A família Avelino voltou ao centro das atenções da mídia fluminense nesta quarta-feira, após uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que cumpriu 21 mandados de busca e apreensão contra integrantes do grupo no interior do estado e também em outras unidades da federação.
A fama de intimidação atribuída ao clã não é recente. Um episódio ocorrido na década de 1990 ilustra o clima de medo que cercava a atuação da família. Na ocasião, um dos integrantes, conhecido como Julinho Avelino, seria levado a julgamento pela morte de um jovem em Miguel Pereira. Antes da sessão, um jurado procurou um promotor de Justiça para relatar que, nos bastidores, comentava-se em Vassouras que sequer haveria quórum para a realização do júri, já que os jurados poderiam não comparecer.
Segundo o relato, mesmo que a sessão fosse instalada, havia o temor de que os jurados não tivessem coragem de condenar o réu, apesar da existência de provas nos autos, por receio de represálias. Diante desse cenário, chegou-se a cogitar a transferência do julgamento para outra comarca.
Documentos da época já classificavam integrantes da família Avelino como pessoas de “índole extremamente violenta”. O grupo era descrito como influente não apenas em Vassouras, mas em toda a região do Médio Paraíba, com forte presença econômica e política. Ainda segundo esses registros, diversos membros estariam envolvidos em crimes graves.
Histórico de homicídios
Ao longo dos anos, diferentes casos reforçaram essa reputação.
Em 23 de setembro de 2011, um integrante da família foi acusado de efetuar disparos contra Edson Presotto Marcondes, no bairro Madruga, em Vassouras. De acordo com a denúncia, o crime teria sido motivado por uma desavença envolvendo a negociação de um imóvel e o não ressarcimento de um trator dado como parte do pagamento. A acusação aponta que a vítima foi surpreendida por dois homens em uma motocicleta enquanto estava dentro do carro, sem possibilidade de defesa.
Outro caso ocorreu em 28 de maio de 2000, no Parque de Exposições Narciso Dias, também em Vassouras. Durante um rodeio, integrantes da família se envolveram em uma confusão com peões. Segundo a denúncia, a vítima Ronaldo da Silva Soares foi atraída até a cerca que separava o público da arena, onde foi agredida e baleada. Ele morreu no local. Um dos acusados foi condenado a 14 anos de prisão.
Há ainda o caso de Thiago Borges do Rêgo, morto em 30 de dezembro de 1996. De acordo com relatos, ele teria passado a sofrer ameaças após um desentendimento banal — teria esbarrado em um copo de cerveja de um dos integrantes da família. O acusado pelo crime acabou absolvido pela Justiça.
Já em 23 de setembro de 1995, outro episódio violento foi registrado no centro de Vassouras. Um integrante do clã foi acusado de matar Luiz Augusto Costa Monteiro após uma discussão de trânsito. Nesse caso, houve condenação, com pena fixada em 14 anos de prisão.
Os episódios, registrados ao longo de décadas, ajudam a dimensionar o histórico de violência atribuído à família Avelino e explicam por que o grupo continua sendo alvo de investigações e operações das autoridades.