Mesmo encarcerado no Complexo de Gericinó, em Bangu, no Rio de Janeiro, um integrante apontado pelo Ministério Público de Minas Gerais como liderança do Comando Vermelho teria continuado exercendo influência direta sobre atividades criminosas em Juiz de Fora e na Zona da Mata. Segundo denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o preso conhecido como “Canela” ou “CNL” ocupava posição de destaque na hierarquia da facção e seria responsável por decisões estratégicas relacionadas ao tráfico, arrecadação de dinheiro, distribuição de drogas e articulação interna do grupo.
De acordo com a acusação, seis investigados foram denunciados por promover e integrar organização criminosa. O MP sustenta que a estrutura atuava de forma organizada desde, ao menos, o início de 2025 e mantinha funções definidas para controle territorial, cadastro de integrantes, gestão de pontos de venda de drogas e recolhimento de valores entre membros da facção.
A denúncia afirma que, mesmo preso em Bangu, Canela continuava ativo na tomada de decisões e no gerenciamento de interesses do grupo em Juiz de Fora. O documento aponta que ele integraria um chamado “conselho permanente” da facção e que subordinados o descreviam como uma das principais referências do Comando Vermelho em Minas Gerais.
Segundo o Ministério Público, parte das provas foi obtida por meio de quebras de sigilo telemático, apreensão e análise de celulares em operações anteriores, além do compartilhamento de elementos colhidos em investigações conduzidas pelo Judiciário. Os investigadores relatam ter identificado grupos de WhatsApp usados para administrar atividades criminosas, organizar cobranças internas conhecidas como “caixinha”, registrar pontos de tráfico e impor regras internas.
Entre os grupos citados estão canais denominados “Caixinha da Casa”, “Tropa da Loba”, “A Grande Família” e “Caça as Notas”, que, segundo a denúncia, seriam utilizados para controle financeiro e operacional da organização.
Ainda conforme o MP, duas lideranças apontadas na investigação estariam presas — uma em Juiz de Fora e Canela em Bangu — sem que isso tivesse interrompido a atuação atribuída ao grupo. A acusação também menciona suspeitas de uso de menores em atividades ligadas ao tráfico, circulação de armamento e tentativas de expansão da influência da facção para além das atividades criminosas tradicionais.
Ao final, o Ministério Público pede o recebimento da denúncia, a condenação dos investigados por organização criminosa, perda de bens ligados às apurações, fixação de indenização mínima por danos coletivos e restrições futuras para progressão de regime caso haja condenação.
Os denunciados terão direito à ampla defesa e ao contraditório ao longo do processo.