia venda de terrenos do grupo, além de cobrar comerciantes.
A viúva de Jonathas disse, no entanto, que ele era trabalhador, atuava com conserto de celular e fazia um curso na Microlins. Ela é sobrinha de Russo.
Um outro policial disse que Russo pretendia assumir para si a área de atuação; em Santa Cruz e usava o celular do irmão para pedir informações sobre Zulu.
O agente confirmou que, a partir da morte de Jonathas, Zulu teria cometido uma sequência de crimes de pessoas que estavam vinculadas ao Russo para enfraquecer a possibilidade da tentativa dele em tomar a região. Segundo o policial, foi uma série de execuções de qualquer pessoa que estivessem atreladas ao Russo.
O policial disse que Dumal ao revelar a intenção do irmão de obter informações sobre Zulu teria sido agredido na cadeia e teve que ficar em isolamento.