Um levantamento detalhado da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), incorporado ao relatório da CPI do Crime Organizado do Senado Federal, escancara a dimensão da presença das facções criminosas no país: ao menos 90 organizações atuavam no Brasil em 2025, espalhadas por praticamente todo o território nacional.
Mais do que o número elevado de grupos, o dado que chama atenção é o alcance direto sobre a população. Segundo pesquisa do Datafolha citada no documento, pelo menos 28,5 milhões de brasileiros vivem em bairros sob influência do crime organizado, o que evidencia a capilaridade dessas organizações no cotidiano do país.
De acordo com o mapeamento, a maior concentração de facções está no Nordeste, com 46 grupos identificados. Em seguida aparecem as regiões Sul (24), Sudeste (18), Norte (17) e Centro-Oeste (9). No Norte, o cenário ganha contornos ainda mais complexos com a presença de três organizações criminosas de origem venezuelana, indicando uma dimensão internacional do problema.
O relatório também aponta diferentes níveis de atuação das facções: duas organizações teriam alcance nacional e internacional, 14 atuariam em nível regional e a grande maioria — 74 grupos — operaria de forma local. Ainda assim, dois desses grupos estariam presentes em 24 estados e no Distrito Federal, demonstrando alto grau de expansão territorial. O Rio Grande do Sul, segundo o levantamento, seria o único estado sem a presença simultânea dessas duas organizações.
Embora o documento não cite nominalmente quais seriam essas facções de alcance nacional, a análise dos dados permite inferir que se tratam do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC), historicamente apontados por autoridades como os principais grupos criminosos do país. Estimativas indicam que o PCC teria cerca de 40 mil integrantes, enquanto o CV reuniria aproximadamente 30 mil.
Outro ponto que surge no relatório é o avanço de outras organizações. Há registros de que o Terceiro Comando Puro (TCP) estaria em expansão, com alianças estabelecidas em pelo menos dez estados brasileiros, ampliando ainda mais o cenário de disputa entre facções.
Os dados revelam um quadro de pulverização e crescimento do crime organizado no Brasil, com atuação que vai do nível local ao transnacional e impacto direto sobre milhões de brasileiros.